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Wednesday, January 12, 2022

CASALINHO RAMALHO E VIEIRA

Porquê, dos bancos sediados em Portugal, só o NovoBanco faz parte do sindicato bancário para a venda das OT iniciada hoje?

Portugal está no mercado para uma venda sindicada de obrigações do Tesouro (OT) a 20 anos.  O IGCP mandatou o BNP Paribas, o Credit Agricole CIB, o Morgan Stanley, o J.P. Morgan, o Nomura e o NovoBanco enquanto "joint lead managers" para a emissão de OT com maturidade em abril de 2042. - aqui
 
BCE está a investigar relação entre Ramalho e Vieira no NovoBanco. 
Banco de Portugal passa responsabilidade sobre avaliação da idoneidade de António Ramalho para Banco Central Europeu, que admite está a analisar os desenvolvimentos recentes sobre a relação entre Luís Filipe Vieira e António Ramalho. - aqui

 

Saturday, October 27, 2018

SUPER REALISTA AUSTRÁLIA








WHAT IS THE biggest problem facing America? Or Japan? Or Britain? Or France? Opinions vary, naturally, but some worries crop up again and again. Those of a materialist bent point to decades of slow growth in median incomes, which has bred disillusion and anger among working people. Fiscal hawks decry huge public debts, destined to grow even vaster as ageing populations rack up ever bigger bills for health care and pensions. Then there is immigration, which has prompted a furious populist backlash in the United States and all over Europe. That hints at what, for many, is the most alarming trend of all: the lack of any semblance of a political consensus about how to handle these swelling crises.

c/p aqui

vd. também aqui

Sunday, December 10, 2017

NO PAÍS DOS BOYS

"Câmara de Lisboa vai ter 124 assessores e secretárias para apoiar 17 vereadores e já começou a assinar contratos. Alguns eram candidatos autárquicos que não foram eleitos." 

Vi esta notícia referida aqui.
O abuso que governantes centrais e locais fazem de dinheiros públicos para emprego de correlegionários, amigos, familiares e coniventes vem de longe. Como em outros aspectos da vida pública, a imoralidade anda de mãos dadas com a conivência das conveniências e a par da falta de exigência de civismo colectivo. Que vingam com um generalizado encolher de ombros e a conclusão adquirida como inamovível de que "todos fazem o mesmo".

Se a notícia tem fundamento, que posição tomaram ou vão tomar os vereadores da oposição na Câmara de Lisboa? Calam-se todos? 
É o mais provável: O PSD/PPD e o CDS porque, também eles, têm clientelas partidárias e interesses particulares envolventes à espera de oportunidades futuras , o PCP porque, para os comunistas, quanto mais gente mamar  do Orçamento mais se engrandece o Estado.
E o BE é outra vez parte do governo camarário em Lisboa.

Valha-nos Centeno, presidente do Eurogrupo, agora atado de pés e mãos aos limites impostos de fora. 
A nossa independência, e o que é isso?, é um perigo. 

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Correl. -
A redução da dívida é absolutamente fundamental (Público - 10/12/2017)
O calcanhar de Centeno  (26/8/2017)
O calcanhar de Centeno - 2 (1/9/2017)

Wednesday, December 06, 2017

TOUT VA TRÈS BIEN, MADAME LA MARQUISE


"Primero fue la Eurocopa, en enero llegó la ONU, en mayo la Eurovisión y este diciembre el Eurogrupo. Portugal copa los titulares de los medios para incredulidad de los expertos en la materia. Al margen de los éxitos por las habilidades con el balón y con la canción, las direcciones en la secretaría general de la ONU y en el Eurogrupo revelan unos triunfos de la diplomacia lusa que van mucho más allá de su peso económico. En enero António Guterres tomó posesión de la secretaría general de la ONU y este diciembre Mário Centeno presidirá el Eurogrupo, el sanedrín de los ministros de Finanzas de la zona euro..." - aqui


"... A líder parlamentar interina do BE duvidou que a eleição do ministro das Finanças português altere a natureza da instituição e o poderio alemão. "A pergunta que os portugueses fazem é se será Mário Centeno, por ser português e pertencer ao PS, pode fazer a diferença nesta instituição que só tem representado ataques à democracia e mais austeridade. Entendemos que prevalece a natureza da instituição", disse Mariana Mortágua, que falava aos jornalistas no parlamento.    O PCP considerou que a eleição nada traz de positivo para Portugal e advertiu que combaterá eventuais tentativas do Governo de acentuar restrições ao investimento público. "O PCP alerta para o uso que o Governo do PS, no quadro das suas opções e em sintonia com as do PSD e do CDS, venha a fazer desta decisão para acentuar a recusa ou limitações às medidas necessárias ao desenvolvimento do país", afirmou o eurodeputado comunista João Ferreira. O Partido Ecologista "Os Verdes" (PEV) reagiu "sem surpresa", alertando que Portugal não deve sujeitar-se a uma "submissão maior" à União Europeia. "Os Verdes reiteram a sua preocupação, no sentido de que esta eleição não venha a representar, em qualquer circunstância, uma submissão maior à União Europeia e aos condicionamentos da Zona Euro, o que, a acontecer, seria profundamente negativo para Portugal", lê-se num comunicado do PEV." - aqui


Friday, November 10, 2017

É PRECISO FAZER UM BONECO?


"A CGD conseguiu vender a Artlant, a fábrica de petroquímica de Sines onde perdeu 600 milhões de euros por 28 milhões, aos tailandeses da Indorama. Para o banco público, que já tinha dado como perdido todo o dinheiro investido na Artlant, trata-se de um bom negócio na medida em que recupera algum capital. Contudo, esta venda não fecha o dossiê. É preciso saber quem permitiu e em que circunstâncias que a Artlant tivesse cavado um buraco de dimensões gigantescas na CGD."* - aqui

É PRECISO SABER OU JÁ SE SABE, MAS NINGUÉM RESPONDE?

"A Artlant foi um projecto em que a CGD, então liderada por Carlos Santos Ferreira, teve uma palavra decisiva. O banco público entrou para o capital da catalã La Seda de Barcelona, tendo depois trazido o projecto para Portugal, em que o poder político esteve, também, envolvido.

Foi o Governo de José Sócrates que, em 2007, atribuiu o estatuto de Projecto de Potencial Interesse Nacional (PIN) à fábrica de Sines - razão pela qual o Estado, através do AICEP, também tenha reclamado 33 milhões de euros no PER, depois retirado ..."

"Fernando Faria de Oliveira, engenheiro mecânico, foi Presidente do Conselho de Administração e CEO da Caixa Geral de Depósitos entre Janeiro de 2008 e 22 de Julho de 2011, Presidente da Comissão Executiva do Banco Caixa Geral (Espanha) entre Julho de 2005 e Dezembro de 2007) 
Presidente da Associação Portuguesa de Bancos desde Abril de 2012.- aqui





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*Na Antena 1, Helena Garrido referiu que as perdas devem atingir os mil milhões de euros


Sunday, September 24, 2017

COM UM PÉ NA RATOEIRA

Os bancos não nos dão tréguas.
Podemos esquecer-nos do que alguns nos devem mas eles não se esquecem de continuar a pedir-nos mais.

Depois dos pavoroso incêndios de Verão a evidenciarem a desorganização da Protecção Civil do Território e o roubo das armas de Tancos a surpreenderem o adormecimento da defesa militar, além de outros incidentes estivais, lamentáveis, mas que não merecem registo nestas notas, amansou a maré negra e o país refrescou-se com algumas boas notícias: navegava-se sem sujeição a procedimento por défice excessivo,  o PIB cresce mais que o previsto, reduz-se o défice mais do que era esperado, a Standard & Poor´s tira-nos a dívida do lixo, os juros descem, tudo bom por aí fora. 
Os efeitos da  recapitalização da Caixa e da emperrada privatização do Novo Banco tinham ido a banhos em banho de Maria. 

Pouco tempo depois lê-se:  

"O impacto da capitalização da Caixa Geral de Depósitos no défice e a forma como se registam parte das receitas e despesas com fundos europeus continuam a ser motivo de discussões entre as autoridades estatísticas europeias e portuguesas, constituindo uma fonte de incerteza para o resultado final deste ano" - Público, 22/09/2017

"Faltam €4000 milhões (de recompra de obrigações  para "salvar" Novo Banco da Liquidação. Semana decisiva para futuro do NB. Um falhanço da operação seria, segundo fonte da banca "desastroso para o sistema bancário" - Expresso 23/09/2017

Quanto à ameaça para o défice resultante da capitalização da Caixa apressaram-se os do Governo a garantir que as instituições europeias considerarão que "qualquer que seja a decisão que venha a ser tomada quanto ao critério de contabilização dos 3944 milhões investidos na recapitalização da Caixa, o eventual excedente aos limites estabelecidos daí resultante não contará como défice excessivo." 
E o PR afirmou mais ou menos o mesmo.

Contas de faz-de-conta, sempre à espera de mais uma parcela, a mais próxima das quais chegará dentro de dias em nome da salvação do Novo Banco.
O défice é o que, estranhamente, de forma casuística, decidirem os mestres estaticistas. A dívida é que não se verga a critérios discutíveis entre o Eurostat e o INE.

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Correl. - (25/09) - Aqui: "Gigante norte-americano Pimco vai participar na oferta de recompra de dívida do Novo Banco ... Esta decisão da Pimco aproxima a operação de alcançar o sucesso."
(25/09) - Défice baixa quase para metade até Agosto

Monday, September 18, 2017

ÁGUA NA FERVURA


No El País de hoje pergunta-se "¿Por qué España ha perdido tanto dinero con el rescate bancario y otros países no?

E Portugal?
Segundo dados calculados pela Comissão Europeia Portugal, terá perdas de cerca de 7% do PIB no resgate ao sistema bancário, um valor muito superior ao de Espanha (4,3% do PIB), muito mais que a média dos custos suportados pelos 28 países da UE (1,5%) e  mais de três vezes e meia que na euro zona (1,9%). 
Pior que Portugal, a Irlanda (17%), Grécia (15,6%), Eslovénia (13,3%), Chipre (10,7%)

Valores provisórios que, tudo leva a crer, no caso de Portugal virão a ser substancialmente agravados considerando as situações em litígio ou ameaça de litígio, com destaque para o caso BES.

Para o articulista do El País, a opinião generalizada dos economistas vai no sentido de apontar, em Espanha  a culpa de tantas perdas à "la tardanza en reaccionar y la profundidad de la crisis promotora e inmobiliaria" .
Por cá, também durante muito tempo políticos e banqueiros, incluindo o Banco de Portugal, insistiram no convencimento da opinião pública que o sistema estava sólido e não havia bolha imobiliária em Portugal. 
Não diziam a verdade.

Mesmo hoje, depois do suporte dado pelos contribuintes à quase totalidade dos bancos, o sistema não está sólido, e, avisa o FMI no World Economic Outlook divulgado em meados de Julho, "há um legado de problemas por resolver no sistema bancário europeu, em particular nos bancos italianos e portugueses". É certo que a colocação, a semana passada,  pela Standard and Poor´s, do rating da República Portuguesa  fora da zona de lixo, irá reduzir os juros nas contas públicas e particulares, e ouviu-se esta manhã o ministro das Finanças reafirmar a redução da dívida pública para 127,9% no fim do ano.
Assim seja. Mas mesmo que assim seja a dívida ainda se manterá em níveis elevados relativamente ao PIB (dos mais elevados do mundo) e extremamente sensíveis às taxas de juro, que não se manterão para sempre a rasar o zero.

De braço dado e punho esquerdo erguido os camaradas Jerónimo de Sousa e Arménio Carlos andam desassossegados com a "ditadura do défice e da dívida" e, coerentemente, continuam a repudiar os ratings mas a aproveitar a folga dada pela S&P.
No actual contexto político, contudo, as ameaças subsistem mais do lado da banca que do político partidário.
Pelo menos é assim que nos vêm os outros. E isso conta, ainda que o PCP e seus satélites continuem a pregar o contrário.
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Correl . - (19/09)
* Recapitalização da CGD deve ir toda ao défice A posição preliminar do Eurostat defende que toda a recapitalização da CGD deve ter impacto no défice. As autoridades nacionais discordam e enviaram novos argumentos para tentar evitar um impacto que colocaria o défice acima dos 3% do PIB. (19/09)

Parlamento volta a debater a sustentabilidade da dívida

Casalinho e PS divergem no alongamento da maturidade da dívida

Rússia prepara resgate de mais um banco (20/09)

Friday, September 01, 2017

O CALCANHAR DE CENTENO 2


O Banco de Portugal divulgou hoje aqui a evolução recente da Dívida Pública até ao fim de Julho.
Voltou a aumentar, rondando agora os 250 mil milhões.
Líquida de depósitos, a DP era de 230,3 mil milhões, 
Nuno Carregueiro do JN online volta a expressar aqui, em gráficos muito elucidativos, a evolução desse crescimento, que parece imparável. Parece ou é?
Enquanto a taxa de crescimento económico nominal for inferior à taxa média de remuneração da dívida, e é essa a situação previsível até ao fim do ano, cifrando-se a diferença em mais de um ponto percentual, a dívida em relação ao PIB continuará a subir, salvo se o saldo primário fosse suficientemente positivo para pagar a factura dos juros e amortizar dívida. Mas não vai ser.

Mas o ministro M Centeno afirmou, cf. aqui, que a dívida pública irá baixar até ao fim do ano dos actuais 132 vírgula umas décimas para os 127,9% estimados pelo Governo. 
A evolução da DP relativamente ao PIB é a prova ácida da gestão das finanças públicas, sobretudo quando, como é o caso, os níveis atingidos tornam a sua contenção muito dependente de factores externos.
Para que a relação entre a Dívida Pública e o PIB seja reduzida em cerca de 4,5 pp até ao fim deste ano (de eleições autárquicas) forçoso se torna que o ministro tire da cartola um extraordinário par de coelhos. Aliás, nada que não tenha sido recurso recorrentemente usado pelos vários governos, umas vezes por indisciplina grossa na gestão das finanças públicas outras, sobretudo desde 2008, porque as colisões bancárias têm provocado, e continuam a provocar, grossos rombos nos cofres públicos.

" ... a pressionar em alta (o endividamento público em Julho) também esteve o "acréscimo de empréstimos no montante 0,1 mil milhões de euros, resultante do aumento de empréstimos junto de bancos residentes, com destaque para o acordo assinado entre o Estado e o Banco Santander Totta respeitante aos contratos de derivados com empresas públicas de transportes (2,3 mil milhões de euros)" - cf. aqui.


Como é que M Centeno vai descalçar esta bota?

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Correl . Hoje às 21,40 - Depois da Fitch, ontem foi a Moody’s a pôr a dívida em outlook positivo”. Agência só quer menos défice e dívida, e retoma ampla. - cf . aqui

Thursday, August 31, 2017

MAIS DÍVIDA E BOLAS FORA

O Prof. Cavaco Silva foi a Castelo de Vide dar aula na "universidade de verão" do PSD.
Sobre a intervenção do anterior PR publicou ontem o DN online, aqui, uma reportagem que, a avaliar pelo título - Cavaco arrasa Governo e faz críticas veladas a Marcelo -, destaca as afirmações mais contundentes do professor.

E o que disse CS de tão arrasante?
Além do mais, que são trocos quando as questões fundamentais para a opinião pública são outras, destacou "que a realidade acaba sempre por derrotar a ideologia" para convocar Alexis Tsipras a testemunhar que "depois de uma certa bazófia inicial, correu com Varoufakis [o seu primeiro ministro das Finanças], pôs a ideologia na gaveta e aceitou negociar um terceiro resgate ainda mais duro". Conversa requentada.

Era preciso invocar a subjugação à troica para realçar a inevitabilidade de políticas de contenção da despesa pública? Não era.
O ex-PR poderia abordar essa inevitabilidade salientado a progressão até agora indomável da dívida. 
E a ameaça que esse monstro representa se as tendências dos mercados financeiros, por natureza instáveis, um dia destes se invertem, e os juros se tornam insustentáveis mesmo se a economia se espevita. 

Os indicadores económicos mais recentes divulgados pelo INE* são animadores, o Negócios online titula um artigo sobre o tema - O INE reviu em alta o crescimento económico do segundo trimestre do ano para 2,9%, o valor mais elevado em quase 17 anos. - que deve empolgar o Governo mas que não é indicativo de que os problemas estão resolvidos e a crise financeira ultrapassada. Bem longe disso, Portugal ainda não recuperou os níveis do PIB observados antes da crise de 2008. 

O ex-PR poderia ter voltado ao palco político como professor mas deu-lhe a veneta para o discurso partidário. 
31 de agosto de 2017
A taxa de desemprego de junho foi de 9,1% - Julho de 2017
30 de agosto de 2017
Índice de Produção Industrial acelerou - Julho de 2017
30 de agosto de 2017

Saturday, August 26, 2017

O CALCANHAR DE CENTENO

É a Dívida Pública.

Segundo, aqui,
"O responsável pelas Finanças anunciou (ontem) que "a dívida pública em 2017 reduzirá o seu peso no PIB de 130,3% para 127,7%", objectivo que representa uma revisão em baixa de duas décimas comparativamente com os 127,9% estimados pelo Executivo no PE."

Hoje, em artigo mesmo jornal publicado aqui, a partir dos dados do Banco de Portugal, referentes a Junho, divulgados aqui esta semana, visualizam-se os andamentos mais recentes das dívidas das famílias e das empresas, em baixa, e da dívida pública outra vez a subir. 








Conseguirá Centeno descalçar este par-de-botas e aliviar-nos o calcanhar?
Acredite quem quiser.
Ou sinta obrigação disso. 

Saturday, August 05, 2017

A UTAO


A UTAO, por este andar, mais dia menos dia, corre o risco de extinção por mau comportamento. 

"Já lá vai meio ano e não há forma do investimento público disparar. Depois de ter batido mínimos históricos em 2016, o governo prometeu relançar o investimento em 2017. Mas já lá vai meio ano e, com a excepção das autarquias, os dados estão longe da promessa, revela a UTAO."

Os resultados dos investimentos públicos realizados durante a primeira década do século revelaram-se bastante pífios. 
Se a propensão para o investimento público por parte dos partidos de esquerda é agora contida pelas imposições aos limites do défice, do mal o menos.

Estranho, e perigoso, é que, mesmo assim, a dívida pública continua indomável.



 

Sunday, July 23, 2017

A DÍVIDA


(Clicar para aumentar a imagem)

Em Novembro de 2012, a Troica realizou o sexto exame regular às contas públicas de Portugal e estimou uma descida da dívida pública em percentagem do PIB para 117,5% no fim de 2016.  
Enganou-se demais.
No fim de 2016 a dívida pública portuguesa atingiu os 130,4% do PIB, depois de uma evolução quase sempre crescente, contrariando as projecções da Troica apesar das medidas de austeridade geralmente cumpridas e num ou noutro caso superadas.
Apesar da continuidade na redução do défice, que atingiu em 2016 valores mínimos recorde em democracia, no fim do primeiro trimestre de 2017, e de alguma animação do crescimento económico, a dívida continuou a subir: 130,5% segundo nota recente do Eurostat*.



(gráfico c/p de aqui)

Porquê?



A divergência entre as projecções da Troica em Novembro de 2012 e a realidade observada quatro anos depois (cerca de 13%) é equivalente ao peso das ajudas ao sistema de financeiro reflectido na dívida.
Em nota divulgada no princípio de Abril do ano corrente e citada aqui, o Banco de Portugal Portugal  informava que "as medidas de apoio ao sistema financeiro representam “aproximadamente 11,3% do PIB na dívida pública de 2016”, que era de 130,4% do PIB."
Naquelas contas do Banco de Portugal não estão, além do mais, ainda incluídos os 2,5 mil milhões engolidos pela segunda recapitalização da Caixa Geral de Depósitos, realizada durante o primeiro trimestre de 2017  - a decisão da inclusão ou não daquele montante no défice só será conhecida em Setembro - nem as perdas efectivas resultantes da nacionalização do BES e da privatização do Novo Banco, processos que levarão vários anos a concluir considerando a litigância a eles associada.

Mas, reconheça-se, seria uma explicação muito redutora atribuir ao estilhaçar da banca a culpa maior da resiliência do crescimento da dívida pública. Mesmo a níveis dos 117,5% do PIB projectados pela Troica para 2016, a persistência do crescimento da dívida relativamente ao PIB seria menos evidente mas não deixaria de ser menos potencialmente perigosa. 


As taxas de juro, graças a Draghi, são baixas e em alguns empréstimos a curto prazo Portugal até tem conseguido ultimamente financiar-se a taxas negativas mas a taxa média continua a ser, considerando a dimensão da dívida, impeditiva da inflexão do crescimento desta. 

Quando os juros subirem, porque um dia destes os juros subirão (parafraseando um conhecido cirurgião, as taxas de juro baixas não auguram nada de bom), se a dívida não tiver sido, entretanto, suficientemente reduzida, o fantasma da intervenção externa continua ao virar da esquina. 

É, deveria ser, nestas condições, preocupante ouvir à esquerda radical reclamar ao Governo mais despesa pública*** - nem toda a despesa pública é má mas é péssima quando se torna incontrolável -  e à oposição barafustar contra as cativações com que o ministro das Finanças procura segurar as rédeas da dívida**. 


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* O Eurostat emitiu anteontem um newsrelease - vd. aqui - First quarter of 2017 compared with fourth quarter of 2016 Government debt up to 89.5% of GDP in euro area Up to 84.1% of GDP in EU28 -
onde a evolução da dívida pública portuguesa durante os primeiros três meses deste ano se destaca pela negativa no contexto dos 28 membros da União Europeia:

Entre o primeiro trimestre de 2016 e o primeiro trimestre de 2017 a dívida pública portuguesa subiu 1,6 pontos percentuais, de 128,9% para 130,5% do PIB.

Dos oito países membros da UE onde se observou crescimento da dívida pública no período em análise - Letónia, Polónia, Eslováquia, Portugal, França, Luxemburgo, Croácia e Reino Unido - Portugal tem a maior dívida pública em percentagem do PIB. Na Grécia e na Itália, com níveis de dívida pública relativa superiores, observou-se redução.
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** A prova de que nenhuma afeição partidária da minha parte suporta  as medidas de M Centeno pode ser confirmada no facto de ter considerado neste bloco de notas, na altura da sua nomeação, o ministro das Finanças um dos elos mais fracos do executivo que acabara de entrar em funções.

*** Não está sozinhos.
"I love debt" - Donald Trump

Sunday, May 21, 2017

É PRECISO PREPARAR UM PLANO DE REDUÇÃO DA DÍVIDA

"É preciso preparar um plano de redução da dívida em relação ao produto para aumentar o grau de fortaleza e resistência da economia. Gostava de ver esse plano, era muito importante que existisse"

A afirmação é do sr. Horta Osório em entrevista do DN e TSF publicada aqui, e vale a pena uma leitura atenta, não apenas porque o entrevistado é um banqueiro de mérito internacionalmente reconhecido mas porque conhece bem a realidade portuguesa e a discussão acerca da redução da dívida pública um tema que ultrapassa agora claramente a quase não discussão acerca do nível do défice. 
Mas é possível reduzir a dívida (ou estabilizar o seu valor nominal com propõe Olivier Blanchard em entrevista do Expresso) sem continuar a aumentar o saldo primário para reduzir o défice? Como?

É preciso preparar um plano de redução da dívida. Gostaria de ver esse plano, diz ele. 
E digo eu.
O que ele não diz é como se pode reduzir a dívida. 
E o entrevistador também não perguntou. É uma pecha de alguns jornalistas esquecerem-se das questões mais importantes. 

Toda a gente tem uma receita, a mais comum, aumente-se o investimento para fazer crescer a economia.
Como?

Pois é: o diabo está nos como? 

Monday, May 08, 2017

SÓCRATES E A DÍVIDA





O artigo contém várias imprecisões terminológicas e algumas confusões numéricas. 
Por exemplo, e o gráfico basta para perceber isto, os 23,5 mil milhões respeitam apenas às Obrigações do Tesouro emitidas com vencimento até meados de 2019. Se forem adicionadas as emissões de Abril de 2005 e Junho de 2010, durante os governos presididos por José Sócrates, o montante da dívida emitida em OT ultrapassa os 48 mil milhões de euros.

De qualquer modo, uma conclusão é irrefutável: (clicar para ver melhor)


Entre 2005 (Sócrates tomou posse em Fevereiro de 2005) e meados de 2011(perdeu as legislativas em Junho), a dívida pública, em percentagem do PIB, cresceu de 67,4% para 111,4%.
Em 2015 atingiu 129% e, em 2016, 130%.
Entretanto, a intervenção da troica obrigou à reformulação do perímetro da dívida, que passou a incluir verbas e dívidas de entidades até então não incluídas.

Estes quadros e gráficos, ou outros parecidos, já são exaustivamente conhecidos
Mas para onde foi tanto dinheiro, é a pergunta recorrente à espera de resposta clara.
E não houve até agora quem fizesse um boneco.

Tuesday, April 18, 2017

O MILAGRE DO ZIGUEZAGUE

Segundo me é dado aperceber pelo que leio, a redução da despesa incidiu sobre o fornecimento de serviços e produtos, e presumo que haverá algum mérito nisso.

A redução do investimento público em equipamento não tem colocado em causa, suponho, o regular funcionamento dos serviços. E quanto ao investimento em infraestruturas, as câmaras têm-se encarregado de animar alguns empreiteiros locais. Há agora ciclovias desde norte a sul, em Bragança até instalaram escultura no começo do traçado ao longo do Fervença. 






Em Bragança 22 quilómetros de ciclovias integram um plano de desenvolvimento de 25 milhões de euros.
Em Lisboa, é o que por aí se vê de obras que, são favas contadas, irão garantir a vitória do sr. Fernando Medina em Outubro. 

Quanto ao facto de descer o défice e subir a dívida só há uma explicação possível e nenhum milagre: há despesa que vai à dívida mas escapa ao défice: por exemplo, mas um exemplo pesadíssimo, as contribuições dos contribuintes para equilibrar os bancos desequilibrados, que têm sido quase todos. 

Quanto à instabilidade da geringonça, parece que é mesmo assim que a coisa funciona: como um borracho que ganha equilíbrio de cada vez que parece que vai entornar-se para um lado, caminha aos ziguezagues e não cai.

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Comentário colocado aqui

Monday, April 03, 2017

OS SANTOS DE TEIXEIRA

"Não tive quaisquer dúvidas quanto à capacidade de Armando Vara" 
- Teixeira dos Santos

Há mais de uma dezena de anos, era, nessa altura, o sr. Teixeira dos Santos presidente do Conselho Directivo da Comissão do Mercado de Valores Mobiliários (CMVM), assisti a uma conferência em Lisboa, presidida por ele, sobre o mercado de capitais em Portugal. 
No fim da oração do presidente, houve o tradicional convite à assistência para perguntas ao orador.
Depois de alguns instantes sem que ninguém levantasse o dedo, ergueram-se três ao mesmo tempo.
Fui o terceiro a ser contemplado com a oportunidade de perguntar.

- Senhor presidente, ouvi-o com toda a atenção, e continuo com uma dúvida sistemática acerca da transparência, melhor dizendo, acerca da falta de transparência dos mercados de capitais, e, sobretudo do mercado do que se convencionou chamar "fundos de investimentos mobiliários". Porque os designados "fundos de investimento" são, por natureza, opacos. Sabemos como evoluem as suas cotações, mas não é possível ao pequeno investidos avaliar, ainda que aproximadamente, o risco associado ao mix de opções feitas em cada momento pelos gestores de fundos: as componentes são sempre em número elevado, as opções dos gestores constantemente variáveis, e sempre retardada a possibilidade do conhecimento da consistência dos valores dos activos investidos. Resumindo: a aposta em "fundos de investimento mobiliários" é uma aposta em algo menos transparente que uma aposta no casino. Pelo que se deveria aplicar-lhes a legislação que regula os casinos e não aquela que regula o mercado de valores mobiliários. 

Houve um burburinho na sala, que logo se calou quando o sr. Teixeira dos Santos, não havendo outras perguntas, respondeu às três questões colocadas, começando pela última, a minha.

- Não posso aceitar, porque não é verdade, que não haja possibilidade do investidor conhecer a constituição de cada fundo, porque é publicamente conhecida, nem que esteja impossibilitado de avaliar o risco que o investimento em cada um comporta.
E mais não disse sobre o tema, passando a responder às duas outras questões.  

Há dias, o sr. Teixeira dos Santos, afirmava em entrevista do "Dinheiro Vivo/DN/TSF", que vale a pena ler para avaliar a capacidade contorcionista do entrevistado,  além do mais, que "não teve quaisquer dúvidas quanto à capacidade de Armando Vara". 

Também não teve dúvidas, na altura, em afirmar que da nacionalização do BPN não resultariam encargos para os contribuintes, mas esta afirmação, reconheça-se, veio a ser, e continua a ser, sistematicamente glosada por todos os ministros das Finanças que sucederam no cargo, e, mais tarde, garantir que os empréstimos da CGD ao BPN  não iriam nunca reflectir-se na dívida pública. 

Hoje, presidente do banco, de capitais predominantemente angolanos, que recebeu os salvados do BPN que, ele, Teixeira dos Santos nacionalizou, reconhece que, também o banco que dirige, vai apresentar resultados negativos de 22 milhões de euros em consequência de imparidades (anteriormente conhecidos por incobráveis) na carteira própria de títulos.

Se bem lida, Teixeira dos Santos está todo nesta entrevista. 
Quanto aos outros todos, que afogaram o país num incontrolado mar de dívidas, são bons rapazes até prova em contrário a cargo da justiça que dorme a sono solto.

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Correl. - Dívida Pública em Fevereiro

clicar para aumentar

"Os supervisores do sector bancário, dos mercados financeiros e dos seguros querem intensificar a actuação do Plano Nacional de Formação Financeira. E Elisa Ferreira refere que a literacia financeira é essencial para o sucesso da supervisão. "A supervisão só é possível se o cidadão comum tiver um nível mínimo de formação" para lidar com aplicações financeiras e para gerir o recurso ao crédito." 
Hoje, aqui, mais conversa fiada.


Saturday, February 18, 2017

SOBRE O QUE NÃO DISSE CENTENO


As notícias domésticas continuam centradas no que disse o ministro Centeno, que se sobrepõem ao apuramento de outras responsabilidades incomensuravelmente muito mais graves e, deste modo, adiam para as calendas o conhecimento público de quem afundou a Caixa Geral de Depósitos.
No centro da guerrilha partidária, o senhor António Domingues, um banqueiro, e as suas não declarações de rendimentos e patrimónios.
   
Já toda a gente percebeu o que disse Centeno, porque é que Centeno não disse o que não disse, quem sabia o que ele iria dizer, quem preparou a informação que habilitou, mal, Centeno a dizer o que disse por ter assumido compromissos que, legalmente, não poderia ter assumido. O que é que falta saber? Nada.

Falta demitir o ministro, exclama mas não reclama a oposição, com medo de deitar abaixo o governo, e este cair-lhe em cima. 

"Ainda não percebi bem, Caríssimo António, por que é que o Centeno deveria demitir-se, ou ser demitido, e o chefe não. 

A partir do momento em que foi descoberto que uma lei pouco recente, para não lhe chamar antiga, tinha sido ignorada, todo o governo se tornou cúmplice da ausência de verdade. E, mais razoável seria, do meu ponto de vista que o PR tivesse decidido manter o governo em funções "em nome do interesse nacional"



De qualquer modo subscrevo o que sobre o assunto disse M Ferreira Leite: São tricas ...



Com tanta insistência neste assunto até parece que, quanto ao resto, vai tudo bem cá pelo síto." - aqui

"O Centeno varreu muito melhor do que muitos, entre os quais me conto, esperavam. 
Mas a limpeza continua ameçada pelos porcalhões dos banqueiros...
Agora, e há mais tempo do que a nossa paciência deveria ser obrigada a suportar e os nossos bolsos a pagar. 
São raros os dias em que não aparecem mais porcarias banqueiras.

Que este e outros governos tiveram que limpar, e nós que pagar.

Pode, admirável Rita, explicar-me porquê? Por que não foram nem são os banqueiros obrigados a limpar as porcarias que fizeram e continuam a fazer?

A pergunta é ingénua mas a resposta é complicada, não é?" - aqui

Monday, February 06, 2017

ONDE ESTÃO OS CINTOS DE SEGURANÇA?


"BCE trava a fundo compras de dívida portuguesa. Janeiro foi o mês menos activo do programa" - 
cf. aqui


Wednesday, January 25, 2017

UM TIPO ESPERTO

"O Governo e o Banco de Portugal receberam uma proposta de António Esteves, ex-Goldman Sachs, de 15 mil milhões de euros, cerca de 8% do PIB nacional, para comprar 30 mil milhões de crédito malparado no sistema bancário português, metade do qual já estará provisionado.
António Esteves garante ter um cheque pronto com o suporte de um grande banco internacional que não revela e um plano traçado com o apoio da consultora Deloitte e do escritório de advogados Vieira de Almeida.
Sem revelar pormenores, o investidor garante que a proposta reúne duas condições centrais para ter sucesso: compra o malparado aos bancos pelo valor que têm em balanço, pelo que não teriam de assumir essas perdas, nem por isso ser recapitalizados; e exige uma garantia pública sobre títulos a serem emitidos em mercado, o que poderia passar pelo crivo europeu das ajudas de Estado." - vd. aqui

Resumindo: O sr. António Esteves propõe-se limpar os rabos dos bancos (até os banqueiros os sujarem novamente) desde que o Estado lhe limpe o rabo com mais dívida pública. 

Monday, January 23, 2017

MENSAGENS VELHAS

O porteiro deste caderno de apontamentos exige-me, para entrar, que clique  em "mensagem nova" e eu ou desisto ou disfarço. Decido-me por carregar, sem comentários, duas mensagens velhas:


Uma - "A dívida pública portuguesa atingiu 133,4% do PIB no terceiro trimestre do ano passado, a segunda marca mais elevada entre os estados-membros da União Europeia (UE). Os dados revelados esta segunda-feira, 23 de Janeiro, pelo Eurostat mostram que a dívida pública portuguesa está entre as que mais subiram tanto em relação ao trimestre anterior como face ao período homólogo, em contra-ciclo com o que se passa no conjunto da zona euro e da UE." - cf. aqui

clicar para aumentar (a imagem ...)

Outra - Juros da dívida portuguesa disparam para quase 4% na maturidade a 10 anos após perspectiva de inflação na Alemanha;