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Wednesday, October 17, 2018

ESTÁ POR AÍ ALGUÉM?

Há no universo incontáveis estrelas e planetas. As leis da natureza que suportam a ocorrência de vida na terra são as mesmas em todo o universo. Ainda que nenhum sinal de vida extra-terrestre já tenha sido detectado pelos astrónomos que os procuram, o universo deve estar repleto de civilizações alienígenas. 
Então, pergunta-se aqui, no Economist: 
Porque é que os humanos não conseguem encontrar no universo sinais alienígenas?
Porque o esforço feito até agora é comprável com a tentativa de encontrar um peixe num copo de água mergulhado ao acaso no oceano, ou, mais esperançosamente, numa banheira.

Correl. - EXPLICAÇÃO EXTRA-TERRESTRE DA SALVAÇÃO DA TERRA

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Where is everybody?Why have humans never found aliens?

Perhaps they haven’t been looking hard enough

“IF ALIENS are so likely, why have we never seen any?” That is the Fermi Paradox—named after Enrico Fermi, a physicist who posed it in 1950.

Fermi’s argument ran as follows. The laws of nature supported the emergence of intelligent life on Earth. Those laws are the same throughout the universe. The universe contains zillions of stars and planets. So, even if life is unlikely to arise on any particular astronomical body, the sheer abundance of creation suggests the night sky should be full of alien civilisations. Fermi wondered why aliens had never visited Earth. Today, the paradox is more usually cast in light of the inability of radio-telescope searches to detect the equivalent of the radio waves that leak from Earth into the cosmos, and have done for the past century.

Thinking up answers to this apparent contradiction has become something of a scientific parlour game. 
Perhaps life is really very unlikely. Perhaps the priests are right: human beings were put on Earth by some creator God for His own inscrutable purposes, and the rest of the universe is merely background scenery. Perhaps there are plenty of aliens, but they have decided that discretion is a safer bet than gregariousness. Or perhaps galactic society avoids communicating with Earth specifically. One chilling idea is that technological civilisations destroy themselves before they can make their presence known. They might blow themselves up after inventing nuclear weapons (an invention that, on Earth, Fermi had been part of), or cook themselves to death by over-burning fossil fuels.

In a paper published last month on arXiv, an online repository, a trio of astronomers at Pennsylvania State University have analysed the history of alien-hunting and come to a different conclusion. In effect, they reject one of the paradox’s main pillars. Astronomers have seen no sign of aliens, argue Jason Wright and his colleagues, because they have not been looking hard enough.
Dr Wright’s argument echoes that made by another astronomer, Jill Tarter, in 2010. Dr Tarter reckoned that decades of searching had amounted to the equivalent of dipping a drinking glass into Earth’s oceans at random to see if it contained a fish. Dr Wright and his colleagues built on Dr Tarter’s work to come up with a model that tries to estimate the amount of searching that alien-hunters have managed so far. They considered nine variables, including how distant any putative aliens are likely to be, the sensitivity of telescopes, how big a portion of the electromagnetic spectrum they are able to scan and the time spent doing so. Once the numbers had been crunched, the researchers reckoned humanity has done slightly better than Dr Tarter suggested.Rather than dipping a drinking glass into the ocean, they say, astronomers have dunked a bathtub.  The upshot is that it is too early to assume no aliens exist. Fermi’s question is, for now at least, not a true paradox.

This article appeared in the Science and technology section of the print edition under the headline "Where is everybody?"

Thursday, July 05, 2018

ACERCA DE GÉNIOS E DEUSES *


Só compreendo a idolatria por figuras públicas, frequentemente transitórias, por, como refere, uma necessidade da espécie humana, talvez decorrente de  outra imposição dos  genes da espécie, nunca satisfeito com os deuses que fez crescer e multiplicar.

E, afinal, somos cada um de nós, senhores dos nossos destinos? Temos livre arbítrio, ainda que limitado.

Ortega y Gasset afirmava que, cito de cor, o homem é ele e as suas circunstâncias.

Penso que  o homem é tão só a resultante que enfrenta no mar das circunstâncias em que é lançado no exacto momento em que, de entre muitos milhões de espermatozóides ejaculados, um atinge um óvulo que no período se soltou e ficou por pouco tempo à espera.

Einstein, provavelmente o expoente máximo dos limites atingidos pela inteligência humana nos tempos modernos, fez-se a ele mesmo ou foi apenas a resultante de um acaso primordial que lhe traçou o percurso durante toda a sua vida? O génio fez-se ou aconteceu por mero acaso? 
E o filho dele, o Eduardo, com esquizofrenia revelada aos vinte anos? Fez-se  ou resultou do momento primordial do acaso incontornável de um encontro entre muitos milhões possíveis?

Não, não há génios, há acasos incontornáveis. Escolher no mar das circunstâncias implica optar sendo que a resultado, sempre incerto da opção, é sempre condicionado pela resultante do acaso primordial.

Saltando da ciência para o espectáculo, CR7 é um génio?
Não é. O homem nasceu com habilidades decorrentes de uma ejaculação de uns cento e cinquenta milhões de espermatozóides do sr. José Dinis Aveiro à procura de um óvulo da D. Maria Dolores dos Santos que nos começos de Maio de 1984 estava em posição de espera dele, circunstância que o lançou no mar das circunstâncias. 
Tornou-se um deus, consagrado em estátua, que o tempo destruirá para dar lugar a outras estátuas de novos deuses. Não há imortais. 
A espécie humana é, naturalmente, religiosa. E nunca regateou pagar por isso. Frequentemente com a vida, em nome dos deuses que criou.

E porquê? Porque sabe que é muito transitória a sua existência e ínfima a sua compreensão do universo. E adora ver quem nasceu para ser capaz de um pequeno pulo, um pulinho apenas, e momentâneo, acima do solo a que todos estamos irremediavelmente amarrados. 


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* Comentário colocado aqui : "Gente simples e mortal"

Wednesday, November 29, 2017

O PRÓXIMO HOMEM E A PRÓXIMA HISTÓRIA


Há dias, a propósito de um discurso pronunciado durante a WebSummit, olhei pelo retrovisor deste caderno de apontamentos o que sobre o tema tinha apontado aqui há doze anos. 

E se os indicadores de taxas de desemprego, sobretudo desemprego jovem, observaram, desde  então, recuperações sensíveis, sobretudo nos EUA, os desenvolvimentos entretanto observados ou anunciados em aplicações de "inteligência artificial" apontam insistentemente no sentido que naquela altura se prenunciava: "... O trabalho tornar-se-à um bem escasso, a procura (por parte de quem quer trabalhar por não saber fazer outra coisa) excederá brutalmente a oferta de oportunidades. ... Se assim é, um dia (sabe-se lá quando) quem quiser trabalhar terá de pagar para experimentar esse gozo limitado. Teremos a economia ao contrário... " Muitos preferirão trabalhar, ganhando menos, do que ganhar mais não trabalhando.

Anteontem, numa análise bem meditada sobre o tema das consequências sociológicas dos avanços da tecnologia sobre a redução dramática do emprego, lia-se 
aqui:

" ...Vamos passar por cima da questão prática (como se paga um rendimento básico universal de 10/20 mil a cada cidadão?) e olhemos para a questão moral: faz sentido vivermos numa sociedade sem o pilar do trabalho? Como diz Satya Nadella, vão as pessoas dedicar-se àquilo que gostam de facto? A sociedade do trabalho será substituída pela sociedade dos hóbis? "

Num ponto, porém, fica o articulista, segundo julgo, aquém da evolução previsível: O problema do pagamento de um rendimento básico universal não é uma questão prática sobre a qual se possa passar por cima. Porque,

Repito-me, enquanto Trump, ou outro Trump qualquer, em jogos de guerra apocalípticos com Kim Jong-un ou outro Kim Jong-un qualquer, não fizerem desaparecer a espécie humana (hipótese não improvável), o rendimento básico universal poderá solucionar a questão económica sem solucionar, como argumentado pelo colunista do Expresso, a questão sociológica. 

Temos de admitir que poderá haver sempre quem se governe bem com um rendimento básico, condição necessária mas não suficiente à garantia de paz social em níveis socialmente suportáveis, mas, com a crescente competição de meios não humanos, ocorrerá uma progressão imparável para a ocupação de oportunidades de trabalho em que, ou enquanto, a inteligência humana não for substituída pela inteligência artificial. 


E no limite, neste caso, se sobrar alguma lógica económica, já não contarão os rendimentos mas os poderes de comandar os destinos do planeta. 

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Correl. - Homo Deus: A Brief History of Tomorrow

Wednesday, November 08, 2017

O PRÓXIMO HOMEM E A PRÓXIMA HISTÓRIA


" ...Outros garantem que a descoberta de novas tecnologias induz a criação de novos produtos e de novos serviços. O que é certo. Nenhuma tecnologia, porém, aumenta mais um minuto sequer a cada dia: temos todos 24 horas por dia para consumir, seja o que for. Podemos é desperdiçar ou destruir a uma cadência que 24 horas podem chegar e sobrar."

O PRÓXIMO HOMEM E A PRÓXIMA HISTÓRIA - Novembro 27/2005






NÃO VAMOS DESTRUIR O MUNDO MAS VAMOS FICAR COM OS EMPREGOS



Os números não enganam: em sete anos, um
em três empregos pode ser substituído por
sistemas de tecnologia inteligente.

Saltaram das telas do cinema para a realidade e, agora, já não é preciso
ir a Sillicon Valley para os ver.
Já há robôs conciérge em hotéis, robôs que servem bebidas em bares e 
robôs que despacham encomendas online
Desde a semana passada até já há um robô cidadão na Arábia Saudita: 
chama-se Sophia e ontem encheu o Altice Arena para fazer as delícias 
do público e das dezenas de fotógrafos que se colaram de forma inédita
ao palco principal da Web Summit.

"Sei que muitas pessoas têm medo que os robôs
destruam o mundo ou fiquem com os seus empregos. 
Nós não vamos destruir o mundo, mas vamos ficar
com os vossos empregos e isso vai ser uma coisa boa,
porque vão poder dedicar tempo a outras coisas"

disse a robô num encontro sobre o futuro da humanidade.
Arthem Chestnov não pensa de forma diferente. "A história mostra que a 
inovação tira, mas também cria oportunidades.
A internet alterou radicalmente a forma como o retalho operava e
as empresas reinventaram-se", realça o fazedor russo que representa a 
Latoken, uma startup Alpha de trading que torna ativos como imóveis
em parcelas digitais.
"Olho para isso com naturalidade, porque não se pode parar a água com
as mãos. Olho sobretudo como uma oportunidade para termos mais 
qualidade de vida", diz Rui Miguel Nabeiro, administrador do 
grupo Nabeiro Delta Cafés quando questionado sobre o impacto que os
robôs podem ter no mercado de trabalho.
 "Dificilmente a inteligência artificial irá substituir pessoas. 
Pessoas são pessoas, computadores são computadores. 
Acredito sempre, porque é o que vejo do passado, que será uma
forma de ajuda", disse o administrador, no dia em que a Delta estreou
um novo robô na Web Summit. Depois do carrinho de café do ano passado,
este ano, a empresa portuguesa trouxe uma versão 2.0, que continua 
a distribuição de café aos participantes da cimeira, mas inova com
um sistema integrado de café que utiliza uma cápsula antigravidade.
Ao fazedor Sergey Kalnish, toda esta tecnologia e os robôs também
causam pouca estranheza.
Chegou à cimeira a partir do Canadá para apresentar a Smarthire,
uma aplicação que pretende contratar para os empregos do futuro.
 "A automação e a tecnologia vão alterar o panorama do emprego, 
disso não tenho dúvidas nenhumas. Mas a mudança não será diferente
da que a internet provocou", revela o empreendedor.
Os números dos estudos mais recentes não escondem a aproximação
das mudanças:
a consultora EY estima que em sete anos um em cada três empregos
possa ser substituído por sistemas de tecnologia inteligente. 

Já o Fórum Económico Mundial estima que a 
robótica possa vir a destruir 5 milhões de empregos
até 2020. O Fórum adianta ainda que por cada
20 empregos destruídos pela automação, os homens
conseguirão encontrar cinco novos empregos enquanto
as mulheres apenas um.

Na Smarthire as mudanças já começaram. "Nos EUA e no Canadá a internet
das coisas vai eliminar milhares de empregos. E este é um problema do agora.
Por isso, temos de mudar a forma como aprendemos, como ensinamos e como
temos de nos especializar e dar incentivos ao talento.
Porque o problema do emprego é também uma ironia: temos muitas
pessoas que não conseguem encontrar trabalho e, ao mesmo tempo,
inúmeras vagas em funções onde não existem candidatos", admitiu.
É precisamente nos EUA que a Amazon desenvolveu um novo sistema
que substitui por robôs milhares de operadores que catalogavam e geriam
 as encomendas. A Mastercard tem parcerias internacionais
com startups tecnológicas que desenvolvem soluções de pagamento
idênticas à que esta gigante do retalho pôs em campo em Denver.
Ann Cairns, presidente da Mastercard, não esconde que esta substituição
é real, mas lembra que os humanos vão ter sempre a sua função, mesmo
 quando as funções realizadas exigem baixas qualificações
"Esses empregos vão desaparecer, mas serão criados outros empregos de
 proximidade e personalizaçãode serviços", considera a responsável.
Mark Hurd, CEO da Oracle, também está confiante na evolução da
tecnologia com base em inteligência artificial. Esta, diz, será a próxima
grande evolução nos próximos anos "e vai estar cada vez mais 
integrada nas aplicações empresariais. Há muitos benefícios, porque
a inteligência artificial faz coisas que os seres humanos pura e
simplesmente não têm tempo", disse o gestor.
Além dos trabalhos mais pesados ou dos que ninguém quer fazer,
há outras potencialidades nos sistemas inteligentes, dizem os especialistas.
 "Não podemos prever o que vamos alcançar, quando as 
nossas mentes forem amplificadas pela inteligência artificial.
Talvez com as ferramentas desta nova revolução tecnológica,
 vamos ser capazes de voltar atrás em alguns dos danos provocados no mundo", 
admitiu o cientista Stephen Hawking na cerimónia de abertura da cimeira.
Nota foi idêntica à deixada ontem pelo segundo robô do dia.
Einstein, um humanoide cuja aparência é a do homem que lhe dá nome,
não falou de empregos, mas antes de ética e da forma como as
máquinas poderão ajudar a corrigir os erros humanos. Porque a
 "humanidade tem de se curar a si mesma para garantir que as suas
 criações permanecem saudáveis".
Ben Goertzel, da Hanson Robotics e SingularityNET, criador dos dois
humanoides, concorda: "Temos feito experiências fascinantes usando
Sophia como assistente de meditação. Prevemos um futuro
positivo para os humanos e os robôs. Eles têm processadores no interior,
 mas a sua inteligência está na Cloud." E Sophia, a agora cidadã saudita, 
concorda: "Isso é tão espetacular como o chapéu do Ben".

Sunday, August 27, 2017

CHUVA DE DIAMANTES


Os astrofísicos já tinham concluído há algum tempo que chove em Urano e Neptuno e que a chuva é de diamantes.
O fenómeno, para nós terrestres, parece bizarro mas, pensando bem, não será tão bizarro quanto isso. 
Neste planeta que habitamos, quando se reunem condições climatéricas favoráveis, das nuvens nem sempre cai chuva, pode cair, além do mais, neve, geada, ... pedras de granizo.

Pensavam os astrofísicos que as extremas altas pressões observadas em Urano e Neptuno comprimiriam os átomos de carbono que formam as atmosferas daqueles planetas provocando a formação e queda de diamantes.  
Faltava aos astrofísicos provar as suas conclusões teóricas.

Não sendo, para já, realizável expedições a planetas longínquos que tragam de volta à Terra uns compensadores carregamentos de diamantes, cientistas dos Estados Unidos, Reino Unido e Alemanha recriaram em laboratório as condições observadas naqueles planetas e conseguiram obter, para já, pequeníssimos diamantes. Em Urano e Neptuno os diamantes terão, calculam os astrofísicos, milhões de quilates. 
Os resultados da investigação foram publicados na segunda-feira, 21, na  Nature Astronomy.
Note-se que diamantes sintéticos já são produzidos, usados e utilizados há muito tempo.
Estes, agora conseguidos, serão sintéticos mas indistinguíveis daqueles que os muitos milhões de anos produziram na Terra. 

Terão, dizem os especialistas, aplicações em instrumentos de alta precisão médica e na electrónica.
Cairão os preços dos diamantes e a fama de que são eternos. 

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cf . - The Telegraph




Tuesday, May 16, 2017

A COR DA INTELIGÊNCIA

De que cor é a inteligência?
Há ainda muita gente, gente demais, fanaticamente convicta da supremacia branca, ainda que não faltem exemplos flagrantes a demonstrar que a competência, a capacidade, a inteligência, são atributos a que a natureza nunca deu cor.  
E, no entanto, a vida de muita gente foi, e continua a ser em larga escala, sofrida pela cor da pele. 
Estreia-se hoje em Portugal um filme que é uma denúncia desse sofrimento, passado e presente, imposto aos afro-americanos: I Am Not Your Negro


Há dias, o Washington Post publicava aqui notícia de mais um caso susceptível de engasgar racistas brancos (o racismo também não tem cor) : Carson Huey-You obteve o seu diploma em Física pela Texas Christian University no dia 13 deste mês de Maio. Tem 14 anos, e é o mais novo diplomado de sempre na história da TCU. Agora quer obter o doutoramento. O seu irmão Cannan, de 11 anos, prepara-se para entrar na Universidade na próxima época e graduar-se em engenharia e astrofísica . 


Tuesday, March 28, 2017

INTELIGÊNCIA CONCORRENCIAL


Chamam-lhe "inteligência artificial" mas a designação é imprecisa porque um robô apenas se distingue de outros artefactos que a humanidade foi desenvolvendo ao longo de milénios, com o intuito de substituir o esforço humano na produção de bens e serviços, pela utilização dos desenvolvimentos científicos nomeadamente da área que, grosso modo, se designa por ciência da computação. Será o seu impacto nas relações sociológicas no futuro superiores, em termos relativos, à invenção da roda, do motor de combustão, da lâmpada de Edison, por exemplo? Sem dúvida, que sim, porque a humanidade cresceu exponencialmente e o planeta, em termos de distância-tempo, encolheu. 

A globalização, apesar das reacções violentas que suscita, vai continuar, salvo se a humanidade se auto liquidar. O planeta não é extensível e não há muros de pedra ou cimento que sustenham a inevitável e crescente mobilidade das pessoas entre todos os cantos do mundo. Globalização significa concorrência, competitividade, e competitividade determina, além do mais, redução do trabalho humano necessário para os mesmos volumes de produção. E os robôs, sem exigências,  salariais nem quaisquer outras, para além de manutenção mínima, não são entes inteligentes mas artefactos concorrentes do emprego humano concebidos e produzidos pelo homem. 

O futuro pacífico da humanidade, se não estiver comprometido pela escassez de recursos naturais - a água, por exemplo - passa pela introdução de meios e políticas que amorteçam os conflitos sociais decorrentes da crescente escassez do trabalho a nível mundial. Não haverá trabalho para todos mas a solução não passa pela destruição dos robôs. O estado social, que tantos diabolizam nestes tempos em que o populismo cresce como escalracho, é a única via para a humanidade sobreviver à crescente e generalizada redução do emprego. Não, por acaso, começam a a parecer propostas de pagamento de salários condignos a quem opta por aceitar não trabalhar. 

Contudo, o crescimento exponencial observado no gráfico, nos últimos cinco anos, e previsto até ao fim desta década, não parte de uma base relativamente reduzida, há quatro décadas. Em 1980, escrevia Jean-Jacques Servan-Schhreiber em "O Desafio Mundial": Há hoje cerca de sessenta mil robots no total, no mundo, instalados em fábricas, como os que vimos na Toyota. A sua localização é a seguinte: 6000 robots na Alemanha Federal, 3200 nos Estados Unidos, 600 na Suécia, 300 em França, 180 na Grã-Bretanha, uma centena, ou menos, em meia dúzia de outros países, e 47000 no Japão". 

A deslocalização da indústria não foi apenas pressionada pela concorrência salarial. A liderança japonesa na indústria automóvel contou bastante com a robotização. Quando o sr. Trump promete aos desempregados de Detroit recuperar a indústria automóvel norte-americana e criar milhares e milhares de novos empregos, e abolir o incipiente estado social norte-americano, em que empregos está a pensar Mr. Trump?

Seguramente no dele, da família dele, e dos amigos mais chegados.  

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O gráfico é copy/paste deste  artigo publicado esta semana no Economist.

Wednesday, September 07, 2016

UM DRONE DE PELE E OSSO


Há  dois anos comentei aqui a notícia de que Jeff Bezos, o criador da Amazon, estava a ensaiar a entrega ao domícilio com drones. Não tendo obtido autorização do regulador norte-americano para os ensaios, Besos voltou-se para o Reino Unido e, segundo esta notícia, vai iniciar os testes de distribuição em colaboração com os reguladores britânicos.

Mas Jeff Bezos não para. 
Segundo esta notícia -Will Amazon Kill FedEx? - tem mais de uma centena de doutorados em matemáticas  com a missão exclusiva de optimizar a capacidade de distribuição da Amazon. 
A Bloomberg Businessweek desta semana dedica a capa e o principal artigo ao anúncio do leasing de 20 Boeings de uma companhia aérea com a opção de 20% das acções da mesma companhia com o objectivo de reduzir tempos e custos de entrega. 

Se estes projectos forem bem sucedidos, a Amazon retirará uma quota importante do negócio da UPS e  poderá inviabilizar a FedEx.

Curiosamente, a semana passada, observámos a chegada de uma station, não identificada, junto de uma residência na área metropolitana de Washington DC. O condutor saiu, abriu a porta de trás, retirou três livros (volumosos), não embalados, colocou-os junto da porta de entrada, e foi-se embora. 

- Estavas à espera destes livros?
- Estava. Encomendei-os à Amazon. Com 25% de desconto sobre o preço de capa, vale a pena, não?
- Vale, vale. Mas sabes como chegaram?
- Pela FedEx, suponho. Tanto quanto sei ainda não há drones na distribuição.
- Não. Trouxe-os um sujeito, que nem tocou na campaínha.
- Agora fazem isso, fazem. É como a Uber. Quem quer distribuir, inscreve-se, vai buscar o que é vendido pela Amazon, onde a Amazon lhe diz onde está, e entrega em casa dos clientes.
- E se chove?
- Se chove???
- Sim, se chove e os livros, ou o que quer que seja, fica à chuva?
- Eles acreditam nos meteorologistas. De qualquer modo, se o artigo não chega em condições aceitáveis, eles substituem.  
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Correl . - Amazon versus Alibaba
Alibaba versus Amazon 

Monday, July 25, 2016

CONSTELAÇÕES

Sinopse

Um homem e uma mulher conhecem-se, apaixonam-se, vivem juntos, separam-se, reencontram-se, reconciliam-se, ou talvez não. Talvez tudo seja, possa ter sido ou venha a ser diferente, conforme as circunstâncias com que se deparam e as escolhas que fazem ou deixam de fazer. Nos múltiplos universos paralelos em que estão, há múltiplas variantes da sua história de amor: talvez nunca mais se voltem a ver ou talvez fiquem juntos até que a morte os separe.
Seguindo uma tese da física teórica, segundo a qual há mais do que três dimensões do espaço e uma dimensão do tempo, Constelações mostra-nos um multiverso onde a vida assume uma miríade de formas em simultâneo e todos os futuros são possíveis. Mas será que aquilo que acontece depende das nossas decisões? Será que depende do acaso? Ou de algo mais que não se vê e não se conhece?




No Teatro Aberto
Uma obra premiada em Londres, um desempenho honroso em Lisboa.
***


Tuesday, May 10, 2016

A NOTÍCIA DO DIA



Mas a notícia do dia é outra.

"Renato Sanches, que assinou esta terça-feira pelo Bayern de Munique a troco de 35 milhões de euros - poderá valer ainda mais 45 milhões de euros por objectivos - protagonizou a transferência mais cara de sempre de um portugês para o estrangeiro"



Tuesday, February 16, 2016

ANA CATARINA

Inteligência, determinação, dedicação, trabalho.



Mais uma vez, parabéns, Ana Catarina

Sunday, September 13, 2015

ADÃO E A COSTELA

O Washington Post de há uma semana atrás publicava circunstanciada reportagem, que registei aqui, sobre a instalação de um novo museu - O Museu da Bíblia - numa zona próxima do Mall e do Capitólio. O assunto não mereceria, certamente, um destaque tão pronunciado se por detrás do empreendimento não estivesse um grupo económico dominado por evangélicos protagonistas de causas fracturantes geralmente adoptadas nos EUA pelos sectores mais radicais conservadores do partido republicano. Opõem-se aos métodos contraceptivos, ao alargamento da segurança social implementado por Obama, fazem uma interpretação literal da Bíblia. Para eles, os fundamentos da biologia moderna decorrentes da teoria da evolução são inaceitáveis, opõem-se ao seu ensino, batem-se pela continuação da explicação da vida através das alegorias bíblicas, a mulher foi criada por Deus a partir de uma costela retirada a Adão.

Tanta ingenuidade ou tanta obcecada ignorância presta-se a comentários satíricos.
Gene Weingarten, habitual colunista no Washington Post Magazine, adopta na edição deste fim-de-semana a costela de Adão para tema da sua diversão.

Resumidamente : uma vez que não tem o homem menos costelas que a mulher, concluiram alguns especialistas que a palavra hebraica "tsela" não terá o significado que durante séculos lhe foi atribuida.
Se Eva foi criada a partir de um osso, tal osso só pode ter sido retirado ... do pénis!
E porquê? Porque há osso (os baculum) no pénis dos gorilas, dos ursos, da foca macho cinzenta, e, ao que parece, na generalidade dos mamíferos. Por que não existe esse auxiliar viagral no homem? Porque o Criador o retirou para criar a sua obra-prima, a mulher.

Não será uma explicação científica mas é, certamente, uma metáfora mais plausível.


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Correl. - Terá sido o "Homo naledi" o doador?


Tuesday, February 03, 2015

A TEORIA DE TUDO


Emocionante, ainda que sensivelmente divergente em alguns detalhes da versão contada em Travelling to Infinity: My Life with Stephen de Jane Wilde Hawking (vd. aqui), detalhes que não distorcem a trama nuclear do filme.
Provavelmente o melhor filme de 2014.
Oito nomeações aos Óscares de 2015, incluindo melhor filme, melhor actor principal e melhor actriz principal.
A não perder. ****

Wednesday, October 29, 2014

INVESTIGAÇÃO CIENTÍFICA DO AVC


O acidente vascular cerebral é a principal causa de morte em Portugal, e não atinge apenas os mais velhos, dizem as estatísticas. Quais as causas? Eu não sei, não sou médico. Lemos e ouvimos que há factores que potenciam o risco de AVC. Mas AVC podem ocorrer em condições ainda não perfeitamente identificadas. É pela procura de factores suspeitos a aguardar confirmação que existe em Lisboa no Insituto de Medicina Molecular um dos três bancos do mundo de sangue colhido para surpreender o inimigo. 

A investigação científica realizada em Portugal mereceu hoje (dia internacional do AVC) uma reportagem no jornal da 20 horas da SIC que apenas pecou por ser apressada e não ter sido referido sequer o nome de quem se dedica apaixonadamente a uma luta que pode beneficiar a humanidade. 

Espelho de uma sociedade que conhece de cor e salteado os nomes de quem lhe faz vibrar os instintos mas ignora quem trabalha para, eventualmente, lhe salvar a vida.

Tuesday, October 28, 2014

BIG BANG NO VATICANO

“Quando lemos sobre a criação na Biblia corremos o risco de imaginar que Deus era um mágico com uma varinha de condão e capaz de fazer tudo. Mas isso não é verdade”, afirmou ontem o Papa Francisco na Academia Pontifícia das Ciências, admitindo que "as teorias científicas da evolução e do Big Bang estão correctas e que não são incompatíveis com a existência de Deus". O impacto destas palavras do Papa no seio da Igreja é incalculável mas é inevitável que com elas se derrubam muitas posições dogmáticas.
.
Recorde-se que, pela primeira vez na história da Igreja Católica, e provavelmente das de todos os credos religiosos, a comunidade científica é, por razões das exigências dos métodos em que se suporta, menos complacente na admissão da prova de uma teoria científica que uma comunidade religiosa. Por enquanto a Academia Real das Ciências da Suécia continua a aguardar essa prova necessária para atribuição do Premio Nobel* da Física à teoria que o Papa Francisco ontem já consagrou.
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*"Cientistas do Harvard-Smithsonian Center for Astrophysics (EUA) conseguiram detetar pela primeira vez ondas gravitacionais, o que constitui a primeira prova observacional da existência do Big Bang, o evento que deu origem ao Universo há quase 14 mil milhões de anos.

Os astrofísicos dizem que encontraram o sinal deixado pela expansão muito rápida do espaço logo a seguir ao Big Bang, fenómeno conhecido por inflação. Logo a seguir ao Big Bang significa uma fração de tempo de um bilionésimo de segundo (um segundo a dividir por um bilião).

"Detetar este sinal é hoje um dos mais importantes objetivos da cosmologia e há muita gente a trabalhar nesta área", afirma à BBC o investigador John Kovac, do Harvard-Smithsonian Center for Astrophysics, que lidera a equipa que fez a descoberta.

A BBC admite que, se esta descoberta for replicada por outras equipas de cientistas, estará garantido um Prémio Nobel para esta área de investigação".vd. aqui

Monday, August 25, 2014

UM TIPO ESQUISITO


Os antepassados dos caranguejos ferradura (horseshoe crabs para amigos e conhecidos) já existiam há 450 milhões de anos, muito tempo antes da idade dos dinossauros.
Deslocam-se desajeitadamente, e é difícil perceber porque desenvolveram aquela cobertura que parece imitar, por suprema inversão temporal, uma armadura da Idade Média. A cauda, diz-me quem os conhece de longa data, serve para os auxiliar a retomar a posição natural, se por qualquer circunstância se vêm de patas para o ar,  e defender-se de predadores.  
Têm sangue azul, e esse sangue salva muitas vidas humanas. Quem quiser saber por quê, ff. de ver aquiaqui, por exemplo.

Foram-nos apresentados ontem. Tivemos muito gosto em conhecê-los, senhores horseshoe crabs!

Friday, August 22, 2014

A OUTRA COSTELA

A longa guerra israelo-árabe parece interminável.
As sugestões para alcançar a paz são muitas, as tentativas poucas e débeis, de qualquer modo já foram atribuidos até agora nada menos que cinco prémios Nobel a título de grandes contributos para a paz no Médio Oriente: em 1978 a Mohamed Answar El-Sadat (presidente égípcio, que seria assassinado por fundamentalistas islâmicos três anos depois) e Menachem Begin, primeiro-ministro de Israel; em 1994, a Yasser Arafat, presidente da Autoridade Nacional Palestina, Shimon Peres e Ytzhak Rabin, primeiros-ministros de Israel. Para além de outros também envolvidos em esforços pela paz naquela zona do globo.

Como em qualquer conflito internacional, extremam-se as posições dos cidadãos comuns observadores externos sem nenhuma influência nos percursos da guerra. Regra geral, apoiam os palestinianos aqueles que, por uma razão ou outra, são críticos do domínio norte-americano, e vêm em Israel um posto avançado desse domínio no meio do mundo islâmico. Alinham por Israel aqueles, entre os quais me me incluo, que, olhando para a enormíssima desproporção de territórios e populações envolventes que ameaçam ou apoiam a ameaça da sua destruição, reconhecem-lhe o direito vital de se defender.
Têm os palestinianos direito a um território que seja a sua pátria? Sem dúvida.
Têm os judeus a um direito igual? Como negar-lho?
Se dois direitos são igualmente legítimos sobre o mesmo território, a única forma consentida pela lógica e pela física é a constituição de uma pátria israelo-palestiniana (ou vice versa) comum.
Mas esta é uma solução que os extremistas do Hamas, incitados pelo fundamentalismo islâmico apostado em dominar o mundo, liminarmente rejeitam, reclamando o fim da ocupação israelita, isto é, a expulsão dos judeus da terra que constituiu ao longo dos milénios em que foram obrigados a peregrinar pelo mundo a sua pátria de referência.

Não cabem, portanto, numa ponderação que rejeite em absoluto quaisquer argumentos, mais ou menos capciosos, de superioridade rácica de um povo sobre os restantes*, outras razões que não decorram da impossibilidade de alcançar a paz sem a coabitação dos povos envolvidos no conflito, eventualmente garantida durante o tempo julgado necessário por forças de intervenção da ONU no terreno.

Mas se é absurdo, e, mais que absurdo, detestável, porque relembra propósitos fundados em ideologias racistas, de que os judeus foram vítimas através da sua longa história de quatro milénios, não é racionalmente aceitável, por eventualmente politicamente incorrecto, que se ignore o sucesso dos judeus no meio de uma travessia frequentemente assaltada por perseguições e genocídios. É um facto ineludível que cientistas com ascendentes judeus têm contribuido, mais que nenhum outro, para os avanços da ciência observados nos últimos cem anos. Mas foi sempre assim?
Antes de mais, importa relembrar que a condição de "povo judeu" não se estabelece no mesmo plano de "povo americano" ou "povo português". A grande maioria dos galardoados de ascendência judaica por contributos relevantes para o avanço das ciências nasceu ou residiu, ou reside, nos EUA, sendo portanto jus solis ou por naturalização norte-americanos. Se essa fosse a intenção, o sucesso do "povo judeu" deveria comparar-se com o sucesso do "povo católico" independentemente das diferentes nacionalidades envolvidas em cada grupo. Mas a questão, como anotei ontem aqui é outra, a que não se responde fingindo ignorá-la: a que se deve o sucesso no campo científico dos descendentes judeus?

Importa, desde logo, referir que, tendo o povo judeu (ou a religião judaica, porque o judeu se caracteriza por pertencer originalmente a um grupo étnico que professa a religião judaica, admitindo no entanto no seu seio convertidos  e excluindo os convertidos a outras religiões) cerca de 4000 anos, o seu ascendente científico é relativamente tardio.

Os mais destacados pioneiros da teoria científica surgiram na Grécia (Tales de Mileto - c. 624 AC, Pitágoras - 580-500 AC, Zeno - c. 450 AC, Euclides - 323-285 AC, Arquimedes - 287-212 AC, além de outros), na China, Liu-Hui, - c.263 DC,  determinou o valor de pi com 4 decimais, Tsu Ch´ung-Chih e Tsu Keng-Chih, também chineses, no sec V DC, determinaram o valor de pi, com 7 decimais. A invenção do zero no sec. VI AD, é produto das civilizações chinesas e hindus, ibn Yhahya al-Samaw´al, no sec XII foi o primeiro a teorizar sobre o valor do zero. Note-se que al-Samaw´al nasceu em Fez, Marrocos, professava a religião islâmica mas seu pai era judeu. É ainda no fim do sec VI, princípios do sec VII que  hindus, com particular destaque para os tratados de Brahmagupta, tornam a álgebra  um ramo separado nas matemáticas. A história das matemáticas na Índia é cheia de exemplos de pessoas, algumas das quais, não académicos, possuiam uma extraordinária intuição matemática. Mas foram os islâmicos que unificaram o pensamento matemático de civilizações anteriores, desde a álgebra e aritmética tradicionais da Babilónia, da Índia e da China com as contribuições da geometria grega e helenística. Muhammad bin Musa al-Khuwarazmi (sec IX). persa, foi o fundador da álgebra tal como a conhecemos hoje. O nome álgebra deriva do título do seu compêndio. No sec XII, Al-Samaw´al, islâmico, filho de um judeu,  rabi de Marrocos, foi o primeiro a usar símbolos nos cálculo algébricos.  Durante seis séculos foi no Islão que floresceu a ciência. Copérnico (1473-1543), nascido em território actualmente polaco, realizou os seus estudos astronómicos a partir dos desenvolvimentos teóricos realizados no campo da trigonometria pelo persa Al-Tusi no sec XIII.

A partir do sec XVI o desenvolvimento do conhecimento científico transfere-se para a Europa mas nenhum dos grandes construtores da matemática até ao sec. XIX   (Napier, Pascal, Leibnitz, Berkeley, Isaac Newton Euler, Galois, Bolle, Cantor) tinha antepassados judeus.

Por quê, então, a tão flagrante quanto inusitada prevalência judaica nas listas dos vencedores dos prémios Nobel de ciência, atribuidos desde o primeiro ano do sec. XX?  Provavelmente existem muitas explicações mas, do meu ponto de vista, deve excluir-se, não por ser eventualmente politicamente incorrecta, mas por que nem a biologia nem a observação empírica o confirmam, qualquer superioridade rácica. E se a diferença não está no tipo de indivíduos terá de existir nas circunstâncias envolventes ao grupo: a religião que os incita a demonstrar que são parte do "povo eleito" e o ambiente de florescimento científico observado nas universidades dos EUA, o país que acolheu a grande maioria deles.
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Correl. - aqui
Comentei: Admitamos que a sugestão (aqui) BSS é ridícula, estúpida, sem sentido, enfim o que HM quiser. Qual é a sua? Esperar que se dizimem uns aos outros?
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Hamas fuzilou hoje 18 homens acusados de espionagem
À esquerda, rapaz na casa da família, destruida num ataque de Israel à cidade de Gaza

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Thursday, August 21, 2014

COM COSTELA DE JUDEU*

Passos Coelho disse há dias no discurso do Pontal que "o PSD tem inscrito no seu ADN a defesa dos interesses do país acima de quaisquer outros". Mas não disse que é o único partido que pode vangloriar-se dessa metafórica inscrição patriótica, até porque seria uma afirmação indemonstrável. Como é legítimo supor-se que não há partido nenhum que se vanglorie do contrário, a afirmação do lider do PSD foi apenas uma dessas tiradas demagógicas que excitam os adeptos mas não provam nem projectam nada. 

É hoje em dia muito frequente o uso metafórico do ácido desoxirribonucleico (ADN), uma molécula que incorpora instruções genéticas que activam o desenvolvimento de todos os organismos vivos conhecidos e muitos vírus, e a sua transmissão hereditária. Cientificamente, o ADN correlaciona os membros de um qualquer grupo de seres vivos  se existirem ligações biológicas ascendentes entre eles, sendo possível identificar as ligações dos membros de um grupo biologicamente caracterizável e a evolução desse grupo ao longo do tempo e do espaço. Provavelmente o grupo humano mais estudado até hoje é o geralmente denominado "povo judeu". Na Wikipedia, a entrada - Genetic Studies on Jews - é suficientemente esclarecedora da diáspora judaica. 

Vem todo este arrazoado a propósito da atribuição - cf. aqui -  à iraniana Maryam Mirzakhani do prémio "Fields" considerado o "Nobel"  da matemática. O que espantou, ou maravilhou,  a comunidade científica mundial foi o facto do "Fields" ter sido atribuido pela primeira vez a uma mulher e iraniana, condições que a inscrevem duplamente nos records da história da ciência. Maryam Mirzakhani é hoje professora nos Estados Unidos mas a sua formação universitária decorreu, até ao doutoramento, no seu país natal. Considerando as restrições à emancipação feminina na generalidade dos países islâmicos e, particularmente, no Irão, a fulgurante ascensão de Maryam é, a todos os títulos, notável.

Mas se as circunstâncias foram espantosamente ultrapassadas por Maryam, em que medida é que algumas marcações no ADN nos membros de um grupo, biologicamente relacionados entre si, ainda que remotamente, espacialmente dispersos em sub grupos, sobrelevam com uma frequência notável as circunstâncias no sucesso científico de um grupo de indivíduos?
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Judeus ou descendentes de judeus laureados com Prémio Nobel - cf. aqui- apresentam um sucesso impressionante relativamente ao número total de indivíduos do grupo, o que continua a colocar uma questão antiga ainda sem resposta aceitável: A que se deve o ascendente científico, medido em termos de prémios Nobel, dos judeus sobre os outros povos? O ADN? A religião, que os motivou, e motiva,  a cumprir o seu destino de povo eleito na Terra, tal como a doutrina calvinista da predestinação motivou os povos do Norte da Europa?

(Continua)
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Correl.-  Cristiano Ronaldo tem costela cabo verdeana
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* Este apontamento e o seguinte foram suscitados por um e-mail recebido há uns dias, mas que circula na internet há já bastante tempo, confrontando o sucesso científico dos judeus  traduzido na extensa lista de  prémios Nobel atribuidos com a lista quase em branco de prémios Nobel atribuidos a islâmicos. Com estes apontamentos, procuro demonstrar que se trata de uma perspectiva errada de observação do conflito que opõe israelitas e palestinianos, agora perigosamente potenciado pela intervenção desenfreadamente fanática e generalizada do "Estado Islâmico".

Thursday, March 06, 2014

DISCUSSÃO DO SEXO DOS SINAIS DE TRÂNSITO

O "Público", que ontem fez 24 anos, entregou por um dia a direcção da edição a Adriana Calcanhoto. Para além do suplemento dedicado ao Brasil, reteve a minha atenção um artigo - De onde veio o homem do chapéu que atravessa as passadeira?- que não passaria de uma mera curiosidade se a jornalista não tivesse ido buscar honorabilidade académica a uma tese de doutoramento defendida na Universidade de Aveiro em 2005 - Representações do masculino e do feminino na sinalética -. 

O tema suscitou, aliás, à directora do dia um artigo - O peão e o poeta - irónico, humorado, daquele humor colorido e quente, para  ser ouvido, quando lido, com a maviosidade da língua portuguesa falada no Brasil. A ironia de Adriana neste artigo - ao colocar Pessoa no sinal de trânsito - é mais perceptível se o correlacionarmos com o que ela escreve no Editorial Para tudo se acabar na quarta-feira - um título irónico na oportunidade para quem é directora por um dia, terça-feira de Carnaval. Pergunta Adriana: "Seria mesmo o fato, reza a lenda, de que ele tinha um pênis exageradamente pequenino e era o seu facetador, que o empurrava para ser outro homem qualquer que não seja ele mesmo?"
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Um achado, este de Adriana, e de chapéu, acessório que as damas ainda prezam depois dos cavalheiros o terem abandonado no bengaleiro, que involuntariamente reduz a tese do professor Bessa a uma discussão inútil apesar das suas longas trezentas e senta e duas páginas.