Tuesday, August 03, 2021

SETE ANOS DEPOIS

Sete anos depois, a Justiça continua a dormir o sono solto dos coniventes. 

Sobre este e todos os outros peixes graúdos apanhados nas redes a aguardar que as malhas se alarguem ou se rompam com o tempo e as habilidades dos esforçados agentes da justiça envolvidos nesses objectivos. Convenientemente pagos.

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"O que sobra depois de 03/08/2014: 9 trabalhadores, gastos de €3 milhões/ano em advogados, um buraco de €7 mil milhões - o BES - aqui
00h00 

Domingo, 3 de agosto de 2014: o país sentiu um abalo - o BES ia ser alvo de uma intervenção. Foi dividido em dois. Passados sete anos, um deles, o Novo Banco, vive com ajuda dos contribuintes. O outro, o BES - que manteve o nome -, sobrevive mas sabe-se que é morto que vai acabar. Tem chegado a acordo com devedores mas as recuperações são limitadas - muito limitadas. E os pequenos investidores continuam a ter as ações das quais não se podem desfazer no mercado - mas continuam a pagar comissões. Sete anos depois de o BES cair, a história ainda está a ser escrita. Porque falta saber qual o rasto de perdas que vai mesmo deixar."

Monday, August 02, 2021

ORA VIVA O AMIGO 19!

“La Vida Loca” regressou a Lisboa: dançou-se e bebeu-se numa noite para celebrar e fintar regras - aqui

Cristina Margato e Nuno Fox 

Não se pode consumir bebidas alcoólicas na rua, põe-se uma mesa na rua. Não se pode dançar na pista, dança-se à volta da mesa. Não se tem certificado, serve uma fotografia do cartão de vacinas. Não se pode beber um café na mesa da pastelaria, bebe-se ao balcão. A criatividade voltou no primeiro dia do mais recente desconfinamento, na noite de Lisboa, e alguns agentes da Polícia Municipal assobiaram para o lado.

 

 

 

O Covid 19 tem, pelo menos cinco vantagens, para quem é novo e saudável.

Morrendo os velhos:

- a idade média da população decresce; o país rejuvenesce-se.

- a Segurança Social paga menos pensões; o défice das contas agradece.

- reduzem-se as despesas com assistência médica e hospitalar; o défice agradece.

- os herdeiros recebem mais cedo as heranças; deixam de pagar as despesas em lares ou, simplesmente, deixam de aturar os velhos.

- a imunidade de grupo atinge-se a níveis de imunização (natural ou por vacinação) mais cedo;

 

Sunday, August 01, 2021

HÁ RACISMO NA JUSTIÇA?

Há. 
A lentidão da justiça é racista quando, como neste caso relatado hoje no Público, demora tempo imenso para se pronunciar.
Se o médico insultado fosse um branco demoraria a justiça tanto tempo a condenar o insulto?

"Pedro Gomes da Costa ganhou o caso depois de ter processado a mãe de uma criança que o insultou com “preto de merda, seu macaco”. Médico critica: “Esta senhora tem mãos livres” para ser racista “porque a sociedade é permissiva”. Lei deveria ser mais dura, defende. - aqui

Pedro Gomes da Costa será dos poucos, senão o primeiro médico em Portugal, a denunciar uma situação de racismo numa consulta, a ir a tribunal e a ganhar o processo contra a mãe de uma criança que o ofendeu em plena consulta.

Na noite de 29 de Julho de 2018 o médico de 53 anos estava a fazer o serviço de urgência no Hospital Beatriz Ângelo, em Loures, onde trabalha no serviço de pediatria, quando entrou uma criança de 20 meses com febre e aftas na boca, acompanhada pela mãe, Daniela Domingos. Como habitual para aquelas situações, usou uma espátula para a observar, baixou a língua da criança. Ela deu um grito. “A mãe pega-me no braço, puxa com uma violência e a partir daí começaram as ofensas: ‘preto de merda, seu macaco, você pensa que está a observar um animal? Animal é você! Isso é que era bom, a minha filha ser observada por um preto, exijo que seja observada por um médico branco!”, disse-lhe a mulher aos gritos continuando-os pelo corredor e depois na sala de espera ..."

Saturday, July 31, 2021

O JOGO DO 19

Sim às máscaras: Vacinados podem ter a mesma quantidade de vírus que os não vacinados-
aqui

Resultados de estudo norte-americano determinam recomendação para que as pessoas vacinadas voltem a usar máscara em espaços fechados, nas zonas dos Estados Unidos onde a variante delta está a alimentar uma subida das infeções.

Reuters

Um estudo sobre um surto de casos de infeção com o novo coronavírus no Estado do Massachusetts, nos Estados Unidos, concluiu que as pessoas vacinadas podem ser portadoras da mesma quantidade de vírus que as não vacinadas.

Na sexta-feira, dirigentes do setor da saúde dos EUA divulgaram detalhes desta investigação, que foi decisiva na decisão, tomada esta semana, dos Centros de Controlo e Prevenção de Doença (CDC, na sigla em Inglês) de recomendar às pessoas vacinadas que voltem a usar máscara em espaços fechados, nas zonas dos EUA onde a variante delta está a alimentar uma subida das infeções.

Os autores do estudo afirmam mesmo que as conclusões sugerem que a orientação dos CDC sobre o uso das máscaras deve ser expandida para o conjunto do país, mesmo para eventos fora de portas.

As conclusões têm o potencial de alterar o pensamento sobre a forma como a doença é transmitida. Antes, pensava-se que as pessoas vacinadas que foram infetadas tinham baixos níveis de vírus e não os deveriam transmitir a terceiros. Mas a nova informação mostra que não é o caso com a variante delta.

O surto em Provincetown --- uma estância turística no cabo Cod, no condado com a maior taxa de vacinação do Massachusetts --- já conta com mais de 900 casos. Destes, cerca de três quartos respeitam a pessoas que tinham sido totalmente vacinadas.

Como muitos Estados, o Massachusetts levantou todas as restrições associadas ao novo coronavirus no final de maio, antes do Memorial Day, que marca o início da época de verão. Mas esta semana Provincetown reinstituiu a exigência da máscara para todas as pessoas.

Documentos internos do CDC, que vieram a público, sobre o surto de infeções e a variante delta sugerem que o CDC pode estar a considerar outras alterações no aconselhamento da luta contra o coronavirus nos EUA, como recomendar o uso generalizado de máscaras e exigir a vacinação de médicos e outros trabalhadores da saúde.

A variante delta provoca infeções que são mais contagiosas que a gripe comum, a varíola e o vírus Ébola e é tão contagiosa como a varicela, segundo os documentos, que mencionam os casos de Provincetown.

Os documentos foram obtidos pelo Washington Post. Como salientam, as vacinas contra o novo coronavirus são muito eficazes contra a variante delta na prevenção de mortes e doenças graves.

O surto em Provincetown e os documentos realçam o enorme desafio que o CDC enfrenta no encorajamento da vacinação, enquanto admite que os surtos podem acontecer, mesmo que raros.

Os documentos parecem ser guias para declarações públicas dos quadros do CDC. Um ponto aconselha: "Reconhecer que a guerra mudou", em referência aparente à preocupação crescente com a possibilidade de muitos milhões de vacinados poderem ser fonte de contágios generalizados.

Uma porta-voz da agência declinou fazer comentários.

Se bem que os peritos concordem com a posição revista do CDC sobre o uso de máscaras em espaços fechados, alguns afirmam que o relatório do surto de Provincetown não prova que as pessoas vacinadas são uma fonte significativa de novas infeções.

"Há uma plausibilidade científica para a recomendação (do CDC). Mas não deriva deste estudo", disse Jennifer Nuzzo, uma investigadora em saúde pública da Johns Hopkins University.

O estudo do CDC é baseado em cerca de 470 casos de infeções ligados às festividades em Provincetown, que incluíram eventos com muitas pessoas, em espaços fechados e abertos, em bares, restaurantes, casas de aluguer e outras habitações.

Os investigadores fizeram testes a parte deste universo e encontraram sensivelmente o mesmo nível de vírus nas pessoas que foram vacinadas e nas outras.

Três quartos das infeções foram em pessoas totalmente vacinadas. Entre os que tinham todas as doses da vacina, cerca de 80% sentiram sintomas, como tosse, dor de cabeça, febre, dores de garganta e dores musculares.

Os dirigentes do CDC adiantaram que há mais estudos, e de âmbito superior, a serem feitos e a chegar, em que se estão a seguir dezenas de milhares de vacinados e não vacinados em todo o país.

Wednesday, July 28, 2021

A INDIGESTÃO DOS SAPOS



Relatório do inquérito ao Novo Banco aprovado. PS votou contra “ataque partidário”-
aqui

PS fala em “ataque partidário”. PSD diz que este “não é o relatório do PSD”. BE diz que relatório distribui responsabilidades de forma “equitativa”. Versão final do relatório agravou responsabilidades do Governo PS na venda e fala em “fraude política” na resolução feita pelo executivo PSD/CDS-PP.

19 EM SINGAPURA

Pessoas vacinadas em Singapura representam três quartos dos casos recentes de infecções - aqui

Três quartos das infecções por covid-19 de Singapura nas últimas quatro semanas foram entre indivíduos vacinados, mostram dados do governo, num momento em que a aceleração na vacinação deixa menos pessoas não vacinadas.

Singapura já inoculou quase 75% dos 5,7 milhões de habitantes e metade da população está totalmente vacinada.

Foram reportados 1096 casos de transmissão local nos últimos 28 dias, dos quais 484, ou seja 44%, foram entre pessoas totalmente vacinadas, enquanto 30% em cidadãos parcialmente vacinados (os 25% restantes não tinham recebido ainda qualquer vacina).

Contudo, apenas um doente já vacinado desenvolveu doença grave, num total de sete pessoas.


 

Wednesday, July 21, 2021

FUNDAÇÔES SEM FUNDAMENTO

Há números para todos os gostos quando se pergunta quantas fundações existem - aqui

Numa altura em que o Parlamento altera a Lei-Quadro das Fundações, um estudo promovido pelo Centro Português de Fundações defende que é “urgente” saber quantas e quais existem. “Este desconhecimento é contraproducente” e contrário à transparência.


As misericórdias são associadas, “com mais intensidade”, à ajuda e as fundações “à ideia de lucro” Nuno Ferreira Santos .                                                                                      Quantas fundações existem em Portugal? Esta é a pergunta para um milhão de dólares sempre que se fala sobre o assunto. E porquê? Porque não há uma resposta fechada. Num estudo publicado esta quarta-feira pelo Centro Português de Fundações (CPF), os investigadores revelam que foi possível identificar oito números diferentes para retratar o universo de fundações, pedem urgência na caracterização desta área e defendem que a opacidade não joga a favor do sector, quando as próprias fundações já lidam com uma percepção social de que estas são constituídas para dar lucro ou para fugir aos impostos.    O estudo sobre o Impacto Social das Fundações Portuguesas, dirigido pela Católica Porto Business School da Universidade Católica Portuguesa e promovido pelo CPF, tem como objectivo “conhecer e dar a conhecer o impacto social das fundações privadas”. No entanto, os investigadores confrontaram-se com um problema de base: a falta de informação sobre quantas e quais são as fundações. Os autores do estudo identificaram dados de entidades oficiais e não oficiais, reunindo assim um conjunto de oito números para o universo das fundações. O Instituto dos Registos e do Notariado disponibiliza a listagem das fundações registadas no Registo Nacional das Pessoas Colectivas, “que incluir 873 fundações (a 3 de Setembro de 2020) privadas e públicas (de direito privado)”.           Já o Instituto Nacional de Estatística (INE) diz que são 619 fundações, à data de 29 de Julho de 2019, que os investigadores deduzem serem privadas visto serem da economia social. Já o portal dos serviços públicos eportugal.gov.pt disponibiliza uma lista de 53 fundações, “sem explicar o critério subjacente à escolha (a 27 de Março de 2021)”. Foram encontrados outros números através de entidades não oficiais — a base de dados SABI fala em 322 fundações, a base de dados Informa - Dun&Bradstreet identifica 598, o CPF tem 141 fundações associadas, o Sistema de Informação da Classificação Portuguesa de Actividades Económicas aponta para 646 fundações, e a Base de Dados Social, um portal recente que ainda está a receber informação, tem 54 registos de fundações.                        Esta falha na informação é evidenciada numa altura em que o Parlamento mexe na Lei-Quadro das Fundações. A proposta do Governo para as fundações privadas pretende dar mais poderes ao executivo na sua extinção, bem como a possibilidade de aplicação de multas até 10 mil euros para as fundações falsas. Num parecer à proposta do executivo, o CPF considerou existirem avanços, mas colocou em cima da mesa ideias, entre outras, para combater “o clima de suspeição que paira (injustamente!)” sobre as fundações. A má imagem das fundações: o lucro e a fuga aos impostos.   Sem um retrato fidedigno (até tendo em conta limitações dos próprios dados como a distinção entre fundações públicas e privadas ou a falta de acesso a maior detalhe na informação) de quantas são e quem são, os autores do estudo consideram que falta conhecer desde logo uma “simples listagem das fundações privadas, em actualização permanente”. Um desafio que, ao não ser assumido por entidades públicas, deve ser assumido pelo próprio sector. “Não tendo o Estado tido a capacidade de o fazer, até ao momento, apesar do escrutínio realizado em 2012 e da responsabilidade assumida recentemente pelo Instituto de Registos e Notariado, poderá ser uma iniciativa do sector, que só terá a beneficiar com esse esforço de transparência”, defende o CPF presidido por Maria do Céu Ramos.  646 Número de Fundações registado pelo Sistema de Informação da Classificação Portuguesa de Actividades Económicas

Até porque a ideia que a sociedade civil tem das fundações não é a melhor. “Este desconhecimento é contraproducente, contrariando o espírito de transparência”, diz o estudo. Aliás, os autores lembram que a Lei-Quadro das Fundações prevê exigências em matéria de transparência, como por exemplo, a descrição do património inicial da fundação, assim como o montante de ajudas públicas que recebem. Imposições que se aplicam às fundações privadas com estatuto de utilidade pública.

Lembram também que, por definição, uma fundação não tem como objectivo gerar lucros e que, se estes existirem têm de ser reinvestidos na própria fundação, mas avisam que não é esta a ideia que a sociedade tem das mesmas. Recorrendo aos resultados de um inquérito à população sobre a visão que as pessoas têm das fundações, de Janeiro de 2021, feito pela Social Data Lab — um laboratório de produção e análise de dados , os autores dizem que, no geral, existe uma boa opinião sobre as fundações, mas reconhecem aspectos menos positivos sobre as mesmas. As misericórdias são associadas, “com mais intensidade”, à ajuda e as fundações “à ideia de lucro”. “Como motivos para criar uma fundação, surgem, com alguma intensidade, respostas como o pagar menos impostos ou o ganhar dinheiro”, contam os autores. 

Apesar das limitações quanto ao conhecimento do que são as fundações e de a sua imagem não ser a melhor, os autores concluem que o seu impacto social é superior ao que elas representam. Partindo dos dados do INE, os autores adiantam que “as fundações geram na economia portuguesa emprego, remunerações e valor acrescentado bruto em montante muito superior ao peso que têm no universo da economia social em termos de número de entidades”. “Constituindo 0,9 % das entidades da economia social, pesam 6 % no emprego (emprego a tempo completo), 7% nas remunerações e 6,9% no Valor Acrescentado Bruto desse universo”, revela o estudo. Os dados do INE, que reportam a 2016, mostram que 619 fundações da economia social empregavam 14.113 trabalhadores e pagavam 304 milhões de euros em remunerações. Os serviços sociais, a saúde e a educação são os sectores onde estão mais presentes. 

No estudo foram analisados 12 fundações em concreto, entre elas a Fundação Calouste Gulbenkian, criada em 1956, com 550 trabalhadores (a que emprega um maior número de pessoas entre as 12 fundações analisadas) e com um activo total avaliado em 3,2 mil milhões de euros, o de maior dimensão entre os casos estudados.

Tuesday, July 20, 2021

O JOGO DA CABRA CEGA

CEGA, DOIDA OU CONIVENTE? CEGA, DOIDA E CONIVENTE.

Recurso do Ministério Público acusa Ivo Rosa de distorcer Operação Marquês

Procuradores criticam “a ineptidão da pronúncia” do juiz e pedem a sua nulidade. Advogada de Carlos Santos Silva diz que não consegue ler 96 folhas por hora para cumprir prazo imposto pelo magistrado. - aqui .. "O que parecia ser um cenário impossível sucedeu: na Operação Marquês o juiz de instrução criminal Ivo Rosa conseguiu colocar do mesmo lado da barricada o arguido Carlos Santos Silva e o Ministério Público. Ambos qualificam como absurda a versão dos factos que remeteu para julgamento no despacho instrutório que proferiu a 9 de Abril passado, e que transforma o empresário amigo do ex-primeiro ministro José Sócrates em seu corruptor activo..."

 

Friday, July 09, 2021

DEMASIADA TRANSPARÊNCIA

 aqui

Vieira terá comprado uma dívida sua de 54 milhões ao Novo Banco por um sexto do valor 

Compra directa da dívida ao Novo Banco por empresário amigo de Vieira foi chumbada pelo Fundo de Resolução, mas tal fez com que o sucessor do BES recebesse menos três milhões pelo negócio. 

Dívida acabou por ser comprada indirectamente por Vieira por menos 600 mil euros do que era a oferta inicial.

Foi o próprio Luís Filipe Vieira que esteve por trás da compra realizada no ano passado de uma dívida de 54,3 milhões de euros que uma das suas empresas, a Imosteps, tinha ao Novo Banco, tendo desembolsado por ela apenas um sexto do valor que o Banco Espírito Santo (BES) lhe tinha emprestado mais de seis anos antes. E o negócio ainda veio com dois bónus: por um lado, uma participação de 12,5% que o Novo Banco tinha numa outra sociedade, a Oata, que era o principal activo da Imosteps, que detinha 50% do seu capital; por outro lado, ficou com o direito a receber um reembolso de mais de 17 milhões de euros que o BES injectara nessa empresa, que tem um terreno com aval para construir 102 mil metros quadrados na Barra da Tijuca, no Rio de Janeiro. Esta é a tese defendida pelo Ministério Público (MP) nos mandados de buscas no âmbito das buscas realizadas na Operação Cartão Vermelho, que esta quarta-feira levou à detenção de quatro pessoas, incluindo o presidente do Benfica, o seu filho e dois empresários amigos. Os quatro suspeitos foram presentes esta quinta-feira à tarde ao juiz de instrução Carlos Alexandre, que os identificou. A pedido das defesas o magistrado providenciou aos detidos e aos respectivos advogados salas individuais para conversarem e tempo para consultarem o processo até às 22h. Os interrogatórios dos arguidos ficaram marcados para as 9h desta sexta-feira, uma diligência que poderá culminar com o pedido para que o presidente do Benfica fique em prisão preventiva, como se admite nos despachos que suportam os mandados de buscas. Apesar de, formalmente, quem comprou e financiou a dívida da Imosteps ao Novo Banco ter sido um fundo controlado pelo empresário José António dos Santos, fundador do maior grupo nacional do sector agro-alimentar e amigo do presidente do Benfica, na realidade todo o esquema terá sido montado por Vieira e pelo filho Tiago, sustenta o MP. Tudo começa em final de 2012 quando por indicação do banqueiro Ricardo Salgado, presidente do BES, a Imosteps compra 50% do capital da Oata à construtora Opway. O contrato é assinado pelo filho de Vieira, em nome da Imosteps. O próprio Novo Banco tinha 12,5% da Oata que tinha, através de outras sociedades, dois negócios: um relativo a terrenos e projectos para dois cemitérios localizados no Rio de Janeiro, dos quais detinha a maioria do capital, e a tal propriedade com aval para construir uma área total de 102 mil metros quadrados na Barra da Tijuca — imóveis sobre os quais, segundo o MP, “havia grandes expectativas de obtenção de grandes lucros”.

Thursday, July 01, 2021

O MAI CALADO

 J.B. - "... Se há alguém que sabe muito bem se a viatura ia com excesso de velocidade e na faixa da esquerda sem justificação é de facto o senhor ministro Cabrita, a não ser que viesse a dormir….por isso não se percebe porque continua calado perante a indignação geral!
Se quer “safar” o desgraçado do motorista basta que assuma a responsabilidade (e as consequências) de lhe ter ordenado para conduzir desse modo, ou não lhe ter dado ordem para conduzir dentro dos limites de velocidade impostos legalmente….
Isso sim, seria digno de um ministro de um Estado democrático ! Penso eu ..."

E pensas bem, J.B.
Este caso recorda-me um outro passado há uns cinquenta e tal anos.
Viajava na EN1, nessa altura a A1 era menos de meia A 1, um presidente de câmara municipal  e deputado à Assembleia Nacional.
Do acidente resultou, além do mais que agora não recordo, o presidente deputado ter sido hospitalizado e amputada uma perna.
O presidente deputado declarou-se logo culpado: tinha-se atrasado por ter sido demorada mais do que previra a reunião na câmara municipal e pedira ao motorista que acelerasse o que pudesse porque tinha de estar em Lisboa para uma reunião na AR.
Nem todos, naqueles tempos, eram safados para procurarem safar-se de qualquer modo.
 
--- act. 02/07 
 

Wednesday, June 30, 2021

NÃO HÁ ALMOÇOS GRÁTIS E, NESTES CASOS, OS CONTRIBUINTES PORTUGUESES PAGAM AS CONTAS

Santos Ferreira suspeito de favorecer Berardo enquanto liderava Caixa - aqui

Só agora é que chegam a esta conclusão no Ministério Público? Já se sabe que a justiça em Portugal faz que anda mas não anda quando estão em causa crimes de corrupção de elevadíssima dimensão. Mas assim tanto, é mais que demais.

Empresário madeirense que foi detido nesta terça-feira está indiciado por vários crimes, incluindo corrupção. Vai ser ouvido nesta quarta-feira pelo juiz Carlos Alexandre.

O ex-presidente da Caixa Geral de Depósitos e, de seguida, do BCP, Carlos Santos Ferreira, foi constituído arguido no inquérito do Departamento Central de Investigação e Acção Penal (DCIAP) que levou nesta terça-feira à detenção do empresário madeirense Joe Berardo e do seu advogado pessoal, André Luiz Gomes. Santos Ferreira, que para já é o único responsável da Caixa arguido neste caso, é suspeito de ter favorecido Berardo na concessão dos empréstimos dados pelo banco público em 2006 e 2007, num valor global de perto de 350 milhões de euros.

A casa e o escritório de Carlos Santos Ferreira foram dois dos 51 alvos das buscas realizadas nesta terça-feira pelas autoridades e que incluíram a Caixa, o BCP, o Novo Banco, a Fundação Berardo, o Museu Colecção Berardo (situado no Centro Cultural de Belém), o Ministério da Cultura, escritórios de contabilidade e as instalações de várias empresas. Berardo foi detido na sua residência, em Lisboa, onde acompanhou as buscas, tendo sido transportado ao início da tarde para o estabelecimento prisional anexo à PJ, onde passará a noite.

Paulo Saragoça da Matta, advogado de Joe Berardo, confirmou à saída das instalações da PJ que o cliente iria ser interrogado nesta quarta-feira à tarde no Tribunal Central de Instrução Criminal pelo juiz Carlos Alexandre, que irá decidir as medidas de coacção a aplicar-lhe. Igualmente ouvido será André Luiz Gomes, que para os investigadores era o cérebro dos esquemas usados por Berardo para fugir às suas responsabilidades, nomeadamente ao pagamento de perto de mil milhões de euros de dívidas acumuladas a três bancos: Caixa, BCP e Novo Banco.

Mas os indícios apontam para que o tratamento de privilégio a que Berardo foi sujeito por sucessivas administrações bancárias, tanto na Caixa como noutros bancos, terá sido, muitas vezes, pago. Por isso, Berardo está indiciado por corrupção, um crime que curiosamente não consta no rol de suspeitas divulgadas, em comunicados, quer pela PJ quer pelo DCIAP. “No inquérito, investigam-se matérias relacionadas com financiamentos concedidos pela CGD e outros factos conexos, susceptíveis de configurar, no seu conjunto, e entre outros, a prática de crimes de administração danosa, burla qualificada, fraude fiscal qualificada, branqueamento e, eventualmente, crimes cometidos no exercício de funções públicas”, lê-se na nota divulgada pelo principal departamento do Ministério Público.

Este inquérito, delegado na Unidade Nacional de Combate à Corrupção da PJ, foi aberto em Setembro de 2016 para investigar a concessão de créditos sem garantias a 100 dos maiores credores da Caixa, muito antes de a comissão de inquérito ao banco público em 2019 ter exposto as dívidas de Berardo. O Parlamento actuou no rescaldo da necessidade de recapitalizar o banco público, o que obrigou o Estado a injectar mais de 3,9 mil milhões de euros entre 2017 e 2018. A comissão concluiu que Berardo teve um tratamento privilegiado: “Houve uma protelação, não houve exigência de reforço de garantias. Pelo contrário, houve até conformação ao grupo Berardo, ao contrário do que era exigido.”

Já a auditoria independente aos actos de gestão da CGD entre 2000 e 2015 realizada pela consultora Ernst & Young e finalizada em meados de 2018 apontava o dedo a Santos Ferreira por este ter caucionado no banco público a aprovação de centenas de milhões de euros de créditos de favor, especulativos ou orientados politicamente, que acabaram por ter custos milionários no bolso dos contribuintes.

Berardo foi um dos beneficiados, o que permitiu ao empresário madeirense desempenhar um papel central na luta de poder dentro do BCP, que tinha como protagonistas Paulo Teixeira Pinto e Jardim Gonçalves. Curioso é que depois de ter permitido que Berardo reforçasse a sua posição accionista no banco privado, Santos Ferreira acabou por transitar directamente da liderança da Caixa para a do seu concorrente privado, o BCP, onde foi ocupar o lugar de Paulo Teixeira Pinto.

Já Santos Ferreira tinha sido substituído na Caixa por Fernando Faria de Oliveira – outro dos nomes destacados pela EY por ter tido práticas irregulares de gestão – e o banco público continuou a conceder empréstimos avultados a Berardo. Sem nunca referir o nome do empresário madeirense, a PJ refere, na nota, que a sua operação “incidiu sobretudo num grupo económico, que entre 2006 e 2009, contratou quatro operações de financiamentos com a CGD, no valor de cerca de 439 milhões de euros”. A Judiciária acrescenta que este grupo “tem incumprido com os contratos e recorrido aos mecanismos de renegociação e reestruturação de dívida para não a amortizar” e fala ainda em “dissipação de património”.

É conhecido que a esmagadora maioria do património de Berardo, como a sua casa em Lisboa, a sua colecção de arte ou a Quinta da Bacalhôa não se encontram em nome do empresário, mas pertencem à sua fundação ou a associações que este criou e controla. Desta maneira, o empresário tem conseguido evitar as penhoras dos bancos. No entanto, em Julho de 2019, Berardo viu um tribunal arrestar-lhe 2200 obras de arte, incluindo as que integram o Museu Colecção Berardo. Três inspectores da PJ estiveram nesta terça-feira nas instalações desse museu, no Centro Cultural de Belém, para obter uma lista das obras de arte que fazem parte da colecção, o valor em que estão seguradas e ainda uma lista de fornecedores, adiantou ao PÚBLICO Pedro Bernardes, director-geral do museu.

O DCIAP diz que a investigação só não foi mais célere devido à “carência de meios técnicos”, que obrigou, por exemplo, à contratação de um perito em prática bancária, o que só aconteceu em final de 2019. “Não obstante o empenho e investimento do Departamento Central de Investigação e Acção Penal (DCIAP) e da Procuradoria-Geral da República (PGR), bem como da Polícia Judiciária (PJ) e de toda a equipa na investigação do inquérito em curso e a gestão racional e eficaz que foi realizada dos meios à disposição de todos, não se logrou assumir a celeridade desejável, apenas por carência de meios técnicos e outros ajustados à natureza, dimensão e complexidade da investigação”, lê-se na nota daquele departamento.

A megaoperação desta terça-feira incluiu buscas em Lisboa, Sesimbra e Funchal que envolveram 138 agentes da PJ, nove magistrados do Ministério Público, sete juízes de instrução criminal e 27 inspectores tributários.

Tuesday, June 29, 2021

MODERNA CONTRA TODAS AS VARIANTES DO 19

"... Em destaque nos ganhos esteve a Moderna, que fechou a ganhar 5,17% para 234,46 dólares. A farmacêutica esteve a ser impulsionada pelo anúncio de que a sua vacina contra a covid-19 produz anticorpos que protegem contra a variante delta. 

A vacina de mRNA produziu anticorpos neutralizantes contra todas as variantes testadas, incluindo delta, beta e eta, informou a empresa num comunicado.

"Além disso, a notícia de que a Índia aprovou a vacina da Moderna para uso emergencial também elevou o sentimento em relação às ações da empresa" - aqui

Saturday, June 26, 2021

MAIOR, VACINADO E ACAGAÇADO

Alemanha põe Portugal na lista vermelha e proíbe viagens As autoridades sanitárias da Alemanha consideram que Portugal, assim como a Rússia, são zonas de risco devido à existência de variantes do novo coronavírus, pelo que as viagens para estes dois países passam a ser proibidas a partir de terça-feira, noticia a Reuters. 

Covid-19: Lisboa e Vale do Tejo com 86% das camas de cuidados intensivos ocupadas "A região de Lisboa e Vale do Tejo com 71 doentes internados em unidades de cuidados intensivos (UCI) representa 67% do total de casos em UCI [do país] e corresponde a 86% do limite regional de 83 camas em UCI definido no relatório "linhas vermelhas"", refere o documento da Direção-Geral da Saúde e do Instituto Nacional Doutor Ricardo Jorge (INSA).  

Covid-19: Variante Delta já é predominante em Portugal "Apesar de muitos resultados relativos a este mês estarem ainda por apurar, observou-se uma heterogeneidade considerável entre as várias regiões. Assim, por exemplo, o Norte tem um valor estimado para esta variante de cerca de 20%, enquanto se estima que em Lisboa e Vale do Tejo esse valor exceda já os 70%", refere o relatório das "linhas vermelhas" da pandemia hoje divulgado. 

Os jovens que a covid-19 pôs no hospital: “Achava que esta doença era só para matar os velhos” O número de casos de covid-19 em Portugal continua a aumentar — e com ele, o aumento dos internamentos. Ser jovem pode ser um factor protector, mas não impede as piores consequências da doença: “Nunca percebi nem vou perceber porque tive a infecção neste estado tão grave. Supostamente era saudável.” 

Portugal na "lista vermelha" da Alemanha é um "balde de água fria" para o Turismo do Algarve. Áustria e Suíça podem seguir exemplo José Volta e Pinto A decisão da Alemanha de colocar Portugal na lista de países de maior risco, motivada pelo aumento da prevalência da variante Delta, vai prejudicar a actividade económica no Algarve, que depois de perder os turistas britânicos vê agora um outro mercado importante a impor restrições de circulação. O anúncio feito esta sexta-feira pelo Instituto Robert Koch é "um balde de água fria", descreveu este sábado à TSF o presidente da Associação de Turismo do Algarve, João Fernandes. "É obviamente um revés grande, não só pelo impacto que tem e se faz sentir no mercado alemão, mas também porque a Alemanha serve de referência, do ponto de vista das regras que estabelece de fronteiras, para um conjunto de países", disse, dando o exemplo da Áustria e da Suíça, que normalmente têm uma "colagem grande às medidas estabelecidas pela Alemanha". Com restrições do Reino Unido e da Alemanha, os dois mercados externos com mais peso na região, João Fernandes refere que a tomada de posição "vai ter impacto também noutros mercados". 

 


 

 

Friday, June 25, 2021

HAVEMOS DE IR A SEVILHA!

 

Com Sevilha no vermelho, Marcelo sai em socorro de Ferro e dos apelos à deslocação massiva

Andaluzia está a vermelho no mapa do Centro Europeu para a Prevenção da Doença. Ferro Rodrigues pediu aos portugueses que se desloquem “de forma massiva para o Sul de Espanha e que possam apoiar uma grande vitória de Portugal nos oitavos de final”. - aqui

OUVES, GOVERNO?

Miguel da Câmara Machado: “Levar um banco à ruína devia ser crime, mas não é"

Se a insolvência de uma empresa for dolosa, o responsável terá de enfrentar consequências criminais. Mas se estiver em causa um banco, isso já não acontece. Miguel da Câmara Machado alerta para "lacuna legal" que Governo devia corrigir. - aqui

Thursday, June 24, 2021

IRRESPONSÁVEIS AO MAIS ALTO NÍVEL

Presidente Marcelo afirmou na semana passada "Fundamental é a bola"

Hoje, lê-se aqui - Euro2020: Ferro Rodrigues diz aos portugueses “que se desloquem de forma massiva” para Sevilha. 


Na mesma edição do Expresso lê-se : "Lisboa deve recuar no desconfinamento e a generalidade do país permanecer na fase atual: as regras possíveis para a próxima semana"- aqui

E ainda no Expresso:  Covid-19. O maior número de casos dos últimos 4 meses, região de Lisboa concentra mais de 2/3: o surto em Portugal, em gráficos e mapas O boletim da Direção-Geral da Saúde contabiliza, nas últimas 24 horas, dois mortes e 1556 infetados, sendo 1049 (67,4%) oriundos de Lisboa e Vale do Tejo. Há 106 doentes nos cuidados intensivos, um novo pico dos últimos dois meses (mais 6 pessoas face a quarta-feira)

No Público de hoje, Terceira vaga (de covid 19) trouxe défice público de 5,7% no primeiro trimestre.