Tuesday, February 09, 2010
TÍTULOS DO DIA
Durão Barroso lança apelo ao "consenso" das forças políticas "responsáveis" portuguesas Pinto Monteiro diz que tem condições para continuar no cargo Sócrates condena “acto criminoso e ilegal” de divulgação das escutas
Labels: concorrência, crise, emprego, função pública, greves, Grécia, jornalistas, justiça, liberdade, UE
FADO VASCOVALENTINO
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Caro JCS,
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Perceber as pessoas é precisamente perceber porque é que vão para um lado em vez de ir para outro. Porque é que preferem ser funcionários públicos a empresários, por exemplo.
Mas este perceber não pode partir da hipótese que os portugueses (que portugueses? há um tipo genético português? não há) são mais calaceiros que outros povos, ainda que haja uns portugueses mais calaceiros que outros, mas o mesmo acontece em qualquer parte do globo.
No fado vascovalentino, a letra conta que o português não tem saída porque, coitado dele, nasceu assim, não há volta a dar-lhe. Há umas quantas excepções, Vasco Valente e as suas amigas estão nelas.
O homem é ele e as suas circunstâncias, dizia o filósofo, e não andará longe da verdade.
Dizer que os portugueses são menos trabalhadores que os suíços, por exemplo, e que os americanos são mais naif que os alemães, não faz sentido nenhum. Que portugueses? Que suíços? Que americanos? Americanos são mais ou menos 300 milhões, é gente demais para haver um modelo americano. Os alemães?
O chinês é mais trabalhador que o português? Não é nada. Pode é a comunidade chinesa, onde quer que ela se encontre, ser desafiada por incentivos que não se colocam a uma comunidade portuguesa.
Coloquei ontem no meu caderno de apontamentos um caso curioso que li num livro sobre o colapso financeiro finlandês. Pode ver aqui.
Não, Caro JCS, o que comanda fundamentalmente os comportamentos dos indivíduos são as circunstâncias, são os incentivos.
Diz v. que "Este país nunca teve tantos incentivos ao famoso empreendorismo, como será então que está essa fila?"
Respondo-lhe: A fila está nas expectativas para entrar para o funcionalismo público, por exemplo. É evidente que se o funcionalismo público, os monopólios de facto*, e todas as actividades não submetidas às leis da concorrência têm vindo a observar aumentos de rendimentos quando o rendimento nacional decresce, quando, portanto, do bolo minguante há uma parte que suga em crescente, facilmente se percebe de que lado estão os incentivos.
Porque, a esses que não têm de mostrar no mercado o que valem, vale-lhes o Estado que, através do Governo, decide quanto devem eles receber. Mas como eles têm muitos votos, fazem greves, têm emprego seguro, o Governo compra-lhes os votos sob a forma de retribuições que a economia não gerou.
A questão, aliás, não é original. A propósito convido-o a ler uma história que também ontem coloquei no meu caderno de apontamentos, aqui.
Pois é assim, Caro JCS: Salvo melhor opinião tenho razão. Mas gostava não ter.
E fico na expectativa da sua discordância.
Monday, February 08, 2010
OS ISLANDESES
Se há ainda alguém que pense ser exagerado considerar o sistema financeiro internacional como o maior casino do mundo, aconselha-se a leitura de Why Iceland?: How One of the World's Smallest Countries Became the meltdown´s biggest casualty.Labels: bancos, bolsas, especulação, Islândia
POIS NÃO
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A imagem de conflitualidade interna não ajuda mesmo nada.
E não há, pelos vistos, quem tenha mão nisto.
Labels: AR, crise, défice, dívida pública, endividamento
ACERCA DA PERVERSÃO DA DEMOCRACIA
Labels: crise, demagogia, democracia, função pública, sindicatos
ACTOS, PRECISAM-SE
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Numa altura em que os mercados internacionais mostram cada vez menos confiança nas obrigações do Estado português, Vítor Bento, actual presidente da SIBS, explica o que é preciso fazer.
Labels: bancos, cgd, concorrência, crise, emprego, função pública, monopólios
Sunday, February 07, 2010
UM ACTOR, DOIS REIS, DOIS DRAMAS
The man who would be kingsMichael Hayden takes on two of the Bard's most difficult characters in a double bill at Shakespeare Theatre
Labels: teatro
UMA COISA NUNCA VISTA
The Washington region was paralyzed by a blizzard that dumped more than two feet of heavy snow on the area by late Saturday, knocking out power for hundreds of thousands of people, toppling trees and reducing many streets to pedestrian pathways.
Almost 218,000 homes and business were without power at the outages' peak, and many had no heat midday Saturday at the height of the storm. By late last night, about 140,000 were still in the dark. Pepco advised customers to seek other lodging, saying it could take days to restore power to everyone. Some residents abandoned their cold, dark houses and checked into hotels. Others were trapped on side streets as snowplows concentrated on keeping major arteries clear.
So much snow fell, nonstop, that even plows occasionally became stuck and crews ran out of places to push piles from roads they cleared again and again. District transportation officials warned of huge snowbanks at intersections and said they would interfere with motorists' sight lines for days to come.
Many people needed superlatives to describe the storm.
"As much snow as any one of us have seen in our lifetime," District Mayor Adrian M. Fenty (D) said.
"This is the worst," said Joan Mancuso, 70, who has lived in her two-story house on Tildenwood Drive in Rockville for 41 years.
Across the region, snowfall totals approached or broke records. For the first time in at least 30 years, the U.S. Postal Service did not deliver mail Saturday, citing the safety of customers and employees alike. Popular attractions such as the Washington Monument, the Lincoln and Jefferson memorials, Smithsonian museums and the White House were closed to visitors.
National Park Service workers cleared icy walkways and rescued stranded motorists. Officials could not recall another blanket closure like this one.
"With the high winds and driving snow, you can't even see the top of the Washington Monument from the base," said Sgt. David Schlosser, a Park Police spokesman.
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Labels: ecologia
CONFESSO QUE DISCORDO
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Vi e ouvi, com prazer, até ao fim.
Peço a sua paciência para ler porque razão discordo parcialmente do que afirma.
Não entendo (mas a responsabilidade não é sua) porque é que o tema versava sobre a redução dos salários no sector privado. E, porque não, na função pública?
Com a entrada no euro (o bode expiatório para as nossas debilidades) tanto a função pública como os monopólios de facto (aqueles cujos preços são regulados ou subvencionados pelo Estado) têm estado a apropriar-se de partes proporcionalmente superiores ao crescimento do rendimento nacional, que, até deve ter decrescido nos últimos anos.
Ora essa apropriação dos não transaccionáveis (sei que não gosta do nome mas as coisas precisam de um nome) tem sido feita à custa do empobrecimento de grande parte dos não transaccionáveis, aqueles que têm de mostrar o que valem no mercado.
É por essa razão de sucção de um sector relativamente a outro que o desequilíbrio da balança comercial se agravou irremediavelmente e o endividamento subiu. É por essa mesma razão (económica) que não sabemos sair da ratoeira que em que nos armadilhámos.
Diz o Professor Pedro Lains, se bem entendo as suas palavras, que, estando nós inseridos numa economia aberta, só o mercado pode resolver, com tempo, as nossas dificuldades permitindo passar de uma economia ainda muito dependente de um sector de baixa tecnologia para uma economia high-tec. Entretanto, pedimos ajuda.
Ora, salvo o devido respeito, é neste ponto que discordo de si.
Porque uma parte substancial da economia portuguesa sai fora das leis do mercado. É o Governo que, administrativamente, fixa os preços e comanda as transferências de produtividade estatística entre sectores. A produtividade global calculada não corresponde à produtividade determinada pelo marcado porque é enviesada pela intervenção administrativa do Estado.
É o Governo quem, ao aumentar os salários dos funcionários públicos em 2,9% quando o rendimento nacional decresceu, aumentou a produtividade da função pública e reduziu a produtividade dos que não viram os seus salários aumentados ou os perderam porque perderam o emprego.
O mercado não resolve os efeitos distorcidos da intervenção do Estado na fixação administrativa dos preços (impostos e taxas) que pagamos pelos serviços prestados e pelos preços regulados ou subvencionados ou consentidos, pelo Estado, dos monopólios de facto.
Só o Governo pode distorcer aquilo que distorceu.
Mas muito lhe agradecia que me dissesse que estou errado.
Labels: crise, função pública, monopólios, produtividade, rendimento nacional
UM HOMEM PERIGOSO?
Alegadamente, o primeiro-ministro aprovou (ou, pelo menos, conhecia) um plano secreto e pouco saboroso para remover alguns críticos, que o irritavam, fazendo comprar a TVI e parte da imprensa por gente da sua confiança. As criaturas que ele queria exterminar eram, entre outras, o casal José Eduardo Moniz-Manuela Moura Guedes, como responsável pelo Jornal de Sexta, e José Manuel Fernandes, como director do PÚBLICO. Isto, a ser verdade, roça o absurdo. Nem o Jornal de Sexta, nem o PÚBLICO tinham o poder de pôr em risco o Governo ou sequer de afectar significativamente o prestígio e o estatuto de Sócrates. Se alguém tinha esse poder era o próprio José Sócrates, para não falar no grupo obscuro e anónimo, que, segundo se depreende dos documentos que o Sol revelou, o serviu zelosamente no terreno.
Não vale a pena insistir na ilegalidade e, sobretudo, na profunda imoralidade da operação, se por acaso existiu como a descreveram. Em qualquer sítio para lá de Badajoz, nenhum político sobreviveria um instante a essa grosseira tentativa de suprimir com dinheiro público o livre exame e a livre crítica, que a Constituição e os costumes claramente garantem. Mas não deixa de surpreender (e merecer comentário) que um primeiro-ministro de um partido que se gaba das suas tradições democráticas, declare por sua iniciativa, e sem razão suficiente, guerra aberta à generalidade dos media, que não o aprovam, defendem e bajulam. Não há precedentes na história deste regime de um ódio tão obsessivo à discordância, por pequena que seja, ou a qualquer oposição activa, de princípio ou de facto.
O autoritarismo natural de Sócrates não basta para explicar essa aberração na essência inteiramente inexplicável. Tanto mais que ela o prejudica e dá dele a imagem de um homem inseguro e fraco. Pior ainda: de um homem desequilibrado e perigoso. A única hipótese plausível é a de que o primeiro-ministro vive doentiamente no mundo imaginário da propaganda. Ou melhor, de que, para ele, a propaganda substituiu a vida: Sócrates já não partilha ou nunca partilhou connosco, cidadãos comuns, a mesma percepção de Portugal. Do "Simplex" que nada simplifica ao estranho melodrama sobre as finanças da Madeira que nada pesam, aumenta dia a dia a distância entre o que país vê e compreende e o que o primeiro-ministro afirma enfaticamente que é. Está perto o ponto em que só haverá uma solução: ou desaparece ele ou desaparecemos nós.
http://jornal.publico.clix.pt/noticia/07-02-2010/um-homem-perigoso-18749558.htm
Labels: jornalistas, liberdade, PM
Saturday, February 06, 2010
O JOGO DA CABRA CEGA
O ex-ministro socialista João Cravinho afirma que «o centro da corrupção grave em Portugal» está «no sector político». «Isso é o grande problema que nós temos pela frente», declarou o autor de um pacote anti-corrupção recusado pelo Governo.
MARY E OS INCENTIVOS*
Labels: fotografia, sociedade
OS PORTUGUESES
Labels: . PSD, democracia, défice, dívida pública, economia, endividamento, PR, PS
Friday, February 05, 2010
À GREGA
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Vários milhares de funcionários públicos desfilaram pelas ruas da baixa lisboeta para irem ao Ministério das Finanças pedir aumentos salariais este ano.
Labels: crise, democracia, função pública, PCP
OBRIGAÇÕES E OBRIGAÇÕES
O GRANDE ECONOMISTA
OS GREGOS E OS OUTROS GREGOS
Market gains erased as fear grips investors : E.U. WOES HIT WALL STREET U.S. jobless claims rise,making matters worse.
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Despite several pieces of upbeat economic data at home, the Dow Jones industrial average plunged 2.6 percent, finishing just two points above the 10,000 threshold it first crossed in 1999. Broader U.S. and foreign market indices fell about 3 percent, and oil prices fell 5 percent. The euro fell to its lowest level against the dollar since May.
What began in recent days as anxiety about the solvency of Greece and the prospect of labor unrest there spread to worry about Portugal's budget and Spain's housing bubble, then to concerns about how Europe's richer nations might come to the rescue of weaker sisters sharing the common euro currency.
Labels: dívida pública, dólar, Espanha, euro, Grécia, política nacional, USA
O MATA-MOSCAS
Caro VB.,
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Vivemos tempos difíceis a exigir soluções complicadas como o VB, honra lhe seja, mais do que qualquer outro, não se tem cansado de explicar muito claramente.
A resposta à equação em que nos embrulhámos tem de ser política. Escrevo isto, sabendo que escrevo uma redundância, por deduzir que nada se alterará de forma conveniente sem uma acção política adequada.
No actual quadro parlamentar, aparentemente, isto é, para o homem da rua que eu sou, não há condições políticas para adoptar as medidas que as circunstâncias impõem. A Assembleia da República, entretida com quezílias partidárias, lembra o Congresso de Viena: le Congrès ne marche pas; il danse.
O País precisa de um governo maioritário pluripartidário capaz de mostrar ao mundo que tem juízo e pagará o que deve. Eleições antecipadas não só não alterariam as condições em que assentam este requisito como espantariam ainda mais os credores e investidores.
Quem é que pode forçar a formação de um novo governo ou a remodelação deste com a entrada de novos parceiros? Só vejo o PR. Alguém vê mais alguém? O FMI? A UE? Durão Barroso, porreira pá?
O PR, do meu ponto de vista, pode e deve antecipar-se a promover aquilo que, se o não fizer, outros ou as circunstâncias farão por ele.
Para além do apanha-moscas e da bomba atómica, o PR, se não conseguir convencer o PM e as oposições em privado, pode e deve dirigir-se à AR e colocar a questão em pratos limpos: Meus amigos, a situação é esta, o País não suporta mais um desencontro de objectivos e de meios para atacar os problemas com que se defronta. Eleições antecipadas estão restringidas pelo calendário eleitoral e só abalariam ainda mais a posição do País no contexto internacional. Têm um mês para se entender. Se no fim desse período o imprescindível não for atingido, entenderei que a vossa opinião é diferente da minha e me compelem a dissolver a AR no curto intervalo em que essa dissolução é possível.
Há, evidentemente, pelo menos um reparo a este raciocínio do homem comum: O PR declarou, ainda há pouco tempo que este Governo tinha condições para governar. Passou a não ter de um dia para o outro?
Não sei, mas sei que não tem.
Labels: AR, crise, democracia, PR
Thursday, February 04, 2010
CONSELHO DE QUÊ?
Bruxelas recusa ter comparado Grécia com Portugal e Espanha
Jardim afirma que demissão de Sócrates "não seria má notícia para o país"
Labels: crise, democracia, PR, PS, PSD
Wednesday, February 03, 2010
POR 104 MILHÕES DE DÓLARES
Giacometti sculpture sells for $104MSotheby's says sale of life-size bronze sculpture of a man set a world record as most expensive work of art ever sold at auction.
Labels: arte
LÁ COMO CÁ COMO LÁ
A clear route to recovery: Exports
´.
Last week the president suggested an ambitious but realistic goal of doubling exports over the next five years. An effective U.S. export strategy must focus on four variables: the exchange rate of the dollar, trade agreements, our own export controls and tax policy.
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more
Labels: crescimento económico, crise, emprego, USA
CONSELHO DE ESTADO
Conselho de Estado termina sem declarações após cinco horasLabels: PR
UM PROBLEMA POR RESOLVER
Nuno Santos diz que as coisas não se passaram como Crespo as descreve
Francisco Balsemão manifesta "consideração e apreço" pelo jornalista Mário Crespo
Crespo diz que Medina Carreira foi referido como outro "problema a solucionar"
Crónica de Crespo que JN não publicou dá origem a livro
Santos Silva diz que informação sobre alegadas críticas a Crespo "não merece nenhum crédito"
Mário Crespo: "Começa a haver demasiados problemas resolvidos"
Labels: dívida pública, endividamento, jorlalistas
AOS SOLAVANCOS NÃO VAMOS LÁ
O EURO EM CAUSA
By Wolfgang Münchau
First Greece, then Portugal, and then what? The project of European monetary union is entering the most dangerous phase in its 11-year history. Last week, eurozone governments started preparations, for the first time, to bail out one of their fellow members. Greece will probably require a bridging loan at some point. Portugal might too. But they are small countries. No matter what happens, it will not break the euro.
The clear and present danger to the eurozone is Spain. Daniel Gros of the Centre for European Policy Studies argued on these pages last week that Spain is in a better position than Greece because of its higher rate of gross national savings. But I believe that Spain is likely to squander that advantage. Spain, like Greece, has suffered from an extreme loss of competitiveness during a period in which it relied on a housing bubble to generate prosperity. While the Greek government is at least beginning to recognise the need for reform, perhaps too late, Spain’s political establishment remains in denial.
So what if Spain gets into trouble? Will the eurozone falter, as Nouriel Roubini, professor of economics at New York University, predicted in an interview last week? The question is unanswerable. I find it more constructive to ask what the eurozone will need to do to survive the strains ahead. Three measures are, in my view, essential for survival; a further three almost so.
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