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Saturday, May 23, 2020

CHINA, XEQUE MATE À DEMOCRACIA LIBERAL


12 de Março registei aqui:  

"Hoje, às 8:20 ouço na rádio que o presidente chinês anunciou que o surto entrou e declínio em território chinês.
Nas estatísticas publicadas em contínuo pela Organização Mundial de Saúde, vd. aqui, ao meio dia o número de infectados em todo o mundo era 128.058 e o número de mortes 4.717.
Na China, dos 80.796 infectados, já foram recuperados 62.813. Hoje registou 18 novos casos e 11 mortos. "

Hoje, 23 de Maio, pouco mais de dois meses depois, leio aqui :

China não regista qualquer caso de covid-19 pela primeira vez desde o início da pandemia. Sem novas mortes e sem novos casos. A China não registou, nas últimas 24 horas, qualquer nova infecção confirmada de covid-19, algo que acontece pela primeira vez desde o início da pandemia. Desde Março, assistiu-se a uma queda dos casos de contágio local na China, com as restrições à circulação de pessoas, mas a Reuters refere que continuou a haver casos importados, envolvendo, principalmente, cidadãos chineses que regressam do estrangeiro.

Segundo a OMS, hoje a China regista 82971 infectados, dos quais apenas 79 não foram ainda recuperados, 9 nos cuidados intensivos, 4634 mortos.
Como é que a China consegue esta contenção do vírus, descartando, aparentemente, o recurso à imunidade que na generalidade do resto do mundo é considerada inevitável enquanto não houver vacina confiável? 
Os chineses mentem! Como é possível mentir quando as enormes distâncias dos números chineses com a generalidade dos números comparáveis não são iludíveis?
A China é governada por uma ditadura! E a Rússia, com a mais extensa fronteira com a China?
Com que protecção conta a China para evitar que a sua população, cerca de 20% do total mundial, não seja atingida por uma epidemia devastadora? Terá já descoberto a vacina confiável que cumpra o desígnio declarado Por Xi Jinping de governar o mundo derrotando as democracias liberais, um dos inimigos que afirmou querer eliminar? 

Teoria da conspiração? Só se não houvesse provas indesmentíveis dos propósitos que Xi Jinping anunciou meses antes de ter anunciado ao mundo que o COVID -19 tinha começado a infectar e a matar em Wuhan.








Friday, May 22, 2020

PAGA E NÃO BUFA!


Ouvi ontem à noite no Eixo do Mal, dois dos quatro comentadores considerarem que o presidente do PSD estava a juntar-se ao líder do Chega nas críticas feitas na AR ao processo como foi conduzido o pagamento de mais 850 milhões de euros ao Novo Banco.
Como não tinha ouvido o que dissera Rui Rio, procurei na Internet e leio:

Novo Banco: Rui Rio considera ser o "maior crime de colarinho branco" em Portugal (RTP);   Rui Rio quer relatórios de auditorias e Costa diz-lhe para pedir ao Fundo de Resolução . Situação e salários no Novo Banco discutidos no debate quinzenal no Parlamento. Rio quer relatórios de auditorias e Costa diz-lhe para os pedir ao Fundo de Resolução (Público) ; Rui Rio denuncia "calotes" do Novo Banco e "créditos vendidos ao desbarato" O presidente do PSD, Rui Rio, considerou inadmissível que todos os anos as auditorias feitas aos balanços do Novo Banco revelem imparidades que podem ter sido "empoladas" em anos anteriores. (tvi24) ; Novo Banco: Rui Rio quer ter acesso a toda a documentação sobre as imparidades (YouTube)

O líder do Chega disse o mesmo? Não sei. 
Mas é antidemocrático que qualquer afirmação do Ventura seja remetida para um Index de inquisição democrática e ao líder do Chega garantido o monopólio da crítica mesmo quando o que Ventura afirma seja, por vezes, democraticamente, pertinente.

À tarde, tinha ouvido na rádio que, a propósito das críticas que têm sido feitas ao facto de, ao mesmo tempo que os portugueses são chamados (directa ou indirectamente, escolham o que gostarem mais) a colocarem mais 850 milhões do roto banco, que regista avultados prejuízos desde que foi desastradamente concebido, aos administradores eram atribuídos dois milhões de prémios de gestão, a administração repudia as críticas feitas e afirma que essas críticas apenas fragilizam o banco e a confiança dos seus depositantes.

Quem é que preside a esta administração ofendida? Transcrevo da wikipédia:


"... tendo iniciado o seu percurso profissional no mercado de capitais em 1985. Entre 1993 e 2003 foi Administrador de diversas instituições financeiras (Banco Pinto & Sotto Mayor, Banco Totta &  Açores e Crédito Predial Português, entre outras). Em Janeiro de 2004 foi chamado para a RAVE, para ocupar o cargo de director financeiro, tendo sido convidado em Setembro do mesmo ano pelo Ministro das Obras Públicas, Transportes e Comunicações António Mexia para exercer o cargo de Presidente do Conselho de Administração CP. Desempenhou o cargo de Presidente da CP - Comboios de Portugal, EP entre 2004 e 2006.
O seu mandato à frente da CP ficou marcado por um clima de forte contestação social dentro da empresa, com trabalhadores e sindicatos do sector a criticar fortemente diversas decisões do Presidente. Outro marco foi a apresentação do polémico (e para alguns especialistas e quadros da empresa irrealista, já que assentava em pressupostos cujo cumprimento não dependia da CP) programa Líder 2010, com o qual António Ramalho pretendia, entre outras coisas, transformar a CP na melhor operadora ferroviária da península ibérica até 2010. O seu mandato também ficou marcado por alterações nos horários que resultaram com que os comboios da CP deixassem de funcionar tanto numa lógica de rede interligada entre si e passassem a circular mais numa lógica em que cada linha estava isolada uma da outra, o que levava à criação de mais transbordos. Assim, por exemplo, em Novembro de 2005 a CP anunciou que no mês seguinte ia acabar com os comboios entre Porto e Viana do Castelo e restringi-los ao troço entre Nine e Viana do Castelo.[2] Em Nine haveria transbordo para os comboios que circulavam entre Porto e Braga.[2] Também na mesma altura a CP anunciou alterações nos horários da Linha do Douro, que previa a extinção do Intercidades Porto–Régua e que mais comboios Regionais passassem a começar a sua marcha em Caíde (onde havia transbordo com os suburbanos Porto–Caíde) em vez de começarem diretamente na cidade do Porto.[2] Na altura, Caíde era o términus do troço eletrificado da Linha do Douro e a criação de um transbordo naquela estação rural inseriu-se numa lógica da CP de reforçar as receitas da CP Urbanos do Porto (o departamento da companhia que explorava os comboios suburbanos) em detrimento das receitas da CP Regional, evitando assim que houvesse comboios Regionais e Urbanos no troço entre Porto e Caíde.[2] Em Abril de 2006, foi divulgado que a CP ia extinguir os comboios rápidos Intercidades da Beira Alta (Lisboa–Guarda) e da Beira Baixa (Lisboa–Covilhã) e substituí-los parcialmente por Regionais entre Coimbra e Guarda e entre Entroncamento e Castelo Branco.[3] Se a medida tivesse avançado, na região Centro passariam a circular comboios rápidos somente na Linha do Norte e uma viagem entre a Covilhã e Lisboa obrigaria a pelo menos dois transbordos (em Castelo Branco e no Entroncamento).[4] A medida estava a ser preparada pelo próprio António Ramalho, mas contava com a oposição de grande parte da estrutura técnica da CP, para além de ter gerado duras críticas por parte das entidades locais das regiões afetadas.[5] Com efeito, a Governadora Civil de Castelo Branco e um deputado da Assembleia da República eleito pela Guarda contactaram o governo e divulgaram que o executivo não tinha autorizado a CP a fazer essas supressões.[5] Face à polémica, em 3 de Maio a CP divulgou um comunicado onde admitia que os Intercidades da Beira Alta e da Beira Baixa se iam manter.[6]
António Ramalho acabaria por pedir a demissão no verão de 2006, na sequência de um convite por parte da Unicre para assumir a presidência dessa mesma empresa. ...

Tuesday, April 28, 2020

O IMPÉRIO DO MEDO

Provavelmente, nunca na história da humanidade a dicotomia entre segurança e liberdade foi tão dramática. Nem Orwell sequer sonhou que a humanidade alguma vez enfrentasse uma situação em que a liberdade pudesse ser sequestrada por meios que, provadamente, garantiram que um vírus sequestrador fosse sequestrado, salvando milhões de vidas. 

A China, onde o maldito vírus deu os primeiros sinais da sua velocidade de contágio e grau de  letalidade, tem cerca 1,4 mil milhões de habitantes, os EUA com cerca de 330 milhões têm menos de 1/4 da população chinesa. Até ontem, segundo dados da OMS, a China registava 4633 mortes, um número que nas últimas semanas não tem observado subidas significativas, do frio ponto de vista numérico. Os EUA tinham atingido 56803 mortes, praticamente na sua totalidade nas últimas semanas, com tendência crescente, doze vezes mais que o número tendencialmente estabilizado, observado na China. 

Mas a China é um país governado por uma ditadura, argumenta-se, ainda que no Japão, governado democraticamente, com 126 milhões de habitantes registasse até ontem 385 mortes. Argumenta-se que os orientais desde há muitos anos se habituaram a proteger-se, nomeadamente,  com máscaras, quando as condições envolventes recomendam essas protecções. 

Por cá leio no JN de hoje:  Medir a febre no trabalho? O que deve ser salvaguardado.  A  Comissão de Protecção de Dados não tem dúvidas: com a lei como está, uma medida deste tipo só é possível no âmbito da medicina do trabalho. O Governo já avisou que vai mudar a lei, mas os sindicatos alertam que há fronteiras que não devem ser transpostas. - cf  aqui

Também é público que predomina, ainda, que a geolocalização dos infectados e daqueles que com eles tiveram contactos, não é tolerável em democracia, uma conquista civilizacional inegociável. Por outro lado, os médicos em geral, aqueles que batalham contra o monstro na linha da frente porque a defesa civil, também desta vez, não compareceu a tempo, avisam que um retorno à normalidade, e o que é isso nas circunstâncias actuais?, é para já prematuro e arrisca despoletar uma segunda vaga com consequências muito mais dramáticas. 

Espera-se que os sindicatos, por um lado, e aqueles que vêem na democracia uma donzela inviolável até nas unhas dos pés, não estejam a ser promotores de um dilúvio em que se afundarão irremediavelmente as democracias liberais.

Se uma empresa, em fase de retorno às suas actividades, pretende defender os que nela trabalham, garantindo-lhes segurança e confiança, quem é que, racionalmente, se opõe? 

Numa perspectiva doméstica, que confiança tenho na não infecção de um técnico, e ele em mim, se tenho a máquina da roupa avariada desde ontem, ou a máquina da louça, ou o frigorífico, ou a televisão, por exemplo? Posso lavar a louça à mão, a roupa será mais difícil porque abandonámos o tanque há muitos anos, dispensamos o frigorífico comendo apenas alimentos comprados nos últimos dois dias, sem nenhuma tristeza dispensamos a televisão, mas se a canalização da água ou do gás se rompem? Podemos sobreviver sem gás, mas podemos sobreviver sem água? Não podemos. Chamamos o técnico da companhia das águas. Posso confiadamente  deixá-lo entrar em minha casa, e virá ele confiante que em minha casa ainda não entrou o invisível e imprevisível monstro?

Fala-se pouco destas ninharias, as discussões, as opiniões, mais correntes, situam-se a níveis de abstracção incompreensíveis quando o mal galgar a terra  em nome da tal donzela inviolável, mesmo até no dedo do pé, que se afundará quando já não tiver pé.

Friday, December 20, 2019

FRONTALIDADE E FALTA DE VERGONHA


“A intenção do Partido Democrata de adiar o arranque do julgamento — que era dado como certo para o início de Janeiro — começou a ser discutida depois de alguns constitucionalistas terem escrito artigos de opinião nos jornais a defenderem essa hipótese. Mas ganhou um argumento de peso quando o líder da maioria do Partido Republicano no Senado, Mitch McConnell disse, com todas as letras, que não seria um jurado imparcial no julgamento do Presidente Donald Trump”- c/p aqui

Monday, October 28, 2019

O TRIUNFO DA ECONOMIA DA CUECA


- Tem tenazes para apanha de nozes no chão?
- De nozes? 
- Sim, de nozes, de castanhas, que caem das árvores de quem as tem, mas já não tem idade para andar de cócoras a apanhá-las nem lombares para se debruçar.
- Hum! Hum! Já sei do que fala. Já tive, já ... mas esgotaram-se. Posso mandar vir, se quiser, mas só cá chegam daqui a uma semana, pelo menos. 
- Uma semana?
- Uma semana, pelo menos. Vêm da Holanda.
- Da Holanda? As tenazes são feitas na Holanda? 
- Não sei se são lá feitas, só sei que as mandam vir de lá. Custam cinco euros e meio, salvo erro. 
- Uma semana é muito. Entretanto, estragam-se-me as nozes no chão.
- Talvez encontre no chinês, aí em cima, nesta mesma rua.

- Tem tenazes para apanhar coisas do chão?
- Tem, tem. No andar debaixo, no segundo coledor ...ao meio.
Tinha.
- Quanto custa?
- Um euro e meio.

Como é possível produzir na China uma tenaz, transportá-la e vendê-la em Cascais ou em Castelo Branco por um euro e meio?
É fácil entender como.
O arranque da economia chinesa iniciado com a teoria do gato de Deng Xiaoping - não importa se o gato é branco ou preto, desde que cace ratos-, o comunismo chinês adoptou o gato capitalista na casa comunista, montando este sistema híbrido sobre os três pilares negativos (não há democracia, não aos direitos humanos, não há liberdade de expressão) com os quais o actual presidente vitalício Xi Jinping se propõe dominar o mundo até 2049, ano do centésimo aniversário da fundação da República Popular da China. vd. aqui.
 
Há anos, começaram a chegar ao ocidente confecções, inicialmente de contrafacção, a preços que encerraram ou deslocalizaram, o efeito é o mesmo, fábricas como no Vale do Ave. Depois o made in China, mais recentemente crismado made in RPC,  tornou-se corrente no mundo ocidental, agora já prestigiado pelas marcas de renome internacional, e alargou-se, e continua a alargar-se às mais diversas produções, tanto de mão de obra intensiva como de tecnologia altamente sofisticada. 
Para pagar as cuecas e quejandos, os brinquedos. até os pinhões no bolo-rei, vendemos ao estado chinês ou aos bilionários chineses de fresca data o domínio ou quase domínio da EDP, da REN, da Fidelidade, do Hospital da Luz, o BCP, da TAP, entre outros. 
Fomos só nós? De modo algum. O comunismo capitalista chinês está a alargar-se por todo o lado. É inevitável? É recomendável? É bom que assim seja? Há quem diga que sim.
Aceitaria quem diz que sim viver num sistema que repudia a democracia, os direitos do homem, a liberdade de expressão?

O certo é que, para já, a economia chinesa alavancada pela economia da cueca, triunfou.
Poderíamos comprar aos chineses além de cuecas e tantos outros artefactos afins, equipamentos que dinamizassem o crescimento da nossa economia, em estado letárgico?
Comboios de alta, ou mesmo média, velocidade, por exemplo.
Poderíamos mas não temos (não temos mesmo?) recursos para ir além das cuecas.

No Programa do Governo (transcrevo do Publico de 27/10) "são prioridades para a presidência portuguesa (da União Europeia) o Pacto para a Europa Verde, a Europa social, a transição digital e a relação entre a Europa e a África."
Subscrevo.
E quem vai continuar a confeccionar as cuecas? 

Monday, October 07, 2019

VOTASTE?



Ontem


- Já cumpriste o teu dever?
- Qual dever?
- Ora essa! Qual dever? O dever de votar.
- Exerci o meu direito.
- Não é a mesma coisa?
- Temos o direito de votar, não temos obrigação de votar.
- ?
- Vê ao contrário e percebes.


- Não percebo como é que uma gaga é candidata a deputada.
-Também não entendo. A mim aflige-me ouvi-la.
- Também a mim. Aliás não consigo perceber o que ela diz.
- Ela não vai ser deputada. Se o partido eleger um deputado, ela cede lugar ao seguinte invocando quaisquer razões para não se sentar no parlamento.
- Pois eu não concordo com a vossa opinião. Se ela for eleita, vai exercer o mandato e será ouvida com menor ruído, interrupções, contestações, apartes, gracejos que qualquer outro deputado. Mesmo o presidente da Assembleia da República só em última instância a vai interromper ou tirar a palavra. Quem o fizer será trucidado pela opinião pública.

Friday, October 04, 2019

POR ONZE MILHÕES DE EUROS


Banksy

Um óleo do artista Banksy, que representa a Câmara dos Comuns, ocupada por chimpanzés, foi arrematada na quinta-feira à noite, pelo valor recorde de 9,8 milhões de libras (11 milhões de euros).

De acordo com a leiloeira Sotheby’s, que levou a obra à praça, o quadro a óleo foi pintado em 2009 e “oferece uma visão premonitória da cada vez mais tumultuosa vida política, no Reino Unido contemporâneo”.O preço final do quadro superou as expectativas, que o colocavam entre 1,5 milhões e dois milhões de libras (de 1,69 milhões a 2,25 milhões de euros). No quadro, que tem a dimensão de 4,20 por 2,50 metros, todas as bancadas da Câmara dos Comuns estão ocupadas por primatas, assim como a galeria do público, simulando o instantâneo de um debate. Banksy expôs pela primeira vez a numa exposição em Bristol, em 2009, tendo mobilizado 300 mil visitantes. Numa primeira fase, a obra teve por título “Question Time” (“Sessão de perguntas”), numa alusão ao debate semanal com o Governo britânico, nos Comuns. Mais tarde, o artista alterou o título para “Parliament devolved“, algo como “Parlamento transferido”. O atual proprietário do quadro adquiriu-o a Banksy, em 2011, segundo a Sotheby’s. Na conta oficial de Banksy no Instagram, após o leilão, apareceu uma mensagem de lamento do artista, por já não ser o dono da obra: “Preço recorde para pintura de Banksy estabelecido esta noite, em leilão. É uma pena já não a ter”. “Keep It Spotless”, vendida em 2008 pela Sotheby’s, em Nova Iorque, foi a obra de Banksy a atingir o valor mais alto em leilão, até agora, ao ser vendida por 1,87 milhão de dólares (1,7 milhões de euros, ao câmbio atual). No ano passado, a pintura a ‘spray’ “Rapariga com balão vermelho”, um dos trabalhos mais conhecidos de Banksy, autodestruiu-se depois de ter sido leiloada por mais de um milhão de libras (1,2 milhões de euros). Banksy, cuja identidade permanece desconhecida, distinguiu-se pelos seus ‘graffiti’ em ‘stencil’ que começaram a surgir em Bristol, no final dos anos de 1990.

c/p aqui

Saturday, December 23, 2017

ALEGRE E OS COMPANHEIROS DA ALEGRIA

O sr. Manuel Alegre opina hoje no Público - Catalunha, uns séculos depois - que

 "Enfim, a Catalunha falou através do voto, por certo o fará mais vezes. Penso que nós portugueses, independentemente das simpatias pessoais, devemos ser fiéis à Constituição da República e respeitar a liberdade de escolha onde quer que ela se manifeste."

Enfim, o sr. Manuel Alegre está baralhado ou pretende baralhar-nos.
Porque, segundo se depreende do que opina, o respeito pela lei constitucional devido pelos cidadãos em regimes democráticos é incontestável em Portugal mas redundante em Espanha. 

A opinião de MA só é relevante porque é parte do coro da extrema-esquerda trauteando a música do coro na direita extrema, a música da nacional-soberania. 
Que os resultados das votações demonstrem que na Catalunha, como no referendo ao Brexit no Reino Unido, o eleitorado se reparta em dois blocos praticamente idênticos, é para eles irrelevante;
Que na Catalunha os independentistas obtiveram maior número de assentos no parlamento mas com um significativo menor número de votos* é para eles irrelevante;
Que, tanto na Catalunha como no Reino Unido, pretendam os secessionistas que um voto apenas é democraticamente suficiente para fixar definitivamente o querer das gerações futuras, é negligenciável.

Que uma eventual independência da Catalunha desencadearia um processo imparável de fragmentação em cadeia da União Europeia, é aplaudida pelos extremos, à esquerda e à direita, 
porque sempre viram e continuarão a ver na União Europeia uma ameaça ao nacional-soberanismo, que é o seu feitiço, percebe-se.  

Que essa ameaça de fragmentação se potencie por outras linhas de fractura, mais notoriamente a leste, para gáudio do sr. Putin, não relembre ao sr. Manuel Alegre e outros companheiros da alegria o assomar do avantesma da guerra entre europeus, em paz apenas há cerca de 70 anos, é repulsivo.

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* Os mesmos eleitores teriam votado nāo à independência por cerca de 150 mil votos de diferença. Cf . aqui

Friday, November 17, 2017

REFERENDO, INSTRUMENTO MAQUIAVÉLICO DOS POPULISTAS


Sobre a consistência da  União Europeia subsistem diversas ameaças, mas a consideração do referendo como instrumento democrático de avaliação da vontade popular pode ser particularmente demolidor de todo o edifício comunitário ainda em construção. 

O referendo que, por escassa margem, tombou para o sim pela saída do Reino Unido e o frustrado referendo na Catalunha que instalou em Espanha, e, por tabela, em toda a União Europeia, para gáudio de Putin e Trump, o fantasma de um retorno de um desentendimento irreversível entre os povos europeus, têm que ser denunciados pelos objectivos que os determinaram: a recusa de alguns em participar num espaço de paz sustentável que, para o ser, tem de ser de comunhão dos mesmos valores primordiais e de solidariedade entre todos os seus povos. 

Entre mais de quarenta apontamentos sobre o tema "Referendo" (para quem a curiosidade for tanta que os queira ler todos, deve clicar no "label" respectivo colocado no fim de cada apontamento) vd. aqui comentários sobre o assunto, em meados de Junho de 2008. Quase uma década depois, mantenho aquilo que, no essencial, foi e continua a ser, a minha apreciação das inconsistências do "referendo" enquanto instrumento de avaliação democrática da vontade popular.



Sobre as prováveis consequências do referendo que veiculou o populismo que desembocou no “Brêxit”, leia-se British politics is being profoundly reshaped by populism publicado no Economist desta semana.

Monday, November 13, 2017

O FAZ DE CONTA QUE É TRIBUNAL


A notícia vinha publicada aqui* há quatro dias mas não perturbou ninguém.
Não admira. 
No reino do compadrio, o tácito compromisso de silêncio dos compadres é regra de ouro da corporação partidária. Da esquerda à direita. 

Entre as entidades públicas a falta de prestação de contas continua impune.
O Tribunal de Contas julga mas não penaliza, é um tribunal eunuco, e a reincidência na falta de transparência dos responsáveis de grande maioria de organismos e serviços do Estado é uma regra que já banalizou o incumprimento sistemático. 
---
* "A grande maioria dos organismos e serviços do Estado continua a não prestar contas públicas sobre a sua atividade, violando não só a legislação em vigor como as mais elementares regras de transparência.
Os planos de atividades para o ano seguinte devem ser apresentados às respetivas tutelas até ao final de dezembro e os relatórios e contas do ano anterior até ao dia 31 de março. Mas até ao final de outubro, de acordo com uma pesquisa efetuada pelo DN a uma lista de 216 organismos, serviços e empresas públicas, só 74 (34,2%) tinham já divulgado o seu relatório e contas do ano passado e 84 (38,8%) o plano de atividades para 2017.
Alguns nem têm qualquer relatório ou plano publicado, outros nem sequer têm site e há outros ainda cujos últimos documentos de gestão publicados remontam a 2010 e 2011.
...
...





Friday, October 06, 2017

O TORCICOLO DE INTELECTUAIS PORTUGUESES


Lê-se aqui que "dezenas de intelectuais e ativistas portugueses (manifestamente de esquerda radical ou extrema esquerda) subscreveram um manifesto em que, sem tomar posição quanto à questão da independência da Catalunha, criticam o que consideram ser a “repressão policial” exercida pelas forças da ordem espanholas no passado dia 1 de outubro".

E não repararam em mais nada.
Neste aspecto não divergem da pesporrência do sr. Nigel Farage quando há dias arengava, pela enésima vez, no Parlamento Europeu, contra a União Europeia, que ele gostaria de ver desmantelada, agora a propósito dos feridos durante os distúrbios de 1 de Outubro em Barcelona. Nem dele nem de todos os que nos extremos políticos  não desistem dos mesmos propósitos.

Custa-lhes olhar para o lado e perceber que o independentismo catalão é uma forma pseudo -democrática de racismo. Aqueles que na Catalunha não pretendem continuar a pertencer à comunidade espanhola estão encapotadamente a dizer a todos os restantes povos de Espanha - galegos, andaluzes, estremenhos, aragoneses, asturianos, cantábricos, murcianos, castelhanos, canarienses, baleares, bascos - que não têm afinidades com eles, talvez porque falem alto demais, ou não se lavem, ou não saibam estar à mesa, ou por qualquer outra razão. 
Ou, hipótese altamente provável, por considerarem que todos os outros são menos capazes, menos organizados, mais madraços, menos empenhados, menos produtivos, enfim, e para resumir, mais pobres.  E aí é que está o ponto mais dorido da questão catalã: eles, à imagem e semelhança daqueles que  norte europeu se sentem desconfortáveis com os que habitam no sul, pretendem encaixar os ganhos sem participar nos custos da pertença a uma zona económica que só pode subsistir se houver liberdade de trânsito de capitais, mercadorias e serviços mas também de pessoas. 

O que é espantoso, ou talvez não tanto, considerando a extrema mobilidade ideológica entre os extremos, é que posicionando-se a esquerda radical em posição extremamente crítica do egoísmo que vem do norte não veja, neste caso do independentismo catalão, nenhuma forma egoísta, de recusa de solidariedade da Catalunha, rica, relativamente, por exemplo, à Andaluzia, mais pobre. 

Será que um dia esta mesma incapacidade para mover o pescoço se manterá se, e quando, o norte de Itália recusar a nacionalidade italiana para não suportar o fardo da Calábria?

E os bascos?
Que farão os bascos, onde a guerra terrorista terminou mas o independentismo não, se e quando a Catalunha for independente? 
Porque não agora?, perguntarão eles
E a Córsega?
E a Flandres?

E, porque não, o Algarve? 
E em tantos outros cantos da Europa onde houver europeus empenhados em estilhaçar a União Europeia, em nome de um nacionalismo racista empacotado num independentismo serôdio a navegar contra a corrente num mundo cada vez mais globalizado, mais habitado, mais interdependente. 
A menos que a guerra reduza drasticamente a espécie humana.
Deve ser esse o objectivo deles, inconformados com pouco mais de 70 anos de paz.

Monday, October 02, 2017

GENERALIZAÇÕES AMORAIS


- Esteve preso por crimes fiscais e branqueamento de capitais e  consegue voltar montado em maioria absoluta! Não é estranho?
- Estranho, porquê?
- Depreendo que votou nele ...
- Votei, não vou negar que votei, a maioria no concelho votou nele.
- Mas não é estranho que tendo sido julgado e condenado, a população do concelho mais rico do país, aquele onde residem mais licenciados e doutorados, não encontre pessoa bastante qualificada para a função sem passagem pela cadeia?
- Ele prevaricou e pagou por isso, não foi condenado por toda a vida. E depois, meu amigo, neste país todos roubam!
- Todos? Não me está a incluir a mim, não?
- Quando digo todos, digo todos os políticos ... 
- Todos mesmo?
- A grande maioria.

Saturday, September 30, 2017

REFLEXÃO

Hoje é dia de reflexão cívica.

No concelho onde resido e estou inscrito nos cadernos, há dois candidatos à presidência da câmara municipal, que disputam a vitória, e centenas de outros candidatos em várias listas em lugares como vereadores, membros da assembleia municipal, presidentes e vogais de juntas de freguesia, membros de assembleias de freguesias. É muita gente, mas não reconheço ninguém nas fotos miniatura que enchem os folhetos que as turmas dos dois principais candidatos me colocaram na caixa de correio.

Desses dois candidatos principais, conheço as promessas e ambos prometem sensivelmente o mesmo:
- redução de impostos;
- melhoria de qualidade no trânsito;
- mais saúde;
- mais segurança;
Que mais posso exigir eu?

Segundo sondagem da Universidade Católica, um dos candidatos à presidência da câmara encontra-se à beira de obter a maioria absoluta. Posso contribuir com o meu voto para o reforço ou redução do absolutismo em perspectiva. Mas o que ganho eu com isso, o que ganha o município com ou sem o meu voto, o que ganha a democracia? Tenho de reconhecer que não ganha nada. Se ambos prometem o melhor dos mundos, e não tendo eu motivos para duvidar das suas intenções nem das suas capacidades para cumprir o que prometem, o meu voto num ou noutro, decidido por moeda ao ar, seria menos democrático do que a minha abstenção. 

Há um conjunto de várias acções que gostaria de ver incluídas nos pacotes de promessas de um qualquer dos candidatos e que, nesse caso, me levaria a votar. Mas a nenhum deles, nem a nenhum dos outros candidatos, ocorreu propor uma, pelo menos uma, dessas medidas, as mais urgentes e importantes das quais se referem a obstáculos de mobilidade viária, que apontei várias vezes já neste caderno de apontamentos.

Quanto às juntas de freguesia repito o que várias vezes anotei neste caderno de apontamentos: considero errada a política, cada vez mais prosseguida e propagandeada de incremento das suas atribuições executivas. Os custos desta política, que considero demagógica, são exorbitantes relativamente aos resultados. 
A Junta de Freguesia onde resido é composta por sete membros, presidente, vogal-substituto, secretário, tesoureiro, três vogais. O quadro de recursos humanos é composto por 25 pessoas, 19 das quais a tempo indeterminado, 2 a tempo determinado, 4 em regime de avença.

Com um orçamento de menos de  1,5  milhões de euros em 2016, o que fez a Junta de Freguesia?
Segundo o relatório, um documento de 167 páginas, emitiu 2583 atestados, cerca de 4 atestados por dia na sede, local com mais actividade que as três delegações, 1,3 licenças de canídeos por dia na delegação mais activa no ramo. Outras actividades: manutenção do cemitério, apoio social a famílias em dificuldade e a outros,  i.e., atribuição de uns patacos, além de actividades relacionadas com a  feira e o mercado, onde não vislumbro que dimensão possa ter qualquer intervenção da junta. 

Reflecti, e já decidi: amanhã não vou votar.

Saturday, September 16, 2017

PELO DIREITO À ABSTENÇÃO*

É incontroverso que o futebol, enquanto fenómeno de excepcional excitação popular, é, de longe, muito mais mobilizador das apetências dos portugueses que os problemas da governação, central ou local, do país.
Desta concorrência resulta, necessariamente, o decréscimo da participação eleitoral se houver eleições em dias de jogos. Será esse decréscimo relevante para os resultados finais?

Parece que não.
Muitos correlacionam democracia com participação eleitoral e, inversamente, menos democracia com aumento de abstenção eleitoral.
Sabemos que não é assim.
As participações eleitorais mais elevadas observam-se geralmente em regimes não democráticos ou de menoridade democrática. Por outro lado, em democracias maduras, a abstenção é geralmente elevada, aproximando-se não raramente dos 50%. 

O voto é um direito não é uma obrigação. A abstenção é, implicitamente, um direito, o direito de não votar, e não uma falha cívica.
A imposição de voto, legal ou dissimulada, é uma afronta aos direitos dos cidadãos.
Se um cidadão prefere ausentar-se da sua área de residência, onde é suposto poder (não, dever) votar, para assistir a um jogo de futebol, ou outra actividade qualquer, ninguém pode negar-lhe esse direito ou sequer recriminar a sua abstenção eleitoral.
Inversamente, a participação forçada, por qualquer meio, ainda que subtil, constitui uma denegação desse direito.
Ocorre-me, a este propósito, o transporte de pessoas debilitadas para as assembleias de voto, transformadas em eleitores geralmente inconscientes do sentido do voto que previamente lhes indicaram.

Nos EUA e no Reino Unido as eleições são realizadas em dias de trabalho e não existem incentivos (dispensa de trabalho, p.e.) para votar.**
Vota quem quer votar, quem está (ou pensa que está) consciente das consequências do seu voto. A abstenção é geralmente elevada mas não é assunto que classifique o nível democrático.

Tem o nível de abstenção influência nos resultados finais?
Em democracias maduras, não.
É facilmente demonstrável que, estatisticamente, uma amostra de 50% é mais do que suficientemente representativa do conjunto total de eleitores.
Se todos votassem os resultados corresponderiam ao padrão votante. 
É verdade que por um voto se ganha e por um voto se perde, a democracia determinada pelo voto popular não é um sistema perfeito mas, como dizia o outro, é o pior regime com excepção de todos os outros. 

Resumindo: O futebol (como a missa ...) influencia a participação eleitoral? Sim.
Daí resulta um enviesamento da genuinidade dos resultados? Não.


Salvo melhor opinião.

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* Comentário colocado aqui
** Ressalva-se a possibilidade de os eleitores norte-americanos depositarem o seu voto antes do dia das eleições. 

Wednesday, July 26, 2017

O QUE FALHOU EM MAÇÃO?

Há um mês ouvi, em entrevista de um canal de televisão, o coordenador da Protecção Civil Municipal de Mação informar que, tendo sido o concelho devastado por incêndios pavorosos no passado, tinham sido adoptadas medidas e instalados meios para enfrentar novas ameaças que pudessem vir a ocorrer.

Transcrevo parte de um artigo publicado a 24 de Junho no Jornal de Notícias sobre o mesmo assunto:

"Com um longo historial de incêndios e mais de 120% (?) do território fustigado pelos fogos nas últimas décadas, o concelho de Mação desenvolveu um conceito de reordenamento do território florestal e deu armas de defesa e combate às aldeias.
Em declarações à Lusa, António Louro, coordenador da Proteção Civil Municipal, disse que Mação fez distribuir dezenas de motobombas por todas as aldeias do concelho, "para um primeiro combate enquanto os bombeiros não chegam", e criou o sistema McFire, ferramenta informática que permite levar a informação sobre a zona de combate para o posto de comando e monitorizar o desenvolvimento do fogo em tempo real.
Com mais de uma centena de pequenos aglomerados populacionais espalhados pelos 41 mil hectares do território de Mação, essencialmente florestal, o objetivo da distribuição de motobombas é "dar alguma capacidade de autoproteção às populações das aldeias mais isoladas", tendo a autarquia promovido ainda a criação de grupos de autodefesa."

Hoje, informa o Diário de Notícias que, em Mação, 

"Perto de 20 mil hectares já terão ardido no concelho de Mação, no distrito de Santarém, afirmou hoje o vice-presidente da Câmara Municipal, António Louro, referindo que há "cinco a sete casas" de primeira habitação destruídas.
Área ardida corresponde a quase 50% da área total do concelho. Vila de Mação pode ser confrontada com as chamas nas próximas horas".

Entretanto, o que mais tem mobilizado a eterna querela entre partidos, neste caso a propósito dos fogos florestais, tem sido o exacto número de pessoas encaminhadas para a estrada da morte em Pedrogão Grande ... 
Não porque sejam inconscientes do ridículo dos seus argumentos mas porque na caça aos votos não os impede o país a arder.