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Friday, October 18, 2024

O VALOR FACIAL E O VALOR INTRÍNSECO DA DEMOCRACIA

Já depois de ter editado o meu apontamento de anteontem - O valor dos valores morais - observei que Daron Acemoglu, um dos três laureados com o Nobel da Economia, e aquele que, em directo televisivo respondeu a questões que, a propósito, lhe foram lhe foram colocadas por alguns dos presentes na sessão do anúncio, observei que de Daron Acemoglu tinha sido colocado a 30 de agosto deste ano, um artigo no project-syndicate.org - The Trump Threat to Democracy has grown - de que retiro apenas a primeira parte, disponível para não assinantes.

"Donald Trump is not the first anti-democratic demagogue to atttract a strong following, and he will be not the last. American institutions  can weather such challenges and come out even stronger, but only if pro-democratic forces mobilize and demonstrate  that the system can deliver meaninful results for ordinary people"

O artigo é, relativamente, longo e aponta para a gravidade da situação criada pela impotência das  instituições democráticas norte-americanas, que não foram concebidas para defrontarem quem, além do mais, proclama governar sem submissão às regras democráticas e fomentou o assalto ao Congresso, símbolo maior da democracia norte-americana, sem que a Justiça, admito, por falta de previsão de enquadramento legal no momento da concepção constitucional, o condenasse por alta traição e agora permite que se recandidate para comportamentos muito mais gravosos nos Estados Unidos quando de todo o mundo chegam sinais de guerra definitiva. 

No meu apontamento de anteontem parti da conclusão dos laureados - "In the end, the only option may be to transfer power and establish democracy." - expressa, tanto na transmissão televisiva da comunicação do Nobel da Economia deste ano como no "Press release", para registar neste caderno de apontamentos a desvalorização que, do meu ponto de vista, tem vindo a observar-se na democracia liberal. 
Há alternativa melhor?
Durante muito tempo adquiriu-se a ideia cimentada na afirmação de Churchill: "A democracia é a pior forma de governo, excepto todas as outras que têm sido tentadas de tempos em tempos."

Talvez Churchill continue a ter razão e a resposta dada a um dos assistentes ao anúncio do Nobel no período de perguntas e respostas que questionou sobre o sucesso da China, um país cujo líder Li Xijinping considera a democracia um dos inimigos do comunismo chinês, Daron Acemoglu recordou que alguma experiências ditatoriais foram bem sucedidas durante os primeiros tempos, mais ou menos longos, mas perderam perderam o ímpeto inicial e a democracia acabou por prevalecer.

No tempo que vivemos, com os regimes autocráticos a ganharem terreno por recuo dos valores morais  da democracia, a afirmação de Daron Acemoglu de 30 de agosto no Project Syndicate, atrás transcrita, de que "as instituições norte-americanas podem opor-se à força das multidões atraídas pelas promessas de Trump, um anti-democrático demagogo, se as forças pró-democráticas se mobilizarem e convencerem que a democracia é mais vantajosa para as pessoas comuns, carece de prova
Porque é neste ponto se contradizem as conclusões.

Kamala Harris posicionou-se nas sondagens à frente de Trump imediatamente à sua nomeação em substituição de Biden. O voto popular, segundo as sondagens, posicionavam Harris entre dois a três pontos percentuais acima de Trump. Entretanto, a diferença ter-se-á reduzido, colocando-se num intervalo de empate técnico.
 
As eleições presidenciais norte-americanas não se decidem pelo voto popular universal mas pelo voto em seis ou sete Estados, swing states onde o resultado final pode cair para um lado ou para o outro, e onde as sondagens sugerem agora ligeira diferença favorável a Trump. 
Conclusão: as forças pró-democráticas parecem incapazes de atrair em número suficiente aqueles eleitores que, aparentemente, mais ganhariam com a vitória de Harris. 

Kamala Harris, filha de mãe indiana e pai afro-jamaicano, é considerada, estatisticamente, negra.
É, no entanto, a candidata democrata com menos apoio da população negra, quando, (ou porque), uma mulher negra substitui um homem branco. Biden obteve 87% dos votos dos negros; Harris tem apenas 80%. 
Trump tem dito, e os seus apoiantes acreditam, que os imigrantes roubam empregos geralmente desempenhados por negros. Mais imigrantes negros a entrarem nos USA significará mais pressão para a baixa nos salários. Deste raciocínio decorre, mesmo se falacioso, serem os negros, os asiáticos, os hispânicos mais favoráveis a medidas repressivas da imigração que os brancos.
Também são os não brancos menos tolerantes relativamente à liberdade de opção sexual e tão misóginos quanto os brancos. 
A perda de empregos resultante da entrada de emigrantes é o valor facial, visível, da imigração; o crescimento de uma economia em expansão, como é o caso da economia norte-americana, hoje, que requer mais força de trabalho, é um valor intrínseco que poucos entendem.
Trump entende, mas interessam-lhe os votos dos que já residem nos EUA. As suas declarações de que procederá à maior deportação de imigrantes ilegais, reforça nos imigrantes legalizados o apoio que Trump procura mobilizar.

A lista é longa mas uma evidência se salienta: qualquer que seja o tema envolvendo a importância da democracia para o progresso dos povos, é mais estendível o seu valor facial, a aparência imediata, do que o seu valor intrínseco, aquele que só o tempo pode demonstrar.
Quando se vivem tempos de comunicações curtas e fáceis, o imediatismo, mesmo se falso, porque o falso é célere e a verdade lenta, sobrepõe-se a razões fundamentadas. 

Tuesday, August 06, 2024

KAMALA HARRIS JÁ TEM VICE

Serão eleitos a 5 de novembro?
Segundo as sondagens, o apoio em Kamala Harris está em crescendo. 
A sorte de Harris está nas mãos das mulheres norte-americanas. Também nos EUA há mais mulheres que homens e a misoginia de Trump e de Vance, "Kamala e outras mulheres sem filhos são miseráveis", afirmou Vance, é repugnante.
Se outras fortes razões não houvesse, e há, para derrotar Trump e Vance, o desprezo com que esta parelha considera a condição feminina, deveria ser repugnante para quem, nos EUA, mulher ou homem, votar em novembro.
Mas pode não ser. Nem sempre o que é repugnante repugna. Há muita gente, em qualquer parte do planeta, que se guia por ideias petrificadas.

Kamala Harris escolhe Tim Walz, governador do Minnesota, para candidato democrata a vice-presidente dos EUA  

Tim Walz, de 60 anos, está no segundo mandato como governador do estado do Minnesota e preside à Associação de Governadores Democratas. 


 

 

Monday, January 11, 2021

EM VOGA

Como ver a vice-presidente eleita dos EUA em capa de uma revista de moda? A avaliar pelos comentários na CNN, não é o facto de Kamala Harris ter aceitado aparecer na Vogue mas a indumentária e o visual informal da vice-presidente eleita que excitam os críticos.

Normal, numa revista de moda, o foco da revista é a moda.

Mas o que pensarão os norte-americanos, a esmagadora maioria deles, para quem a Vogue e outras revistas do género são superficialidades de um mundo muito diferente em que enfrentam as complexidades de uma sociedade ameaçada pela pandemia e pelo ódio de fanáticos extremistas que as superficialidades ignoraram, e, provavelmente, continuarão, a ignorar?

Não pensam muito. A moda, como muitas outras actividades lúdicas, são factor de deslumbramento e aplauso, mesmo, ou sobretudo, dos comuns que adoram contos de príncipes e princesas. Talvez por esta razão, os críticos voltaram as suas baterias para a simplicidade deste visual que, aliás, não parece ter merecido a aprovação da fotografada.

Eu gosto. Se Kamala deveria ter aparecido agora na capa da Vogue, já é outro lado da questão.

                                                            Kamala Harris                                     

"Kamala Harris' forthcoming appearance in American Vogue has sparked criticism for appearing casual and "washed out," with the Vice President-elect's team blindsided by the magazine's choice of cover.
The hotly-debated image, which shows Harris in a black jacket and Converse sneakers, was not the one she had expected to run on the front of the print edition. A source familiar with discussions said Harris' team believed the cover would feature her posing in a light blue suit against a gold background.
An apparently leaked copy of the publication's February issue cover, shot in front of a pink and green background, began circulating online Sunday. The photo instantly attracted ire on social media for appearing poorly lit and styled, while others suggested it was "disrespectful" to the Vice President-elect.
With some Twitter users even questioning whether the image had been faked, Vogue confirmed it as genuine -- but added to the confusion by revealing a second "digital" cover showing Harris in a powder blue Michael Kors suit against a gold background. CNN's source said that Harris team had expected this outfit to be used as the main cover photo, with the more casual attire appearing inside the magazine. The same source said the Harris team has asked for a new cover, though the print version of the magazine went to press in mid-December.