Monday, November 20, 2017

FESTIVAL DE VIOLÊNCIA DOMÉSTICA




Uma receita velha com ingredientes novos.
Que vale a pena ver.

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HONRAS AOS ASSASSINOS


Há três dias foi notícia a morte por doença, aos 87 anos, daquele que, enquanto foi chefe da máfia siciliana até ser condenado a 26 penas perpétuas, terá morto mais de 150 pessoas. A notícia propagou-se imediatamente por todo o mundo, sem deixar de chegar, por qualquer outro meio mediático, às 588 freguesias de Portugal onde ainda não chega internet em banda larga.

Hoje, soube-se que morreu, também na prisão, aos 83 anos, "um dos mais horríveis assassinos do mundo, que queria ser uma estrela rock e estava fascinado com a fama, e ficou inscrito na memória colectiva dos norte-americanos, e até do resto do mundo, depois de um massacre selvático em que foi assassinada a actriz Sharon Tate". 
Queria ser famoso, diz a notícia.
Atingiu o objectivo com honras finais pela divulgação planetária do curriculum com foto na primeira página. 

A ler ou ouvir estas, e tantas outras notícias que chamam os criminosos à ribalta, alguns ficarão a salivar, tramando massacres que os colocarão, transitória ou perduravelmente, no pódio da fama. 
Dos crimes dos grandes exterminadores da humanidade sempre ficou e continuará a ficar registo indelével na História, até que, eventualmente, um último exterminador acabe de vez com a espécie humana e a sua história. Até que tal aconteça, continuarão com os lugares garantidos.

Friday, November 17, 2017

REFERENDO, INSTRUMENTO MAQUIAVÉLICO DOS POPULISTAS


Sobre a consistência da  União Europeia subsistem diversas ameaças, mas a consideração do referendo como instrumento democrático de avaliação da vontade popular pode ser particularmente demolidor de todo o edifício comunitário ainda em construção. 

O referendo que, por escassa margem, tombou para o sim pela saída do Reino Unido e o frustrado referendo na Catalunha que instalou em Espanha, e, por tabela, em toda a União Europeia, para gáudio de Putin e Trump, o fantasma de um retorno de um desentendimento irreversível entre os povos europeus, têm que ser denunciados pelos objectivos que os determinaram: a recusa de alguns em participar num espaço de paz sustentável que, para o ser, tem de ser de comunhão dos mesmos valores primordiais e de solidariedade entre todos os seus povos. 

Entre mais de quarenta apontamentos sobre o tema "Referendo" (para quem a curiosidade for tanta que os queira ler todos, deve clicar no "label" respectivo colocado no fim de cada apontamento) vd. aqui comentários sobre o assunto, em meados de Junho de 2008. Quase uma década depois, mantenho aquilo que, no essencial, foi e continua a ser, a minha apreciação das inconsistências do "referendo" enquanto instrumento de avaliação democrática da vontade popular.



Sobre as prováveis consequências do referendo que veiculou o populismo que desembocou no “Brêxit”, leia-se British politics is being profoundly reshaped by populism publicado no Economist desta semana.

Thursday, November 16, 2017

"SALVATOR MUNDI"


Salvator Mundi, atribuído a Leonardo da Vinci, a única obra deste artista em mãos privadas, foi ontem vendido em leilão da Christie´s por 450 milhões de dólares, cerca de 380 milhões de euros. 


Antes de  limpo e restaurado


Após limpeza e restauro

Não parece o mesmo.
Aliás, nem a autoria, atribuída a Leonardo da Vinci, está indiscutivelmente comprovada. 
O que não impediu que um fulano, incógnito, certamente multi bilionário, possivelmente árabe, muçulmano, por que não?, tenha desembolsado a maior quantia jamais paga por uma obra de arte vendida em leilão. 

Mais informação: aquiaquiaquiaquiaquiaqui.

Registei aqui, em Julho de 2011, o reaparecimento da obra depois de séculos de obscuridade.

O JOGO DA CABRA CEGA


Podem continuar a roubar!


"O Estado-Maior General das Forças Armadas
 entregou por ajuste  directo um fornecimento
 de bens alimentares à empresa Pac e Bom
 dois meses depois de ela ter sido constituída
 arguida no âmbito da Operação Zeus, em que
 foi descoberta uma vasta rede de corrupção
 envolvendo todas as messes da Força Aérea ..."
aqui

Wednesday, November 15, 2017

AS LEIS E OS BANCOS


Há dias indignava-se um administrador de um dos principais bancos sediados em Portugal com a diarreia regulamentadora dos burocratas do Banco Central Europeu.
Dos burocratas?, estranhei eu. Mas não é o Draghi que dá a táctica e a estratégia?
O Draghi, explicou ele, paira acima desta produção massiva de regulamentos. Os burocratas tendem a acautelar a sua falta de conhecimentos resguardando-se com a multiplicação de regras.
Mas os burocratas não são contidos nessa tendência, que lhes é congénita, pelos quadros superiores da cadeia de decisão?, admirei-me eu.
Não, os quadros intermédios limitam-se a concordar com as propostas das bases e a submetê-las a decisão superior. E assim sucessivamente pela escada acima. Nenhum dos tecnocratas posicionados na pirâmide  se atreve a discordar das bases, que reflectem os equilíbrios de poderes negociados em abstracto nos conselhos de ministros da União Europeia. Deste modo se aprovam regras que distorcem a racionalidade de decisão dos bancos para pagamento da incompetência dos burocratas.

Ou do porteiro do BCE?
Os banqueiros, com raras excepções, confirmaram nos últimos dez anos que, quando deixados à rédea solta, decidem sem avaliação prudente das suas decisões, porque o seu objectivo é a ganância ilimitada do crescimento das suas fortunas e o risco, quando se lhes parte a corda da sorte, é sustentado pela rede de impostos aos contribuintes. Se os burocratas são diarreicos é porque a ingestão desmedida de moscambilhas provocou, e continua a provocar, perturbações gástricas ao sistema e os custos da limpeza continua a cargo daqueles que, na sua esmagadora maioria, em nada contribuíram para a emergência do síndrome.
Elimina-se ou reduz-se a dimensão dos estragos soterrando o sistema com regras?
De modo algum. Para cada regra parida descortinam os advogados entre as malhas de regras tecidas pelos burocratas buracos suficientes para elidir os propósitos dos regulamentos e, quanto mais densa é a malha mais se adensa com o decorrer do tempo a sua vulnerabilidade.
Muitas das irregularidades ou oportunismos eticamente reprováveis cometidas pelos banqueiros ou com a sua cooperação passam pelos paraísos fiscais, que são também os paraísos dos traficantes de drogas, de armas, de terrorismo, de seres humanos, porque os canais de passagem são de natureza idêntica.
São precisas mais leis?
Os burocratas não têm ao seu alcance outras medidas, e produzem leis.
Resolvem o problema? Não resolvem. Os "Panamá Papers", os "Paradise Papers" e outros papers que irão continuar a aparecer demonstram que as leis são, em larga medida, inconsequentes porque os interesses envolvidos são gigantescos e a falta de ética se tornou banal.
Que fazer?
Acabar com os offshores!
Seria a medida mais eficaz para reduzir significativamente as ameaças que passam pelos bancos a caminho das costas dos contribuintes. Seria, mas não serão os burocratas que a podem determinar. Que, entretanto, para fazerem alguma coisa, fazem leis.

Monday, November 13, 2017

O FAZ DE CONTA QUE É TRIBUNAL


A notícia vinha publicada aqui* há quatro dias mas não perturbou ninguém.
Não admira. 
No reino do compadrio, o tácito compromisso de silêncio dos compadres é regra de ouro da corporação partidária. Da esquerda à direita. 

Entre as entidades públicas a falta de prestação de contas continua impune.
O Tribunal de Contas julga mas não penaliza, é um tribunal eunuco, e a reincidência na falta de transparência dos responsáveis de grande maioria de organismos e serviços do Estado é uma regra que já banalizou o incumprimento sistemático. 
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* "A grande maioria dos organismos e serviços do Estado continua a não prestar contas públicas sobre a sua atividade, violando não só a legislação em vigor como as mais elementares regras de transparência.
Os planos de atividades para o ano seguinte devem ser apresentados às respetivas tutelas até ao final de dezembro e os relatórios e contas do ano anterior até ao dia 31 de março. Mas até ao final de outubro, de acordo com uma pesquisa efetuada pelo DN a uma lista de 216 organismos, serviços e empresas públicas, só 74 (34,2%) tinham já divulgado o seu relatório e contas do ano passado e 84 (38,8%) o plano de atividades para 2017.
Alguns nem têm qualquer relatório ou plano publicado, outros nem sequer têm site e há outros ainda cujos últimos documentos de gestão publicados remontam a 2010 e 2011.
...
...





Sunday, November 12, 2017

UM PAÍS DE IMBECIS


Depois de vários jantares, entre outros eventos, realizados no Panteão Nacional, 
subitamente, o País soube que

- Um secretario de Estado do Governo anterior regulamentou a utilização de espaços em monumentos nacionais para fins privados, entre os quais
- A realização de jantares no Panteão Nacional, a preços tabelados entre 1500 e 3000 euros, consoante a localização do espaço alugado.
- Foram autorizados vários eventos, incluindo jantares, no Panteão durante o governo anterior, prática que continuou a ser prosseguida durante os dois anos do actual governo, sem que a regulamentação anterior tivesse sido alterada.
- O jantar do encerramento da Web Summit realizado no Panteão Nacional foi denunciado nas redes sociais e os políticos , da esquerda à direita, dizem-se (justa, mas tardiamente) indignados com este jantar. 

- Até agora, apenas o responsável pela Web Summit, Paddy Cosgrave, que neste caso não tem culpas, pediu desculpa ao “querido Portugal”.

Mas ninguém pergunta:

Se a utilização de espaços em monumentos nacionais para eventos privados tem como pressuposto ideológico, com se ouve invocar à esquerda do PS, a realização de receitas, 3000 euros, no máximo, pagam os custos variáveis que esses eventos implicam, incluindo o papel higiénico? É que, tratando-se de jantares pesados e demorados, haverá, certamente, um corrupio de comensais a procurar a retrete.

Friday, November 10, 2017

É PRECISO FAZER UM BONECO?


"A CGD conseguiu vender a Artlant, a fábrica de petroquímica de Sines onde perdeu 600 milhões de euros por 28 milhões, aos tailandeses da Indorama. Para o banco público, que já tinha dado como perdido todo o dinheiro investido na Artlant, trata-se de um bom negócio na medida em que recupera algum capital. Contudo, esta venda não fecha o dossiê. É preciso saber quem permitiu e em que circunstâncias que a Artlant tivesse cavado um buraco de dimensões gigantescas na CGD."* - aqui

É PRECISO SABER OU JÁ SE SABE, MAS NINGUÉM RESPONDE?

"A Artlant foi um projecto em que a CGD, então liderada por Carlos Santos Ferreira, teve uma palavra decisiva. O banco público entrou para o capital da catalã La Seda de Barcelona, tendo depois trazido o projecto para Portugal, em que o poder político esteve, também, envolvido.

Foi o Governo de José Sócrates que, em 2007, atribuiu o estatuto de Projecto de Potencial Interesse Nacional (PIN) à fábrica de Sines - razão pela qual o Estado, através do AICEP, também tenha reclamado 33 milhões de euros no PER, depois retirado ..."

"Fernando Faria de Oliveira, engenheiro mecânico, foi Presidente do Conselho de Administração e CEO da Caixa Geral de Depósitos entre Janeiro de 2008 e 22 de Julho de 2011, Presidente da Comissão Executiva do Banco Caixa Geral (Espanha) entre Julho de 2005 e Dezembro de 2007) 
Presidente da Associação Portuguesa de Bancos desde Abril de 2012.aqui





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*Na Antena 1, Helena Garrido referiu que as perdas devem atingir os mil milhões de euros


Wednesday, November 08, 2017

O PRÓXIMO HOMEM E A PRÓXIMA HISTÓRIA


" ...Outros garantem que a descoberta de novas tecnologias induz a criação de novos produtos e de novos serviços. O que é certo. Nenhuma tecnologia, porém, aumenta mais um minuto sequer a cada dia: temos todos 24 horas por dia para consumir, seja o que for. Podemos é desperdiçar ou destruir a uma cadência que 24 horas podem chegar e sobrar."

O PRÓXIMO HOMEM E A PRÓXIMA HISTÓRIA - Novembro 27/2005






NÃO VAMOS DESTRUIR O MUNDO MAS VAMOS FICAR COM OS EMPREGOS



Os números não enganam: em sete anos, um
em três empregos pode ser substituído por
sistemas de tecnologia inteligente.

Saltaram das telas do cinema para a realidade e, agora, já não é preciso
ir a Sillicon Valley para os ver.
Já há robôs conciérge em hotéis, robôs que servem bebidas em bares e 
robôs que despacham encomendas online
Desde a semana passada até já há um robô cidadão na Arábia Saudita: 
chama-se Sophia e ontem encheu o Altice Arena para fazer as delícias 
do público e das dezenas de fotógrafos que se colaram de forma inédita
ao palco principal da Web Summit.

"Sei que muitas pessoas têm medo que os robôs
destruam o mundo ou fiquem com os seus empregos. 
Nós não vamos destruir o mundo, mas vamos ficar
com os vossos empregos e isso vai ser uma coisa boa,
porque vão poder dedicar tempo a outras coisas"

disse a robô num encontro sobre o futuro da humanidade.
Arthem Chestnov não pensa de forma diferente. "A história mostra que a 
inovação tira, mas também cria oportunidades.
A internet alterou radicalmente a forma como o retalho operava e
as empresas reinventaram-se", realça o fazedor russo que representa a 
Latoken, uma startup Alpha de trading que torna ativos como imóveis
em parcelas digitais.
"Olho para isso com naturalidade, porque não se pode parar a água com
as mãos. Olho sobretudo como uma oportunidade para termos mais 
qualidade de vida", diz Rui Miguel Nabeiro, administrador do 
grupo Nabeiro Delta Cafés quando questionado sobre o impacto que os
robôs podem ter no mercado de trabalho.
 "Dificilmente a inteligência artificial irá substituir pessoas. 
Pessoas são pessoas, computadores são computadores. 
Acredito sempre, porque é o que vejo do passado, que será uma
forma de ajuda", disse o administrador, no dia em que a Delta estreou
um novo robô na Web Summit. Depois do carrinho de café do ano passado,
este ano, a empresa portuguesa trouxe uma versão 2.0, que continua 
a distribuição de café aos participantes da cimeira, mas inova com
um sistema integrado de café que utiliza uma cápsula antigravidade.
Ao fazedor Sergey Kalnish, toda esta tecnologia e os robôs também
causam pouca estranheza.
Chegou à cimeira a partir do Canadá para apresentar a Smarthire,
uma aplicação que pretende contratar para os empregos do futuro.
 "A automação e a tecnologia vão alterar o panorama do emprego, 
disso não tenho dúvidas nenhumas. Mas a mudança não será diferente
da que a internet provocou", revela o empreendedor.
Os números dos estudos mais recentes não escondem a aproximação
das mudanças:
a consultora EY estima que em sete anos um em cada três empregos
possa ser substituído por sistemas de tecnologia inteligente. 

Já o Fórum Económico Mundial estima que a 
robótica possa vir a destruir 5 milhões de empregos
até 2020. O Fórum adianta ainda que por cada
20 empregos destruídos pela automação, os homens
conseguirão encontrar cinco novos empregos enquanto
as mulheres apenas um.

Na Smarthire as mudanças já começaram. "Nos EUA e no Canadá a internet
das coisas vai eliminar milhares de empregos. E este é um problema do agora.
Por isso, temos de mudar a forma como aprendemos, como ensinamos e como
temos de nos especializar e dar incentivos ao talento.
Porque o problema do emprego é também uma ironia: temos muitas
pessoas que não conseguem encontrar trabalho e, ao mesmo tempo,
inúmeras vagas em funções onde não existem candidatos", admitiu.
É precisamente nos EUA que a Amazon desenvolveu um novo sistema
que substitui por robôs milhares de operadores que catalogavam e geriam
 as encomendas. A Mastercard tem parcerias internacionais
com startups tecnológicas que desenvolvem soluções de pagamento
idênticas à que esta gigante do retalho pôs em campo em Denver.
Ann Cairns, presidente da Mastercard, não esconde que esta substituição
é real, mas lembra que os humanos vão ter sempre a sua função, mesmo
 quando as funções realizadas exigem baixas qualificações
"Esses empregos vão desaparecer, mas serão criados outros empregos de
 proximidade e personalizaçãode serviços", considera a responsável.
Mark Hurd, CEO da Oracle, também está confiante na evolução da
tecnologia com base em inteligência artificial. Esta, diz, será a próxima
grande evolução nos próximos anos "e vai estar cada vez mais 
integrada nas aplicações empresariais. Há muitos benefícios, porque
a inteligência artificial faz coisas que os seres humanos pura e
simplesmente não têm tempo", disse o gestor.
Além dos trabalhos mais pesados ou dos que ninguém quer fazer,
há outras potencialidades nos sistemas inteligentes, dizem os especialistas.
 "Não podemos prever o que vamos alcançar, quando as 
nossas mentes forem amplificadas pela inteligência artificial.
Talvez com as ferramentas desta nova revolução tecnológica,
 vamos ser capazes de voltar atrás em alguns dos danos provocados no mundo", 
admitiu o cientista Stephen Hawking na cerimónia de abertura da cimeira.
Nota foi idêntica à deixada ontem pelo segundo robô do dia.
Einstein, um humanoide cuja aparência é a do homem que lhe dá nome,
não falou de empregos, mas antes de ética e da forma como as
máquinas poderão ajudar a corrigir os erros humanos. Porque a
 "humanidade tem de se curar a si mesma para garantir que as suas
 criações permanecem saudáveis".
Ben Goertzel, da Hanson Robotics e SingularityNET, criador dos dois
humanoides, concorda: "Temos feito experiências fascinantes usando
Sophia como assistente de meditação. Prevemos um futuro
positivo para os humanos e os robôs. Eles têm processadores no interior,
 mas a sua inteligência está na Cloud." E Sophia, a agora cidadã saudita, 
concorda: "Isso é tão espetacular como o chapéu do Ben".

Tuesday, November 07, 2017

OS DESPOJOS DO DIA





7 de Novembro de 1917


7 de Novembro de 2017


Monday, November 06, 2017

PARADISE PAPERS


O jornal alemão Süddeutsche Zeitung obteve mais informações que denunciam a fuga aos impostos, através dos meios habituais - as contas offshore - de gente mundialmente conhecida. As informações foram partilhadas pelo  International Consortium of Investigative Journalists, de que fazem parte o Guardian, a BBC e o New York Times, entre outros, dos quais, em Portugal, o Expresso.  
A noticia que, instantaneamente, chegou a todos os cantos do mundo, sem lhe dar a volta, pode ler-se aqui, mas também aqui e aqui, por exemplo.  

Mudará alguma coisa?
Alguma, certamente. Para tudo continuar mais ou menos na mesma.
A ética dos negócios, nos dias de hoje, transacciona-a a oligarquia internacional por trás da cortina da falta de vergonha.



"Se vogliamo che tutto rimanga come è, bisogna che tutto cambi".

Sunday, November 05, 2017

NÃO CHAMEM A POLÍCIA


A segurança privada é um negócio em crescimento exponencial.
Há casos, e não são poucos, em que de segurança pouco fazem.
Refiro-me a funções de recepcionista em serviços públicos. Não consigo entender porque contratam órgãos do Estado serviços a empresas privadas para este tipo de trabalhos. 
Percebe-se que, até, a segurança de instalações militares esteja entregue a privados?

Por outro lado, percebe-se que o controlo de entradas de passageiros com bagagens nos aeroportos portugueses esteja entregue a uma empresa privada?

Quanto à questão que tem estado a abrir os noticiários, estamos a falar de um tipo de segurança onde impera a lei da força bruta.
Há pouco, passava num canal de televisão num espaço público o repetido relato dos acontecimentos nas proximidades da discoteca.

Alguém esclarecia:

"Aquilo não teve nada a ver com a discoteca. Foi o dono de uma rulote que, ali perto, vende bifanas e cachorros, que pediu ajuda porque foi ameaçado de assalto. Aliás, era bom que a polícia já tivesse visto o cadastro criminal do rapaz que foi atacado pelos seguranças"

Por que não chamou o dono da rulote a polícia?
Porque a polícia não tem força?

Comentário colocado aqui

Ainda a propósito de segurança pública:

Há dias, na noite de 31/10 para 1/11, a juventude daqui deste lugar, alguma dela acompanhada de mamãs e papás, entretinha-se a brincar ao halloween. Talvez para lhe dar alguma originalidade, alguns grupos rebentavam petardos.  Isto, na sequência de um período dramático de incêndios que relembrou aos mais esquecidos ou mais irresponsáveis que estava proibido o lançamento de artefactos de fogo.
Telefonámos à GNR local.
Respondeu-nos, quem nos atendeu, que já tinham conhecimento do que relatava, e que colegas seus  já estavam a dirigir-se para o local. Eram cerca de 22 horas. Ouvimos petardos até à meia noite. 
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Correl. O Jogo da Cabra Cega

Thursday, November 02, 2017

DOS CTT PARA A EDP

                                                     


                                                                O GRANDESSÍSSIMO LACERDA

                           
                                   PARA A EDP


DOS CTT



HALLOWEEN





Tuesday, October 31, 2017

Monday, October 30, 2017

PORQUE NÃO ACABA O TERRORISMO INCENDIÁRIO?


Notícia publicada hoje no DN informa-nos que, durante este fim-de-semana, "Avião da Força Aérea detetou início de fogos e pessoas a fazer queimadas". Finalmente, concluíram os da defesa civil do território que, perante um inimigo permanente e progressivamente mais poderoso, tornou-se imperioso o recurso aos meios militares e que a defesa militar não faz sentido se não participar no combate ao terrorismo incendiário. 

Porque é que, só agora, a Força Aérea foi chamada a participar no combate ao único inimigo previsível e conhecido a entrar em território português, é uma questão que não tem resposta publicamente conhecida. E nem é previsível que venha a ter, considerando a posição genuflexória do poder político em Portugal perante os militares. Uma posição que roça o ridículo quando, do ministro da Defesa, não sai decisão de responsabilização dos militares que, por incompetência, conivência ou desleixo, deixaram roubar ou promoveram o roubo das armas de Tancos.    

Porque é que, mesmo depois da dimensão da tragédia, alguns terroristas incendiários continuam a actuar sem que a polícia e a justiça lhe imponham penas que os castiguem de modo tão exemplar que lhes erradiquem de vez a motivação para a reincidência e a outros desmotivem a iniciação na prática do terror incendiário, só pode atribuir-se aos que fazem e aprovam as leis, às polícias e aos tribunais. 
Enquanto as leis não apontarem para limites penais eficientes, que preferencialmente, apontem para o ressarcimento dos danos, pessoais e materiais, provocados, pela execução dos valores dos bens do criminosos, as vagas de incêndios voltarão quando se sabe, razoavelmente bem, quando voltarão.

Não se esgota, longe disso, no combate ao terrorismo incendiário a defesa do território florestado. 
Mas é aquele combate que, sendo o de implementação mais imediata, continua, estranhamente, ausente dos discursos oficiais e da discussão pública.

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Correl . - Fotos inéditas de fogos florestais misteriosos



Sunday, October 29, 2017

KAZUO ISHIGURO



"Este livro não sai da cabeça, recusa-se a ir embora, força o leitor a voltar a ele ... excepcional." - Neil Gaiman, The New York Times.

A publicidade na portada de um livro coloca-me sempre de pé atrás.

Há dias, soube-se que a Kazuo Ishiguro foi atribuído o Nobel de Literatura deste ano. Das suas obras editadas em português só se encontrava disponível nas livrarias, no dia do anúncio da Academia Sueca, a última, "O Gigante Enterrado", publicado em 2015, escrito dez anos após a publicação da anterior. 

O que levou a Academia Sueca a esperar doze anos para atribuir o Nobel a um autor que ganhara o Booker Prize em 1989 com "Remains of the Day", adaptado a cinema quatro anos depois?
Muitos outros autores vencedores do Booker nunca foram nem serão distinguidos com o Nobel, mas este prémio máximo da literatura foi atribuído dois anos depois da publicação do último romance de um conjunto de sete, além de quatro roteiros para cinema, televisão e teatro. 
Foi decisiva, para a distinção Nobel, a publicação de "O Gigante Enterrado"

Se foi, deve continuar o Comité Nobel para a atribuição do Prémio de Literatura confuso, ou a procurar confundir-nos, com os seus critérios de avaliação do mérito dos autores galardoados nos últimos anos. 
Li "O Gigante Enterrado", não porque o livro me tivesse forçado a voltar a ele, mas porque percorri com alguma persistência as 405 páginas da edição portuguesa simplesmente com o objectivo de tentar descortinar nele o mérito que é suposto possuir. E não cheguei lá. 
Com menos trezentas páginas, esta novela, que é um conto sobre a amnésia colectiva mergulhado nas lendas dos tempos do rei Artur, arrastaria durante menos tempo os protagonistas da história e a paciência do leitor. 
O mesmo poder-se-à  dizer do "Ensaio Sobre a  Cegueira", mas Saramago lembrou-se primeiro de ficcionar o comportamento social em situação de ausência de visão.  

DA FINLÂNDIA COM HUMOR





***

TODOS OS JUÍZES SÃO MERETÍSSIMOS


Mas alguns exageram.



Citado na Sic notícias, anteontem.
Não é acórdão recente mas é sempre muito justo que seja recordado.

Friday, October 27, 2017

O VENTO MUDOU

"Eu tenho nervos de aço" - 27/10/2017

Ao primeiro-ministro são sobejamente reconhecidas as suas qualidades de negociador. 
Não ganhou as eleições mas foi capaz de atrelar os partidos à esquerda, concedendo e transigindo dentro dos limites que os compromissos com a UE impunham. E, durante metade do prazo da legislatura, conseguiu o que muitos, ente os quais me encontro, não acreditavam que fosse possível. 
Contou com o apoio do Presidente da República, a colaboração da Comissão Europeia e a tranquilidade laboral consentida pelos comunistas. 

De repente, o vento mudou.
Os incêndios de Junho e o roubo de armas de Tancos, continuando ainda impunes larápios e coniventes, já tinham abalado a boa estrela do executivo mas as sondagens continuavam-lhes favoráveis. 
As eleições autárquicas são ganhas, destacadamente, pelo PS, o PCP não escondeu o seu desagrado e acusou o parceiro de práticas desonestas, e o presidente do PSD declarou não querer continuar no seu posto. 
Em Outubro, reacendem-se dramaticamente os fogos e, pela primeira vez, o primeiro-ministro vê-se obrigado a assumir responsabilidades dos serviços de protecção civil na dramática extensão das perdas materiais e humanas.

E, quase simultâneamente, acontece a tempestade perfeita, mau augurada dois anos antes:
O PR muda de discurso, os parceiros à esquerda mobilizam os sindicatos para a greve, fiando-se, além do mais, que, estando a direita sem líder, o governo não está ameaçado, e, para cúmulo das coincidências, Bruxelas passa a ver, quando o OE entra na AR para debate, "risco significativo nos défices de 2017 e 2018". 

Não sei se ao primeiro-ministro ajudarão nervos de aço, porque do que ele vai continuar a precisar é de muito jogo de cintura. 

A REVOLTA DOS CEIFEIROS

Enquanto o Parlamento da Catalunha aprovava resolução para declarar a independência - vd. aqui

o Senado, vd. aqui    aprovava a aplicação do artigo 155 da Constituição na Catalunha.

La revuelta de 1640 y la República Catalana

Cataluña ya se proclamó república independiente en 1641, después de la revuelta de los segadores. Eso sí, tras apenas unos días, el país se colocó bajo protección francesa.
Las tensiones entre Cataluña y España llevaban años alimentándose. Por un lado, la política imperial castellana supuso un abundante gasto para las arcas. El conde-duque de Olivares, valido del rey Felipe IV, intentó compensar esta situación económica con la Unión de Armas. El objetivo era que todos los reinos de la monarquía, y no solo Castilla, contribuyeran económicamente y con hombres al esfuerzo militar. Barcelona se negó porque iba contra las constituciones catalanas.
A eso se unió que España entró en guerra con Francia en 1635. Se trataba de un nuevo episodio de la Guerra de los Treinta Años, que llevaba en marcha desde 1618. El ejército francés invadió el norte de Cataluña y Olivares respondió enviando miles de hombres para preparar la nueva campaña, pero sin permiso de las instituciones catalanas. Olivares envió una carta al virrey que interceptaron los catalanes y se leyó en la Diputación: “Los catalanes son naturalmente ligeros: unas veces quieren y otras no quieren. Hágales entender V. S. que la salud del pueblo y del ejército debe preferirse a todas las leyes y privilegios”.
El alojamiento de tercios de Felipe IV creó tensiones con el campesinado, que incluyeron, como se recuerda en la Història de Catalunya dirigida por Albert Balcells, el “saqueo, profanación e incendio” de varias iglesias.
Todo esto contribuyó a suscitar un alzamiento popular en 1640 contra las tropas castellanas. Segadores (e insurgentes disfrazados de segadores) entraron en Barcelona, acorralaron al virrey en su palacio y lo asesinaron junto a todo su séquito en la playa, mientras trataba de huir en un galeón.
“Fue bastante caótico -escribe Henry Kamen en España y Cataluña: historia de una pasión-: la ley y el orden se quebraron totalmente en Cataluña porque las clases altas catalanas temieron actuar contra sus propios vasallos”. En octubre se firmó un acuerdo de defensa con los franceses. El 16 de enero de 1641, Pau Claris, presidente de la Generalitat, proclamó la república, pero el 23 de enero se transfirió el título de conde de Barcelona de Felipe IV a Luis XIII, “poniéndose de este modo y voluntariamente bajo la corona francesa”.
No salió bien. Kamen apunta “el Estado francés era mucho menos respetuoso con sus privilegios que los castellanos” y el experimento terminó 12 años más tarde. Felipe IV recuperaría Cataluña, pero Luis XIV se quedó el Rosellón y parte de la Cerdaña. El rey español juró respetar las constituciones, eso sí. No estaba para ponerse exquisito: en 1640 Portugal también había declarado su independencia, gracias a una alianza con Inglaterra. - aqui
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Thursday, October 26, 2017

PENAS SUSPENSAS


O incendiário estava acusado de ter provocado cinco incêndios. 
Confessou a autoria de um, negou a dos outros quatro.
Há cinco anos tinha sido condenado pela prática do mesmo crime.
O júri juiz condenou-o, agora, a dois anos e meio de prisão, mas suspendeu-lhe a pena. Pode voltar a incendiar no verão de 2020.

Ouvimos e lemos que uma parte muito significativa dos incêndios que devoram vidas e haveres são de origem criminosa. Que medidas vão ser tomadas para rever um quadro penal que, provadamente, não tem desincentivado os criminosos que de, ano após ano, obrigam à mobilização de meios que custam milhares de milhões aos bolsos dos contribuintes sem que veja inflexão na progressão da tragédia?

Ouvi quase todo o debate desencadeado pela moção de censura apresentada pelo CDS/PP.
Alguém abordou a questão da criminalidade incendiária? 
Alguém propôs medidas capazes de conter o terrorismo incendiário?
Não ouvi ninguém. Nem do lados que apoiam o governo, nem da oposição.
Alguém sabe porquê?

Ouve-se falar em "negócio do fogo", em "cartel do fogo" com tentáculos em Espanha. 
Para além dos imbecis que pegam fogo à floresta porque a visão  do inferno das chamas os leva a clímax de excitação, há, certamente, muitos criminosos que salivam excitação na visão dos lucros que o fogo lhes proporciona. 
Quem tem medo deles?
Como e a quem aproveita esta passividade conivente?



O negócio do fogo

Wednesday, October 25, 2017

PELA BOCA, A CATALUNHA

"La inquietud sobrevuela Sant Sadurní, el pueblo del cava"

"Los extremeños alertan del efecto bumerán de boicotear los productos catalanes"



A questão catalã está a esbarrar entre dois redutos politicamente irreconciliáveis:

De um lado, a integridade territorial da Espanha prevenida no artigo 155 da Constituição contra as intenções independentistas, e a oposição da União Europeia à independência por decisão unilateral unilateral de parte de qualquer dos seus países membros;
Do outro, a dificuldade, provavelmente diplomaticamente inultrapassável, do governo de Espanha fazer cumprir as directivas decorrentes da aplicação do artigo 155, qualquer que seja a intensidade decidida para essa aplicação. 

A chave parece encontrar-se, à medida que passam os dias e os discursos de confronto se apaziguam em ambos os lados perante as dificuldades de consensos, na imposição de uma realidade que é impossível não considerar: a integração económica do espaço hispânico e deste no espaço da comunidade económica europeia. 
Os independentistas podem desvalorizar os custos da transferência das sedes de grande parte das principais empresas para outras comunidades de Espanha mas não podem ignorar a inquietação crescente de muitos milhares de empresas, da Catalunha e do resto de Espanha, que, como fornecedores ou clientes de empresas catalãs, começam a observar consequências negativas nos seus negócios.  

O tempo corre a favor do governo em Madrid e contra o governo em Barcelona. 
Rajoy terá dificuldades em acertar com os partidos que apoiam a aplicação do artigo 155 o grau e o modo dessa aplicação e só em última instância avançará para uma imposição de forçada. 

Será, não vejo outra via, o reconhecimento dos independentistas de uma realidade inultrapassável - a integração económica - que amainará as suas ambições e levará a reaproximarem-se dos outros povos de Espanha.

Tuesday, October 24, 2017

JUSTIÇA PERVERSA


A sentença ditada pela Relação do Porto é uma idiotice total. 
Mas a justiça em Portugal, não só em Portugal, já nos habitou a disparates de tamanho abismal. É o normal anormal. 

Mas não se tomem todas as mulheres por vítimas e todos os homens por carrascos.
A perversidade não é monopólio de um dos sexos.
Há mulheres mães que, sem razões provadas ou sequer invocadas em tribunal, recusam aos pais o direito de visitar os filhos menores de ambos, mesmo se a separação foi acordada e, entre outros, o direito de visitas assegurado, por escrito e homologado pelo tribunal.

Pois mesmo nestas condições essas mulheres mães recusam o direito de visita mas continuam a exigir o pagamento das pensões de alimentos. Sem que o tribunal faça cumprir o acordado.

Um caso destes foi há dias, ao fim de vários anos, resolvido, segundo li algures. Os protagonistas, figuras públicas, são uma apresentadora de televisão e um futebolista. 

Há homens monstruosos, mas há mulheres que não lhes ficam atrás em perversidade.
E, sobretudo, frequentemente, não há justiça que mereça o nome.*

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* Comentário colocado aqui

AS LIGAS DO NORTE


Anteontem afirmava Matteo Renzi, secretário do Partido Democrático  e ex-primeiro ministro de Itália, em entrevista ao El País, que "a Itália é hoje um país mais anti europeu". 
Ontem os da Liga Norte, obtiveram, nas regiões mais ricas de Itália, Lombardia e Veneto, uma maioria muito expressiva - acima de 90% em qualquer dos casos -, entre os que votaram (menos que 50%) em referendos em que reclamam maior autonomia que, muito claramente, se traduz em menos transferência de fundos para as regiões mais pobres de Itália. - vd. aqui

Com alcance subtilmente menos ambicioso que os independentistas catalães, os da Liga do Norte ( Lega Nord per l´Indipendenza della Padania. A Padania é a designação comum para o vale do Pó, abrangendo a Lombardia e Veneto) não reclamam, para já, a independência mas a autonomia quase total de gestão das finanças publicas do norte de Itália, esperando que as eleições legislativas dentro de dois anos lhes garantam a possibilidade de cortarem todas as dependências de Roma. - vd. aqui

Assim vai a União Europeia: entre o populismo nacionalista, a leste, que se revê no comando musculado de Putin, e o populismo nacionalista a noroeste, que se revê na truculência errática nacional-populista de Trump, ameaça estilhaçar-se em estados nações, emergentes da dissolução do Império Romano, que durante séculos se combateram entre si.
A última vez, há cerca de 70 anos.



Padania

Monday, October 23, 2017

OS IMPOSTOS SÃO MUITO ALTOS EM PORTUGAL?


Quem paga impostos, geralmente, dirá que sim, os impostos são excessivos em Portugal.
Para quem não paga, o assunto é geralmente ignorado. 

Os impostos não são elevados, os serviços públicos é que são muito caros.
A afirmação é redundante mas geralmente não se dá por isso.
Há dias, dizia-me um velho amigo, aquilo que geralmente se ouve de quem paga impostos diz: "os impostos atingem em Portugal níveis record".
Não é verdade. Há países onde a carga fiscal é muito mais elevada mas, porque também é elevada a qualidade dos serviços públicos recebidos,  o preço é considerado bom pelos contribuintes.

Em Portugal os serviços públicos, com raras excepções, são sofríveis, e alguns são maus.
Outros são péssimos. 
A Autoridade Nacional de Protecção Civil demonstrou ao longo dos últimos anos que não merecia continuar a desempenhar as funções para que foi criada. Este ano, quando as condições climáticas, progressivamente adversas de verão para verão, se agudizaram, emergiram dramaticamente os custos incalculáveis em vidas e bens perdidos de uma autoridade que deveria ter sido desautorizada há muito tempo. 

Custos pagos pelos contribuintes mas também, neste caso, por muitos que, sendo pobres e não pagando impostos, viram ceifadas vidas e haveres que não recuperarão nunca.

Todos os impostos são altos se os serviços recebidos como contrapartida não justificam os seus custos. Uma conclusão óbvia que geralmente é lida de forma inversa: protesta-se frequentemente contra o aumento de impostos, suporta-se, geralmente, sem indignação a falta de qualidade de serviços públicos.  

Sunday, October 22, 2017

O SABOR DA CEREJA



de Abbas Kiarostami (1940-2016) 

Palma de Ouro do Festival de Cannes em 1997.
Uma abordagem serena de um tema forte, em ambiente inóspito, agreste, degradado, aqui e ali bucólico, de onde Abbas Kiarostami retira imagens luminosas, esteticamente impressionantes.
Vinte anos depois, em cópia restaurada, a não perder rever.

Saturday, October 21, 2017

FOGO! NÃO ACORDEM A TROPA!

Virá aí a revolução na prevenção e no combate aos fogos? - perguntava-se ontem no Público. 
Veremos, mas as condições para essa revolução, para qualquer revolução, triunfar, pressupõem a conjunção de forças com capacidade física e anímica capazes de suplantar as forças opostas aos seus objectivos. 
Neste caso, não se vislumbra que haja entre os partidos que suportam o actual Governo uma conjugação de propósitos suficiente para confrontar com sucesso os interesses instalados, as rejeições e os anti corpos identificados há muito tempo. 
De entre estes, destaco a ausência das forças armadas no combate aos fogos florestais, o inimigo das pessoas e do território mais previsível e mais letal. Todos anos, quando a temperatura escalda e o ar seca, as devastações provocadas por esse inimigo são combatidas, principalmente, por voluntários. Da tropa, raramente há notícia, e nunca alguma guerra foi ganha por milicianos.

Mas, repito-me, se o fogo é o inimigo mais persistente, previsível e devastador, se provado está que os fogos florestais são a arma mais eficaz (mais rápida) e eficiente (mais barata) para destruir pessoas e bens e ocupar o território, para que servem as forças armadas se não são convocadas para este combate e continuam a marcar passo nos quartéis enquanto o país é invadido? Não vislumbro que  inimigo possa invadir Portugal por terra, pelo mar ou pelo ar, mas admitindo que essa possibilidade existe, forçoso é admitir que tal inimigo aguardará pelos dias de verão e incendiará completamente o nosso país, de norte a sul, mobilizando umas dezenas, centenas, quanto muito, de incendiários para, pela calada da noite provocar um incêndio global. Enquanto a tropa estará à espera do inimigo que não chega.

Porque, provavelmente, continuará a estar.

"Em Espanha, há uma equipa a nível nacional, constituída por militares, que intervêm nos fogos de grande dimensão. Os peritos foram até ao país vizinho para estudar e apresentarem uma solução para Portugal, que, apesar de ir beber à solução espanhola, é de outra natureza. Por cá são mais comedidos na proposta e querem, utilizando os recursos existentes, propor a criação de uma Agência para Gestão de Fogos Florestais, altamente especializada, que sirva de chapéu à estratégia que defendem: unir prevenção e combate a incêndios numa única entidade com tutela directa da Presidência do Conselho de Ministros" - Público - 20/10.

Da reunião do Conselho de Ministros, hoje, que atribuições no combate aos fogos serão cometidas às forças armadas no combate aos fogos, nomeadamente o exército e a força aérea? Se as propostas são comedidas as decisões serão tímidas e os militares continuarão à espera do inimigo abstracto.

"Devia avançar-se para uma Proteção Civil militarizada", afirma-se aqui, mas quem o afirma não decide na matéria e quando teve responsabilidades no assunto ou não se lembrou ou preferiu calar-se.

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Correl . -

V E R G O N H A!, 23/8/2017
PORQUÊ?, 20/8/2017
AFINAL O INIMIGO EXISTE E É ESPANHOL, 19/8/2017
PARA ACABAR DE VEZ COM OS INCENDIÁRIOS FLORESTAIS, 18/8/2017
TUDO NA MESMA DEPOIS DE PEDROGÃO GRANDE, 13/8/2017
O QUE NÃO DIZEM OS ESPECIALISTAS, 7/8/2017
QUASE TUDO RESOLVIDO, 18/7/2017
INFAME, 5/7/2017
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Maior destaque das Forças Armadas, com a Força Aérea a assumir a gestão e operação dos meios aéreos de combate aos incêndios florestais  22/10/2017