Friday, November 15, 2019

IN VINO DA VINCI

Old wine in new bottles Leonardo da Vinci’s personal vineyard has been re-created

And the wine is ready to drink

Nov 14th 2019

LEONARDO DA VINCI is remembered as many things—artist, inventor, scientist. “Boozer”, however, is rarely included on the archetypal polymath’s astonishing CV. That might change now that scientists have resurrected da Vinci’s own vineyard.
Da Vinci was a great lover of wine, “the divine liquor of the grape”, as he called it. So much so that Ludivoco Sforza, the Duke of Milan, offered him a vineyard as payment for “The Last Supper”, which he painted for the refectory of the Convent of Santa Maria delle Grazie in Milan in 1498. It survived for centuries after his death, until it was destroyed by a fire started by Allied bombs in 1943. With it was lost any hope of seeking inspiration from the same liquid source that once fuelled the painter of “Mona Lisa” and the inventor of the helicopter.

That is, until 2007, when Luca Maroni, an oenologist, decided to excavate the site in the hope that some vine-roots had survived the fire. He recruited Attilio Scienza, an expert on viniculture, and Serena Imazio, a geneticist, and they began to dig. Finding some roots intact, the team subjected them to extensive genetic testing at the Università degli Studi in Milan. In 2009 they identified da Vinci’s grapes as Malvasia di Candia Aromatica, a variety that is still grown in Italy today.
That discovery set off a painstaking recreation of da Vinci’s vineyard. Dr Imazio scoured Italy to find grapes similar to the DNA profile of the roots, bringing them back to Milan and copying the original layout of the vineyard as exactly as possible. Located in the gardens of the Casa degli Atellani, just two minutes’ walk from “The Last Supper”, it has been open to visitors since 2015.
The vineyard produced its first harvest in September 2018. Now, after a long wait, da Vinci’s wine is ready to drink. A first 330 bottles, based on a design found in da Vinci’s Codex Windsor, will be auctioned later this year. For those not lucky enough to grab a bottle, the vineyards of the nearby Castello di Luzzano, also thought to have been the property of the Duke of Milan, produce a wine made from the same type of grape and inspired by da Vinci. You can enjoy a glass after a pleasant stroll through his vineyard. Light and floral, you can almost taste in it a hint of Leonardo’s renaissance.

This article appeared in the Europe section of the print edition under the headline "Old wine in new bottles"

c/p Economist

Wednesday, November 06, 2019

O JOGO DA CABRA CEGA


Leio no Público de 30/10, aqui.
"...
...  ... Na semana passada, o SMMP (Sindicato dos Magistrados do Ministério Público) divulgou um comunicado com seis páginas, intitulado “Restabelecer a legalidade no Ministério Público”, onde se insurge contra práticas “ilegais” que se instituíram nesta magistratura, por vezes de forma informal, à margem do Código Processo Penal. E pede a Lucília Gago e ao Conselho Superior do Ministério Público para proibirem e punirem o que chama de “práticas ilegais”. “O superior hierárquico não pode dar ordens ao magistrado do Ministério Público titular de um inquérito para este acusar ou arquivar um processo contra determinada pessoa”, lê-se no comunicado. E acrescenta-se: “O superior hierárquico não pode igualmente ter interferência nas diligências de produção de prova, isto é, não pode determinar ou impedir a realização de buscas ou intercepções telefónicas, a constituição de arguidos ou inquirição de testemunhas, tal como também não pode determinar o teor de perguntas, sugerir que se façam outras ou se suprimam algumas que entenda não serem adequadas.”
Mas o que aconteceu em Tancos não é a única situação a alarmar o sindicato, que condena outro tipo de “instruções” para que os procuradores não deduzam acusações sem antes as submeterem à apreciação do seu superior hierárquico. “Esta prática ilegal liquida por completo a autonomia interna dos magistrados, transformando-os em ‘meninos de escola’ que mostram os seus trabalhos de casa ao ‘professor’ para que este os aprecie e lhe anote os erros”, afirma o SMMP, que condena igualmente orientações para que os procuradores não peçam absolvições no final dos julgamentos, mesmo que considerem que não foi feita prova dos crimes.
.
Percebo a posição defendida pelo Sindicato: aos magistrados do MP assiste a obrigação de investigarem com independência de qualquer nível hierárquico. De outro modo seriam transformados em "meninos de escola" que mostram os seus trabalhos de casa ao professor.
.
Não entendo, no entanto, que o SMMP não conteste que as investigações e conclusões muito complexas e muito demoradas, que conduziram à dedução de acusação, no caso da "Operação Marquês", por exemplo, sejam submetidas à apreciação de um Juiz de Instrução a quem é dado o poder de recusar provas e conclusões tornando em "meninos de escola" os muitos magistrados envolvidos no mega-processo que ameaça abalar de vez o prestígio do MP.
.
Poderá argumentar-se que das decisões do Juiz de Instrução pode o MP recorrer para a Relação. Mas
esta faculdade não retira ao magistrados do MP a contingência de serem tratados como "meninos de escola".
Neste caso, na primeira fila da fotografia do grupo.

Tuesday, November 05, 2019

JUVENTUDE NEURÓTICA





O autor, austríaco, desta peça de teatro em cena no Teatro AbertoFerdinand Bruckner ( Sófia 1891 - Berlim 1958 ) situou este seu trabalho sugerido pela instabilidade psicológica da juventude vienense percepcionada pelo autor nos anos 20 do século passado. A peça foi publicada em 1929, a acção decorre em 1923, e encena uma epidemia moral que atingia a juventude burguesa daquele tempo em Viena e se alastrava pela Europa no pós-primeira guerra mundial.
Resumidamente, há um grupo de estudantes de medicina, três rapazes, três raparigas e uma jovem e inocente empregada do grupo. Um dos estudantes é dominador e regozija-se a destruir as relações entre eles: corrompe a inocente empregada, anima as tendências suicidas da bissexual aristocrática, e acaba por  voltar-se para quem antes repudiou ostensivamente.
É nesta amostra de neurose colectiva da juventude que Bruckner sugere a emergência do fascismo, e nova guerra, duas décadas depois.

Sugere a reposição desta peça publicada há noventa anos a recidiva de uma situação patológica moral com sintomas semelhantes nos dias de hoje, augurando idênticas consequências? É essa a implícita  explicação desta e de outras reposições recentes da peça.

Relativamente ao trabalho em cena no Teatro Aberto, considero, mais uma vez a propósito das mais recentes representações do TA, que a projecção de vídeos desvaloriza a arte do teatro, o cenário, de tão exagerado em dimensões e iluminações, desvia a atenção dos espectadores da expressividade dos actores. E o guarda roupa é um excesso: em gosto, porque Tenente é um bom estilista, em quantidade porque uma peça de teatro não é um desfile de moda. Ainda que um desfile de moda tenha o seu lado teatral.

Thursday, October 31, 2019

Monday, October 28, 2019

O TRIUNFO DA ECONOMIA DA CUECA


- Tem tenazes para apanha de nozes no chão?
- De nozes? 
- Sim, de nozes, de castanhas, que caem das árvores de quem as tem, mas já não tem idade para andar de cócoras a apanhá-las nem lombares para se debruçar.
- Hum! Hum! Já sei do que fala. Já tive, já ... mas esgotaram-se. Posso mandar vir, se quiser, mas só cá chegam daqui a uma semana, pelo menos. 
- Uma semana?
- Uma semana, pelo menos. Vêm da Holanda.
- Da Holanda? As tenazes são feitas na Holanda? 
- Não sei se são lá feitas, só sei que as mandam vir de lá. Custam cinco euros e meio, salvo erro. 
- Uma semana é muito. Entretanto, estragam-se-me as nozes no chão.
- Talvez encontre no chinês, aí em cima, nesta mesma rua.

- Tem tenazes para apanhar coisas do chão?
- Tem, tem. No andar debaixo, no segundo coledor ...ao meio.
Tinha.
- Quanto custa?
- Um euro e meio.

Como é possível produzir na China uma tenaz, transportá-la e vendê-la em Cascais ou em Castelo Branco por um euro e meio?
É fácil entender como.
O arranque da economia chinesa iniciado com a teoria do gato de Deng Xiaoping - não importa se o gato é branco ou preto, desde que cace ratos-, o comunismo chinês adoptou o gato capitalista na casa comunista, montando este sistema híbrido sobre os três pilares negativos (não há democracia, não aos direitos humanos, não há liberdade de expressão) com os quais o actual presidente vitalício Xi Jinping se propõe dominar o mundo até 2049, ano do centésimo aniversário da fundação da República Popular da China. vd. aqui.
 
Há anos, começaram a chegar ao ocidente confecções, inicialmente de contrafacção, a preços que encerraram ou deslocalizaram, o efeito é o mesmo, fábricas como no Vale do Ave. Depois o made in China, mais recentemente crismado made in RPC,  tornou-se corrente no mundo ocidental, agora já prestigiado pelas marcas de renome internacional, e alargou-se, e continua a alargar-se às mais diversas produções, tanto de mão de obra intensiva como de tecnologia altamente sofisticada. 
Para pagar as cuecas e quejandos, os brinquedos. até os pinhões no bolo-rei, vendemos ao estado chinês ou aos bilionários chineses de fresca data o domínio ou quase domínio da EDP, da REN, da Fidelidade, do Hospital da Luz, o BCP, da TAP, entre outros. 
Fomos só nós? De modo algum. O comunismo capitalista chinês está a alargar-se por todo o lado. É inevitável? É recomendável? É bom que assim seja? Há quem diga que sim.
Aceitaria quem diz que sim viver num sistema que repudia a democracia, os direitos do homem, a liberdade de expressão?

O certo é que, para já, a economia chinesa alavancada pela economia da cueca, triunfou.
Poderíamos comprar aos chineses além de cuecas e tantos outros artefactos afins, equipamentos que dinamizassem o crescimento da nossa economia, em estado letárgico?
Comboios de alta, ou mesmo média, velocidade, por exemplo.
Poderíamos mas não temos (não temos mesmo?) recursos para ir além das cuecas.

No Programa do Governo (transcrevo do Publico de 27/10) "são prioridades para a presidência portuguesa (da União Europeia) o Pacto para a Europa Verde, a Europa social, a transição digital e a relação entre a Europa e a África."
Subscrevo.
E quem vai continuar a confeccionar as cuecas? 

Sunday, October 27, 2019

UM BRÊXIT SEM SAÍDA


Do Economist desta semana, transcrevo a parte publicada on line de um artigo sobre o fervor europeísta que assaltou parte significativa dos britânicos após o confronto com a iminência da saída do UK da UE.
Sempre se soube que, sobretudo os ingleses, ainda de ego cheio no tempo em que eram imperiais, se sentiam desconfortáveis como membros de um clube onde entrava gente de gostos duvidosos, avaliados pela bitola britânica, e, pior que tudo isso, não tinham a exclusividade do comando a bordo. 
Um dia ofereceram-lhe num referendo a decidir por maioria simplicíssima, a hipótese de sair, e, entre verdades e mentiras, o sim à saída ganhou por uma unha negra. 
Quem fazia contas, sobretudo em Londres, e principalmente na City, recomendava a permanência do reino britânico na UE, os outros marimbaram-se para as contas e votaram consoante lhes tocou mais ou menos o ardor nacionalista, que, entretanto, tinha crescido como cogumelos por todo o lado europeu e fora dele, esquecidos da guerra global, ateada na Europa, oitenta anos antes.
Agora o reino vai sair mas não atina com a porta de saída.

No dia em que der com ela, a saída pode funcionar como uma bomba de fragmentação: do Reino Unido e da União Europeia, onde sopram os ventos nacionalistas, a arrastar fuligem populista, racista, xenófoba, chauvinista, para gáudio do imperador Xi Jinping, do czar Putin, do inqualificável Trump.
A Catalunha, rica, não suporta pertencer ao mesmo clube frequentado pela Andaluzia pobre ou pela Galiza remediada. A Itália do Norte despreza a Itália do Sul, o Leste estende a mão ao ocidente e pisca o olho ao outro lado.
Em Portugal, os extremos políticos batem palmas, ao lado de Putin e Trump, talvez sem se dar conta, pela fragmentação da Europa.
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BEFORE THE referendum in 2016 European Union flags were as rare as golden eagles in Britain. Today they are as common as sparrows. Parliament Square is permanently festooned with them. Activist Remainers flaunt flag-themed berets and T-shirts. On October 19th a million-strong army of People’s Vote supporters marched on Westminster beneath a sea of gold and blue standards.
This points to one of the oddest paradoxes in this odd period in British politics. It took a vote to leave the EU to shock millions of Britons into realising how much they liked it. Britain had always been an outlier in believing that the EU ought to be little more than a convenient trading arrangement. A couple of Eurobarometer polls in 2015 found that the country came 28th out of 28 in terms of people’s sense of European identity and 26th in terms of trust in European institutions. Yet today a significant section of the population thinks that being European is essential to its identity.

c/p aqui 

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Act. 28/10/2019


 
 
Cerca de um milhão de 'remainers' manifestaram-se esta tarde em Londres, junto ao Parlamento, enquanto Boris Johnson tentava convencer os deputados a aceitarem o acordo com a União Euriopeia  - c/p aqui

Thursday, October 10, 2019

1969 - ODISSEIA NO QUELHAS


Em 18 de Março de 1969, à noite, houve récita dos finalistas de Económicas (ISCEF - Instituto Superior de Ciências Económicas e Financeiras) no Teatro da Trindade.

A 20 de Julho desse mesmo ano, um homem, o norte-americano Neil Armstrong pisou pela primeira vez a lua. Em 1968, Stanley Kubrick tinha produzido e realizado 2001- A Space Odyssey.
Neste contexto de ficção tornado realidade, que melhor título se poderia dar a um divertimento académico daqueles que se preparavam para sair da cápsula onde, pelo menos, tinham estagiado durante cinco anos, mais adequado e ambicioso que  "1969 - ODISSEIA NO QUELHAS"?

Fui cúmplice de um atrevimento reprovado pelo então director do ISCEF, Professor Jacinto Nunes.  Salazar tinha ficado física e mentalmente inválido em Agosto do ano anterior mas a polícia política continuava feroz e só 5 anos depois o país viria a experimentar o sabor agridoce da democracia.
Disseram-me que o Prof. Jacinto Nunes veementemente desaconselhara a integração dos "Jograis do Quelhas" no programa das festas para me perguntarem de seguida: E agora? Respondi: agora façam como entenderem, eu não escrevo outros. 
E foi, sentado na plateia, com um olho no palco e outro em individualidades desconhecidas, que assisti aos Jograis, a finalizar o primeiro acto da récita. Ninguém foi preso.

Hesitei muito na transcrição neste caderno de apontamentos, da jogralada em versão de mal-dizer, não só por pudor e respeito que o tempo impôs sobretudo relativamente aqueles que já faleceram, mas também pelo excesso de verrina, resultado de uma consulta onde se uns diziam mata outros diziam esfola. 
Mas se os "Jograis do Quelhas", cinquenta anos depois, inspirarem aos de 69 que os lerem hoje alguma nostalgia e gratidão por aqueles com quem aprendemos a mostrar que no velho Quelhas se forjaram armas de razoável toque, então transcrevam-se os Jograis para penitência da consciência dos nossos excessos.




JOGRAIS DO QUELHAS


(Senhoras)
(Senhores)
(Doutoras)
(Doutores)
(E Professores)

Somos jograis
(Excepcionais)
(Insofismavelmente)
(Paradoxalmente)
(E irremediavelmente)
Bestiais
Com outras profissões.
Andámos pelo Quelhas
a aprender
a fazer
cadeirões
(Não, não fizemos esse ...)
Mas fizemos muitos mais
(Mais duros)
mas menos nacionais
Que irão também (um dia)
pr´a Torre do Tombo
("Monumento Nacional")
só, em verdade,
terá então um nome com flagrante
e impressionante
propriedade.

(Eis aqui alguns daqueles
que tais coisas engendraram)
Doutros nem sequer falamos
nem sabemos se por cá veranearam ...

1ª. cadeira - 1º.pincel
(O Jesus fez-nos tratos de polé)
É um sujeito indesejável
(É ou não é?)
                          (todos) É!!!

(Música: a caminho de Viseu)

Ai Jesus, truz-truz
Chumba que trás-trás
Se não fosse tanto chumbo
Tu serias bom rapaz.

Pezinhos de lã, mansinhos,
vem do Porto o Madureira
e as MGs, nm instantinho
parecem uma brincadeira.

Mas Madureira só quer
impressionar a geral
(Afinal é fura-greves
por um tacho trivial.)

(Música : A mim não me enganas tu)

A mim não me enganas tu,
a mim não me enganas tu,
a mim não me enganas tu,
já as tinha tirado quando vieste tu.

O Alves da Geografia
(Tem cuidado, olha que o mano ...)
Pregou-se-lhe agora a mania
Chumbar mais de ano para ano
         (todos)  Fora o Caetano!!!

O Lopes, seu sacristão,
segue as pisadas do dono.
Tem uma voz, que piadão,
Faz-nos tanto, tanto sono
          (todos) (óóóó ....)

(O Chico no PTC)
(tinha fama de ser bera)
(depois na Contabilidade)
era porreiro, ou não era?
               Não, era !!!!

O sábio e a sua súcia
(coitado do Ramalheira)
(Agora é Comendador
da grande Ordem da Asneira)

O sr. Carvalho trazia
a ciência num cartão.
Acabava-se a ciência
(tornicotim, tornicotão)
E se não topa um sujeito,
Tornicotim ombro encolhe,
e afinfa-lhe logo a eito
"o argumento não colhe"
(Pequenino, mas não dança)
Tornicotim saltitão
(Deu-lhe um tacho o Mestre, e pensa,
está servida a Fundação)

(Música: "Você pensa que a cachaça é água" )

Você pensa que que tal súcia é boa
primeiro p´lo Tornicotão,
chumbam muita gente à toa,
tal súcia não é boa não.
Nosso sábio não dá o cavaco,
a ninguém dá o cavaco, não.
O Sábio quere-os  todos
a lixar a Fundação.

Vista esta causa com senso,
estes são "não gratos"?
(todos) São !!!
(O Rómulo e o seu apenso)
(todos) Não ...

(Música: Sim Carolina Ó i Ó Ai)

A saia da Clementina
Não é uma saia qualquer,
sim Clementina ó i, ó ai,
Sim Clementina, ó ai, meu bem.
Terá toga, Clementina
É o Rómulo que assim quer.
Sim Clementina, ó i, ó ai,
sim Clementina, ó ai, meu bem.

(O Albuquerque é liru)
Dizem uns. (Ele é honesto)
dizem outros.
(Sabes tu?)
O que é preciso é ser lesto.

(O ajudante, coitado ...)
(Coitado, mas como assim???)
Há lá tipo mais errado
que este sr. Amorim?! ...

(Eu gosto do Amorim, gosto do Amorim aos molhos)

(Música : "Alecrim aos Molhos")

Amorim, Amorim aos molhos,
por causa de ti matou-se o Frechet

(P´ró Moura, a electricidade
é feita pelo electricista)
Já que a economia, tá visto,
(é obra do economista)

(E eu já não sei do que sou contra,
parece que agora mudou)
talvez com grandes remorsos
de chumbar o que chumbou.

(Música: "Ai Mouraria") 

Ai, Mouraria
da velha Rua do Quelhas,
anda tanta gente à nora
com economias velhas.

(O Didi vendia as folhas)
(punha o Lino a receber)
Não vinha o resto das folhas
e a malta sem perceber.

O Pelé chumbava à toa
(pulava)
(espumava)
(ralhava)
Punham-se-lhe os cabelos em pé (o resto)
Toda a gente concordava!!!
Era tonto e desonesto!!!

Menino Jardim, (que graça)
veio para o Comercial,
acompanhava as bronquites
e até era bestial.

Foi-se o Pelé, e o Jardim,
mudou-se pr´obrigações.
(Oxalá não seja Bera)
quem para Vera tem razões,

(Britinho Corporativo)
É mais uma jóia alheia,
Direito é asfixiativo.
E se os levasse uma cheia?!!!

E vejam só meus senhores,
como isto anda tão mal.
(Escreve Bruto com i)
Mas dá Internacional

Pinto Barriga, coitado,
já andava um tanto cheché
(Mas se não fora o nosso capitão de cavalaria)
(Imprescindível num Quelhas inconcebível)
Mais chumbaria o Pelé.

(Récita sem Pinto Barriga)
(É uma praça sem ninguém)
(Deus lhe dê boa saúde)
(E à sua tese)
                           (todos)  Amen!


Mestre Gonçalves da Silva
tem uma quinta em Tomar.
Se a manada dá estrume,
há estrume a contabilizar.

(As oliveiras do Mocho
vão-lhe dar umas patacas)
Quando lhe nasce uma cria
Faz logo : crias / a vacas

Doce país de poetas,
onde qualquer deputássio,
lendo Da Silva, as sebentas,
rima rácio com Inácio.

Da Silva deu uma festa,
e convidou para a farra
o seu Mestre Fábio Besta
e o bestial Mestre Escarra

(O Rui Nunes nos martelos)
da orquestra parte fazia.
Nem para fazer a chamada
a sua boca se abria.

(Mestre Gonçalves da Silva tem um afilhado ...)
(o rapaz tem uma cabeça tão bela ...
pena foi que a ciência
tenha descido à barbela.

Tem uma cabeça o rapaz,
o mestre revê-se nela.
(Menino, para seres um ás
tens de puxar pela barbela)

Entra na sala o Manel
e mai-lo seu garrafão,
rapa logo do papel,
e puxa pelo barbelão.
E lê por ali abaixo
(o Manel, que sabichão)
Da barbela, não sai nada,
mas Manel faz figurão.

Estudou com o Schneider,
agora ensina o Cachudo,
e este pimpolho há-de vir
a saber aquilo tudo.

Não puxa pela barbela,
que ainda não a tem (bem precisa),
mas para treinar na barbela,
vai puxando pela camisa.
Ainda não usa papel
para ler à rapaziada.
Não admira que ele,
na aula não diga nada.

(Toma nota rapazinho)
(Já é idade de aprenderes)
(Faz como fez teu amo)
(Serás doutor sem saberes)
                                              (Mas cautela!)
Traduz um autor qualquer
(aconselho-te o chinês)
Acautela-te, no entanto,
se há tradução em francês.

É que o teu dono, coitado,
teve enorme trabalhão.
(Traduziu)
                (Logo era dele)
Só ele sabia alemão ...

Eis senão que um francês,
que de alemão bem percebe,
traduziu e fez asneira.
(Pôs lá: autor Gutemberg,
em vez de autor: Manuel Pereira)

Sr. Magro, é bom de ver
o curso não está na mão,
e se há coisas a dizer,
não fariam com ... Gestão?

Visto o curriculum, senhores,
destes três, verdade nua,
qual a sentença a ditar?
                           (todos) Rua!!!

(Música: Arrebita, arrebita, arrebita)

Da Silva que és o maestro,
desta charanga que é tua,
tem ao menos um bom gesto,
e põe-os todos na rua.

Com Laranjinha e Bochechas
Mr. Murteira esta ...estica.
Ora bolas para quem sai
Ora bolas para quem fica.

(Se quem passa pelo Rossio)
(olha o placard mesmo em frente)
(qual e a probabilidade
de lhe cair um presente?)

Ora bolas para as urnas
(uma castanha)
(uma roxa)
(uma preta)
(uma amarela)
(de um amarelo mais quente)
Qual é a probabilidade
de sair um Presidente?


(Música: "Ó Oliveira da Serra")


Mister Murteira calcula,
mas calcula muito bem,
ó i, ó ai, Murteirinha diz-me lá
ó i, ó ai, quando vai pr´ó pé da mãe.

(Na Terceira Economia)
pontifica o director.
(Começou na Quarta, um dia,)
desistiu ... o Professor

Acompanham-no à guitarra
o Hernâni, calmeirão,
o Arouca que é sabido,
o outro que sabichão...

(Música: Tia Anica de Loulé)

Ó Hernâni, Ó Hernâni,
não sejas tão presunçoso,
o Arouca copiava,
é assistente, que gozo!
Olé, olá,
tal parelha tá tão má
Olá, olé,
dá-lhes Jacinto c´o pé.

(Ó Santos Fernandes, actualiza-te)
Se pões chinó, dás um salto.
Não ponhas papel no giz,
e vê se falas mais alto.

(Sidreira Lopes) - Sarilhos!
ficou-lhe o queixo na rua
(Ele é da pauta um dos filhos)
A alfândega fica em Lisboa

(La La Labisa disse um dia)
ninguém mais será formado
se na velha Quelharia
alguém disser um bocado.

(O patrão Borges, da Câmara)
Já viu que nunca diz nada
(E é melhor)
(que o Labisa só diria labisada)

(Música :"Lá, Lá, Lá, Lá ..."

Lá Lá Lá Lá
Lá Lá Lá
Lá Lá Lá     
                      (todos) Bisa!

Lá Lá Lá Lá
Lá Lá Lá
Lá Lá Lá
                      (todos) Bisa!

(tanto há-de labisar que há-de aprender!)

O Vidal, especulador,
no bacalhau triunfou.
Mandaram-no dar Gestão
mas nada modificou.

(Música : "Malhão")

Ó Vidal, Vidal,
(palmas, palmas,palmas)
que vida é a tua
(palmas, palmas,palmas)
andas a dar aulas, andas a dar aulas,
e a malta na rua!

(Sô Taxeira, essa Doutrina)
é coisa que há-de rever.
Você acha que o Carlinhos
era assim tão tanso a valer?
(Você, que já foi da Corte,)
é capaz de nos dizer
(Por que é que cá no cantinho
é tão difícil viver)?

Para ensinar aos rapazes,
não sabe o Taxeira mais,
mas para brilhar como os ases,
já ensina generais.

(grito da geral)
                           (Ó Taxeira, Taxeira!
                            Onde é que está o Taxeira?)

(resposta com ar circunspecto)  
                           O Taxeira  foi para os Altos Estudos Militares.

(Mestrrre Barrrbosa, a política)
A política não é prrrá gente.
Ás vezes é como castanha
que se põe na boca ... muito quente!
E então Barrbosa, política,
é prrós outros, quem dirrria,
que no velho e rrrelho Quelhas
se crrria a apolitiquia

(Música : "La Mamam") 

Já estão aqui, chegaram já, 
os dois meninos do papá,
já são doutores, de altos valores,
mas com favores ....
Um ... Um ... Um ...

(Foi-se embora Mestre Broncas)
(Bronca o Da Silva, interino.)
(Ainda este broncava)
(entra outro a broncar fino)

(Era o Jacinto e trazia)
Notas, notas, a saltar.
Não deu nenhumas à malta,
eram para ele assinar.
A malta foi ter com ele
(Havia broncas em curso)
Mestre Jacinto sorriu
(aquele sorriso de ... amigo)

A malta diz que a cantina
até tem panelas rotas.
(Jacintinho ri, de cima),
e vaia assinando notas.

E a malta põe-se a pensar
se o Jacinto tem ou não
tempo p´ra tanta assinar
p´ra acudir à inflação.

Jacinto, Jacintozinho,
Pára lá, escuta agora,
olha bem como está isto,
põe-me a vista cá de fora.

(Música"Quando sair de Cuba) 

Quando sair do Quelhas,
recordações levo comigo,
daquelas salas velhas,
daquele Convento
soturno e antigo.

Quando sair do Quelhas,
vou lamentar tempo perdido,
com matérias velhas,
mal ensinadas, e sem sentido.

Quando sair do Quelhas
levo comigo esta amargura,
não ser a Escola livre,
actualizada,
não estar segura.

Com autonomia
com ousadia,
robusta, sã,
formando em cada dia
a galhardia
do amanhã.

 

AVENIDA DOS MILIONÁRIOS


Há dias vimos "E o Bugio Aqui Tão Perto"  da série "Outras Histórias" que a RTP está a transmitir. São histórias de gente anónima que vale a pena ouvir.
Sobre o ""E o Bugio Aqui Tão Perto", transcrevo:

"Neste Outras Histórias vamos conhecer Amália Buission e tudo o que está a fazer pela vila piscatória e balnear da Cova do Vapor, em Almada. Amália Buisson tem entre mãos a missão de requalificar a pequena vila, sem lhe retirar a identidade. De génese ilegal, a Cova do Vapor é um reduto de tradições que Amália quer preservar. E dos muitos projetos que tem vindo a desenvolver, aposta agora na proteção e na valorização ambiental deste aglomerado de casas, junto ao Tejo."

Hoje fomos até à Cova do Vapor. Há muitos anos que não passávamos por ali. 
Surpreendeu-nos o que vimos? Francamente, não, com uma excepção muito evidente: O número de automóveis estacionados no parque junto aos acessos à praia e nas ruas do povoado.

- A que se deve tanta viatura estacionada aqui?
- Surf, meu amigo. São carros dos surfistas.
- Mas há tão poucos surfistas hoje na praia. 
- Poucos. Já os contou?

Tinha contado. Havia, quanto muito, vinte pessoas na praia, incluindo meia dúzia de surfistas. Desisti de investigar.
Afinal de contas na Cova do Vapor há várias avenidas e uma delas é a "Avenida dos Milionários". 


Não sei se a requalificação da Cova do Vapor vai retirar-lhe identidade.
Porque a Cova do Vapor, digam o que disserem dela, façam o que fizerem, é muito fotogénica.
(Se clicar nas imagens vê melhor).