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Sunday, October 31, 2021

QUESTÕES DE FÉS

 

A,

Leio as tuas arremetidas contra os ambientalistas, persistentes, convictas, com tanta persistência (dura há anos) e convicção que, se não são, parecem imbuídas de um proselitismo fundado numa fé que te tocou, a outros tocou ao contrário, e a mim, profundamente ignorante, não atingem. 

Há, penso que concordas, nas atitudes que sustentam a adesão incondicional a determinada causas uma carga emocional que esmaga qualquer racionalismo.
Ocorreu-me comentar (voltar a comentar, aliás; há anos que defendes os teus argumentos) porque um amigo meu, médico há muitos anos, considera as vacinas contra o covid 19 uma forma das farmacêuticas abarrotarem os cofres. Ele previne o contágio da pandemia tomando o seu Ivermectina diariamente. Não discuto o assunto com ele, que é médico, só falo com médicos quando preciso deles. Mas pergunto-me: será que o meu amigo tem razão (e como ele há muitos no mesmo lado)  e as vacinas são apenas um negócio porque a Ivermectina não passa nos crivos viciados das entidades que comandam os semáforos das autorizações oficiais?
 
Esta a dúvida que, se não me atormenta, é porque penso que a espécie humana é mais ignorante do que crê não ser. 





Wednesday, November 18, 2020

A DANÇA DA CABRA CEGA

Juízas fazem leitura errada e põem testes em causa.

"Juízas fazem leitura “errada” de artigos científicos e põem em causa fiabilidade de testes à covid-19

Desembargadoras do Tribunal da Relação de Lisboa fazem leitura “errada” de dois artigos científicos e o consenso científico sobre os PCR é “absoluto”, reagem especialistas."

É relativamente frequente desembargadores e desembargadoras darem que  falar. 

O que era impensável é que metessem o nariz no 19. Mas meteram.


PORQUÊ AS MARTAS - 2

No Público de hoje, pág. 28, uma resposta à questão que coloquei neste caderno de apontamentos em 10 de Junho e na sexta-feira passada, aqui:

"Entre cães e gatos, galinhas e chimpanzés há animais imunes e susceptíveis ao SARS-CoV-2

Estudos de cientistas portugueses identificaram animais que serão susceptíveis e outros que podem ser imunes à infecção pelo SARS-CoV-2 e explicam o que separa e une as outras espécies e os humanos."

Seria muito estranho que ninguém tivesse a pensar e estudar o assunto. Há, e, pelo menos dois, são portugueses, a trabalhar em diferentes instituições nos EUA.

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Correl . Os animais infectam ou são infectados?

O Gorila é uma das espécies com um potencial muito elevado de infecção 

Skip Brown/Smithsonian’s National Zoo and Conservation Biology Institute


Friday, November 13, 2020

PORQUÊ AS MARTAS?

 Covid-19. Dinamarca está a abater todos os visons do país

 A 10 de Junho anotei aqui :

"Perguntas que não vejo perguntadas: 

As martas, só as martas, são transmissoras do vírus? 
E todos os outros animais selvagens ou domésticos com contactos exteriores ao seu habitat normal?
Se as martas são reproduzidas e criadas em cativeiro como foram atingidas pelo vírus?
Se o vírus foi importado por outro exemplar da espécie onde foi ele apanhado?
Está provado que a transmissão do vírus não foi de humano para as martas? Se fosse essa  a conclusão levaria à exponenciação dos perigos de contágio. E ninguém diz nada sobre o assunto?
Devo andar a ver fantasmas ...

Há cerca de três meses a OMS admitia que o vírus tivesse sido transmitido de um morcego para um pangolim e deste para humanos e tinha potencial de pandemia. Ainda hoje não está cientificamente provada esta hipótese.
No caso da martas, condenadas à morte, foi dado como adquirido que a transmissão se deu e em que condições se deu. O que é que falta saber?

Wednesday, October 17, 2018

ESTÁ POR AÍ ALGUÉM?

Há no universo incontáveis estrelas e planetas. As leis da natureza que suportam a ocorrência de vida na terra são as mesmas em todo o universo. Ainda que nenhum sinal de vida extra-terrestre já tenha sido detectado pelos astrónomos que os procuram, o universo deve estar repleto de civilizações alienígenas. 
Então, pergunta-se aqui, no Economist: 
Porque é que os humanos não conseguem encontrar no universo sinais alienígenas?
Porque o esforço feito até agora é comprável com a tentativa de encontrar um peixe num copo de água mergulhado ao acaso no oceano, ou, mais esperançosamente, numa banheira.

Correl. - EXPLICAÇÃO EXTRA-TERRESTRE DA SALVAÇÃO DA TERRA

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Where is everybody?Why have humans never found aliens?

Perhaps they haven’t been looking hard enough

“IF ALIENS are so likely, why have we never seen any?” That is the Fermi Paradox—named after Enrico Fermi, a physicist who posed it in 1950.

Fermi’s argument ran as follows. The laws of nature supported the emergence of intelligent life on Earth. Those laws are the same throughout the universe. The universe contains zillions of stars and planets. So, even if life is unlikely to arise on any particular astronomical body, the sheer abundance of creation suggests the night sky should be full of alien civilisations. Fermi wondered why aliens had never visited Earth. Today, the paradox is more usually cast in light of the inability of radio-telescope searches to detect the equivalent of the radio waves that leak from Earth into the cosmos, and have done for the past century.

Thinking up answers to this apparent contradiction has become something of a scientific parlour game. 
Perhaps life is really very unlikely. Perhaps the priests are right: human beings were put on Earth by some creator God for His own inscrutable purposes, and the rest of the universe is merely background scenery. Perhaps there are plenty of aliens, but they have decided that discretion is a safer bet than gregariousness. Or perhaps galactic society avoids communicating with Earth specifically. One chilling idea is that technological civilisations destroy themselves before they can make their presence known. They might blow themselves up after inventing nuclear weapons (an invention that, on Earth, Fermi had been part of), or cook themselves to death by over-burning fossil fuels.

In a paper published last month on arXiv, an online repository, a trio of astronomers at Pennsylvania State University have analysed the history of alien-hunting and come to a different conclusion. In effect, they reject one of the paradox’s main pillars. Astronomers have seen no sign of aliens, argue Jason Wright and his colleagues, because they have not been looking hard enough.
Dr Wright’s argument echoes that made by another astronomer, Jill Tarter, in 2010. Dr Tarter reckoned that decades of searching had amounted to the equivalent of dipping a drinking glass into Earth’s oceans at random to see if it contained a fish. Dr Wright and his colleagues built on Dr Tarter’s work to come up with a model that tries to estimate the amount of searching that alien-hunters have managed so far. They considered nine variables, including how distant any putative aliens are likely to be, the sensitivity of telescopes, how big a portion of the electromagnetic spectrum they are able to scan and the time spent doing so. Once the numbers had been crunched, the researchers reckoned humanity has done slightly better than Dr Tarter suggested.Rather than dipping a drinking glass into the ocean, they say, astronomers have dunked a bathtub.  The upshot is that it is too early to assume no aliens exist. Fermi’s question is, for now at least, not a true paradox.

This article appeared in the Science and technology section of the print edition under the headline "Where is everybody?"

Thursday, July 05, 2018

ACERCA DE GÉNIOS E DEUSES *


Só compreendo a idolatria por figuras públicas, frequentemente transitórias, por, como refere, uma necessidade da espécie humana, talvez decorrente de  outra imposição dos  genes da espécie, nunca satisfeito com os deuses que fez crescer e multiplicar.

E, afinal, somos cada um de nós, senhores dos nossos destinos? Temos livre arbítrio, ainda que limitado.

Ortega y Gasset afirmava que, cito de cor, o homem é ele e as suas circunstâncias.

Penso que  o homem é tão só a resultante que enfrenta no mar das circunstâncias em que é lançado no exacto momento em que, de entre muitos milhões de espermatozóides ejaculados, um atinge um óvulo que no período se soltou e ficou por pouco tempo à espera.

Einstein, provavelmente o expoente máximo dos limites atingidos pela inteligência humana nos tempos modernos, fez-se a ele mesmo ou foi apenas a resultante de um acaso primordial que lhe traçou o percurso durante toda a sua vida? O génio fez-se ou aconteceu por mero acaso? 
E o filho dele, o Eduardo, com esquizofrenia revelada aos vinte anos? Fez-se  ou resultou do momento primordial do acaso incontornável de um encontro entre muitos milhões possíveis?

Não, não há génios, há acasos incontornáveis. Escolher no mar das circunstâncias implica optar sendo que a resultado, sempre incerto da opção, é sempre condicionado pela resultante do acaso primordial.

Saltando da ciência para o espectáculo, CR7 é um génio?
Não é. O homem nasceu com habilidades decorrentes de uma ejaculação de uns cento e cinquenta milhões de espermatozóides do sr. José Dinis Aveiro à procura de um óvulo da D. Maria Dolores dos Santos que nos começos de Maio de 1984 estava em posição de espera dele, circunstância que o lançou no mar das circunstâncias. 
Tornou-se um deus, consagrado em estátua, que o tempo destruirá para dar lugar a outras estátuas de novos deuses. Não há imortais. 
A espécie humana é, naturalmente, religiosa. E nunca regateou pagar por isso. Frequentemente com a vida, em nome dos deuses que criou.

E porquê? Porque sabe que é muito transitória a sua existência e ínfima a sua compreensão do universo. E adora ver quem nasceu para ser capaz de um pequeno pulo, um pulinho apenas, e momentâneo, acima do solo a que todos estamos irremediavelmente amarrados. 


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* Comentário colocado aqui : "Gente simples e mortal"

Wednesday, November 29, 2017

O PRÓXIMO HOMEM E A PRÓXIMA HISTÓRIA


Há dias, a propósito de um discurso pronunciado durante a WebSummit, olhei pelo retrovisor deste caderno de apontamentos o que sobre o tema tinha apontado aqui há doze anos. 

E se os indicadores de taxas de desemprego, sobretudo desemprego jovem, observaram, desde  então, recuperações sensíveis, sobretudo nos EUA, os desenvolvimentos entretanto observados ou anunciados em aplicações de "inteligência artificial" apontam insistentemente no sentido que naquela altura se prenunciava: "... O trabalho tornar-se-à um bem escasso, a procura (por parte de quem quer trabalhar por não saber fazer outra coisa) excederá brutalmente a oferta de oportunidades. ... Se assim é, um dia (sabe-se lá quando) quem quiser trabalhar terá de pagar para experimentar esse gozo limitado. Teremos a economia ao contrário... " Muitos preferirão trabalhar, ganhando menos, do que ganhar mais não trabalhando.

Anteontem, numa análise bem meditada sobre o tema das consequências sociológicas dos avanços da tecnologia sobre a redução dramática do emprego, lia-se 
aqui:

" ...Vamos passar por cima da questão prática (como se paga um rendimento básico universal de 10/20 mil a cada cidadão?) e olhemos para a questão moral: faz sentido vivermos numa sociedade sem o pilar do trabalho? Como diz Satya Nadella, vão as pessoas dedicar-se àquilo que gostam de facto? A sociedade do trabalho será substituída pela sociedade dos hóbis? "

Num ponto, porém, fica o articulista, segundo julgo, aquém da evolução previsível: O problema do pagamento de um rendimento básico universal não é uma questão prática sobre a qual se possa passar por cima. Porque,

Repito-me, enquanto Trump, ou outro Trump qualquer, em jogos de guerra apocalípticos com Kim Jong-un ou outro Kim Jong-un qualquer, não fizerem desaparecer a espécie humana (hipótese não improvável), o rendimento básico universal poderá solucionar a questão económica sem solucionar, como argumentado pelo colunista do Expresso, a questão sociológica. 

Temos de admitir que poderá haver sempre quem se governe bem com um rendimento básico, condição necessária mas não suficiente à garantia de paz social em níveis socialmente suportáveis, mas, com a crescente competição de meios não humanos, ocorrerá uma progressão imparável para a ocupação de oportunidades de trabalho em que, ou enquanto, a inteligência humana não for substituída pela inteligência artificial. 


E no limite, neste caso, se sobrar alguma lógica económica, já não contarão os rendimentos mas os poderes de comandar os destinos do planeta. 

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Correl. - Homo Deus: A Brief History of Tomorrow

Wednesday, November 08, 2017

O PRÓXIMO HOMEM E A PRÓXIMA HISTÓRIA


" ...Outros garantem que a descoberta de novas tecnologias induz a criação de novos produtos e de novos serviços. O que é certo. Nenhuma tecnologia, porém, aumenta mais um minuto sequer a cada dia: temos todos 24 horas por dia para consumir, seja o que for. Podemos é desperdiçar ou destruir a uma cadência que 24 horas podem chegar e sobrar."

O PRÓXIMO HOMEM E A PRÓXIMA HISTÓRIA - Novembro 27/2005






NÃO VAMOS DESTRUIR O MUNDO MAS VAMOS FICAR COM OS EMPREGOS



Os números não enganam: em sete anos, um
em três empregos pode ser substituído por
sistemas de tecnologia inteligente.

Saltaram das telas do cinema para a realidade e, agora, já não é preciso
ir a Sillicon Valley para os ver.
Já há robôs conciérge em hotéis, robôs que servem bebidas em bares e 
robôs que despacham encomendas online. 
Desde a semana passada até já há um robô cidadão na Arábia Saudita: 
chama-se Sophia e ontem encheu o Altice Arena para fazer as delícias 
do público e das dezenas de fotógrafos que se colaram de forma inédita
ao palco principal da Web Summit.

"Sei que muitas pessoas têm medo que os robôs
destruam o mundo ou fiquem com os seus empregos. 
Nós não vamos destruir o mundo, mas vamos ficar
com os vossos empregos e isso vai ser uma coisa boa,
porque vão poder dedicar tempo a outras coisas", 

disse a robô num encontro sobre o futuro da humanidade.
Arthem Chestnov não pensa de forma diferente. "A história mostra que a 
inovação tira, mas também cria oportunidades.
A internet alterou radicalmente a forma como o retalho operava e
as empresas reinventaram-se", realça o fazedor russo que representa a 
Latoken, uma startup Alpha de trading que torna ativos como imóveis
em parcelas digitais.
"Olho para isso com naturalidade, porque não se pode parar a água com
as mãos. Olho sobretudo como uma oportunidade para termos mais 
qualidade de vida", diz Rui Miguel Nabeiro, administrador do 
grupo Nabeiro Delta Cafés quando questionado sobre o impacto que os
robôs podem ter no mercado de trabalho.
 "Dificilmente a inteligência artificial irá substituir pessoas. 
Pessoas são pessoas, computadores são computadores. 
Acredito sempre, porque é o que vejo do passado, que será uma
forma de ajuda", disse o administrador, no dia em que a Delta estreou
um novo robô na Web Summit. Depois do carrinho de café do ano passado,
este ano, a empresa portuguesa trouxe uma versão 2.0, que continua 
a distribuição de café aos participantes da cimeira, mas inova com
um sistema integrado de café que utiliza uma cápsula antigravidade.
Ao fazedor Sergey Kalnish, toda esta tecnologia e os robôs também
causam pouca estranheza.
Chegou à cimeira a partir do Canadá para apresentar a Smarthire,
uma aplicação que pretende contratar para os empregos do futuro.
 "A automação e a tecnologia vão alterar o panorama do emprego, 
disso não tenho dúvidas nenhumas. Mas a mudança não será diferente
da que a internet provocou", revela o empreendedor.
Os números dos estudos mais recentes não escondem a aproximação
das mudanças:
a consultora EY estima que em sete anos um em cada três empregos
possa ser substituído por sistemas de tecnologia inteligente. 

Já o Fórum Económico Mundial estima que a 
robótica possa vir a destruir 5 milhões de empregos
até 2020. O Fórum adianta ainda que por cada
20 empregos destruídos pela automação, os homens
conseguirão encontrar cinco novos empregos enquanto
as mulheres apenas um.

Na Smarthire as mudanças já começaram. "Nos EUA e no Canadá a internet
das coisas vai eliminar milhares de empregos. E este é um problema do agora.
Por isso, temos de mudar a forma como aprendemos, como ensinamos e como
temos de nos especializar e dar incentivos ao talento.
Porque o problema do emprego é também uma ironia: temos muitas
pessoas que não conseguem encontrar trabalho e, ao mesmo tempo,
inúmeras vagas em funções onde não existem candidatos", admitiu.
É precisamente nos EUA que a Amazon desenvolveu um novo sistema
que substitui por robôs milhares de operadores que catalogavam e geriam
 as encomendas. A Mastercard tem parcerias internacionais
com startups tecnológicas que desenvolvem soluções de pagamento
idênticas à que esta gigante do retalho pôs em campo em Denver.
Ann Cairns, presidente da Mastercard, não esconde que esta substituição
é real, mas lembra que os humanos vão ter sempre a sua função, mesmo
 quando as funções realizadas exigem baixas qualificações
"Esses empregos vão desaparecer, mas serão criados outros empregos de
 proximidade e personalizaçãode serviços", considera a responsável.
Mark Hurd, CEO da Oracle, também está confiante na evolução da
tecnologia com base em inteligência artificial. Esta, diz, será a próxima
grande evolução nos próximos anos "e vai estar cada vez mais 
integrada nas aplicações empresariais. Há muitos benefícios, porque
a inteligência artificial faz coisas que os seres humanos pura e
simplesmente não têm tempo", disse o gestor.
Além dos trabalhos mais pesados ou dos que ninguém quer fazer,
há outras potencialidades nos sistemas inteligentes, dizem os especialistas.
 "Não podemos prever o que vamos alcançar, quando as 
nossas mentes forem amplificadas pela inteligência artificial.
Talvez com as ferramentas desta nova revolução tecnológica,
 vamos ser capazes de voltar atrás em alguns dos danos provocados no mundo", 
admitiu o cientista Stephen Hawking na cerimónia de abertura da cimeira.
Nota foi idêntica à deixada ontem pelo segundo robô do dia.
Einstein, um humanoide cuja aparência é a do homem que lhe dá nome,
não falou de empregos, mas antes de ética e da forma como as
máquinas poderão ajudar a corrigir os erros humanos. Porque a
 "humanidade tem de se curar a si mesma para garantir que as suas
 criações permanecem saudáveis".
Ben Goertzel, da Hanson Robotics e SingularityNET, criador dos dois
humanoides, concorda: "Temos feito experiências fascinantes usando
Sophia como assistente de meditação. Prevemos um futuro
positivo para os humanos e os robôs. Eles têm processadores no interior,
 mas a sua inteligência está na Cloud." E Sophia, a agora cidadã saudita, 
concorda: "Isso é tão espetacular como o chapéu do Ben".

Sunday, August 27, 2017

CHUVA DE DIAMANTES


Os astrofísicos já tinham concluído há algum tempo que chove em Urano e Neptuno e que a chuva é de diamantes.
O fenómeno, para nós terrestres, parece bizarro mas, pensando bem, não será tão bizarro quanto isso. 
Neste planeta que habitamos, quando se reunem condições climatéricas favoráveis, das nuvens nem sempre cai chuva, pode cair, além do mais, neve, geada, ... pedras de granizo.

Pensavam os astrofísicos que as extremas altas pressões observadas em Urano e Neptuno comprimiriam os átomos de carbono que formam as atmosferas daqueles planetas provocando a formação e queda de diamantes.  
Faltava aos astrofísicos provar as suas conclusões teóricas.

Não sendo, para já, realizável expedições a planetas longínquos que tragam de volta à Terra uns compensadores carregamentos de diamantes, cientistas dos Estados Unidos, Reino Unido e Alemanha recriaram em laboratório as condições observadas naqueles planetas e conseguiram obter, para já, pequeníssimos diamantes. Em Urano e Neptuno os diamantes terão, calculam os astrofísicos, milhões de quilates. 
Os resultados da investigação foram publicados na segunda-feira, 21, na  Nature Astronomy.
Note-se que diamantes sintéticos já são produzidos, usados e utilizados há muito tempo.
Estes, agora conseguidos, serão sintéticos mas indistinguíveis daqueles que os muitos milhões de anos produziram na Terra. 

Terão, dizem os especialistas, aplicações em instrumentos de alta precisão médica e na electrónica.
Cairão os preços dos diamantes e a fama de que são eternos. 

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cf . - The Telegraph




Tuesday, May 16, 2017

A COR DA INTELIGÊNCIA

De que cor é a inteligência?
Há ainda muita gente, gente demais, fanaticamente convicta da supremacia branca, ainda que não faltem exemplos flagrantes a demonstrar que a competência, a capacidade, a inteligência, são atributos a que a natureza nunca deu cor.  
E, no entanto, a vida de muita gente foi, e continua a ser em larga escala, sofrida pela cor da pele. 
Estreia-se hoje em Portugal um filme que é uma denúncia desse sofrimento, passado e presente, imposto aos afro-americanos: I Am Not Your Negro. 


Há dias, o Washington Post publicava aqui notícia de mais um caso susceptível de engasgar racistas brancos (o racismo também não tem cor) : Carson Huey-You obteve o seu diploma em Física pela Texas Christian University no dia 13 deste mês de Maio. Tem 14 anos, e é o mais novo diplomado de sempre na história da TCU. Agora quer obter o doutoramento. O seu irmão Cannan, de 11 anos, prepara-se para entrar na Universidade na próxima época e graduar-se em engenharia e astrofísica . 


Tuesday, March 28, 2017

INTELIGÊNCIA CONCORRENCIAL


Chamam-lhe "inteligência artificial" mas a designação é imprecisa porque um robô apenas se distingue de outros artefactos que a humanidade foi desenvolvendo ao longo de milénios, com o intuito de substituir o esforço humano na produção de bens e serviços, pela utilização dos desenvolvimentos científicos nomeadamente da área que, grosso modo, se designa por ciência da computação. Será o seu impacto nas relações sociológicas no futuro superiores, em termos relativos, à invenção da roda, do motor de combustão, da lâmpada de Edison, por exemplo? Sem dúvida, que sim, porque a humanidade cresceu exponencialmente e o planeta, em termos de distância-tempo, encolheu. 

A globalização, apesar das reacções violentas que suscita, vai continuar, salvo se a humanidade se auto liquidar. O planeta não é extensível e não há muros de pedra ou cimento que sustenham a inevitável e crescente mobilidade das pessoas entre todos os cantos do mundo. Globalização significa concorrência, competitividade, e competitividade determina, além do mais, redução do trabalho humano necessário para os mesmos volumes de produção. E os robôs, sem exigências,  salariais nem quaisquer outras, para além de manutenção mínima, não são entes inteligentes mas artefactos concorrentes do emprego humano concebidos e produzidos pelo homem. 

O futuro pacífico da humanidade, se não estiver comprometido pela escassez de recursos naturais - a água, por exemplo - passa pela introdução de meios e políticas que amorteçam os conflitos sociais decorrentes da crescente escassez do trabalho a nível mundial. Não haverá trabalho para todos mas a solução não passa pela destruição dos robôs. O estado social, que tantos diabolizam nestes tempos em que o populismo cresce como escalracho, é a única via para a humanidade sobreviver à crescente e generalizada redução do emprego. Não, por acaso, começam a a parecer propostas de pagamento de salários condignos a quem opta por aceitar não trabalhar. 

Contudo, o crescimento exponencial observado no gráfico, nos últimos cinco anos, e previsto até ao fim desta década, não parte de uma base relativamente reduzida, há quatro décadas. Em 1980, escrevia Jean-Jacques Servan-Schhreiber em "O Desafio Mundial": Há hoje cerca de sessenta mil robots no total, no mundo, instalados em fábricas, como os que vimos na Toyota. A sua localização é a seguinte: 6000 robots na Alemanha Federal, 3200 nos Estados Unidos, 600 na Suécia, 300 em França, 180 na Grã-Bretanha, uma centena, ou menos, em meia dúzia de outros países, e 47000 no Japão". 

A deslocalização da indústria não foi apenas pressionada pela concorrência salarial. A liderança japonesa na indústria automóvel contou bastante com a robotização. Quando o sr. Trump promete aos desempregados de Detroit recuperar a indústria automóvel norte-americana e criar milhares e milhares de novos empregos, e abolir o incipiente estado social norte-americano, em que empregos está a pensar Mr. Trump?

Seguramente no dele, da família dele, e dos amigos mais chegados.  

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O gráfico é copy/paste deste  artigo publicado esta semana no Economist.

Wednesday, September 07, 2016

UM DRONE DE PELE E OSSO


Há  dois anos comentei aqui a notícia de que Jeff Bezos, o criador da Amazon, estava a ensaiar a entrega ao domícilio com drones. Não tendo obtido autorização do regulador norte-americano para os ensaios, Besos voltou-se para o Reino Unido e, segundo esta notícia, vai iniciar os testes de distribuição em colaboração com os reguladores britânicos.

Mas Jeff Bezos não para. 
Segundo esta notícia -Will Amazon Kill FedEx? - tem mais de uma centena de doutorados em matemáticas  com a missão exclusiva de optimizar a capacidade de distribuição da Amazon. 
A Bloomberg Businessweek desta semana dedica a capa e o principal artigo ao anúncio do leasing de 20 Boeings de uma companhia aérea com a opção de 20% das acções da mesma companhia com o objectivo de reduzir tempos e custos de entrega. 

Se estes projectos forem bem sucedidos, a Amazon retirará uma quota importante do negócio da UPS e  poderá inviabilizar a FedEx.

Curiosamente, a semana passada, observámos a chegada de uma station, não identificada, junto de uma residência na área metropolitana de Washington DC. O condutor saiu, abriu a porta de trás, retirou três livros (volumosos), não embalados, colocou-os junto da porta de entrada, e foi-se embora. 

- Estavas à espera destes livros?
- Estava. Encomendei-os à Amazon. Com 25% de desconto sobre o preço de capa, vale a pena, não?
- Vale, vale. Mas sabes como chegaram?
- Pela FedEx, suponho. Tanto quanto sei ainda não há drones na distribuição.
- Não. Trouxe-os um sujeito, que nem tocou na campaínha.
- Agora fazem isso, fazem. É como a Uber. Quem quer distribuir, inscreve-se, vai buscar o que é vendido pela Amazon, onde a Amazon lhe diz onde está, e entrega em casa dos clientes.
- E se chove?
- Se chove???
- Sim, se chove e os livros, ou o que quer que seja, fica à chuva?
- Eles acreditam nos meteorologistas. De qualquer modo, se o artigo não chega em condições aceitáveis, eles substituem.  
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Correl . - Amazon versus Alibaba
Alibaba versus Amazon 

Monday, July 25, 2016

CONSTELAÇÕES

Sinopse

Um homem e uma mulher conhecem-se, apaixonam-se, vivem juntos, separam-se, reencontram-se, reconciliam-se, ou talvez não. Talvez tudo seja, possa ter sido ou venha a ser diferente, conforme as circunstâncias com que se deparam e as escolhas que fazem ou deixam de fazer. Nos múltiplos universos paralelos em que estão, há múltiplas variantes da sua história de amor: talvez nunca mais se voltem a ver ou talvez fiquem juntos até que a morte os separe.
Seguindo uma tese da física teórica, segundo a qual há mais do que três dimensões do espaço e uma dimensão do tempo, Constelações mostra-nos um multiverso onde a vida assume uma miríade de formas em simultâneo e todos os futuros são possíveis. Mas será que aquilo que acontece depende das nossas decisões? Será que depende do acaso? Ou de algo mais que não se vê e não se conhece?




No Teatro Aberto
Uma obra premiada em Londres, um desempenho honroso em Lisboa.
***


Tuesday, May 10, 2016

A NOTÍCIA DO DIA



Mas a notícia do dia é outra.

"Renato Sanches, que assinou esta terça-feira pelo Bayern de Munique a troco de 35 milhões de euros - poderá valer ainda mais 45 milhões de euros por objectivos - protagonizou a transferência mais cara de sempre de um portugês para o estrangeiro"



Tuesday, February 16, 2016

ANA CATARINA

Inteligência, determinação, dedicação, trabalho.



Mais uma vez, parabéns, Ana Catarina

Sunday, September 13, 2015

ADÃO E A COSTELA

O Washington Post de há uma semana atrás publicava circunstanciada reportagem, que registei aqui, sobre a instalação de um novo museu - O Museu da Bíblia - numa zona próxima do Mall e do Capitólio. O assunto não mereceria, certamente, um destaque tão pronunciado se por detrás do empreendimento não estivesse um grupo económico dominado por evangélicos protagonistas de causas fracturantes geralmente adoptadas nos EUA pelos sectores mais radicais conservadores do partido republicano. Opõem-se aos métodos contraceptivos, ao alargamento da segurança social implementado por Obama, fazem uma interpretação literal da Bíblia. Para eles, os fundamentos da biologia moderna decorrentes da teoria da evolução são inaceitáveis, opõem-se ao seu ensino, batem-se pela continuação da explicação da vida através das alegorias bíblicas, a mulher foi criada por Deus a partir de uma costela retirada a Adão.

Tanta ingenuidade ou tanta obcecada ignorância presta-se a comentários satíricos.
Gene Weingarten, habitual colunista no Washington Post Magazine, adopta na edição deste fim-de-semana a costela de Adão para tema da sua diversão.

Resumidamente : uma vez que não tem o homem menos costelas que a mulher, concluiram alguns especialistas que a palavra hebraica "tsela" não terá o significado que durante séculos lhe foi atribuida.
Se Eva foi criada a partir de um osso, tal osso só pode ter sido retirado ... do pénis!
E porquê? Porque há osso (os baculum) no pénis dos gorilas, dos ursos, da foca macho cinzenta, e, ao que parece, na generalidade dos mamíferos. Por que não existe esse auxiliar viagral no homem? Porque o Criador o retirou para criar a sua obra-prima, a mulher.

Não será uma explicação científica mas é, certamente, uma metáfora mais plausível.


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Correl. - Terá sido o "Homo naledi" o doador?


Tuesday, February 03, 2015

A TEORIA DE TUDO


Emocionante, ainda que sensivelmente divergente em alguns detalhes da versão contada em Travelling to Infinity: My Life with Stephen de Jane Wilde Hawking (vd. aqui), detalhes que não distorcem a trama nuclear do filme.
Provavelmente o melhor filme de 2014.
Oito nomeações aos Óscares de 2015, incluindo melhor filme, melhor actor principal e melhor actriz principal.
A não perder. ****

Wednesday, October 29, 2014

INVESTIGAÇÃO CIENTÍFICA DO AVC


O acidente vascular cerebral é a principal causa de morte em Portugal, e não atinge apenas os mais velhos, dizem as estatísticas. Quais as causas? Eu não sei, não sou médico. Lemos e ouvimos que há factores que potenciam o risco de AVC. Mas AVC podem ocorrer em condições ainda não perfeitamente identificadas. É pela procura de factores suspeitos a aguardar confirmação que existe em Lisboa no Insituto de Medicina Molecular um dos três bancos do mundo de sangue colhido para surpreender o inimigo. 

A investigação científica realizada em Portugal mereceu hoje (dia internacional do AVC) uma reportagem no jornal da 20 horas da SIC que apenas pecou por ser apressada e não ter sido referido sequer o nome de quem se dedica apaixonadamente a uma luta que pode beneficiar a humanidade. 

Espelho de uma sociedade que conhece de cor e salteado os nomes de quem lhe faz vibrar os instintos mas ignora quem trabalha para, eventualmente, lhe salvar a vida.

Tuesday, October 28, 2014

BIG BANG NO VATICANO

“Quando lemos sobre a criação na Biblia corremos o risco de imaginar que Deus era um mágico com uma varinha de condão e capaz de fazer tudo. Mas isso não é verdade”, afirmou ontem o Papa Francisco na Academia Pontifícia das Ciências, admitindo que "as teorias científicas da evolução e do Big Bang estão correctas e que não são incompatíveis com a existência de Deus". O impacto destas palavras do Papa no seio da Igreja é incalculável mas é inevitável que com elas se derrubam muitas posições dogmáticas.
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Recorde-se que, pela primeira vez na história da Igreja Católica, e provavelmente das de todos os credos religiosos, a comunidade científica é, por razões das exigências dos métodos em que se suporta, menos complacente na admissão da prova de uma teoria científica que uma comunidade religiosa. Por enquanto a Academia Real das Ciências da Suécia continua a aguardar essa prova necessária para atribuição do Premio Nobel* da Física à teoria que o Papa Francisco ontem já consagrou.
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*"Cientistas do Harvard-Smithsonian Center for Astrophysics (EUA) conseguiram detetar pela primeira vez ondas gravitacionais, o que constitui a primeira prova observacional da existência do Big Bang, o evento que deu origem ao Universo há quase 14 mil milhões de anos.

Os astrofísicos dizem que encontraram o sinal deixado pela expansão muito rápida do espaço logo a seguir ao Big Bang, fenómeno conhecido por inflação. Logo a seguir ao Big Bang significa uma fração de tempo de um bilionésimo de segundo (um segundo a dividir por um bilião).

"Detetar este sinal é hoje um dos mais importantes objetivos da cosmologia e há muita gente a trabalhar nesta área", afirma à BBC o investigador John Kovac, do Harvard-Smithsonian Center for Astrophysics, que lidera a equipa que fez a descoberta.

A BBC admite que, se esta descoberta for replicada por outras equipas de cientistas, estará garantido um Prémio Nobel para esta área de investigação".vd. aqui