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Saturday, October 26, 2024

A MAIOR BATALHA DA PRÓXIMA GUERRA

Ouço na rádio que Israel atacou o Irão ...
Que nos arredores de Lisboa houve distúrbios durante a noite com viaturas incendiadas, caixotes do lixo queimados ...
Que ...tanta ameaça a acontecer, tanta revolta a repetir-se ...
Não faltam notícias aos media, que fazem da sua transmissão e retransmissão até ao tutano uma exigência da função e modo de ganhar meios de vida.
 
É a vida a acontecer entre um mundo a desconjuntar-se à vista de quem não seja cego e surdo, ao mesmo tempo anojado e, o mais das vezes, perversamente interessado no que ouve e vê.
A quase mais que certa vitória de Trump nas eleições de hoje a dez dias, por maioria de delegados no Colégio Eleitoral, dada pelos votos tangenciais em dois ou três swing states, ainda que o voto popular seja inutilmente maioritariamente atribuído a Harris, provocará um tsunami político global devastador.
 
Sem que ninguém, com suficiente capacidade para se fazer ouvir, avise a Humanidade que o caminho aponta para a sua autodestruição. Muitos dizem isso, mas o aviso perde-se por perto. 
Quem é que, pelo lugar que ocupa e pelo conhecimento que tem das fragilidades que sustentam o precário equilíbrio da vida da humanidade inteira, pode fazer-se ouvir suficientemente bem longe?
Poderia ser o secretário-geral das Nações Unidas se o lugar fosse hoje ocupado por alguém suficientemente corajoso, livre de ideologias e preconceitos, para dizer a verdade, inequívocamente demonstrada mas muito limitadamente divulgada, mas esse não é, lamentavelmente, o perfil pusilânime de António Guterres. 
Que, nas actuais condições, nem coragem tem para fazer o que deveria: demitir-se.
 
As funções de secretário-geral da ONU, desprovidas de poder de intervenção efectivo, nunca foram fáceis mas também nunca foram tão difíceis como nos tempos generalizadamente tempestuosos actuais porque também nunca a capacidade destruidora da vida no planeta atingiu os níveis em que se encontra agora.
 
Ao secretário-geral da ONU só resta um poder: o da palavra. A palavra que possa mobilizar a capacidade de insurreição dos jovens, aqueles que são os mais ameaçados pela capacidade de destruição global armazenada, à espera que a loucura ou o acaso acenda o rastilho. 
Era esta a verdade que Guterres poderia e deveria dizer aos jovens mas é incapaz de dizer porque o seu estilo sempre o guiou para um equilíbrio na corda bamba.

 

c/p - Trump or Harris: Who’s ahead in the polls? Tracking the polls in every state and possible paths to electoral college victory for Kamala Harris and Donald Trump

Talvez o título da nota colocada hoje neste meu caderno de apontamentos possa parecer sensacionalista.
Não é essa a intenção. E não é, porque, a generalidade da opinião pública mundial reflectida nos mais diversos meios de informação não subterrâneos, aponta no sentido da eventual eleição de Trump provocar um tombo no precário equilíbrio geopolítico global capaz de precipitar uma guerra nuclear que será a próxima mas também a última. 
 
Trump é um declarado apoiante de Putin com desprezo, como este, por todos os valores morais que caracterizam a civilização ocidental. 
Que ou se subjuga aos dois ditadores ou resiste sem capacidade de resistência. 
Um dos dois, Trump e Putin, perante a expectativa do terceiro candidato à liderança global, Xi Jimping, quererá ser único e a guerra nuclear será inevitável.
Se não, como?
Nunca na História da Humanidade o poder de um triunvirato subsistiu por largo tempo. 

--- Correlacionado
 
 
Guterres cumprimenta Putin, em posição subserviente, durante a recente reunião dos "Brics", na Rússia.
Para quê? Não se sabe.
Porquê? Porque é próprio da sua natureza.

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Thursday, October 03, 2024

NO INFINITO CAMINHO DA ESTUPIDEZ DA ESPÉCIE HUMANA

Trump, ouvi anteontem na rádio, voltou a reafirmar que continua a incentivar Putin a atirar-se contra os membros da NATO com contribuições em falta para a Organização.
 
Trump, já se sabe, diz uma coisa e a contrária com a maior desfaçatez deste mundo. 
O mesmo Trump tem ameaçado e repetido que desmantelará a NATO ou, com o mesmo objectivo, retirará os EUA da NATO, e que os outros membros da Organização se defendam com os seus próprios meios. 
E, pela dedução mais benevolente do que diz Trump, a incumbência que este dá a Putin, de combater os membros da NATO com as quotas em atraso, é uma forma de suscitar o reforço dos meios de defesa, nomeadamente dos europeus, da ameaça real que o autocrata Putin e seus admiradores e seguidores, representa para as sociedades onde a liberdade de expressão sustenta todo o sistema em que a grande maioria dos que nelas vivem se movimentam e assim querem continuar.
 
Trump já disse, inequivocamente, que, se for eleito, resolverá a guerra na Ucrânia e no Médio Oriente em três tempos. 
Quanto à Ucrânia, a jogada de Trump é clara: retira o apoio militar dos EUA e, implicitamente, entrega aquele país a Putin, porque a União Europeia não tem poder defensivo e, ainda muito menos poder ofensivo, para se opor a Putin. Daí o único sentido lógico, cínico, que pode retirar-se das afirmações: paguem os compromissos que assumiram como membros da NATO, e defendam-se porque os norte-americanos não vão continuar a envolver-se nas guerras na Europa.
Entretanto continuam a chover, quase diariamente, notícias de chuvas arrasadoras de drones e mísseis de espécies diversas sobre as cidades da Ucrânia, incluindo massacres da historicamente lendária. capital, Kyiv.
 
Quanto ao Médio Oriente, o mais que Trump pode fazer é manter, e eventualmente reforçar, o apoio dos EUA a Israel, mas não resolverá um conflito que pode chegar a colocar Trump, do lado de Israel, frente a Putin, claramente apoiante do Irão, e, inequivocamente, apoiado pelo regime teocrático iraniano. 
A guerra alastra-se, são milhões os que de Gaza e Líbano, fogem dos bombardeamentos constantes, sem que do lado Israel e, agora, declaradamente, do Irão se vislumbre o caminho, ainda que mínimo, para a paz. De cada lado, o objectivo continua a ser a completa eliminação do outro. 

Se a União Europeia claudica com a derrota dos ucranianos, fragmentar-se-á, porque dentro dos frágeis muros da UE há vários dos seus membros que saltarão alegremente para o lado inimigo. 
Friamente, a questão que se coloca aos europeus do campo liberal democrático  é quem ficará do seu lado?

Se alguns membros não estão disponíveis para suportar, e reforçar, os custos financeiros de uma defensiva da sua vontade de se manterem livres, que motivação lhes sobrará para meterem as botas no terreno e, de armas nas mãos, defenderem a sua liberdade que tanto querem preservar?
 
Trump, que cada um lhe chame o que quiser, pode ganhar as eleições porque os norte-americanos estão divididos por fracturas aparentemente insanáveis:
o direito ao aborto, intransigentemente combatido pelos evengélicos, 
o direito à opção de orientação sexual, (no Economist de hoje realça-se uma questão perturbadora para os renitentes conservadores republicanos: Was Abraham Lincoln gay?), 
a política de imigração, para um país feito por imigrantes.
E a defesa da democracia liberal na União Europeia não é tema que, decididamente, os motive. 

Se Trump perder as eleições em 5 de novembro, é muito provável que venha a repetir-se a trama que gizou em 2020 - ler artigo sobre esta hipótese - e uma guerra civil nos EUA não é seguramente improvável. 

Por cá, o tema é, socialmente, indesejável para motivo de uma conversa, mesmo entre amigos e, politicamente, repugnante a qualquer partido político que não tenha intuitos suicidas. Aliás, agora, entretidissímos à volta da aprovação do Orçamento ou eleições antecipadas à vista, cada lado a tentar que seja o outro o responsável, aos olhos dos eleitores, pela eventual antecipação das eleições.
 
Pergunte-se, mas ninguém pergunta, aos candidatos à presidência da República Portuguesa para suceder a Marcelo Rebelo de Sousa, que posição deve ser assumida pelo povo português para defesa da civilização ocidental, e eles gaguejarão.
Marcelo Rebelo de Sousa, enquanto ainda no cargo, assobiará o ti-ro-liro.
Gouveia e Melo, um candidato ainda não assumido, já tomou posição em entrevista, vd. aqui de Vítor Gonçalves há três semanas. 
 
"Devem os portugueses envolver-se num eventual confronto da Rússia contra qualquer país da NATO?
Resposta inequívoca de Gouveia e Melo: sim. Sei que ninguém quererá ouvir que tropas portuguesas participem numa guerra. Os militares não gostam da guerra. Mas não podem ignorar que ou nos defendemos ou seremos esmagados. Não podemos, não devemos, renunciar a combater se as ameaças de confronto se concretizarem. Devemos preparar-nos para essa hipótese e falar claro aos portugueses. É fundamental falar claro."

--- Informação correlacionada:

Palavras duras contra a NATO eram tática de "negociação", diz Trump Candidato às presidenciais dos EUA, Donald Trump, acusa os países europeus membros da NATO de não fazerem a sua parte na despesa militar, dando por adquirido que podem contar com os Estados Unidos como escudo defensivo. 

Trump says he would encourage Russia to attack Nato allies who pay too little

Which countries in the Nato alliance are paying their fair share on defence? . c/p aqui

Cost share arrangements for civil budget, military budget and NATO Security Investment Programme

Cost share arrangements for civil budget, military budget and NATO Security Investment Programme
Nation Cost share "at 32" following the accession of Sweden
Valid as from 7 March 2024 until 31 December 2024
Albania 0.0882
Belgium 2.0447
Bulgaria 0.3552
Canada 6.6840
Croatia 0.2910
Czechia 1.0259
Denmark 1.2744
Estonia 0.1213
Finland 0.9057
France 10.1940
Germany 15.8813
Greece 1.0273
Hungary 0.7380
Iceland 0.0624
Italy 8.5324
Latvia 0.1550
Lithuania 0.2493
Luxembourg 0.1645
Montenegro 0.0283
Netherlands 3.3528
North Macedonia 0.0756
Norway 1.7267
Poland 2.9015
Portugal 1.0194
Romania 1.1931
Slovakia 0.5014
Slovenia 0.2212
Spain 5.8211
Sweden 1.9277
Türkiye 4.5927
United Kingdom 10.9626
United States 15.8813
TOTAL NATO 100.0000