Thursday, August 25, 2016

MODA E BURQUÍNl

"Por momentos, façam de conta que os pretos são tratados por uma religião tal como as mulheres são tratadas pelas correntes radicais islâmicas.
Ou seja, não se aperta a mão aos pretos, não se os olha nos olhos, não podem ir sozinhos falar com os seus professores brancos, alguns não podem ir à rua sozinhos e, claro, devem andar de corpo coberto como sinal de modéstia e submissão.
Também iam a correr comprar burkinis pelo direito dos pretos a vestir o que lhes apetecesse?

"Gostaria de saber se a nossa sociedade aceitava que os negros fossem tratados como as mulheres são neste caso." - aqui


Não aceitava, claro.
E antes da não aceitação foi a Lei que proibiu esses e outros comportamentos distintivos, i.e., racistas.

Dito isto, temos que reconhecer que o burquíni só gerou tão grande sururu porque a sociedade francesa está traumatizada pelos ataques cobardes de fanáticos islâmicos e vê no burquíni uma forma de afirmação de presença que eles, naturalmente, percepcionam afrontosa.

Porque o burquíni, enquanto vestimenta, não se distingue flagrantemente do equipamento dos surfistas. O burquíni é, do ponto de vista de quem foi ferido e continua a ameaçado, uma forma ardilosa dos islâmicos pretenderem impor os seus valores civilizacionais (do ponto de vista deles) nos países que os acolhem, e onde muitos nasceram, e onde alguns deles se dedicam ao combate civilizacional.

Assim, sendo, a arma da Lei é a única, neste caso, que pode conter o avanço da barbárie.









Correl . -
Burquíni é moda
Manuel Valls apoia proibição do burquíni em França

Wednesday, August 24, 2016

ENQUANTO O PAÍS DORME

A banca não pára de nos trucidar.

O Expresso deste fim-de-semana acrescentava aos quase mais cinco mil milhões devorados pela Caixa, a quase certeza que o Novo Banco, se for vendido, ninguém dará por ele mais que tuta-e-meia, e que o BPN, o buraco sem fundo do BPN, "pode custar", segundo avaliações recentes, ao Estado (qual Estado, qual carapuça, quem paga são os contribuintes!) mais de 9 mil milhões de euros!

Recorde-se que o sr. Teixeira dos Santos, ministro das Finanças na altura, garantia publicamente, algum tempo depois de ter sido nacionalizado o ninho de ratos que se chamava BPN, que deste facto "ainda não tinha resultado perda alguma para os contribuintes". 
Registe-se também que à nacionalização apenas se opôs, se bem me lembro, (pasme-se!) o PCP.

Mais tarde, caiu o governo PS com a ajuda dos parceiros no actual governo PS, e o ministro T dos Santos foi pregar para outra freguesia até lhe ser oferecido o lugar de presidente do BIC, que o sr. Mira Amaral aquecera com a compra, por menos que nada, do BPN!, o tal que o governo, com T dos Santos nas Finanças, nacionalizara.  

As empresas (empresas porquê?) incumbidas de recuperar o mais possível os salvados do monumental rombo andam há cerca de oito anos à procura do fundo do buraco, e, cada ano que passa, alegremente constatam que a profundidade aumenta. Compreensivelmente alegres, porque se alongam os seus honorários à medida que se alonga o fundo do buraco. 
Do outro lado da cena, a cabra-cega cambaleia, entontecida pelos foliões do jogo. 

A mim, interroga-me uma incontida dúvida a que  não vi ainda ninguém perguntar nem dar resposta:
Se, como tudo leva a crer, as perdas resultantes destes escândalos e destas ribaldarias são devidas por calotes incobrados (agora chamam-lhe créditos tóxicos, imparidades) os caloteiros (perdoem o plebeísmo, que pode ser feio mas é preciso): 

- morreram?
- fugiram?
- estão insolventes, não têm eira nem beira, eles, a família, e os comparsas deles?

Causa-me enorme estranheza, a mim, certamente ingénuo, que sei de casos de gente que um dia afiançou ou avalizou compromissos (que não se mediam em milhões) que não foram pagos pelos afiançados, e são perseguidos há anos até ao limite da sua capacidade de sobrevivência. Sendo pública uma lista de gente colunável que cravou (ferrou o calote, esmifrou, ...) o BPN em  muitos milhões e continua pujante, colunável e intocável. 

Até a srª. Catarina Martins e o sr. Jerónimo de Sousa, que se afirmam recorrentemente "contra este sistema", mas foram capturados pela geringonça, dormem conivententemente perante tanta complacência, conivência, e falta de vergonha. 

Friday, August 19, 2016

A ANEDOTA DESTES DIAS

A Caixa continua na ordem do dia. 

Dos 19 nomes propostos pelo Governo ao BCE para a administração, o BCE vetou 8, todos indigitados como administradores não executivos, incluindo a única mulher que constava da longa lista, e recomenda que o total não ultrapasse os 15, dos quais, 3 a 6 devem ser mulheres. 
Dos 7 administradores executivos aceites pelo BCE, seis são provenientes ou passaram pelo universo BPI; a excepção, Pedro Leitão, que foi administrador da PT, que viria a cair no buracão brasileiro da Oi, está envolvido no processo judicial do caso BES-PT.
O presidente da comissão executiva poderá acumular funções de presidente do conselho de administração durante seis meses, período após o qual deverá tomar posse um presidente do CA distinto do presidente da comissão executiva. 
Três dos sete administradores executivos, devem frequentar curso de gestão bancária estratégica no INSEAD.

Porque o veto dos 8 decorre uma lei bancária que não consente a excessiva acumulação de cargos dos propostos, supondo que tanta carga horária não lhes permitiria mais que assinar as actas, ao secretário de estado do pelouro ocorreu a luminosa ideia de alterar a lei. BE e PCP já disseram que não, que a haver alteração da lei ela deve ir no sentido de uma restrição ainda maior.

Entretanto, a Comissão de Trabalhadores da Caixa deu publicamente conta da sua estranheza pelo facto de nenhum director da instituição ter sido convidado para o quadro de administradores.
É, realmente, espantoso que o BPI possa dispensar vários colaboradores para a administração da Caixa, ainda que três deles tenham de ir para a escola aprender gestão bancária estratégica, e, desses, um tenha que prestar contas à Justiça, e a Caixa, que dispõe de um efectivo de pessoal bem mais numeroso, não tenha conseguido que pelo menos um dos seus quadros superiores tenha adquirido as competências necessárias para ascender à administração. Talvez por falta de frequência do INSEAD.
Ou terão nascido todos apenas para servir.


Tuesday, August 16, 2016

FOGO NA FLORESTA

Pedro L.,

Talvez por ter nascido e vivido até à maioridade num mundo rural tenho uma perspectiva parcialmente diferente da sua.
Concordo consigo que, para ter campos e florestas cuidadas, é preciso que a exploração agrícola e silvícola seja racionalmente financeiramente apoiada. Para isso são precisos recursos e políticas redistributivas nesse sentido. E reestruturação da propriedade fundiária. 
Quem é que tem coragem para entrar nesse fogo?

Mas discordo quando afirma que "o mundo rural tem campos cuidados". 
Em Portugal?
Tem alguns, sim senhor, mas são excepções que confirmam a regra. A regra é ainda a exploração deficiente e, em muitos casos, o abandono.

Quanto à propriedade florestal, quem a quiser abordar com critério tem de começar para encarar uma realidade que está fragmentada em cerca de 360 mil propriedades. A título comparativo, os EUA, cem vezes maior, têm um número semelhante de proprietários florestais. 

Os fogos florestais ocorrem mais a sul que a norte porque as condições climatéricas - mais calor, menos humidade, mais vento - encontram enormes quantidades de combustível sob a forma de biomassa seca não retirada da floresta. E a lei é esta: se lá continua, o que não arde num ano, arderá no próximo ou nos próximos.

Enquanto subsistir uma tal fragmentação da propriedade não há condições para implementar políticas preventivas sérias. 
Li há dias no Expresso que o Governo está decidido, e o PR aprova, a entregar as propriedades abandonadas aos municípios.
Será uma fuga em frente para um desastre ainda maior.
Porque nem os municípios são competentes para gerir a floresta nem com a entrega das propriedades abandonada são criadas condições para o necessário emparcelamento racional da propriedade. 
Aliás, a relativamente reduzida (2%) parcela da propriedade florestal do Estado, não é resultado exemplo de boa gestão.    

(Diga-se, de passagem, que, em coerência, não se percebe porque não decide o Governo entregar aos municípios as propriedades urbanas abandonadas. Se a razão é o risco de incêndio, tudo arde, até as florestas de automóveis. Aliás as muitas propriedades públicas urbanas abandonadas são também outro mau exemplo da gestão pública da propriedade)

Uma exploração agrícola ou silvícola, mesmo apoiada financeiramente pela comunidade, requer dimensão crítica, e nisto não se diferencia em nada de qualquer outra actividade económica. A agricultura e a silvicultura são hoje actividades de capital intensivo e não de mão-de-obra intensiva.
A sua gestão requer conhecimento e competência.

Ainda há, lamentavelmente, muita gente a pensar que o sector primário é essencialmente para subsistência de gente não qualificada.


E AGORA, ANTÓNIO?

"A DBRS - única agência de rating entre as quatro a que o BCE recorre para avaliar a dívida pública dos países que atribui grau de investimento à dívida portuguesa – mostra-se preocupada com o fraco crescimento (+0,2%) registado pela economia portuguesa no segundo trimestre deste ano" - aqui


"As taxas de juro implícitas na dívida portuguesa voltaram a negociar acima dos 2,8%, depois de a DBRS ter deixado alguns alertas sobre a evolução da economia e o seu impacto no "rating" do país. A taxa de juro implícita na dívida de Portugal a 10 anos está a subir 12,7 pontos base para 2,819%, depois de esta manhã ter chegado a renovar o mínimo de Janeiro, ao negociar nos 2,673%." - aqui

Há uma saída que não conduz a lado algum: culpar as agências rating.
Quanto às outras, seria bom que os principais partidos se entendessem. Lamentavelmente, parece que não pode esperar-se que isso aconteça mesmo que aconteçam eleições antecipadas mais cedo do que muita gente a partir de certa altura passou a supor.

Sunday, August 14, 2016

PORTUGUÊS SUAVE*

Apontei aqui há dias a balbúrdia provocada pelas obras ditas de requalificação no eixo central de Lisboa entre o Marquês de Pombal e Entre Campos, implicando a redução de duas faixas de rodagem a favor de mais espaços ajardinados. Como é habitual em Portugal, feito o investimento e cobrados os votos por altura das eleições que se aproximam, os espaços verdes passam em pouco tempo a espaços abandonados porque no orçamento não há cabimento para a sua manutenção. 

A confusão, no entanto, não se limita ao eixo central. No Cais do Sodré, por exemplo, proliferam agora também os blocos de plástico vermelhos e brancos que são a  imagem de marca de uma cidade invadida por uma incontida vontade  camarária de obrar e não limpar, agravando os congestionamentos de trânsito.

Alguns desses ovnis chegaram e ficaram, parece que para sempre.
É o caso do espaço envolvente daquela infame Salomé que há um quarto de século exibe a quem passa na Praça do Areeiro a face decapitada de Sá Carneiro.

Sá Carneiro deveria ser merecedor de mais respeito por parte da Câmara e dos lisboetas.
Mesmo aceitando que a obra de Soares Branco é polémica mas não desprestigiante da figura do homenageado, o abandono a que está votado o espaço à sua volta seria revoltante se houvesse uma centelha de consciência cívica colectiva nos residentes e alguma ponta de vergonha nos autarcas.

Mas não acontece nada.
Para além, evidentemente, de uma permanente fuga em frente, a obrar e andar.
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A praça ( Francisco Sá Carneiro) insere-se no plano do Bairro do Areeiro, desenhado em 1938 pelo arquitecto e urbanista João Faria da Costa, ficando o projecto dos edifícios da praça a cargo do arq. Luís Cristino da Silva. A praça é unanimemente considerada um dos marcos do denominado Português Suave." - c/p aqui



Friday, August 12, 2016

PORTUGAL AO NATURAL*

Fogos florestais são normais.

O que não devia ser normal é a enormíssima área atingida todos os anos. Anos há em que a calamidade extravasa tudo o que seria esperável num país em que o verão é quente e seco e os ventos sopram com a intensidade que as amplitudes térmicas obrigam.

Quanto aos factores naturais não podemos fazer nada.

Podemos, mas não fazemos, reduzir a biomassa acumulada. Que se não arde este ano, arderá para o ano. Fatalmente.
Reduzir o combustível deveria ser o objectivo a atingir. Para isso, no entanto, seria necessário reformular a propriedade florestal.
Que está distribuída por cerca de 360 000 parcelas, mais ou menos tantas quantas existem em todos os EUA.

Mas nenhum partido quer meter-se nesse "fogo" ...
Falta competência, conhecimento e muita coragem.
Coisa que não abunda por cá, infelizmente. 

Digo isto no meu bloco de notas há quase doze anos.
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* Comentário colocado aqui.

Thursday, August 11, 2016

BISPO DE COROA AMARELA






Fotos (de cima e de baixo)
de Pedro Fonseca
tiradas
aqui.






"A plumagem muito garrida do bispo-de-coroa-amarela pode deixar estupefacto qualquer observador que nunca se tenha cruzado com uma ave desta espécie. Trata-se, contudo de uma espécie de origem africana, que terá sido introduzida no nosso país no final da década de 1980, não sendo por isso de estranhar que não figure em muitos guias de campo..." - c/p aqui

Obs. - A foto do meio foi copiada da net (aqui)