Wednesday, October 31, 2018

ALIÁS


Aliás, 13

OUTUBRO 31, 2005


O PRESIDENTE PODE

“Se não for cobarde o Presidente pode…”


Leio esta frase na crónica dominical de António Barreto no “Público” do passado domingo, 23 de Outubro, e constato que ninguém reagiu ou eu não dei por isso.
E, no entanto, a gravidade dos termos pareceria dever suscitar reacção equiparada. Nos tempos em que a defesa da honra se sobrepunha à defesa da vida, alguém teria obrigado AB a um duelo.
Nos dias de hoje, contudo, o instinto de sobrevivência sobrepõe-se a tudo e a honra anda pelas ruas da amargura. Duelos, só verbais, e mesmo assim, com todas as cautelas, não vá alguém ficar arranhado.
Algumas questões elementares se podem, no entanto levantar a propósito da acção possível do Presidente sobre, por exemplo, a decência na política em Portugal.



Se o Presidente tivesse dirigido à Assembleia da República uma mensagem exortando aqueles que, vergonhosamente, apresentaram contas por viagens fictícias, a demitirem-se por peculato, os casos Marco de Canavezes, de Felgueiras, Oeiras e outras roubalheiras teriam acontecido?



Se o Presidente tivesse, em nome da decência política, denunciado publicamente a contradição entre as promessas (de Durão) de não aumento dos impostos e a prática oposta logo que ganhou as eleições, aumentando-os, teria Sócrates procedido exactamente do mesmo modo passado pouco tempo, quando chegou o seu tempo?



Se o Presidente tivesse exortado os agentes da Justiça a procederem de forma que a Justiça exista, teríamos tantos processos acumulados, tantos prescritos, tanta descrença, tanta falta de sentido de Estado?



Se o Presidente, antes de promulgar, perguntar porquê, assistiríamos a esta corrida oportunista dos autarcas para salvaguardar o seu regime especial de reforma antes da entrada em vigor de novas condições, aproveitando o propositado relaxe das entidades por onde transitaram até chegar até ele?



Se o Presidente, eleito por sufrágio universal, usar todos os poderes que a Constituição lhe confere, não poderemos passar a viver num País mais decente, mais justo e mais próspero?



Para exercer tão alto cargo é preciso assim tanta coragem?



Não é. Basta cumprir o juramento.

Saturday, October 27, 2018

SUPER REALISTA AUSTRÁLIA








WHAT IS THE biggest problem facing America? Or Japan? Or Britain? Or France? Opinions vary, naturally, but some worries crop up again and again. Those of a materialist bent point to decades of slow growth in median incomes, which has bred disillusion and anger among working people. Fiscal hawks decry huge public debts, destined to grow even vaster as ageing populations rack up ever bigger bills for health care and pensions. Then there is immigration, which has prompted a furious populist backlash in the United States and all over Europe. That hints at what, for many, is the most alarming trend of all: the lack of any semblance of a political consensus about how to handle these swelling crises.

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Thursday, October 25, 2018

QUARTEL BOAVIDA



Quando a coronela entrou em casa, faltava pouco para o meio dia, tinha saído para o giro da manhã, apanhar ar, mexer as pernas, palrar com as amigas, quase todas casadas com oficiais do quartel onde o seu esposo, o coronel, era o comandante, por ali toda a gente a conhecia pela coronela ainda que ninguém a tratasse senão pelo próprio nome, deparou-se com o coronel sentado no sofá, esbragalado, a limpar-se a um guardanapo encharcado do suor que, sem parar, lhe escorria em bica na cara e no pescoço. O que é que te aconteceu homem?, perguntou repetidamente a coronela, e o coronel, nada, mudo continuava a enxugar o suor, fala, desembucha, sentes-te mal? queres que chame o médico, que te leve ao hospital? não falas, não consegues falar, saíste e voltaste porquê?, fala, homem, pelo amor de Deus! O coronel não falava nem parava de enxugar-se ao mesmo tempo que atirava à coronela olhares de fera ferida.
Desesperadamente movida pelo mutismo do coronel, chegou-se a ele para repetir vezes sem conta, abanando-o, as perguntas que tinha feito sem obter resposta. O corpo do coronel deixou-se abanar sem resistência, um saco meio cheio que nem tomba nem se endireita. Tanta ausência de reacção impeliu a coronela para um gesto que, nem nos seus mais estrambólicos sonhos, alguma vez pensara praticar na vida: cansada de tanto abanar sem resultado, perdeu a lucidez e o respeito pelo marido e pespegou duas estaladas, uma em cada lado, nas bochechas mais rosadas e encharcadas que nunca do coronel.
Chegados a este ponto, o coronel falou, mas falou a chorar: Tinha sido demitido pelo seu general chefe maior do exército, e porquê?, porque desaparecera o quartel, o seu quartel, para parte incerta.
- Desapareceu o quê? 
- Isso mesmo que tu ouviste, o quartel, o meu quartel, o nosso quartel. 
O homem está louco, pensou a coronela porque não podia pensar outra coisa, encontrando-se ela em perfeito juízo. Quartel não é coisa que desapareça, podem desaparecer coisas de um quartel para qualquer parte, quartel é coisa que não pode desaparecer para parte incerta, pensava com toda a lógica cartesiana que conseguia juntar a coronela, e o coronel, a ouvi-la com olhos ainda mais mal mortos que mostravam o abismo que se abrira na sua cabeça castrense entre uma realidade que não entendia e o raciocínio irrebatível da coronela.
Depois, mais impulsionada pelo arrependimento do gesto irreflectido que pelo amor já desgastado pelos anos de vida em comum, a coronela abraçou o marido e juntou ao suor que o guardanapo não estancava lágrimas incontidas durante largo tempo. O coronel, era evidente, para ela naquele momento, passara-se. Um qualquer acidente vascular, ou, sabia-se lá, talvez uma emergência súbita de alzheimer, tinha-lhe dado volta ao miolo, o coronel saíra bem disposto de casa, e, de um momento para o outro não sabia em que terra estava, alguém conhecido o trouxera para casa, e na mente do comandante o seu quartel desaparecera de onde, de modo algum, podia desaparecer.
Agora não valia a pena perder tempo a tentar reparar o mecanismo estropiado com argumentos, o mais sensato era levá-lo ao hospital antes que o derrame cerebral se agravasse e o homem lhe ficasse em casa sem préstimo durante, possivelmente, muitos anos. Ele ainda era novo, cinquenta e cinco feitos na semana passada, podia recuperar, anda daí coronel, vem mostrar-me o espaço de onde roubaram o nosso quartel, dizia ela ao mesmo tempo que o incentivava a levantar-se com a intenção de o levar para o hospital. Levantou-se o coronel a custo, enorme era o peso do seu desespero em cima do seu corpo bem nutrido, o guardanapo encharcado já lhe deixava mais suor no rosto que retirava dele. Na rua, adiantou-se a coronela a tirar da mala a chave do seu carro, não reparou o coronel na intenção da mulher, e caminhou para a sua viatura estacionada no outro lado da rua. 
- Boavida! Vamos no meu carro.
O coronel encolheu os ombros conformado com a ordem da mulher, aquele era um dia de novidades, tinham-lhe roubado o quartel, o quartel todo, durante a noite, tinha sido demitido pelo seu chefe maior, a mulher dera-lhe duas bofetadas, agora tinha de seguir na viatura dela para o local onde até ao dia anterior houvera um quartel, o seu.
Guiou a coronela o carro na direcção do hospital que ficava no sentido oposto que conduzia ao quartel, e o coronel perguntou-lhe se ela sabia onde ficava o quartel, porque perguntas Boavida? ora por que pergunto, porque vais em sentido contrário, ou dás meia volta ou nunca mais chegas ao sítio do quartel roubado. Percebeu, então, a coronela que o coronel, no fim de contas, tinha os pontos cardeais no sítio, se calhar tinham mesmo feito desaparecer o quartel, há mágicos que até fazem desaparecer aviões, por alguns instantes, deve ter acontecido isso, o general chefe maior precipitou-se, certamente, os generais não sabem de ilusionismo, vou dar meia volta ali adiante, na próxima rotunda, as rotundas foram a grande invenção do século passado, quando chegarmos já ao quartel foi retirada a cortina mágica, o Boavida será reintegrado, tudo está bem quando acaba bem. 
Mas não estava.

Foi difícil chegar ao local do quartel roubado e impossível conseguir ver aquilo a que os repórteres já designavam por ground zero, à volta do qual se tinha formado um cordão de gente vinda de muitos lados, o caso tinha-se tornado notícia mundial, expandira-se globalmente através das redes sociais já  havia por ali muitas explicações para o fenómeno, mas o fenómeno era inexplicável. 
- O que é que aconteceu por aqui?, perguntava um sujeito baixote, que só via gente à sua frente, a um tipo alto que via por cima das cabeças dos outros.
- Parece que durante esta noite desapareceu daqui o quartel.
- E o que é que se vê?
- Só um largo. 
- E que tem o largo?
- Nada.
- Não ficou nenhum buraco?
- Não. Não se vê buraco nenhum.
Coincidia a informação do gigante observador local com as imagens, sempre as mesmas, pescadas em diferentes ângulos, que todas as estações de televisão transmitiam há várias horas, apenas interrompidas pelos compromissos comerciais.
- Está um calor ... sabe onde se pode beber aqui uma cerveja? perguntava um a outro, que por insuficiência de altura também não via senão gente à sua frente.
- Não há cerveja, nem água, nem nada...ouvi dizer que está tudo esgotado nesta cidade.
- O senhor é daqui?
- Oh, não ... ia a passar na autoestrada, ouvi as notícias e dei um pulo até cá.
- Ainda não encontrei ninguém que seja de cá, informou um terceiro que ouvira a conversa dos dois, ... com este calor devem estar em casa, à sombra, regalados a beber o que cá fora não há porque se esgotou, a verem as imagens do largo, sem buraco, transmitidas pelas televisões ... chamem-lhes tolos! 

Se o quartel tinha sido importante para a cidade, aquele milagre poderia vir a tornar-se local de culto, peregrinações, comércio, turismo, há certos males que vêm por bem. Assim pensou a coronela, uma vez confirmado o inimaginável roubo do quartel do seu Boavida, ocorreu-lhe telefonar à esposa do general chefe maior, sua amiga desde os tempos em que tinham frequentado o mesmo colégio, lembrando-lhe que, só podendo ter desaparecido o quartel por milagre, a demissão do seu Boavida era indiscutivelmente injusta e tal injustiça só remediável com a reintegração do coronel demitido. Nada mais óbvio, e o coronel Boavida foi reintegrado no dia seguinte, ficando a aguardar colocação uma vez que o seu quartel havia, milagrosamente, desaparecido.
Não teve que aguardar durante muito tempo porque, passadas não mais que quatro semanas, tão milagrosamente quanto havia desaparecido, apareceu exactamente, milagrosamente no mesmo local, o quartel do coronel comandante Boavida, com ligeiras alterações, veio a saber-se mais tarde. E a tranquilidade voltou à cidade, perdida a oportunidade de uma promoção que o milagre poderia ter potenciado, está visto, não se pode ter tudo. 
Quem não entendeu assim foi a oposição que, invocando as mais ingentes razões de honorabilidade do Estado exigiu a imediata demissão do general chefe maior do exército, do ministro da defesa e do chefe do governo, sem prejuízo do apuramento das responsabilidades pelos, a todos os títulos, intoleráveis acontecimentos, uma exigência imponderada porque poderia vir a desencadear uma crise de consequências não calculadas.
Argumentava a oposição, geralmente temente a Deus, que só papalvos ou coniventes na rábula política arquitectada pelo governo poderiam querer fazer acreditar que é possível, a não ser por artes ilusionistas, fazer desaparecer da noite para o dia um complexo imobiliário de grandes dimensões e voltar a reinstalá-lo no mesmo local algum tempo depois e atribuir à burla dignidade miraculosa, só possível por intervenção divina. E os oficiais, sargentos e praças, em serviço naquela noite no quartel, que lhes acontecera se só o sentinela estava preso para averiguações e só o comandante do quartel demitido, mas transitoriamente? Acrescentava que nem o bispo da diocese nem a Santa Sé tinham dado o mínimo aval à intentona. 
Perguntava, em resposta, o governo, que se reclama laico, como se atrevia a oposição afirmar fosse o que fosse sobre factos que, provadamente, desconhecia uma vez que não se deslocara ao local para constatar fenómenos, sem dúvida insólitos, mas que tinham sido testemunhados por multidões, fotografados e filmados, objecto de reportagens vistas por muitos milhões de pessoas em todo o mundo. E, a rematar  perguntavam os laicos aos crentes se aqueles dois transcendentes acontecimentos, do desaparecimento e posterior reaparecimento de todo um quartel militar, de pedra e cimento, porque já era antigo, não era um milagre o que era?
Uma burla, respondia a oposição, que não tinha visitado o local porque não quisera juntar-se ao rebanho de papalvos que o governo arrebanhara com intuitos de mera propaganda política.
Para esclarecimento público do imbróglio que, segundo o governo laico era um milagre e, para a oposição crente, uma burla, foi aprovada uma proposta de inquirição parlamentar aos protagonistas visíveis do enredo, em paralelo com a investigação dos invisíveis a cargo da Polícia de Investigação Criminal.

Depôs perante a comissão parlamentar, em primeiro lugar, o ministro da Defesa, tendo declarado desconhecer em absoluto o que se tinha passado, corroborando a tese do governo do duplo milagre no quartel comandado pelo coronel Boavida. Acrescentou que, tendo ouvido o general maior do exército sobre os inexplicáveis acontecimentos, o general declarou saber tanto como ele, o ministro, isto é, nada. Aliás, nem o ministro da defesa nem o general maior do exército se tinham deslocado ao local onde, um quartel que antes houvera voltara a aparecer a haver. Que iriam eles lá fazer?
Pois, muito provavelmente, ripostavam os inquiridores, crentes, confirmar o que muitos afirmavam, o quartel nunca aparecera nem desaparecera, o mal arquitectado milagre não teria sido mais que uma burla anedótica forjada pelos laicos (lacaios, ouviu-se em aparte discreto) do governo. Mas então, perguntava o ministro, como explicavam os crentes aos laicos a presença no local de milhares de mirones, e, entre eles, centenas de jornalistas, fotógrafos, da imprensa, rádio e televisão do mundo inteiro se os fenómenos observados no espaço de um mês não fossem inexplicáveis e, portanto, miraculosos?
Ripostou a oposição que a seu tempo a polícia de investigação criminal desvendaria, porque não lhe faltariam provas, aquilo que, à primeira vista, parecia incompreensível. Mas podiam desde já antecipar-se algumas pistas susceptíveis de conduzirem a respostas para algumas dúvidas só aparentemente muito pertinentes. Por exemplo, o facto de existirem na cidade duas praças com geometrias e dimensões muito semelhantes separadas apenas por um quarteirão de edifícios antigos. Numa delas, foi construído há muitos anos o quartel e na outra realiza-se desde os tempos da idade média a feira semanal local. Ora, não custaria admitir que os visitantes, simples curiosos ou jornalistas, teriam sido conduzidos para o espaço da feira, onde não havia quartel, e encerrado o acesso entre as duas praças. 
Ouvindo isto, mostrou-se o ministro muito indignado considerando que a oposição acabava de ofender gravemente as entidades militares e civis além dos honestos residentes locais. Honestos, sim, sem dúvida, concordou a oposição, mas não tolos para desperdiçarem a promoção da sua cidade levada a todo mundo pelas redes sociais. Visivelmente, a actividade económica da cidade e dos seus arredores estava a observar um dinamismo impensável antes da ocorrência do falso duplo milagre. Contra atacou o ministro perguntando se toda aquela encenação imaginada da oposição não significava apenas o receio de concorrência, receio que os liberais criticam mas normalmente praticam, bem prega frei Tomás ...

Apresentou-se daí a dias perante a comissão de inquérito, abrilhantado na sua farda e peito medalhado, o general chefe maior do Exército. 
- Senhor general, agradecemos-lhe a sua presença, começou por afirmar o presidente da comissão de inquérito. 
- Não desconhece, certamente, o senhor general, as razões pelas quais solicitámos a sua presença ... 
- Não!, atalhou bruscamente o General, não sei porque estou aqui.
Engoliu em seco o presidente da comissão num compasso de espera para descomprimir a tensão provocada pela reacção que já se antevia não cooperante do general. 
- Senhor general, o caso é que desapareceu um quartel do exército, ... reapareceu cerca de um mês depois ... O que nos pode dizer o senhor general acerca disto?
- Nada! As senhoras ou os senhores sabem como é que pode desaparecer um quartel? Eu não sei. Sei como destruir, não sei como pode ser levado da noite para o dia para parte incerta e traze-lo de volta, também num abrir e fechar de olhos, pouco tempo depois.
- No entanto, o senhor general demitiu o comandante ... mas o sentinela continua preso ..., interveio um dos deputados membros da comissão de inquérito.
- É do regulamento, é do RDM. Readmiti o comandante porque o desaparecimento de um quartel é inexplicável, o sentinela está preso até ao encerramento do processo de averiguações que corre pelas vias competentes da justiça...e não tenho mais nada a acrescentar.
- Mas, senhor general chefe maior, protestam as vias competentes da justiça que estão impedidas pelo chefe maior do Exército de  ouvir uma testemunha, que consideram muito relevante neste processo...
- O processo está em segredo de justiça ... militar..., e, possivelmente, canónica. Não tenho mais nada a acrescentar.
Silêncio na sala, levantou-se o presidente da comissão, e logo o general, muito obrigado senhor general, terminada estava audição do general chefe maior do exército.

A encerrar os trabalhos da comissão de inquérito, foi ouvido o coronel Boavida. 
- Senhor presidente da comissão de inquérito, senhores membros da comissão de inquérito, quero começar por dizer que me sinto muito honrado pela oportunidade de  informar, nesta casa da democracia, que lavra há algum tempo no seio das forças armadas um latente, crescente, mal estar. É muito evidente a falta de recursos humanos e materiais que o desenvolvimento científico e tecnológico impõem na actualidade ao cumprimento das missões que às forças armadas compete realizar como insubstituível sustentáculo da nossa democracia. Para ser mais claro, direi que, salvo raras excepções, as nossas forças armadas se encontram pessimamente equipadas de meios operacionais, e, consequentemente, muito desfasados os conhecimentos da grande maioria dos seus meios humanos relativamente às suas congéneres no âmbito do grupo de nações em que estamos estrategicamente integrados. Resumidamente, andamos a marcar passo. Há, como atrás referi, unidades de elite bem preparadas, capazes de responder às mais complicadas situações bélicas. No entanto, por mais espantoso que vos possa parecer, também nestes casos, onde os meios operacionais são os mais desenvolvidos e os meios humanos os mais bem preparados, o grau de insatisfação destas tropas de elite é preocupante porque as oportunidades de intervenção em teatros de guerra são raras e a maior parte destes militares podem nunca ser chamados a exercitar a formação altamente exigente a que dedicaram toda a sua vida profissional, isto é, muito simplesmente, não há guerras que cheguem para todos ... É esta a chocante realidade com que se confrontam aqueles que escolheram a honrosa missão militar. Uns marcam passo por falta de meios, outros por falta de oportunidades para mostrarem o que valem. Dito isto, estou à vossa disposição para responder a quaisquer dúvidas, rematou o coronel Boavida.
Avançou um deputado da oposição com a primeira questão, precedida de um intróito, para dar conta da sua admiração perante o que chamou a nua franqueza do coronel que exibira considerações que certamente não seriam, pelo menos em grande parte, subscritos por muitos dos seus pares. 
- Mas, considerações à parte, o senhor coronel não abordou o tema que o trouxe a esta comissão. Muito objectivamente, como explica o senhor coronel o desaparecimento e o aparecimento do quartel onde era e voltou a ser o comandante?
- Senhor deputado, membro da comissão de inquérito, julgo que não me fiz entender ou não fui suficientemente preciso e, por esse motivo, admito que as minhas considerações possam ter sido tidas como forma de fugir à explicação do duplo fenómeno para o qual ninguém parece encontrar explicação. Sem rodeios lhe digo, também não sei. Contudo, disse-lhe que há um mal estar nas forças armadas por falta de meios, de equipamentos e competências, mas também de oportunidades, de guerras, sobretudo, porque as revoluções são, no nosso hemisfério, politicamente incorrectas. Sem meios nem oportunidades, o pessoal enfastiado de tanto marcar passo é levado a inventar movimentos que provem a sua existência, mas posso estar errado.
- Pode explicar-se melhor senhor coronel?, pergunta vinda agora do lado do apoio ao governo. Admite o senhor coronel que o desaparecimento tenha sido obra projectada dentro dos muros do seu comando?
- Não admito nada. Dei simplesmente conta aos senhores deputados, membros da comissão de inquérito, que o pessoal anda insatisfeito. Se daí conseguirem retirar alguma conclusão que permita desvendar o mistério, milagre ou burla, tanto melhor. Se puder ajudar, estou disponível. De momento, não sei acrescentar mais nada. 
- Se me permite, senhor coronel, gostaria de perguntar-lhe o que sucedeu ao oficial de dia na noite do desaparecimento. Sabemos, disse-nos o senhor general chefe maior que o sentinela está preso por razões de segredo justiça militar e, possivelmente, até de segredo de justiça canónica. Quanto ao oficial de dia, que informações obteve dele acerca do roubo do quartel?
- Relevantes, nenhumas. Conforme comecei por referir aos senhores deputados, membros desta comissão de inquérito parlamentar, existe um mal estar nas forças armadas por falta de meios e de oportunidades de intervenção. Assim sendo, não se admirem que o oficial de dia, destacado na noite em que nos levaram o quartel para parte incerta, tenha adormecido a gastar horas de solidão no quartel com jogos de paciência e acordado em casa de uma amiga sua. Não sendo esta informação certamente relevante para o processo deve a mesma ser considerada confidencial a bem da continuidade da harmonia conjugal do oficial do dia destacado na noite das ocorrências.

Reuniu-se a comissão para concertar conclusões do relatório final. Não foi possível obter consenso, os laicos agarraram-se sem cedências à tese dos milagres, os crentes não cederam um milímetro na acusação de burla. Prosseguem as investigações da polícia de investigação criminal. 






Wednesday, October 17, 2018

ESTÁ POR AÍ ALGUÉM?

Há no universo incontáveis estrelas e planetas. As leis da natureza que suportam a ocorrência de vida na terra são as mesmas em todo o universo. Ainda que nenhum sinal de vida extra-terrestre já tenha sido detectado pelos astrónomos que os procuram, o universo deve estar repleto de civilizações alienígenas. 
Então, pergunta-se aqui, no Economist: 
Porque é que os humanos não conseguem encontrar no universo sinais alienígenas?
Porque o esforço feito até agora é comprável com a tentativa de encontrar um peixe num copo de água mergulhado ao acaso no oceano, ou, mais esperançosamente, numa banheira.

Correl. - EXPLICAÇÃO EXTRA-TERRESTRE DA SALVAÇÃO DA TERRA

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Where is everybody?Why have humans never found aliens?

Perhaps they haven’t been looking hard enough

“IF ALIENS are so likely, why have we never seen any?” That is the Fermi Paradox—named after Enrico Fermi, a physicist who posed it in 1950.

Fermi’s argument ran as follows. The laws of nature supported the emergence of intelligent life on Earth. Those laws are the same throughout the universe. The universe contains zillions of stars and planets. So, even if life is unlikely to arise on any particular astronomical body, the sheer abundance of creation suggests the night sky should be full of alien civilisations. Fermi wondered why aliens had never visited Earth. Today, the paradox is more usually cast in light of the inability of radio-telescope searches to detect the equivalent of the radio waves that leak from Earth into the cosmos, and have done for the past century.

Thinking up answers to this apparent contradiction has become something of a scientific parlour game. 
Perhaps life is really very unlikely. Perhaps the priests are right: human beings were put on Earth by some creator God for His own inscrutable purposes, and the rest of the universe is merely background scenery. Perhaps there are plenty of aliens, but they have decided that discretion is a safer bet than gregariousness. Or perhaps galactic society avoids communicating with Earth specifically. One chilling idea is that technological civilisations destroy themselves before they can make their presence known. They might blow themselves up after inventing nuclear weapons (an invention that, on Earth, Fermi had been part of), or cook themselves to death by over-burning fossil fuels.

In a paper published last month on arXiv, an online repository, a trio of astronomers at Pennsylvania State University have analysed the history of alien-hunting and come to a different conclusion. In effect, they reject one of the paradox’s main pillars. Astronomers have seen no sign of aliens, argue Jason Wright and his colleagues, because they have not been looking hard enough.
Dr Wright’s argument echoes that made by another astronomer, Jill Tarter, in 2010. Dr Tarter reckoned that decades of searching had amounted to the equivalent of dipping a drinking glass into Earth’s oceans at random to see if it contained a fish. Dr Wright and his colleagues built on Dr Tarter’s work to come up with a model that tries to estimate the amount of searching that alien-hunters have managed so far. They considered nine variables, including how distant any putative aliens are likely to be, the sensitivity of telescopes, how big a portion of the electromagnetic spectrum they are able to scan and the time spent doing so. Once the numbers had been crunched, the researchers reckoned humanity has done slightly better than Dr Tarter suggested.Rather than dipping a drinking glass into the ocean, they say, astronomers have dunked a bathtub.  The upshot is that it is too early to assume no aliens exist. Fermi’s question is, for now at least, not a true paradox.

This article appeared in the Science and technology section of the print edition under the headline "Where is everybody?"

Tuesday, October 16, 2018

VOLATILIDADE AMERICANA

Daily chartAfter a year of #MeToo, American opinion has shifted against victims

Survey respondents have become more sceptical about sexual harassment



ONE year ago Alyssa Milano, an American actress, posted on Twitter: “If you’ve been sexually harassed or assaulted write ‘me too’ as a reply to this tweet.” Within 24 hours she had received more than 500,000 responses using the hashtag “#MeToo”. Ms Milano’s tweet came days after the New York Times and New Yorker had published detailed allegations of sexual harassment by Harvey Weinstein, a Hollywood producer. Mr Weinstein was the first in a long line of prominent entertainers and executives to be toppled by such investigations, which dominated the headlines throughout late 2017 (see chart below).

Even as these stories broke, it was #MeToo that resonated most on social media, as millions of women shared their experiences of abuse, intimidation and discrimination. In the past 12 months, the hashtag has been tweeted 18m times according to Keyhole, a social-media analytics company. The phrase has come to encapsulate the idea of sexual misconduct and assault. In recent months American journalists have used the hashtag in their articles more frequently than they have mentioned “sexual harassment”, according to Meltwater, a media analytics company.

c/p Aqui

CAUSAS NATURAIS

RETROVISOR - JUN 30, 2017

(Para leitura de todos os comentários editados sobre temas que envolvem "militares" clique 
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CAUSAS NATURAIS

Em Fevereiro deste ano soube-se que, vd. aqui, tinham sido roubadas 57 pistolas de armazém da PSP.

Ontem soube-se que foi roubado de Tancos diverso material de guerra. 
Hoje, vd. aqui, soube-se que o roubo foi maior do que se pensava (quem é que pensava?, não sabemos). Sem explicitamente reconhecer que houve roubo, o "Exército informou que foi detectada a falta de “granadas foguete anticarro, granadas de mão de gás lacrimogéneo, explosivos e material diverso de sapadores como bobines de arame, disparadores e iniciadores". 

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Act. - (1/7/207) 

Chefe do Estado-Maior do Exército admite fuga de informação no furto em Tancos
"Para haver algo deste género tem de haver informação interna", diz o responsável. - aqui
Demita-se, sr. Chefe do Estado-Maior do Exército! Se homens sob seu comando roubaram ou deixaram roubar armas, e o senhor não sabe quem roubou, só tem uma saída minimamente honrosa: a demissão.


Sunday, September 23, 2018

ROSA


SINTRA, 13 de abril de 2018


Querida Rosa Morena,
Querida Doralice,

Ontem, depois do jantar, estávamos, eu, o teu avô Rui e a tua avó Isabel, a ler as notícias nos jornais, ou a ver as que passavam na televisão aquela hora. Nós não vemos muita televisão, preferimos antes um bom teatro, um bom filme de cinema, de vez em quando até um jogo de futebol, embora nenhum de nós seja adepto de um clube qualquer ou perceber grande coisa de futebol.  Para dizer toda a verdade, é frequente confundirmos quem é que está a jogar de um lado e do outro porque, aí já chegámos à conclusão, eles mudam muitas vezes de clube e ainda mais frequentemente de cor das camisolas.

De repente, a vossa avó Isabel disse:
- A Rosa Morena faz anos a 13 de Maio, hoje já são 11 de Abril, temos que preparar um cartão de boas festas para enviar à Rosa Morena e não podemos atrasar-nos porque o tempo passa a correr (isto é o que dizem as pessoas porque até hoje nunca ninguém viu o tempo a correr, vocês já viram?, pois não, as palavras às vezes são marotas, é preciso ter cuidado com elas), e os correios andam atrasados.

Ora, nós não somos avós de ir ali à papelaria do lado comprar cartões iguais aos que os outros compram. E assim, todos os anos, temos construído nós mesmos os cartões que enviamos aos nossos netos, a vocês Rosa Morena e Doralice, em Hombrechtikon, na Suíça, e ao Miguel e à Rita, em Reston, na Virgínia, Estados Unidos da América. E que prazer, que encanto sentimos no tempo que dedicamos a esses trabalhos manuais em cartolinas de várias cores, com desenhos, assim uma espécie de origamis inventados por nós dedicados nossos queridos netos, todos diferentes, todos os anos.

Este ano, disse o avô Rui, vamos mudar completamente de técnica, de estilo e de tamanho: vamos enviar à Rosa Morena uma mensagem com sete metros de comprimento. Ela faz sete anos, a mensagem terá sete metros, que te parece?
Parece-me bem. Vamos a isso.

E fomos! Fomos ao Staples que é uma loja grande onde vendem muita coisa, e também vendem papeis, cartolinas e outras coisas assim, e ficámos depois a saber, também imprimem o quer que seja no comprimento que desejarmos.

O senhor que nos atendeu, para ser mais preciso devo dizer o jovem que nos atendeu, porque, dizendo senhor vocês poderiam pensar que estava a referir-me a um homem com muita idade, assim com quarenta ou cinquenta anos ou mais, mas dizia eu, perguntou-me o jovem para que fim queríamos nós imprimir um papel com um comprimento tão fora do vulgar.
  
Dissemos-lhe que era para escrever uma mensagem de desejos de feliz aniversário para a nossa neta Rosa Morena, que vive em Hombrechtikon, na Suíça. Ela vai completar sete anos no próximo dia 13 de Maio.
Ah! Agora percebo, perfeitamente. Só perguntei porque poderia estar a interpreta mal o que pretende. Então para o ano serão oito metros?
Sim, cada ano a mais, um metro a mais. Para isso é que que bebo todas as manhãs um copo de água morninha com um pinguinho de limão.
E resulta?
É uma evidência: Enquanto continuar a beber todas as manhãs um copo de água morninha com um pinguinho de limão, vou poder continuar a mandar postais a desejar felizes aniversários aos meus netos até, pelo menos aos cem anos.
O jovem sorriu, e disse: Tem é que nos trazer a mensagem já dactilografada no computador e nós cá arranjaremos tudo. Papel, impressão, e um rolo para embalar a mensagem.

E aqui estamos nós, são sete horas da tarde, para começar a nossa mensagem que, palpita-me seja um pouco longa mas que tu, Rosa Morena e a tua irmã, Doralice, considerarão interessante um dia mais tarde, só não sabemos hoje quando será esse dia. 
  
Querida Rosa Morena,

Antes de mais, desejamos-te que passes um dia de aniversário muito feliz, na companhia de quem tiver sido convidado para a tua festa. Desejamos-te, querida Rosa Morena, muitas felicidades, muitos sucessos, muitos anos de vida!

Nós não vamos estar presentes na tua festa, aliás só estivemos na festa do teu primeiro aniversário, nessa festa também estiveram o avô Firenzo e a avó Elisabeth, pais da tua mãe, e o teu tio Stephan, irmão da tua mãe, depois nunca mais fomos convidados para estar presentes na celebração dos teus anos nem dos da Doralice. Ficámos sempre muito pesarosos nesses dias, até mais do que naqueles em que nos lembramos de vós, que são todos os dias do ano. Um dia, espero que haja um dia, que compreenderás as mágoas que nos causaram, e continuam a causar, as amarguras das nossas ausências e avaliar quanto vos amamos apesar da distância a que temos sido relegados.

Nas vésperas do teu nascimento, ficámos tão contentes quando soubemos que nos sentimos os avós mais felizes do mundo. Já tínhamos dois netos, o Miguel e a Rita nos Estados Unidos, uma neta na Suíça fazia de nós, mas exagerávamos no entusiasmo, claro, uma família fantástica, com raízes livres em vários cantos do mundo.

Por essa altura, a tua avó Elisabeth, que vive em Zurique, encontrava-se adoentada e, nós, a avó Isabel e o avô Rui fomos daqui, de Sintra, onde nunca estiveste, mas temos a certeza que gostarias de visitar, para  Adliswil, onde, durante um mês, ajudámos no que pudemos, e ajudámos tanto que até emprestámos aos teus pais a maioria do dinheiro com que foi construída a casa onde agora vives com a tua mãe, e a tua irmã Doralice.
Rejubilámos com o ambiente, gostámos imenso de um disco que os teus pais gravaram em celebração do teu nascimento, a tua mãe cantava muito bem, o teu pai acompanhava-a à guitarra, salvo erro cantaram e gravaram dez ou doze canções, a última ou a penúltima cantada por ambos.
Sabes porque te deram o nome de Rosa Morena?
É da primeira canção do disco:

Rosa, Morena!
Onde vais Morena Rosa?
Com essa rosa no cabelo
E esse andar de moça prosa
Morena, Morena Rosa...
…. Uma canção brasileira de Dorival Caimmi, cantada por Gilberto Gil.
Os teus pais gostavam muito de música brasileira, bossa nova, a tua mãe é suíça, mas fala muito bem português, além de mais quatro ou cinco outras línguas, filha de pai italiano, o teu avô Firenzo, infelizmente já não é vivo, gostámos dele desde a primeira vez em que nos encontrámos, era engenheiro, já estava reformado, gostava muito de cozinhar, todas as semanas ia almoçar com a irmã, que vivia perto, e a tua avó, Elisabeth, suíça, não sendo expansiva como o marido, sempre nos tratou com muita cordialidade e atenção, a que correspondemos com não menos apreço e amizade. Soubemos há dias que está hospitalizada porque terá caído e partido um fémur, um dos ossos das pernas, esperamos e já lhe desejámos rápida recuperação. Ela é uma senhora com muita coragem, sofre de Parkinson há vários anos, mas mantém-se com uma lucidez admirável e gosta muito do nosso filho, do teu pai, tanto quanto o teu pai, o nosso filho gosta dela. Quem os nossos filhos beija, nossa boca adoça, costumamos nós dizer por aqui.
A ouvir aquela canção, cantada pelos teus pais, vieram-nos as lágrimas aos olhos, com tanta comoção. Tal como agora, quando escrevo esta mensagem … …. ….
Já passou …
Continuaremos amanhã, logo de manhã, depois do copo com água morninha e a gotinha de limão antes do pequeno-almoço.
Pouco mais de dois anos depois, nova alegria! Ia nascer a Doralice!
E mais canções com os teus pais a celebrar, desta vez em registo na internet, o nascimento da Doralice:
Doralice eu bem que lhe disse
Amar é tolice, é bobagem, ilusão
Eu prefiro viver tão sozinho
Ao som do lamento do meu violão
…também do Dorival Caimmi cantada pelo Gilberto Gil.
Numa das vezes que fomos ao Brasil, andámos uma tarde inteira para comprar e trazer as partituras e as letras de várias canções bossa nova que o vosso pai nos pediu para trazer de lá. Estarão agora ainda aí em casa ou no apartamento dele?, não sabemos, e, supomos, que nem tu nem a tua irmã devem saber.
Desta vez, aquando do nascimento da Doralice não foi solicitada a nossa ajuda, antes, pelo contrário, foi-nos indicado que não deveríamos aparecer enquanto a Doralice não completasse três meses. Contactos de adultos com bebés antes dos três meses não eram recomendáveis, disse a vossa mãe. Ficámos surpreendidos mas atribuímos o facto às alterações que se observam frequentemente nas recomendações médicas; para uns, hoje é bom uma coisa, para outros, amanhã o contrário.
Fomos mais tarde. E como sempre tínhamos feito, levávamos rosquilhas, tu ainda te lembras o que são rosquilhas?, aqueles anéis enrolados de massa e azeite, doces de maçã, de laranja, de ginja, de nectarinas, de framboesa, de figo, que te encantavam porque não descansavas enquanto não eram as malas esvaziadas e retiradas as embalagens por ti. Sabes quem fazia, e ainda faz aqueles doces e muitos outros? A avó Isabel, com frutas criadas no pomar da aldeia onde o avô Rui nasceu. Também, estamos muito certos, que gostarias de visitar a nossa aldeia e o nosso pomar, onde também produzimos tangerinas, kiwis, ameixas, pêssegos, uvas, peras, limões, nozes, muitas nozes, a avó Isabel não dispensa nozes em quase todas as refeições que tomamos em casa, e que são quase todas.
A aldeia, onde temos o pomar, tem um Jardim Escola muito bonito com muitas crianças que ali aprendem a desenhar, a cantar, a dançar, a moldar o barro, a ler e a contar.
Ainda guardo comigo o livro que, quando tinha a tua idade, líamos no Jardim-Escola. Ainda tenho esse livro, o Livro da Capa Verde.
A professora tinha o costume de colocar a data, a lápis, no fim de cada texto quando ele era lido e entendido por cada um de nós. É por essa razão que eu sei que o texto “O senhor Março” foi lido e entendido por mim a 4 de Abril de 1949, tinha então sete anos, feitos no dia 1 de Fevereiro, o dia do meu aniversário.
É um texto muito curioso porque trata do cumprimento das obrigações que temos quando aceitamos certos compromissos. Nele, os pastores, que tinham suportado frio e tempestades, que muito os tinham prejudicado durante os meses de inverno, prometeram ao senhor Março que lhes ofereceriam, cada um deles, um borreguinho, se, durante a primavera, lhes trouxesse bom tempo.
O senhor Março ouviu, e calou-se.
E durante o mês de Março o tempo não podia ter corrido melhor aos pastores e aos seus rebanhos. Tão bem, que nasceram muitos borreguinhos, que cresceram tão depressa como nunca antes se tinha visto. Então, um dos pastores disse para os outros, irmãos os rebanhos estão salvos e já não pode haver mau ano. Por que é que havemos de dar agora os borreguinhos prometidos ao senhor Março? Todos concordaram e decidiram não entregar borreguinho nenhum ao senhor Março. Quando o senhor Março soube desta decisão dos pastores, disse: Ah! Faltam ao que prometeram? . Com dois dias que ainda tenho meus e um que peço emprestado ao meu compadre Abril, eu os ensino. E o resultado foi desastroso para os pastores. Nos dias 30 e 31 de Março e no dia 1 de Abril choveu tanto e fez tanto frio que se alagaram os campos e perderam-se as pastagens, e os rebanhos, porque sem pastagens não há rebanhos. Nem leite, nem queijo, nem manteiga, acrescento eu agora.
Portanto, querida Rosa Morena, aceita uma sugestão deste teu avô Rui: nunca faltes ao que prometas, nem prometas nada que saibas que não poderás cumprir.
Por falar em Jardim-Escola, quantos meninos andam na tua escolinha? No meu Jardim-Escola éramos trinta e dois, hoje, deverão ser cerca de oitenta. Há dias passei por lá, e a ouvi-los a cantar algumas canções que também eu lá cantei, senti-me por momentos voltar aqueles tempos em que, ainda crianças, éramos tão felizes. Em nossa casa, nos dias de Natal e da Páscoa, ou nos dias de anos, juntava-se a família toda, e era uma alegria imensa poder brincar com os nossos primos.
E é também a relembrar-me desses tempos que recordo os tempos, muito curtos, é certo, mas tão deliciosos, em que estivemos convosco.
O que nós brincávamos, Rosa Morena e Doralice! Com a bola, tu gostavas muito de dar pontapés na bola, e sentarem-se nos pés da avó Isabel que, levantando e baixando as pernas, estendidas e juntas, para vocês se sentarem, dizia uma lenga-lenga que vocês adoravam:
“Arre burrito, arre chóchó, que leva a menina para casa da avó” E vocês sempre queriam mais e mais, até que as pernas da avó Isabel já não podiam mais e entrava o avô Rui a fazer o “Arre burrinho, arre chóchó ,que leva a menina para a casa da avó,” enquanto também as pernas dele pudessem. 
 Ainda se lembram? Receio que não.
Também não se lembram, quando se iam deitar, as vezes que vinham junto à cancela na porta ao cimo da escada, a rirem-se fingindo que iam para a cama, para logo aparecerem, vezes e vezes sem conta? Tão encantadoramente risonhas!
A Rosa Morena, à mesa, portava-se lindamente. Comia muito bem e, sendo pequenina eu dizia, se ela continuar a portar-se assim vamos ter uma linda menina quando for para a escola.
Tu vais para a escola este ano não vais? Ouvi dizer que a tua mãe prefere ensinar-te e à Doralice em casa. O vosso pai, o meu filho não concorda, porque, segundo ele, as crianças precisam de aprender na escola, porque só na escola aprendem também a conviver em sociedade, isto é, com as outras pessoas.
Eu, porque o vosso pai é meu filho, posso ser considerado suspeito se me ponho aqui a realçar as suas capacidades intelectuais e os seus valores morais. Tenho a certeza que um dia, tu Rosa Morena, e tu, Doralice, terão a oportunidade de constatar que não faz sentido nenhum que a tua mãe, faltando aos compromissos assumidos, não vos deixe, a ti e à Doralice, que o vosso pai vos veja.
Faz já mais de um ano e meio que ele não vos vê nem nós. Porquê? Não sabemos nem a vossa mãe nos diz.
Tu não sabes porquê, o vosso pai não sabe porquê, nós não sabemos porquê. O que sabemos, temos a certeza disso, é que não há nenhuma razão aceitável que justifique o estranho comportamento da vossa mãe.
No dia deste Natal fomos, eu, o vosso avô Rui e a avó Isabel, bater à porta de casa com a intenção de vos desejar boas festas e entregar umas prendinhas, típicas da época natalícia. A vossa mãe estava em casa convosco e com um casal que o vosso pai também conhece. Quando nos abriram a porta, primeiro o homem do casal e depois a mulher, tentámos perceber que razões levavam a vossa mãe a não nos receber, que mal lhe tínhamos feito nós. Como a conversa no exterior demorou alguns minutos, apareceu a vossa mãe a ordenar que o casal nos empurrasse fechando-nos a porta na cara.
Porquê?
Quando naquela noite fria de fim do Outono o vosso pai nos telefonou, amargurado como nós nunca o tínhamos ouvido, dizer que ele e a vossa mãe iam separar-se só não ficámos completamente estupefactos porque há algum tempo, pouco tempo depois de ter nascido a Doralice começámos a constatar comportamentos estranhos, pelo menos para nós, da parte da vossa mãe. Não vamos aqui relatar senão um ou outro desses comportamentos, se fôssemos a registar todos dos que nos lembramos não chegariam os sete metros combinados.
Sempre respeitámos os horários a que poderíamos falar com o nosso filho, com a vossa mãe, para poder ter umas palavrinhas convosco. E estranhávamos que o vosso pai, quando queria falar connosco, o fazia sistematicamente quando estava fora de casa a passear o Milagro, aquele cão tão bonito e tão triste por passar os dias inteiros, salvo nos intervalos de pequenos passeios, sentado naquele canto, imagino que a pensar tentando adivinhar, como nós, o que se passou para ter havido uma alteração tão súbita naquela casa.
E porque nos telefonava o vosso pai de fora de casa, ao vento e ao frio, quando poderia, ou deveria poder, fazê-lo dentro de casa? Porque a vossa mãe não consentia? Era a única justificação que encontrávamos. Aliás, coerente, diga-se de passagem, porque um dia nos tinha dito que encontros com familiares uma vez em cada três anos seriam mais que suficientes. Naquela altura, engolimos em seco e pensámos que era reflexo de um momento menos feliz.
De outra vez, estávamos nós os dois sentados no sofá, naquele sofá bordeaux tão bonito e tão original, depois de tanto jogar à bola e a outros jogos dentro de casa, quando eu me lembrei de pegar num lápis e dizer: Um!, isto com a intenção de tu me ensinares a contar em alemão, porque não sei falar alemão, e tu sabes falar alemão e português, pelo menos naquela altura sabias, e eu achava delicioso que a minha neta me ensinasse. Sempre gostei que me ensinassem, peço sempre que me ensinem o que não sei, aprender com uma netinha que tinha, naquela altura, cinco anos, considerava uma das maiores maravilhas do mundo.
Peguei no lápis e disse: Um, e tu respondeste eins, e eu, dois, e tu zwei, e eu, três, e tu, drei, e eu, quatro, e tu, vier, e eu, cinco, e tu,  fünf, e eu, seis, e tu, sechs, e eu, sete, e tu, sieben, e eu oito, e tu, acht, e eu nove, e tu,  neun …e ríamos, o que nós ríamos com o prazer de eu, o teu avô Rui aprender o que tu, querida Rosa, me ensinavas.
Subitamente, a tua mãe, veio a correr para nós, tirou-nos os lápis, pegou em ti ao colo, e subiu apressadamente as escadas, foi para o quarto, já de lá não saiu naquela tarde. De cá de baixo, e enquanto ela subia as escadas, eu perguntava:
Corinne, o que se passa?, o que é que eu fiz de mal Corinne?
Não obtive resposta, o teu pai estava na casa de banho no primeiro andar, em frente do quarto, perguntei-lhe: Pedro, o que é que se passa? Que fiz eu de mal, perguntei com as lágrimas a escorrerem-me sem que as conseguisse conter. Tens de compreender, disse ele para me acalmar, que a Corinne está doente. Talvez seja trauma de pós-parto. Às vezes acontece. Respirei fundo, havia uma razão a que eu era totalmente alheio e a minha consciência permitiu-me dormir alguma coisa nessa noite.
Mais tarde, foi em Junho, o mês em que o Miguel faz anos, vieram os teus primos Miguel e Rita com os pais dos Estados Unidos para vos visitar, afinal nunca nos tínhamos encontrado juntos num local, apesar de sermos tão poucos, seis adultos e três crianças, a Doralice ainda não era nascida.
Por proposta do teu pai, sem que ninguém se opusesse e todos se tenham entusiasmado com a proposta, iríamos apanhar um teleférico para subir a uma daquelas montanhas fantásticas, e, lá em cima, celebrássemos o aniversário do Miguel com um almoço de salsichas e Coca Cola. Quando íamos a sair de casa, a vossa mãe disse que não iria, conhecia muito bem aquele local, para ela não tinha qualquer interesse ir lá mais uma vez. Vamos, então, a outro local aqui mais perto, sugeri eu. Podemos até almoçar naquele restaurante junto ao lago, o Milagro é um tipo bem comportado, e também pode ir connosco. A vossa mãe, não aceitou, aliás, não aceitou nem quis sugerir nenhum outro local, poderíamos, disse eu, até almoçar lá em casa. A vossa mãe recusou.. E nós lá fomos acima, o avô Rui, a avó Isabel, o Miguel, a Rita e o Milagro. Cantámos os parabéns a você, comemos salsichas, bebemos Coca Cola, salvo o Milagre que só come ao jantar, parece que por regime adequado à sua condição, e só bebeu água. Depois voltámos, e não se passou mais nada digno de registo.
Depois de ter recebido a informação com voz dramaticamente amargurada do vosso pai, nosso filho de que iria haver separação da família, e eu lhe pedi que não saísse de casa, que, aliás, era sobretudo dele, disse-me que não conseguiria suportar por mais tempo as iras incontroladas da vossa mãe, com reflexos terríveis irremediáveis nas crianças, e iria procurar um apartamento por perto, telefonei à vossa mãe, e perguntei-lhe:
O que se passa, Corinne, de tão grave que justifique uma separação que afectará tão negativamente sobretudo as vossas filhas?  Que fez o Pedro assim de tão imperdoável que o tenhas obrigado a sair de casa?
Respondeu-me, depois de alguns instantes em que deixei de a ouvir: O Pedro é mentiroso, e eu não suporto mentiras.
Mas que mentiras? Podes dizer-nos? Para uma decisão tão grave as mentiras devem ser gravíssimas …
Foi, lembras-te da última vez que a Ana cá esteve com o marido e os filhos? Pois o Pedro disse-me que a Ana não ficaria em nossa casa nessa noite (diga-se em abono da verdade que nunca a vossa mãe convidou, nem naquela altura nem nunca, a Ana, a nossa filha e a família, que na totalidade são quatro a ficar lá em casa, sempre alugaram quartos de hotel nas redondezas) porque ficariam num hotel junto do aeroporto, mais fácil para apanharem avião para os Estados Unidos no dia seguinte. Mas a Ana, ao jantar disse, que ficando perto do aeroporto, teria algum tempo para fazer jogging antes de ir para o aeroporto. O Pedro mentiu porque sabia que a irmã afinal só tinha que estar no avião à tarde!
Oh! Corinne, e é por isso que vocês se vão separar??? Perguntei, tão estupefacto com a resposta que nem tive ideia nem ela me deu tempo para perguntar mais nada.
Corinne, perguntei, quando liguei mais tarde, que posso eu fazer para evitar uma ruptura de que as vossas filhas vão ser as principais vítimas? Nada, respondeu ela, tão evasivamente que, novamente, não me deu oportunidade para perguntar mais nada.
Depois, foi assinado um acordo de separação por dois anos, o vosso pai obrigou-se a pagar todas as despesas com o sustento, educação, saúde, vossas e dela, com os direitos de visita e presença estabelecidos na lei para os pais separados. Disse todas as despesas porque só o salário do vosso pai suporta todas as despesas, uma vez que, se saiba, a vossa mãe não exerce trabalho retribuído.
O vosso pai tem cumprido todos os compromissos assumidos perante os advogados e ratificados pelo tribunal. A vossa mãe, há um ano e meio que, com escusas de variada ordem mas bem identificados em casos semelhantes de alienação parental, não tem permitido que o vosso pai vos veja sequer, apesar de viver perto.
De nós, vossos avós, deixou de atender chamadas telefónicas, não responde a e-mails, recusa a recepção de cartas. Como atrás referimos fechou-nos a porta na cara no dia de Natal quando simplesmente queríamos estar uns breves momentos que fossem com as nossas netas e entregar-lhes umas simples prendinhas… Alguns dias depois disse a pessoa que falou com ela, que nos avisasse que, se voltássemos a aparecer junto da casa para ver as nossas netinhas, chamaria a polícia!
Não vamos voltar a aparecer, não porque nos prenda qualquer resquício de cobardia, mas porque nunca fomos gente de apoquentar a polícia fosse por que razão fosse e, sobretudo, porque queremos acreditar que a justiça, as instituições que na Suíça têm responsabilidades de defender os interesses das crianças em perigo, seja a causa qual for, acabarão por repor o cumprimento dos compromissos assumidos, mas não cumpridos  pela vossa mãe, da custódia partilhada dos filhos de casais desavindos, neste caso, o mais elementar direito de um pai de estar com os seus filhos e, além do mais, participar na decisão dos caminhos da sua educação enquanto eles não forem maiores para decidirem os seus próprios destinos.
Sei que o mais provável é que esta mensagem, que enviaremos com registo e aviso de recepção, vá ser devolvida à procedência, à semelhança da carta que enviámos antes do Natal a pedir à vossa mãe que nos indicasse em que dia poderíamos ver-vos, a vós, de quem gostamos tanto, e que foi devolvida sem sequer ter sido aberta.
Também sabemos, querida Rosa Morena que, muito provavelmente, a vossa mãe já vos disse vezes sem conta que o vosso pai é mau, sem vos dizer nem a ninguém porquê, e que nós, vossos avós seremos não conseguimos imaginar o que ela vos tenha já dito vezes sem conta de nós.
E sabemos, que, mesmo que esta mensagem vos chegasse às mãos vocês não a saberiam ler, e muito menos ela a leria para vós entenderem o que vos transmitimos. Há dois anos, Rosa Morena, ficávamos espantados como tu falavas português (sabes Rosa Morena que o português é uma das línguas mais faladas no mundo?), e como a Doralice, então com menos de três anos nos entendia perfeitamente. Sabemos que a vossa mãe estará a limpar dos vossos cérebros, há mais de ano e meio, não só as imagens do vosso pai e dos vossos avós mas também o vocabulário e a gramática na língua portuguesa que tão facilmente tinham aprendido. Se a limpeza das imagens do vosso pai e de nós está em curso, há uma limpeza que ela não pode fazer, a menos que possa demonstrar cientificamente que vocês não são filhas do nosso filho e, por conseguinte, não são nossas netas. Isto é, por mais voltas que ela dê, há um obstáculo que ela não pode ultrapassar: vocês não são propriedade dela, nem de ninguém, aliás. Um dia chegará, se não for antes, em que vocês assumirão os direitos da vossa maioridade e, no momento em que escrevo isto, espero muito que o comportamento dela não esteja a perturbar irremediavelmente a vossa personalidade futura. Esperamos muito fortemente que os actos de manipulação a que vocês estão sujeitas, e que são característicos em casos semelhantes, sejam interrompidos antes que a gravidade da sua extensão os torne irreversíveis. Queremos acreditar que a consciência daqueles que têm em mão a responsabilidade de mandar cessar esta enorme iniquidade não sossegará enquanto não der por terminado este aprisionamento, este sequestro, esta violência sobre vós, as maiores vítimas de uma perturbação sem sentido. 
O vosso pai, queridas Rosa Morena e Doralice, é a única fonte da vossa sustentação e da vossa mãe, porque só ele trabalha. É ele que tudo paga, incluindo a amortização do empréstimo bancário que complementou o empréstimo, não remunerado, que nós fizemos para a construção da casa que vocês habitam. Ele teve que se mudar para um apartamento por não poder suportar mais as impertinências sem sentido da vossa mãe, fomentando uma situação que, inegavelmente, psicologicamente vos estava a ferir e a ele a mortificar.
Ninguém, nenhuma pessoa é um bloco inerte capaz de resistir a todos os tormentos que lhe infligirem. Nada é indestrutível, salvo o amor de quem ama. Ao proceder tão perversamente à destruição do vosso pai, a vossa mãe, consciente ou inconscientemente, está a querer perturbar as capacidades intelectuais e as resistências físicas do vosso pai. Que pretende ela com isso?  Abalar-lhe a saúde ou a força anímica? Com que propósito? Sei, porque conheço muito bem o meu filho, que ele nunca abandonará a luta pela recuperação da convivência com as filhas que tanto ama. Sei quanto é grande o seu pacifismo e bondade, sei que a esperança na intervenção das autoridades suíças é a sua única arma, mas não sei, ninguém sabe até que ponto a perversidade da tua mãe não pode levá-lo um dia para a cama de um hospital.
Quando, naquele dia, em que eu falei com a tua mãe, pedindo-lhe que dissesse quais as razões da separação de que tínhamos sido informados no dia anterior, e ela me deu aquela resposta, sem qualquer sentido, a propósito de um horário de saída de Zurique para Washington DC, disse-lhe: Corinne, com a vossa separação serão as vossas filhas que suportarão incomparavelmente os maiores custos. Estava muito longe de saber a extensão que esses custos iriam alcançar. Uma extensão que continuamos a ignorar, mas que sabemos que continuarão aumentar enquanto subsistir uma atitude que ninguém compreende.
Se o vosso pai ficar temporariamente impossibilitado de trabalhar, porque ninguém é inabalável, nem as maiores cidades do mundo o são, pretenderá ela viver da segurança social, e invocar que o direito de presença e visita do pai junto das suas filhas cessa porque o pai está doente e impossibilitado de pagar as despesas da casa?
Gostaria muito que ela vos lesse e explicasse esta mensagem, mas não vai ler e muito menos explicar. Terá ela pelo menos a honradez de a ler e responder-me, corrigindo-me no que afirmo, se for caso disso.
Um pensador português disse um dia que “se não receio o erro é porque estou sempre disponível para o corrigir”
Assim estou eu, totalmente disponível para mudar de opinião se alguma ou algumas das afirmações que fiz não tem consistência ou carece de provas.
Disponível, e com alguma esperança que a honradez, talvez um valor em desuso em algumas mentalidades, venha ainda a proporcionar a oportunidade leal, franca, de boa-fé, de minimizar os danos já causados e evitar danos ainda mais gravosos no futuro para ti querida Rosa Morena e para ti querida Doralice.
É, também, para suscitar essa disponibilidade que vamos enviar esta mensagem, formalmente original, pensamos nós, a acompanhar a principal razão que a motivou: enviar os nossos desejos de muitas felicidades à nossa querida Rosa Morena por ocasião do seu sétimo aniversário, com muitos beijinhos e muitos abraços que envolvam a nossa querida Doralice.
Parabéns! Parabéns! Parabéns! ! Queridíssima Rosa Morena!
Muitos !!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!! beijinhos para ti e para a Doralice.
Tentaremos falar convosco pelo telefone, para casa, no dia do teu aniversário, querida Rosa Morena. 
Entretanto, cá continuo a beber em cada manhã um copinho de água morna com um pinguinho de limão, antes do pequeno almoço.

A quem ler esta mensagem advirto que o que nela está escrito só a mim, Rui Manuel Correia Fonseca, responsabiliza, porque mais ninguém foi chamado por mim a informar, corrigir ou de alguma forma influenciar o texto que escrevi.  E reservo-me o direito de divulgá-lo junto de quem sabe dos nossos desgostos, das nossas amarguras, das humilhações a que estamos a ser sujeitos.

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SINTRA, den 13.April 2018
Liebe Rosa Morena,
Liebe Doralice,

gestern haben wir, dein Großvater Rui und deine Großmutter Isabel, nach dem Abendessen Zeitung gelesen und gleichzeitig die Nachrichten im Fernsehen gesehen. Wir sehen sonst nicht sehr viel fern, wir bevorzugen eher ein gutes Theaterstück, einen guten Film im Kino und manchmal auch ein Fußballspiel, obwohl wir gar keinen festen Fußballclub haben und auch nicht viel davon verstehen. Um ganz ehrlich zu sein, wir verwechseln oft die Mannschaften, die gerade spielen und wir haben schon festgestellt, dass die Spieler oft den Club wechseln und noch häufiger das Trikot.

Ganz plötzlich hat eure Großmutter Isabel gesagt:
- Rosa Morena hat am 13. Mai Geburtstag und heute ist schon der 11. April, wir müssen Rosa Morena eine Glückwunschkarte schreiben und wir dürfen keine Zeit vergehen lassen, die Zeit vergeht wie im Fluge (das sagen die Leute so, aber bis heute hat noch niemand die Zeit fliegen sehen, oder habt ihr das schon einmal gesehen? Natürlich nicht. Die Worte sind manchmal hinterlistig, man muss sehr vorsichtig mit ihnen sein) und die Post verspätet sich immer.

Also, wir sind nicht die Großeltern, die zum Schreibwarenladen gehen und irgendeine Grußkarte kaufen, so wie alle anderen das machen. Und so kommt es eben, dass wir jedes Jahr die Geburtstagskarten basteln, die wir unseren Enkeln schicken, euch Rosa Morena und Doralice in Hombrechtikon in der Schweiz und auch Miguel und Rita in Reston in Virgina/ USA. Es macht uns so viel Spaß und bereitet uns so viel Vergnügen jedes Jahr verschiedene Grußkarten in unterschiedlichen Farben, Materialien und Zeichnungen, wie eine Art Origami für unsere geliebten Enkelkinder zu basteln.

In diesem Jahr, so sagte ich, euer Großvater Rui, werden wir unsere Technik, unseren Stil und die Größe komplett ändern: wir werden Rosa Morena eine 7m lange Nachricht schicken. Sie wird 7Jahre alt, also wird unser Gruß 7m lang sein, was denkst du?
Ich fand die Idee toll – lass uns anfangen!

Und so haben wir angefangen. Wir sind zum Staples, ein großes Schreibwarengeschäft, gefahren, wo es unter anderem auch Papier, Pappe und andere Dinge gibt und wir haben dort erfahren, dass sie nach Kundenwunsch auch verschiedene Größen und Längen ausdrucken.

Der Mann, der uns beraten hat, ich sollte lieber sagen, der junge Mann, sonst denkt ihr noch, dass es ein schon sehr alter Mann um die vierzig oder fünfzig war, hat und gefragt, wofür wir diese so ungewöhnliche Größe bräuchten. Und so haben wir ihm erzählt, dass wir unserer Enkeltochter Rosa Morena einen Geburtstagsgruß nach Hombrechtikon in der Schweiz schicken möchten und, dass sie am 13. Mai sieben Jahre alt wird.
Ah, jetzt verstehe ich, sagte er, ich wollte nur fragen, damit ich Sie nicht falsch verstehe. Dann werden es wohl im nächsten Jahr 8m?
Ja, jedes Jahr wird ein Meter dazukommen. Um das zu schaffen, trinke ich jeden Morgen ein Glas lauwarmes Wasser mit einem Tropfen Zitronensaft.
Und wirkt es?
Augenscheinlich: so lange ich jeden Morgen ein Glas lauwarmes Wasser mit einem Tropfen Zitronensaft trinke, werde ich meinen Enkelkindern bis zu meinem einhundertsten Geburtstag Glückwunschkarten schicken können.
Der junge Mann lächelte und sagte: Sie müssen uns die Grüße nur Computer-geschrieben mitbringen, wir erledigen dann den Rest. Das Papier, den Druck und eine Rolle zum Verschicken.

Und so sitzen wir hier, es ist sieben Uhr abends und beginnen unsere Grüße aufzuschreiben, die sicher etwas länger werden, aber ich glaube, dass du, Rosa Morena, und deine Schwester sie später einmal interessant finden werden, auch wenn wir heute noch nicht wissen, wann dieser Moment kommen wird.

Lieben Rosa Morena,
wir wünschen dir vor allem, dass du einen sehr glücklichen Geburtstag mit deinen Geburtstagsgästen verbringst. Wir wünschen dir, liebe Rosa Morena, alles Gute, viel Erfolg und viele weitere Geburtstage!

Wir werden bei deiner Geburtstagsfeier nicht dabei sein können. Eigentlich waren wir nur bei deinem ersten Geburtstag dabei. Bei dieser Feier waren auch dein Großvater Firenzo und deine Großmutter Elisabeth, die Eltern deiner Mutter, sowie dein Onkel Stephan, der Bruder deiner Mutter anwesend. Danach sind wir leider nie wieder eingeladen worden, deinen und Doralices Geburtstag mitzufeiern. An diesen Tagen ist uns immer ganz schwer ums Herz, sogar noch mehr als an den anderen Tagen, an denen wir an euch denken, und das sind alle anderen Tage des Jahres. Ich hoffe, dass ihr eines Tages verstehen werdet, welchen Schmerz man uns zugefügt hat und uns auch weiterhin zufügt, die Bitterkeit unserer Abwesenheit und auch wie sehr wir euch lieben, auch wenn uns diese Entfernung von anderen auferlegt wurde.

Am Vortag deiner Geburt haben wir uns wie die glücklichsten Großeltern der Welt gefühlt. Wir hatten zwar schon zwei Enkelkinder, Miguel und Rita in den USA, und nun sollten wir eine Enkeltochter in der Schweiz bekommen, die aus uns eine fantastische Familie mit Wurzeln in allen Ecken der Welt machen würde.

Zu dieser Zeit war deine Großmutter Elisabeth krank und wir, Großmutter Isabel und Großvater Rui, haben hier in Sintra, wo du noch nie warst, aber es dir sicher gut gefallen würde, die Koffer gepackt und sind nach Adliswil gefahren, wo wir einen Monat lang geholfen haben, wo es nur ging. Wir haben deinen Eltern sogar den größten Teil des Geldes geliehen, mit dem das Haus gebaut wurde, in dem du jetzt mit deiner Mutter und deiner Schwester Doralice lebst.

Wir waren in dieser Umgebung sehr glücklich und uns hat besonders eine CD gefallen, die deine Eltern zur Feier deiner Geburt aufgenommen haben, denn deine Mutter konnte sehr gut singen und dein Vater hat sie auf der Gitarre begleitet. Wenn ich mich nicht irre, haben sie zehn oder zwölf Lieder aufgenommen. Das letzte oder vorletzte haben sie gemeinsam gesungen. Weißt du, warum du den Namen Rosa Morena bekommen hast?
Es war das erste Lied auf der CD:

Rosa, Morena!
Onde vais Morena Rosa?
Com essa rosa no cabelo
E esse andar de moça prosa
Morena, Morena Rosa..
Rosa, Morena
Wohin gehst du, Morena Rosa?
Mit dieser Rose im Haar,
und diesem Gang eines Prosamädchens
Morena, Morena Rosa



… das ist ein brasilianisches Lied von Dorival Caimmi, von Gilberto Gil gesungen.

Deine Eltern hörten gern brasilianische Musik wie Bossa-Nova. Deine Mutter ist Schweizerin, spricht aber sehr gut Portugiesisch, neben vier oder fünf anderen Sprachen und sie hat einen italienischen Vater, dein Großvater Firenzo, der leider nicht mehr lebt. Wir mochten uns vom ersten Moment an. Er war Ingenieur und war schon berentet, kochte aber sehr gerne und ging jede Woche mit seiner Schwester, die in der Nähe wohnte, essen, und deine Großmutter Elisabeth, Schweizerin, die nicht so aus sich heraus ging, hat uns aber immer sehr höflich und aufmerksam behandelt, worauf wir mit nicht minderer Zuneigung und Freundschaft reagierten. Wir haben vor Tagen erfahren, dass sie nach einem Sturz und einem Oberschenkelbruch im Krankenhaus ist. Wir wünschen ihr eine schnelle Genesung. Sie ist eine sehr mutige Frau, leidet seit Jahren an Parkinson, hat aber eine bewundernswerte Klarheit beibehalten und sie mag unseren Sohn, deinen Vater, so sehr wie dein Vater, unser Sohn, sie mag. Man sagt hier: Wer unsere Kinder küsst, versüßt unseren Mund.

Wenn wir dieses Lied hören, welches deine Eltern gesungen haben, kommen uns vor Rührung Tränen in die Augen. So wie jetzt, da ich diese Nachricht aufschreibe … … …

Es geht schon wieder …

Wir werden morgen gleich früh weiterschreiben, natürlich nachdem ich mein Glas lauwarmes Wasser mit einem Tropfen Zitronensaft getrunken habé, aber noch vor dem Frühstück.


Etwas mehr als zwei Jahre später bekamen wir eine weitere freudige Nachricht! Doralice wurde geboren!

Und so gab es noch mehr Lieder, um die Geburt von Doralice zu feiern. Diesmal aber als Post im Internet:

Doralice eu bem que lhe disse
Amar é tolice, é bobagem, ilusão
Eu prefiro viver tão sozinho
Ao som do lamento do meu violão
Doralice, ich habe dir doch gesagt,
Lieben ist eine Torheit, Blödsinn und Ilusion
Ich lebe lieber ganz allein
Zur klagenden Musik meiner Gitarre
… … das ist auch von Dorival Caimmi, von Gilberto Gil gesungen.
Bei einer unserer Reisen nach Brasilien, waren wir einmal einen ganzen Nachmittag auf der Suche nach den Partituren und Texten verschiedener Bossa-Nova-Lieder, um die uns dein Vater gebeten hatte. Sind die vielleicht noch bei euch oder in seiner Wohnung? Wir wissen es nicht und wahrscheinlich weißt weder du noch deine Schwester etwas davon.


Als Doralice auf die Welt kam, wurden wir nicht um Hilfe gebeten, ganz im Gegenteil, uns wurde gesagt, dass wir nicht kommen sollten, bevor sie 3 Monate alt sei. Laut deiner Mutter sei der Umgang von Erwachsenen und Babys unter drei Monaten nicht empfehlenswert. Wir waren sehr überrascht, haben aber alles auf die ständig wechselnden Empfehlungen der Ärzte geschoben. Heute ist etwas gut und morgen schon nicht mehr.

Wir sind dann später gefahren. Und wie immer haben wir auch Rosquilhas mitgenommen, (kannst du dich noch erinnern, was rosquilhas sind? Das ist das Gebäck in Zopfform aus Olivenölteig) Apfel- Orangen- Kirsch- Nektarinen- Himmbeer- und Feigenmarmelade, die dich faszinierte und du hast nie Ruhe gegeben, bis du nicht alle Koffer ausgeräumt und die Päckchen ausgepackt hattest. Weißt du, wer die Marmelade und vieles mehr machte und auch heute immer noch macht? Deine Großmutter Isabel macht sie aus dem Ertrag unseres Obstgartens des Dorfes, aus dem dein Großvater Rui stammt. Wir sind uns sicher, dass es dir in unserem Dorf und in unserem Obstgarten gut gefallen würde. Wir bauen auch Mandarinen, Kiwis, Pflaumen, Pfirsiche, Weintrauben, Birnen, Zitronen und Nüsse an. Deine Großmutter Isabel macht an fast alle unsere Gerichte Nüsse und die sind fast alle aus unserem Eigenanbau.

Das Dorf, in dem wir unseren Obstgarten haben, hat auch einen sehr schönen Kindergarten mit vielen Kindern, die dort malen, singen, tanzen, kneten, lesen und rechnen lernen.

Ich habe sogar noch das Kindergartenbuch, dass ich gelesen habe als ich in deinem Alter war. Ja, ich habe das Buch mit dem grünen Umschlag immer noch.

Unsere Lehrerin hatte die Angewohnheit bei jedem der Schüler mit Bleistift das Datum unter den Text, den wir fertig gelesen und bearbeitet hatten, zu schreiben. Aus diesem Grund weiß ich, dass ich den Text “der Herr März” am 4. April 1949 gelesen und verstanden hatte. Ich war damals also sieben Jahre alt. Mein Geburtstag ist der 1. Februar.
Der Text ist eigenartig, da er vom Einhalten unserer Pflichten handelt, die wir annehmen, wenn wir Vereinbarungen eingehen. In diesem Text geht es um Hirten, die Kälte und Stürme überstanden hatten und die ihnen in den Wintermonaten sehr geschadet hatten. So hatten sie dem Herrn März versprochen, ihm je ein Lämmchen zu schenken, wenn er ihnen dafür im Frühling gutes Wetter bescheren würde.

Der Herr März hörte sie an und schwieg.

Im März hätte das Wetter nicht besser sein können. Es war so gut, dass viele Lämmchen auf die Welt kamen und so schnell heranwuchsen wie noch nie zuvor. So sagte einer der Hirten eines Tages zu den anderen: Brüder, unsere Herden sind gerettet, es kann kein schlechtes Jahr mehr werden. Warum sollten wir Herrn März jetzt noch unsere versprochenen Lämmchen schenken? Alle waren einverstanden und verabredeten keine Lämmchen abzugeben. Als Herr März von diesem Entschluss der Hirten erfuhr, sagte er nur: Ah! Ihr kommt eurem Versprechen also nicht nach? Ich habe noch zwei Tage und borge mir einen von meinem guten alten Freund April, und ich werde euch eine Lektion erteilen. Für die Hirten war der Ausgang der Geschichte desaströs. Am 30. und 31. März sowie am 1. April regnete es so stark und wurde so kalt, dass die Felder überfluteten und Weiden verloren gingen und damit auch die Herden, denn ohne Weiden können die Herden nicht leben. Und auch Milch, Käse und Butter, füge ich jetzt noch hinzu.

Du siehst, liebe Rosa Morena, lass dir von deinem Großvater Rui einen guten Rat geben: vergiss deine Versprechen niemals, und versprich nichts, was du nicht halten kannst.


Da wir gerade vom Kindergarten sprechen - wie viele Kinder gehen eigentlich in deinen Kindergarten? In meinem waren wir zweiunddreißig, aber heute sind es bestimmt an die achtzig. Vor ein paar Tagen bin ich daran vorbeigegangen und habe die Kinder Lieder singen hören, die auch ich schon gesungen habe und war kurz wieder in diese Zeit versetzt als ich noch klein war. Wir waren sehr glücklich. In unserem Haus versammelte sich zu Weihnachten oder Ostern immer die ganze Familie; es war eine Freude mit unseren Cousins spielen zu können.

Wenn ich an die Kindheit denke, muss ich auch an die sehr kurze, aber wunderschöne Zeit denken, die wir bei euch waren.

Rosa Morena und Doralice, was haben wir gespielt! Es hat dir so viel Spaß gemacht mit dem Ball zu spielen und dich auf die Füße deiner Großmutter Isabel zu setzen, die sie dann immer ausgestreckt hoch und runter schwingen ließ, damit ihr euch wie auf eine Wippe setzen konntet und sie hat dann immer die Kinderverse gesungen, die ihr so geliebt habt:

"Arre Burrito, arre burrito, que leva a menina para a casa da avó" Ihr konntet nicht genug bekommen bis Großmutters Beine nicht mehr konnten und Großvater Rui einspringen musste und "arre burrito, arre chóchó,  que leva a menina para a casa da avó" singen musste, solange die Beine mitmachten.

Erinnert ihr euch noch? Ich denke mal nicht.

Sicher erinnert ihr euch auch nicht mehr an das Zubettgehen. Ihr seid immer zum Gittertürchen oben an der Treppe gekommen, habt gelacht, so getan, als würdet ihr schlafen gehen, um dann gleich wieder dazustehen. So ging es dann unendlich weiter. Es war ein so entzückendes Gelächter!

Rosa Morena, du hast dich bei Tisch so wunderbar benommen, hast sehr gut gegessen und ich habe immer gesagt: wenn du dich weiter so gut benimmst, werden wir später ein wunderschönes Schulmädchen haben.

Und nun kommst du dieses Jahr in die Schule, nicht wahr? Ich habe gehört, dass deine Mutter dich und deine Schwester Doralice lieber zu Hause unterrichten will. Euer Vater, unser Sohn ist damit nicht einverstanden. Er ist der Meinung, dass Kinder in einer Schule lernen sollten, weil man in der Schule auch das Zusammenleben lernt, also das gesellschaftliche Leben.

Ich bin natürlich suspekt, wenn ich hier seine intellektuellen Fähigkeiten und moralischen Werte hervorhebe, da euer Vater mein Sohn ist. Ich bin sicher, dass ihr, du Rosa Morena und du Doralice, verstehen werdet, dass es keinen Sinn ergibt, dass eure Mutter ihr Versprechen nicht einhält und nicht zulässt, dass euer Vater euch sehen kann.

Es sind nun schon anderthalb Jahre vergangen, dass er euch nicht sieht und wir auch nicht. Warum? Wir wissen es nicht und eure Mutter sagt es uns auch nicht.

Du weißt nicht warum, dein Vater weiß nicht warum, und wir wissen auch nicht warum. Wir wissen nur, dass es keine akzeptable und plausible Erklärung für das komische Verhalten eurer Mutter gibt.

Zu Weihnachten haben wir, euer Großvater Rui und eure Großmutter Isabel, an eure Haustür geklopft, um euch ein frohes Fest zu wünschen und auch ein paar Geschenke, die doch so typisch für die Weihnachtszeit sind, zu bringen. Eure Mutter war mit euch und einem befreundeten Paar, das euer Vater auch kennt, zu Hause. Als uns die Tür geöffnet wurde, kam zuerst der Mann und dann die Frau an die Tür. Wir wollten verstehen, warum eure Mutter uns nicht empfangen wollte und was wir falsch gemacht hatten. Da unser Gespräch an der Haustür ein paar Minuten dauerte, kam auch eure Mutter, verlangte, dass uns das Paar raus schob und schloss die Tür.

Warum?

Als uns unser Sohn an diesem kalten Oktoberabend anrief, klang seine Stimme so verbittert, wie wir ihn noch nie gehört hatten und erzählte uns, dass er und eure Mutter sich trennen würden, was uns nicht wirklich überraschte, weil wir nach Doralices Geburt nach und nach ein merkwürdiges Benehmen bei eurer Mutter festgestellt hatten. Wir werden hier nicht alle wundersamen Erinnerungen aufschreiben, sonst werden die vereinbarten sieben Meter nicht ausreichen.

Wir haben immer alle mit eurer Mutter abgemachten Zeiten eingehalten, zu denen wir mit unserem Sohn sprechen konnten, nur um ein paar Worte mit ihm zu wechseln. Für uns war es merkwürdig, dass euer Vater, immer wenn er mit uns sprechen wollte, anrief, wenn er mit “Milagro” außer Haus war und spazieren ging. Dieser Hund war ein so schöner, aber auch trauriger Kerl, da er, von den kleinen Spaziergängen mal abgesehen, den ganzen Tag in einer Ecke saß und sicher versuchte, so wie wir auch, zu verstehen, was vor sich ging, da diese Veränderungen so unvermittelt über uns alle hereinbrachen.

Wir haben uns die Frage gestellt, warum uns euer Vater immer anrief, wenn er außer Haus war – warum nicht von zu Hause, was doch normal gewesen wäre. Hatte eure Mutter etwas dagegen? Es war die einzige Erklärung, die wir gefunden haben, schon weil sie uns einmal gesagt hatte, dass Familientreffen alle drei Jahre mehr als ausreichend wären. Damals haben wir geschluckt, aber die Bemerkung als eher unglücklich eingestuft.


Ein anderes Mal saßen wir zwei nach ausgiebigem Fußballspiel und anderen Spielen im Haus auf dem Sofa, du weißt schon – das weinrote, schöne und so originelle Sofa, als ich einen Stift nahm und sagte: “Um!”, ich wollte, dass du mir die Zahlen auf Deutsch beibringst, weil ich ja nicht Deutsch spreche, aber du sprichst Deutsch und Portugiesisch, wenigstens zu dieser Zeit und ich fand es entzücken, dass mir meine Enkeltochter etwas beibringen konnte. Ich habe immer gerne gelernt und ich bitte immer darum, dass man mir Dinge beibringt, die ich nicht weiß. Für mich war es das Größte von meiner fünfjährigen Enkeltochter etwas lernen zu können.

Ich habe einen Bleistift genommen und sagte: “um!” und du hast mir mit “eins” geantwortet, dann habe ich “dois” gesagt und du “zwei”, ich: “três” und du “drei”, ich “quatro” und du “vier”, ich “cinco” und du “fünf”, ich “seis” und du “sechs”, ich sete” und du “sieben”, ich “oito” und du “acht”, ich “nove” und du “neun”… wir haben so gelacht und hatten so viel Spaß, weil du, meine liebe Rosa, deinem Großvater Rui die Zahlen beigebracht hast.

Unerwartet kam deine Mutter, hat uns den Bleistift weggenommen, hat dich hoch genommen und ist die Treppe hinaufgegangen und verschwand im Zimmer und ist den ganzen Nachmittag nicht wieder herausgekommen. Ich habe noch von unten gefragt:

Corinne, was ist los, habe ich etwas falsch gemacht?

Aber ich habe keine Antwort bekommen. Dein Vater war im Bad gegenüber. Ich habe auch ihn gefragt: Pedro, was ist los? Ich hatte Tränen in den Augen und konnte sie auch nicht zurückhalten. Er hat nur gesagt, dass ich Verständnis haben soll, da Corinne krank ist. Vielleicht war es eine Depression nach der Geburt. Das passiert manchmal. Ich musste tief durchatmen, aber es gab eine Erklärung, die mir jedoch unbekannt war. In dieser Nacht ließ mich mein Gewissen mehr recht als schlecht schlafen.


Im Mai, in dem Miguel Geburtstag hat, kamen deine Cousins, er, Rita und die Eltern aus den USA, um euch zu besuchen. Wir hatten uns bis dahin nie alle zusammen an einem Ort getroffen, obwohl wir gar nicht so viele sind; nur sechs Erwachsene und drei Kinder (Doralice war damals noch nicht geboren).

Dein Vater machte den Vorschlag, dem sich auch niemand verweigerte, sondern alle begeistert annahmen, die Seilbahn zu nehmen, um in die fantastischen Berge zu fahren und Miguels Geburtstag mit Würstchen und Cola zu feiern. Als wir das Haus verlassen wollten, sagte eure Mutter ab, denn sie kannte den Ort und empfand kein Interesse ihn noch einmal zu besuchen. Ich schlug also vor, einen anderen Ort in der Nähe zu besuchen. Wir hätten ja auch im Restaurant am See zu Mittag essen können. So hätte uns Milagro als gut erzogener Hund auch begleiten können. Eure Mutter nahm den Vorschlag aber nicht an und wollte auch keinen weiteren Ort besuchen. Ich sagte noch, dass wir ja auch zu Hause essen könnten, aber eure Mutter lehnte nur ab. So sind wir auf den Berg gefahren; Großvater Rui, Großmutter Isabel, Miguel, Rita und Milagro. Wir haben Miguel das Geburtstagslied vorgesungen, haben Würstchen gegessen und Cola getrunken, außer Milagro natürlich, der ja nur abends isst und er trinkt auch nur Wasser. So sind wir dann wieder zurückgefahren und nichts Weiteres ist passiert.


Nachdem euer Vater uns mit dramatischer und verbitterter Stimme erzählt hatte, dass sich die Familie trennen würde, bat ich ihn nicht euer Haus zu verlassen, aber er war es, der die unkontrollierten Wutanfälle eurer Mutter nicht mehr ertragen konnte, die unauslöschliche Spuren bei euch Kinder hinterließen. Er wollte sich in der Nähe eine Wohnung suchen. Also habe ich eure Mutter angerufen und sie gefragt:

Corinne, was ist so schreckliches passiert, dass eine Trennung, die besonders euren Töchtern schadet, unabwendbar ist? Was hat Pedro gemacht, was du ihm nicht verzeihen kannst und ihn aus dem Haus jagst?

Sie hat mir nach einigen Augenblicken geantwortet, dass Pedro ein Lügner ist und sie keine Lügen ertrage.

Aber welche Lügen? Kannst du uns das sagen? Für eine so schwerwiegende Entscheidung müssen die Lügen wahrlich schlimm gewesen sein…

Kannst du dich erinnern, als Ana mit ihrem Mann und den Kindern das letzte Mal hier war. Pedro hatte gesagt, dass Ana diese Nacht nicht bei uns bleiben würde, (wahrheitsgemäß muss man dazu sagen, dass eure Mutter niemals eine Einladung ausgesprochen hatte und, dass Ana, unsere Tochter, mit ihrer Familie, die insgesamt vier Personen sind, sich immer Hotelzimmer in der Umgebung mieteten) da sie in einem Hotel am Flughafen bleiben würde, um am nächsten Tag schneller ihren Rückflug in die USA nehmen zu können. Aber Ana sagte beim Abendessen, dass sie so noch Zeit hätte, vor dem Flug etwas laufen zu gehen. Pedro hatte gelogen, obwohl er wusste, dass Annas Flug erst am Nachmittag ging.

Oh! Corinne, aus diesem Grund werdet ihr euch trennen???, fragte ich erstaunt und sie gab mir auch keine Zeit noch weitere Fragen zu stellen.


Ich habe dann später noch einmal angerufen und gefragt, was eine Trennung, die hauptsächlich den Töchtern schadete, vermeiden könne, aber sie sagte nur “nichts” und ließ mir auch diesmal keine Zeit noch weitere Fragen zu stellen.


Anschließend wurde ein Scheidungsvertrag für zwei Jahre unterschrieben, in dem sich euer Vater verpflichtete alle Ausgaben des Lebensunterhalts, der Ausbildung, euer aller Gesundheit zu tragen und so wurden auch die im Gesetz vorgesehenen Besucherrechte geregelt. Ich sagte “alle Ausgaben”, weil nur das Einkommen eures Vaters alle Ausgaben begleicht, da eure Mutter keiner entlohnten Arbeit nachgeht.

Euer Vater ist seinen Pflichten, die er eingegangen ist, immer nachgegangen. Es ist eure Mutter, die mit verschiedenen Ausreden, die auch bei ähnlichen Fällen des Kindesentzugs auftreten, eurem Vater den Umgang verbietet, obwohl er in der Nähe lebt.

Von unserer Seite, euren Großeltern, lehnt sie jegliche Anrufe ab, antwortet auf keine E-Mails und wehrt Briefe ab. Zu Weihnachten, wie ich schon erzählt habe, verweigerte sie uns einen Moment mit unseren Enkeltöchtern, um euch ein paar Weihnachtsgeschenke zu überbringen und schlug uns vor der Nase die Tür zu. Sie ließ uns durch eine dritte Person wissen, dass sie die Polizei rufen würde, wenn wir noch einmal versuchten, Kontakt mit unseren Enkeltöchtern aufzunehmen!

Wir werden nicht wieder auftauchen, nicht aus Feigheit, aber weil wir die Konfrontation mit der Polizei vermeiden möchten und, weil wir daran glauben, dass das Recht und die schweizer Institutionen, die das Interesse der Kinder in Gefahr verteidigen, die eingegangenen Abmachungen, wie zum Beispiel das gemeinsame Sorgerecht, wieder herstellen werden, das eure Mutter nicht einhält und somit eurem Vater ein Grundrecht nimmt, mit seinen Kindern zusammen zu sein oder sich bis zur Volljährigkeit an den Ausbildungsentscheidungen zu beteiligen.

Ich vermute, dass auch diese Nachricht, die wir per Einschreiben abschicken werden, an den Absender ungeöffnet zurückgeschickt wird, so wie der Brief, den wir vor Weihnachten geschickt haben und in dem wir eure Mutter gebeten haben, uns einen Tag vorzuschlagen, an dem wir euch sehen könnten.

Wir vermuten auch, liebe Rosa Morena, dass eure Mutter euch wahrscheinlich schon unzählige Male gesagt hat, dass euer Vater böse ist, ohne euch oder jemand anderem zu sagen, warum und wir wollen uns gar nicht vorstellen, was sie euch über uns erzählt haben muss.

Wir wissen natürlich auch, dass, selbst wenn dich diese Nachricht erreicht, du sie nicht lesen kannst und dass deine Mutter sie dir bestimmt nicht vorliest, damit du verstehen kannst, was wir versuchen zu vermitteln. Rosa Morena, vor zwei Jahren waren wir so erstaunt, wie gut du Portugiesisch sprechen konntest (wusstest du, dass Portugiesisch eine der meist gesprochen Sprachen der Welt ist?) und wie gut Doralice, wenn auch noch nicht ganz drei Jahre alt, alles verstehen konnte. Wir wissen natürlich, dass eure Mutter alles daran setzt, aus eurer Erinnerung Bilder eures Vaters und eurer Großeltern zu löschen, aber eben auch den Wortschatz und die Grammatik der portugiesischen Sprache, die ihr so leicht gelernt hattet. Wenn auch die Säuberung der Erinnerungen an euren Vater und an uns im Gange ist, eines vermag sie aber nicht zu löschen (es sei denn sie kann es wissenschaftlich belegen), und das ist die Tatsache, dass ihr die Töchter unseres Sohnes seid und somit unsere Ekeltöchter. So sehr sie sich auch anstrengt, ein Hindernis kann sie nicht aus dem Weg räumen: ihr seid weder ihr noch irgendjemandem Eigentum. Es wird der Tag kommen, an dem ihr erwachsen werdet und die Zügel in eure eigenen Hände nehmt und, so hoffe ich heute, da ich diese Zeilen schreibe, dass ihr Verhalten eure Persönlichkeit nicht unwiderruflich für die Zukunft zerstört. Wir hoffen inständig, dass die Manipulation, der ihr ausgesetzt seid und so typisch für diese Fälle ist, unterbrochen werden kann, bevor die Auswirkungen unwiderrufliche Schäden hinterlassen. Wir wollen auch daran glauben, dass das Gewissen jener, die die Verantwortung in den Händen halten, sie nicht eher aufgeben lässt, bevor dieses Gefängnis, diese Entführung und diese Gewalt, die euch angetan wird, nicht beendet ist.

Euer Vater, liebe Rosa Morena und Doralice, ist die einzige Quelle eures Unterhalts, weil nur er arbeitet. Er bezahlt alles, sogar die Bankanleihe, die unsere Anleihe abrundete, sodass das Haus gebaut werden konnte, in dem ihr heute lebt. Euer Vater musste in eine Wohnung umziehen, da er die sinnlosen Frechheiten eurer Mutter, die euch unbestreitbar psychologisch wehtaten, nicht mehr ertragen konnte und ihn selbst veränderten.

Niemand ist aus Stein und widersteht allen Qualen, denen er ausgesetzt ist. Nichts und niemand ist unzerstörbar, außer vielleicht die Liebe der Liebenden. Wer auf so perverse Weise euren Vater bewusst oder unbewusst zerstört, wie es eure Mutter getan hat, will auch die intellektuellen und physischen Fähigkeiten eures Vaters zerstören. Was möchte sie damit bezwecken? Möchte sie seine Gesundheit oder seine seelische Stärke zerrütten? Und aus welchem Grund? Ich kenne meinen Sohn recht gut und weiß, dass er den Kampf um seine geliebten Töchter nie aufgeben wird. Ich weiß auch, wie stark sein Pazifismus und seine Güte ist und ich weiß, dass sein Glaube an die schweizer Autorität seine einzige Waffe ist, aber ich weiß nicht, ob die Perversion deiner Mutter ihn nicht irgendwann an ein Krankenhausbett fesseln wird.

An dem Tag, an dem ich mit deiner Mutter gesprochen habe und sie um Gründe der Trennung bat, von der wir ja erst am Vortag gehört hatten, und sie mir diese sinnlose Antwort zum Abflug nach Washington DC gegeben hatte, sagte ich noch zu ihr: Corinne, eure Töchter werden auf unvergleichbare Art und Weise eure Trennung ertragen müssen und den höchsten Preis bezahlen. Ich konnte mir im Traum nicht ausmalen, welches Ausmaß dieser Preis annehmen würde und ich glaube, wir haben immer noch keine Ahnung. Eines ist sicher, er wird von Tag zu Tag höher, solange diese unverständliche Haltung beibehalten wird.

Was wird passieren, wenn euer Vater vorübergehend arbeitsunfähig wird, weil niemand unzerstörbar ist, nicht einmal die größten Städte der Welt sind es? Wird sie dann von Sozialhilfe leben und das Besucherrecht einstellen lassen, da euer Vater krank und unfähig ist, die Haushaltskosten zu tragen?

Ich wünschte, sie würde euch diese Nachricht erklären, aber ich bin sicher, dass sie sie euch nicht vorlesen wird und noch weniger erklären. So hoffe ich doch wenigstens, dass sie so ehrenhaft ist und sie liest und mich in meinen Fehlern korrigiert.

Ein portugiesischer Philosoph hat einmal gesagt: “wenn ich den Fehler nicht fürchte, so bin ich doch immer bereit ihn zu korrigieren”

Und so stehe ich zu den Dingen, ich bin vollkommen bereit meine Meinung zu ändern, sollte eine oder einige meiner Aussagen inhaltslos oder nicht belegbar sein.

Ich stehe allem ganz und gar offen gegenüber, und das mit einem Hoffnungsschimmer, dass die Ehre, die vielleicht bei Einigen langsam aus der Mode kommt, doch noch eine wahre, ehrliche und gut gemeinte Gelegenheit bietet, den schon entstanden Schaden zu begrenzen sowie noch schlimmeren für eure Zukunft, liebe Rosa Morena und liebe Doralice, verhindert.

Um dieser Bereitschaft zusätzlich Ausdruck zu verleihen, schicken wir unsere Geburtstagsgrüße, anlässlich des siebten Geburtstags, der ja der ursprüngliche Grund war, unserer lieben Rosa Morena, begleitet von viele Küßchen und Umarmungen, die auch unsere liebe Doralice einschließen.


Alles Gute! Alles Gute! Alles Gute zum Geburtstag! !Allerliebste Rosa Morena!
Viele !!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!! Küßchen für dich und Doralice.
Liebe Rosa Morena, wir werden an deinem Geburtstag versuchen am Telefon mit dir zu sprechen.



Unterdessen trinke ich weiterhin jeden Morgen vor dem Frühstück mein Glas lauwarmes Wasser mit einem Tropfen Zitronensaft.

  

Hinweis:
Ich weise etwaige Leser darauf hin, dass ausschließlich ich, Rui Manuel Correia Fonseca, für das Geschriebene verantwortlich bin, da sonst weder jemand dazu gezogen oder informiert wurde, noch um Korrektur oder um eine Meinungsäußerung zum geschriebenen Text gebeten wurde. Ich behalte mir das Recht vor, den Text mit denen zu teilen, die von unserem Kummer, unserer Verbitterung und Demütigung zu wissen.