Aliás

Palavras cruzadas para entreter a viagem. "Não há questões filosóficas, há questões de linguagem." - Wittgenstein "Insanity is doing the same thing over and over again, expecting different results" - Albert Einstein

Monday, July 06, 2009

FUNEMPLOYMENT

JULHO, 5
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Nao e boa vida, nao e rica vida, nao e rico emprego nem emprego de rico, ate porque os ricos nao tem emprego. E funemployment*, e nao vai ser facil arranjar equivalente em portugues. Porque a lingua inglesa e imbativel na versatilidade e concisao para expressar novas realidades.
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Funemployment e a ocupacao dos desocupados na realizacao de actividades ludicas dedicadas ao prazer de comunicar. Sao os bloggers, os twitters, e todos quantos, sem retribuicao nem esperanca dela, ocupam parte do dia a registarem alguns niveis das mares dos seus dias, atravessando o tempo satisfeitos e ocupados.
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Perante a inevitabilidade da reducao do trabalho (no sentido tradicional do termo) o funemployment e uma saida alternativa para a necessidade induzida pela evolucao biologica na condicao humana para trabalhar.
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Pelo menos e uma condicao mais amigavel que unemployment, ainda que possa em muitos casos significar o mesmo.
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* termo citado esta semana na Time

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Saturday, July 04, 2009

GIRLS DE GENEVE

Escrevi aqui ha dias que a Suica ja nao e o que era.

Hoje, em Geneve, a (Gay) Lake Parade, a tarde, e o concerto de Johnny Hallyday, a noite, deixaram Geneve com montes de lixo espalhado ao longo marginal do lago e a volta do estadio da cidade. Mais sintomatico, contudo, da aproximacao da Suica aos habitos de outros paises dos quais nitidamente se distinguia, foi o barulho infernal projectado dos dez ou doze camions que transportavam os entusiastas da parada e que contrastava com a quietude do lago e do parque varias vezes centenario que o abraca. Mas nao sao apenas estas manifestacoes que conspurcam a Geneve. Ha varios sinais de descuido permanente com a paisagem, que nao eram habituais ha anos atras, fora do centro da cidade.
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Para prevenir as consequencias do uso de drogas (GBL e GBL, o que e isso?) durante a parada, havia postos sanitarios ao longo da parada, prontos a intervir. Em 2005, esta manifestacao, iniciada ha treze anos, ficou marcada por uma vaga de intoxicacoes de GHB, a "droga do violador", mas tambem do "larapio", por anestesiar a vontade de quem a ingere.

Patrocinada pelas casas de servicos eroticos, SPA, e outros programas correlacionados, da cidade, a (Gay) Lake Parade, segundo o Le matin, e uma replica menor das parada Gay de Nova Iorque. O facto de ter ocorrido no dia 4 de Julho, dia nacional dos EUA, foi mera coincidencia: A promocao anual da girls de Geneve realiza-se no primeiro Sabado de Julho de cada ano. Esta ano aconteceu a 4 de Julho.
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Coincidentes foram, pelos vistos, os interesses da industria de prostituicao e os dos promotores da parada, em Geneve.

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Friday, July 03, 2009

PERFUMES SUÍÇOS

A Primavera trouxe as flores, e o Verão anda a espalhar o cheiro das tílias pelo ar. É um perfume doce e refrescante que envolve o ambiente do centro das cidades nestes breves dias de canícula.
Nos campos, como ha tres decadas atras, continua a sentir-se o cheiro a estrume amontoado junto as casas agricolas para a fertilizacao das areas cultivadas. Nao ha terrenos incultos ate onde a altitude permite a agricultura, a silvicultura ou a pecuaria. As searas, os pomares, os vinhedos, apresentam-se impecavelmente cuidados.

Sendo um dos paises mais ricos do mundo, a Suica apoia com determinacao a sua agricultura, porque esse e, para alem de um factor estrategico de independencia, a autosuficiencia alimentar, um dos vectores mais importantes da valorizacao da paisagem que faz deste pais um destino preferido por quem valoriza a qualidade ambiental e dispoe-se a paga-la.

Tambem neste caso, o contraste com a nossa agricultura nao poderia ser maior. E certo que nao temos as mesmas condicoes climaticas nem os mesmos solos que a natureza deu aos suicos. Mas nao temos menos superficie aproveitavel nem menos recursos naturais que eles. O que temos e uma estrutura fundiaria, valores e habitos que impedem a valorizacao daquilo que temos e que nos fazem dependentes cronicos da importacao de bens alimentares.

Numa altura em que tanto se discute a melhor forma de aproveitarmos os recursos escassos de que dispomos para ultrapassar a crise estrural que mina a economia portuguesa, e lamentavel que ninguem se lembre que ha um sector, sempre abandonado, onde comeca a margem de independencia que poderemos preservar.

Quem independencia resta a quem espera que outros lhe fornecam grande parte daquilo com que se alimenta?
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Alguns acusarao a Uniao Europeia e a PAC de destruicao da agricultura em Portugal. Mas acusam mal. Os unicos culpados dos nossos problemas somos nos. A agricultura foi sempre olhada pelas elites como terreno de gebos. Formam-se agronomos para se instalarem em gabinetes da capital. Os ministros preferem negociar subvencoes em Bruxelas para meia duzia de nababos a desbravar terreno assaltado pela incuria de muitas decadas.
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De que nos servirao comboios de alta velocidade e mais autoestradas se com eles atravessamos um pais ao abandono?

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GESTO DO DIA

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Cavaco junta-se à "indignação" manifestada por partidos e Gama sobre comportamento de Pinho
O Presidente da República juntou-se hoje à “indignação” manifestada pelos partidos relativamente ao comportamento do ex-ministro da Economia no debate do Estado da Nação, sublinhando que o respeito pelas instituições é “um princípio sagrado da democracia”.
Cavaco Silva aceita demissão de Pinho e dá posse a Teixeira dos Santos na segunda-feira
Alegre elogia Sócrates na substituição de Pinho
Deputados do PS com sentimento de derrota no rescaldo do debate do Estado da Nação
Manuel Pinho lamenta situação e admite que não quer fazer carreira política
Demissão e foto do gesto de Manuel Pinho com ecos na imprensa estrangeira
João Soares: "Só espero que o gesto de Pinho não nos caia em cima até às eleições"
Henrique Neto diz que Pinho devia ter sido demitido há três anos

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Thursday, July 02, 2009

OS COMBÓIOS SUÍÇOS

Quando, numa altura em que a questão do TGV promete ser um dos pontos de maior divergência entre o Governo e as oposições, (salvo o BE, a avaliar pelo facto de o seu líder estar entre os 51 subscritores do segundo manifesto) atravessamos a Suíça de ponta a ponta e as suas cidades de um lado para o outro, utilizando os combóios, os carros eléctricos e os autocarros, não podemos deixar de reflectir na nossa indigência em matéria de transportes colectivos e o despropósito de se querer colocar a correr, ao lado dela, um combóio de alta velocidade.
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Não há, provavelmente, situação mais contrastante na Europa, do que a tradição de prestígio, cimentada ao longo de muitas décadas, dos combóios suíços com a decadência imparada dos caminhos de ferro em Portugal. Na Suíça, o combóio é o meio de transporte preferido, qualquer que seja a pessoa ou o seu destino; a estação de caminhos de ferro um centro de actividades sem descanso; o caminho de ferro, o transporte de mercadorias privilegiado pela lei e pela cultura ecológica do povo suíço. Na Suíça, a rede ferroviária tem crescido incessantemente; em Portugal os caminhos de ferro têm sido desprestigiados por todos, a começar por aqueles que têm sido, desde há muitos anos, chamados a governá-los.
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A Suíça é um dos países mais ricos do mundo mas não ninguém discute se três horas é muito tempo para ir de Zurique a Genebra, uma distância percorrida a uma velocidade horária média de 110 quilómetros. Para quê, mais velocidade? Para quê, se durante esse tempo pode ler ou redigir relatórios, preparar reuniões, tomar o pequeno almoço, o almoço ou o jantar consoante a hora da viagem?
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Para quê, TGV?
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Em Portugal, precisamos, seguramente, de mais e melhores combóios. Não precisamos de mais autoestradas mas precisamos de melhores vias férreas. Mas a alta velocidade excede, claramente, as nossas necessidades e os nossos recursos.

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O MAIOR PROBLEMA

Estudo da SEDES revela que o maior problema da democracia é o descrédito da Justiça
Uma média de “mais de dois em cada três eleitores consideram que diferentes classes de cidadãos recebem tratamento desigual em face da lei e da justiça” e “a maioria sente-se desincentivada de recorrer aos tribunais para defender os seus direitos”.
Estudos mostram "grande distância" entre cidadãos e tribunais
Liberdades individuais agradam
Cavaco sublinha importância de discutir qualidade da democracia

O estudo da SEDES na íntegra, aqui

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Wednesday, July 01, 2009

TüRLERSEE

Sem mar por perto, os suiços em dias de Sol vão à praia aos lagos.
Estendem-se na relva ao Sol ou à sombra das àrvores. E ali ficam silenciosos a ler ou a murmurar em grupos. De vez em quando, saltam para a àgua, dão umas braçadas, e voltam para a relva. Ningue'm os ouve, o silêncio das montanhas e do lago permanece imperturba'vel à volta.
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Ontem, no lago faiscava um Sol mediterrânico, e os suiços aproveitavam, mas o silêncio estava perturbado. Um grupo de jovens na casa dos quinze, dezassete anos, atirava-se à a'gua numa algazarra de gritos que se ouvia em toda a parte.
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Fomos at'e à a'gua. A rapaziada continuou a berrar, cada qual a tentar sobrepor-se à gritaria dos outros. Um deles cuspia para a a'gua. Berravam em alemão su'iço, o que tornava intrigante o seu comportamento tão diferente de todos os outros (sui'ços ou não) que ali andavam.
Subitamente, e em resposta a um empurrão de um deles, uma das jovens que mais gritava, berrou ainda mais alto: Oh p'a vai à merda!
Ficamos informados.

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Tuesday, June 30, 2009

POSTAL DA SUICA

(Temporariamente, encontro-me com falta de acentos e cedilhas. Agradeco o favor de relevarem o facto e suprirem as deficiencias).

A Suica ja nao e o que era, mas mesmo assim continua a ser muito diferente da Europa circundante, e, sobretudo, da Europa Latina.
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Aquela Suica impecavelmente limpa e organizada, irritantemente, para os olhos meridionais, com tudo no sitio certo, vai cedendo a pouco e pouco aos desleixos e as complacencias que as geracoes do pos guerra, que pagaram as dificuldades mas foram retribuidas com desafios, induziram no comportamento das geracoes seguintes, que chegaram ao mundo quando o mundo ja estava, aparentemente, acabado.
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Ha na Suica cerca de 7,5 milhoes de habitantes, mas quase um quarto sao emigrantes. Do intercambio cultural resulta ainda uma clara preponderancia dos valores culturais helveticos.
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Mas a generalizacao dos grafitti, por exemplo, que nao e de agora mas se tem acentuado em cidades como Zurique, indicia que a permeabilidade a outros impulsos esteticos podera lentamente alterar o equilibrio geometrico e o colorido do Jardim Suico.

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Monday, June 29, 2009

CORRELAÇÕES

"Os portugueses são dos europeus que menos reclamam enquanto consumidores, tendo apenas 5% apresentado oficialmente uma queixa contra um vendedor ou fornecedor em 2008, revela um inquérito divulgado na sexta-feira em Bruxelas pelo Eurostat. O estudo do gabinete oficial de estatísticas da União Europeia sobre "os consumidores na Europa" revela que os Estados-membros que registaram menos reclamações no ano passado foram a Bulgária (4%), Portugal e Letónia (5%). As percentagens mais elevadas foram observadas na Suécia (34%) e Holanda (25%), sendo a média comunitária de 16%. Entre as pessoas que apresentaram reclamações na UE a 27, mais de metade (51%) manifestaram satisfação com a forma como a queixa foi tratada, valor em linha com aquele verificado entre os poucos portugueses que se queixaram, tendo 54% dito que ficaram satisfeitos."
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Poucas reclamações, pouca exigência, mau serviço. Haverá outra explicação?
Poderão imaginar-se outras causas para uma disparidade tão grande entre o número de reclamantes na Suécia e em Portugal. Mas há uma que não será, certamente elegível: o nível de serviço. Porque esse nível é, inquestionavelmente, mais elevado na Suécia do que em Portugal.
Paradoxalmente, parece poder concluir-se que quanto mais baixo é o nível de serviço prestado pelos fornecedores aos seus clientes menor é o número de reclamações.
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Somos pouco exigentes, já se sabia. Com os outros e connosco. E essa pouca exigência é a causa primeira do nosso atraso.

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