Sunday, May 28, 2017

TOQUE DE REUNIR

Sem nomear a que aliados se referia, está ser geralmente subentendido que, nos comentário às recentes reuniões da NATO e do G7, a chanceler visava os EUA de Mr. Trump e, segundo alguns comentadores, também o Reino Unido.
Agora temos de agarrar as rédeas do nosso próprio destino, acrescentou.

Anteontem apontei aqui : Se a melhor forma de enfrentar uma ameaça é agarrá-la como oportunidade, estando cada vez mais estreito o caminho da UE, espera-se que a redução da margem de manobra imponha a coesão que lhe tem faltado. O contrário seria o descalabro total.

Ângela Merkel, muito provavelmente, ganhará as eleições federais de 24 de Setembro. Se não obtiver a maioria absoluta no Reichstag, pode ser obrigada a governar com os sociais-democratas, uma hipótese que reforça a capacidade de liderança franco-alemã no esforço de coesão da União Europeia que tem tergiversado ao sabor de algum egocentrismo dos democratas-cristãos alemães.


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Por que é que os comentários de Merkel são importantes? Vd. aqui : Why Merkel´s comments matter


Saturday, May 27, 2017

CASCAIS, THE CHARM OF THE ATLANTIC COAST


clicar nas imagens para ver melhor os pormenores














(alguns exemplares)

Friday, May 26, 2017

A NATO




Acabou?

Isto está tudo ligado:

As divergências entre Trump e os líderes europeus reunidos em Bruxelas não se limitam às questões da defesa. O ambiente e o comércio externo são outros pontos críticos de desacordo.
É a primeira vez que um presidente norte-americano não confirma o compromisso dos EUA de defesa mútua previsto no artº. 5º. do Tratado fundador da Aliança Atlântica. Para consumo interno, Trump foi repetindo que os europeus devem aumentar as suas contribuições, uma pretensão que ninguém rejeitou.

Entretanto soube-se esta manhã que o FBI investiga eventuais conexões do genro e senior advisor de Trump, Jared Kushner, com a Rússia - Cf. -FBI investigates Jared Kushner´s Russia ties

Se a melhor forma de enfrentar uma ameaça é agarrá-la como oportunidade, estando cada vez mais estreito o caminho da UE, espera-se que a redução da margem de manobra imponha a coesão que lhe tem faltado. O contrário seria o descalabro total.

Thursday, May 25, 2017

O JOGO DA CABRA CEGA

Ao fim  de mais de 6 anos alguns ratos saíram da montanha. 
Os outros, ou já tinham saído sem que ninguém tenha dado por isso, ou ainda lá se encontram à espera da noite que os confunda com o pardo dos gatos.

Oliveira e Costa, que se encontra hospitalizado e não assistiu à leitura da sentença, foi ontem condenado a 14 anos de prisão pelo costume: crime de falsificação de documentos, fraude fiscal qualificada, burla qualificada e branqueamento de capitais. "Foi a maior burla da história da Justiça portuguesa julgada até ao momento", segundo o juiz Luís Ribeiro, que preside ao colectivo de juízes responsável pelo julgamento do processo principal.
Foram ainda condenados a penas de prisão efectiva três comparsas por condutas especialmente graves. Outros oito foram condenados a com penas de prisão inferiores a 5 anos, admitindo o tribunal a suspensão em troca de indemnizações ao Estado que, no máximo, atingem os 50 mil euros durante o tempo de prisão a que foram condenados. 

Trocos, se comparados com os 6, 7, ..., mil milhões (as contas ainda não estão feitas!) que os contribuintes portugueses têm de pagar. Quem ganhou com a monumental burla? A quem aproveitaram os crimes? O que recuperamos nós, contribuintes, do dinheiro a que os ratos deram sumiço? 
Oliveira e Costa foi, desde o início do processo, indiciado como principal responsável, e ele não enjeitou a acusação. Mas quanto ganhou ele com os crimes praticados? Que descaminho deu às vantagens que retirou? Prendê-lo, e não é provável que volte a ser preso, considerando a idade e o estado de saúde, e as voltas recorrentes que as leis que temos consentem*, para quê?
Os valores exigidos aos que podem ver as penas suspensas não pagam sequer as custas do processo.
Os crimes económicos e financeiros deveriam ser preferencialmente punidos pelos valores materialmente equivalentes aos danos totais que provocaram.

A quem aproveitaram os crimes cometidos?
Para além dos ratos por cujas falcatruas foram ontem condenados para quase nada, há uma trupe de ilusionistas parcialmente publicamente conhecida que aproveitou, arrecadou e fez desaparecer os milhares de milhões que temos de pagar. Acerca desses os juízes nada disseram. São esses outros ratos que, alegremente divertidos, jogam impunes e radiantes à cabra cega, enquanto nos assaltam os bolsos.


Wednesday, May 24, 2017

BRASIL

De temer.
Não é trocadilho, o Brasil pode estar à beira de guerra civil.


Temer foi cooptado pelo seu grupo de suspeitos e incriminados. A nuvem de corrupção ensombra o país, a convocação dos militares num contexto de suspeição que atinge as altas estruturas do poder pode atiçar um rastilho incontrolável. Quando a tropa é convocada pelo poder sitiado nunca se sabe de que lado estarão os militares no dia seguinte. 
Se a contestação popular for sufocada, reacender-se-á enquanto não for sufocado o regime democrático. Se não, ou Temer se demite ou o que resta insuspeito das instituições democráticas deve afastá-lo pelos meios expeditos consentidos pela Constituição. Um processo de impeachment seria a via dolorosa em que apodreceria irremediavelmente o regime. 

Monday, May 22, 2017

QUEM VÊ CARAS

O Novo Banco registou 130,9 milhões de euros de prejuízos nos primeiros três meses do ano.
Porquê?
Vem quase tudo explicado aqui.
O que não vem explicado é quem paga mais esta conta, mais as próximas até que esteja completamente fechada a venda ao "Lone Star Funds"
O sr. António Ramalho, a julgar pelo boneco que acompanha a notícia, não parece preocupado com mais esta ninharia.



Na Caixa os prejuízos no primeiro trimestre, explicados pelos custos de reestruturação, segundo a administração do sr. Paulo Macedo, foram de 38,6 milhões, um pouco mais de metade dos prejuízos observados no período homólogo do ano passado. 
Acabaram-se os grandes calotes? Já estão todos imparidados?
O sr. Horta Osório considerava na entrevista ao DN e à TSF, referida aqui, que "quanto ao caso CGD houve erros graves e seria lamentável se não houvesse resultados da investigação sobre quem emprestou dinheiro a quem".
O sr. Horta Osório é um eufemista.
Quem é que já não sabe quem emprestou a quem na CGD os créditos mirabolantes que só não levaram a Caixa à falência porque o lombo dos contribuintes aguenta toda a carga de moscambilhas que os banqueiros e caixeiros engendraram e, provavelmente, alguns continuarão a engendrar?
Quanto a grandes calotes e grandessíssimos caloteiros, os da Caixa estarão, talvez preocupados, mas ainda assim fechados em copas.



Sunday, May 21, 2017

É PRECISO PREPARAR UM PLANO DE REDUÇÃO DA DÍVIDA

"É preciso preparar um plano de redução da dívida em relação ao produto para aumentar o grau de fortaleza e resistência da economia. Gostava de ver esse plano, era muito importante que existisse"

A afirmação é do sr. Horta Osório em entrevista do DN e TSF publicada aqui, e vale a pena uma leitura atenta, não apenas porque o entrevistado é um banqueiro de mérito internacionalmente reconhecido mas porque conhece bem a realidade portuguesa e a discussão acerca da redução da dívida pública um tema que ultrapassa agora claramente a quase não discussão acerca do nível do défice. 
Mas é possível reduzir a dívida (ou estabilizar o seu valor nominal com propõe Olivier Blanchard em entrevista do Expresso) sem continuar a aumentar o saldo primário para reduzir o défice? Como?

É preciso preparar um plano de redução da dívida. Gostaria de ver esse plano, diz ele. 
E digo eu.
O que ele não diz é como se pode reduzir a dívida. 
E o entrevistador também não perguntou. É uma pecha de alguns jornalistas esquecerem-se das questões mais importantes. 

Toda a gente tem uma receita, a mais comum, aumente-se o investimento para fazer crescer a economia.
Como?

Pois é: o diabo está nos como

Saturday, May 20, 2017

O AMIGO DAS ARÁBIAS

Soube-se hoje que Mr. Trump vendeu aos sauditas 110 mil milhões dólares de armas no primeiro dia da sua primeira saída dos EUA desde que tomou posse, um sucesso que lhe permitirá desacelerar o movimento interno que ameaça a sua destituição. Resta ver que negócios será ele capaz de engendrar junto de israelitas e palestinianos para acabar, promessa dele, com o conflito entre palestinianos e israelitas que dura desde  a fundação do Estado de Israel, há quase 70 anos. 

Para Mr. Trump, vender armas é fácil, aliás já estariam vendidas, Mr. Trump limitou-se a oficializar o negócio, mesmo que essas armas sejam vendidas a quem, segundo o próprio Trump, suporta os fanáticos do Isis, que ele, o mesmo Mr. Trump, se propõe eliminar. 

Tão terrivelmente fácil quanto terrivelmente sujo. 


Friday, May 19, 2017

DEMAGOGIA A METRO QUADRADO

Continua a habitual plantação de outdoors.
A freguesia de Avenidas Novas, pelos vistos bem abonada demais, depois de uma campanha massiva de cartazes XL a comprar votos nas próximas eleições com o embuste do "orçamento participativo", plantou  nova emissão de outtdoors, desta vez a encostar-se às obras da Câmara e a informar que corta os relvados. Em próximos cartazes informará, provavelmente, que também regista caninos.




O primeiro outdoor está colocado atrás do segundo. Em frente deste, a uns trinta metros, isto:


clicar para ver melhor

Tuesday, May 16, 2017

A COR DA INTELIGÊNCIA

De que cor é a inteligência?
Há ainda muita gente, gente demais, fanaticamente convicta da supremacia branca, ainda que não faltem exemplos flagrantes a demonstrar que a competência, a capacidade, a inteligência, são atributos a que a natureza nunca deu cor.  
E, no entanto, a vida de muita gente foi, e continua a ser em larga escala, sofrida pela cor da pele. 
Estreia-se hoje em Portugal um filme que é uma denúncia desse sofrimento, passado e presente, imposto aos afro-americanos: I Am Not Your Negro


Há dias, o Washington Post publicava aqui notícia de mais um caso susceptível de engasgar racistas brancos (o racismo também não tem cor) : Carson Huey-You obteve o seu diploma em Física pela Texas Christian University no dia 13 deste mês de Maio. Tem 14 anos, e é o mais novo diplomado de sempre na história da TCU. Agora quer obter o doutoramento. O seu irmão Cannan, de 11 anos, prepara-se para entrar na Universidade na próxima época e graduar-se em engenharia e astrofísica . 


MUDAR DE MÃOS

No mercado da arte, o valor acrescentado mede-se, sobretudo, pelas comissões cobradas pelas galerias e agências. O valor recebido por quem vende não tem expressão económica real - troca sem produção de riqueza - mas as mais-valias obtidas pelo vendedor são estatisticamente relevantes. 


La Muse Endormie 
Constantin Brancusi
(clicar para aumentar)

La Muse Endormie de Constantin Brancusi mudou ontem de mãos num leilão da Christie´s, que atingiu um volume de transacções, 289 milhões de dólares, não conseguido desde 2010.
O valor da obra do escultor romeno, foi transaccionado por 51 milhões de dólares, o que, adicionadas as comissões da Christie´s, colocou em 57,4 milhões de dólares o preço pago pelo comprador. 


Femme assise, robe bleue
Picasso

Femme assise, robe bleue, de Picasso, foi transaccionado por 45 milhões de dólares, comissões incluídas.


Monday, May 15, 2017

RUA DA VERGONHA


No Cinema Nimas, uma reflexão sobre a proibição ou a legalização da prostituição em Tóquio no pós-guerra.

"A vida de cinco prostitutas que trabalham num bordel na famosa e histórica zona de prostituição de Tóquio, Yoshiwara, e a forma como os seus sonhos e ambições são constantemente destruídos pela realidade social e económica que as rodeia". Texto: Cinemateca Portuguesa

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TRUMP DEVE SER DEMITIDO

"Trump deve ser impedido de continuar a presidir"- Trump must be impeached -, é a opinião de um professor de Direito em Harvard, juntando-se ao grupo crescente dos que, de um modo ou de outro, consideram que o magnata já atravessou, e continua atravessar, os limites da complacentes da tolerância democrática. 

Paradoxalmente, o maior obstáculo à demissão compulsiva de Trump pode ser a continuada provocação do ditador em Pyongyang, que, soube-se ontem, ordenou o lançamento ensaio de um mais um míssil, desta vez mais potente, mais alto e mais longo, que os anteriores. Normalmente, em situações de ameaça externa ou intuída como tal, os povos tendem a reunir-se no apoio aos seus dirigentes, independentemente das divergências internas, e os norte-americanos não fogem à regra. George W. Bush conseguiu a reeleição porque os EUA se encontravam envolvidos na guerra contra o Iraque, que o próprio George W. Bush tinha ordenado ou consentido. 

Ora as ousadias provocatórias de Kim Jon-un, ou da sua quadrilha, nestas situações nunca se sabe quem é que realmente decide, concedem a Trump a vantagem da coesão do grupo perante a ameaça externa. O Conselho de Segurança da ONU foi convocado para reuniões amanhã e depois de amanhã, e, segundo as notícias, há sobre a questão divergências no partido chinês, Putin parece preocupado, mas parece que não será ainda desta vez que no Conselho de Segurança se alcança um consenso sobre as medidas que possam vergar as ameaças dos norte-americanas.


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Correl. -



Saturday, May 13, 2017

POR QUE É QUE OS FILHOS DE CRISTIANO RONALDO NÃO TÊM MÃE

Há dias, durante uma conversa entre amigos que enveredou para o poder paternal, surgiu a questão
"por que é que os filhos de Cristiano Ronaldo não têm mãe?"

- Toda a gente tem pai e mãe, salvo, segundo consta, Jesus Cristo, que só tinha mãe
Nos tempos do outro senhor, nos casos de nascimentos de casais não casados, tinham de se apresentar no Registo Civil o pai e a mãe. Se não comparecesse o pai, ficava a criança filha de pai incógnito; se faltasse a mãe, ficava filho de mãe incógnita. É o caso dos filhos de Cristiano Ronaldo, para já tem um, mas li há dias que está agora à espera de mais dois, gémeos. Como a mãe não reclama a maternidade porque foi paga para estar calada, as crianças ficam filhos de mães incógnitas. 
- A mim parece-me intolerável.Toda a gente deveria ter o direito a saber de quem é filho. Do Cristiano Ronaldo ninguém fala porque é podre de rico e idolatrado. Mas, do meu ponto de vista, é uma situação que não deveria permitir-se. 
- Em nome de quê?
- Dos interesses do filho ou dos filhos, se tiver mais. Em nome de quê pode um pai sonegar, porque é rico, esse direito ao filho?
- Por respeito ao direito de privacidade. Se ele entende que não deve divulgar o nome da mãe e a mãe não reclama o reconhecimento da maternidade, o filho pode a todo o tempo ser informado pelo pai, se é que não foi já. Não sabemos que informação ele já deu ao filho. Trata-se de assunto estritamente privado.
- Que só possível a quem tem muito dinheiro ...
- Talvez não. Não é impossível um acordo entre um homem e uma mulher com as mesmas consequências: a mulher pode renunciar ao reconhecimento público da maternidade sem contrapartidas materiais. 
- Então a troco de quê?
- Do que for entendido entre o homem que assume a paternidade e a mulher que abdica dela. 
- Se o entendimento não for obtido por dinheiro não vejo que possa haver outro motivo suficiente.
- A humanidade é muito complexa e a imaginação ilimitada. O dinheiro é o meio de generalizado mas não é único. 
- Hum! É público que ele pagou, e muito ao que parece, para o filho ser só dele. E, voltamos à questão inicial: porquê?
- Porquê, não sei, mas posso imaginar uma razão ...
- ?
- Imaginem que o Cristiano Ronaldo, dono de uma fortuna de que ele já não conhece os limites, tem um filho, outro filho, e este filho é registado com pai e mãe conhecidos. Admitamos que o casal não é casado ou, se for casado, é casado segundo o regime de separação de bens. 
Passado algum tempo, três, quatro anos, CR separa-se da mãe deste filho, e o tribunal, seguindo a regra geral, decide que o filho passa a viver com a mãe, à excepção dos dias consignados à responsabilidade/direito do pai. Um dia, a mãe, invocando razões genéricas - o filho está doente, o filho não quer sair de casa naquele dia, o filho já não gosta do pai - nega, objectivamente, a presença do filho junto do pai. Que pode fazer CR?
- Reclama o cumprimento do estipulado em tribunal.
- E se a mãe não cumprir?
- ?
- Notem que não há aqui necessariamente uma questão monetária. Pode dar-se o caso da mãe ser uma herdeira rica, não dependente da fortuna ou da pensão de alimentos da responsabilidade do pai. Em conclusão: Não sei se Cristiano Ronaldo optou por pagar a uma mulher para ter a garantia de ter um filho com ele. Mas que pode ser uma razão, pode.  

KENJI MIZOGUCHI

A Imperatriz Yang Kwei Fei, A Senhora Oyu e Rua da Vergonha, são os três filmes da segunda série que o Cinema Nimas está apresentar de Kenji Mizoguchi.
Vá ao Nimas! Um dos pouquíssimos espaços que ainda subsistem fora dos buracos nos centros comerciais.

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ROSA MORENA


(Dedicado à nossa Rosa Morena, no dia do seu sexto aniversário, em jeito de glosa de "Rosa Morena" de Dorival Caymmi)*

Rosa Morena,
parabéns querida Rosa.
Queríamos estar contigo,
por onde andas bonita Rosa?

Querida Rosa,
estamos há espera há tanto tempo, 
à espera que sejamos livres,
nós e tu, Rosa amorosa,
de te ver, querida Rosa. 

Tu não sabes, não sabemos,
porque não nos podemos ver.
Estamos fartos de esperar,
Rosa.
Esperando o dia em que sejas livre,
Bonita Rosa.
Que sejas livre de ver quem te quer ver 
Rosa Morena!

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*
Rosa Morena 
Onde vais morena Rosa
Com essa rosa no cabelo 
E esse andar de moça prosa morena 

Morena Ro- sa
Rosa morena o samba está esperando 
Esperando pra te ver
Deixa de lado esta coisa de dengosa 
Anda Rosa vem me ver

Deixa de lado esta pose
Vem pro samba vem sambar
Que o pessoal tá cansado de esperar
O Rosa
Que o pessoal tá cansado de esperar
Morena Rosa
Que o pessoal tá cansado de esperar
Viu Rosa,



Dorival Caymmi

Thursday, May 11, 2017

NA QUEDA DE TRUMP

No último dia do ano passado vaticinei aqui, um vaticínio que era, e continua a ser, uma esperança, que "a queda de Trump tinha começado no dia anterior".
Ainda não caiu, mas as probabilidades de que isso venha a acontecer têm vindo a aumentar, e a demissão do director do FBI está a provocar enormes tensões na corda bamba em que o magnata vem exibindo as suas habilidades de político funâmbulo. 

Do caudal de artigos de opinião sobre este tema que ocupam a maior parte dos media norte-americanos destaco dois, publicados no Washigton Post de ontem: 


O primeiro resume o ponto da situação dos factos conhecidos, das possíveis causas que motivaram Trump a demitir Comey de forma ineditamente humilhante, cf. aqui. O segundo porque coloca a hipótese do funâmbulo, para evitar a queda, desencadear uma ofensiva, eventualmente nuclear, que desclassifique o interesse da opinião pública  nas investigações de conexões espúrias de Mr. Trump e membros da sua entourage. 

There will be more shoes to drop, afirma John McCain acerca da demissão de Comey.


Wednesday, May 10, 2017

TURISMO RELIGIOSO

"Estava próxima a páscoa dos judeus, e Jesus subiu a Jerusalém.
Encontrou no templo os que vendiam bois, ovelhas e pombas, e também os cambistas sentados;  
e, tendo feito um azorrague de cordas, expulsou todos do templo, as ovelhas bem como os bois, derramou pelo chão o dinheiro dos cambistas, virou as mesas e disse aos que vendiam as pombas: Tirai daqui estas coisas; não façais da casa de meu Pai uma casa de negócio" (João 2:15-16)

"As conversas numa esplanada da Rua Jacinta Marto passam pelo tema dos preços exorbitantes.
Rosa Clemente mostra um panfleto de uma imobiliária, onde a imagem da estátua de Nossa Senhora de Fátima acompanha a informação de T1, quartos e suites para arrendar. Tiago Costa distribui os panfletos ao virar da esquina. Confirma que "ainda há alguns espaços por ocupar e que os preços andam entre os 300 e 500 euros. Os quartos estão mesmo às portas do santuário, a escassos metros, garante. 
Informação compilada pela Agência Lusa também aponta para algumas camas por preencher, mas não a preços inferiores: dormir em Fátima de sexta-feira para sábado custa entre 335 e 1650 euros em alojamentos locais e entre 500 e 2500 euros em unidades hoteleiras. A Airbnb dá conta de que o número de hóspedes que marcou dormida nas imediações aumentou 10 vezes face a igual período do ano passado." Público

"Fátima aguarda serenamente a enchente"

Monday, May 08, 2017

USEM O TWITTER SE FAZEM FAVOR!

Saio de Sintra em direcção a Lisboa e enfrento na Rotunda do Ramalhão um cartaz, tamanho XL, verde alface, com a mensagem: "Este é o caminho" , e, ao lado, o emblema do PS.
Volto de Lisboa, e à entrada de Ranholas, aparece-me um cartaz, tamanho XL, vermelho arroxeado, com uma mensagem em letras gordas, a branco, a preencher o espaço disponível, "2,1% - Este é o défice mais baixo da nossa democracia " e, ao lado, o emblema do PS.
A concorrer, do outro lado da estrada, colocou o CDS um cartaz, também XL, com a cara da srª. Assunção Cristas e a legenda "Política Positiva". 



Repare-se que nem só os partidos conspurcam as estradas com cartazes. A "Infraestruturas de Portugal", que reuniu as "Estradas de Portugal" e a "Refer" coloca cartazes com a mensagem "Volte Sempre" Volte sempre, aonde?
Note-se ainda que, neste caso, o outdoor do PS foi colocado escondido atrás do cartaz das "Infraestruturas de Portugal". Propositadamente?

(clicar para ver melhor)


Pelo caminho, num sentido e noutro, encontro outros cartazes, dos mesmos ou de outros partidos. Com a aproximação da batalha municipal, a paisagem urbana, ou à volta dela, volta a ser conspurcada pelos outdoors com que os partidos nos querem vender os candidatos. É um negócio tremendo, como diria o safado Mr. Trump, para as agências de publicidade e actividades afins, e não é totalmente improvável que ele, ou a família dele, não estejam interessados no negócio. 

Mr. Trump governa pelo twitter, o que, reconheça-se, é um meio mais eficiente, muito mais económico, e muito mais eficaz, porque atinge directamente um número incomensuravelmente muito maior de eleitores, do que os imundos cartazes.  

Eu não uso o twitter, não sei sequer como funciona. Mas Mr. Trump não quer outra coisa.
Criticam-no pela boçalidade e ausência de conteúdo  das mensagens tuítadas, mas que conteúdo transmitem as mensagens em outdoors de mais de uma dezena de metros quadrados de superfície?
Por que não usam os partidos portugueses o twitter e abandonam os cartazes? 
Porque não têm falta de recursos financeiros?
O PS, segundo as notícias, vd. aqui, tinha em meados do ano passado dívidas que rondariam os 21 milhões de euros. E pedia aos seus dirigentes que pagassem as despesas.
Os outros, quase todos, segundo consta, estão na mesma. Mas não desistem dos outdoors.
Quem paga?
No fim, os mesmos de sempre.

SÓCRATES E A DÍVIDA





O artigo contém várias imprecisões terminológicas e algumas confusões numéricas. 
Por exemplo, e o gráfico basta para perceber isto, os 23,5 mil milhões respeitam apenas às Obrigações do Tesouro emitidas com vencimento até meados de 2019. Se forem adicionadas as emissões de Abril de 2005 e Junho de 2010, durante os governos presididos por José Sócrates, o montante da dívida emitida em OT ultrapassa os 48 mil milhões de euros.

De qualquer modo, uma conclusão é irrefutável: (clicar para ver melhor)


Entre 2005 (Sócrates tomou posse em Fevereiro de 2005) e meados de 2011(perdeu as legislativas em Junho), a dívida pública, em percentagem do PIB, cresceu de 67,4% para 111,4%.
Em 2015 atingiu 129% e, em 2016, 130%.
Entretanto, a intervenção da troica obrigou à reformulação do perímetro da dívida, que passou a incluir verbas e dívidas de entidades até então não incluídas.

Estes quadros e gráficos, ou outros parecidos, já são exaustivamente conhecidos
Mas para onde foi tanto dinheiro, é a pergunta recorrente à espera de resposta clara.
E não houve até agora quem fizesse um boneco.

Saturday, May 06, 2017

PAÍSES DIVIDIDOS

O Financial Times de hoje publica, com destaque na primeira página, mais uma reportagem sobre as eleições de amanhã em França - France: A divided nation decides.

O título parece sugerir que a divisão é uma particularidade francesa na véspera de eleições, quando as sondagens apontam para Monsieur Président Macron no Palácio do Eliseu  por uma margem folgada de cerca de 20 pp.
Se as sondagens se confirmarem, a França não poderá considerar-se um país mais dividido do que muitos outros onde a prevalecem sistemas democráticos, bem pelo contrário. 
Mr.Trump ganhou as eleições norte-americanas de Novembro e o apoio maioritário no Senado e na Câmara dos Representantes mas perdeu o voto popular por quase 3 milhões de votos. 
O Brêxit venceu por margem mínima num referendo absurdo que vai influenciar sobretudo o futuro dos mais jovens, aqueles que ainda não tinham idade de votar ou, tendo-a, não se mobilizaram para expressar a sua vontade. 
Em qualquer dos casos, presidenciais nos EUA e em França, referendo no Reino Unido, os eleitores tinham duas hipóteses, e não mais que duas, para optar. 

A partição do eleitorado em dois blocos antagónicos de peso sensivelmente igual é a regra geral em democracia. Por que é que essa partição acontece com tanta frequência, não sei.
Há bastante tempo anotei neste caderno de apontamentos a mesma dúvida, sem resposta.

Se amanhã o sr. Macron superar os 60% e a srª. Le Pen não atingir os 40% poderá considerar-se que, ainda neste caso, a França é um país dividido?
Pode. Por uma razão decisiva: Entre o sr. Macron e a srª. Le Pen há um abismo que separa a democracia da protoditadura. 
Mas não se observa o mesmo nos EUA presididos por Mr. Trump, assumido suporte de Mme Le Pen?
Talvez não. Mr. Trump pode ser substituído ao fim de quatro dos de mandato, se não for antes. 
A eventual eleição de Mme Le Pen, ou a ultrapassagem da fasquia crítica dos 40%, animará os seus adoradores para uma continuada progressão das suas falácias e crescimento das suas hostes.

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Correl. - Qui est le militant pro-Trump qui a realayé les "Macronleaks"?



Entretanto, Putin continua a pescar enquanto a União Europeia continua à pesca.

Thursday, May 04, 2017

O FASCÍNIO DA MENTIRA

- Não voto na Le Pen porque não posso votar. Mas tenho dois filhos aqui em Saint-Gilles, que têm nacionalidade francesa, e que vão votar na Marine Le Pen. E se tivesse cá o terceiro, também ele votaria na Le Pen, garanto-lhe!
- E não o preocupa a possibilidade de ser expulso para Portugal por não ter nacionalidade francesa? Não o preocupa que ele tome medidas, relativamente aos emigrantes, idênticas às anunciadas pelo Trump nos Estados Unidos da América?
- Não me preocupa nada. O Trump disse que fazia muita coisa mas vai-se a ver e não faz nada do que disse que faria ...

No confronto de ontem à noite entre os dois candidatos à presidência de França, com reflexos tremendos no futuro da Europa se Le Pen vencer - e não está garantido que não possa vencer - ouviu-se, de um lado, uma argumentação consistente e elaborada, e, do outro, um corrupio de afirmações ou questões curtas para emprenhar pelos ouvidos.

Macron venceu o debate e consolidou a vantagem que as sondagens lhe atribuem? Talvez.
Mas não é descartável a hipótese de uma maioria de eleitores, como os dois portugueses de Saint-Gilles, votarem contra os seus próprios interesses iludidos pelo cântico da sereia nacionalista.

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Correl. - Emmanuel Macron files complaint over Le Pen debate 'defamation' 

"Macron came to Greece’s aid during our crisis. The French left should back him" - Yanis Varoufakis




CAIXA ATÉ ALMEIDA

Que a Caixa Geral de Depósitos tem de reduzir custos de funcionamento para estancar a corrente de prejuízos que vem acumulando desde há alguns anos, ninguém deverá ter dúvidas. 
Que o encerramento de algumas agências tem de inscrever-se no programa do imprescindível corte de despesas, parece evidente. 
Mas espanta que, agora que a Caixa tem na presidência um gestor reconhecidamente hábil, o encerramento da agência em Almeida tenha sido tratado de forma tão tosca que o tenha tornado em caso de amplitude nacional. 

A acumulação de  perdas astronómicas da Caixa, que os contribuintes são obrigados a pagar, decorreram, e não sei se não continuam ainda a decorrer, de operações de crédito concedidas, malevolamente,  a figurões, alguns publicamente conhecidos, outros incompreensivelmente mantidos no anonimato, que, por várias vias, estoiraram os créditos e ferraram os calotes. 

O que se passa neste campo pantanoso? 
Quanto valem esses calotes, incobrados, hoje mais ambiguamente designados por imparidades?
Quem deve e não paga aquilo a que todos os contribuintes são convocado a pagar?
Que foi feito das fortunas que eles construíram e desviaram para parte incerta?
Que programa, que plano, que estratégia, tem o sr. Paulo Macedo e a sua equipa para fazer pagar a estes fulanos aquilo que devem? Todo o país tem direito a uma informação bastante, a decisões que garantam que a justiça neste processo não obrigue, também Almeida, a pagar os calotes de gente que continua a pavonear-se por esse mundo fora. 

Encerrar a Caixa em Almeida é uma decisão risível perante a  enormidade das perdas resultantes das moscambilhas cometidas por anteriores administrações da Caixa. 
Se a agência da Caixa em Almeida tem de ser encerrada, trate prioritariamente a actual administração de recuperar aquilo que fundamentalmente conta no desequilíbrio da Caixa. 

Thursday, April 27, 2017

FÁTIMA


Fátima, de João Canijo, estreou hoje.
                                                                           ***
O Governo concede tolerância de ponto no dia 13 de Maio. Se não for a Fátima, vá ao cinema.
Fátima, de João Canijo, vale bem uma deslocação mais curta.

Tuesday, April 25, 2017

QUADRILHA INTERNACIONAL

Trump amava Putin, que amava Le Pen,
que amava Putin, que amava Trump,
que amava Le Pen,
que amava Trump,
que amava Xi Jinping,
que amava Kim Jong-un,
que não amava ninguém,
até ao dia em que Kim Jong-un disse
que os seus mísseis podem atingir Washington ou Nova Iorque,
que pode mandar o porta-aviões nuclear norte-americano "Carl Vinson" ao fundo,
que vai varrer a América da face da Terra.
Ouvindo isto Xi Jinping disse a Kim Jong-un
Acalma-te Kim Jong-un,
amo-te mas também amo Trump.
Assim sendo também deves amar Trump.
Kim Jong-un respondeu:
Amá-lo-ei quando ele tiver um penteado que seja tal e qual o meu.


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QUADRILHA

João amava Teresa que amava Raimundo 
que amava Maria que amava Joaquim que amava Lili 
que não amava ninguém. 
João foi pra os Estados Unidos, Teresa para o convento, 
Raimundo morreu de desastre, Maria ficou para tia, 
Joaquim suicidou-se e Lili casou com J. Pinto Fernandes 
que não tinha entrado na história.
Carlos Drummond de Andrade , "Nova reunião". Rio de Janeiro: J. Olympio, 1985.

Monday, April 24, 2017

QUADRILHA NACIONALISTA

- Em quem votarias na segunda volta se votasses em França: em Macron ou em Marine Le Pen?
- Nem num nem noutro! Abstinha-me!
- Abstinhas-te?
- Abstinha-me. 

A pergunta foi feita a um dos participantes do "Eixo do Mal", aquele que foi membro da Juventude Comunista nos anos 80, saiu do PCP para participar na fundação da Plataforma de Esquerda, migrando três anos depois para participar na fundação do Bloco de Esquerda, abandonando a militância partidária oito anos mais tarde.

Quantos militantes ou ex-militantes da esquerda comunista ou da extrema-esquerda assumirão em 7 de Maio a mesma posição de Daniel de Oliveira? Quantos, dos que votaram em Fillon, Hamon, apesar das indicações de voto em Macron se absterão ou votarão em Marine Le Pen? Quantos dos que votaram em Mélenchon, que ainda não deu até agora qualquer indicação de voto, votarão em Le Pen ou se absterão? As sondagens dão a Macron uns folgados 68% contra Le Pen na segunda volta mas serão as sondagens tão certeiras quanto o foram na primeira? 

O assunto não é despiciendo mas não foi por essa razão que me ocorreu comentar a resposta de um ex-comunista-plataformista-bloquista-independente-até-mais-ver. O que parece inédito, mas não é, nas actuais tendências do eleitorado em regimes democráticos é a vaga da sedução pelos extremos, sejam eles de direita ou de esquerda, sobretudo do eleitorado mais jovem, que leva à formação de frentes nacionalistas que juntam comunistas, ex-comunistas-saudosistas, fascistas, racistas, xenófobos, chauvinistas, neo-nazis, e outros extremistas contra a democracia e a Europa. É a sedução nacionalista, num lado e noutro dos extremos, que, novamente, setenta anos depois do último grande
conflito bélico mundial, encaminha para a desagregação a frágil unidade europeia ainda que a provável vitória de Macron a 7 de Maio possa conter o avanço nacionalista na Europa durante os próximos anos.

Dos nove candidatos que concorreram na primeira volta às eleições para a presidência francesa, apenas Emmanuel Macron, que não é suportado por nenhum partido, se afirmou europeísta convicto. Recolheu apenas 23% dos votos, um número suficiente para o colocar na segunda volta e, muito provavelmente, ser presidente de França dentro de duas semanas, mas que confirma que a União Europeia continua sem partidos nem cidadãos que inequivocamente se assumam como europeus.
E sem europeus, Europa continuará a ser apenas nome de um continente de estados-nações condenados a agredirem-se uns aos outros ad seculum seculorum.


Friday, April 21, 2017

PARA ACABAR COM OS LESADOS DOS LESADOS


A foto está num artigo do Público de hoje

Banca : venda abusiva de produtos aos clientes punida com expulsão - Venda que viole regras será punida com a perda do registo para funções de gestão, direcção, administração ou fiscalização na banca. Telefonemas com clientes passam a ser gravados"

Não sei qual vai ser a reacção dos banqueiros a estas intenções que, pelo que se lê no artigo, terão origem em directivas comunitárias. 
O que sei é que não se reparam com mais leis e regulamentos o que, na origem, por estar mal enquadrado voltará a repetir-se.  Às leis e regulamentos responderão os banqueiros com a sua infinita capacidade inventiva e enorme influência junto do poder político para, com o passar do tempo, tornar as leis redundantes. 

A lei que falta é a segregação das operações dos (intencionalmente mal) designados "bancos de investimento" das operações não especulativas. Quem investe na bolsa, directamente ou através de "fundos de investimento" confeccionados pelos bancos,  assume (deve assumir) o risco das suas apostas, independentemente das influências de terceiros que possa ter recebido verbalmente ou por escrito. E nunca será (deveria ser) diferente por mais legislação parida sobre o assunto. 
O que não é, mas deveria ser diferente, é a cobertura que os governos, com os dinheiros dos contribuintes, têm vindo a conceder a banqueiros e a investidores, uns gulosos, outros ignorantes, pelas perdas observadas na generalidade dos tais produtos pútridos vendidos pelos bancos.

Aqueles que, como os mostrados na foto acima, reclamam "as suas poupanças", considerando-se lesados das consequências dos investimentos que fizeram, e responsabilizam o "Estado que não os protege, mas rouba" deveriam saber que investir em produtos financeiros envolve risco e que esse risco é (tem de ser) responsabilidade sua, unicamente sua. Se assim não for, e não tem sido, o que os "lesados da banca" pretendem, e, de algum modo têm conseguido, é que os outros, aqueles não foram vistos nem achados no assunto tenham de pagar as consequências negativas das apostas que fizeram.

Falta uma lei que separe completamente as operações bancárias das operações de casino. 
E falta, talvez, um aviso: à semelhança do aviso obrigatoriamente estampado nos maços de tabaco deveria ser obrigatório colocar nos balcões ou salões onde se vendem produtos financeiros a indicação, em evidência, "comprar fundos pode arruiná-lo financeiramente".


Wednesday, April 19, 2017

BRINCANDO AO FAZ DE CONTA QUE É DEMOCRÁTICO

Lê-se aqui que

"O Orçamento Participativo Portugal é um processo democrático, directo e universal, através do qual as pessoas decidem sobe investimentos públicos em diferentes áreas da governação. Através do OPP as pessoas podem decidir como investir 3 milhões de euros"  e que " O OPP abrange a totalidade do território português, integrando grupos de propostas de âmbito territorial diferenciado:
1 por cada área das NUT II (Norte, Centro, Lisboa e Vale do Tejo, Alentejo, Algarve); 1 por cada região Autónoma. Ests grupos não concorrem entre si, tendo cada um deles a sua dotação financeira. Cada região do país terá sempre assegurada a existência de projectos vencedores no OPP no seu território" 

Este projecto anunciado pelo Primeiro-Ministro em meados do ano passado imita iniciativas, com intenções idênticas, promovidas por algumas autarquias. Ainda recentemente, anotei aqui a multiplicidade de outdoors colocados pela Junta de Freguesia das Avenidas Novas para um concurso de ideias - Se fosse eu a mandar - suportado por um orçamento de 150 mil euros.
Quanto custaram apenas os outdooors? perguntei, mas não obtive resposta.
Considerando o valor do orçamento e o provável custo da promoção do concurso depreende-se que o objectivo último deste brincar ao faz de conta que é democrático é a implícita mas camuflada compra de votos nas próximas eleições por quem se encontra agora no poleiro.

Esta manhã, ouvi na Antena 1 que o OPP a nível nacional levou o grupo incumbido da promoção a percorrer 10 000 quilómetros para contactar 2000 pessoas, o que dá uma média de 5 quilómetros para incentivar uma pessoa a concorrer.
Quanto custa a promoção deste concurso a nível nacional em que, vd. aqui, se propõe eleger projectos que representam 0,0035% do Orçamento do Estado?
O entusiasmo da equipa de promoção é enorme, dizem: a iniciativa já teve repercussão na imprensa internacional e até em "Harvard" há quem olhe o OPP com notável interesse ...

E eu pergunto aos meus botões: Não se arranjam mais 3 milhões para um concurso de âmbito judicial que convide juízes, procuradores, advogados, solicitadores, e demais agentes na administração da justiça, que, com dispensa de outdoors e viagens insuspeitas pelo país, elejam um conjunto de projectos que eliminem a vergonha que o relatório da União Europeia sobre o estado da Justiça vem denunciando ano após ano, cf aqui:
Os Tribunais portugueses demoram em média 710 dias a resolver litígios, apenas Chipre consegue pior, 1085 dias, na Dinamarca, não mais que 17.

Se não há é porque não dá votos!