Friday, July 29, 2022

O ESTADO É DE BARRO

- "A lei permite que os litígios do Estado em que se discutem dinheiros públicos sejam decididos em tribunais privados, por juízes-árbitros nomeados livremente pelas partes, sem que exista algum mecanismo público que fiscalize a sua imparcialidade e os conflitos de interesses. - mais aqui

- Bom…mas, sendo juiz, o autor defende a classe. Corporativamente. 

- Uma visão distorcida ... e corporativa!







- Recordo-me, a este propósito, de  uma fábula de La Fontaine: a panela de barro e a panela de ferro.
 
Convidou a panela de ferro a panela de barro para um passeio. A panela de barro, receou: tu és de ferro, eu sou de barro ...
Não receies; somos amigas, não somos?
A panela de barro, confiante, aceitou.
Lá foram, conversando, conversando, .... até que ao dobrar de uma esquina, a panela de ferro (eram de três pernas, das antigas) desequilibrou-se, tombou para cima da panela de barro ... e era uma vez uma panela de barro.
Quem fez uma quarta classe feita não pode dizer que não conhecia esta fábula ...

- As regras do jogo tem de ser aceites por ambas as partes . Que são livres de aceitar ou não a formação de um tribunal arbitral. Os juízes na sua posição corporativa nunca gostaram de perder o poder monopolista, mas a via arbitral deve ser desenvolvida como acontece em todas democracias maduras.. e os agentes do Estado abusam muitas vezes do seu poder contra os cidadãos, investidores e empresas…
( ) face à morosidade paralisante dos tribunais administrativos e fiscais, ( ), a outra parte deveria ter a opção de recorrer a arbitragem ao fim de um certo tempo de morosidade..

Wednesday, July 27, 2022

O JOGO DA CABRA CEGA

Só não vê quem não quer ver

"A lei permite que os litígios do Estado em que se discutem dinheiros públicos sejam decididos em tribunais privados, por juízes-árbitros nomeados livremente pelas partes, sem que exista algum mecanismo público que fiscalize a sua imparcialidade e os conflitos de interesses. - mais aqui

Manuel Soares / Presidente da direção da Associação Sindical dos Juízes Portugueses

Tuesday, July 26, 2022

A TERCEIRA ROMA - PARTE 3

Russia says it wants to end Ukraine’s `unacceptable regime’ - aqui


Mas qual é, afinal, o objectivo último de Putin?

- Ser o fundador, o primeiro Imperador do Sacro Império Russo, com Moscovo como Terceira Roma, sendo a salvação humana o objectivo último.
- Não estás a falar a sério …
- Lê estas notícias,

 
E depois a Itália

Na Itália, líder da extrema direita ganha força com discurso pós-fascista - aqui

 
 

 

 

 

Sunday, July 24, 2022

FAÇA-SE ÁGUA

Se isto é verdade ...

FAÇA-SE ÁGUA

Diz-se, sobre Moisés, que foi um grande líder mas um mau ‘navegador’. Afinal, conduziu o povo judeu para o único lugar do Médio Oriente falto de recursos naturais (até descobrirmos, recentemente, gás natural no Mediterrâneo).

Um dos países com maior stress hídrico no mundo, Israel teve de enfrentar o desafio da escassez da água desde os primeiros anos como Estado. Em criança, lembro-me que as notícias da seca eram uma constante e os israelitas rezavam por chuva enquanto se certificavam de que não desperdiçavam água.

A necessidade moldou a evolução deste sector nos últimos 70 anos. Para sobreviver e desenvolver-se, Israel não teve outra opção senão criar uma série de tecnologias e aplicar práticas inovadoras que aliou a reformas estruturais, legislativas e organizacionais.

Israel percebeu, desde cedo, que precisava de uma solução holística em relação à água

O sector sofreu alterações significativas em todos os aspetos porque a única forma de lidar com a sua escassez foi equilibrar a população (exigente e crescente) com a gestão integrada dos recursos hídricos.

Como?

Legislámos. Temos uma lei da água e esgotos adaptada ao terreno;

Sensibilizamos do jardim de infância à terceira idade. A água é uma preciosidade;

Dessalinizamos em larga escala. Cerca de 80% de toda a água potável para uso doméstico provém de cinco centrais de processamento e usa-se água salobra na agricultura;

Reduzimos as perdas de água no sistema nacional de abastecimento urbano. É das mais baixas do mundo (5% a 8%);

Controlamos, rigorosa e continuamente, a qualidade da água;

Purificamos e reutilizamos. 95% das águas residuais são purificadas e 87% reutilizadas para a agricultura. A água tratada regressa à natureza.

Apostamos na irrigação de precisão. A por gotejamento foi apenas o começo sendo também o melhor método para aplicar fertilizantes em doses muito específicas. O desenvolvimento de variedades agrícolas menos ‘sedentas’ e a extração de água do ar são também áreas que desenvolvemos.

Apostamos na tecnologia da água. Está em constante evolução.

Não foi um milagre. Foi a soma destes fatores que tornou Israel o líder global no sector da água. Até exportamos para os países vizinhos, como a Jordânia e a Autoridade Palestiniana. Os recursos naturais transcendem fronteiras políticas e podem ser geridos cooperativa e sustentavelmente para maximizar a prosperidade de todos os atores na região. Dizia-se que seria a razão da próxima guerra no Médio Oriente mas, com os acordos que Israel alcançou com os seus vizinhos, a água está a tornar-se numa solução criadora de paz.

Israel percebeu, desde cedo, que precisava de uma solução holística em relação à água, capaz de promover ações não só para a poupar mas também para a produzir. É aqui que podemos contribuir como país com um dos sistemas hídricos mais avançados do mundo. Mais: é nosso dever moral partilhar conhecimento e experiência para encontrarmos a melhor solução para qualquer lugar na terra.

Atualmente, Portugal tem 66% do país em seca extrema e 34% em seca severa. A gravidade é tal que o governo está a preparar novas campanhas de sensibilização para um uso mais eficiente e consciente da água.

Israel tem a experiência e a tecnologia e estamos disponíveis para trabalhar com Portugal para que encontre, mais rapidamente, as melhores soluções para fazer face à escassez deste bem.

Todos temos de agir e podemos fazê-lo juntos.

Embaixador de Israel em Portugal

c/p - aqui

… e isto aqui: A água que se perde na rede de distribuição do Algarve daria para regar 40 campos de golfe

A EUROPA NA ARMADILHA

- Muito más notícias para a economia europeia. (Europe caught in a trap) - in Michael Roberts Blog * (Economista Marxista)

- Muito más notícias para o mundo.

Podia a Europa (e os EUA, e ..., e....) evitar a armadilha após o começo do arrasamento da Ucrânia em 24 de Fevereiro?
Podia, se visse, ouvisse, e se mantivesse calada como os três macaquinhos.
E depois se subjugasse ao diktat do ditador.
Os franceses (não só) abdicaram e bateram palmas (não todos, mas muitos) às tropas nazis em desfile pelos Campos Elíseos. E Paris foi poupada.
Apenas Churchill, no meio de uma cobardia generalizada dominada pelos ventos nazis, fascistas, etc. preponderantes na Europa,desafiou e enfrentou o monstro. Stalin fez um acordo com ele, arrependeu-se quando os ventos mudaram de direcção.
Mas a história não se repete e nem Churchill tinha o poder bélico nuclear, nem Hitler, que Putin detém e ameaça, repetidamente, usar quando assim decidir..
Ontem os russos atingiram Odessa e um navio ucraniano, depois de no dia anterior terem assinado acordos envolvendo a ONU e a Turquia para, finalmente, começarem a poder sair carregamentos de cereais para países onde se morre à fome.
Que fazer? Não sei, nem posso fazer nada.
Mas quem escreve que a Europa caiu numa armadilha e explica profusamente com gráficos as consequências previsíveis, o que pretende?
Exacerbar os instintos primitivos de sobrevivência da espécie e os consequentes comportamentos extremistas que desembocam no fim das democracias liberais e dos seus valores?
 
 

PORCARIA A MAIS

" Foi o coração que lhe sussurrou ao ouvido para seguir psicologia clínica mas, ao fim de algum tempo, a barriga dizia-lhe que não ia conseguir sobreviver." - aqui   

""de acordo com as notícias veiculadas pela comunicação social, a senhora presidente do conselho diretivo do  IEFP poderá ter recebido prestações sociais indevidas, designadamente de subsídio de desemprego". - aqui

- Que fazer, senhora ministra?

- Hein? ... Nada a fazer ... foi um descuido ... mas ela está pronta a devolver ... é uma atitude muito honesta, uma atitude dos nossos. 

 

 

E DEPOIS DO ACORDO

Rússia admite que atingiu barco militar no porto de Odessa

A porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros da Rússia, Maria Zakharova, admitiu este domingo que as forças russas atingiram um barco militar ucraniano que estava no porto de Odessa com mísseis de alta precisão. - aqui

Quem vai conseguir parar o Terrorista Global?

 

Tuesday, July 19, 2022

COM O MAL DOS OUTROS POSSO EU MAL

 ...

- Estive a ler o que escreveu há dias no seu blog, o artigo acerca dos vizinhos dos russos ..., para mim russos e ucranianos são a mesma gente, aquilo tem muita história por trás, ... há uma guerra entre eles, há muita destruição, pois há, mas a guerra, todas as guerras em todos os tempos fizeram muita  destruição, é mais do mesmo  ... as televisões durante dias não falaram de outra coisa, o covid desapareceu com a entrada da guerra   ... transmissões diárias em directo de vários locais ... foi uma fartura de guerra, de mísseis, de tanques, ... agora chegaram os fogos, desapareceu guerra, agora os directos são de onde há incêndios ... o covid acabou? a guerra acabou? ... li o seu artigo e parece-me que só o meu amigo é que está preocupado com a guerra entre ucranianos e russos, mas aquilo não passa de um mal entendido entre vizinhos, que são a mesma gente, acabarão por entender-se ... e depois, aquilo passa-se longe, muito longe daqui, daqui até lá, onde há combates são quase cinco mil quilómetros ... cinco mil quilómetros, meu caro, é muito quilómetro, ... aquela guerra está muito longe daqui, ... com o que é que o meu amigo está preocupado? que eles venham por aí abaixo e arrasem isto? não se preocupe, esqueça os russo, esqueça os ucranianos, ... com o mal dos outros podemos nós bem, não é?

 


Tuesday, July 05, 2022

A CULPA DOS RUSSOS

...

- Também discordo da invasão da Ucrânia, mas ...

- Aquilo não é invasão, aquilo é arrasamento, genocídio; o que os russos estão a fazer é uma destruição de cidades inteiras, atingindo indiscriminadamente não só instalações militares como edifícios civis, incluindo hospitais, maternidades, escolas, centros comerciais, zonas residenciais, bombardeados por mísseis disparados de longas distâncias. ..

- São imagens horríveis, sem dúvida. Mas não devemos confundir Putin e a governo do Kremlin com o povo russo ...

 - ... o ditador dá ordens para disparar para objectivos calculados com grande precisão que os meios de localização hoje permitem, e o míssil sai, e dentro de segundos o objectivo é atingido, os edifícios destruídos, as notícias são conhecidas em todo o mundo livre, os mortos, os feridos, e o ditador rebola-se contente e feliz. E o povo aplaude! 

- Não sei se o povo aplaude ...

- É o que dizem as sondagens feitas por instituto russo de idoneidade reconhecida: oitenta por cento dos russos está do lado de Putin e dos seus capangas. Os russos, na sua esmagadora maioria batem palmas  aos sucessos da pontaria dos seus mísseis disparados de longas distâncias.

- Há quem discorde ...

- Há, desde que não se manifeste. Aqueles que se manifestam ou são presos ou envenenados à distância, sempre bem longe do refúgio do assassino,

- Não pode menosprezar-se o facto de grande parte do território russo fazer parte do continente europeu e a sua cultura. Grandes nomes da cultura europeia eram russos: Tolstoi, Dostoievski...

- Dostoievski, um nome maior da literatura russa e um dos maiores da cultura europeia, foi condenado a trabalhos forçados na Sibéria, acusado de conspirar contra o czar. Há outros grandes nomes da cultura russa  e da cultura europeia, não só no campo da literatura e da música; Pushkin, Tchekhov, Gogol, Tchaikovsky, Rachmaninoff, Stravinsky, Prokofiev ...Prokofiev morreu no mesmo dia que Stalin mas a sua morte não foi desde logo anunciada para não ofuscar as homenagens que o regime prestou ao ditador. Mas que luminosidade se projectou sobre a cultura de um povo, na sua imensa maioria ignorante e servo? Quase nenhuma, se alguma existiu. O mesmo se pode dizer da literatura e da música durante o regime soviético, durante o qual aqueles que ousassem contestar o regime ou emigravam ou eram perseguidos e desterrados para a Sibéria. Leu o Arquipélago de Gulag?

. Não podemos ostracizar nem desvalorizar a cultura russa...

- Obviamente, não. Mas a maioria do povo russo que apoia Putin não o faz por orgulho nos seus poetas, escritores, compositores, músicos, artistas, mas por admiração pela ambição desmedida de um ditador querer conquistar o mundo. É a ele que bate palmas, não bate palmas a Dostoievski. Aliás, esta situação não tem nada de original, tem-se repetido ao longo dos séculos. Quem aplaudiu de forma acéfala Hitler, Mussolini, e outros ditadores menores, não foram povos com culturas recheadas de nomes que iluminaram o mundo mas se apagaram quando o delírio do povo os fez matar e morrer por causas apenas movidas por promessas de fortuna e poder  que os demagogos nunca podem cumprir? Goethe, Thomas Mann, Dante, Beethoven, e tantos outros? Não aplaudiram os franceses, entusiasticamente, as tropas nazis a desfilarem nos Campo Elíseos? Não todos, evidentemente. Mas de que lado estava naquele momento o povo francês? Quantos, dos que aplaudiam Hitler nos Campos Elíseos eram o povo francês?  Os que resistiram, relativamente poucos, na clandestinidade?Vítor Hugo,Voltaire, Claude Monet, e tantos outros, quem inspiraram naquela época de vergonha que nem a Marselhesa motivou?

- Putin não é Hitler.

- Não, Putin não é Hitler, porque Putin é muito mais perigoso com as armas, sobretudo o arsenal atómico  de que dispõe e que Hitler não tinha. Hitler, mesmo que quisesse, no momento em que se viu encurralado no bunker com os seus mais fiéis, não podia eliminar a espécie humana. Putin pode.

- Não acredito nisso. 

- Acreditar é uma questão de fé, de esperança, se quiser, mas não tem fundamentação científica. Acreditar, em muitas circunstâncias é motivador, noutras pode ser irresponsabilidade e até crime contra as vítimas da ausência de acção em tempo oportuno.

- A decisão de usar o armamento atómico não depende apenas dele.

- Ninguém sabe como uma decisão dessas será tomada, agora ou algum momento no futuro, para desencadear uma guerra atómica. O que se sabe é que instintivamente o ser humano tem como objectivo imediato salvar a pele e apoiar a decisão do comandante para não considerado traidor e eliminado imediatamente se manifestar desacordo. 

- Estás a ser demasiado pessimista. O pessimismo não faz bem a ninguém. Desafiar Putin pode desencadear a guerra nuclear e o stock nuclear existente em todo o mundo é, provadamente, mais que suficiente eliminar a espécie humana.

- Então a alternativa é deixá-lo avançar até onde ele quiser ir? Subserviência global?

- Não sei dizer. E tu, sabes?

. Sei que enquanto não for totalmente desmantelado o arsenal nuclear, com Putin ou outro Putin qualquer, subsistirá a a ameaça de extermínio da espécie humana.

- Utopia ...

- Será utópico, mas é  a única forma de garantir a sobrevivência da espécie humana. Passa, no entanto, pela consciencialização global (deprimente, reconheça-se) de que a humanidade está  à beira de um precipício que o equilíbrio do terror, com corrida aos armamentos nucleares durante a "guerra fria", tornou mais evidente. 

- Consciencialização global ... O que é isso?

- Exacatamente o contrário da ignorância global que os povos têm deste perigo.

- E se tivessem, o que acontecia?

- Os russos, por exemplo, não apoiariam um ditador que desde o começo do arrasamento da Ucrânia, que ele começou por chamar a 23 de Fevereiro, uma operação militar especial  na região do Donbas, e ao mesmo tempo avisava ter colocado o sistema nuclear em estado de alerta, precisando o seu ministro dos estrangeiros que não se tratava apenas de uma decisão de dissuasão mas de acção imediata se e quando assim entendessem. Os oitenta por cento da população russa que apoia Putin tem conhecimento de que a operação especial se tornou numa operação de arrasamento e terror? Não é credível que não tenha. De outro modo por que razão apoiaria Putin se dos efeitos possíveis da ameaça não sobrará ninguém?