Tuesday, January 24, 2017

MRS. MAY AND MR. TRUMP

Mrs. May irá na próxima sexta-feira reunir-se com Mr. Trump em Washington. Será o primeiro líder estrangeiro a encontrar-se com o novo presidente dos EUA. Era esperável, Trump iniciou o seu discurso de posse garantindo determinar o futuro da América e do mundo durante muitos anos: 
"We, the citizens of America, are now joined in a great national effort to rebuild our country and restore its promise for all of our people. Together, we will determine the course of America and the world for many, many years to come." 
E o vassalo mais chegado apressa-se a reconhecer e a prestar vassalagem ao poder do suserano que supõe presidir aos destinos de toda a humanidade. May, na oportunidade, solicitará a Trump algumas concessões, geralmente atendidas aos mais próximos.



Segundo o FT de anteontem - Theresa May set for ‘frank’ discussions with Donald Trump - a primeira ministra britânica pretende abordar na audiência com Mr. Trump, nomeadamente, a cooperação entre o Reino Unido e os EUA contra o terrorismo e a Nato, tendo Mrs. May destacado, numa entrevista da BBC no sábado passado, as negociações  com os membros da UE, no âmbito do Brexit, acerca do sistema de controlo de fronteiras, Interpol e outros assuntos de defesa interna. 
Dito de outro modo: Mrs. May pretende assumir-se nas negociações com a UE como portadora dos acordos ou promessas de acordos que tenha obtido junto de Mr. Trump. 

Mrs. May irá propor a Mr. Trump, um antecipadamente garantido acordo bilateral de comércio post- Brexit  entre o Reino Unido e os EUA, que reforce as antigas relações entre os dois países, e (pasme-se!) convencer Mr. Trump a não minar a unidade da Europa! 
Recorde-se que Mr. Trump considerou o Brexit "um grande acontecimento" e disse na semana passada que que os EUA poderão subscrever um acordo com o Reino Unido "muito em breve", expressando cepticismo acerca do futuro da União Europeia, afirmando estar convencido que o Reino Unido não será o único país a abandonar a União Europeia.

Na sexta-feira, dia 20, numa entrevista do Financial Times Mrs. May tinha dito que era importante para os interesses britânicos que o bloco europeu se mantivesse forte. "Pretendo, disse Mrs. May, continuar manter uma associação estratégica conjunta com a União Europeia. É importante por razões de segurança, nos tempos que correm os perigos que defrontamos não recomendam que haja menos cooperação".

Hoje, dia 24, os juízes Supremo Tribunal votaram, cf. aqui (8 contra 3) a obrigatoriedade do parlamento em Londres votar a intenção do governo britânico activar o artigo 50 do Tratado de Lisboa, primeiro passo para o início das negociações da saída do UK. Mas a aprovação parece estar garantida: a oposição de alguns deputados trabalhistas não será suficiente para rejeitar o Brexit.

Perante uma União Europeia aturdida, enrolada nas suas hesitações e contradições, Trump será mesmo o dono do mundo enquanto os norte-americanos deixarem. Desta vez, talvez, por portas travessas os europeus sejam resgatados de uma auto destruição se a dignidade se voltar a impor na política norte-americana.

Monday, January 23, 2017

MENSAGENS VELHAS

O porteiro deste caderno de apontamentos exige-me, para entrar, que clique  em "mensagem nova" e eu ou desisto ou disfarço. Decido-me por carregar, sem comentários, duas mensagens velhas:


Uma - "A dívida pública portuguesa atingiu 133,4% do PIB no terceiro trimestre do ano passado, a segunda marca mais elevada entre os estados-membros da União Europeia (UE). Os dados revelados esta segunda-feira, 23 de Janeiro, pelo Eurostat mostram que a dívida pública portuguesa está entre as que mais subiram tanto em relação ao trimestre anterior como face ao período homólogo, em contra-ciclo com o que se passa no conjunto da zona euro e da UE." - cf. aqui

clicar para aumentar (a imagem ...)

Outra - Juros da dívida portuguesa disparam para quase 4% na maturidade a 10 anos após perspectiva de inflação na Alemanha

AUTO RETRATOS DE DOIS VELHOS QUANDO JOVENS

CORREDOR CENTRAL


- Diga-me, por favor, senhor guarda por que é que está cortado o trânsito automóvel aqui no Saldanha?
- É a inauguração do corredor central ... a senhora não sabe que vamos ter eleições este ano?
(ontem, cerca das 17 horas, nas proximidades do Saldanha) 

Público, 31/08/2003

Sunday, January 22, 2017

WE THE PEOPLE



"We thought (they) were the three groups that had been maybe criticized by Trump and maybe were going to be most, if not necessarily vulnerable in a literal sense, most feeling that their needs would be neglected in a Trump administration," Fairey told CNN.


Saturday, January 21, 2017

UM ATENTADO CONTRA A CRESMINA

Senhor Presidente da Câmara Municipal de Cascais*,

Consideramos o percurso nas dunas da Cresmina uma dádiva natural que, sempre que a oportunidade ocorre, sugerimos a amigos e conhecidos usufruir. 
Hoje voltámos lá, mais uma vez com convidados nossos. 
E ficámos surpreendidos, depois desapontados, e revoltados com o que vimos e ouvimos.

Surpreendidos por ver tantas ramadas de pinheiro serradas a ladear o passadiço.
Perguntámos porquê, disseram-nos que, com aquela barreira feita de ramos cortados no local, pretende o, ou os autores da ideia barrar a entrada de alguns passeantes que, contra o que lhes é permitido, ultrapassam as cordas limitadoras do percurso.

Desapontados porque nem as barreiras assim formadas são obstáculo bastante para impedir os intentos dos transgressores nem é visualmente agradável passear entre ramos, que agora estão verdes, mais tarde estarão secos, sujeitos à imprevidência ou ao crime de fogo posto. 

Revoltados porque para montar as desastradas barreiras decidiram os seus autores cortar pinheiros que ladeavam alguns troços do percurso. A reposição da vegetação de pinhal cortada vai demorar décadas.

Agora é tarde porque as árvores estão cortadas.
Mas não é tarde para evitar outros desmandos.
Continuam nos seus postos os responsáveis?


Foto copiada do site antes do corte de pinheiros.

---
* Enviado para
presidencia@cm-cascais.pt

Friday, January 20, 2017

DESTA VEZ, DA AMÉRICA

A partir de hoje, não sabemos até quando, o amigo de Putin, Donald Trump será o 45º. Presidente dos Estados Unidos da América. Venceu o populismo (não venceu o voto popular) excitado pelas redes sociais, inundadas de forma provavelmente decisiva pelas interferências dos hackers russos. Trump já reconheceu publicamente essa interferência, (obviamente) negou que ela possa ter influenciado os resultados que lhe garantiram a presidência. 

Tenha sido ou não decisiva a interferência de Putin na eleição de Trump, é inquestionável que Putin reforça com a eleição do amigo norte-americano a aura atribuída pela Forbes de político mais poderoso do mundo. Se a Forbes o diz, Trump aproveita para engrossar nos EUA a onda de populismo ensaiada na Europa prometendo tornar a América grande outra vez - "Make America Great Again"-. Sub liminarmente, Trump intuiu nos norte-americanos, mas não na maioria, a ideia de que se Putin - líder de um país com uma economia que valerá quanto muito tanto quanto a economia espanhola - é o mais poderoso, é porque a América perdeu a liderança do poder mundial. E ele, Trump, vai reconquistar o poder perdido. Enfrentando Putin, o mais poderoso?

Não, de modo algum. Trump é um bilionário com muitos negócios e muitos amigos na Rússia, com Putin à cabeça da longa lista, e durante a campanha eleitoral, não se eximiram de trocar lisonjas entre eles. O populismo sustentado no exacerbamento  do nacionalismo, que garante a Putin o poder na Rússia e a ambição de a tornar outra vez grande tem a mesma índole daquele que tuíta Trump. 
Porém, o nacionalismo exacerbado em populismo necessita de se alimentar num inimigo externo. Trump escolheu a China, desfraldando a bandeira do proteccionismo para erguer barreiras ao comércio e à circulação de pessoas, e, por tabela, abanar a ainda inacabada estrutura europeia criticando-lhe a perda das identidades nacionais, a permissividade da circulação de pessoas e o disponibilidade no acolhimento de refugiados. 

Desta vez não virão da América os exércitos libertadores das amarras forjadas pelos nacionalismos endémicos no velho continente. A Srª. Theresa May já anunciou que vai forçar um "Brêxit" duro, ameaçando competir com as armas usadas pelos paraísos fiscais. Trump aplaude e augura um desmembramento da União Europeia, Le Pen rejubila, Putin conta com o apoio incondicional do homem soviético, que muitos distraidamente julgaram acabado, para recuperar a influência de Moscovo sobre o leste europeu sem rumo. 
Pela primeira vez na história, os Estados Unidos da América, por vontade de Trump, estarão do lado daqueles que pretendem a fragmentação do ocidente europeu. 
Cúmplices, admiradores ou simplesmente tácitos aliados, não faltam deste lado do Atlântico a Putin e a Trump.

---
Correl.- Trump apossa-se

Thursday, January 19, 2017

UMA DESTRUIÇÃO COLOSSAL NA BANCA PORTUGUESA

O Negócios online resumia na sua edição de ontem as declarações de Fernando Ulrich* num encontro com os jornalistas. Transcrevo, vd. abaixo* o artigo, não vá a pérola perder-se pelo caminho.

Ulrich sempre se destacou do comportamento sonso dos seus confrades banqueiros Em alguns momentos foi premonitório, noutros polémico, em alguns casos surpreendente pela falta de razoável contenção ou equilíbrio no discernimento. Registei e comentei algumas das suas declarações públicas: aquiaqui, aqui, aqui ( Ulrich : Fusão PT/Oi é uma tragédia que deve ser travada imediatamente), aquiaquiaquiaquiaqui (se a medida relativa à taxa social única avançar, o BPI deverá ter um ganho de 10 milhões de euros em 2013), aquiaqui.

Ontem, as declarações de Ulrich registadas por Maria João Gago, só são surpreendentes quando "defende que custo suportado por Estado e contribuintes foi muito baixo quando comparado com accionistas ...". 
Mas só são surpreendentes para quem desconheça a convicção desde sempre cimentada na cabeça dos banqueiros de que lhes assiste o direito de embolsar rendimentos estratosféricos sob todas as formas possíveis e imaginárias, e endossar as perdas para os contribuintes quando os accionistas dos bancos batem a asa. Moral hazard, no jargão anglo-saxónico, uma designação dúbia para uma iniquidade evidente que torna legal a penalização dos inocentes. 

Não há outra explicação possível para interpretar a petulância de julgar responsável pelas perdas resultantes de actos de gestão quem não é, nunca foi, nunca será interveniente, nas decisões e moscambilhas dos que se aproveitam ou aproveitaram delas.

Em Outubro de 2006 escrevi aqui:

"É um facto indesmentível, porque eles próprios se encarregam de propagandear, que os lucros dos Bancos (consistentes ou não, um dia se verá) nada têm a ver com a miserabilidade em que a economia portuguesa se arrasta já há alguns anos. Não há Banco que se preze que não anuncie, semestralmente, pulos de lucros sempre de dois fortes dígitos.
Como é possível uma vaca esquelética ser tão generosa na produção de leite?"

Em Janeiro de 2013aqui

"Há muitos anos, em reunião com um banqueiro que hoje é presidente do banco de que na altura era administrador, referi que, com o andamento que se observava na economia portuguesa, enfezada e cada vez mais sugada pelos bancos, um dia a vaca acabaria por tombar para cima dos que dela mamavam em excesso.
Respondeu-me o banqueiro: Esteja tranquilo, os bancos nunca vão à falência.

E, até agora, o tal banqueiro acertou. O moral hazard que permite aos banqueiros tudo e mais alguma coisa, em Portugal não abriu até agora uma única excepção. "

Em Junho de 2014, aqui :
"Olhando para trás, da geração de banqueiros que se vangloriava dos lucros espantosos no meio de uma economia débil por, diziam eles, terem sabido aumentar os seus níveis de produtividade quando ela estagnava nos outros sectores, quantos sobram hoje? A maioria caiu dos pedestais para onde haviam pulado em trampolins manhosos de formas diversas mas geralmente indignas. Dos da primeira divisão sobra Ulrich, ou, se se preferir, a dupla Artur Santos Silva e Fernando Ulrich. Todos os outros tropeçaram, mais ou menos estrondosamente, nos seus próprios dribles."

Sabe-se agora que o La Caixa vai adquirir cem por cento do Grupo BPI.
O srs. Artur Santos Silva e Fernando Ulrich, reformam-se, ainda que muito provavelmente continuem com um pé no estribo e financeiramente bem estribados. 

Nada estribados estão os portugueses com as dívidas que os banqueiros importaram. Se a taxa média de juro subir mais 1 ponto percentual, só não haverá novo resgate se a tempestade sobre a Europa for tão forte que nem um novo resgate seja possível. 

--- 
* Desde 2001 "houve uma destruição colossal de capital" na banca portuguesa" ""O BPI fez contas ao capital injectado em cinco bancos e aos seus dividendos e resultados e concluiu que houve "destruição" de 35 mil milhões em capital. Ulrich defende que custo suportado por Estado e contribuintes foi muito baixo quando comparado com accionistas e outros países."  - aqui

"Cinco dos maiores bancos portugueses - CGD, BCP, BES/Novo Banco, Banif e BPN - destruíram cerca de 35 mil milhões de euros em capital injectado pelos seus accionistas entre 2001 e 2017, de acordo com as contas feitas pelo BPI com base em informação pública, cujas conclusões foram apresentadas esta quarta-feira, 18 de Janeiro, por Fernando Ulrich, num encontro com jornalistas.
"É uma história de destruição de capital brutal. Em 16 anos é uma verba verdadeiramente colossal", sublinhou o banqueiro. Em causa está "19% do PIB estimado para 2016".
Já o balanço dos apoios do Estado aos bancos analisados mostra que as perdas públicas nos bancos podem variar entre 4,4 e 6,4 mil milhões de euros, ou seja, o equivalente a 2,4% a 3,5% do PIB. "Até agora, o esforço efectivamente suportado pelo Estado e pelos contribuintes foi muito baixo quando comparado com o dos accionistas e o que foi suportado pelos outros países", defendeu Ulrich.
Com base nestes dados, o banqueiro pretende contestar a ideia muitas vezes transmitida na opinião pública de que "os custos dos bancos têm sido suportados pelos contribuintes. É mentira!", sublinhou o líder do BPI.
O levantamento também incluiu o BPI, mas no caso do banco que lidera, Ulrich conclui que entre dinheiro injectado pelos accionistas e os dividendos pagos, o balanço é positivo, já que os accionistas fizeram um esforço líquido de dividendos de 53 milhões. 
Já o apoio do Estado ao banco foi liquidado em 2014, com ganhos líquidos de 102 milhões de euros para o Tesouro "Os bancos não são todos iguais", frisou o banqueiro, garantindo que destacar a diferença do seu banco não foi o objectivo da análise realizada." 

Wednesday, January 18, 2017

FRANCISCO VS TRUMP

O canal National Geographic está a transmitir um docudrama (a próxima transmissão será na segunda-feira, 23, às 6,00h) sobre o papel desempenhado pelo Papa Pio XII durante a Segunda Grande Guerra. Foi Pio XII o "papa de Hitler" ou o anátema lançado é injusto?

"Nos dias mais negros da Segunda Grande Guerra, São Pedro estava encoberto pela sombra da suástica. Mas enquanto o Führer o rodeava, o Papa planeava uma contra ofensiva secreta. O Pontífice de Guerra Pio XII foi ridicularizado pelo seu silêncio sobre o Holocausto. Mas provas mostram que o seu silêncio poderá ter sido subterfúgio. E o homem marcado como "papa do Hitler" poderá ter querido eliminá-lo. Pio serviu de intermédio com os rebeldes alemães para montar uma revolta. Entretanto, uma rede de espiões da Igreja coloca os planos em marcha. Mensageiros católicos transportam mensagens entre Roma e Berlim, enquanto conspiradores se juntam na cripta de São Pedro. É um capítulo esquecido de uma guerra. Um confronto secreto entre o vigário de Cristo e o anti-Cristo. Papa Vs. Hitler é um docudrama entusiasmante de duas horas que explora uma das histórias menos conhecidas da Segunda Grande Guerra - o papel do Vaticano na conspiração para assassinar Adolf Hitler." - cf. aqui

Um docudrama, um neologismo que pretende significar uma versão entre a ficção e a realidade, e a ficção, neste caso, enrola-se sobretudo nas eventuais conexões entre o Pio XII e aqueles que na Alemanha arriscavam e pagavam com a vida a ousadia de parar as desmedidas atrocidades dos nazis. A realidade é um facto comprovado: Pio XII nunca fez ouvir publicamente a sua voz em protesto e condenação do holocausto em curso, que ele não ignorava porque viu, com os seus próprios olhos, uma amostra real do horror desencadeado pela fúria da besta. 

E hoje? 
O que diz o Papa Francisco perante a vaga de populismo carregado de ódios racistas, xenófobos, chauvinistas, que ameaçam desagregar a Europa e intensificar o incêndio ateado às suas portas? O que pensa, e se pensa deve dizer porque a força do Papa está na sua palavra, das declarações de Trump quando classificou de catastrófica a política de Merkel perante os refugiados?
Francisco esteve em Lesbos e até levou com ele 12 refugiados sírios para o Vaticano. É pouco, a bem dizer, é nada.
Fala Francisco!, "Estar atento não chega"* para que a história não venha a interpretar o teu silêncio como conivência.  
"Per ché non par li?".

foto c/p aqui
---
* Correl . - Papa Francisco: " O que pensa de Donald Trump?"

"A resposta de Francisco que rejeita julgar políticos e diz que está atento às consequências que os seus comportamentos causam aos pobres e aos excluídos"