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Wednesday, June 21, 2023

POR QUE RAZÃO O ENSINO PÚBLICO É PIOR QUE O PRIVADO NO SECUNDÁRIO E MELHOR NO UNIVERSITÁRIO?

Não tinha a mínima intenção de voltar a este tema, que abordei aqui há mais de 15 anos.

Contudo, um comentário ouvido ontem na SIC Notícias suscitou-me o interesse em rever o que tinha escrito em 7 de Novembro de 2007. 

Curiosamente, o que escrevi e os comentários que o meu apontamento suscitou, naquele altura, só não se mantêm actuais porque a situação no ensino secundário público piorou relativamente ao ensino secundário privado. E a questão que coloquei há 15 anos é esta: Porque passam os bons alunos do ensino secundário privado para o ensino superior público?, idêntica à levantada ontem pelo comentador da SIC Notícias.

Para o comentador, a razão da inferioridade de sucesso do sector secundário público deve-se ao facto de se subordinar aos desígnios dos sindicatos, uma subordinação que não prevalece no ensino superior público por ser este mais autónomo e independente de pressões sindicais.

Há melhor explicação para este facto resistente ao tempo?

Friday, August 07, 2020

DÚVIDA BÁSICA

Acidente com Alfa Pendular: especialista aponta para “incompetência criminosa da Infra-estruturas de Portugal” 
Erro humano causou acidente com Alfa Pendular em Soure. Operadores da máquina passaram o sinal vermelho

Foi esta a notícia do dia há uma semana.
O ministro das Infraestruturas e da Habitação deslocou-se ao local e disse ser prematuro afirmar fosse o que fosse acerca das causas do acidente e, consequentemente, conclusão minha, das culpas e dos culpados.
Depois das culpas do acidente terem sido atribuídas, por especialista, que conheço, a incompetência criminosa da Infraestruturas de Portugal, transitaram para "erro humano" de desrespeito do sinal vermelho que proibia a entrada da equipa e equipamento de manutenção na via por onde transitava o comboio.
Insurgiram-se os sindicatos em defesa dos trabalhadores, vítimas mortais do acidente, a culpa era da CP, não percebi porquê. 
O certo é que as causas ainda estão por apurar e as responsabilidades por atribuir mas agora tudo aponta para a falta de equipamento de controlo automático de velocidade - Convel - que deveria estar instalado no veículo de manutenção e não está.

Pelas últimas notícias sabe-se que o Ministério Público vai investigar o acontecimento.

Pergunta que não vi feita nem, obviamente, respondida: as equipas de manutenção da via férrea das Infraestruturas não sabem a que horas passam os comboios? Não andam com os horários no bolso?

—-
Vd.
Navalha de Ockham

Tuesday, April 28, 2020

O IMPÉRIO DO MEDO

Provavelmente, nunca na história da humanidade a dicotomia entre segurança e liberdade foi tão dramática. Nem Orwell sequer sonhou que a humanidade alguma vez enfrentasse uma situação em que a liberdade pudesse ser sequestrada por meios que, provadamente, garantiram que um vírus sequestrador fosse sequestrado, salvando milhões de vidas. 

A China, onde o maldito vírus deu os primeiros sinais da sua velocidade de contágio e grau de  letalidade, tem cerca 1,4 mil milhões de habitantes, os EUA com cerca de 330 milhões têm menos de 1/4 da população chinesa. Até ontem, segundo dados da OMS, a China registava 4633 mortes, um número que nas últimas semanas não tem observado subidas significativas, do frio ponto de vista numérico. Os EUA tinham atingido 56803 mortes, praticamente na sua totalidade nas últimas semanas, com tendência crescente, doze vezes mais que o número tendencialmente estabilizado, observado na China. 

Mas a China é um país governado por uma ditadura, argumenta-se, ainda que no Japão, governado democraticamente, com 126 milhões de habitantes registasse até ontem 385 mortes. Argumenta-se que os orientais desde há muitos anos se habituaram a proteger-se, nomeadamente,  com máscaras, quando as condições envolventes recomendam essas protecções. 

Por cá leio no JN de hoje:  Medir a febre no trabalho? O que deve ser salvaguardado.  A  Comissão de Protecção de Dados não tem dúvidas: com a lei como está, uma medida deste tipo só é possível no âmbito da medicina do trabalho. O Governo já avisou que vai mudar a lei, mas os sindicatos alertam que há fronteiras que não devem ser transpostas. - cf  aqui

Também é público que predomina, ainda, que a geolocalização dos infectados e daqueles que com eles tiveram contactos, não é tolerável em democracia, uma conquista civilizacional inegociável. Por outro lado, os médicos em geral, aqueles que batalham contra o monstro na linha da frente porque a defesa civil, também desta vez, não compareceu a tempo, avisam que um retorno à normalidade, e o que é isso nas circunstâncias actuais?, é para já prematuro e arrisca despoletar uma segunda vaga com consequências muito mais dramáticas. 

Espera-se que os sindicatos, por um lado, e aqueles que vêem na democracia uma donzela inviolável até nas unhas dos pés, não estejam a ser promotores de um dilúvio em que se afundarão irremediavelmente as democracias liberais.

Se uma empresa, em fase de retorno às suas actividades, pretende defender os que nela trabalham, garantindo-lhes segurança e confiança, quem é que, racionalmente, se opõe? 

Numa perspectiva doméstica, que confiança tenho na não infecção de um técnico, e ele em mim, se tenho a máquina da roupa avariada desde ontem, ou a máquina da louça, ou o frigorífico, ou a televisão, por exemplo? Posso lavar a louça à mão, a roupa será mais difícil porque abandonámos o tanque há muitos anos, dispensamos o frigorífico comendo apenas alimentos comprados nos últimos dois dias, sem nenhuma tristeza dispensamos a televisão, mas se a canalização da água ou do gás se rompem? Podemos sobreviver sem gás, mas podemos sobreviver sem água? Não podemos. Chamamos o técnico da companhia das águas. Posso confiadamente  deixá-lo entrar em minha casa, e virá ele confiante que em minha casa ainda não entrou o invisível e imprevisível monstro?

Fala-se pouco destas ninharias, as discussões, as opiniões, mais correntes, situam-se a níveis de abstracção incompreensíveis quando o mal galgar a terra  em nome da tal donzela inviolável, mesmo até no dedo do pé, que se afundará quando já não tiver pé.

Monday, October 28, 2019

O TRIUNFO DA ECONOMIA DA CUECA


- Tem tenazes para apanha de nozes no chão?
- De nozes? 
- Sim, de nozes, de castanhas, que caem das árvores de quem as tem, mas já não tem idade para andar de cócoras a apanhá-las nem lombares para se debruçar.
- Hum! Hum! Já sei do que fala. Já tive, já ... mas esgotaram-se. Posso mandar vir, se quiser, mas só cá chegam daqui a uma semana, pelo menos. 
- Uma semana?
- Uma semana, pelo menos. Vêm da Holanda.
- Da Holanda? As tenazes são feitas na Holanda? 
- Não sei se são lá feitas, só sei que as mandam vir de lá. Custam cinco euros e meio, salvo erro. 
- Uma semana é muito. Entretanto, estragam-se-me as nozes no chão.
- Talvez encontre no chinês, aí em cima, nesta mesma rua.

- Tem tenazes para apanhar coisas do chão?
- Tem, tem. No andar debaixo, no segundo coledor ...ao meio.
Tinha.
- Quanto custa?
- Um euro e meio.

Como é possível produzir na China uma tenaz, transportá-la e vendê-la em Cascais ou em Castelo Branco por um euro e meio?
É fácil entender como.
O arranque da economia chinesa iniciado com a teoria do gato de Deng Xiaoping - não importa se o gato é branco ou preto, desde que cace ratos-, o comunismo chinês adoptou o gato capitalista na casa comunista, montando este sistema híbrido sobre os três pilares negativos (não há democracia, não aos direitos humanos, não há liberdade de expressão) com os quais o actual presidente vitalício Xi Jinping se propõe dominar o mundo até 2049, ano do centésimo aniversário da fundação da República Popular da China. vd. aqui.
 
Há anos, começaram a chegar ao ocidente confecções, inicialmente de contrafacção, a preços que encerraram ou deslocalizaram, o efeito é o mesmo, fábricas como no Vale do Ave. Depois o made in China, mais recentemente crismado made in RPC,  tornou-se corrente no mundo ocidental, agora já prestigiado pelas marcas de renome internacional, e alargou-se, e continua a alargar-se às mais diversas produções, tanto de mão de obra intensiva como de tecnologia altamente sofisticada. 
Para pagar as cuecas e quejandos, os brinquedos. até os pinhões no bolo-rei, vendemos ao estado chinês ou aos bilionários chineses de fresca data o domínio ou quase domínio da EDP, da REN, da Fidelidade, do Hospital da Luz, o BCP, da TAP, entre outros. 
Fomos só nós? De modo algum. O comunismo capitalista chinês está a alargar-se por todo o lado. É inevitável? É recomendável? É bom que assim seja? Há quem diga que sim.
Aceitaria quem diz que sim viver num sistema que repudia a democracia, os direitos do homem, a liberdade de expressão?

O certo é que, para já, a economia chinesa alavancada pela economia da cueca, triunfou.
Poderíamos comprar aos chineses além de cuecas e tantos outros artefactos afins, equipamentos que dinamizassem o crescimento da nossa economia, em estado letárgico?
Comboios de alta, ou mesmo média, velocidade, por exemplo.
Poderíamos mas não temos (não temos mesmo?) recursos para ir além das cuecas.

No Programa do Governo (transcrevo do Publico de 27/10) "são prioridades para a presidência portuguesa (da União Europeia) o Pacto para a Europa Verde, a Europa social, a transição digital e a relação entre a Europa e a África."
Subscrevo.
E quem vai continuar a confeccionar as cuecas? 

Friday, June 28, 2019

DAS DUAS, UMA

Regresso às 35 horas pode significar que o sector público está sobre dimensionado. 

É óbvio. Tão óbvio que o anotei algumas vezes neste bloco de notas.  Se aquilo que era feito em 40 horas semanais pode ser feito em 35, isso significa que há efectivos a mais na função pública. Mas, em alguns casos (muitos casos?) não pode. E como não pode, ou haverá aumento dos efectivos ou de horas extraordinárias, determinando aumento da despesa pública em qualquer dos casos.

Aumento que será pago por aqueles que, não sendo funcionários públicos, continuarão a trabalhar mais que as 35 horas .

Não é verdade sr. Mário Centeno? - aqui - 2016-o6-28

Sindicato pede aos enfermeiros que "resistam" ao aumento para 40 horas semanais. Em causa está um despacho do Ministério da Saúde que pretende normalizar a duração do horário de trabalho, num mínimo de 40 horas semanais nas Unidades de Saúde Familiar, modelo B, para todas as carreiras - 2019-06-28 c/p aqui

Saturday, June 23, 2018

A CRISE DA MEIA IDADE DE TIAGO BRANDÃO RODRIGUES


RETROVISOR

WEDNESDAY, NOVEMBER 25, 2015

A CRISE DA MEIA-IDADE DE TIAGO BRANDÃO RODRIGUES

Afirma-se no jornal i de hoje que "Cavaco convocou Costa para nova reunião por estar irritado com a divulgação dos nomes dos membros do seu governo antes dos mesmos terem sido aprovados pelo PR". Formalmente, o PR tem razão mas de pouco vale a irritação já que, irritado ou não, não lhe será fácil arranjar argumentos consistentes para mandar substituir qualquer dos nomes da lista divulgada ontem.

Entretanto, notícias da tarde dão conta que a posse do Governo será amanhã.

E, no entanto, é intrigante que o Sr. António Costa tenha convidado um ainda jovem (38 anos) e bem sucedido cientista para ocupar o lugar que é um verdadeiro triturador de ministros. Ao Sr. Mário Nogueira, que durante o seu consulado de vinte anos à frente da Fenprof já derrubou vinte ministros, começou logo a crescer água na boca. Ontem mesmo já deu instruções básicas ao doutor Tiago Brandão Rodrigues. E, ou ele faz o que o Nogueira manda, ou tem o pelotão de derrubamento à porta.

Mais intrigante ainda é, contudo, que o cientista tenha aceitado o sacrifício da incumbência. Terá sentido esgotado o seu filão cientista? Terá sido inebriado pelo perfume do poder político? Ou, mais cientificamente, foi prematuramente assaltado pela crise da meia-idade?
Ainda segundo a citada edição do jornal i, que resume uma notícia do "The Guardian" sobre um artigo publicado no Economic Journal, 

"a crise da meia-idade é um facto científico. Investigadores britânicos acompanharam 50 mil adultos na Austrália, Reino Unido e Alemanha e concluíram que a fase mais negra acontece entre os 40 e os 42 anos. O lado bom dessa descoberta é que, após bater no fundo, os degraus seguintes são sempre a subir até aos 70 anos, altura em que se atinge um novo pico de bem estar."

E nem Cavaco Silva pode valer ao Tiago Brandão.


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Quando o secretário-geral do PS, António Costa, o convidou para integrar as listas por Viana do Castelo às eleições legislativas de 4 de Outubro, Tiago Brandão Rodrigues pensou em dizer que não. Foi esse “o primeiro impulso”, confessou ao PÚBLICO em entrevista neste Verão. Aos 38 anos — e apesar de nunca ter sido militante em nenhum partido —, o cientista doutorado em Bioquímica pela Universidade de Coimbra é o novo ministro da Educação do Governo liderado por António Costa.
Nasceu em Paredes de Coura e sempre se considerou “um homem de esquerda”. Madrid, Dallas e Cambridge são cidades que conhece bem: viveu, estudou e trabalhou em todas elas — 15 dos últimos 16 anos foram passados no estrangeiro. Para concorrer como cabeça de lista do PS pelo distrito de onde é natural, Tiago Brandão Rodrigues deixou para trás um lugar de investigador na Universidade de Cambridge, em Inglaterra. Há cinco anos que se dedicava a estudar, no laboratório Cancer Research UK, técnicas de detecção precoce do cancro. No fim de 2013, apresentou na revista Nature Medicine uma técnica de ressonância magnética que provou conseguir detectar mais cedo e com maior precisão esta doença. Saltou para os noticiários, foi capa de revista, deu muitas entrevistas sobre a investigação que o apaixona, ganhou visibilidade e reconhecimento nacional.
Vê na escola pública e na educação para todos dois “dos pilares-mores da democracia”, sem esquecer a ciência, pasta para outro ministro. Em campanha pelo Alto Minho, Brandão Rodrigues notou “alguma resignação” por parte das pessoas. Acreditava, contudo, que o PS conseguiria “criar as condições para construir melhor”. “Não temos que baixar as expectativas de ter um Estado que as assista, um Serviço Nacional de Saúde com esperança e uma escola que as eduque”, sublinhou.
A um mês das legislativas, garantiu estar preparado para fazer parte de um meio “aparentemente não tão consensual”. Acredita que a cultura científica pode ter um contributo importante na política, “que não é um quadrado fechado”. - in Público

THURSDAY, JANUARY 07, 2016

ALGUÉM DEVERIA SAIR

Soube-se hoje que 

o Conselho Nacional de Educação, presidido pelo ex-ministro da Educação e consultor do actual Presidente da República para os Assuntos Sociais,  David Justino, defende a manutenção  de provas externas no 6º. e no 9º. ano com peso na classificação final dos alunos, e que
a maioria dos professores que o CNE ouviu queria a manutenção dos exames de português e de matemática no 4º. ano.  

Formalmente, compete ao ministro Tiago Brandão Rodrigues decidir.
Realmente, Tiago Brandão Rodrigues não tem grande margem de manobra, considerando os compromissos assumidos pelo primeiro-ministro com comunistas e bloquistas, restando-lhe desvalorizar o parecer do CNE. 

E, se houvesse sentido de Estado, ou se demitia o presidente do CNE e, eventualmente o CNE em bloco, ou se demitia o ministro.

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08/01 - 
Comunicado do Ministério da Educação , emitido esta sexta-feira, revela que os alunos do 2º, 5º e 8º anos de escolaridade vão ser submetidos a processos de aferição "antes da conclusão de cada ciclo de modo a poder agir atempadamente sobre as dificuldades detetadas". "No entanto, Ministério decidiu manter os exames nacionais de Português e Matemática no 9º de escolaridade, terminando apenas com os exames para os alunos do 6º. Os alunos do 2º e 5º anos irão realizar as provas na última semana de aulas, enquanto os do 8º vão fazê-la depois de as aulas terminarem."

É uma decisão Salomónica.

Veremos durante quanto tempo a vai aceitar o sr. Mário Nogueira.

TUESDAY, JANUARY 12, 2016

OS EFEITOS PRECOCES DA CRISE DA MEIA IDADE DE TIAGO BRANDÃO RODRIGUES

Quando há pouco mais de um mês diagnostei aqui um sintoma da crise da meia idade em Tiago Brandão Rodrigues não esperava que os efeitos começassem a fazer-se sentir tão cedo.  O ministro novo da Educação tinha, à partida,  a vida descomplicada pelos compromissos assumidos no âmbito dos acordos bilaterais que permitiram a nomeação do sr. António Costa como primeiro-ministro. Bastava-lhe despachar em conformidade e acabar com os exames de alunos e professores, o sr. Mário Nogueira ficaria sossegado por uns tempos, e quem não concordasse já teria discordado dos termos dos acordos.

Mas Tiago Brandão Rodrigues, apanhado pela crise da meia idade, não se ficou por aí, recorreu ao Conselho Nacional da Educação para um parecer sobre o assunto, e espalhou-se: o CNE defendeu a manutenção das provas no 6º. e no 9º. ano com peso na classificação final dos alunos e a maioria dos professores ouvidos pelo CNE queria a manutenção dos exames de português e matemática no 4º. ano. 

Colocado entre as exigências do sr. Nogueira e o parecer do CNE, T B Rodrigues optou por uma saída apressada que está a ser generalizadamente criticada por professores, directores de escolas e pais dos alunos. Por um lado, impõe que as alterações tenham efeitos imediatos, a meio do ano escolar, do que, se o sr. Marcelo Rebelo de Sousa não fosse candidato a PR, diria "não lembraria ao careca". Depois, acaba com as provas de avaliação, como mandou Nogueira, mas inventou outras, de aferição, a primeira das quais é realizada logo no 2º. ano de escolaridade. A reforma do ministro anterior foi completamente varrida para entrar em vigor, em passo de corrida, a 15ª alteração em 16 anos dos exames no ensino básico. 

Não é por acaso que Portugal apresenta, vd. aqui, um tempo médio baixo de escolaridade ainda que seja normal o tempo institucionalmente pretendido.

Friday, November 24, 2017

PELOS INTERVALOS DOS PINGOS DA TROVOADA


Há dependências, independências, interdependências, autonomias, auto suficiências, auto dependências, o nosso admirável primeiro-ministro encontra-se em situação de independência atrófica.
Ouvi-lhe dizer, na rádio, esta manhã, (cito de memória) que "não precisa que lhe digam o que deve fazer" "porque ele sabe o que deve fazer". E, ouvindo-o, e conhecendo-lhe o percurso, mais longínquo e o mais próximo, poucos discordarão, ainda que muitos lhe critiquem os meios usados, que tem, até agora, atingido os seus fins.

E, no entanto, esta convicção de independência de influências terceiras e de auto suficiência das suas  capacidades inatas, é persistentemente atrofiada pela insistência com que alguns fantasmas lhe desassossegam os sonhos e descarrilam os objectivos, puxando, cada um para seu lado, a manta em que ele aconchega a tranquilidade do sono.

É o Presidente da República, é a Comissão Europeia, é a srª. Catarina Martins, é o sr. Jerónimo de Sousa, e com este, o sr. Arménio Carlos, o sr. Mário Nogueira, a omnipresente Ana Avoila, além de outros actores, mais ou menos secundários, e os coros desafinados, a incomodarem-lhe o sono, da direita alta à esquerda baixa. Já não é sonho conturbado, é pesadelo.

Pode dizer ao Presidente da República que se cale quando não quer bater palmas?
Pode, mas não se atreve.
Pode dizer à Comissão Europeia que vai continuar a ceder perante a srª. Catarina e o sr. Jerónimo, e aos restantes membros das suas bandas? Não pode.
Pode dizer à srª. Catarina Martins e ao sr. Jerónimo de Sousa que não há volta a dar às exigências da Comissão? Pode, mas por enquanto não lhe convém.
Pode dizer aos professores, aos funcionários públicos em geral, que a antiguidade não é um posto e a progressão nas carreiras deve pautar-se pela avaliação ponderada do mérito? Pode, mas não é capaz.

Disse que sabe o que deve fazer, não disse o que pode fazer. E é entre o dever e poder que se ele se enrola numa capacidade amputada de decisão, tentando passar pelos intervalos da chuva de reclamações que agora começaram a cair-lhe em cima. 

Thursday, March 09, 2017

ACERCA DA CONFUSÃO DE NOMES

Afirmou ontem o sr. Arménio Carlos, secretário-geral da CGTP, que "qualquer negociação sobre o descongelamento das carreiras terá de passar pelo pagamento do retroactivo aos trabalhadores da função pública". "O Governo tem de assumir as suas responsabilidades pagando o que deve aos trabalhadores". - cf. aqui. 

Só os trabalhadores da função pública, sr. Arménio Carlos? 
E os pensionistas e os reformados que viram as suas pensões e reformas cortadas? 
E os trabalhadores dos sectores privados que viram os seus salários reduzidos e os seus horários de trabalho mantidos ou aumentados, não são gente neste país?   

Por outro lado, o sr. Arménio Carlos, e todos quantos neste país lêem pela mesma cartilha, confundem, para nos confundir, o Governo com o Estado e o Estado com os contribuintes. 
Porque o sr. Arménio Carlos sabe, toda a gente sabe ou deveria saber, que o Governo não paga nada, o Estado não paga nada, quem paga são os contribuintes, entre os quais, valha a verdade, também o sr. Arménio Carlos é suposto incluir-se. 

O Governo, este governo, qualquer governo, sr. Arménio Carlos, não paga, manda pagar. 
Manda a quem? Aos contribuintes!
De modo que o que o sr. Arménio Carlos, o sr. Mário Nogueira, a srª. Ana Avoila, quando reclamam melhores condições e retribuições para a função pública, se essas condições são aceites pelo governo quem paga são os contribuintes.

Se os senhores jornalistas não confundissem, também eles, governo com Estado e Estado com contribuintes, o sr. Arménio Carlos seria obrigado a mudar o tom das suas exigências.  

Friday, August 19, 2016

A ANEDOTA DESTES DIAS

A Caixa continua na ordem do dia. 

Dos 19 nomes propostos pelo Governo ao BCE para a administração, o BCE vetou 8, todos indigitados como administradores não executivos, incluindo a única mulher que constava da longa lista, e recomenda que o total não ultrapasse os 15, dos quais, 3 a 6 devem ser mulheres. 
Dos 7 administradores executivos aceites pelo BCE, seis são provenientes ou passaram pelo universo BPI; a excepção, Pedro Leitão, que foi administrador da PT, que viria a cair no buracão brasileiro da Oi, está envolvido no processo judicial do caso BES-PT.
O presidente da comissão executiva poderá acumular funções de presidente do conselho de administração durante seis meses, período após o qual deverá tomar posse um presidente do CA distinto do presidente da comissão executiva. 
Três dos sete administradores executivos, devem frequentar curso de gestão bancária estratégica no INSEAD.

Porque o veto dos 8 decorre uma lei bancária que não consente a excessiva acumulação de cargos dos propostos, supondo que tanta carga horária não lhes permitiria mais que assinar as actas, ao secretário de estado do pelouro ocorreu a luminosa ideia de alterar a lei. BE e PCP já disseram que não, que a haver alteração da lei ela deve ir no sentido de uma restrição ainda maior.

Entretanto, a Comissão de Trabalhadores da Caixa deu publicamente conta da sua estranheza pelo facto de nenhum director da instituição ter sido convidado para o quadro de administradores.
É, realmente, espantoso que o BPI possa dispensar vários colaboradores para a administração da Caixa, ainda que três deles tenham de ir para a escola aprender gestão bancária estratégica, e, desses, um tenha que prestar contas à Justiça, e a Caixa, que dispõe de um efectivo de pessoal bem mais numeroso, não tenha conseguido que pelo menos um dos seus quadros superiores tenha adquirido as competências necessárias para ascender à administração. Talvez por falta de frequência do INSEAD.
Ou terão nascido todos apenas para servir.


Tuesday, June 28, 2016

DAS DUAS, UMA

Regresso às 35 horas pode significar que o sector público está sobredimensionado.
É óbvio.
Tão óbvio que o anotei algumas vezes neste bloco de notas.
Se aquilo que era feito em 40 horas semanais pode ser feito em 35, isso significa que há efectivos a mais na função pública.

Mas, em alguns casos (muitos casos?) não pode.
E como não pode, ou haverá aumento dos efectivos ou de horas extraordinárias, determinando aumento da despesa pública em qualquer dos casos.

Aumento que será pago por aqueles que, não sendo funcionários públicos, continuarão a trabalhar mais que as 35 horas .

Não é verdade sr. Mário Centeno?

Saturday, May 28, 2016

ON THE WATER FRONT

- "A gente a passar na rua e sempre a ouvir que os estivadores não fazem nada, que são uns brutos. Não sei quem se saiu com essa ideia dos cinco mil euros por mês [refere-se à ideia de que os estivadores ganham salários altíssimos], que é tudo treta. Fico revoltadíssima com isto." - aqui

- Ganham mais que os engenheiros da fábrica ...
- E depois? Por que é que só os que têm um canudo têm direito a serem bem pagos? Por que razão não há-se um estivador ganhar tanto ou mais que um engenheiro?
- Os engenheiros não têm acesso à carreira de estivadores. Não é estivador quem quer, é estivador quem o sindicato quiser. Para lá do portão (do cais) manda o sindicato patrão. 

Monday, May 23, 2016

PERSPECTIVAS DE DESAFECTOS

O sr. Arménio Horácio Alves Carlos voltou a reafirmar que não admite que o Governo não reponha o horário de 35 horas para todos os trabalhadores, sem quaisquer excepções, a partir de 1 de Julho, sem mais delongas. Até lá, a CGTP estará mobilizada para todas as manifestações e greves que sejam necessárias para evidenciar que os trabalhadores não cederão a quaisquer restrições ou dificuldades que possam vir a ser eventualmente invocadas pelo executivo.
Segundo o que se deduz das notícias mais recentes o PM estará decidido a desautorizar o seu ministro das Finanças e ceder ao ultimato do sr. Carlos, quaisquer que sejam os efeitos no crescimento do défice e da dívida.

Quem, inesperadamente, parece não concordar com a imposição do sr. Carlos é, vd. aqui, o sr. Presidente da República, que pode recusar-se, transitoriamente, a não homologar a proposta de lei que o Governo lhe apresente a mando do máximo líder.
Apesar da vulnerabilidade do veto presidencial, que pode ser derrubado à segunda investida, o confronto entre a extrema-esquerda assumida na Intersindical e o Presidente da República, por cima do maquievelismo do PM, promete ser o primeiro de uma série de desafectos entre PR e PM.

Por ser quem é, o professor Marcelo Rebelo de Sousa, se não der meia volta e deixar seguir a imposição do sr. Carlos, antes de vetar explicará, publicamente, circunstanciada e repetidamente, as razões pelas quais discorda do impositor.
Dirá, além do mais, que a reposição do horário de trabalho seria um tiro nos pés da competitividade da economia portuguesa, que, com baixos níveis de produtividade, tem de compensar com mais trabalho a sua insuficiência de trabalho qualificado e altamente qualificado.
Que há, realmente, um aparente paradoxo entre a necessidade de uns trabalharem mais e muitos outros não terem trabalho, uma contradição que só pode ser superada pelo crescimento económico que, no entanto, não se atinge trabalhando menos mas trabalhando operacionalmente melhor ou de modo produtivamente mais valorizado.

Que há, hoje, um mercado de trabalho global e que, na China, onde o direito à greve não é consentido, há milhares de milhões de trabalhadores submissos a um partido comunista irmão do Partido de que o sr. Carlos é membro altamente classificado mas que ele parece querer ignorar para continuar a venerar. É de lá que, em grande parte, concorrem as empresas que pressionam os trabalhadores portugueses a trabalhar mais enquanto não souberem trabalhar melhor.
O sr. Carlos repetirá, em resposta, que em Portugal a desigualdade é grande e os patrões sovinas. O que, admitamos, possa ser, em muitos casos, verdade.

Deveria o sr. Carlos tomar nota que os patrões chineses e o estado chinês já compraram o filet-mignon dos sectores de serviços e utilities em Portugal e, por vistos gold, molhos de propriedades urbanas. Mas Portugal é pequeno e os bilionários chineses muitos e grandessissimamente abonados.
Compram em Paris, Londres, Nova Iorque, Sidney, Vancouver, em toda a parte onde haja construção à venda, salvo se for construção industrial onde tenham que defrontar o sr. Carlos ou outros Carlos deste mundo.

Condeno a lei da greve? De modo algum!
Condeno a visão antolhada do sr. Arménio Carlos e dos seus pares, que fazem vista grossa às condições a que são submetidos os trabalhadores chineses pelos guardiões de uma ditadura que suporta um capitalismo sem rédeas.

Tuesday, May 17, 2016

UM FATO PARA UM MARRECO

- É uma abdicação.
- Discordo. É o reconhecimento da imbecilidade deste ministro da Educação. Concordo totalmente com a decisão do ministro da Defesa. O ministro da Educação é uma marioneta do Nogueira, é, portanto, muito natural que rejeite a intromissão do Nogueira nos colégios que dele dependem.
- Não creio que a rejeição seja do ministro da Defesa ...
- Nem eu. Quem rejeita é a tropa, visualmente é o ministro da Defesa.
- Insisto: dando por adquirido que este ministro da Educação faz o que lhe manda fazer o Nogueira, a aceitação do governo é uma abdicação.
- Talvez. Mas, reconheça-se, este governo não tinha alternativa.
- Então a abdicação, neste caso, não seria evitável com a demissão do ministro.
- Ah, pois não! Se o ministro da Educação não é imbecil está a fazer o papel que aceitou desempenhar.  A partir do momento em que o actual primeiro-ministro aceitou as regras impostas, neste caso, pelo Nogueira, aquando da assinatura dos acordos que lhe permitiram ser primeiro-ministro, o ministro da Educação faz o que manda o Nogueira, salvo se a tropa ou a igreja dizem que não.
Nestes casos, até o Nogueira baixa a garupa.
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Correl. - 24/05/2016
Fenprof vai processar JSD por ter comparado Nogueira a Estaline


Saturday, April 23, 2016

O EXAME DO MINISTRO

Esta semana foi feita a avaliação de desempenho do ministro da Educação e, vd. aqui, e "teve nota positiva. Teve alguns bons desempenhos, tem algumas hesitações, mas o avaliador vai dar-lhe oportunidade para que ele  diga exactamente ao que vem." 
Mas a advertência do avaliador é um simulacro porque, há quatro meses o avaliador disse ao ministro o que pretendia e o ministro aceitou submeter-se às ordens dele. 

O ministro veio para obedecer ao avaliador, e assim continuará se quiser manter-se no lugar. 
O ministro e o Governo. 



Tuesday, February 09, 2016

CARNAVAL

A importância da participação dos trabalhadores da TAP no capital da empresa - que pode chegar aos 5% - avaliei-a aqui como uma espécie de golden share que permitirá, se houver, e é muito provável que haja, sindicalização nas assembleias gerais dos votos dos accionistas trabalhadores. Mas esta possibilidade não foi muito valorizada pelos comentadores do costume. Um sindicalista, entrevistado ontem pela antena 1, não se referiu sequer ao assunto e o entrevistador também não o interrogou sobre ele.

Hoje é notícia aqui que "os sindicatos acreditam que haverá uma forte adesão dos trabalhadores à venda da posição de 5% que lhes foi reservada no capital da TAP e que estão a organizar-se para garantir a participação dos funcionários no futuro da companhia, mesmo que tal sirva apenas para fiscalizar a gestão feita pelo consórcio privado que, apesar de minoritário, ficará aos comandos da empresa" 

Com o feitor do Estado, (i.e. o variável governo em São Bento) detentor de 50% do capital,  mas sem intervenção na gestão corrente, o Consórcio com 45%, mas o exclusivo do executivo, e  o sindicato de accionistas com uma participação que pode atingir os 5%, as assembleias gerais prometem vir a ser animadas por um não programado baile trapalhão a acabar em quarta-feira de cinzas. 



Saturday, February 06, 2016

DESTAPE OS OLHOS

A TAP volta a ser uma empresa publica; 
O Estado passará a deter 50% do capital; 
A participação do consórcio privado recua para 45%, 
mas a gestão será privada; 
Os 5% restantes serão detidos pelos trabalhadores, até mais ver.  
A administração, com 12 membros será paritária: seis para cada lado. 
Tudo por 1, 9 milhões de euros, 
uma ninharia. 
(mais detalhes já conhecidos do acordo aqui)

Quem ganha, quem perde?
Os 5% dos trabalhadores, em conjunto, dependendo das condições em que lhe serão atribuídos, podem ter a força accionista de uma golden share. Como não é provável que o consórcio privado tenha aceitado recuar para uma posição em que fica refém das posições accionistas dos trabalhadores teremos de aguardar para ver.  

Ganhadores são ainda os membros do CA nomeados pelo Estado, comissários políticos, que rodarão consoante rodar o governo em São Bento. De qualquer modo é neles que se reforçará o poder do consórcio privado. Porque, das duas, uma: ou os administradores políticos são capturados pelo consórcio (hipótese mais provável) ou alguns entram em confronto com ele e serão, expeditamente, anulados. 

Admito que seja uma perspectiva cínica mas calculo que aqueles 1,9 milhões de euros é quanto custará a jóia de entrada de cinco ou seis boys no CA da TAP. Não sabemos por enquanto de que lado ficam as responsabilidades por garantias dadas pelo Estado aos credores. Só conhecendo também esta parte do acordo se pode ter uma ideia mais aproximada do preço pago por esta semi-nacionalização, sem sentido, para os contribuintes portugueses. 

Tuesday, January 19, 2016

AINDA ACERCA DA PRODUTIVIDADE DO DESCANSO

Trabalhar menos dias e menos horas é melhor para a economia?
Dois economistas, um deles deputado, ambos professores catedráticos afirmaram que sim, no programa Prós e Contras desta noite: "Mais feriados e menos horas de trabalho melhoram a economia?

Um deles, o deputado, garantiu ainda que da redução do número de horas de trabalho da função pública, não resultará aumento da despesa do Estado. Essa é, lembrou ele, também a garantia dada pelo ministro Centeno. E, acrescentou, a reposição do número de feriados será benéfica para o turismo e para o comércio em geral.
Tudo lucro, portanto.

O outro catedrático sustentou que com a reposição dos feriados e das 35 horas semanais será recuperada a motivação dos funcionários públicos abalada pelo anterior governo. O aumento das horas de trabalho não determinou aumento de trabalho realizado na instituição de que foi director, a Faculdade de Economia da Universidade de Coimbra, porque o aumento desmotivou os docentes.

No sector privado, o horário normal de trabalho vai manter-se nas 40 horas semanais, não admitindo o presidente da CIP, também membro do painel, que este governo venha a querer impor qualquer redução de horário laboral no sector que representa. Se tal acontecesse, seria um desastre ainda maior para a economia.

Conclusão notável: o descanso só é produtivo no sector público.
Por obra e graça dos srs. Arménio Carlos e Mário Nogueira, entre outros.

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Entretanto, o risco da dívida portuguesa atinge máximos em mais de seis meses, os juros sobem, e a Comissão Europeia está a exigir défice abaixo de 2,8%.

Por falta de descanso.


Thursday, January 14, 2016

REGRESSO AO COSTUME

Voltamos a casa, e pela rádio ficamos a saber que os sindicatos da função pública dominados pela CGTP marcaram e mantêm, após as negociações de ontem com os representantes do Governo, greve geral no próximo dia 29. A UGT não adere a esta greve geral porque não considera que estejam esgotadas todas as possibilidades de negociação. 

Porquê a greve? Porque o Governo prometeu reverter a decisão do anterior de alargar o horário da função pública para 40 horas semanais, uma decisão nunca acatada por algumas câmaras municipais, restabelecendo o horário semanal da função pública em 35 horas. Acontece que os sindicatos comunistas exigem que a reversão seja imediata e o Governo alega que os serviços precisam de algum tempo para o reajustamento. Cede novamente o Governo para não contrariar o parceiro parlamentar? Parece mais que certo.

E, no entanto, logo a seguir ouço que o ministro Mário Centeno garante que da redução das 40 para as 35 horas semanais não pode resultar aumento da despesa pública e agravamento do défice orçamental deste ano. Uma declaração interessantíssima. 

Por um lado, os que sempre defenderam que do aumento do horário de trabalho para 40 horas semanais não resultaria aumento de produtividade (horária) da função pública, poderão defender agora que a reversão paras 35 horas permitirá o aumento de produtividade (horária). Com efeito, se com o alargamento do horário, o trabalho realizado foi o mesmo, a produtividade horária até terá baixado; e se, agora, em 35 horas for realizado o mesmo trabalho que em 40, a produtividade (horária) sobe. 

Acontece que, logo a seguir, ouço ainda na rádio, delegados sindicais alegarem que não pode esperar-se que em 35 horas possa realizar-se o mesmo trabalho que em 40. E, consequentemente, a despesa pública terá de subir, não sendo os trabalhadores da função pública responsáveis pelo eventual agravamento do défice. 

Perante a evidência dos factos, a demagogia reverte-se.

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Eram, entretanto, mais que horas de jantar, depois de uma viagem de 16 horas, entre vôos e tempos de espera, e fomos à procura de peixe cozido, uma delícia quase ignorada lá fora.
Havia cabeça de garoupa  à nossa espera. 
Também há coisas boas na nossa terra, então não há?

Saturday, December 26, 2015

O CÚMULO DO DESCARAMENTO

Continua o anormal desfasamento entre a avaliação do mérito dos juízes portugueses feita por aqueles em nome dos quais os srs. meretíssimos administram a justiça e as atribuições da classe a ela própria. 

Dos 353 juízes avaliados pelo Conselho Superior de Magistratura entre setembro de 2014 e agosto de 2015, foram considerados, vd. aqui:

"muito bons", 127
"bons com distinção", 101
"bons", 105

Ninguém é bom juíz em causa própria, avisa a filosofia popular desde o princípio dos tempos. Enquanto a avaliação do mérito dos juízes portugueses se mantiver na alçada dos seus interesses corporativos, as falhas da justiça continuarão a ser o maior impecilho ao desenvolvimento social do País.  

A talhe de foice, relembre-se que a anormalidade observada  na auto avaliação dos magistrados tem outros companheiros da alegria. Não foi por atendimento da normal distribuição de competências, suportada pela teoria estatística, que o  sr. Mário Nogueira conseguiu impor a anulação das avaliações aos professores do ensino não superior mas por imposição de uma frente comum com desregradas capacidades de negociação. 

E assim se percebe porque sendo tão elevadas, quando existem, as auto avaliações de competência da função pública seja tendencialmente negativa a avaliação da generalidade dos portugueses da qualidade dos serviços que usufruiu em contrapartida dos impostos que paga.