Thursday, September 23, 2010

CALMA, QUE O BARCO AFUNDA-SE!

Ambos recomendaram calma ao PM e ao líder do PSD e o entendimento acerca do OE para o próximo ano, juntando-se ao PR na subscrição da receita para o momento crítico que o País atravessa.

Calminha e caldos de galinha nunca fizeram mal a ninguém. O que o aforismo não garante é que sejam suficientes. Tal qual o Melhoral: É melhor e não faz mal.
Aliás, para Mário Soares "a despesa pública não é tanta como se faz crer", uma afirmação que, só por si, indicia flagrantemente o seu desfasamento da realidade ou a intenção de a camuflar.

É por demais evidente que não é com o País em alvoroço transmitido pelas televisões de todo o mundo, à grega, que se convencem os investidores a manterem os créditos e a reduzirem os juros. Por cada exibição dessas sobem os spreads da dívida e encolhem-se os credores. Mas, se a calma é boa conselheira, não é com apelos à calma que, só por si, se estabiliza o barco neste mar encapelado, a roçar os baixios, em que navegamos.

O governo desta barca descontrolada (apesar do optimismo de circunstância de Soares sustentado nas recentes declarações do FMI) precisa, para além de calma, de um braço forte, que claramente lhe falta. A despesa pública, contrariamente ao que afirma Soares, é superior aquela que se faz crer. Toda a gente consciente, e não coagida por interesses partidários, sabe que assim é. E também sabe que é forçoso reduzi-la, se queremos cumprir os compromissos assumidos, a frase feita para este momento. Não pode o País chegar a 2013 com o défice abaixo dos 3% sem reduzir a despesa pública. O resto são tretas alegres. Por muito que a comparação repugne a Mário Soares. 

A calma que Cavaco, Soares, Balsemão e vários outros recomendam jamais poderá ser atingida havendo uma luta infernizada pelo poder. Por mais calma que possa haver à superfície é nos porões que se arrombam os barcos.

Repetidamente tenho escrito isto neste caderno:  Só um governo maioritário pluripartidário pode resolver os problemas graves do País*. Uma condição necessária, pelo menos tão necessária como a calma receitada.
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* O FMI não resolve. Quanto muito imporá uma solução.

Wednesday, September 22, 2010

IMAGENS SURREAIS DE UM PAÍS REAL

Imagine que uma família se dirigia à Câmara pedindo auxílio para a reparação do telhado da casa em ruínas. E que a Câmara lhe respondia que não senhor, não ia auxiliar a reparação mas a construção de uma casa nova.
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E imagine ainda que, passado algum tempo, já a casa estava demolida, a Câmara chegava à conclusão que, afinal, por causa da crise, não havia mais dinheiro para construir a casa e que, agora, a família se contentasse a viver numa barraca.
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Pois bem, é o que acontece com o Metro Mondego. Destruída a linha antiga, o Metro Mondego que a iria substituir está condenado a ficar parado por falta de verba.

Isto no dia em que o governo de Espanha reafirma a intenção de completar a ligação TGV entre Madrid e Badajoz e espera que o governo português cumpra os compromissos assumidos no âmbito desse pojecto: o de inaugurar em 2013 a ligação em grande velocidade entre Lisboa e Madrid. Ou será Poceirão-Madrid? 


AVIÃO SOLAR

Avião solar termina com sucesso primeiro voo sobre a Suíça, a 50 kms/hora. 
Nada mau, para começar.

Tuesday, September 21, 2010

ANTES QUE O CRÉDITO SE ESGOTE

Neste momento,
Euro = 1,326 dólares = 1,322 francos suíços. 

Não é a primeira vez que o franco suíço ultrapassa a cotação do dólar, mas no contexto actual esta ultrapassagem, que coincide com a recuperação do euro relativamente às duas outras divisas, decorre do comportamento frouxo da economia norte-americana que poderá levar ao Fed a injectar mais liquidez no mercado voltando à compra massiva de dívida pública*. O franco suíço vê, em consequência, renovada a sua condição de refúgio. 

Já a recuperação da moeda europeia ficará a dever-se, para lá do bom comportamento da economia alemã, à determinação de Angel Merkel em não transigir nas exigências que colocou aos membros do euro mais fragilizados no mercado. 

Amanhã, Portugal vai de novo ao mercado. A evolução recente da moeda única parece poder funcionar favoravelmente baixando as taxas de juro que na emissão de anteontem atingiram o máximo desde a entrada de Portugal no euro. De qualquer modo, a factura dos custos da dívida  continuará a ser insuportável enquanto não for evidente a inflexão no crescimento do endividamento público e privado. 

Ao Governo português não resta alternativa senão avançar rapidamente com uma proposta de OE que, para além de convencer o PSD a aprová-lo ou a abster-se, convença os investidores de que Portugal irá mesmo cumprir os compromissos assumidos. Compromissos que teremos de pagar de qualquer modo porque se a dívida não se reduz, os juros subirão a níveis sufocantes e o crédito esgotar-se-á subitamente.

Angela Merkel pode mandar murros da mesa e não ser ouvida, mas os credores fazem-se ouvir quer queiramos quer não.

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WALL MARTE



A NASA desvendou hoje o "Curiosity" rover, um robot que explorará o solo de Marte durante a próxima expedição aquele nosso vizinho.

A história é contada aqui, mas quem a quiser ouvir tem de ver antes um spot publicitário.

As semelhanças exteriores do "Curiosity" da NASA com o WALL.E da Pixar são notáveis.

O JOGO DE OUTRA CABRA CEGA


O Banco Vaticano, que na verdade se chama Instituto para as Obras Religiosas, é uma instituição privada com sede da Cidade do Vaticano. Foi fundada em 1942 pelo Papa Pio XII.

Em 1982, o Banco Vaticano viu-se imerso num escândalo financeiro quando ficou provada o seu envolvimento na falência fraudulenta do Banco Ambrosiano, de que o Instituto para as Obras Religiosas era o principal accionista.

 

O QUE É ISTO?


Starry night over the Rhone

Monday, September 20, 2010

FMI AO VIRAR DA ESQUINA


Em meados de Junho deste ano, Teresa Ter-Minassian, que liderou a equipa do FMI que em 1983 esteve em Portugal, afirmava em entrevista ao J Negócios , que o melhor seria o governo português recorrer já ao pacote de 750 mil milhões de euros acordado a nível europeu, o qual conta, também, com financiamento do FMI.
Não recorreu, e hoje um colega da Teresa Ter-Minassian afirma ao mesmo J Negócios que o FMI não conta aparecer por cá. 

Quem parece não valorizar esta última perspectiva do FMI são os credores da República Portuguesa ao colocarem os juros a níveis nunca observados desde a entrada de Portugal no euro.

E, não acreditando os credores, mais dia menos dia o FMI tem de se dar ao trabalho de aterrar na Portela.
Sem ele cá em casa quem é que vai fazer cumprir os compromissos assumidos?
Não o senhor PR, que não foi eleito para isso e quer ser reeleito apesar disso. 

Sunday, September 19, 2010

A GRANDE FARRA

FIDEL DO AVESSO - 2


Today, the U.S. policy of isolating Cuba by means of economic embargoes and travel restrictions serves two Castro goals: It provides an alibi for Cuba's social conditions, and it insulates Cuba from some of the political and cultural forces that brought down communism in Eastern Europe. The 11th president, Barack Obama, who was born more than two years after Castro seized power, might want to rethink this policy, now that even Castro is having second thoughts about fundamentals.*

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Em finais de Fevereiro de 2008, Raul Castro sucedia ao irmão no trono da monarquia cubana. Nessa altura, escrevi aqui um breve apontamento onde referia que  "a república ficava à espera do fim do embargo norte-americano".

Como refere o autor do artigo que liguei acima, e de que é sintomática a resposta dada pelo PCP ao Expresso na edição de ontem (vd aqui ) a propósito das declarações de Fidel ao "The Atlantic", o regime cubano desmoronar-se-ia rapidamente se os EUA abandonassem a política que tem sustentado os Castros & Cª. no poder em Havana. De outro modo, é imprevisível o tempo de duração da ditadura.

A indecisão de Obama, neste como em outros casos bicudos com que a sua administração se confronta, só pode ser entendida pela limitação da capacidade de decisão do executivo em Washington, uma capacidade muito mais condicionada do que geralmente se supõe.
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*A não perder, o link para Sartre against Stalinism.
 A história, mesmo quando aparentemente se repete, é sempre um espectáculo original.  

SPECIAL ONE

Queria [mesmo ir para a selecção]. Vou ficar de férias em Madrid dez dias, a treinar com três jogadores”, disse Mourinho à correspondente da RTP em Espanha, após o jogo em San Sebastián, frente à Real Sociedad, que os "merengues" venceram por 2-1.

Não discuto futebol, nunca discuti futebol, não sei porque se discute futebol. O futebol é um espectáculo e um negócio. Gosta-se ou não se gosta. Mas a hipótese de Mourinho treinar em part-time a selecção (no caso concreto que agora se dicute, seria pontualmente) motivou-me a colocar, em Junho, dois apontamentos neste caderno e, recentemente, este outro.

E motivou-me não por se tratar de futebol mas porque ainda estou para perceber as razões (para além das legais que podem não ser razoáveis) que impõem aos clubes a obrigação de dispensarem os seus jogadores (a quem pagam milhões e que muitas vezes se lesionam durante os jogos da selecção, reduzindo, de forma muito elevada a contribuição para quem lhes paga) e não envolvem os treinadores na mesma obrigação legal.

Ontem, ouvia na Antena 1 um comentador desportivo, certamente abalizado, afirmar que a ideia de convidar Mourinho tinha sido peregrina, sem sentido algum.

Pelos vistos, Mourinho pensa de outra forma.

Saturday, September 18, 2010

BEM VISTO

PSD diz que Governo deve mostrar execução orçamental antes de apresentar o orçamento.

Uma exigência que deveria ser uma regra.

Entretanto, Zapatero prepara-se para um road show junto dos investidores norte-americanos. A transparência, nas actuais circunstâncias, é ainda a forma mais eficiente de recuperação de credibilidade. (vd aqui ). 

FIDEL DO AVESSO



Parece inacreditável, e os seus mais fiéis irão, muito provavelmente, negar que possa ter ocorrido, mas Fidel, em entrevista à The Atlantic não foi sinuoso e disse muito claramente que o regime por ele instaurado há 57 anos em Cuba já não presta.

Quem não terá dúvida alguma acerca da súbita reviravolta em Cuba são os 500 mil funcionários públicos que irão ser despedidos em 2011, metade dos quais durante o primeiro trimestre. 

 Ouvido pelo Expresso (edição de hoje), o Partido Comunista Português "garante que uma revolução que tem heroicamente resistido ao criminoso bloqueio dos EUA terá êxito no seu projecto de construção do socialismo" .

Fé para além do fim.

PEDITÓRIO

in J Negócios: António de Sousa diz que banca portuguesa vive pior momento da crise.

Presidente da Associação Portuguesa de bancos diz que a banca portuguesa nunca viveu uma situação tão grave como a actual e que se a situação continuar como está "vai ser muito difícil os bancos portugueses financiarem-se no exterior".

“A continuar assim, mesmo que os mercados internacionais melhorem, vai ser muito difícil os bancos portugueses financiarem-se no exterior. Ou seja, a banca está numa situação em que tem, rapidamente, de aumentar a sua rentabilidade, sob pena de não ter investidores”, afirmou António de Sousa, presidente da Associação Portuguesa de Bancos, em entrevista à Antena 1.

“A rentabilidade da maior parte dos bancos portugueses no mercado nacional já é negativa. É uma situação complexa e que não se poderá prolongar no tempo”, acrescentou.
...

“Penso que isto é suportável durante um ano, dois anos. Daí que, temo-lo dito publicamente, o essencial para a banca neste momento é que melhore a credibilidade do país”, adiantou, Questionado sobre se a banca portuguesa está com a corda na garganta, o presidente da APB afirmou que “eu não usaria essa expressão nunca, obviamente, mas diria que a situação dos bancos é realmente complicada como nunca foi anteriormente.

Nem mesmo no pico da crise, porque aí não havia um problema específico de Portugal, era um problema genérico. Neste momento é muito um problema apenas de Portugal”.
...

“Eu diria que, com a situação actual, irá ser obrigatório que, ou há uma diminuição substancial do crédito ou há vendas de activos substanciais dos bancos – e não estamos a ver muito bem como – ou há uma mudança de credibilidade do país no estrangeiro”, acrescentou.

Alertou que “se os investidores não voltarem a Portugal, a situação tornar-se-á bastante complexa, porque, pura e simplesmente, os bancos não terão dinheiro para emprestar nessa situação.”

Questionado sobre a possibilidade de o FMI ter que intervir em Portugal, tal como aconteceu na Grécia, António de Sousa afirmou que “eu gostaria muito que isso nunca viesse a acontecer, porque, nesse caso, o processo de reajustamento é geralmente muito mais penoso”.

“Muitos colegas economistas acham que já é inevitável. Eu penso que não é inevitável. Penso é que seria de evitar.”

Friday, September 17, 2010

DROIT DE REGARD

A expressão ouvi-a ontem a Pacheco Pereira durante uns breves minutos em que a televisão esteve ligada cá em casa. Droit de regard é faculdade pretendida pela Comissão Europeia, e, implicitamente a Alemanha, de, no nosso caso, se pronunciar acerca dos objectivos fixados no OE para o próximo ano, independentemente da aprovação pela Assembleia da República.

Este droit de regard, não se sobrepõe nem se antecipa ao voto dos deputados portugueses que são livres de aprovarem ou não o OE que lhes vier a ser apresentado. Mas é óbvio que a política orçamental portuguesa está cada vez mais dependente das recomendações feitas através de Bruxelas. Uma dependência que, pelo que ouvi, incomoda o visceral patriotismo do conhecido comentador político. E não só dele mas de muito mais gente que, por uma razão ou por outra, mas raramente por ignorância das circunstâncias em que o País naufraga, continua a querer fazer-nos crer que nos podemos continuar a endividar sem dar cavaco aos credores. 

Esta repulsa do droit de regard pode ter outra leitura: a de não ser entendida como rejeição da intromissão dos credores mas da política que conduziu a essa submissão. Trata-se, contudo, de uma repulsa serôdia, inconsequente, embalada por uma emoção que não comove quem nos empresta. Nem, pelos vistos, demove quem governa dos caminhos errados por onde nos conduziram.  

Apesar de os alarmes já retinirem por todo o lado o "povo é sereno" e os crescimentos da dívida pública e do endividamento externo continuam a acelerar. Até quando?

Até chegar o FMI, se não funcionar o droit de regard. Porque, nessa altura, o droit de regard passa a imposição.

O FMI, como dizia há tempos Ernâni Lopes, que teve de negociar com ele durante a crise de 1983, não nos vem ensinar nada que nós não saibamos. Vem apenas impor o que, por nossa iniciativa, não fomos capazes de nos impor.

O JOGO DA CABRA CEGA

Todos os arguidos do caso EPUL foram condenados com penas de prisão, mas com penas suspensas

Ninguém vai para a cadeia neste País?

Vai, se roubar pouco.

Thursday, September 16, 2010

NA MOUCHE


Evidentemente que ninguém deu nem dará por isso. Mas é gratificante comparar esta notícia no Público de  hoje com o que escrevi aqui e aqui.

Wednesday, September 15, 2010

A VIA INEVITÁVEL

As desvalorizações competitivas já começaram.
A inflação segue dentro de algum tempo.

Beggar, then sneakily enrich, thy neighbour

AMONG today's big news items is the word that Japan is now actively selling yen in order to improve its exchange rate against other major currencies. The yen has risen sharply in recent months, dealing a blow to Japanese exporters and slowing Japanese recovery. The move has led to some fretting that a period of competitive devaluation is nigh. Here's Tim Duy, for instance:

What it all boils down to is this: There apparently is no motivation for global central banks to stop directing capital inflows at the US in an effort to support mercantilist objectives. If it isn’t China, it will be some other economy. And equally apparent, there is no motivation among US policymakers to address such government directed capital flows. Which will leave politicians falling back on ultimately harmful trade barriers. The absolute inability of US policymakers to seriously address a global financial architecture where a rule of the game is "when in doubt, by Dollars" will ultimately have serious consequences via disruptive adjustment when the system can no longer be maintained, via either external or internal forces.

Doom and gloom, but I feel more positive about this development. Consider Buttonwood's take:

As David Bloom of HSBC points out in a note responding to the move, the costs of intervention to the Japanese are not great. Selling yen and buying dollars results in more yen being created, which might be inflationary, but a bit of Japanese inflation wouild be a good thing.

My thought concerns the general tendency of countries to want their currencies to depreciate. Everyone would like to boost their growth by letting their currencies slide and increasing exports. Of course, not all can succeed. Someone must increase net imports and let their currency appreciate. The obvious candidate is the Chinese, but they are unwilling to let it happen (at least at a pace desired by the rest of the world).

The result is like a game of deflationary pass the parcel in which the countries with appreciating currencies eventually feel the pressure, and try to reverse the trend.


A bit of inflation in Japan wouldn't just be a good thing. It would be a really, really great thing. And if other countries react to Japan's intervention by attempting to print and sell their own currencies in order to toss the deflationary potato to someone else, well then so much the better. As the chart at right indicates, its a rare rich economy that couldn't use a bit more inflation.

Not every country can simultaneously depreciate its currency. But everyone can nonetheless benefit from the attempt, if currency interventions lead to expanded money supplies and rising inflation expectations.

It's worth looking again at this important chart:



Tuesday, September 14, 2010

TICINO

clicar nas imagens para ampliar

Quando, há já muitos anos, visitei pela primeira vez a Suíça, impressionaram-me, além do mais, a ordem e a limpeza e o cheiro a estrume fora das cidades. Aliás, era frequente verem-se estrumeiras ao lado das habitações rurais.

Passados estes anos, e de volta a Suíça, agora também por razões familiares, já não se nota tanto o cheiro a estrume mas a ordem e a limpeza já não é o que eram.

O que, no entanto, persiste é o aproveitamento intensivo da terra arável. No Ticino, por exemplo, a vinha é omnipresente: no adro de uma igreja, no logradouro de um castelo medieval que é património da Unesco, no espaço urbano. Há cultivo de couves, beterrabas, milho, etc. em convivência com stands de automóveis.

Vimos até um campo de uma espécie (última foto) que não consegui identificar*, nem ninguém ali por perto conseguiu.

Lembro-me sempre desta paisagem cultivada quando atravesso Portugal e vejo tanta terra arável abandonada.

Porque é que isto acontece? É certo que a agricultura é fortemente subsidiada na Suíça. Mas não creio que seja só essa a razão deste apego à produção agrícola na Suíça e do desprezo que ela merece entre nós.

Há, certamente, razões culturais que, no caso português, serão de rejeição cultural.

Na Suíça, notoriamente, há uma preferência arreigada por tudo o que é Suíço. Sobretudo por tudo o que é criado localmente. A defesa dos interesses de cada um começa na defesa dos interesses do vizinho. Quem é que pensa em tal em Portugal?


 

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*É um exemplar de Fagopyrum esculentum. É o trigo-mourisco, planta cultivada de origem asiática.

BASILEIA TRÊS


It took two years to get there, but when international regulators late on Sunday announced the final details of their mammoth overhaul of bank capital and liquidity standards – the so-called Basel III package – there were hopes they were laying to rest the ghost of Lehman Brothers.

Just ahead of Wednesday’s second anniversary of the ignominious Lehman collapse, the Basel Committee on Banking Supervision unveiled a finely-tuned package of reforms – more than tripling capital requirements – to the accompaniment of much back-slapping.

“The combination of a much stronger definition of capital, higher minimum requirements and the introduction of new capital buffers will ensure that banks are better able to withstand periods of economic and financial stress, therefore supporting economic growth,” declared Nout Wellink, the veteran Dutch central bank chief who chairs the committee. The changes “will create a much more resilient banking system in the future”, echoed Lord Turner, head of the UK’s Financial Services Authority. The deal was the key to “a more stable banking system that is less prone to excessive risk-taking”, chorused US regulators.

There have been critics. Initial regulatory proposals have been watered down after industry consultation. Parallel reform proposals from politicians have also been weakened on their way into law. The powerhouses of Wall Street and the City of London lobbied hard to retain their historical sources of high-risk profit in the face of those determined to “de-risk” the system.

But there is real change all the same. The Basel III regime, to be phased in by 2019, comes on top of legal reforms in various parts of the world, notably the US, where the so-called Volcker package implemented via the Dodd-Frank legislation aims to curtail big banks’ risks. Most fundamentally, the practice of pure proprietary trading – whereby banks bet their own money dealing in anything from gold to Greek bonds – is being outlawed in the US within two years




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Sunday, September 12, 2010

O EURO AINDA NA BERLINDA

By Wolfgang Münchau

Two years after the fall of Lehman Brothers, and a massive bank bail-out agreed by European governments, the eurozone’s financial sector is still fragile. As we have seen in recent weeks, the Irish banking sector is insolvent, and there are questions about the capacity of the Irish state to absorb those losses. Jürgen Stark, in charge of the monetary policy section of the European Central Bank, last week raised questions about the solvency of the German banking sector. Wherever you look, two years have passed and nothing has been resolved. There has been lots of activity – bail-outs, bad banks – but no resolution. It was always clear that this wait-and-see approach would eventually backfire. It may be happening already.

After Lehman’s collapse, Europe’s establishment adopted a dual strategy – if you want to call it that. In the short term, it threw money at the problem, through loan guarantees and generous liquidity provisions, culminating in a huge bail-out facility for sovereign states. The long-term strategy was a prayer for a strong V-shaped recovery.

As long as you make sufficiently optimistic assumptions about future income growth, you can pay off any amount of debt. If you assume a post-reform Greece will miraculously turn into a Aegean tiger, or that Ireland will generate another housing price bubble, the present rate of indebtedness will be no big deal. It all rests on your assumptions about growth. In the summer, it looked as though the strategy might work, as the economic data came in better than expected. That was then.

As we saw last week, this strategy came badly unstuck in Ireland. The Irish government massively underestimated the scale of the problem in its banking sector. On my own back-of-the-envelope calculations, the cost of a financial sector bail-out may exceed 30 per cent of Irish gross domestic product, if you make realistic assumptions about bad debt write-offs and apply a conservative trajectory for future economic growth.

We know from economic history that countries enter into longish phases of stagnation after a financial crisis. Ireland suffered an extreme crisis. In the light of what we know, the safe assumption to make for Ireland – and Greece – is that there will not be much nominal growth in the next five years. If you make that assumption, you realise Greece will almost certainly not be in a position to repay its debts. While Ireland’s situation is marginally better, there are justified doubts about the country’s long-term solvency.

Ireland and Greece are not the only eurozone countries in potential trouble. Portugal is in a predicament similar to that of Ireland. If Spain does not find a way to a sustained increase in productivity, the situation may blow up there as well. Belgium may not be on the radar screen of many investors but the country’s political crisis raises a number of disturbing questions about the country’s underlying solvency, hitherto taken for granted.

You need not make gloomy growth forecasts to reach a pessimistic assessment of underlying solvency. The eurozone will probably not have a double-dip recession. Even so, a sustained global economic slowdown, the start of which we may have just witnessed, is all it would take to derail the do-nothing strategy. In the absence of strong growth, the European banking sector will not be able to generate the excess profits needed to write off the bad assets.

Germany in particular is still under the illusion it can generate a strong and sustainable growth over a long period. Recent data were impressive but economic data tend to be volatile. I find it hard to believe the most recent performance is sustainable, although I do expect Germany to outperform the eurozone average because of the depressed real exchange rate.

The German state is in no danger in terms of solvency. But the health of the country’s banking sector is sensitive to various growth assumptions. I would consider the German banking system, taken as a whole, to be insolvent if you apply the strictest definition of capital – equity capital and retained earnings. The new Basel III capital adequacy rules are supposed to take care of the problem of dodgy categories of core capital. I wrote this before the conclusion of Sunday’s agreement in Basel, which irrespective of the details will take years to implement. In the meantime, there will be no crisis resolution.

In Ireland, the cure would consist of nationalisation and wiping out the bondholders of Irish banks through bond-to-equity conversions. In Germany, it would be a recapitalisation of the banking sector – a polite way of saying closing down, or merging, many public-sector Landesbanken and Sparkassen, local savings banks. Mr Stark was absolutely right. The system is no longer working.

Two years after Lehman’s collapse, the fragility of the European banking sector is still an issue. I would bet we are still talking about it in five years. That, in turn, means the financial crisis will go on and on and on, at least in the eurozone.

CASA ARROMBADA

As dificuldades no endividamento externo preocupam o actual governador do Banco de Portugal. 
                              
Pena é que no Banco de Portugal não se tenha pensado no assunto antes. Agora é tarde e a margem de manobra, se alguma existe, estreita.  

Segundo noticia o Público, na semana passada, responsáveis do sector financeiro nacional confirmaram que o Banco de Portugal enviou aos bancos uma carta em que é solicitada a apresentação dos planos de diversificação de fontes de financiamento das instituições. Em vésperas da discussão do Orçamento do Estado para 2011, o BdP quer garantir que, com os mercados a penalizar o acesso ao crédito externo por parte dos agentes económicos portugueses e com o BCE a preparar a retirada das medidas de apoio extraordinárias ao sistema financeiro, os bancos nacionais estão já a encontrar alternativas no acesso aos fundos.

Onde? É complicado. Se não fosse não teriam chegado à situação a que chegaram. Em grande medida, por culpa própria, aliás.
Agora que o sistema voltou a uma situação de desconfiança na dívida soberana, os bancos credores são, obviamente, atingidos em cheio. Que alternativas de acesso poderão existir se o BCE quer retirar-se e a desconfiança do sistema financeiro se mantém? Aumento dos capitais próprios? Ou encosto aos credores?

Em todo o caso há pelo menos uma medida que há muito se impõe: a de reduzir o financiamento das importações, públicas e privadas. Estarão os bancos disponíveis, agora, para desviar o financiamento das importações para as actividades produtoras de bens e serviços transaccionáveis nacionais? Ou continuarão obcecados nas margens de negócios que mais tarde ou mais cedo têm de fatalmente acabar por secura extrema?

Faz algum sentido, por exemplo, que os bancos continuem a financiar a compra de automóveis (durante o primeiro semestre deste ano a venda de automóveis novos cresceu 57% relativamente a igual período do ano passado, o melhor registo do sector observado na União Europeia ) quando o endividamento externo do País atinge valores incontroláveis?

Saturday, September 11, 2010

OUTRO

Público: Luís Amado apela à cooperação entre partidos para arrumar a casa.

Apelos, há muitos.

OS MAIS VELHOS





O Teatro Olímpico de Vicenza (1580-1585), em Vicenza, Itália, é o teatro interior mais antigo do mundo.
Quem o visita pela primeira vez dificilmente deixará de se envolver de espanto. O seu criador, que morreu no ano anterior ao da sua abertura, criou um cenário único em todos os sentidos. Único porque é inamovível, mas  único também porque define um ambiente de grandiosidade que, só por si, constitui um espectáculo ímpar.

O Corral das Comédias de Almagro, Espanha, é mais novo 43 anos. Foi construído em 1628.
À magnificência do Olímpico de Vicenza contrapõe-se a singeleza do Corral de Almagro, pelo que se a arte aproximou os seus autores os recursos, num caso e noutro, já eram bem significativos das diferenças da riqueza material, mas sobretudo cultural, acumulada pela  república veneziana, por um lado,  e pela Andaluzia, apesar de o primeiro quartel do Séc XVII corresponder ainda fim do apogeu da Espanha imperial.
Situado numa das "Plaza Mayor" mais originais da Andaluzia, ainda nos dias de hoje é a principal referência para o "Festival de Teatro" que anualmente ali se realiza no mês de Julho.

Friday, September 10, 2010

O JOGO DA CABRA CEGA

Procuradora sob investigação foi avaliada com "Muito Bom"
Autos do Freeport estão num caos
Agência inglesa diz que documento é falso

Ainda mexe, e quanto mais se mexe mais mal cheira.

LJUBLJANA - 2

Na foto da esquerda, o centro da calçada estreita foi ocupado por uma curiosa instalação (ou uma escultura?) de um artista esloveno. Como numa levada que corresse para o rio em baixo, rolam cabeças de personalidades eslovenas, mortas ou ainda vivas, e, entre elas, caracteres alfa numéricos, a sugerir a incontornável transitoriedade da condição humana, por mais notável que seja ou tenha sido.

Thursday, September 09, 2010

OS CUSTOS ESQUECIDOS DO COMÉRCIO LIVRE




























A teoria económica garante que o comércio livre impulsiona o crescimento económico global, e a história tem confirmado a tese ricardiana, ainda que não pouca gente duvide da bondade da teoria.

De um efeito ninguém duvida: O comércio livre impulsionou o desenvolvimento dos transportes e a redução dos custos de transportes promoveu o comércio em todas as direcções do globo. Resultado: Os mares são cruzados incessantemente, em terra, as vias de ligações transnacionais, ou transestaduais, estão saturadas de comboios de camiões porque os comboios de vagões ou não existem, ou não são competitivos, ou são insuficientes.

Até quando será possível este desatino? Enquanto houver petróleo?
E se, de repente, alguém põe a mão na torneira principal e corta ou reduz o fluxo vital?
Ninguém pensa nisso, pelos vistos. É um dado adquirido que o petróleo não se esgota tão cedo. E que se não se esgota ninguém fechará ou reduzirá o volume na torneira.

De qualquer modo, se o petróleo não faltará tão cedo, a saturação das vias de comunicação rodoviária é crescente por todo o lado. Há custos esquecidos que consentem este desvario.

O JOGO DA CABRA CEGA

Público:
Tribunal falha entrega do acórdão Casa Pia pela terceira vez.

É demais?
É normal, em Portugal.

Wednesday, September 08, 2010

LJUBLJANA

Castelo de Ljubljana - Aberto até depois das 20 horas (A última visita guiada começa a esta hora). Objecto de obras de recuperação e adaptação a diversas funcionalidades (apresentação em vídeo 3D de maquetes da evolução do castelo e da cidade desde os seus primórdios até à actualidade, pequeno museu interactivo, zonas de restauração e artesanato, etc).

A Eslovénia já ultrapassou Portugal em PIB/capita. Mas nós ainda não demos por isso. Dito de outro modo: ainda não percebemos como é que isso foi possível. Nem, pelos vistos, queremos perceber.

PONTE DOS SUSPIROS

Será?
As obras de conservação de monumentos são dispendiosas. O recurso ao me(r)cenato dá nisto: O entaipamento (necessário) é vendido para a colocação de anúncios que são uma afronta à dignidade de obras com mais de 500 anos.

O JOGO DA CABRA CEGA

Passam cinco dias desde a leitura da sentença que condenou seis dos sete arguidos do processo Casa Pia, e

Entretanto, José Maria Martins acusa Ferro Rodrigues, Jaime Gama e Paulo Pedroso.

Jaime Gama é apenas a segunda figura do Estado. Às vezes podia ser alguém importante, mas não, é apenas a segunda figura na hierarquia do Estado.
Ou o advogado de Bibi tem razão e é gravíssimo ou o advogado de Bibi não tem razão e é gravíssimo.
(aqui).

Também acho.

Sunday, September 05, 2010

FALAR VERDADE

"É fundamental falar verdade aos portugueses para combater o desemprego", diz Cavaco Silva

Por que é que não fala?

Cavaco Silva pede aos portugueses que ponham de lado as divisões
Socialista Vitalino Canas aponta o PSD como destinatário das palavras de Cavaco

Donde, se PSD significa portugueses, o que é que significa PS para Vitalino Canas & Cª? Espanhóis?

A CULTURA DOS SUBSÍDIOS DA CULTURA

A polémica entre A Pinto Ribeiro e Pacheco Pereira (vd nota aqui) a propósito dos subsídios atribuidos pelo Governo a entidades de produções culturais que, na generalidade dos casos, atingem uma minoria muito restrita de admiradores dos intervenientes (artistas, produtores, realizadores, encenadores, etc.) e das suas performances, e que, em consequência do reduzido impacto na promoção cultural do País, dificilmente justificam aos olhos da opinião pública, isto é, dos contribuintes, os meios que o Governo lhes atribui.

Pacheco Pereira disse isto de forma mais elaborada e A Pinto Ribeiro catalogou-o como elemento da  facção conservadora,  decadente e ignorante, de forma explícita. 

A verdade é que a política cultural em Portugal suporta-se basicamente na atribuição de subsídios. Diga-se se passagem que a política da agricultura (e não por razões de trocadilho fácil) trilha os mesmos rumos: pouco se sabe das actividades do ministério da agricultura, de milhares de funcionários, para além da negociação de subsídios em Bruxelas e da sua atribuição a meia dúzia de felizardos e a umas centenas de largas de atingidos pelas inoportunidades climatéricas.

Voltando ao ministério da cultura, o subsídio é a mola do negócio. E ainda que o termo seja propositadamente provocador, as negociações que a distribuição do bolo, geralmente curto para as carências dos candidatos, envolve, demonstram claramente que os critérios de atribuição nunca se fundam em indicadores dos objectivos culturais a atingir. Por quê? Simplesmente porque a cultura não se mede, respondem os agentes culturais, e já disse a ministra.

Mais ou menos como a cultura subsidiada do girassol em Portugal: semeia-se mas não se colhe.

AUTOMÓVEIS & UNIVERSIDADES NOS EUA


Will America’s universities go the way of its car companies?

FIFTY years ago, in the glorious age of three-martini lunches and all-smoking offices, America’s car companies were universally admired. Everybody wanted to know the secrets of their success. How did they churn out dazzling new models every year? How did they manage so many people so successfully (General Motors was then the biggest private-sector employer in the world)? And how did they keep their customers so happy?

Today the world is equally in awe of American universities. They dominate global rankings: on the Shanghai Ranking Consultancy’s list of the world’s best universities, 17 of the top 20 are American, and 35 of the top 50. They employ 70% of living Nobel prizewinners in science and economics and produce a disproportionate share of the world’s most-cited articles in academic journals. Everyone wants to know their secret recipe.

Which raises a mischievous question. Could America’s universities go the way of its car companies? On the face of it, this seems highly unlikely. Student enrolments are higher than ever this year, as Americans who cannot find jobs linger or return to education. Cambridge, Massachusetts, shows no outward sign of becoming Detroit. Yet there are serious questions about America’s ivory towers.


O QUE É ISTO?

Evidence for a spinning black hole

Saturday, September 04, 2010

O PROCESSO DA ARTE CONTEMPORÂNEA

A propósito de uma polémica entre Pacheco Pereira, que catalogou a arte contemporânea como expressão em "culturalês" de um mundo que funciona em circuito fechado e onde o discurso do artista ao apresentar o seu espectáculo mostra uma vacuidade flagrante, uma cristalização idiomática que se insere numa espécie de esperanto do mundo da cultura e da arte, e António Pinto Ribeiro, que acusa PPereira de desconhecimento e de suspeita preconceituosa relativamente à arte contemporânea, identificando aí uma tipificada atitude estética-ideológico passadista e decadente,  

António Guerreiro, em artigo publicado hoje no Expresso/Actual, de onde resumi para o parágrafo anterior, é conciliador, afirmando, nomeadamente,

"Como se pode então avaliar esta arte que não tem qualquer referência ao sensus communis que determinava os critérios do juízo estético? Eis, em versão culta, a pergunta tantas vezes repetida em versão profana ("tudo pode ser arte"), da qual se passa para a versão diametralmente diabolizante: se tudo pode ser arte, a arte não tem sentido e é uma merda. Esta metáfora da arte como "merda" tornou-se um leitmotiv de largo uso, como mostrou Marc Jimenez  (em "La querelle de l´art contemporain"), e foi inaugurada em registo auto reflexivo com o trabalho do artista italiano Piero Manzoni, que em 1961 apresentou a sua "Merda de Artista" em latas de conserva."*

E, mais adiante,

" Tomando esta controvérsia como exemplo e o modo como se desenvolveu, percebemos que o discurso de Pacheco Pereira não pode ser meramente reduzido à emanação de um "mundo decadente" ao qual podem, ironicamente aconselhar umas leituras para o devido aggiornamento. As questões colocadas pela resistência à arte contemporânea (que, de resto não é novidade: a preocupação intransigente de autonomia, própria da arte moderna, manifestou-se pela recusa em responder à expectativa do público) e pelas controvérsias que provoca são mais complexas.

......
*vd aqui

ASSIMETRIAS E ESTAGNAÇÃO

Existe ainda a ideia muito generalizada de que o funcionalismo público é, geralmente, mais mal remunerado que os empregados no sector privado. O que não é verdade, bem pelo contrário. O funcionalismo público é remunerado bem acima da média do sector privado, mesmo considerando a comparação para idênticas funções e competências requeridas. Esta é uma constatação fundamentada há muito mas, não obstante a evidência, geralmente os funcionários públicos consideram-se pior remunerados que os empregados no sector privado e, para além disso, conseguem transmitir para o público em geral a ideia errada da realidade em matéria de remunerações no sector público e no sector privado.

Mesmo sem ter em conta a garantia de emprego no sector público, que não existe no sector privado, o sistema específico de saúde (ADSE) que lhe garante, além do mais, pela opção do médico que querem consultar, por um, ainda, privilegiado sistema de reforma, entre outras vantagens, a comparação pura e simples das remunerações mostra (estudos do Banco de Portugal citados por P Maia Gomes no Expresso/Economia desta semana) que, em média, pessoas com características similares (educação, experiência, etc.) recebem mais no sector público. Este "prémio" era de 9%  em 1996, aumentou para 16% em 2005.
Seguramente, no momento presente, aquela distância alargou-se.

E alargou-se por razões que várias vezes aqui apontei, a mais saliente das quais é a transferência que na última década, sobretudo, se observou de rendimentos dos sectores privados de transaccionáveis para os sectores de não transaccionáveis, onde a função pública se inclui. V Bento demonstra essa transferência, as suas causas e as suas consequências de modo incontroverso em "Perceber a crise para encontrar o caminho".    

É evidente que a ilusão de que  o sector privado que paga melhor  radica numa comparação distorcida. Porque é evidente que há empresas no sector privado que remuneram melhor, ou bastante melhor, que o sector público, esquecendo-se quem compara, ou quem ilude, que para além das banca e dos monopólios de facto, também eles beneficiários da transferência de riqueza observada, há milhares e milhares de empresas que têm de competir no mercado e, deste modo, não podem aumentar os ordenados aumentando os impostos*.

Propõe P Maia Gomes no referido artigo do Expresso/Economia "um corte de 10% nos salários (que) permitiria reduzir a despesa em dois mil milhões de euros por ano, o equivalente a 1,4% do PIB. Para conseguir uma diminuição da despesa da mesma magnitude seria preciso abolir o subsídio de desemprego ou despedir 73 mil funcionários públicos. Mesmo todas as privatizações previstas no PEC irão gerar 1,5 mil milhões de euros por ano, durante 4 anos...Nenhum outro caminho permite uma redução da despesa pública significativa sem um efeito negativo na procura, promovendo a equidade entre o sector público e privado no mercado de trabalho, ..."

Nada de muito novo, reconheça-se. Mas pertinente. Oxalá todos quantos advogam estas e outras medidas impopulares estivessem errados e pudessemos nós viver e prosperar em populismo permanente.
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*Também é verdade que, em algumas destas, não haverá aumentos de salários mas certos patrões não se inibem de se passearem em carros de altíssima gama, por exemplo. O que pode perturbar a discussão mas não altera as conclusões.  

O JOGO DA CABRA CEGA

Ontem, logo após o encerramento da audiência de leitura do acórdão do caso Casa Pia, os condenados sairam das instalações judiciárias e foram entrevistados pelos media. O único arguido ilibado, a dona da casa de Évora, recusou-se a mostrar a cara e a dizer fosse o que fosse. Os recursos já anunciados têm efeito suspensivo e os condenados em primeira instância aguardam em liberdade a decisão da Relação, depois do Supremo, depois do Constitucional, ignoro se o recurso para o Tribunal Europeu lhes garante a continuação da liberdade, se entretanto em qualquer degrau judicial anterior não forem absolvidos ou virem prescritos os crimes por que foram condenados.

Mais admirável, contudo, é o facto de, em lugar de serem enviados para a prisão, como esperaria o homem comum, alguns condenados dirigiram-se para hotéis onde realizaram conferências de imprensa.

Aliás, foram condenados mas, formalmente, continuam simplesmente arguidos, isto é, presumidamente inocentes.
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Fenómenos que a justiça popular não entende e corroem a imagem da justiça que se diz existir para ser exercida em nome do povo.

Público: Ferreira Dinis vai explicar em conferência de imprensa os factos que levaram à sua condenação
              Recursos vão manter arguidos em liberdade

Friday, September 03, 2010

O JOGO DA CABRA CEGA

Ao fim de seis anos de julgamento, oito após o início do processo,

Pelas contas de alguns, dos crimes que hoje foram julgados em primeira instância, os mais antigos prescreverão em 2016.

Segundo quem fez as contas, mais cinco anos serão suficientes para os juízes desembargadores, e depois os juízes conselheiros, apreciarem a chuva de recursos anunciada hoje pelos advogados. Mas nunca se sabe.

É o jogo da cabra cega em todo o seu esplendor.

Entretanto, segundo reportagem se hoje do Público, a prostituição de menores em Lisboa, e nomeadamente na área do Parque Eduardo VII, continua pública e notória.

CAPRICHOS & OPÇÕES

Robert Reich

What passes for business reporting in the United States is too often a series of breathless reports about the stock market. When the Dow rises precipitously, as it did today (Wednesday), the business press predicts an end to the Great Recession. When the stock market plummets, as it did last week, the Great Recession is said to be worsening.

Pay no attention. The stock market has as much to do with the real economy as the weather has to do with geology. Day by day there’s no relationship at all. Over time, weather and geology interact but the results aren’t evident for many years. The biggest impact of the weather is on peoples’ moods, as are the daily ups and downs of the market.


O QUE É ISTO?

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Earth and Moon from Messenger

Thursday, September 02, 2010

SEPARAÇÃO DE RISCOS

"Too big to fail is one of the biggest problems we face in this country", afirmava Bernanke à revista Time no princípio deste ano. A Time tinha-o considerado no fim do ano passado personalidade do ano, tendo-lhe dedicado a primeira página, como é da tradição.

Volvidos oito meses, Bernanke volta a afirmar de novo: O problema dos bancos "demasido grandes para falirem" tem de ser resolvido, e que a grande lição do “caos” registado nos mercados financeiros em 2008 deverá ser resolver urgentemente o problema das instituições financeiras demasiado grandes para falirem.

Esta evidência tem sido referida vezes sem conta: Se os grandes bancos são demasiado grandes para falirem, das duas uma: Ou se restringe o crescimento dos bancos para além de certa escala, uma alternativa que não parece avisada porque não há desenvolvimento possível se o crescimento estiver legalmente coartado; ou o Estado garante apenas os depósitos feitos em bancos subordinados a regras que reduzam drasticamente os riscos das suas operações para os depositantes, envolvam em maior amplitude as responsabilidades dos accionistas e dos gestores a médio e longo prazos,  estejam sujeitos à intervenção permanente de órgãos fiscalizadores do Estado. É o regresso ao espírito de Glass-Steagall Act.

Bernanke, melhor que ninguém, sabe que terá de proseguir mais ou menos por aí. O problema dele é consentirem-lhe que o faça. 

EUROPA: PERSPECTIVAS MISTAS


Official borrowing costs in the eurozone have been left at record lows for the 16th consecutive month as the European Central Bank sticks to its cautious stance on the region’s economic prospects.

The decision to leave the ECB’s main interest rate at 1 per cent had been widely predicted. Although growth has picked up in recent months, eurozone inflation, which was at 1.6 per cent in August, remains in line with its target of an annual rate “below but close” to 2 per cent.

Jean-Claude Trichet, president, announced the that the ECB would extend into 2011 its policy of matching in full eurozone banks’ demand for liquidity on a weekly, monthly and three-monthly basis.

The move reflects continuing uncertainty about the strength of the economic recovery and the vulnerability of banks in eurozone “peripheral” countries such as Spain, Ireland and Greece, where demand for ECB liquidity has been strongest.

After the publication of the results of European bank “stress test” results in late July, financial market tensions showed signs of easing. The volume of ECB liquidity in the financial system has also fallen.

But the amount outstanding on ECB operations is still almost €600bn, compared with nearer €400bn prior to 2007. Market tensions rose again recently over the public cost of supporting Ireland’s bank system.

Mr Trichet also said the ECB’s forecast for eurozone growth this year would be revised upwards from the range with a mid-point of 1 per cent forecast in June. “Annual real GDP growth will range between 1.4 per cent and 1.8 per cent in 2010 and between 0.5 per ent and 2.3 per cent in 2011.

This revision was the result of a “stronger-than-expected rebound in economic growth in the second quarter, as well as better-than-expected developments over the summer months.

“For 2011, the range has also been revised upwards reflecting mainly carryover effects from the projected stronger growth towards the end of 2010,” said Mr Trichet.

However, he said it was essential to remain “cautious and prudent” about the strength of the recovery.

So far, the ECB has not been convinced that the pace of expansion has become self-sustaining – which would make it capable of withstanding a significant slowdown in the US or Asia.

A double dip back into recession in the US could hit peripheral eurozone countries especially hard by reducing their scope for boosting growth through exports.

Financial markets do not expect the ECB to lift its main interest rate until well into 2011.

So far, the eurozone’s recovery has been dominated by an export-led surge in Germany.

The ECB is likely to take some comfort from breakdown of eurozone gross domestic product data for the second quarter, published by Eurostat, the European Union’s statistical unit.

These showed exports rose by 4.4 per cent compared with the previous three months. But consumer spending grew by a faster-than-expected 0.5 per cent and made a significant contribution to the overall 1 per cent rise in GDP. That pointed to a broadening of the upturn.

Wednesday, September 01, 2010