Sunday, August 20, 2017

PORQUÊ?

"Aviões conseguem detetar calor. São normalmente usados para localizar imigrantes ilegais ou tráfico de droga.
Os aviões da Força Aérea que reforçam os meios previstos pela calamidade pública decretada até segunda-feira estão equipados com câmaras que detetam calor e são usados em patrulhamentos de combate à imigração ilegal ou tráfico de droga.
"Conseguimos detetar movimentos humanos e de animais à noite, até silhuetas, e pequenos reacendimentos", explicou ao primeiro-ministro, António Costa, o tenente Marco Silva, a bordo de um C295 que costuma estar ao serviço da Frontex, a Agência Europeia de Gestão da Cooperação Operacional nas Fronteiras Externas..." - aqui



É preciso que o país seja declarado em situação de calamidade pública para que a Força Aérea intervenha no apoio ao combate aos fogos florestais? Porquê?
Porquê só a Força Aérea? E porquê só no apoio e não no combate activo?
A partir de amanhã, segunda-feira, acaba a situação de calamidade pública? Acabam-se os incêndios florestais? Porquê?
E os outros ramos das Forças Armadas, nomeadamente o Exército, não intervêm porquê? Aguardam que os militares espanhóis voltem a oferecer o auxílio que os militares portugueses não dão? Porquê?


Hoje, 20/08 , pouco antes das 13,00 horas, " Caiu em Castro Daire helicóptero de combate a incêndios". O piloto terá morrido.
Esta guerra é excessivamente perigosa para a tropa.

Saturday, August 19, 2017

AFINAL O INIMIGO EXTERNO EXISTE E É ESPANHOL

Há dias dizia aquinão imagino quem possa ser mas partamos do princípio que o território nacional pode ser invadido por um inimigo externo ... " 
Menos de duas semanas depois ficámos a saber - vd. aqui -, que forças militares espanholas entraram em território nacional sem que os militares portugueses tenham dado por isso:

"um grupo de militares e várias viaturas do Exército espanhol entraram em Portugal na zona de Pedrógão Grande logo após os grandes incêndios que atingiram aquele concelho em Junho" ... "os responsáveis militares portugueses foram surpreendidos pela presença de tropas espanholas em território nacional. 
O Ministério da Defesa não esclarece a situação"

A notícia publicada no Expresso de hoje insere duas fotos do equipamento introduzido pelas forças invasoras. 



Que a tropa não tenha dado pelo assalto aos paióis de Tancos é gravíssimo.
Que a tropa espanhola entre em Portugal e a tropa portuguesa não compareça, o que é?

Friday, August 18, 2017

PARA ACABAR DE VEZ COM OS INCENDIÁRIOS FLORESTAIS




António, 

Se bem me recordo já expressei anteriormente, aqui no 4R, a minha concordância com a centralização da informação sobre a situação dos incêndios florestais. 

Aos bombeiros compete combater o fogo, aos comandantes respectivos coordenar os meios envolvidos nos combates. Percebo que os comandantes dos bombeiros gostem de aparecer à frente das câmaras. É um desejo natural mas não deve distrai-los daquilo que se espera deles.

Dizendo isto, não pretendo desresponsabilizar a lamentável incompetência revelada pela Autoridade Nacional de Protecção Civil na coordenação e utilização dos meios sob o seu comando. 

Não é, contudo, na informação pública da situação no terreno que a ANPC falha. A realidade é demasiadamente atroz para poder ser sonegada.

Aliás, defendo que as responsabilidades de combate a incêndios florestais deve competir às forças armadas. O ataque a um inimigo cada vez mais perigoso e persistente só pode ser eficiente - independentemente de acções 

de reestruturação da titularidade propriedade rural com efeitos só possíveis a médio e longo prazo -, se for atribuído a profissionais dedicados todo o ano ao combate. 

Percebe-se que a Força Aérea não seja chamada a actuar e se continua e pagar a empresas privadas o combate com maior aéreos? Não se compreende. Estes, e não só estes, digam o que disserem, são objectivamente interessados nos fogos.

Percebe-se que os 35 mil efectivos das forças armadas não sejam chamados a participar no terreno em acções de vigilância permanente durante os meses críticos, aqueles em que, como no dia de hoje, a maior parte do território está sob ameaça de risco elevado ou muito elevado. Não se percebe.

E, já agora, não querendo alongar muito este comentário, que medidas devem ser tomadas para reduzir o número de incendiários à solta?

Tens alguma ideia?

Há dias fiz esta pergunta a pessoa, ainda jovem, meu conhecido. Disse-me que a resposta seria politicamente incorrecta e juridicamente inaplicável: cortava as mãos aos incendiários.

Pensei na resposta e procurei recuperá-la de forma politicamente correcta e juricamente aplicável: manietar-lhe com algemas as mãos atrás das costas e pulseira electrónica para obrigar os criminosos deste tipo a não se ausentarem do seu domicílio. Quem os alimentaria? A família ou, na falta desta, quem tivesse piedade dos criminosos. 

Não é grande ideia? Talvez. Tens melhor?

Thursday, August 17, 2017

FALTA VÍDEOVIGILÂNCIA NO PAIOL DO BANCO DE PORTUGAL


Noticia hoje o Jornal de Negócios que o governador do Banco de Portugal demitiu o director do Departamento de Mercados e Gestão de Reservas, após ter sido surpreendido por revelação decorrente de investigação do Ministério Público de venda de acções do BES, dois dias antes da resolução deste banco, feita por funcionário subordinado do director agora demitido, que teve conhecimento do eventual crime de utilização de informação privilegiada e não o reportou superiormente

Durante o recente processo de nomeação de novos administradores do BP, o governador propôs para o cargo várias vezes, sem sucesso, o nome do director agora demitido. Não tendo conseguido promovê-lo, o governador manteve-o no cargo de director.
Agora, obrigado pelas circunstâncias a demiti-lo, colocou-o na prateleira dos consultores. 
Entretanto, o funcionário oportunista foi transferido para outra área enquanto se aguardam conclusões definitivas das averiguações em curso.  





ATÉ ONDE IRÁ A GUERRA DAS ESTÁTUAS?




Ninguém sabe.

O que se sabe é que, neste ambiente de erupção violenta da extrema-direita norte-americana, o ultra-nacionalimo favorece internamente Trump na guerra de ameaças  com o ditador norte-coreano.  O que se sabe é que ambos precisam de um inimigo externo para se sustentar no poder. Deste modo, a guerra das estátuas surge num momento de reacção contra a obtusidade do presidente norte-americano mas pode acabar por favorecê-lo.
Se a fanfarronice de Kim Jong-un eventualmente descambar num ataque nuclear aos EUA quem é que se atreverá a impedir Trump de desencadear uma retaliação de "fogo e fúria nunca antes vista"?

"Com doidos, ninguém se meta", recomenda a filosofia popular. O busílis está em como evitá-los.




Monday, August 14, 2017

TURISMOFOBIA?

(clicar para ampliar)


Banhistas na praia de Barceloneta (Barcelona) ontem, domingo 13 de Agosto

"Quantos turistas cabem em Espanha?" - pergunta no El País de hoje a propósito das medidas restritivas à entrada desmedida de turistas em Barcelona. 

E em Portugal? Alguém já fez as contas?
Boom do imobiliário e turismo aumenta a receita fiscal em 80 milhões só em IMT
Quando o investimento produtivo regride e a especulação expande a procura de imobiliário, a trajectória  da economia é sinistra. 

"O que é demais passa a excesso"
"O que é demais é moléstia"
"O que é demais é erro"
Filosofia Popular


Sunday, August 13, 2017

TUDO NA MESMA, DEPOIS DE PEDROGÃO GRANDE

D. sabia que nós íamos a caminho da A8 e telefonou-nos a avisar que tinha lido na internet que aquela auto estrada estava cortada na zona de Torres Vedras.
Nesse momento ainda estávamos na A17, a uns vinte quilómetro antes da possibilidade de desvio para a A1, em Leiria.

Tentámos contactar o 112 para para confirmar se o corte da A8 ainda se mantinha e se não iríamos encontrar situação semelhante na A1, para onde nos iríamos desviar se a A8 continuasse cortada.
Não obtivemos resposta porque a chamada, passados largos minutos, caiu. 
Voltámos a ligar, e só então, fomos atendidos. Do outro lado da linha responderam-nos que no 112 não têm informações sobre cortes de estradas por causa de incêndios florestais e que devia ligar para a GNR, para o número 1820 (chamada de valor acrescentado ...).

Ligámos para o 1820, foi-nos confirmado, após alguma espera, o corte na A8 e dito que não havia notícias de corte na A1 a partir de Leiria. Agradecemos e sugerimos que informassem os meios de comunicação social, nomeadamente a Antena 1 da RTP, para conhecimento útil dos que circulavam aquela hora, uma vez que vínhamos a ouvir aquela rádio para saber notícias, pelo menos durante os noticiários, e nada havia sido referido a propósito do corte na A8 em Torres Vedras no noticiário das 18. Também nos quadros avisadores não havia qualquer informação útil, indicavam inutilmente apenas a hora naquele momento na A17. 

Em conclusão: os meios de comunicação social, nomeadamente de rádio e televisão, que sugam até ao tutano as imagens dos fogos florestais em transmissões repetidas ad nauseam, ignoram e não informam os que circulam pelas estradas do país acerca dos perigos resultantes de incêndios florestais que os aguardam mais à frente. 
O 112 limita-se a informar que não tem informação e remete-nos para a GNR;
Da RTP não há informação oportuna;
A GNR informa mas o utente paga a chamada de valor acrescentado;

Isto quando o país continua a ser violentamente assaltado por uma vaga de incêndios de dimensões nunca antes atingidas, mês e meio depois da tragédia de Pedrogão Grande. 

E os militares? O que fazem 35 mil militares perante este inimigo que semeia o pânico de norte a sul e chegou mais uma vez à  Madeira?
E a Justiça? Que eficácia tem a justiça na dissuasão dos criminosos?
E a senhora ministra da Administração Interna porque espera para retirar consequências políticas desta tragédia de que também é culpada? Porque ela mesma reconheceu já ter havido "descoordenação no posto de comando da Autoridade Nacional de Protecção Civil no teatro de operações em especial com outros agentes de protecção civil". 
Houve, e continua a haver, senhora Ministra.

Thursday, August 10, 2017

APOCALIPSE NOW


c/p WP

Há 72 anos, a 6 e 9 de Agosto de 1945, Hiroshima e Nagasaki foram destruídas por bombas nucleares demonstrando que a capacidade de aniquilação total da espécie humana passava  estar ao alcance de qualquer tresloucado que as circunstâncias colocassem em lugar decisivo para desencadear uma guerra nuclear global. 
Desde então, o mundo viveu sob o signo do equilíbrio do terror. 
Nada garante, contudo, que um dia destes, num futuro mais ou menos próximo ou mais ou menos longínquo, o terror desequilibre e à espécie humana esteja reservado o destino dos dinossauros. 
Sem curiosos inteligentes que olhem em museus os traços dos seus ossos.   

    HABILILEGALIDADES A VER SE PEGAM

    - Recebeste ontem ou anteontem uma mensagem da MEO?
    - Talvez.
    - E já respondeste?
    - Não. Tinha de responder?
    - Tens de responder. Se não a partir de Setembro passam a cobrar-te mais 3,98 euros por mês por um serviço que nem solicitaste nem queres usar!
    - Como assim?
    - É como te digo. Já telefonei e confirmei: se não telefonares a recusar, passas a pagar o que nem pediste nem consomes. É uma habilidade. Para estes e outros fornecedores com milhões de clientes, estas habilidades garantem-lhes receitas de muitos milhões.
    - Mas são habilidades ilegais!
    - Pois são. Mas quem é que se vai dar ao trabalho de contestar? Por esta  e por outras é que também se enchem os tribunais de processos de cobrança de dívidas aos ilegais habilidosos.


    "A sua preferência merece ser premiada! Por isso atribuímos 2GB adicionais de internet GRATIS ao seu telemóvel, para usar até 31-08. Apos esta data, pode manter os 2GB extra com desconto garantido de 60p/cento (apenas 3,98 Eur/mes por todos os cartoes do seu pacote MEO) durante 24 meses. Aproveite esta oferta sem fidelização e exclusiva para actuais clientes. Se preferir não beneficiar destas vantagens, ligue gratis 800200023. Obrigado!"

    ---

    Act. Acabo de receber mensagem do Público sobre este assunto: 

    Deco denuncia ao regulador campanha da Meo que considera ilegal. Meo oferece Internet aos clientes em Agosto, mas obriga a pagar após essa data se não rescindirem. aqui

    Wednesday, August 09, 2017

    O CUSTO DO ISCO

    Há cerca de quinze anos, o BES remunerava os depósitos a prazo com taxas rondando os 5% quando a generalidade do sistema financeiro - o BPN foi excepção crónica - não ia além dos 2, pouco por cento. 

    Era um sinal de alarme. (Muitos, entre os quais me encontro, desconfiaram da fartura e não filaram o engodo. Outros aproveitaram, "os bancos não vão à falência", e disseram-se lesados quando o isco lhes estourou na boca exigindo aos contribuintes o pagamento do preço do estoiro). 

    Dez anos mais tarde, e depois de muito foguetório de resultados, o segundo maior banco privado português claudicou. O sr. Ricardo Salgado estampou-se, embalado pelas suas ambições pessoais e pelas exigências da família que é numerosa e mal habituada, fugiu em frente protegido por vários comparsas coniventes, atropelando as mais elementares regras do negócio. Foi, muito tardiamente, surpreendido pelo supervisor em flagrante delito, mas este, em vez de lhe bloquear imediatamente as golpadas ainda lhe permitiu à última hora alargar os rombos no casco apodrecido.
    Depois a prodigiosa imaginação dos banqueiros, em modo delirante, inventou uma criatura espúria a que deram o nome de Fundo de Resolução com o qual supuseram ter parido um novo banco sem mácula do pecado original para ser vendido e, com o produto da venda ou parte dela, pagar aos contribuintes, financiadores do Fundo de Resolução. O ministro das finanças replicou, na altura, qual papagaio louro a balançar-se no poleiro, o que tinham dito os seus antecessores a propósito de incidentes semelhantes: os contribuintes não serão chamados a pagar os custos da resolução do BES. Mentiram.
    Após várias tentativas, disseram que o Lone Star comprou  o Novo Banco por tuta-e-meia. Mas o novo proprietário ainda não tomou conta do negócio e as perdas, gordas, do NB continuam a escorrer por conta dos contribuintes, digam o que disserem os políticos envolvidos.

    "A concretização da venda do NB ao Lone Star depende da troca de obrigações de 36 emissões, num valor global de 8300 milhões de euros por depósitos, uma operação feita a preços de mercado que nalguns casos representam perdas imediatas de 90%."


    Agora sabe-se que,
    "O Novo Banco já está a desafiar os clientes de retalho para a oferta de compra de obrigações. A possibilidade de fazerem um depósito que paga até 6,5% para minimizar perdas é um dos argumentos usados." - aqui
    "Justiça: Uma espada pronta a cair sobre o Novo Banco.
    Os processos colocados contra o Novo Banco e o BdP são por causa da resolução do BES ou a pedir indemnizações. O banco antecipa mais acções para combater a oferta de compra de dívida." - aqui
    "Novo Banco conta com Lone Star para repor falta temporária de liquidez. O Novo Banco admite que a oferta de compra de dívida dite o "incumprimento temporário" das exigências de liquidez. Situação será reposta com reforço de capital da Lone Star." - aqui 
    Todos quantos foram atraídos pelo isco do BES confiando-lhe as suas economias fizeram-no convictos de que, em caso de azar, seriam os lesados dos lesados a pagar a factura. Se não, quem?
    Perguntem, em caso de dúvida, aos outros bancos.

    Monday, August 07, 2017

    O QUE NÃO DIZEM OS ESPECIALISTAS

    Enquanto à volta da mesa se discutia a questão da insegurança nacional tendo como pratos fortes do dia o descalabro dos incêndios florestais e o roubo das armas em Tancos, o Veríssimo beberricava a terceira imperial, mastigava tremoços dos pratos mais próximos depois de esgotado o que tinha à frente, olhando por cima das lentes de ver ao longe os intervenientes quando a polémica aquecia. 
    ...
    - Temos militares a mais e bombeiros a menos.
    - Não há bombeiros a menos. O que eles estão é mal treinados... Não há defesa interna e defesa externa, os bombeiros profissionais deveriam ser integrados nas forças armadas e a estas deveria ser atribuída a responsabilidade da defesa total do território incluindo os incêndios. Os voluntários ficariam com as atribuições restantes, o transporte de doentes ...
    - Não estou a ver, nada, o que é que há de comum entre militares e bombeiros ...
    - Eu penso que ele tem razão. Se há coisa que os militares sabem fazer é definir estratégias de ataque e atingir objectivos...
    - Essa é uma anedota?
    - ?
    - Pois se os tipos até as armas deixaram roubar!
    - Quem pouco faz menos lhe apetece fazer. Sem guerra, a tropa adormece. Os militares não têm grande coisa a fazer para além de uns quantos, poucos, enviados para missões internacionais. Temos 35 mil militares! 35 mil!
    - Continuo a não entender o que é que tem a tropa que ver com os incêndios ...
    - Imagina tu que há um inimigo, não imagino quem possa ser mas partamos do princípio que o território nacional pode ser invadido por um inimigo externo, se não, não faria sentido haver tropa incumbida da defesa territorial. Que meio fácil, eficaz e praticamente gratuito disporia esse inimigo para causar a maior perturbação no território que pretendia ocupar? Incendiar no verão matas e florestas de norte a sul, não? Que capacidade de defesa sobraria a uma população num país todo a arder? Portugal é, no verão, um extenso barril de pólvora.
    - Então é preferível retirar a pólvora a meter os militares no meio dela.
    - Não é possível retirar tanto combustível. 
    - Mas é possível reduzi-lo ...acabem com os eucaliptos, plantem sobreiros, árvores que não ardam ...
    - Essa é outra anedota?
    - ?
    - O que é que não arde?
    - Os eucaliptos ardem mais, é o que dizem os especialistas ...
    - Não. Os especialistas não dizem isso. O que os especialistas dizem é que a propriedade florestal, e, já agora, a propriedade agrícola, deve ser redimensionada de modo a que seja economicamente viável e defensável, nomeadamente contra os incêndios. Mas enquanto isso não acontece, e não se sabe quando acontecerá porque é matéria politicamente altamente inflamável, há que combater os fogos florestais. E aí os proprietários de grandes plantações de eucaliptos - não há florestas de eucalipto em Portugal, há plantações de eucaliptos, com ciclos de corte,  e povoamentos mistos florestais mistos com eucaliptos - sabem como isso se faz. A prova disso é a reduzida sinistralidade de incêndios em propriedades das celuloses. Deviam ouvi-los em vez de atacá-los ...
    - Se todos os proprietários florestais fossem obrigados a manter as matas limpas ...
    - Já são obrigados ...
    - Mas não são penalizados.
    - Sabes quantos proprietários florestais há em Portugal?
    - Há muitos ...
    - Mas quantos?
    - Nunca os contei.
    - Há mais de trezentos e cinquenta mil!
    - Fora aqueles que apenas são proprietários de matos de e silvas!

    - E eu sou um deles, disse o Veríssimo ao mesmo tempo que limpava vestígios de tremoços que se tinham anichado no bigode.
    Tenho um terreno que os meus pais me deixaram, era uma vinha mas agora é mato.
    Ao lado, ainda há uma vinha, mas o resto do vale onde havia vinhas agora só há mato.
    Diz-me o dono da vinha, meu vizinho, que o mato já tem mais de metro e meio de altura. Foi cortado há três anos, custou-me uma pipa de massa, seiscentos euros. Já disse ao dono da vinha que lhe vendo o terreno, mas pelos vistos ele não o quer nem dado. O que é que vocês me recomendam que faça ao terreno?

    Sunday, August 06, 2017

    O METRO DE LISBOA - SINTRA - CASCAIS - LISBOA

    Entre Sintra e Cascais não há ligações ferroviárias.
    Nunca houve, aliás.
    Só há ligações rodoviárias. Quem se dirige a Sintra, ou a um destino intermédio, de comboio, e pretenda, a partir de Sintra, ir a Cascais, ou a um destino intermédio entre Cascais e Lisboa,  tem de ir de táxi ou de demorado autocarro. 
    Resumindo: o triângulo Lisboa-Sintra-Cascais não é viajável em comboio.
    Esta é uma das razões, a juntar a várias outras, que explicam o trânsito automóvel entre Sintra e Lisboa, Cascais e Lisboa, Sintra e Cascais. E, obviamente, nos sentidos opostos. 
    E, pelas mesmas razões, entram diariamente em Lisboa, segundo contagens relativamente recentes, cerca de 370 mil veículos automóveis, complicando o trânsito, poluindo a cidade, atravancando as ruas. 

    Recentemente, o sr. Fernando Seara, anterior presidente da Câmara de Sintra, agora candidato à presidência de Loures, apresentava em modo histriónico o feito de ter conseguido que alargassem o IC19 para 3 faixas (referiu 4) de rodagem em cada sentido. Mas nem ele, nem os seus antecessores se propuseram a, em parceria com a Câmara de Lisboa, completar o triângulo ligando as linhas de Sintra e Cascais entre si, imprimindo-lhe ainda a qualidade, em pontualidade, segurança, comodidade e oferta suficiente, que agora não tem, suficientemente competitiva para retirar do IC19, da A5 e das ruas de Lisboa as centenas de milhares de carros que todos os dias entram e saem da capital, poupando horas e euros aos que hoje gastam naquelas rodovias parte significativa das suas vidas e das suas despesas. 

    Nem eles nem nenhum dos candidatos às eleições no próximo dia 1 de Outubro.
    Que se saiba.

    ---
    Hoje (7/08), observo que em outdoor muito recente da candidata à presidência de Cascais, a excelente pianista srª. Gabriela Canavilhas propõe-se dotar Cascais com metrobus, uma ideia que o o actual incumbente sr. Carlos Carreiras avançou, cf. aqui, em conferência do International Club of Portugal em Junho último. Estarão os dois a pensar na mesma coisa? Não sabemos. O que depreendemos é que as ligações entre Sintra e Cascais não fazem parte das suas preocupações.
    A cada qual o seu quintal. 

    Saturday, August 05, 2017

    A UTAO


    UTAO, por este andar, mais dia menos dia, corre o risco de extinção por mau comportamento. 

    "Já lá vai meio ano e não há forma do investimento público disparar. Depois de ter batido mínimos históricos em 2016, o governo prometeu relançar o investimento em 2017. Mas já lá vai meio ano e, com a excepção das autarquias, os dados estão longe da promessa, revela a UTAO."

    Os resultados dos investimentos públicos realizados durante a primeira década do século revelaram-se bastante pífios. 
    Se a propensão para o investimento público por parte dos partidos de esquerda é agora contida pelas imposições aos limites do défice, do mal o menos.

    Estranho, e perigoso, é que, mesmo assim, a dívida pública continua indomável.