Sunday, October 02, 2022

TODA A DIFERENÇA

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- Houve, e ainda há, movimentos importantes da juventude para tentarem modificar os comportamentos humanos e, com isso, salvar o planeta e a humanidade de uma catástrofe irreversível resultante das alterações climáticas. Têm conseguido alcançar os seus objectivos? Parece que não.

- Terão alcançada alguns ...

- Que, no entanto, a guerra movida pela Rússia à Ucrânia, e as suas intenções de alargar essa guerra a todo o ocidente "dissoluto", está a inverter grande parte, senão a totalidade, das medidas mais significativas para reduzirem a tendência crescente das catástrofes resultantes das alterações climáticas: as centrais a carvão voltaram a estar activas e a poluir, ....

- Concordo, mas há um aspecto fulcral que distingue, do ponto de vista das percepções individuais, as ameaças das alterações climáticas das ameaças de uma guerra nuclear. As alterações climáticas, ainda que significativas e radicalmente demolidoras em muitos casos, progridem, de modo relativamente imperceptível para a maior parte da humanidade. Muitos não acreditam na tese, aliás sustentada por alguns cientistas (ou dito cientistas) de que não é o comportamento humano que interfere nas alterações climáticas. Muitos outros ainda, perante as notícias e as imagens de desastres naturais, encolhem os ombros e pensam, não é comigo. 

- E continuam  os mesmos níveis de indiferença perante a hipótese de uma guerra nuclear.

- Também concordo. Mas essa indiferença só existe e subsiste enquanto não forem despertados pela medonha verdade. Há uma imensa diferença entre a percepção colectiva dos efeitos das consequências das alterações climáticas, apesar da sua dimensão, lentas e resultados localizados, e a falta de percepção das sociedades em geral, por ausência de informação daqueles que sabem, e têm todos os meios de divulgação da apocalíptica verdade: a de que os efeitos de uma guerra nuclear são instantâneos e dizimadores de todos os seres humanos. Se os indiferentes soubessem, que são quase a totalidade da humanidade, se lhes dissessem a verdade nua e crua, quais as consequências de uma guerra nuclear, imparável se o stock de bombas nucleares alguma vez começar a ser activado, não importa onde nem quem o possa activar, a atitude da juventude, sobretudo da juventude, seria radicalmente diferente. Toda a diferença está no facto da juventude não saber isso.

- E depois, se soubessem o que fariam, ou melhor, o que poderiam fazer?

- Seria uma revolução global pelo extermínio dos stocks nucleares. Se a juventude russa, por exemplo, estivesse consciente de que o uso de armas nucleares pelos seus governantes num cenário de guerra global provocaria, inevitavelmente, a sua própria destruição, manter-se-ia indiferente sentada num canto que o extermínio nuclear passasse e os deixasse ilesos?

Saturday, October 01, 2022

PARA QUE A HUMANIDADE NÃO SE AUTO DESTRUA

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- Mata-se o Putin e fica resolvida a questão!

- Errado. Matar seja quem for não mata a ameaça da guerra nuclear e, consequentemente,  a auto destruição da humanidade. Para que a humanidade não se auto destrua por apocalipse nuclear só há uma via: a destruição total do stock nuclear.

- Hum! E como é que isso se consegue?

- Por consciencialização da juventude de que o seu futuro só existe se sobre a sua geração não impender a destruição total da espécie humana. Se a juventude, em qualquer parte do globo, estiver consciente da ameaça que representa a existência de um stock nuclear  capaz de eliminar todos os seres vivos, nem Putin nem nenhum outro com capacidade para carregar no botão e deflagrar um conflito nuclear, que será o primeiro e o último, será capaz de afirmar que pode usar as armas nucleares ao seu dispor e manter-se na posição que ocupa.

23andMe

- Eu sou cinquenta por cento arménio, a L.(a mulher dele) é cem por cento arménia. Sou cinquenta por cento arménio e cinquenta por cento judeu. A minha trisavó era judia.  E tu, és cem por cento português?
 
- Nasci em Portugal, sou português. Tanto quanto consigo recuar na minha genealogia, só encontro gente nascida neste país. A este pequeno território, a que hoje chamamos Portugal, chegaram as mais diversas gentes  das mais variadas origens ao longo dos milénios com registo histórico,  e daqui partiram no século quinze portugueses ao encontro das mais diversas e variegadas gentes em longínquos sítios do planeta. Não há, desculpa que te diga, meu amigo, nenhum povo no mundo com uma só raiz. Terei marca no ADN de raiz lusitana, grega, romana, visigótica, céltica, árabe, palestiniana, judia? Se enviasse cuspo para análise, o mais provável é que o resultado me garantisse que sou cem por cento português. E continuaria sem saber o que é isso; mas sei que, entre os portugueses, não há problemas de identidade nacional, mesmo depois do tremendo tombo com a  perda do Império no século dezasseis. Ainda assim, sobrou até há quase cinquenta anos pequena parte fora deste rectângulo que nos calhou em sorte, mas o ADN manteve-se. E o 23andme, não pode garantir-me o contrário. Não, não vou querer saber o que sei de fonte segura: sou, somos todos resultado de uma mistura.
 
 

Friday, September 30, 2022

POR UM PRATO AZEDO DE LENTILHAS

As notícias sobre o aproveitamento imoral, oportunista, de uma lei com boas intenções mas recheada de brechas por onde tentam escapar-se alguns foragidos da justiça, e alguns já se escaparam, para territórios desprevenidos da União Europeia e, deste modo, fixarem em Portugal bases lhes consentem continuar as suas actividades ilícitas, continuam a aparecer na imprensa para logo desaparecerem sem que se conheça a continuidade dos rastos. 

De um ou outro sabe-se, ou supõe-se que se sabe que, uma vez atribuída a cidadania portuguesa, não é revogável a concessão dada e os beneficiários são livres de circular no espaço comunitário europeu depois de terem pago um óbulo, enorme para quem o recebe, insignificante para quem o paga, sem honra nem proveito para o país que lhes concede a vantagem que, na sua origem, teve, devia ter, essencialmente como objecto a compensação moral por actos iníquos praticados há séculos sobre os seus antepassados.

Há dias, mais uma notícia no Público sobre a eventual entrada de mais um desses canalhas. Chamam-lhe oligarcas, mas admito que nem todos os oligarcas são canalhas ... . Estes oligarcas, que entram para tirarem partido de uma lei com boas intenções mas, propositadamente ou distraidamente, com alçapões para eles, e quem lhes concede o bónus, retirarem proveitos e escaparem à justiça, são, inequívocamente, canalhas.

Aqui

"Reino Unido sanciona mais um oligarca a aguardar a nacionalidade portuguesa -God Nisanov é um dos quatro oligarcas sancionados pelo governo de Londres. Lev Leviev, que também aguarda naturalização em Portugal, está a ser interrogado pelas autoridades israelitas por tráfico de diamantes."

God Nisanov, um dos maiores promotores imobiliários da Rússia, que está a aguardar pela naturalização portuguesa ao abrigo da “lei dos sefarditas”, é um dos alvos das novas sanções do Reino Unido contra Moscovo, em resposta aos pretensos referendos para a anexação das quatro regiões da Ucrânia ocupadas pelos russos. Em Israel, Lev Leviev, outro oligarca russo, também conhecido como o “rei dos diamantes”, que aguarda igualmente para ser português, foi interrogado pelas autoridades numa investigação de contrabando de diamantes.

“As sanções terão como alvo aqueles por trás dessas votações falsas [referendos], bem como os indivíduos que continuam a sustentar a guerra de agressão do regime russo”, justificou esta segunda-feira o ministro dos Negócios Estrangeiros, James Cleverly, no comunicado do Governo britânico. Ao todo, estão referidas 92 entidades e personalidades, entre as quais os líderes pró-russos das regiões ucranianas de Donetsk, Lugansk, Kherson e Zaporijjia e quatro oligarcas russos que entram na lista negra de Londres. God Nisanov está entre eles. - aqui 

Monday, September 19, 2022

PARA QUE IMPORTA A MONARQUIA?

Why the monarchy matters

The monarchy is an anachronism, yet it thrived under Elizabeth II. That holds lessons for her successor and for democracies elsewhere - v/p Economist

On september 19th, as Queen Elizabeth II is laid to rest, London will briefly become the centre of the world. In a distant echo of Britain’s imperial standing of a century ago, heads of state from dozens of countries, including President Joe Biden, will witness funeral rites and flummery in Westminster Abbey, while perhaps a billion or more of their citizens watch at home. That is a function of Elizabeth’s longevity. Her 70 years on the throne began in the twilight of that now-vanished era and were packed with state visits and receptions. But it is also a measure of her success. As King Charles III begins his reign amid strife in Britain, populism in the West and a challenge to democratic systems led by China and Russia, this success bears examination.

On the face of it, the British monarchy runs against the spirit of the times. Deference is dead, but royalty is built on a pantomime of archaic honorifics and frock-coated footmen. In an age of meritocracy, monarchy is rooted in the unjustifiable privilege of birth. Populism means that elites are out, but the most conspicuous elite of all remains. Identity politics means that narratives are in, but the queen kept her feelings under her collection of unfashionable hats. By rights, support for the crown should have crumbled under Elizabeth, as The Economist has sometimes imagined it might. Instead, the monarchy thrived.

Wednesday, September 14, 2022

O MUNDO É MONÁRQUICO

O mundo é monárquico?

Aparentemente, pelo menos, o fascínio da espécie humana pela monarquia é geral e tem milénios, ainda que muitos se digam republicanos de sete costados.

As andanças do corpo de Isabel II  (Elisabeth, no original) desde o local onde faleceu no seu castelo de Balmoral, na Escócia, no dia 8 deste mês até à abadia de Westminster de onde sairá o funeral para a capela de São Jorge no seu Castelo de Windsor no dia 19, são um espectáculo admirado por milhões de pessoas, presencialmente no Reino Unido, pela televisão por centenas de canais televisivos.

O que fez Isabel II de notável para ser tão adorada ou, pelo menos, tão admirada?

Pelo que fez, segundo a pretensa original opinião, aqui, de um crónico cronista, do Público, Isabel II é digna de pena.

"Faz pena uma mulher que perdeu uma vida inteira a agradar aos outros. Faz pena uma mulher que nasceu com tantas maneiras de passar agradavelmente a vida — com amor, terras, família, tempo, dinheiro e sentido de humor — ter passado tanto tempo em cerimónias públicas, a aturar pessoas das quais qualquer pessoa fugiria se pudesse." 

Esqueceu-se, ou desconhece, o cronista que Isabel II foi hábil gestora financeira : The sovereign’s wealth: UK royal family’s finances – explained. Entre aturar terceiros e os dissabores da sua prole, sua majestade também se divertiu a aumentar uma enormíssima herança, que ninguém saberá calcular. 

Faz pena.


Saturday, September 10, 2022

O INVICTO

 



"Segundo filme de Satyajit Ray, foi premiado com o Leão de Ouro no festival de Veneza, onde o cineasta decidiu que seria o segundo título de uma trilogia dedicada a Apu. O Invicto é o filme mais belo desta trilogia e uma das obras-primas de Ray.

Um comboio atravessa uma ponte sobre o rio. E logo estamos na cidade sagrada de Benares, nas margens do Ganges, onde Apu e os pais recomeçam a vida da família. Apu tem 10 anos e é um aluno curioso e brilhante. Mas o infortúnio obriga a que regresse com a mãe à aldeia natal. Apu ganha uma bolsa para estudar em Calcutá, o que vai obrigá-lo a separar-se da mãe.

Com música de Ravi Shankar, O Invicto é o grande filme de Ray sobre a figura da mãe , e nele estão também os temas marcantes da sua obra: a passagem do campo à cidade, o crescimento e o conhecimento." - c/p aqui

O VALOR ECONÓMICO E ESTRATÉGICO DA CACA

 

Falando da nossa caca, é um artigo de Jorge Almeida Fernandes, no Público de anteontem.

Transcrevo parte e concluo com informação que recebi de fonte fidedigna sobre o que é afirmado na parte final do artigo de JAF

"Olhemos dois números. Há 8015 mil milhões de seres humanos. E cada habitante do planeta produz diariamente 450 gramas de fezes. Que lhe fazemos? Não é um assunto repugnante que deva ser silenciado por tabus ou preconceitos. É uma questão de saúde pública, de ecologia e agricultura. Hoje, queremos livrar-nos das fezes. No Japão eram objecto de cobiça e foram o segredo da sua alta produtividade agrícola.

Parto de uma investigação da BBC, da jornalista Lina Zelnovich: "Por que é tempo de falar sobre a nossa caca". Os restos dos nutrientes humanos são desperdiçados, remetidos para os nossos oceanos e aterros sanitários em vez de serem devolvidos ao solo. As nossas fezes são um poderosíssimo fertilizante. Os cereais, a fruta e as verduras que comemos estão cheios de substâncias nutrientes, como azoto, fósforo, potássio e muitos outros. ...

Há hoje dispositivos para uso doméstico, que reciclam as fezes e limpam a água de factores patogénicos, permitindo, por exemplo, adubar e regar jardins. E há experiências em maior escala. A DC Water, de Washington, trata de forma inovadora toda a caca dos habitantes da capital americana, produzindo um fertilizante sólido, vendido por uma instituição sem fins lucrativos.

Mas é uma gota de água à escala mundial. E, como era de esperar, a sua aplicação na agricultura tem pela frente um poderoso lobby: a indústria de fertilizantes. Só pela força das crises se fará esta revolução: à terra o que vem da terra."

Sim, é verdade. 

Melhor ainda - não é só em DC- mas DC Water é provavelmente a maior entidade que tem esse programa. Inicialmente, DC Water oferecia o fertilizante a quem o quisesse ir buscar porque mandar o fertilizante para os aterros é mais caro. Mas a realidade económica mostra que as pessoas valorizam mais o que lhes custa comprar, e poucos se dirigiam às estações de tratamento para levantar os fertilizantes que necessitavam.

Foi, então, criada empresa que comercializa, embalando e distribuindo a preço conveniente. Está a ser bem sucedida.

Friday, August 26, 2022