Showing posts with label Itália. Show all posts
Showing posts with label Itália. Show all posts

Tuesday, February 26, 2013

BEPPE GRILLO

Beppe Grillo não é um pândego qualquer. O resumo biográfico publicado na Wiki explica de algum modo os 25,55% dos votos que conseguiu ontem e que, com os arrebatados pelo Cavaliere, confirmam o que as sondagens previam: os italianos, como é de regra, e as regras do jogo eleitoral italiano propiciam, optaram mais uma vez pela confusão política à sua moda. Beppe Grillo foi o candidato individualmente mais votado mas não aceita participar em coligações, Berlusconi trocará as ligações políticas como troca de ragazze.
 
Sobre Mário Monti, humilhado com um quarto lugar, recaiu a fúria da esmagadora maioria do eleitorado contra a política de austeridade. Sobre os resultados, escreveu Beppe Grillo no seu blog - Il Blog de Beppe Grillo -, um dos dez mais lidos do mundo, que
 
os italianos não votaram ao acaso, ao escolherem nestas eleições quem os representa. Na Itália há dois blocos sociais: O primeiro, é composto por milhões de jovens sem futuro, com empregos precários ou desempregados. A este bloco também pertencem outros excluídos, aqueles que recebem pensões de fome, os pequenos e médios empresários que vivem sob um regime de polícia de impostos, alguns dos quais o desespero atira para o suicídio. O segundo bloco social é formado por aqueles que querem manter o stato quo, aqueles que passam pela crise mais ou menos incólumes. O primeiro grupo quer a renovação, o segundo a continuidade. Quem votou em Beppe Grillo pertence em geral ao primeiro grupo. Nos próximos dias, vamos ver um renascimento do governo com outro  Monti.

Esta, a conversa de Beppe que, no entanto é suficientemente rico para poder financiar a sua campanha eleitotal e, além de outro sinais exteriores de riqueza, ter o seu iate e um Ferrari sport. Beppe Grillo e Berlusconi são dois exemplares da mesma tara político-social - o populismo - que geralmente ataca as democracias fragilizadas pelas crises económicas e se alastra contagiando a vizinhança. Se do caos resultante destas eleições em Itália retirarem os vizinhos do norte o entendimento de que, talvez, nem eles estarão imunes de serem atingidos pelo morbo, talvez a Europa volte a carrilar. Se assim for, Beppe Grillo, que se propõe criticar mas não governar, pode ter dado um contributo colocar nos eixos um combóio descarrilado. Talvez por isso Stiglitz lhe tenha dado o seu apoio.

Sunday, December 09, 2012

O QUE DIZ BARROSO

O eventual Goodbye do Reino Unido à UE é o tema da capa do Economist desta semana. A mesma semana em que Berlusconi anunciou retirar a confiança a Mário Monti, e este replicou que, não estando disponível para ser marioneta do Cavaliere, se demitirá logo que o orçamento para o próximo ano seja aprovado. E na mesma semana em que, por cá, as contradições nos discursos do primeiro-ministro e do ministro das Finanças a propósito do recurso ou não às medidas concedidas à Grécia,  se prestaram a críticas de todos os quadrantes, sendo que uma das menos amáveis saltou da boca de Marques Mendes: Vitor Gaspar está a gozar com o pagode. Mais demolidor, parece impossível.  A este propósito, Durão Barroso reafirmou numa entrevista concedida ontem o que tinha dito há dias: Espero que Portugal não peça condições iguais à Grécia.

O que é estas questões têm a ver umas com as outras?
Começando pelo fim: Barroso alinha com Schäuble na aposta (sincera ou não) de que Portugal está no bom caminho para voltar aos mercados em meados, e que resolveremos a incerteza sobre o financimento em 2013". Segundo esta aposta, alinhar com a Grécia, ainda que parcialmente, nas concessões que lhe foram feitas levaria a emparceirar-nos com os gregos no descrédito junto dos investidores. Mas existe alguma segurança de que Portugal venha a ter dentro de um ano possibilidade de se financiar no mercado sem correr o risco de uma recaída? Não há.

A Zona Euro entrou em recessão no terceiro trimestre, as perspectivas de evolução da economia portuguesa (muito dependente da situação na UE apesar de alguma diversificação observada nos destinos de algumas exportações portuguesas para espaços extra-comunitários) têm vindo a ser sistematicamente revistas em baixa, e não se perspectiva nenhuma onda que corra em sentido contrário ao desta maré baixa.

Para complicar o exercício, Berlusconi, que tinha sido empurrado para fora dos comitês europeus, tira o tapete a Monti e nunca se sabe até que ponto o delírio italiano pode voltar a devolver-lhe o poder. Encontrando-se a Itália em risco de cair em default se não for amparada, o eventual regresso do Cavaliere só pode contribuir para uma ainda maior instabilidade na UE e, em primeiro impacto, na Zona Euro. É neste contexto perturbado que os eurocépticos britânicos se preparam para forçar um referendo que obrigue Cameron a dizer adeus à Europa.

E que Portugal se vai lançar no trapézio sem rede?
Não se lembra Barroso que o País já se encontrava de tanga quando ele desertou e entregou o governo à bicharada? Esperemos que, quando for oportuno, se lembre disso o país.

Friday, October 05, 2012

ACONTECEU EM ITÁLIA

Passos Coelho forçou a queda de Sócrates quando este já tinha entrado em desequilíbrio imparável. Percebeu-se que tinha pressa de segurar o tição em labaredas.
.
Para assegurar a garantia de cumprimento dos compromissos decorrentes do programa de ajuda externa, as entidades participantes impuseram que o contrato fosse subscrito pelo governo que estava de saída (e negociara o contrato de assistência) e pelos partidos que iriam suportar o próximo executivo. Ninguém ignorava que o país estava numa situação extremamente crítica, sem paralelo na história recente. Mesmo assim, Passos Coelho prometeu cumprir os compromissos assumidos com a troica dispensando liminarmente a participação nesse esforço enorme do partido que suportara o governo mais responsável pela dependência externa a que o país chegara. Mais: Prometeu que o cumprimento desses compromissos se faria sem aumento de impostos porque o Estado estava excessivamente gordo e o seu emagrecimento seria suficiente para colocar o défice dentro dos trilhos traçados no acordo.

Era muito provável que falhasse. Desatrelado do cumprimento das obrigações que o governo que suportava havia negociado, o PS passou, obviamente, a contestar as medidas sem colocar em causa os objectivos acordados com a troica. Alguns desses objectivos (a reforma administrativa, por exemplo) eram, e continuam a ser, inexequíveis sem um consenso partidário muito alargado. O incumprimento de outros, dependentes em grande medida de factores exógenos, seriam, e estão a ser, objecto de contestação social que a extrema esquerda explora e em que o PS se incorpora.

A política de austeridade imposta e aceite pelos representantes do PS, PSD e CDS, seria recessiva e a recessão inevitavelmente causa de desemprego. Aliás, a súbita paragem do crescimento sustentado pelo crédito externo, dirigido em grande medida para a construção civil, determinaria sempre um forte crescimento do desemprego sem alternativas de absorção dos desempregados noutras actividades, mesmo a médio prazo. Os pressupostos, já conhecidos, de OE para o próximo ano, não vão inflectir a tendência recessiva mesmo que o Governo venha a anunciar medidas de apoio a algumas empresas dos sectores transaccionáveis, se elas forem consentidas pelas regras comunitárias*. Dificilmente, portanto, o ritmo recessivo será reduzido e o crescimento do desemprego desacelerado. Se não houver renegociação das condições financeiras do acordo, a espiral recessiva é imparável.

Tudo isto explica, se outras causas não existissem, o contínuo isolamento de Passos Coelho. Desamarrado o PS, ainda que continuamente recordados os compromissos que assumiu, porque é aos meios e não aos objectivos que se agarram os desacordos, incomodado o CDS com a inevitável impopularidade que o acordo que subscreveu implicaria em qualquer caso, começa a debandada do PSD. Primeiro, dos que sempre contestaram Passos Coelho (Salgueiro afirmava há dias que Passos Coelho não estava preparado para governar, Ferreira Leite tem sido crítica desde a primeira hora) agora, daqueles que de algum modo lhe deram apoio político até à eclosão do descontentamento generalizado actual.

E há alternativa? Em democracia, há sempre alternativa. Mas eleições antecipadas não são, seguramente, uma alternativa susceptível de mudar o que pode ser já mudado sem elas. Se o CDS abandonar o Governo e Passos Coelho persistir no seu isolamento, a contestação social vai galopar perante a, pelo menos aparente,  impassividade do PR.

À espera que a troica resolva também este impasse?

---
Correl.- Hollande imita Passos Gaspar Coelho

Tuesday, August 28, 2012

O TEMPO E O DINHEIRO

A situação na Grécia volta à ribalta da tragédia europeia. Contra o cada vez maior número daqueles que sentenciam a  sua saída do euro, insurgem-se os líderes gregos. O actual primeiro-ministro Antonis Samaras afirmava há dias que a saída do euro seria devastadora para a Grécia e prejudicial para a Europa. Significaria uma nova quebra de cerca de 70 por cento no nível de vida dos gregos que, neste momento, já recuou 35 por cento por causa da acção combinada da desvalorização e da inflação. E admitia a hipótese de vender algumas das ilhas desabitadas, sem perda de soberania sobre as mesmas. (cit. aqui)

Hoje, Venizelos, o lider do Pasok (cit. aqui) afirmava que  "Conversas sobre saída da Grécia do euro devem acabar" e que "a Grécia não precisa de mais dinheiro, apenas de mais tempo para cumprir o programa de reformas".
.
Quem parece não comungar deste optimismo de Venizelos é, por exemplo, o Crédit Agricole que (cit aqui) pretende vender aos gregos a sua subsidiária na Grécia,  Emporiki, e continuar a redução da sua exposição em Espanha e na Itália. Mais tempo é o que os bancos agradecem para se safarem dos créditos incobráveis.  

Em Portugal temos nova visita dos troicos para auditoria do progresso das reformas, consequências  e danos emergentes. O Governo português tem afirmado e reafirmado que não precisa nem de mais tempo nem de mais dinheiro, mas, recentemente, com o défice a desobedecer às instruções dos domadores, é muito provável que venha a solicitar uma coisa e outra. 

O que se traduzirá, se vier a acontecer, num adiamento do reconhecimento daquilo que há muito é evidente: Nem Portugal, nem a Espanha, nem a Itália, e muito menos a Grécia, podem safar-se da teia em que se encontram emaranhados enquanto os juros da dívida não forem os suportáveis. 

Mais dinheiro implica mais dívida e mais juros. Mais tempo implica não fazer amanhã o que não se quer fazer hoje. A solução do imbróglio é política. Ou há condições políticas para reduzir a carga que esmaga os países ameaçados e restaurar a confiança dos depositantes desses  países ou não há nem tempo nem dinheiro que possa desatascar a zona euro, e por tabela a União Europeia, dos terrenos movediços em que todos (uns mais que outros) estão metidos. 


Thursday, August 09, 2012

E SE AMANHÃ HOUVESSE UMA CORRIDA AOS BANCOS NA ALEMANHA?

E se amanhã houvesse uma corrida aos bancos na Alemanha, o que diria Dona Merkel ao senhor Draghi?

É impossível uma corrida aos bancos na Alemanha? Não é impossível.
Nenhum banco, mesmo um conjunto de bancos dispostos a conceder liquidez uns aos outros, está imune a uma corrida aos bancos se o banco central que os suporta não tiver a capacidade para tornar ilimitada a liquidez do sistema. A Reserva Federal Americana (Fed), o Banco de Inglaterra, o Banco do Japão, todos os bancos centrais podem, se as circunstâncias o exigirem, emitir a moeda necessária para eliminar a hipótese de uma corrida aos bancos. O Banco Central Europeu não possui essa capacidade, daí a possibilidade (embora remota em alguns países membros da zona euro) de poder ocorrer uma corrida aos bancos.

Uma corrida aos bancos pode ser, portanto, inteiramente racional. Mervyn King, governador do Banco de Inglaterra, disse uma vez que pode não ser racional o princípio de uma corrida aos bancos mas é racional participar numa. De acordo com este princípio é normal que os depositantes gregos e espanhóis levantem o seu dinheiro dos bancos. Se, além disso, há especulação acerca da saída Grécia da zona euro, então é racional que os gregos retirem o seu dinheiros do país. (aqui)

Recentemente, a Grécia, onde a probabilidade de saída do euro não se reduziu, já não é a hipótese mais preocupante para a continuidade da zona euro. A Itália e a Espanha, mas sobretudo a primeira, pela dimensão das suas economias e a intersecção dos seus sistemas bancários com os dos outros membros da zona, nomedamente, alemães, franceses e holandeses, podem desencadear um processo de desconfiança global na zona euro que atingirá inevitavelmente a Alemanha.

Talvez por isso, certamente por isso, suponho, Dona Merkel está tão interessada em angariar tempo para os bancos alemães para se imunizarem contra as falências que venham a ocorrer em membros da zona euro.

Se, por razões incontroláveis, a zona euro vier a desintegrar-se, a confiança na moeda única europeia, mesmo que subsista no norte da Europa, esboroar-se-á. Até que ponto? Ninguém sabe. Mas a dúvida subsiste:

Se amanhã houvesse uma corrida aos bancos na Alemanha, o que diria Dona Merkel ao senhor Draghi?


Saturday, August 04, 2012

UM CASO MUITO COMPLICADO

Segundo o El País de hoje, Rajoy empieza a asumir el nuevo rescate, o que significará que, se o pedido de novo resgate  vier a concretizar-se, o orgulho espanhol terá de submeter-se a um conjunto de acções que a troica prescrever segundo o receituário já conhecido, definido pelo FMI e pelos alemães.

Digo alemães, porque no ponto a que o confronto europeu chegou - quem duvida que há hoje um confronto latente entre os europeus do norte e do sul? - a opinião pública será decisiva no desenrolar dos acontecimentos nos próximos meses. E a opinião pública alemã, segundo as últimas sondagens conhecidas, está a mover-se no sentido da desintegração europeia, mesmo que Merkel e Schäuble repetidamente afirmem publicamente pretenderem o contrário quando dinheiros do sul se refugiam na compra de dívida alemã a taxas negativas e os países do sul pagam taxas de juro insuportáveis em contexto económico recessivo.

Quando Rajoy começou por rejeitar o apoio externo aos bancos espanhóis insolventes, argumentando que a Espanha não carecia de ajuda exterior, a basófia pareceu despropositada. Agora, quando a cena se repete porque, para além da insolvência do sistema financeiro, se revelou a falência de várias comunidades autónomas, a reacção de Rajoy precisa de ser reinterpretada.

Transcrevo do El País:

"Mientras, Rajoy sigue moviéndose para intentar que se apliquen los acuerdos de la última cumbre y así pueda intentar evitar pedir el rescate suave o al menos hacerlo en mejores condiciones, cuando entre en vigor el ESM. El presidente ha mandado una carta a Herman Van Rompuy, el presidente del Consejo Europeo, en la que exige que se pongan en marcha los mecanismos acordados en la última cumbre. En ella, Rajoy pide muy claramente a Europa que compre deuda de los países que cumplen y recortan, como España.

“En la cumbre se acordó que el instrumento más adecuado son las compras [de deuda] en los mercados. El anuncio reciente de la posibilidad de dotar al ESM [el nuevo fondo de rescate] de una ficha bancaria complementaria refuerza de forma muy eficaz esta idea”. Rajoy recuerda que los nuevos mecanismos no se han puesto en marcha cuando se esperaba, el 9 de julio. Por eso pide una urgente reunión del Eurogrupo para tomar esas decisiones.

Rajoy se mostró impaciente con Europa e indignado con una situación en la que Alemania se financia a tipos negativos y España lo hace al 7%. “Si hablamos de un proyecto político, de convivencia, no se pueden aceptar estas diferencias en una zona de moneda común. No sucede en ningún área monetaria del mundo, es imposible que pase”, lanzó con evidente molestia. Pero esas soluciones sobre la estructura del euro, si llegan, son a medio plazo. En la más perentoria, la de la petición de ayuda al fondo de rescate, el giro de ayer fue evidente y todo parece ya poco a poco encauzado hacia ese temido redil."

Há no comportamento do directório alemão (a França deixou de contar, Monsieur Hollande saiu de cena)
o intuito cada vez mais claro de ganhar tempo para safar os bancos germânicos. Às boas intenções das suas propostas seguem-se os condicionalismos conhecidos. Rajoy e Monti estão, deste modo, a ser confrontados com condições que dificilmente podem ou serão autorizados a aceitar. 

Quando os italianos votarem am Abril do próximo ano, dificilmente os partidos que se apresentarem às eleições com um programa de aceitação de condições que claramente não conseguirão cumprir, poderão vencê-las. Até lá, Monti, designado primeiro-ministro por uma coligação de partidos que não quererão chegar a Abril comprometidos, não tem margem de manobra para contrariar uma discussão política que tenderá a polarizar-se na culpabilização dos tedescos. Aliás, a saída de Itália da zona euro seria, segundo um estudo do Bank of America que registei neste caderno há duas semanas atrás, vantajosa para os italianos; pelo contrário, e ainda segundo esse mesmo estudo, a Alemanha seria perdedora se saísse, mas estas conclusões não as reconhecem, pelos vistos, os alemães.

Quanto a Espanha, porque não há uma Espanha mas várias Espanhas, a capacidade de Rajoy levar os espanhóis a abdicar e obedecer aos desígnios alemães, é muito limitada desde logo pela contestação das comunidades autonómicas às medidas de austeridade que o seu governo decida aceitar. Perante Rajoy levantam-se várias "Madeiras" e outros tantos "Albertos João", menos burlescos mas não menos duros de roer.

E têm outra saída?
Têm, se Merkel & Companhia se convencerem e convencerem os alemães que não basta dizer que pretendem salvar a zona euro mas levarem por diante as medidas que a podem salvar.  

Tuesday, July 24, 2012

A ZONA EURO E O DILEMA DO PRISIONEIRO


David Woo e Anastasios Vamvakidis, estrategas do Bank of America, aplicaram  o Dilema do Prisioneiro à perspectivação do futuro da Zona Euro*.

John Nash, Nobel da Economia em 1994, é conhecido sobretudo pelo "Nash equilibrium" no campo da Teoria dos Jogos. Inspirado na sua vida, Russell Crowe filmou "A Beautiful Mind". O intrincado "Nash equilibrium" é geralmente explicado através do "Dilema do Prisioneiro": Dois indivíduos são presos acusados de um crime grave, de que se desconhece o autor. O investigador da polícia coloca-os em dois quartos separados e oferece a cada um deles as seguintes alternativas: se um testemunhar contra o outro, o denunciante é libertado e o outro apanha cinco anos de prisão; se ambos se calam, cada qual é preso durante um ano; se ambos confessarem, ficarão cada um deles três anos na cadeia.

O "Nash equilibrium" consiste na dedução de que, num conjunto de estratégias possíveis, nenhum jogador ganha alguma coisa alterando a sua estratégia unilateralmente. No exemplo dos prisioneiros, a melhor estratégia é, obviamente, aquela em que ambos não falam. Substituindo os prisioneiros pela Alemanha e Grécia, as opções serão "eurobonds" ou "no eurobonds" e, seguidamente, "austeridade" e "não austeridade".  Se Alemanha e Grécia não cooperarem em equilíbrio, a Grécia não aceita mais austeridade, a Alemanha não permite os "eurobonds". Sendo uma imagem simplificada de uma realidade muito complexa, reflecte a essência do problema: nenhuma das partes pode, unilateralmente, decidir qual a solução mais vantajosa para o conjunto. A união fiscal seria, neste caso, a melhor opção.
.
Os investigadores do Bank of America calcularam os custos e benefícios de uma saída voluntária da zona euro para os países mais fortes e os mais fragilizados. Depois estimaram as hipóteses de saída organizada e o impacto no crescimento, taxas de juro dos empréstimos e o défice das contas públicas após a saída.

As conclusões são inesperadas: A Itália e a Irlanda têm mais vantagens em sair que a Grécia; A Itália apresenta boas possibilidade de sair organizadamente, e aumentará a sua competitividade, de crescimento e redução do défice. Por outro lado, a Alemanha, sendo aquela que te maiores possibilidades de sair organizadamente é aquela que tem menores vantagens em sair porque verá o crescimento cair, os custos dos empréstimos subirem, e o défice agravar-se.

Partindo destes resultados, Woo e Wamvakidis prevêem que o jogo europeu se desenrolará em três períodos: primeiro, a Itália decide se sai ou fica. Se decidir não pagar, a Alemanha paga para a Itália ficar, e a Itália perguntar-se-á novamente: "Devo sair ou ficar?". O "Nash Equilibrium" vai no sentido de Itália sair no primeiro período, comprometendo o futuro da zona euro.
---
* cit. em Euromonitor 
----
Correl. - Cataluña acudirá al fondo de rescate La Generalitat es el tercer Gobierno autónomo que decide acogerse al Fondo de Liquidez La deuda catalana asciende a 42.000 millones de euros, la más alta de España (El País)

El consejero catalán de Economía, Andreu Mas-Colell, en el Parlament.

Wednesday, July 11, 2012

OS MALES DOS OUTROS

Rajoy sube el IVA del 18% al 21% y suprime una paga a los funcionarios
El IVA reducido sube también del 8% al 10% como parte de un paquete de medidas económicas para ahorrar 65.000 millones
El Gobierno reducirá un tercio el número de concejales y fijará el sueldo de los alcaldes - El País

Com o mal dos outros podemos nós bem, é, das sentenças populares, a que melhor revela o egoísmo que em doses variáveis se aloja na idiossincrasia de cada indivíduo. Salvo os casos de ocorrência de situações de moléstia contagiosa a dar a volta ao mundo, a condição humana, reage, quando reage, na razão inversa da distância física que separa os isentos dos apoquentados. Ainda que a tecnologia de hoje nos traga a casa, em tempo real, imagens de gente aflita em cada canto do mundo, a torrente de desgraças é tão forte que, por defesa instintiva, vemos mas apenas remotamente e por breves instantes sentimos o que vimos. É esta dose variável de egoísmo que, extrapolada para as sociedades, as inclina para os desequilíbrios e os confrontos que fazem a parte negra da história da humanidade.

Os espanhóis vão pagar mais IVA? Toca a todos. E sorte têm eles de só pagarem 21%!
Os funcionários públicos receberão menos um mês de salários? Cá cortaram dois.
Os juros da dívida não param de subir? Quem os mandou também gastar tanto? 
Os bancos estão em apuros? Onde é que não estão?
Cameron e Hollande concordaram numa UE a duas velocidades? Só duas?
.
Consoante o vizinho, assim a reacção. De um lado, os portugueses sentir-se-ão menos deprimidos porque passam a estar mais acompanhados no infurtúnio; do outro, os franceses, enchem o papo de ar   por empraceirarem ao lado da Alemanha no financiamento a custo do zero da sua dívida soberana. Os alemães emproam-se nas águas das virtudes calvinistas.

O que todos, estes e os restantes, parecem, além do mais, desconhecer é que o mal é mesmo contagioso, que a Espanha detem o recorde de desemprego mundial, que os espanhóis há muito aprenderam a matarem-se uns aos outros, e que se persistir a prevalência do egoísmo na União Europeia, se  não for percebido que com o mal dos outros não podemos nós bem, a moléstia dizimará o grupo.  

Hoje sabe-se que medidas podem suster a crise. O que não se sabe é se e quando os protagonistas decidirão tomá-las. 
---
Correl. - Há cerca de um mês, Joseph Stiglitz classificava como "voodoo economics", (designação perjurativa da política adoptada pela administração Reagan nos EUA na década de 80 do século passado, a concessão de créditos para a recapitalização dos bancos (no caso, espanhóis):  Stiglitz está convencido de que o plano de emprestar dinheiro a Espanha para fortalecer seus bancos pode não funcionar. Stiglitz diz que o governo e os credores do país estarão, na realidade, apenas apoiando-se uns aos outros, não garantindo soluções de longo prazo para a crise em curso. (aqui

Saturday, May 26, 2012

A HORA DA VERDADE

O cerco aperta-se. Aos resultados da repetição das eleições na Grécia que podem colocar a extrema esquerda no poder e destroçar um sistema financeiro já fortemente abalado, juntam-se as notícias do progressivo agravamento da situação dos bancos espanhóis, com particular destaque, pela sua dimensão, o Bankia, já parcialmente nacionalizado.

Segundo El País, o relatório do Bankia publicado ontem avisa os accionistas que podem perder tudo se não reforçarem as suas participações. Em 2011 as perdas do Bankia atingiram os 2979 milhões de euros, um valor que estrondosamente contrasta com o lucro de 305 milhões que havia sido apresentado há três meses.
Em consequência destes resultados e das exigências impostas pela UE o Bankia pede agora que o estado espanhol injecte 19 mil milhões de dinheiro público, que se somarão aos 4465 milhões que já recebeu. As contas foram visadas pelos auditores que, no entanto, registaram reservas. Os activos tóxicos do Bankia decorrentes essencialmente de financiamentos ao sector imobiliário elevam-se agora a 30950 mil milhões; o volume de activos tóxicos detidos pelo BFA (Banco Financiero y de Ahorros) é ainda mais elevado mas as suas contas ainda estão a ser objecto de reformulação. Como o BFA consolida nas suas contas os resultados do Bankia, o montante dos activos tóxicos contabilizados no BFA já atingem os 41500 milhões antes da reformulação em curso das contas do BFA. 

Este é apenas um exemplo (embora, em princípio, o mais saliente em Espanha), das primeiras previsiveis consequências de uma derrocada de um grande banco sobre um sistema com diversos níveis de interdependência.

É neste contexto resultante de uma política de irresponsabilidade resultante da conivência entre a ganância dos banqueiros e a demagogia dos políticos, que a União Europeia tem de decidir se vai prosseguir no sentido da integração política ou do desmantelamento da obra edificada até agora.

Ontem, comentei o contexto em que tal decisão tem de ser tomada, e resumi algumas afirmações contidas num longo artigo (mais um entre centenas) que o Economist já dedicou ao tema. Curiosamente, enquanto o futuro de Portugal passa pela Europa, por melhor que seja sucedida uma política atlantista que muitos defendem, jornalistas, comentadores, analistas, políticos da oposição e do governo, esgotam e esgotam-nos o tempo com temas com que costumavam vender os tablóides.  

No fim de contas, pensarão muitos, que podemos nós fazer para impor seja o que for à dona da loja, a senhora Angela Merkel? Merkel, por opção ou inevitabilidade, tornou-se protagonista da crise, oxalá não seja protagonista do início do desmembramento da União e do conflito cultural que ele desencadear.

Cito, a seguir, um resumo da segunda parte do referido artigo do Economist:

"A Alemanha é culpada da crise? Muito, segundo alguns entusiastas federalistas. Para o ministro alemão das finanças, Wolfgang Schäuble, a moeda única foi à partida uma passada no caminho para uma integração plena da Europa. Mas
para lá chegar é preciso haver harmonização fiscal e centralizar o poder de decisão, a Comissão Europeia deverá ser eleita e devem ser atribuídos novos poderes ao Parlmento Europeu. Contudo, não é oportuno avançar quando o euro está à beira do colapso e os eleitores serão coagidos a votar numa situação ameaçadora. Com o tempo, a Europa voltará a crescer e  as novas instituições ganharão legitimidade."

"Aproveitar a crise do euro como uma oportunidade para federalizar a UE provocaria um equívoco eleitoral. A geração do pós-guerra que via na UE um baluarte contra um novo conflito báelico está a a desaparecer ... Hoje não é evidente que os europeus sintam o mesmo...O projecto de Constituição foi abortado, o Parlamento Europeu está muito distante."

"Uma outra versão de um super estado europeu consistiria na aceitação da continuidade das políticas nacionais mas aumentar o poder de controlo do governo de cada país sobre os outros. Contudo, a crise do euro veio demonstrar que
as decisões colectivas são muito difíceis e os países mais pequenos receiam a influência excessiva dos maiores. Se Berlim paga as facturas e diz ao resto da Europa como devem comportar-se, arrisca-se a fomentar um nacionalismo destruidor e uma animosidade contra a Alemanha. Por outro lado, reforçaria a propensão para a saída dos membros mais liberais na perspectiva económica"   

"É por isso que defendemos um caminho que limite a partilha da carga da dívida e a transferência de soberania. ... A zona euro necessita de um sistema global de supervisão bancária (uma ideia que Wolfgang Munchau adiantava há dias no FT, que comentei neste caderno), recapitalização, garantia dos depósitos, e regulação. Os governos da zona euro serão capazes de dominar e reduzir as suas cargas fiscais se houver mutualização da dívida acima de determinados limites (outra ideia já várias vezes adiantada por alguns economistas). Mas em qualquer caso a resposta não é transferir tudo para a UE." 

"Haverá (mesmo assim) mudanças enormes. Os políticos deixarão de pressionar os bancos nacionais para apoiarem empresas nacionais (inviáveis) ou comprar obrigações do tesouro. Os bancos deixarão de ser espanhóis ou alemães mas progressivamente europeus. Trata-se de uma integração limitada à finanças quando as fronteiras económicas há muito foram abolidas" 

"A integração fiscal pode também ser limitada. Não há necessidade para Bruxelas se ocupar dos impostos sobre o consumo nem de toda a dívida de cada estado membro. O que é preciso é que os países sobreendividados tenham acesso ao crédito e que os bancos tenham uma carteira de activos não principalmente ligados às circunstâncias de um  país."
.

"Até agora, Angela Merkel tem-se oposto a todas as formas de mutualização ... Se adoptasse a sugestão (do Economist, e não só), a Alemanha pagaria pagaria mais do que paga pela sua dívida, subsidiando os credores em risco, mas não seria uma federalização total da dívida. ... Estas emissões de dívida conjunta não contrariariam as restrições constitucionais da Alemanha."

"Mesmo assim uma versão limitada de federalismo é complicada. Um regulador bancário único pode exigir alterações  aos tratados, que pode ser dificultada pelo facto de dez membros da UE não fazerem parte da zona euro..."

 "...Uma questão subsiste para além de tudo isto: Estarão os alemães, os austríacos ou os holandeses suficientemente solidários com os italianos, os espanhóis, os portugueses e os irlandeses para pagar a conta? Pensamos que eles teriam interesse nisso. Chegou a hora da verdade para os líderes europeus, e especialmente para Angela Merkel, decidirem"

Monday, May 07, 2012

MERKOLANDE OU MERKO-SUL

Logo que foram conhecidos os resultados  das eleições presidenciais em França, Merkel mandou recado a Hollande para este se apresentar em Berlim para umas conversas de pé-de-orelha. Uns dias antes, Monti tinha manifestado o seu agrado com as sondagens que davam o favoritismo a Hollande, porque, com este será possível uma frente do Sul - França, Itália e Espanha -, Portugal e Grécia não contam para estas contas, enfrentar as intransigências alemãs.

Entretanto, na Grécia andam atrás da rolha após as eleições legislativas que, confirmando as sondagens, resultaram numa dispersão de votos que aumentou ainda mais, se possível, a ingovernabilidade democrática do país. Merkel, sempre ela, já fez saber que o plano europeu é para se cumprir, é a melhor via para os gregos, e rejeita mudança de regras.

A partir daqui, a União Europeia entra numa fase ainda mais crítica no sobressaltado caminho dos últimos dois anos. Até onde podem os sulistas convencer os alemães a aceitarem uma política que possa despertar o fantasma da inflação que os continua a assustar, sem o apertado controlo das rédeas que impôs aos descontrolados? Até onde vai Monsieur Hollande alienar os compromissos que assumiu com os eleitores franceses para manter funcionável o eixo Paris-Berlim? Hollande confrontou Sarkozy, durante o frente-a-frente que antecedeu as eleições, com o sucesso alemão relativamente ao fracasso do seu governo, mas foi eleito sustentado numa plataforma que Merkel não subscreve.

E, agora, François?
Perante Merkel, és intransigente ou abdicas, porque os meios termos apenas podem prolongar a crise e desacreditar-te a curto prazo? Aposto que abdicas. A pouco e pouco, entrarás no bolso da Ângela. Porque nem a política dela nem a que tu prometeste resolvem o imbróglio europeu. Porque a solução é nuclearmente política e tanto ela como tu, como Monti, como Rajoy, como todos os outros que contam menos, não arriscam avançar: o federalismo, mínimo, suficiente para garantir a estabilidade do edifício que continua sem alicerces. E ainda por cima arrombado em várias frentes.

Uma frente Merko-Sul, se avançar, não contribuirá, antes pelo contrário, para a unidade política que a União Europeia precisa para ser união. 

Thursday, November 24, 2011

MUITO MAIS DO MESMO

Merkel e Sarkozy convidaram Monti para avançarem com a proposta a apresentar na reunião de Bruxelas no próximo dia 9 de Dezembro de alteração dos actuais tratados da União. Com essas alterações, garantem, a Zona Euro entra nos eixos sem recurso a eurobrigações nem alargamento das actuais competências do BCE.

O par Merkel/Sarkozy, que nunca convidou Berlusconi, decidiu juntar ao directório o recem empossado primeiro ministro de Itália com o objectivo claro de garantir, à partida, o avale da terceira  mais importante economia da Zona para as suas propostas. E, segundo se depreende do comunicado que hoje é notícia de primeira página do Financial Times, o acordo de Monti está garantido. Acordo esse de que se desconhecem os pormenores mas são sobejamente conhecidos os objectivos.

Se Merkel insiste ab initio na recusa de uma união solidária nas responsabilidades é porque pretende prosseguir no aprofundamento das penalizações aos países membros incumpridores dos compromissos assumidos prosseguindo uma política que, demonstradamente, não funciona.  Tão demonstradamente que bastou a declaração de inalteração das competências do BCE para o euro desvalorizar contra o dólar. O que, diga-se de passagem, é o menor dos males, se algum mal existe nesse ajustamento cambial. 

Hoje, a Ficht decidiu baixar novamente o rating da República Portuguesa, invocando a recessão em curso e o seu agravamento no próximo ano, não obstante os louvores que a generalidade dos comentadores com responsabilidades de decisão na matéria têm tecido às políticas de austeridade em curso e das anunciadas.

Portugal é um peão de segunda linha, não admira que Merkel, pelo menos aparentemente, convença Passos Coelho. Mas a Itália é uma torre, pelo menos. Estará Monti convencido que a Itália possa austerizar* e crescer reganhando a confiança dos investidores e baixar os juros da dívida?

E se não conseguir? Sai da carroça por sentença do tribunal do santo ofício? E quem paga a factura aos franceses (309 mil milhões de euros) e aos alemães (120 mil milhões de euros)?

---
* Eu sei que, por enquanto, não existe tal termo.
Act.- 25/11 - A Itália colocou oito mil milhões de euros em Bilhetes do Tesouro a seis meses com um juro recorde de 6,504%, o mais elevado desde Agosto de 1997 e 3,535% acima do último leilão, realizado a 26 de Outubro.
Se Monti conseguir austerizar e fazer crescer a Itália pagando juros acima de 6%, conseguirá fazer o pino calçando botas de alpinista.


Saturday, November 12, 2011

À ESPERA DE DRÁGHI?

- E depois de toda esta embrulhada subsistirá a democracia?

A democracia não é uma garantia inabalável porque não é um facto irreversívelmente adquirido por mais que as circunstâncias passam dar uma ilusão da sua perenidade.

Nas últimas semanas, o desenvolvimento acelerado de acontecimentos tem evidenciado a complexidade do labirinto em que nos encontramos e as dificuldades que se colocam à descoberta de saídas que evitem que o pânico se instale e a guerra (sim, a guerra) entre os sitiados pela crise volte à Europa, paradoxalmente, provocada pelo desenvolvimento das instituições iniciadas há sessenta anos para a prevenir.

A ameaça agudizou-se com a entrada da Itália no banco das urgências. A partir de agora, ou se mobilizam meios eficazes de modo extraordinário ou o perigo de contágio vai, incontroladamente, alastrar-se urbi et orbi.

Soube-se, praticamente poucos dias depois da sua aprovação, que o reforço do Fundo de Estabilidade da Zona Euro, imediatamente tabelado pela Standard & Poor´s com rating AAA, não comoveu, antes pelo contrário os investidores, ou especuladores, consoante se queira. As taxas de juro da dívida italiana ultrapassaram os 6% e prometem uma escalada que nenhum fundo limitado, por mais fundo que seja, conseguirá dissuadir. E aquilo que para alguns parecia impensável começa a impor-se como condição sine qua non para a ultrapassagem da vertente financeira da crise: dispor o BCE de capacidade ilimitada, idêntica à dos outros bancos centrais, de emitir moeda que as circunstâncias impuserem.  E isto porque essa capacidade, e só essa capacidade, pelo simples facto existir, será capaz de enfrentar a desconfiança dos mercados (ou outra coisa, consoante se queira), fazendo-os recuar para limites que poderão reduzir a zero a mobilização daquela capacidade.

A construção da Zona Euro, desprovida daquela capacidade ilimitada, está irremediavelmente condenada à
derrocada a partir do momento que os mercados abalaram as dívidas soberanas e concluiram que estão totalmente desprotegidas. Como poderá evitar-se a destruição da Zona Euro, eventualmente a destruição da União Europeia, a morte precoce de algumas democracias, a guerra, se os tratados europeus não consentem porque, desde logo, a constituição alemã  impede a utilização daquela capacidade?

Não sei.

Mário Drághi, o italiano que é desde há dias o presidente do BCE, será pressionado pelas circunstâncias a prosseguir o quê?
A defesa do euro e a estabilidade do sistema monetário europeu (e, por tabela, o sistema monetário internacional) ultrapassando os limites do enquadramento do seu mandato, correndo o risco de ser acusado de violação dos seus compromissos,
ou o estrito cumprimento dos estatutos do BCE correndo o risco de continuar a percorrer o caminho que pode levar a um abalo de dimensões incalculáveis?

Esperemos que os países membros da Zona Euro, com particular destaque para a Alemanha e a França, se ponham de acordo sobre o assunto em tempo útil, na certeza de que, se a Itália entrasse em default, seriam poucos os que, sobretudo na Europa, escapariam aos efeitos em dominó de  uma derrocada inicial com a dimensão de um bilião de euros. 

Monday, October 24, 2011

A UNIÃO EUROPEIA NO SEU LABIRINTO

Leio aqui que entre 50 a 60% da dívida grega será perdoada, que o Fundo Europeu deEstabilização Financeira (FEEF) ultrapassa um bilião (milhão de milhões) de euros, que a recapitalização da banca precisa de 100 mil milhões de euros. Quem o pré-anunciou foi Angela Merkel (quem mais poderia ser?) na comissão de orçamento do parlamento alemão.

Durão Barroso, quando interrogado acerca dos resultados esperados da reunião da próxima quarta-feira disse que estava optimista (que mais poderia dizer ele?). Talvez os do directório se entendam porque ele não pode liderar nada.  

Sarkozy, talvez farto das críticas ao seu papel de partner no directório com Merkel, e da comparação geralmente depreciativa dos actuais dirigentes europeus com os do passado, atribuiu (vd aqui) as culpas da situação de hoje aos erros cometidos pelos seus antecessores ao permitirem a entrada na Uniâo Europeia, e depois na Zona Euro, a quem não cumpria os requisitos mínimos para a entrada. Ao afirmar isto, Sarkozy estaria certamente a referir-se a Mitterrand, o padrinho da entrada da Grécia, aquele que, com  Helmut Kohl, são confrontados negativamente Merkel e Sarkozy. 

Berlusconi, entretanto, reagiu às advertências de Sarkozy e Merkel para acelerar as reformas económicas em Itália, (vd aqui) afirmando que "Na União Europeia, ninguém pode falar em nome dos governos eleitos".

Por outro lado, segundo o jornal britânico "Guardian", Sarkozy disse  a Cameron para estar calado acerca do euro. (aqui). Ainda, segundo o mesmo "Guardian", 70% dos britânicos desejam a realização de um referedum sobre a manutenção do país na União Europeia e 49% desejam a saída.

Estes, alguns flashes da União Europeia no seu labirinto. Desnorteados, os líderes europeus recusam-se a admitir o inevitável: ou a União Europeia avança no sentido de uma federação mínima dirigida por um governo federal democraticamente eleito ou se dissolve. Mesmo que as dívidas sejam parcialmente perdoadas (quanto, e a quem?), e muito sobretudo por isso nas actuais circunstâncias.

Nenhum grupo em andamento mantém a coesão sem liderança. Quem sabe muito disso são os patos-bravos.

---
Curiosamente, hoje o euro está a subir e a abeirar-se dos 1,4 dólares/euro. (1 euro=1,393 dólares, neste momento). No meio do labirinto é, ao que parece, a única referência que subsiste convicta da sua missão.

Wednesday, July 13, 2011

TAMBÉM TU, ITÁLIA?

clicar para aumentar 
c/p aqui
Government debt
Why Italy ought to be okay*

Italy is in a better position to manage its debt than several other big countries

FEARS over the safety of Italy's government debt would take the euro-zone crisis to a new phase: for its members a choice between breaking up the project and sanctioning big transfers from healthy economies to struggling ones; for banks a question of how to manage exposure to the world's third-largest bond market. When Italian spreads over German bunds ballooned at the end of last week and kept moving in the same direction on July 11th and the morning of July 12th, it looked like that moment of panic had arrived. Markets have since calmed down a little and rightly so, according to this chart, which ranks countries by their debt burdens. But until markets get a clear signal from European governments that they are willing to do whatever it takes to stand behind the euro, the gyrations will continue.

*probably. The Daily chart should not be read as investment advice. Bond spreads can go up, down, sideways or even resemble a bowl of spaghetti

Friday, January 07, 2011

LITTLE ITALY

clicar para ampliar
Já uma vez, aqui, prestei homenagem à melhor minestrone que conheço. Com alguma frequência me regalo com o elementar petisco quando venho até este lado.
Não só pela minestrone mas pelo ambiente de origem que os italianos recriam aonde chegam. E onde, praticamente tudo, sabe a Itália, desde as bebidas, águas e vinhos, a ementa que não consente outras procedências, qualquer prato inclui uma minestrone ou uma salada, as sobremesas, a decoração interior, as fotografias, a música ambiente.
Tudo por cerca de 18 dólares cada refeição, tip de 15% incluida.

Sunday, February 10, 2008

CORRUPÇÃO À ITALIANA

Are Italians so prone to corruptions?
Laura Bottazzi Feb 8, 2008 http://www.rgemonitor.com/euro-monitor

When the Italian ministry of justice resigned, three weeks ago, amid a corruption charge, nobody was shocked either in Italy or in the rest of the world. This was only one of the hundreds of corruption’s investigations that Italian authorities have promoted towards politicians, bankers and corporations. Are Italians so prone to corruption?

Data shows that the threat from accounting fraud, money laundering, intellectual property (‘IP’) infringement , corruption and bribery has increased and remains one of the most problematic issues for businesses worldwide, with no abatement no matter what a company’s country of operation, industry sector or size. Despite the attention of regulators and companies, the actual level of economic crime and the associated financial and non-financial damages have not declined – one out of every two companies become victim of economic crime in the last two years.

Companies continue to develop systems and controls to detect and to deter economic crime but analysts think that fraud controls alone are not enough. An ethical corporate culture plays an equally important role in deterring fraud. For that reason many companies have adopted a company code of conduct. However even that is not enough
.


Figure 1 shows the number of companies that have reported fraud in the period 2003-2007 and compares Italy to the rest of the world. Data comes from a biennial survey brought about by PricewaterhouseCoopers.

There are two clear facts that arise from the graph: 1. that Italian reported percentage frauds are lower than the European average 2.that this percentage has increased in 2007. The first fact is surprising: Europeans do not consider Italians trustworthy and Italians do not trust each other, as the Eurobarometer survey shows. However that belief can not be clearly justified by fraud and corruption.

To understand the second fact is even more complicated. On one side analysts talk about a ‘fraud controls paradox’: when controls are introduced the number of frauds detected increases almost immediately and declines only over time. However this paradox should affect all European countries and not only Italy whose number of controls in place is close to the one of the other western European countries (Ernst&Young FIDS Survey 2007).

On the other side it might well be, instead, that the controls were introduced but they were seriously implemented only in the last years. The perception, living in Italy, is that indeed the effort to fight frauds has clearly increased lately. The true Italian bug, in fact, is not the lack of a proper legislation but the lack of its enforcement. Forms of controls and prevention of corruption and frauds have been introduced but never really implemented: More simply the data might show a change of culture towards crime. Companies, which usually tend to deal with corruption internally, threatened by the possible lack of reputations that they might suffer, have started reporting an offence to the prosecuting or regulatory authorities. That change of behaviour might well be due to the fact that the average loss reported by Italian firms, because of frauds and corruption, is around 4.4 million dollars while it is around 2.5 millions dollars in Europe. And it is even more astonishing to know that the probability of recovering most, or part, of the loss is very close to zero. Again it is the lack of the certainty of justice and punishment that is responsible for the high level of crime.
Lack of enforcement
That the lack of enforcement is a peculiarity of the Italian system is true even when we look at contracts. A recent survey developed by the World Bank has built quantitative indicators on business regulations affecting 10 stages of a business’s life: starting a business, dealing with licenses, employing workers, registering property, getting credit, protecting investors, paying taxes, trading across borders, enforcing contracts and closing a business.
The data on starting a business are based on a survey and research investigating the procedures that a standard small to medium-size company needs to complete to start operations legally. These include obtaining all necessary permits and licenses and completing all required inscriptions, verifications and notifications with authorities to enable the company to formally operate. The time and cost required to complete each procedure under normal circumstances are calculated, as well as the minimum capital that must be paid in under the assumption that all government and nongovernment entities involved in the process function without corruption.
Italy is ranked 53 overall for ease of doing business (Germany 20 and Spain 38)
but it is ranked 155 (Hong Kong, is the top ranked economy followed by Luxembourg, Latvia and Singapore) overall for enforcing contracts: you need 1210 days on average from the moment the plaintiff files the lawsuit in court until the moment of payment in Italy, almost four years.

If enforcement is the key word why do not we see a bigger effort to change the system? I think that should be one of the questions our politician should urgently answer. May be that should have been the question to ask to our last ministry of justice.