A Primavera trouxe as flores, e o Verão anda a espalhar o cheiro das tílias pelo ar. É um perfume doce e refrescante que envolve o ambiente do centro das cidades nestes breves dias de canícula.
Nos campos, como ha tres decadas atras, continua a sentir-se o cheiro a estrume amontoado junto as casas agricolas para a fertilizacao das areas cultivadas. Nao ha terrenos incultos ate onde a altitude permite a agricultura, a silvicultura ou a pecuaria. As searas, os pomares, os vinhedos, apresentam-se impecavelmente cuidados.
Sendo um dos paises mais ricos do mundo, a Suica apoia com determinacao a sua agricultura, porque esse e, para alem de um factor estrategico de independencia, a autosuficiencia alimentar, um dos vectores mais importantes da valorizacao da paisagem que faz deste pais um destino preferido por quem valoriza a qualidade ambiental e dispoe-se a paga-la.
Tambem neste caso, o contraste com a nossa agricultura nao poderia ser maior. E certo que nao temos as mesmas condicoes climaticas nem os mesmos solos que a natureza deu aos suicos. Mas nao temos menos superficie aproveitavel nem menos recursos naturais que eles. O que temos e uma estrutura fundiaria, valores e habitos que impedem a valorizacao daquilo que temos e que nos fazem dependentes cronicos da importacao de bens alimentares.
Numa altura em que tanto se discute a melhor forma de aproveitarmos os recursos escassos de que dispomos para ultrapassar a crise estrural que mina a economia portuguesa, e lamentavel que ninguem se lembre que ha um sector, sempre abandonado, onde comeca a margem de independencia que poderemos preservar.
Quem independencia resta a quem espera que outros lhe fornecam grande parte daquilo com que se alimenta?
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Alguns acusarao a Uniao Europeia e a PAC de destruicao da agricultura em Portugal. Mas acusam mal. Os unicos culpados dos nossos problemas somos nos. A agricultura foi sempre olhada pelas elites como terreno de gebos. Formam-se agronomos para se instalarem em gabinetes da capital. Os ministros preferem negociar subvencoes em Bruxelas para meia duzia de nababos a desbravar terreno assaltado pela incuria de muitas decadas.
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De que nos servirao comboios de alta velocidade e mais autoestradas se com eles atravessamos um pais ao abandono?
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