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Wednesday, September 06, 2023

NÃO PERCA AGORA, POR APENAS TAEG 22,4%!!! AMANHÃ SERÁ MAIS ALTA!

 

                 

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O que é a TAEG? O Banco de Portugal explica, aqui. 

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É assim que se endividam as famílias ...

Ninguém é obrigado endividar-se! As pessoas são maiores, sabem o que fazem.

Também os consumidores de droga.

É diferente.

Talvez seja, mas, no fim, dará no mesmo: a ruína das famílias 

---- Correlacionado

FÉRIAS MAIS LEVES EM JULHO DE 2010 



Friday, September 01, 2017

O CALCANHAR DE CENTENO 2


O Banco de Portugal divulgou hoje aqui a evolução recente da Dívida Pública até ao fim de Julho.
Voltou a aumentar, rondando agora os 250 mil milhões.
Líquida de depósitos, a DP era de 230,3 mil milhões, 
Nuno Carregueiro do JN online volta a expressar aqui, em gráficos muito elucidativos, a evolução desse crescimento, que parece imparável. Parece ou é?
Enquanto a taxa de crescimento económico nominal for inferior à taxa média de remuneração da dívida, e é essa a situação previsível até ao fim do ano, cifrando-se a diferença em mais de um ponto percentual, a dívida em relação ao PIB continuará a subir, salvo se o saldo primário fosse suficientemente positivo para pagar a factura dos juros e amortizar dívida. Mas não vai ser.

Mas o ministro M Centeno afirmou, cf. aqui, que a dívida pública irá baixar até ao fim do ano dos actuais 132 vírgula umas décimas para os 127,9% estimados pelo Governo. 
A evolução da DP relativamente ao PIB é a prova ácida da gestão das finanças públicas, sobretudo quando, como é o caso, os níveis atingidos tornam a sua contenção muito dependente de factores externos.
Para que a relação entre a Dívida Pública e o PIB seja reduzida em cerca de 4,5 pp até ao fim deste ano (de eleições autárquicas) forçoso se torna que o ministro tire da cartola um extraordinário par de coelhos. Aliás, nada que não tenha sido recurso recorrentemente usado pelos vários governos, umas vezes por indisciplina grossa na gestão das finanças públicas outras, sobretudo desde 2008, porque as colisões bancárias têm provocado, e continuam a provocar, grossos rombos nos cofres públicos.

" ... a pressionar em alta (o endividamento público em Julho) também esteve o "acréscimo de empréstimos no montante 0,1 mil milhões de euros, resultante do aumento de empréstimos junto de bancos residentes, com destaque para o acordo assinado entre o Estado e o Banco Santander Totta respeitante aos contratos de derivados com empresas públicas de transportes (2,3 mil milhões de euros)" - cf. aqui.


Como é que M Centeno vai descalçar esta bota?

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Correl . Hoje às 21,40 - Depois da Fitch, ontem foi a Moody’s a pôr a dívida em outlook positivo”. Agência só quer menos défice e dívida, e retoma ampla. - cf . aqui

Friday, December 09, 2016

DRAGHI NÃO CHEGA PARA AS ENCOMENDAS*

Concordo com a leitura que faz da mensagem de Draghi.

Draghi tem desempenhado com bastante competência e ousadia quanto baste para manter em funcionamento a caranguejola europeia. Tivesse sido o seu antecessor menos atento venerador e obrigado ao diktat alemão e o desastre das dívidas soberanas europeias não teria atingido, irremediavelmente, os níveis desastrosos que atingiu.

Em resumo: Draghi tem cumprido e promete continuar a cumprir.

Mas o cumprimento de Draghi não chega para as encomendas, que a outros competiria cumprir mas não cumprem. E a Europa, atingida de novo pelo vírus nacionalista, com agressivas estirpes racistas, que a destruiu na primeira metade do século passado, é outra vez o mesmo sonâmbulo a caminho do abismo.

O grotesco da ironia deste destino europeu avalia-se na esperança depositada na chanceler alemã continuar no posto e conseguir reunir os cacos que, no passado recente, a sua liderança política, ou a do seu ministro das finanças causaram. Afinal, se não for ela, quem pode ser?


Draghi faz o que pode e sabe fazer. Mas não chega para curar a Europa da furunculose que ameaça cobrir-lhe o corpo todo.   

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* Comentário colocado aqui

Friday, August 28, 2015

FOI VOCÊ QUE PEDIU 2% DE INFLAÇÃO?

Os banqueiros centrais de meio mundo não sabem por onde ela se meteu.
É o que se depreende da notícia publicada hoje, aqui, no WSJ : Central Bankers Rethink Views on Inflation.

"Os banqueiros centrais já não estão seguros da forma como evolui a inflação. Não caiu tanto quanto era esperado durante a crise financeira, quando a economia vacilou e o desemprego subiu; não subiu tanto quanto eles previram quando a economia  recuperou e o desemprego baixou.  
O enigma é um grande desafio ao modo como os banqueiros centrais pensam que conhecem o mundo e a sua capacidade para realizarem o seu trabalho. Como podem eles saber quando devem subir ou descer as taxas de juro se o seu objectivo é provocar o aumento ou a descida dos preços?

Janet Yellen, Presidente da FED, tinha, não sei se continua a ter, a intenção de propor a subida a taxa de juro. Uns aplaudem, outros, entre os quais Krugman,  consideram que seria um erro enorme.  
De Draghi, não reza a notícia o que pensa.



Todos os anos, no mês de Agosto, os banqueiros centrais voam para Jackson Hole, um nome apropriado para um vale estreito entre montanhas a varar os céus, à procura de inspiração.

Sunday, January 18, 2015

PODE SALVAR-SE A EUROPA COM A DESVALORIZAÇÃO DO EURO?



O euro celebra este mês o 16º aniversário e a  pergunta é colocada aqui, numa altura em que a cotação da moeda única europeia contra o dólar atingiu o valor mais baixo ($ 1,15512) nos últimos dez anos. A inesperada decisão do Banco Nacional da Suiça tomada na passada quinta-feira de abandonar a intervenção no mercado de divisas iniciada em meados de 2011, veio confirmar a antecipação de uma desvalorização inevitável com o anunciado programa do BCE de aquisição de dívida pública de menor risco. 

Pode esta desvalorização ajudar à reanimação das economias europeias, e não apenas as da zona euro considerando a colagem da generalidade das outras moedas ao euro, e, mais alargadamente, à economia global? Não é garantido. E não é garantido porque, apesar da desvalorização da moeda única ser, praticamente, agora a único mola capaz de funcionar no ambiente estagnado em que se deixou cair a Europa, as probabilidades de sucesso, segundo os analistas citados no artigo que refiro, são indecisas.

Em todo o caso, a desvalorização do euro vai, certamente, proporcionar às exportações portuguesas ganhos, transitórios como todos os ganhos de competitividade monetária. Tendo, por outro lado, caído as cotações do crude para níveis não previsíveis há alguns meses atrás, o efeito da desvalorização sobre as exportações e importações portugesas será significativamente positivo. Será? Ou seria? As últimas notícias sobre as restrições de Angola às importações de Portugal é um dos vários factores que podem afectar negativamente algum optimismo das expectativas.

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Correl . - The eurozone : a strained bond


Wednesday, September 17, 2014

OH! MAMA DELA

A taxa de inflação na Zona Euro em Agosto situou-se, vd. aqui, em 0,4%, bem abaixo do "target" do BCE (2%) mas ligeiramente melhor que a primeira indicação (0,3%) publicada no fim do mês. As economias europeias continuam globalmente estagnadas e até a Alemanha está agora atolada na situação resultante das medidas de combate à crise que tem quase intransigentemente liderado. E digo quase, porque o sr. Draghi tem-se aventurado na conquista de um espaço de manobra que os estatutos do BCE, numa interpretação restritiva, não lhe consentiriam. Se alguém até agora segurou o euro, a Draghi deve ser reconhecido o papel mais relevante, se não único, nessa missão, tanto mais que, segundo Berlim, essa tarefa não lhe foi encomendada nem consentida. Se alguém ou alguma coisa aliviou os juros das dívidas públicas dos mais endividados com as suas declarações (aplicando uma receita dos manuais a que Berlim torce o nariz) foi o que disse Draghi. 

E agora? Recuperará a Europa com o sr. Junker em Berlaymont?  É duvidoso. De índole conciliadora Junker não parece capaz de imitar Draghi na conquista de um espaço de intervenção que o torne não subalterno do diktat alemão até porque a sua capacidade depende da dimensão do orçamento comunitário e este depende das contribuições dos estados membros onde a Alemanha é maioritária. 

É esta falta de confiança num futuro próximo liberto da anemia que se apossou das economias europeias em vésperas de mudança dos orgãos da União Europeia que justifica (não me apercebo doutras razões) a contínua procura de refúgio de capitais na Alemanha. Lê-se aqui, no Expresso online desta tarde, que investidores aceitaram pagar para ter dívida alemã a dois anos. Dito de outro modo, a Alemanha volta a ganhar dinheiro com os empréstimos que contrai; não só não paga juros como ainda recebe um prémio pelo favor de receber os dinheiros que lhe emprestam. Que grande mama!

Mas, é da lei da física das leitarias, mais dia menos dia, a mama acaba-se. Se Junker & Companhia não ajudar, Draghi não faz milagres, e a União Europeia desmantela-se por falta de coesão das massas do edifício.

Thursday, April 03, 2014

O PODER DA PALAVRA DE DRAGHI

Quando Draghi afirmou em Julho de 2012 que "faria tudo para defender o euro, e que, acreditassem, isso seria suficiente", provocou o início do recuo da galopada dos juros implícitos das dívidas soberanas dos países mais fragilizados nos mercados secundários. Hoje, disse que a compra de dívida pública e privada, conhecida como "quantitative easing" (programa de expansão monetária), tinha sido discutida na reunião do Conselho de Governadores, existindo unanimidade em torno da necessidade de utilizar mais medidas não convencionais tendo como objectivo lidar com um longo período de inflação baixa, ou, dito de outro modo, evitar a deflação na zona euro. E a confirmação da tendência de queda dos juros manifestou-se imediatamente.

Nada de imprevisível. Sabe-se que os países financeiramente mais fragilizados pagaram com língua de palmo o preço da ausência de um banco central na zona euro com capacidade para eventualmente intervir como financiador de último recurso. E foram os efeitos perversos de uma política monetária manifestamente desagregadora da União, que fustigou os mais débeis e favoreceu os mais ricos - a Alemanha, entretanto, financiou-se a taxas negativas com capitais refugiados em consequência daquela política -, ameaçando a implosão da zona euro há dois anos atrás e, agora, a uma crise deflacionista na União Europeia, que permitiram a Draghi ganhar espaço de manobra junto dos guardiões do Bunbesbank. 

Gavyn Davies, multimilionário (ex-Goldman Sachs, ex-BBC, entre outras posições confortáveis) comentou há duas horas atrás, no FT, como habitualmente, as declarações de Draghi. "ECB adresses the lower bound" vale bem uma leitura atenta. Vindo de quem vem, a opinião de G Davies poderá soar suspeita aos ouvidos de alguns. Mas é difícil não concordar com as suas afirmações finais: "Subsistem ainda muitos riscos... E o QE poderá não funcionar  em algumas situações... No entanto, o BCE atravessou um outro Ribicão. É difícil imaginar Jean-Caude Trichet a proferir as palavras que o sr. Draghi disse hoje."

Discute-se muito se no próximo mês Portugal optará por uma saída de cabeça ao léu ou com chapéu de chuva, mas é uma conversa de impotentes porque os factores decisivos são dominados a partir de Berlim. 
E Frankfurt, segundo parece agora. 

Monday, November 11, 2013

INFLAÇÃO QB, PRECISA-SE

A zona euro precisa de níveis de inflação menos baixos. Quem o diz é Wolfgang Münchau, o irrequieto analista alemão do Financial Times, especialista em temas económicos europeus, incansável na procura de soluções que possam salvar o euro para salvar a Europa. Num artigo publicado hoje no FR - The eurozone needs to get inflation up again - Münchau começa por mostrar-se surpreendido que a decisão do BCE de redução das taxas de juro, contra a posição do Bunsdesbank, tenha sido uma surpresa para a generalidade dos analistas e agentes financeiros.
 
Na origem da decisão do BCE está a queda dos preços para níveis que, até recentemente, Mario Draghi não vislumbrava que pudessem ocorrer se não a médio e longo prazo. Para além da descida das taxas de juro dos empréstimos (manteve as taxas de juro dos depósitos), o BCE assumiu a garantia de liquidez ilimitada do sistema até Julho de 2015, criando, deste modo, um teto à subida das taxas. Por tabela, a decisão do BCE só pode vir a beneficiar a transição da gestão da dívida pública portuguesa para o pós-troica sem que, evidentemente, resolva só por si a questão da sua sustentabilidade.
 
O fantasma da inflação continua a apoquentar a sociedade alemã e as propostas de Münchau (estas e outras) continuam a ser geralmente rejeitadas pela opinião pública do seu país, que, obviamente, condiciona as posições políticas do governo de coligação, qualquer que seja o parceiro da CDU de Merkel, relativamente às políticas de maior integração europeia.
 
Resultarão deste ensaio resultados que reanimem as economias europeias, e sobretudo as financeiramente mais fragilizadas, e convençam os alemães que a inflação pode ser um factor virtuoso sem risco de se tornar incontrolável? Não sabemos. O que sabemos é que enquanto o espectro da inflação pairar sobre as cabeças alemãs a Europa continuará a derrapar para a desintegração.

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A propósito contrário: Maduro, o venezuelano, quer proibir a inflação.
Correl. - A falta que nos faz mais inflação
Inflação na zona euro em terreno negativo

Monday, June 24, 2013

E SE OS JUROS SOBEM?

A evolução das taxas de juro efectivas (yields) das dívidas soberanas dos países do sul da Europa tem sido um dos poucos resultados apresentados como sucesso das políticas fiscais e monetárias adoptadas pela União Europeia, e, muito em particular, na zona euro. Essa evolução, com flutuações que até agora têm provocado reacções de sinais contrários consoante o quadrante em que se posicionam (simplificadamente, pró ou contra a política de austeridade) os políticos e comentadores da praça, tem, inequivocamente, observado uma tendência decrescente.
A essa tendência se têm agarrado aqueles que acreditam, se confiarmos  nas suas declarações ou opiniões públicas, que o problema da dívida pública é solúvel apenas com a prossecução de uma política de equilíbrio orçamental e do tempo previsto, e entretanto alargado, para fazer inflectir o crescimento da dívida.
Subsistia interminável discussão, e eis senão quando, o senhor Ben Bernanke  o homem incumbido, na qualidade de Chairman da Reserva Federal dos EUA, de informar as decisões de política monetária tomadas pelo board de Governadores que integram o Sistema da Reserva Federal - Fed - espantou os mercados ao anunciar a redução dos estímulos à economia norte-americana, o que, em termos práticos, significa a redução das compras de dívida norte-americana e, consequentemente, a redução da liquidez e o aumento dos juros.
Consequentemente, além de outras convulsões que estas declarações provocaram à volta do mundo,
"Os juros da dívida portuguesa estão esta segunda-feira em forte alta, em linha com o comportamento das obrigações europeias e de outros países, com os investidores a continuarem a reduzir a exposição aos activos de dívida devido aos receios que a Reserva Federal diminua a compra de obrigações." - aqui.
Se para muitos, entre os quais me permito incluir-me, é inviável a inflexão da dívida externa considerando a insuficiência de potencial da economia portuguesa a médio prazo e o custo crescente da dívida, parcialmente bonificado pelas condições dos empréstimos da troica, duvido que reste alguém com um mínimo de conhecimentos de aritmética que continue a acreditar que a inflexão é possível mesmo que a tendência decrescente das taxas de juro se inverta.
Não. Alguma coisa tem de acontecer.
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Wednesday, June 12, 2013

QUANDO A TROICA SAIR

Já muita gente percebeu, mesmo muitos daqueles que nos querem fazer crer no contrário, que  após a prevista saída da troica dentro de cerca de um ano, a situação de soberania limitada  não se alterará significativamente. Por várias razões, a mais decisiva das quais é a impossibilidade de Portugal se lançar do trapézio nos mercados sem rede. A indefinição da situação da união política europeia irá continuar a arrastar-se entre promessas de avanços e ameaças de recuos, a união bancária, o seguro global dos depósitos, a supervisão central do sistema financeiro, se progredirem nas reuniões continuarão adiadas sine die. A esperança numa mudança radical da atitude alemã perante as crises dos outros a partir das eleições gerais de Setembro é tão mirífica quanto as expectativas goradas na eleição de Monsieur Hollande.
 
Se a evolução do contexto europeu não é prometedora de avanços significativos na integração política, receando os outros, mais declaradamente o Reino Unido e a França,  a ameaça de uma hegemonia alemã e os alemães um contágio inflacionista de uma convivência que não possam controlar com os países, do seu ponto de vista, indisciplinados; se a situação económica na Europa continuar deprimida pelo contexto de indefinição política que continua a erodir as instituições da União; se a evolução da situação económica em Portugal não se perspectiva capaz de gerar riqueza suficiente para quebrar a progressão incontrolada da dívida, se as receitas extraordinárias resultantes de privatizações não contrariaram o crescimento de endividamento público, e o que sobra é muito menos representativo; se a instabilidade social se agrava à medida que a resistência à crise se esgota, desanimando o investimento, - qual a probabilidade de Portugal ir aos mercados e sustentar-se sem o apoio da troica?
 
Nenhuma.
Se, dentro de uma ano, a troica sair, na melhor das hipóteses será o BCE que ditará as regras para manter a rede sem a qual Portugal se estatelará sem apelo nem agravo. Portugal, dentro ou fora da zona euro, só poderá reerguer-se se produzir mais. O problema de Portugal não é o consumo excessivo, ainda que sejam por demais evidentes sinais de algum desregramento público e privado, o problema é a insuficiência produtiva que decorre da insuficiência de investimento produtivo. E este não acorre onde o contexto social apresenta crispações evidentes, onde o consenso é repelido pela ânsia partidária generalizada de chegar ao poleiro, mesmo nos degraus inferiores da capoeira*. Onde democracia em situação de crise dramática é entendida como confronto ideológico e não procura de plataformas do entendimento essencial ao investimento produtivo.
 
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* Repito-me: a plantação intensa por todo o país de outdoors gigantes promovendo as caras dos candidatos  às autárquicas de Setembro/Outubro é sintomática desta ânsia desmedida de poder a conquistar pela propaganda partidária. Quem paga e para quê tamanho estendal? Os contribuintes pagam 42 milhões via OE, e o resto por outras vias. A reforma administrativa do país prevista no memorando de entendimento resumiu-se a quase nada. Também neste caso, quando a troica sair continuará tudo na mesma como quando entrou.
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Correl . - Cavaco pede à Europa que autorize regime fiscal especial para o sector exportador português
O Tribunal Constitucional alemão está analisar a legalidade do programa de compra de dívida do Banco Central Europeu (BCE), um plano decisivo para Portugal regressar aos mercados e conseguir financiar-se no período pós-troika, conta esta quarta-feira o Diário Económico. - vd aqui 

Monday, May 20, 2013

ONDE DEVE HAVER AUMENTOS DE SALÁRIOS

Em Portugal ou na Alemanha?
É de admitir que, sobre o assunto, hoje muita gente já tenha mudado de ideias em Portugal. Ainda assim, as reivindicações das organizações sindicais têm como objectivo natural melhores condições salariais, qualquer que seja a forma como elas se traduzam.
 
Paul Krugman, que a si mesmo se considera um liberal, o que na tradição norte-americana se traduz por esquerda política, escreve hoje em "The conscience of a liberal" a propósito dos salários alemães e da competitividade da economia portuguesa. Depreende-se do início do apontamento de Krugman que a questão lhe foi suscitada por um debate encurralado entre  Ryan Avent, Tyler Cowen e  Karl Smith sobre até que ponto uma política mais expansionista do BCE pode ajudar a recuperação dos países periféricos.
 
Segundo Cowen, uma tal política expansionista teria um efeito inflacionista na Alemanha e não determinaria um boom em Portugal. Krugman concorda com Avent e Smith que Cowen não está a ver o ponto crítico da questão ao focar a sua atenção sobretudo no nível de concorrência directa entre Portugal e a Alemanha e na dimensão das exportações portuguesas para a Alemanha. O que é mais relevante, segundo Krugman, é o facto de Portugal e Alemanha terem uma moeda comum e o que acontece na Alemanha influencia o valor dessa moeda (o euro) relativamente a outras moedas.
 
Afirma Cowen que um aumento dos salários na Alemanha resolve, quanto muito, um dos principais problemas da zona euro, corrigindo os preços relativos entre Portugal e a Alemanha mas isso teria menos impacto do que a redução dos salários nominais, demasiado altos, em Portugal.  
 
Pergunta Krugman: Os salários nominais são demasiado altos relativamente a quê? Um valor real resulta da comparação de dois valores nominais. E a resposta é clara: são demasiado elevados relativamente aos salários alemães. Argumenta Cowen que é pouco relevante a concorrência entre as economias portuguesa e alemã. Pois é. Mas imagina, Cowen, que os salários na Alemanha aumentam 20%. Imediatamente o euro desvalorizar-se-ia contra outras moedas, nomeadamente o dólar. E, consequentemente, as exportações portuguesas tornar-se-iam mais competitivas em todo o lado, e não só na Alemanha e restantes membros da zona euro. 
 
Ora isto, conclui Krugman, implica determinadas obrigações para a Alemanha, quer os alemães queiram quer não.
 
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Acontece que nem Frau Merkel quer (ou pode) concordar com Krugman nem o senhor Arménio Carlos com Cowen. De qualquer modo, há muito mais variáveis para além do valor do euro na equação da competitividade da economia portuguesa. Desde logo a insuficiência de potencial de crescimento no caso de uma eventual desvalorização do euro. Resumir a avaliação dos factores de competitividade da economia portuguesa ao valor relativo da moeda de transacção permite encontrar um (transitório) bode expiatório mas ignora os seus pontos mais débeis. O excessivo enfoque geralmente dado à competitividade monetária prejudica a análise dos constrangimentos reais da competitividade global da economia portuguesa.

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Há, porém, um efeito, cujo impacto seria muito relevante, de uma eventual onda inflacionista controlada, duradoura: o de resolver o problema das dívidas soberanas.  
 

Monday, October 15, 2012

ASSIM IRÁ O MUNDO, SE NÃO FOR PIOR



As projecções do FMI da evolução do crescimento da economia mundial em 2012 e 2013,  reveladas no seu relatório deste mês revêem em baixa as estimativas do relatório anterior. Ainda assim, as previsões apresentadas suportam-se num conjunto de pressuspostos que poderão não se verificar e tornar pior a realidade que a previsão.
 
É neste contexto deprimido em que de todos os quadrantes políticos se ouvem alertas para as consequências desastrosas da contracção pela austeridade a todo o custo que o governo português ainda discute a esta hora o conteúdo da pen que logo à tarde vai entregar à presidente da Assembleia da República. Se nada de muito inesperado vier a ser revelado na proposta de OE relativamente ao que tem vindo a ser badalado nos últimos dias, não se vislumbra como poderá Portugal escapar a uma recessão no próximo ano mais profunda que a deste ano.
 
Se para prevenir uma contracção das receitas resultantes de uma recessão superior ao previsto o governo se resguarda num reforço da carga fiscal o resultado final não pode deixar de ser uma catástrofe superior à orçamentada.
 
A economia portuguesa não pode deixar de continuar a ajustar os seus custos de produção para recuperar competitividade e voltar a crescer. A passagem de uma economia dual, com um peso significativo de actividades de baixa tecnologia, para uma economia tecnologicamente avançada não é obra que se construa de um dia para o outro. A absorção de desempregados da construção civil e obras públicas, que não vai reanimar-se senão a longo prazo, dos jovens à procura do primeiro emprego, é um problema que não tem solução imediata.
 
Infere-se daqui que a alternativa à austeridade, que a generalidade dos analistas considera ter atingido o seu máximo de tolerância social e de eficiência económica, só pode encontrar-se na redução dos juros e da dívida. Enquanto uma parte excessiva do produto for canalizado para o pagamento do serviço da dívida, mais austeridade só pode conduzir a mais dívida.
 
A concessão de um adiamento de um pagamento pode dar uma folga às costas do devedor mas não lhe retira a carga das costas se ele não tiver capacidade para se ir desenvencilhando de parte dela. E a economia portuguesa, sobretudo num contexto globalmente deprimido e o vizinho a contas com os mesmos problemas, além de outros,  não tem. Assim sendo, a sobrevivência do devedor passa, ou pelo incumprimento da dívida, com todas as consequências que essa decisão implica, ou pela renegociação do valor e do custo da dívida.
 
Aos bancos qualquer destes cenários causa náuseas. Mas foram eles os grandes culpados de todo este imbróglio. Christine Lagarde referiu em Tóquio a urgência de reformulação do sistema. Receio que Wall Street continue a não lhe dar ouvidos. Sobretudo se Roomney vencer em 6 de Novembro.
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Correl.- Merkel será bem vinda se vier anunciar a redução dos juros a Portugal
Gaspar apresenta proposta de OE em conferência de imprensa às 18 horas
Portugal precisa de mais austeridade mesmo depois da saída da troica (J M Barroso)
O enorme aumento de impostos abala os partidos
Only big restruturing can save the euro
Lagarde calls for caution on austerity
Enough already with strict austerity in Europe
ORÇAMENTO GERAL DO ESTADO 2013

Friday, September 07, 2012

OS EUROPEUS NÃO EXISTEM

Passou cá, de regresso a casa e à Universidade onde é investigador. Cientista de mérito largamente reconhecido, na casa dos quarenta.

- Como vão as coisas por lá?
- Podiam ir melhor, esperemos que melhorem.
- E quando é que saímos do euro? Os gregos estão prestes a sair, não?
- Não creio. Seria um desastre para eles, e para nós.
- Mas porquê? Desastre é não disporem de moeda própria que lhes permita decidir a política cambial que mais lhe convenha. Fui sempre contra a entrada de Portugal no euro, aliás penso que não deveríamos sequer ter entrado na União Europeia. A União Europeia é uma ficção, os europeus não existem. 
- Albanizávamos-nos, então?
- De modo algum. Portugal é um país rico. Eu nasci em Angola, agora estou aqui, estou a fazer uma boa carreira, tenho família em quase todos os continentes. Veja o que aconteceu em 75. Chegou aquela gente toda e Portugal ganhou outro dinamismo. Hoje há quase cem mil portugueses em Angola. Há mais de duzentos milhões de pessoas que falam português. É com eles que Portugal tem de contar.
- Não penso que possamos deixar de nos integrar na Europa. Aliás, sou favorável a uma federação europeia. E a culpa da situação em que estamos não é do euro, não é da União Europeia. As desvalorizações competitivas nunca originaram um crescimento económico e social sustentado. Veja o caso do Brasil. Só saiu do subdesenvolvimento larvar quando abandonou a política da desvalorização crónica do cruzeiro. 
- Mas são os países que ficaram fora do euro que estão em melhor situação agora: veja o caso do Reino Unido, da Suécia, da Dinamarca, ...
- São em maior número os que estão em boa situação dentro da zona euro. O Reino Unido não está assim tão bem, e as coroas sueca e dinamarquesa flutuam à volta do euro. A Hungria não está no euro e está com problemas sérios, os checos não estão, e estão equilibrados. No nosso caso, a origem do desastre não está no euro mas no endividamento importado (e algum reexportado para a Grécia) pelos bancos que atingiu níveis que nunca deveria ter sido consentido terem sido atingidos. E os bancos sabiam disso, o Banco de Portugal sabia disso, os governos sabiam disso mas convinha-lhes o crédito para comprar os votos com as obras com que enchiam o olho dos eleitores. São eles, os bancos, e muito especialmente o Banco de Portugal, e os governantes, os culpados.
- A União Europeia pagou para se arrancaremas vinhas, para se destruir a frota de pesca e a marinha mercante.
- Não é verdade. Portugal recebeu da UE muitos fundos estruturais. Se houve uma má utilização desses fundos devemos culpar aqueles que em Portugal consentiram os desmandos e as falcatruas na sua utilização. Eu herdei umas vinhas que não tinham dimensão económica competitiva. Abandonei-as sem esperar quaisquer fundos europeus, que, aliás, nem solicitei sequer. Foram abatidos muitos barcos de pesca sem dimensão competitiva. O que fizeram com o dinheiro que a a UE pagou? Investiram em barcos bem apetrechados? Houve apoios a culturas específicas, de girassol, por exemplo. Os institutos responsáveis pelas atribuições dos fundos e controlo das produções viram o que toda a gente viu: Lançadas as sementes à terra, ninguém mais se importava com a seara que morria ressequida. De quem foi a culpa? da UE ou dos serviços incompetentes do ministério da agricultura?
- Mas acha de os de leste ou os do norte da Europa nos ligam alguma, que querem saber de nós. Não. Deveríamos sair do Euro, sair da União Europeia,  e contar com nós mesmos.
- E as dívidas?
- Acabavam-se as dívidas. A Argentina falhou, e veio ao de cima. Os cubanos há muitos anos que contam apenas com eles e têm conseguido. Os portugueses têm de fazer o mesmo. O futuro dos portugueses está nos portugueses, onde quer que eles estejam.
- Discordo. Foi o isolamento, o acantonamento a que a geografia e a história nos remeteram, que nos marginalizou, nos dispensou dos conflitos, dos desafios, dos confrontos, e  nos amoleceu a garra. Não devemos agora esquecer por onde andámos, o nosso passado, a nossa vocação atlântica, mas não podemos deixar de nos integrar na Europa.
- Os portugueses não têm hoje direito a voto em matérias vitais. Segundo um relatório da ONU, recente, Portugal é uma democracia deficiente porque o voto dos portugueses pouco decide. A Grécia vai sair da Europa. E penso que os gregos ganharão com isso. Desde logo porque ficarão novamente senhores dos seus destinos. Hoje não têm capacidade de decidir por eles.
- Se a Grécia sair do euro ...
- e  da União Europeia ...
- Acaba a União Europeia. 
- E, depois? 
- Hum! Os gregos cairão nos braços de Putin?
- Ficam pior?
- Muito pior. E,  se isso suceder assistiremos ao desmantelamento da Europa, à recomposição do bloco russo. À guerra, muito provavelmente.
- Mas a guerra já começou.
- Em certa medida sim.

Mas ainda há tempo para evitar que se precepite num conflito bélico que destruiria mais uma vez a Europa. Foi essa a razão primordial que há cinquenta e quatro anos esteve na origem dos alicerces da União Europeia, um edifício ainda em vias de construção, à espera que pacificamente o terminem, e que não o abanem tanto os projectistas que acabem por o deitar ao chão. Porque, se houver desmoronamento, muitos europeus poderão ficar debaixo dos escombros.

Thursday, July 26, 2012

BIG MAC INDEX


Segundo o último Big Mac Index do Economist publicado hoje aqui o euro estará agora em equilíbrio cambial com o dólar.

Vale o que vale mas, utilizando algumas medidas expeditas, os resultados que tenho obtido conformam-se recorrentemente com este indicador mascote do Economist.

Apesar da desvalorização observada nas últimas semanas relativamente à divisa norte-americana, o euro está ainda acima do ponto de partida e bem longe do seu ponto cambial mais baixo. Não será por este lado que a casa virá abaixo. Pelo contrário, uma correcção do valor do euro relativamente às outras principais moedas e, nomeadamente, relativamente ao dólar, poderá ajudar a resolver os intrincados problemas com que a União Europeia se confronta.

Para Martin Feldstein, professor em Harvard, "uma queda brusca do euro pode salvar a Espanha do colapso". Veja aqui porquê.  

Tuesday, May 15, 2012

O CREPÚSCULO DA UNIÃO EUROPEIA

Paul Krugman ilustrou anteontem a sua previsão de colapso do euro, muito provavelmente no próximo mês, parafraseando o título - Eurodämmerung - da obra de Wagner,  Götterdämmerung, "O crepúsculo dos Deuses", numa encenação simbólica carregada de dramatismo qb para fazer história. 

Segundo Krugman, daqui em diante assistiremos a seis estações no caminho para a liquidação do euro. 

 1.- A Grécia sai do euro, provavelmente já no próximo mês;
 2.- Espanhóis e italianos transferirão largos montantes de dinheiro para os bancos na Alemanha;
 3a.- Talvez possam ser introduzidos controlos, de facto, proibindo a saída de fundos desses países, e limitando os montantes levantados;  
3b.- Alternativamente, ou em simultâneo, largos montantes de crédito serão disponibilizados pelo BCE de modo a evitarem o colapso do sistema;
4a.- A Alemanha tem de escolher entre aceitar mudar de estratégia, permitindo medidas que reduzam os custos dos empréstimos, e, consequentemente,  que a inflação faça o ajustamento possível dos preços na Zona Euro, ou
4b.- Acaba o euro. 

Portugal e a Irlanda são figurantes. Serão os pesos pesados, os protagonistas da sequência do drama.

Alguma coisa a objectar?
Só relativamente ao primeiro passo, aquele que pode desencadear o processo de liquidação do euro e, acrescento eu, muito provavelmente, a dissolução da União Europeia, que pode ser o preâmbulo de mais uma guerra que os fundadores da União quiseram, ao criá-la, prevenir. 

Quero acreditar que os líderes europeus estão muito conscientes das consequências dramáticas, não só no plano económico e financeiro mas sobretudo no plano geoestratégico, que a entrega da Grécia ao seu próprio drama poderia implicar. Venho anotando este ponto há muito tempo neste caderno de notas. Não quero acreditar que os líderes europeus (e norte-americanos) desvalorizem, porque não podem ignorar, esse risco inicial que pode desencadear a hecatombe europeia. 

Quanto ao resto, no texto de Krugman apenas o título é semi original.

Tuesday, May 08, 2012

A EUROPA NÃO SE CURA COM POLÍTICAS MONETÁRIAS

"Monetary policy is no panacea for Europe´s ills", escreve Jens Weidmann, presidente do Deutsche Bundesbank, no Financial Times de hoje. 
 
E não é. Toda a gente sabe que não é, mas Weidmann também sabe que nenhuma cirurgia é prudente se o corpo a ser intervencionado estiver febril. E Weidmann, alinhado com Merkel, não avança qualquer intervenção política para além da medicação que normalize as temperaturas à custa de sangrias, uma terapêutica que, só por si, certamente não curará a Europa.

O texto de Jen Weidmmann não acrescenta nada ao que já se sabe acerca da ortodoxia alemã em matéria de controlo da inflação na Zona Euro. Tudo o resto tem de subordinar-se a este objectivo exclusivo. E o objectivo deste texto é a renovação de um aviso a Hollande, Draghi, Monti, e Rajoy. Em que medida o levarão em conta é o que falta saber para sabermos para onde vai a União Europeia a partir de agora.
 
Cito, resumidamente:

"Agora que os estímulos fiscais atingiram os limites viáveis, as políticas monetárias são vistas frequentemente como o último reduto. Tendo dominado a inflação nas últimas décadas, os bancos centrais têm agora dado substanciais contributos para combater as crises financeira, económica e das dívidas soberanas, e, mesmo assim, pedem-lhes mais. 

O Sistema Monetário Europeu (SME) tem mantido as taxas de juro a níveis reduzidos, injectado liquidez  eefectuado compras de activos em larga escala.

Convém, no entanto, advertir que, contrariamente à muito divulgada ideia, a política monetária não é uma panaceia e o poder de fogo dos bancos centrais é limitado, especialmente numa união monetária. Antes de mais, para proteger a sua independência os bancos centrais na Zona Euro enfrentam evidentes restrições nos riscos que podem assumir.

Por exemplo, se o financiamento concedido pelos bancos não é garantido de forma sólida, os riscos serão pagos pelos contribuintes nacionais. Ora esta transferência implícita está fora das competências dos mandatos dos bancos centrais da Zona Euro. O resgate dos bancos através de impostos pagos pelos contribuintes só pode ser decidido pelos parlamentos nacionais.

O cumprimento das  regras de estabilidade monetária, muitas das quais fazem parte do tratado europeu, não é uma obesessão  legalista: é a chave da aceitação da união monetária pelos cidadãos europeus. Ignorar estas restrições não é uma solução pragmática e os efeitos das suas violações podem ser corrosivos da confiança na moeda única.     

Depois, quaisquer práticas complacentes no futuro terão de ignorar as lições da crise financeira. (...)
A política de juros próximos de zero combinada com a intervenção em larga escala nos mercados financeiros terá efeitos secundários que serão tanto mais severos quanto maior for o período de administração da droga. 

A investigação sugere que a assimetria de políticas monetárias de ajustamento incondicional, para combater a correcção de um excesso no sector financeiro, encoraja a tomada mais agressiva de riscos. Estudos do Banco para as Compensações Internacionais tem consistentemente sublinhada a necessidade da política monetária ser mais simétrica com o ciclo económico de modo a evitar a produção de desequilíbrios que ponham em causa a estabilidade futura.

Ao mesmo tempo que reduziu as taxas de juro, o SME activou um conjunto de medidas que não se coadunam com o propósito único que lhe está atribuido de manter estáveis os preços e garantir a estabilidade financeira ameaçada pela crise.  De tudo isto resulta que os bancos centrais que, antes da crise, injectavam no sistema níveis reduzidos de liquidez, agora estão a substituir ou a dispensar os investidores privados.

Esta prática cria o risco de alguns bancos se tornarem sobretudo dependentes do financiamento do banco central, reduzindo deste modo o incentivo para as reformas necessárias. Até agora os progressos observados em vários países da Zona Euro têm sido debeis, apesar das experiências das crises financeiras do passado, na Suécia e no Japão, por exemplo, nos ensinarem os benefícios da mudança e os perigos de continuar tudo como dantes. Os regularores devem mantar a pressão no sentido dos bancos reestruturarem os seus capitais,  e expurgar os bancos inviáveis.    
Pelas mesmas razões, se for reduzida a pressão sobre as dívidas soberanas nos mercados abrandam-se as medidas de reequilíbrio das finanças públicas em situação precária.  Os desequilíbrios macroeconómicos detectados e os níveis insustentáveis da dívida pública e privada em alguns estados membros estão na origem da crise actual das dívidas soberanas. O apelo ao políticos para se absterem de tomar decisões impopulares e resolver a crise através de políticas monetárias de facilitação deve ser enfrentado pelos bancos centrais. É portanto vital que não haja ambiguidades acerca da natureza temporária das medidas não convencionais que vêm sendo adoptadas.

Para ultrapassar a crise, as medidas de curto prazo devem ser consistentes com a estabilização a longo prazo em que todos estamos empenhados. (...) A política monetária da Zona Euro é conduzida da união monetária como um todo; uma política expansionista para a Alemanha tem de ser conduzida com outros instrumentos nacionais.

 Contudo, isto também implica que as preocupações acerca de uma política menos expansionista na periferia não devem levar os dirigentes políticos a tomarem medidas que possam por em risco os níveis de inflação na Zona Euro. 
Mantendo como seu principal objectivo controlo da inflação é o primeiro requisito para salvaguardar o mais precioso recurso de um banco central: credibilidade.

Em política monetária, como na vida, serás amanhã o que fizeres hoje. 
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Sunday, February 26, 2012

O PREÇO DA PANQUECA

Clicar nos gráficos para ver melhor

O Economist inventou há uns anos o "Big Mac Index", um indicador medianamente plausível de avaliação da sobrevalorização ou subvalorização das moedas relativamente ao dólar.
Os gráficos, e nomeadamente aqueles que expressam valores económicos, são, para além de sugestivos, apelativos. São, por assim dizer, sexy. É improvável que passem à nossa frente sem lhes darmos uma mirada.
Há dias, o Economist, que publica em cada edição semanal o seu daily chart, comparava os custos dos ingredientes em diversos países para fazer uma (grande) panqueca: 500 grms de manteiga, 1 kilo de farinha, 2 litros de leite, 20 ovos. O resultado é o que consta do gráfico copy/paste acima. Por uns cálculos feitos cá em casa, em Portugal, considerando o câmbio euro/dólar de hoje (1 euro = 1,34 dólares) o custo total rondará os 10 dólares. Só na Holanda e na Índia, restringindo a comparação aos países no gráfico,  se consegue mais barato. Se se considerar a paridade do poder de compra estaremos a par da Holanda.
Quem não acreditar, corrija se faz favor.

Já agora, o mais recente "Big Mac Index" é este:


Então: Vai um "Big Mac" ou uma panqueca?

Monday, January 09, 2012

PETRÓLEO E MISÉRIA



clicar nos gráficos para aumentar


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Dinheiro não é sinónimo de felicidade e petróleo
muito menos.

O índice de miséria (desemprego+inflação) publicado esta semana pelo Economist e o gráfico da localização geográfica das reservas conhecidas de crude publicado hoje no Washington Post confirmam em grande medida isso mesmo: A Venezuela é o segundo país com mais elevado índice de miséria, sendo o segundo com as mais elevadas reservas de petróelo; o Irão, em terceiro lugar em reservas petrolíferas é também terceiro na escala da miséria.

Em geral, o índice de desenvolvimento humano (PNUD/ONU) nos países árabes, onde se encontram as maiores reservas mundiais de crude, não corresponde ao seu posicionamento no ranking da riqueza, quase exclusivamente proporcionada pelo petróleo. Já a Noruega, que ocupa o primeiro lugar no ranking do PNUD, não deve o lugar ao petróleo do Mar do Norte mas a dádiva natural ajudou muito.

Em Portugal o índice de miséria será hoje de 16% (13+3 ?), sensivelmente ao nível da Rússia (33º. lugar num conjunto de 92 países), pior que o Brasil. Aproximadamente,ao mesmo nível do Brasil, segundo este indicador,  estarão o Reino Unido, os EUA e a China.

Comparações que têm de ser temperadas com outros indicadores: p.e. o apoio social no desemprego nas sociedades ocidentais e o nível de subemprego (estatísticamente, emprego) que prevalece ainda na maior parte da China rural.

Wednesday, December 28, 2011

NAPOLEÃO E JOSEFINA

Guilherme d'Oliveira Martins: Sair do euro condenaria Portugal "à mediocridade" (aqui)
Michael Spence, Nobel da Economia em 2001 afirma que Portugal ou a Grécia poderão querer sair do euro e a UE deve estar preparada (aqui)
Vítor Bento : Sou contra a saída do euro,  mas devemos discutir esse cenário (aqui)

Amaral é a favor (aqui), Martins é contra, Bento também é contra, Michael Spence pensa (ou calcula?) que a saída é provável e que é preciso prepará-la. Uma pequena amostra dos pró e contra a saída de Portugal da Zona Euro.

São muitos os que alinham de um lado ou do outro mas, até hoje, não é conhecido um trabalho que possa orientar uma discussão pública com alguns fundamentos sólidos. Quando Vítor Bento afirma que "devemos discutir esse cenário" não está, certamente, a pensar na generalidade dos cidadãos deste país cujo futuro estará sempre muito condicionado pela unidade de conta do que recebe e do que paga. A generalidade dos cidadãos, perante as posições públicas de pessoas que, em princípio, são melhor informadas, só pode estar confundida. Quem não estaria?

"Precisamos do projecto do euro, não por razões meramente económicas mas por razões políticas. Caso contrário, estaremos condenados à periferia, à mediocridade e à irrelevância", afirmou Oliveira Martins, ministro das Finanças na altura da introdução das notas e moedas do euro (2002) e actual presidente do Tribunal de Contas.

Em entrevista à agência Lusa, Guilherme d'Oliveira Martins diz que, mesmo tendo em conta a crise financeira que agora afecta o país, valeu a pena para Portugal integrar a Zona Euro. "Julgo que não há dúvidas relativamente a isso. Basta ver os números, a evolução no que se refere a grandes tendências de convergência", diz o antigo ministro das Finanças. "Creio que estes dez anos são para celebrar."  Oliveira Martins prevê que o euro será "duradouro", apesar das dificuldades conjunturais e de uma "tendência que pode ocorrer" no sentido da "progressiva irrelevância" das economias europeias. "O projecto do euro não é irreversível, não há nenhum projecto humano que o seja, mas está para durar", afirma o presidente do Tribunal de Contas. "Costumo perguntar aos meus alunos se o euro é uma moeda forte ou fraca; todos me dizem que é forte. É uma moeda respeitada internacionalmente. Esperemos que seja a base para uma economia mais segura."  Oliveira Martins rejeita igualmente a ideia de que voltar a ter moeda própria poderia ajudar Portugal a superar a crise económica. Os efeitos positivos da desvalorização cambial, argumenta, são muito exagerados pelos seus defensores. "Essa política das desvalorizações, que muitas vezes se invoca como espécie de [saída para a crise], não corresponde de modo algum a uma salvação", afirma. Optar por essa via "seria apenas aceitar a periferia e a irrelevância".

Destaco: Segundo o professor Martins, o euro é uma moeda forte porque os seus alunos assim o dizem; Os efeitos da desvalorização cambial são muito exagerados pelos seus defensores; Julga que não há dúvidas que estes dez anos são para celebrar, concluindo-se daqui que o professor Martins não ouve ou não lê o professor Amaral.

Por que não se convoca um conclave de gente competente mas de opinião diferente, sustentados a pão e laranjas até sair fumo branco? Assim, enquanto baralham o cidadão comum, sangram o País. Não percebem isto?

Monday, December 05, 2011

O MILAGRE DA MULTIPLICAÇÃO DOS EUROS*

Tinha de ser numa sexta-feira ao fim da tarde. Eram seis horas em Lisboa, cinco em Ponta Delgada.
Para ser mais preciso, a coisa não aconteceu subitamente, o anúncio do fim vinha a ser anunciado há já largos meses por analistas, economistas ou simplesmente achistas de toda a parte.  A Fitch, um dos três reis tingues, não lhe dignosticara o fim mas, em todo o caso, prevenira que seria avisado preparem-se planos de contingência para a eventualidade. Como? Disse que não sabia.

Após reuniões intensas, os dois do directório não chegaram a acordo para avançar, os outros quinze ficaram sem saber que fazer, os outros dez encolheram os ombros, e como o comboio não podia ficar parado, foram dadas instruções para recuar para a estação anterior. Então, às seis da tarde de sexta-feira, hora de Lisboa, foram conhecidos os procedimentos para  a manobra de recuo e o euro, sumiu-se e multiplicou-se. Como?

Respondem os manuais de procedimentos: A partir de hoje, sexta-feira, pelas seis horas da tarde, todos os registos em euros passarão a ser considerados, pelo mesmo número de unidades, em euros locais. Deste modo, um depósito a prazo, ou à ordem, uma transferência em curso, uma factura a pagar, uma quota a receber, etc., passam a denominar-se em Portugal em euros portugueses. Se o depósito a prazo é de cinco mil euros passará a ser de cinco mil euros portugueses. Em Espanha, a mesma coisa, mas, evidentemente, lá serão euros espanhóis que contam. A quem chegue aqui e comece a considerar esta história sem pés nem cabeça, peço que verifique que dólares há vários: americano, canadiano, australiano, namibiano, hongkonguense, singapurense, taiwanês, zimbabuense, neozelandês.

Como moeda de referência nos pagmentos internacionais volta-se ao euro antes de 2000: um cabaz dos diferentes euros locais, onde o peso relativo de cada euro local no cabaz é proporcional ao peso da economia respectiva. As rotativas ficam autorizadas a trabalhar dentro de uma banda que não desvalorize cada euro local em mais de 20% do valor de referência.

Dito de outro modo, um depósito de cinco mil euros actuais passa a valer em Portugal, muito provavelmente 80 a 85% do euro de referência nos dias seguintes à sexta feira do big down e 50% do euro alemão.

Os euros em notas e moedas (uma ínfima parte da moeda total em circulação) terão a cotação do euro de referência e curso legal enquanto não forem substituidos pelas moedas locais.

Quem ganha, quem perde, com o milagre da multiplicação dos euros, cada um que faça as contas. Eu perco.
Mas, milagre feito não volta a trás.
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*Este texto é mera especulação. Não tem fundamento em qualquer fonte para além da imaginação do autor numa manhã fria e cinzenta.