Showing posts with label Cavaco Silva. Show all posts
Showing posts with label Cavaco Silva. Show all posts

Thursday, August 31, 2017

MAIS DÍVIDA E BOLAS FORA

O Prof. Cavaco Silva foi a Castelo de Vide dar aula na "universidade de verão" do PSD.
Sobre a intervenção do anterior PR publicou ontem o DN online, aqui, uma reportagem que, a avaliar pelo título - Cavaco arrasa Governo e faz críticas veladas a Marcelo -, destaca as afirmações mais contundentes do professor.

E o que disse CS de tão arrasante?
Além do mais, que são trocos quando as questões fundamentais para a opinião pública são outras, destacou "que a realidade acaba sempre por derrotar a ideologia" para convocar Alexis Tsipras a testemunhar que "depois de uma certa bazófia inicial, correu com Varoufakis [o seu primeiro ministro das Finanças], pôs a ideologia na gaveta e aceitou negociar um terceiro resgate ainda mais duro". Conversa requentada.

Era preciso invocar a subjugação à troica para realçar a inevitabilidade de políticas de contenção da despesa pública? Não era.
O ex-PR poderia abordar essa inevitabilidade salientado a progressão até agora indomável da dívida. 
E a ameaça que esse monstro representa se as tendências dos mercados financeiros, por natureza instáveis, um dia destes se invertem, e os juros se tornam insustentáveis mesmo se a economia se espevita. 

Os indicadores económicos mais recentes divulgados pelo INE* são animadores, o Negócios online titula um artigo sobre o tema - O INE reviu em alta o crescimento económico do segundo trimestre do ano para 2,9%, o valor mais elevado em quase 17 anos. - que deve empolgar o Governo mas que não é indicativo de que os problemas estão resolvidos e a crise financeira ultrapassada. Bem longe disso, Portugal ainda não recuperou os níveis do PIB observados antes da crise de 2008. 

O ex-PR poderia ter voltado ao palco político como professor mas deu-lhe a veneta para o discurso partidário. 
31 de agosto de 2017
A taxa de desemprego de junho foi de 9,1% - Julho de 2017
30 de agosto de 2017
Índice de Produção Industrial acelerou - Julho de 2017
30 de agosto de 2017

Wednesday, August 20, 2014

E SE DECRETÁSSEMOS O FIM DO CAVAQUISMO?

E se decretássemos o fim do Cavaquismo?
Pergunta, e decreta,  o prof. Pedro Lains num ensaio publicado aqui.
Comentei aqui.
 
Prof. Pedro Lains,

Leio e releio o seu texto e surpreende-me que atribua ao prof. Cavaco Silva responsabilidades, e alguns méritos, suponho, de quase tudo o que terá acontecido neste país desde a adesão ao euro, implicitamente desvalorizando totalmente os governos dos engenheiros Guterres e Sócrates e só muito tenuamente admita algumas responsabilidades de Mário Soares e, usando os seus termos, da linhagem histórica socialista. Tamanha quase exclusividade de responsabilidade assacada ao prof. Cavaco Silva parece-me decorrer mais de uma aversão pessoal do que de uma apreciação isenta de um economista historiador (ou vice versa). O exagero é o maior desvalorizador mesmo de um bom argumento. 

Passando da apreciação histórica dos factos (que só a História sedimenta) para as suas propostas, a minha surpresa aumenta.

Primeiro - Propõe, e cito, que "os departamentos onde se estuda a teoria económica deveriam contratar (ou contactar) cientistas políticos, historiadores, sociólogos, antropólogos, para estimular a discussão social e política no seu interior."

Admitindo, benevolentemente, que se trata de um bom ponto de partida, pergunto: Os departamentos a que alude não são livres de contactar outros cientistas sociais em funções em departamentos homólogos? Perguntando de outro modo, não são os cientistas sociais, historiadores, sociólogos, antropólogos, deste país, já investigadores pagos pelo OE? Ou, ainda de outro modo, por que esperam?

Segundo - Propõe que sejam "alteradas as relações entre o poder financeiro e os órgãos de comunicação social, alteração que deve partir dos dois lados".

Não é ingenuidade a mais esperar que as relações (que eu interpreto como dependências) dos orgãos de comunicação social relativamente ao poder financeiro sejam alteradas por mera vontade das partes? Ou percebi mal?

Terceiro - Propõe "a monitorização de reuniões entre banqueiros e políticos, que deveriam ser públicas, com comunicados sobre as matérias abordadas e respectivas conclusões. Fora delas, não devia haver encontros ou confraternizações".

Aqui, Caro Prof. Pedro Lains, o meu espanto é total. E perdoe-me perguntar-lhe: Em que mundo tem vivido?

Quarto - Propõe "uma maior intervenção do Governo junto dos reguladores, para coordenar o seu trabalho, dentro e fora de fronteiras, e para lhes dar maior protecção política."

Fico confuso porque acredito que a actividade de regulação só será eficiente se existirem mecanismos que obstem à captura dos reguladores pelos regulados. Ora a sua proposta não me parece confrontar-se com a inevitabilidade que referi. 

Quinta - Propõe "mudar a política oficial relativamente aos países menos transparentes de onde vêm grandes fluxos de capital."

Percebo onde quer chegar, e concordo consigo.
O problema é que eles já cá estão dentro, e muito dentro.
Tem alguma ideia para os retirar ou, pelo menos, parar de avançar? Aí é que está o busilis da questão, caro prof. Pedro Lains.
 ---
Extra comentário - Venham mais cinco!



Tuesday, April 26, 2011

OS REIS DAS FARÓFIAS

Passos Coelho diz que "fabricar uma espécie de União Nacional é uma perversão" (Público)

Parece cada vez mais evidente que Passos Coelho pretende perder as próximas eleições legislativas, e que Sócrates não desiste de as ganhar.

Depois dos apelos feitos por tanta gente convicta e demonstradamente democrática, Passos Coelho entendeu esses apelos como uma frente promotora de uma união perversa e, portanto, não democrática.

Diz PC,

“Ter a ideia de que, como estamos com um problema muito sério para resolver, temos de fabricar em Portugal uma espécie de União Nacional é uma perversão, ainda para mais a ser invocada num dia como este, porque a União Nacional não é desejada em Portugal, nem pelos que têm memória da que já existiu, nem por aqueles que, com prudência, aprendem lições do passado”.

O remoque acerta em cheio, nomeadamente, em Mário Soares que ainda a semana passada lhe atestou a capacidade de diálogo e que de há uns tempos a esta parte tem insistido na necessidade de um governo forte para enfrentar a crise. Mas atinge, principalmente, Cavaco Silva que fez no seu discurso de ontem um apelo inequívoco à formação de um governo com suporte maioritário no parlamento.

Até agora, Passos Coelho fez uma coligação pré-eleitoral com Fernando Nobre, geralmente considerada  desastrosa a todos os títulos. Apesar de declarações suas anteriores irem no sentido de formar um governo com suporte maioritário, no caso de ganhar as eleições com maioria relativa, as afirmações de PC,  hoje, ou são ininteligíveis ou só podem ser entendidas com o propósito de perder as eleições.

Por outro lado, Sócrates contornou as críticas à auto suficiência à agressividade,  que lhe seriam dirigidas, afirmando a sua inteira disponibilidade de sempre para o diálogo e culpando as oposições pela falta de consensos.

Passos Coelho será um ás em boas farófias mas não há quem como Sócrates para as enfeitar.

----
act - Sócrates à boleia do apelo de Cavaco deseja acordo com PSD