Wednesday, June 27, 2007

VARIAÇÕES SOBRE UM TEMA (2)

Os impostos, já se sabe, são uma praga de que só se livram os que não têm e os que se escapam.
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O comum dos mortais não se livra deles nem da morte. É, portanto, natural que frequentemente apareçam no mercado remédios para reduzir uns e adiar a outra. Quanto aos impostos, não posso se não concordar que devem ser reduzidos, se possível, a zero. Mas não sei como isso se faz. Posso concordar que há quem viva muito melhor que nós pagando muito mais impostos mas, apesar disso, preferia pagar menos. Ora o meu amigo Pinho Cardão acaba de publicar no Quarta República um "post" que dá pelo elucidativo título O dia dia de um tanso fiscal .
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Perguntei-lhe:
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Quem ler este teu "post" e continuar a ver passar a procissão não pode regatear palmas aos andores.
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Porque, meu caro Pinho Cardão, tu tens carradas de razão, desculpa o prosaico da rima. Já há dias, ao ler um outro "post" teu sobre a mesma praga, estive tentado a dizer o mesmo: Bem visto!
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Pessoalmente, pus-me a fazer as contas, devo estar a ser esportulado para o Estado com nada menos de 60% dos meus recebimentos mensais. É demais!
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De modo que, caro amigo, não é por esse lado que te vou incomodar, porque estou inteiramente de acordo contigo. Aparte aqueles que têm engenho e arte para escapar substancialmente a este saque (saberás, por exemplo, se o Berardo paga tanto do tanto que exibe?), a esmagadora maioria, está de acordo.
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O problema começa, como bem sabes, do outro lado.Dizias tu há dias, e dizias bem, que a única forma de reduzir tanta gula do Estado é cortar-lhe na ração.Apoiado!Aliás, é prescrição infalível: se os gordos deixarem de comer terão, fatalmente, de emagrecer.
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Há contudo, neste paralelo, uma incómoda diferença que nos baralha as contas: quem cortar nos impostos, fatalmente terá de cortar nas depesas. E aí é que a porca torce o rabo. A menos que proceda como o G.W.Bush e deixe crescer o déficit.Coisa que, irritantemente, também não nos resolverá o assunto: do que não formos sacados nos impostos seremos espoliados pela inflação.Ou não?
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E chego aqui sem ter descoberto a pólvora: resta cortar na despesa.
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Parece, no entanto, que a carga que nos carrega é, sobretudo, constituída pelos vencimentos dos funcionários públicos.Despedimo-los?
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Por mim não vejo mal. Mas parece que é anti- constitucional.
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Perdoa a rima e diz lá quem sai de cima.

1 comment:

Pinho Cardão said...

Pois já respondi, meu caro Rui!...