Showing posts with label zona euro. Show all posts
Showing posts with label zona euro. Show all posts

Wednesday, December 06, 2017

TOUT VA TRÈS BIEN, MADAME LA MARQUISE


"Primero fue la Eurocopa, en enero llegó la ONU, en mayo la Eurovisión y este diciembre el Eurogrupo. Portugal copa los titulares de los medios para incredulidad de los expertos en la materia. Al margen de los éxitos por las habilidades con el balón y con la canción, las direcciones en la secretaría general de la ONU y en el Eurogrupo revelan unos triunfos de la diplomacia lusa que van mucho más allá de su peso económico. En enero António Guterres tomó posesión de la secretaría general de la ONU y este diciembre Mário Centeno presidirá el Eurogrupo, el sanedrín de los ministros de Finanzas de la zona euro..." aqui


"... A líder parlamentar interina do BE duvidou que a eleição do ministro das Finanças português altere a natureza da instituição e o poderio alemão. "A pergunta que os portugueses fazem é se será Mário Centeno, por ser português e pertencer ao PS, pode fazer a diferença nesta instituição que só tem representado ataques à democracia e mais austeridade. Entendemos que prevalece a natureza da instituição", disse Mariana Mortágua, que falava aos jornalistas no parlamento.    O PCP considerou que a eleição nada traz de positivo para Portugal e advertiu que combaterá eventuais tentativas do Governo de acentuar restrições ao investimento público. "O PCP alerta para o uso que o Governo do PS, no quadro das suas opções e em sintonia com as do PSD e do CDS, venha a fazer desta decisão para acentuar a recusa ou limitações às medidas necessárias ao desenvolvimento do país", afirmou o eurodeputado comunista João Ferreira. O Partido Ecologista "Os Verdes" (PEV) reagiu "sem surpresa", alertando que Portugal não deve sujeitar-se a uma "submissão maior" à União Europeia. "Os Verdes reiteram a sua preocupação, no sentido de que esta eleição não venha a representar, em qualquer circunstância, uma submissão maior à União Europeia e aos condicionamentos da Zona Euro, o que, a acontecer, seria profundamente negativo para Portugal", lê-se num comunicado do PEV."aqui


Friday, December 01, 2017

DURÃO E CENTENO



Para mim é óbvio que ... "Durão Barroso aceitou o cargo (presidente a Comissão Europeia) porque este é mais aliciante e menos problemático do que o que aqui detinha; o interesse de Portugal é, obviamente, secundário. Santer foi uma grande honra para o Luxemburgo? Prodi foi uma grande honra para a Itália? Não foram." - Jul 2004 / aqui

Mais tarde, ficámos a saber que Durão Barroso, se superou os seus antecessores foi em proveito próprio, e, por esse motivo, foi altamente criticado.


Centeno é candidato e, muito provavelmente, será nomeado presidente do Eurogrupo. 
É bom ou não?
As respostas divergem mas, geralmente, suscitam outra pergunta: bom ou mau, para quem?
Para Centeno será, certamente, bom, na medida e que lhe dará projecção internacional e pode garantir-lhe um eldorado que, em Portugal, muito dificilmente atingiria.
E, para Portugal?

Para Portugal alinho com aqueles que consideram que, enquanto coordenador das actividades de um grupo, e Centeno, a confirmar-se a sua nomeação, não terá competências determinantes nas decisões do colectivo de ministros das finanças da zona euro terá, pelo contrário, mais dificuldades em defender os interesses portugueses naquele forum.
Por outro lado, as obrigações decorrentes do cargo no Eurogrupo diminuirão, necessariamente, as suas disponibilidades de tempo e atenção para as suas responsabilidades enquanto ministro.

Resumindo: Haverá diferenças salientes entre a deserção, por ambição, de Durão e a dispersão, por ambição, de Centeno. Mas, no essencial, repesco o meu comentário de 6 Julho de 2004 à desastrada  passagem de Durão Barroso para Santana Lopes treze dias depois. 

O governo de Santana Lopes cairia daí a cinco meses. Espera-se que os portugueses não esqueçam isto. 

Sunday, March 12, 2017

ANDAM TODOS A ASSOBIAR PARA O AR?

Há cerca de três semanas, anotei aqui  a minha tímida desconfiança sobre a consistência do anúncio do défice das contas pública de 2,1%, em 2016, o mais baixo em democracia, que nos libertaria do jugo do PDE, Procedimento por Défice Excessivo:

"O anúncio, à espera de confirmação pelo Eurostat, que, à última hora, geralmente acaba sempre por desacertar-nos as contas, de que o défice do ano passado teria ficado em 2,1%, não mereceu reparo da oposição à direita, que prefere continuar a assobiar para o ar o tiroliroliro dos sms trocados com o sr. Domingues, enquanto, não surpreendentemente, o BE critica o governo por não ter gasto tanto quanto poderia ter gasto se não tivesse exagerado nos cortes para situar o défice abaixo das exigências de Bruxelas. "

Na edição de ontem do ECO, a jornalista Margarida Peixoto confronta as posições contraditórias do primeiro-ministro a propósito das eventuais consequências das perdas da Caixa no défice das contas públicas. E a questão que se levanta aqui é a omissão do ministro das Finanças sobre o assunto quando anunciou o défice do ano passado. Uma omissão tanto mais grave quanto  é certo que ficámos a saber na quinta-feira que os prejuízos da Caixa em 2016 ficaram aquém daqueles que tinham sido previstos pela administração anterior que preparou, apresentou e conseguiu obter a aprovação de Bruxelas para a recapitalização da Caixa sem reflexos no valor do défice, segundo foi tornado público. 

Se tudo isto era conhecido,  e foi tornado público, como se explica que o INE e o Eurostat só irão analisar o impacto da recapitalização da CGD no défice das contas públicas nunca antes do fim deste mês de Março? Que a oposição tenha assobiado para o ar, compreende-se, porque parte dos prejuízos acumulados também ocorreu durante os seus quatro anos de governo,  mas o atraso de Bruxelas só pode explicar-se pela confusão de critérios que estão, e sempre estiveram, na origem dos incidentes financeiros que abalaram a União Europeia e, sobretudo, a Zona Euro. 


Friday, December 09, 2016

DRAGHI NÃO CHEGA PARA AS ENCOMENDAS*

Concordo com a leitura que faz da mensagem de Draghi.

Draghi tem desempenhado com bastante competência e ousadia quanto baste para manter em funcionamento a caranguejola europeia. Tivesse sido o seu antecessor menos atento venerador e obrigado ao diktat alemão e o desastre das dívidas soberanas europeias não teria atingido, irremediavelmente, os níveis desastrosos que atingiu.

Em resumo: Draghi tem cumprido e promete continuar a cumprir.

Mas o cumprimento de Draghi não chega para as encomendas, que a outros competiria cumprir mas não cumprem. E a Europa, atingida de novo pelo vírus nacionalista, com agressivas estirpes racistas, que a destruiu na primeira metade do século passado, é outra vez o mesmo sonâmbulo a caminho do abismo.

O grotesco da ironia deste destino europeu avalia-se na esperança depositada na chanceler alemã continuar no posto e conseguir reunir os cacos que, no passado recente, a sua liderança política, ou a do seu ministro das finanças causaram. Afinal, se não for ela, quem pode ser?


Draghi faz o que pode e sabe fazer. Mas não chega para curar a Europa da furunculose que ameaça cobrir-lhe o corpo todo.   

---
* Comentário colocado aqui

Wednesday, July 15, 2015

ENROLANDO

 c/p de aqui

De onde virá o dinheiro para o 3º. resgate à Grécia?

- 16,4 mM de milhões de euros do FMI
- 65,5 mM do Mecanismo de Estabilidade Europeu
-   2,0 mM de privatizações
-  4,5  mM de saldos primários positivos


Totalizando  cerca de 88,5 mM de euros

Para onde irá até Dezembro de 2018?

-  7,7 mM  para almofada de liquidez dos bancos
-  7,0 mM para regularização de empréstimos vencidos
- 17,2 mM para juros
- 25,0 mM para recapitalização dos bancos gregos
- 14,3 mM para reembolsos ao Sistema Europeu
-  9,9  mM para reembolsos ao FMI
-  5,5 mM para reembolsos a credores privados

Totalizando cerca de 86,6 mM de euros

Monday, July 13, 2015

ESTA NOITE COMEÇOU O FIM DA UNIÃO EUROPEIA


Donald Tusk @eucopresident

EuroSummit has unanimously reached agreement. All ready to go for ESM programme for with serious reforms & financial support.

Após 17 horas de discussões os chefes de Estado e de Governo chegaram a acordo por unanimidade, segundo as notícias desta manhã. 
Tsipras aceitou subscrever um acordo que, muito provavelmente, não vai conseguir fazer cumprir, mesmo que tivesse todo o tempo para isso, e algumas das medidas impostas pelos seus parceiros europeus terão de ser adoptadas já esta semana. 

A União Europeia iniciou esta noite a viagem de retrocesso ao ponto de partida.
Tanto melhor, dirão muitos, que ignoram ou fazem por ignorar as razões pelas quais a União começou a sua lenta viagem há quase 60 anos atrás.
---
Correl. - Depois do acordo o desacordo

Habermas ataca Angela Merkel
Jürgen Habermas, uma das referências intelectuais da construção europeia, acusou a chanceler Angela Merkel de “desbaratar” os esforços das gerações anteriores na reabilitação da imagem da Alemanha no pós-guerra, ao adoptar uma atitude dura para com a Grécia. Segundo o The Guardian, o filosofo alemão considerou que Merkel levou mesmo a cabo “um acto de punição” contra o Governo de Tsipras. “Temo que o Governo alemão, incluindo os sociais- democratas, tenha desbarata- do numa noite todo o capital político que uma Alemanha melhor acumulou em meio século”, disse ainda Jürgen Habermas. 
in Público de 17/07/2015

Wednesday, March 18, 2015

NÃO PERCEBO

Ontem, o sr. Jeroen Dijsselbloem, ministro holandês das Finanças e presidente do Eurogrupo admitiu publicamente que, estando a Grécia à beira de ficar sem dinheiro e ter de pagar 350 milhões de euros ao FMI até depois de amanhã, os alemães estarão a pretender que aos gregos seja administrada a receita imposta a Chipre: fecho dos bancos e controlos de capital, com o suspeito objectivo de um corte nos depósitos a favor das finanças públicas gregas, ainda que as razões avançadas sejam relacionadas com um terceiro resgate. A notícia tinha sido avançada pelo Spiegel e as declarações de Dijsselbloem  instantâneamente publicadas em todo o mundo. Vd., p.e., aqui e aqui ou aqui.

O que é que faz um grego ao ouvir estas declarações, se tiver dinheiro que valha um salto? Salta.
Só não saltarão os que já saltaram ou não saltam porque têm a perna demasiado curta. Ainda há dias, e na sequência da expectativa da vitória do Syriza noticiaram os media uma fuga maciça de capitais, depois reforçada com a confirmação da vitória e a constituição de um governo heterodoxo, segundo os padrões ocidentais. 

Não percebo como se admite publicamente uma acção destas que, obviamente, terá imediatamente espoletado um movimento que pretende vir a evitar. Se a intenção é proceder a um haircut dos depósitos e fundos guardados pelos bancos, o governo grego tem sempre a possibilidade de, se for compelido a exercê-la, a impor essa decisão sobre os fundos a atingir registados nos bancos, p.e, no   início deste ano. Afinal o confisco não é uma forma de prepotência menor que a retroactividade das leis. Anunciando esta hipótese, muito grego estará a esta a hora a coçar a cabeça lamentando-se de não se ter  decidido há mais tempo. Claro que terá de pagar por isso: as taxas pagas por bancos em países de baixo risco (a Alemanha é já há muito tempo a ganhadora destas encrencas em que ela mesma lidera)  são, toda a gente sabe isso, negativas. Cerca de 2,2 biliões de euros de dívida pública já pagam, vd. aqui, taxa de juro negativa. Portugal emitiu hoje 1250 milhões a uma taxa, vd. aqui, abaixo de 0,1%.

Por outro lado, ou do mesmo lado?, o FMI diz, vd. aqui,  que "a Grécia é o país mais incapaz de se ajudar em 70 anos de história". Com ajudas destas como pode a Grécia pagar até depois de amanhã 350 milhões do que deve ao FMI.

---
Correl. - Casal alemão pagou a sua "parte da dívida" à Grécia por danos da II Guerra

Thursday, October 16, 2014

ANDAM DRONES POR AÍ

Hoje, de manhã cedo, anunciava-se aqui,  que a Bolsa de Lisboa tinha regressado aos ganhos, com 13 cotadas em alta,  e acompanhava a tendência positiva das restantes praças europeias. Os títulos da banca subiam mais de 1% e ajudavam o PSI-20 a recuperar de mínimos de dois anos.
Fui ver as cotações e não batia a cota com a perdigota: estava tudo em queda livre. Queda que se mantém às duas da tarde com o índice PSI 20 a cair 4,30%, o IBEX 35, 3,81%, o DAX, 1,85%, e o Dow Jones 1,06%. E os juros das dívidas soberanas dos periféricos voltaram a subir. O que é que aconteceu?

Antes, tinha ouvido na rádio que o governo grego deseja sair do segundo plano de resgate nos próximos meses e deixar a tutela do FMI. A ajuda da Zona Euro termina este ano com mais 1,8 mil milhões de euros mas o auxílio do FMI prolonga-se até 2016. Entretanto, mais ou menos ao mesmo tempo que as bolsas se entornavam, Herren Merkel avisava urbi et orbi, mas os principais destinatários parecem ser Paris, Roma e Lisboa, que "todos os países devem respeitar as regras do Tratado Orçamental", porque "apesar de a Europa ter tomado as opções correctas para enfrentar a crise, "ainda estamos longe do objectivo". Tomou?

OK, Herren Merkel, dirão os seus súbditos.
Oxalá que um dia destes o jogo não continue como batalha campal. 

---
Correl.- Por que está a Grécia a provocar fortes quedas nas acções
17/10 - Bolsa valoriza mais de 2,5% e encerra com maior subida desde Julho
A PT perde mais 9,06% e continua a descida até onde só alguns sabem.
A Oi, por exemplo.
Ou a CMVM.

Sunday, October 12, 2014

EUROPÂNICO

O incansável Krugman não desiste de juntar argumentos às suas posições contra as políticas prosseguidas  na Zona Euro com reflexos negativos na União Europeia, na Europa, e na economia mundial. Com o decorrer do tempo, a anemia que se instalou na Europa tem vindo a confirmar o acerto do seu diagnóstico das consequências perversas da terapêutica determinada pela corrente alemã. 
Hoje, Europanic 2.0, aqui.
Krugman não é o único a denunciar o desconcerto europeu. Mas é, claramente, o mais persistente.

 ---

Anyone who works in international monetary economics is familiar with Dornbusch’s Law:
The crisis takes a much longer time coming than you think, and then it happens much faster than you would have thought.
And so it is with the latest euro crisis. Not that long ago the austerians who had dictated macro policy in the euro area were strutting around, proclaiming victory on the basis of a modest uptick in growth. Then inflation plunged and the eurozone economy began to sputter — and perhaps more important, everyone looked at the fundamentals again and realized that the situation remains extremely dire.
Now, things looked very dire in the summer of 2012, too, and Mario Draghi pulled Europe back from the brink. And maybe, just maybe, he can do it again. But the task looks much harder.
In 2012, the problem was very high borrowing costs in the periphery — which we now know were driven more by liquidity issues than solvency concerns. That is, the markets basically feared that Spain or Italy might default in the near term because they would literally run out of money — and market fears threatened to turn into a self-fulfilling prophecy. And all it took to defuse that crisis was three words: “Whatever it takes”. Once the prospect of a cash shortage was taken off the table, the panic quickly subsided, and at this point both Spain and Italy have historically low borrowing costs.
What’s happening now, however, is very different. It’s a slower-motion crisis, involving the euro area as a whole, which is sliding into a deflationary trap with the ECB already essentially at the zero lower bound. Draghi can try to get traction through quantitative easing, but it’s by no means clear that this could do the trick even under the best of circumstances — and in reality he faces severe political constraints on what he can do.
What strikes me, also, is the extent of intellectual confusion that remains. Germany still seems determined to regard the whole thing as the wages of fiscal irresponsibility, which not only rules out effective fiscal stimulus but hobbles QE, since it’s anathema for them to consider buying government debt.
And it’s remarkable, too, how the logic of the liquidity trap remains elusive even after six years — six years! — at the zero lower bound. Not the worst example, but I read Reza Moghadam today:
Wages and other labour costs are simply too high, even by the standards of rich countries, let alone emerging markets competitors.
Augh! If it’s external competitiveness you’re worried about, depreciating the euro is what you want, not wage cuts. And cutting wages in a liquidity-trap economy almost surely deepens the slump. How can this not be part of what everyone understands by now?
Europe has surprised many people, myself included, with its resilience. And I do think the Draghi-era ECB has become a major source of strength. But I (and others I talk to) are having an ever harder time seeing how this ends — or rather, how it ends non-catastrophically. You may find a story in which Marine Le Pen takes France out of both the euro and the EU implausible; but what’s your scenario?

Tuesday, October 07, 2014

TEMPOS GERALMENTE MUITO NUBLADOS

O FMI acaba de divulgar o "World Economic Outlook" do Outono. Aqui.
O subtítulo resume as conclusões: "Legacies, Clouds, Uncertainities". 
Resumidamente: As políticas de recuperação da crise, que o FMI apadrinhou, não desanuviaram o ambiente e as incertezas são muitas. Do relatório do FMI realça o Financial Times - vd. aqui - o risco de uma nova recessão para a Zona Euro.

Por outra porta entra o muito citado professor Ricardo Reis - vd. aqui - anunciando que não estamos, em Portugal, assim tão longe de um segundo resgate. Ora o mesmo Ricardo Reis previa no início do ano de 2010 - vd. aqui - que "a probabilidade da bancarrota portuguesa estava algures abaixo de 0,5%-1%." Não aconteceu bancarrota, mas aconteceu resgate. Agora, RR, menos optimista, prevê a optimista possibilidade de novo resgate para, novamente, evitar a bancarrota.

Um dia destes teremos este Ricardo Reis no FMI.

Tuesday, September 16, 2014

ALGUÉM TERÁ DE MUDAR

Paul Krugman tem sido muito persistente na crítica às opções de política orçamental adoptadas na Europa, e sobretudo na Zona Euro, para enfrentar a crise que irrompeu há seis anos atrás. É incontável o número das suas intervenções públicas no sentido de demonstrar que a Europa se atola cada vez mais  no caminho que escolheu. À medida que o tempo passa, as suas críticas, os seus alertas, (e os de outros que têm assestado as suas posições em sentidos idênticos) têm-se provado certeiras. Hoje, publica aqui "Replaying the 30s in Slow Motion"

concluindo que, se na década de 30 a Europa emergiu da crise politicamente fragilizada (a segunda grande guerra começaria poucos anos depois) a recuperação económica tinha ultrapassado o ponto de partida cinco anos após o início da recessão. Desta vez, as medidas adoptadas para o controlo da crise financeira impediram que a recessão fosse menos cavada e os conflitos sociais melhor dominados mas a evolução da produção agregada está estagnada abaixo dos valores observados antes do período homólogo. 

Quem terá de mudar? 
Obviamente, o governo de Berlim. Mas não só. A União Europeia, e em particular a Zona Euro, é um clube que, como qualquer clube, só pode perdurar (e ganhar) se houver um conjunto fundamental de princípios respeitados pelos seus membros. Ouve-se com alguma frequência afirmar que "não pode a Alemanha pretender germanizar a Europa" porque os povos europeus têm culturas diferenciadas e não podem pretender impor uns os seus valores culturais a outros. O que sendo do mais elementar bom senso não pode alijar outro bom senso igualmente elementar: o de que a perdurabilidade da permanência de um sócio num clube, qualquer que ele seja, depende da sua aceitação das regras fundamentais comumente aceites. 

Espera-se que da situação ilustrada no gráfico hoje publicado por Krugman o governo de Berlim retire a conclusão que os alicerces da União estão a ser minados pela estagnação e a sua inflexibilidade terá de ceder se a Alemanha pretender participar na unidade europeia.
---
Correl.- (18/9) Yellen considera que baixo crescimento da Europa ameaça a economia global

Friday, August 16, 2013

SALDOS DA CRISE



O Economist dedica hoje o seu daily chart - Mixed fortunes à comparação da variação do PIB observada num conjunto de 13 países da União Europeia, 12 dos quais são membros da zona euro, e ainda nos EUA e Japão, desde o início da crise até ao fim do segundo trimestre deste ano. Do conjunto, apenas os EUA, a Alemanha e, tangencialmente, a Bélgica, conseguiram recuperar o terreno perdido. A França e o Japão aproximam-se dos níveis em que se encontravam antes da crise, o Reino Unido não conseguiu melhor que a zona euro no seu conjunto.
 
Explicações para estes resultados, haverá muitas. Nenhuma, porém, pode negar que a política de ataque à crise adoptada nos EUA  não foi prosseguida na União Europeia, e, particularmente, na zona euro, pela elementar razão de não ser a União Europeia uma união política. Não foi nem será enquanto essa diferença enorme se mantiver. Ainda que os resultados do segundo trimestre de 2013 tenham acalentado a ideia que a UE está agora carrilada e Portugal se tenha, aparentemente, portado acima das expectativas.
 
Digo aparentemente porque se desconhecem ainda os detalhes e são prematuras algumas conclusões consistentes baseadas na estimativa rápida do INE.

Tuesday, August 13, 2013

FINALMENTE, O FIM DA CRISE?

Soube-se ontem que, segundo dados preliminares do segundo trimestre, os países da zona euro no seu conjunto terão visto expandir-se o seu produto interno bruto em 0,2% relativamente ao trimestre anterior. A notícia é circunstanciadamente comentada aqui que, nomeadamente, destaca a persistente divergência de alguns membros da zona euro a determinar  um crescimento frágil do conjunto quando comparado com a evolução no Grupo dos Sete com o Japão e o Reino Unido a crescerem em igual período a 0,6%.

Relativamente às perspectivas de curto prazo, sustentadas pelas notícias de que também em Portugal se terá observado um ténue crescimento durante o segundo trimestre, interrompendo uma queda  prolongada, e a inversão da curva de crescimento da taxa de desemprego, analistas e comentadores externos fazem leituras divergentes: para uns, a recuperação do PIB e do emprego é devida a razões de sazonalidade (estando, no entanto, os valores considerados, em princípio, corrigidos desse efeito) e murchará no Outono; para outros, a recuperação na zona euro é agora consistente e rebocará os países da periferia.

Não nos iludamos.
A queda foi brutal, e continua imparável na Grécia. Em Portugal continuam por desbloquear os principais constrangimentos ao investimento produtivo, o fim do défice crónico da balança comercial é menos consistente do que o discurso oficial quer fazer crer. Por outro lado, subsiste a dívida, indomável, porque imparavelmente crescente, enquanto os seus custos superarem o saldo primário das contas do Estado. Enquanto subsistir esta relação insuportável não haverá confiança que atraia os investidores, o crescimento, quanto muito, rastejará, e o desemprego continuará a empurrar os mais jovens  qualificados para outras paragens.

Em Setembro há eleições legislativas na Alemanha. Paulo Portas e Pires de Lima têm os três meses de Outono para mostrar o que valem.  

---
Correl. - Portugal sai da recessão com um crescimento de 1,1% no segundo trimestre

Thursday, February 14, 2013

MÁS NOTÍCIAS, DONA MERKEL

A recessão em Portugal atingiu os 3,2% em 2012, segundo dados acabados de divulgar pelo INE, excedendo as previsões do Governo, sobretudo em consequência da queda de 3,8% observa no último trimestre. Ontem,  soube-se que a taxa de desemprego subiu para 16,9% no último trimestre do ano. O senhor Passos Coelho reconheceu a calamidade mas disse que a evolução se encontrava razoavelmente em linha com as previsões, ainda vai aumentar, para inflectir a seguir, se...
 
E aquele se é um prenúncio de maior desastre. Fluente no discurso, Passos Coelho tinha a resposta engatilhada para a circunstância: por enquanto a recuperação tem de valer-se da procura externa, a retoma económica vai acontecer algures ainda este ano e só em 2014 poderá contar-se com um crescimento induzido pela procura interna.
 
As perspectivas de crescimento da procura externa na Europa são medíocres: Soube-se também hoje (o Financial Times chama-lhe massacre em dia de S. Valentim) que a Zona Euro caiu 0,6% no último trimestre de 2012, -vd aqui - o pior resultado dos últimos quatro nos, não poupando a Alemanha, a França, a Itália. Se os exportadores portugueses têm tentado diversificar os seus meus mercados clientes fora da Europa, a União Europeia continua ainda a ser, de longe, o seu principal mercado.
 
Não sabemos se estes resultados vão influenciar a determinação da Chanceler Merkel e dos seus seguidores do norte na política de austeridade a todo o custo, para usar a expressão que o senhor Passos Coelho lhe deve ter ouvido dizer. Uma política que, é por demais evidente, tem tido como preocupação primeira o resgate dos bancos e a absolvição dos banqueiros que se atiraram alegre e inimputavelmente para fora de pé.
 
Nos EUA, a via escolhida foi outra, e não sabemos se seria diferente se Obama tivesse perdido contra os republicanos John McCain em 2008 e Mitt Romney em 2012. Mas podemos perguntar-nos sobre o que sucederia se os republicanos tivessem adoptado uma política fiscal tão contraccionista como a que a Zona Euro adoptou. Haverá quem duvide que seria o desastre global?

Wednesday, December 26, 2012

POR QUE EMIGRAM OS JOVENS PORTUGUESES

O Washington Post de hoje dedica três quartos de uma página do seu caderno principal - vd aqui - à emigração de jovens europeus, com formação superior, e, muito focadamente na  emigração de jovens portugueses para o Brasil. Pergunta-me o RM: O que é que está a acontecer em Portugal que leva a esta emigração massiva de gente jovem e habilitada a emigrar para o Brasil? RM. entende as causas imediatas referidas no artigo - falta de oportunidades de emprego - mas escapam-lhe as causas primordiais. Por que é que não investem em Portugal, os alemães, por exemplo, se há disponibilidade de mão-de-obra e de quadros qualificados, que, certamente, aceitariam salários mais baixos do que aqueles que são pagos na Europa do Norte? Para um residente nos EUA, onde a mobilidade do trabalho é um dado comum, o que acontece na Europa do Sul neste momento é intrigante porque o investimento não procura as regiões onde os factores de custo são, pelo menos aparentemente, mais baixos. 

Mas é, precisamente, nas aparências que se escondem as principais razões da drenagem de jovens portugueses para o Brasil. E chamo a atenção de RM para a explicação dessas causas, dada na segunda parte do artigo do WP., que têm impacto não apenas em Portugal mas que em Portugal assumem uma maior dimensão relativa em consequência da deterioração rápida de uma situação económica que nunca foi estruturalmente consistente: a ameaça de um colapso na zona euro, a persistência da recessão, as sombrias perspectivas de crescimento económico, estão a levar os investidores a drenar triliões de dólares para outras partes do mundo, provocando a deslocalização dos negócios e a revisão das suas estratégias. Alguns bancos europeus estão a resumir as suas actividades às suas fronteiras nacionais, outros, como o Santander, que hoje recolhe apenas uma pequena parte dos seus lucros em Espanha,  reposicionam-se fora do seu âmbito nacional e da Europa, no Brasil e no México, por exemplo.

Mas há alguma luz ao fundo do túnel: As recentes decisões de intervenção do Banco Central Europeu estão a reduzir os riscos do colapso da zona euro, e os fluxos de dinheiro estão a começar a inverter-se. Largos montantes devidos pelos bancos centrais dos países mais fragilizados, como o de Espanha ao da Alemanha, estão a reduzir-se, o que significa que cessou a drenagem em sentido contrário, das economias fragilizadas para as mais fortes.

Subsiste, contudo, a disfunção original da zona euro: Segundo a teoria económica, os capitais deveriam fluir das zonas mais desenvolvidas da zona euro para as menos desenvolvidas - aproveitando as vantagens de salários mais baixos e o facto de, geralmente, proporcionarem as zonas menos desenvolvidas oportunidades de melhores taxas de retorno dos investimentos que as zonas mais desenvolvidas. Por outro lado, é esperável que os trabalhadores emigrem de áreas onde o desemprego é elevado e os salários baixos para aquelas onde o desemprego é reduzido e os salários estão a subir. 
Mas a teoria não se confirmou suficientemente na zona euro, e essa falha explica a emigração massiva de jovens portugueses e gregos habilitados para fora da Europa, reduzindo a capacidade de recuperação e comprometendo o futuro, uma vez que a maior parte desses emigrantes, muito provavelmente, não voltará aos países de origem. 

Estas, as razões descortinadas por Howard Schneider, colunista do WP para assuntos de economia internacional, em São Paulo, Brasil. Por que é que a teoria não funcionou, H Schneider não sabe ou não quis dizer. Talvez porque, pelo menos para muitos norte-americanos, não é fácil entender que exista uma zona económica usando uma moeda única que não seja suportada por institutos que garantam os mesmos níveis de confiança nas áereas onde essa moeda, e só essa moeda, tem curso legal. Dito de outro modo, a maior parte dos norte-americanos supõe a União Europeia, e particularmente a Zona Euro, feita à quase imagem e semelhança dos EUA. E não há, pelo menos por enquanto, nenhuma semelhança possível. E enquanto não houver, enquanto as promessas andarem bem à frente da realidade, a emigração jovem do sul da Europa para fora da Europa continuará.

By the way, it´s snowing in Virginia today.