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Wednesday, December 06, 2017

TOUT VA TRÈS BIEN, MADAME LA MARQUISE


"Primero fue la Eurocopa, en enero llegó la ONU, en mayo la Eurovisión y este diciembre el Eurogrupo. Portugal copa los titulares de los medios para incredulidad de los expertos en la materia. Al margen de los éxitos por las habilidades con el balón y con la canción, las direcciones en la secretaría general de la ONU y en el Eurogrupo revelan unos triunfos de la diplomacia lusa que van mucho más allá de su peso económico. En enero António Guterres tomó posesión de la secretaría general de la ONU y este diciembre Mário Centeno presidirá el Eurogrupo, el sanedrín de los ministros de Finanzas de la zona euro..." aqui


"... A líder parlamentar interina do BE duvidou que a eleição do ministro das Finanças português altere a natureza da instituição e o poderio alemão. "A pergunta que os portugueses fazem é se será Mário Centeno, por ser português e pertencer ao PS, pode fazer a diferença nesta instituição que só tem representado ataques à democracia e mais austeridade. Entendemos que prevalece a natureza da instituição", disse Mariana Mortágua, que falava aos jornalistas no parlamento.    O PCP considerou que a eleição nada traz de positivo para Portugal e advertiu que combaterá eventuais tentativas do Governo de acentuar restrições ao investimento público. "O PCP alerta para o uso que o Governo do PS, no quadro das suas opções e em sintonia com as do PSD e do CDS, venha a fazer desta decisão para acentuar a recusa ou limitações às medidas necessárias ao desenvolvimento do país", afirmou o eurodeputado comunista João Ferreira. O Partido Ecologista "Os Verdes" (PEV) reagiu "sem surpresa", alertando que Portugal não deve sujeitar-se a uma "submissão maior" à União Europeia. "Os Verdes reiteram a sua preocupação, no sentido de que esta eleição não venha a representar, em qualquer circunstância, uma submissão maior à União Europeia e aos condicionamentos da Zona Euro, o que, a acontecer, seria profundamente negativo para Portugal", lê-se num comunicado do PEV."aqui


Saturday, August 26, 2017

O CALCANHAR DE CENTENO

É a Dívida Pública.

Segundo, aqui,
"O responsável pelas Finanças anunciou (ontem) que "a dívida pública em 2017 reduzirá o seu peso no PIB de 130,3% para 127,7%", objectivo que representa uma revisão em baixa de duas décimas comparativamente com os 127,9% estimados pelo Executivo no PE."

Hoje, em artigo mesmo jornal publicado aqui, a partir dos dados do Banco de Portugal, referentes a Junho, divulgados aqui esta semana, visualizam-se os andamentos mais recentes das dívidas das famílias e das empresas, em baixa, e da dívida pública outra vez a subir. 








Conseguirá Centeno descalçar este par-de-botas e aliviar-nos o calcanhar?
Acredite quem quiser.
Ou sinta obrigação disso. 

Sunday, May 21, 2017

É PRECISO PREPARAR UM PLANO DE REDUÇÃO DA DÍVIDA

"É preciso preparar um plano de redução da dívida em relação ao produto para aumentar o grau de fortaleza e resistência da economia. Gostava de ver esse plano, era muito importante que existisse"

A afirmação é do sr. Horta Osório em entrevista do DN e TSF publicada aqui, e vale a pena uma leitura atenta, não apenas porque o entrevistado é um banqueiro de mérito internacionalmente reconhecido mas porque conhece bem a realidade portuguesa e a discussão acerca da redução da dívida pública um tema que ultrapassa agora claramente a quase não discussão acerca do nível do défice. 
Mas é possível reduzir a dívida (ou estabilizar o seu valor nominal com propõe Olivier Blanchard em entrevista do Expresso) sem continuar a aumentar o saldo primário para reduzir o défice? Como?

É preciso preparar um plano de redução da dívida. Gostaria de ver esse plano, diz ele. 
E digo eu.
O que ele não diz é como se pode reduzir a dívida. 
E o entrevistador também não perguntou. É uma pecha de alguns jornalistas esquecerem-se das questões mais importantes. 

Toda a gente tem uma receita, a mais comum, aumente-se o investimento para fazer crescer a economia.
Como?

Pois é: o diabo está nos como

Friday, September 09, 2016

O COMBÓIO DOS LOUCOS

 Nuno G.,

Não discordo das premissas nem dos seus cálculos mas reafirmo a minha discordância quanto às conclusões.

Subscrevo inteiramente a primeira parte do primeiro período do seu primeiro artigo, que reconhece que:

não se trata de um fenómeno português;
- não sendo uma coisa recente, ..., o discurso político no espaço público é fundamentalmente um conjunto de variações sobre a diabolização do adversário, para deleite das classes dos partidos;
- esse fenómeno aumenta exponencialmente nas redes sociais, onde predomina o ódio e insulto em detrimento de qualquer debate racional;

Do que discordo é que a progressiva redução da quota do eleitorado flutuante, os ciclos políticos ou o número de deputados em disputa em cada eleição sejam causas da crescente diabolização política.

Não são. Porque se:

- não se trata de um fenómeno português (o que é muito evidente para quem se encontra minimamente informado sobre o que, a este respeito, se passa fora do nosso país)
- não é uma coisa recente (o que também é muito evidente para quem tenha uma noção razoável do caminho da história),

o aumento da diabolização para deleite das classes políticas resulta do aumento exponencial das redes sociais onde predomina o ódio e o insulto em detrimento de qualquer debate racional.

Se há redução do eleitorado flutuante é porque os media em geral, e não apenas as redes sociais, ampliam os ódios e insultos partidários, empurrando, deste modo, os "infiéis" para a escolha de um dos credos em confronto. Na transmissão televisiva dos debates cada intervenção parlamentar é uma disputa de afirmação pessoal do orador.
E a redução do número de lugares de deputado em jogo é consequência natural da redução do número de eleitores sem credo.

Por outro lado, os ciclos políticos resultam dos ciclos económicos, quaisquer que sejam os factores provocadores das suas fases.
Atravessamos tempos de grande incerteza, sem fim à vista.
A política, ausência ou excesso de políticas, e, muito criticamente, a política financeira da União Europeia, só por si, é factor fracturante mais que suficiente para exacerbar os confrontos ideológicos e extremar posições.  Não por acaso, as abordagens serenas desta questão tão crítica para o futuro de todos os membros da UE em geral e da Zona Euro, em particular,  vêm de fora da Europa.

Há saída "limpa" para este impasse?
É talvez o pressentimento, até o pânico, de que não há saída ao fundo deste túnel sem fim à vista, em que hesita entre andar e recuar o combóio da UE, que mais exalta os ânimos dos passageiros.



Tuesday, August 16, 2016

E AGORA, ANTÓNIO?

"A DBRS - única agência de rating entre as quatro a que o BCE recorre para avaliar a dívida pública dos países que atribui grau de investimento à dívida portuguesa – mostra-se preocupada com o fraco crescimento (+0,2%) registado pela economia portuguesa no segundo trimestre deste ano" - aqui


"As taxas de juro implícitas na dívida portuguesa voltaram a negociar acima dos 2,8%, depois de a DBRS ter deixado alguns alertas sobre a evolução da economia e o seu impacto no "rating" do país. A taxa de juro implícita na dívida de Portugal a 10 anos está a subir 12,7 pontos base para 2,819%, depois de esta manhã ter chegado a renovar o mínimo de Janeiro, ao negociar nos 2,673%." - aqui

Há uma saída que não conduz a lado algum: culpar as agências rating.
Quanto às outras, seria bom que os principais partidos se entendessem. Lamentavelmente, parece que não pode esperar-se que isso aconteça mesmo que aconteçam eleições antecipadas mais cedo do que muita gente a partir de certa altura passou a supor.

Monday, June 20, 2016

ESTÁ OUTRA VEZ O BURRO NAS COUVES

"Só nos primeiros quatro meses deste ano, os bancos emprestaram mais 1615 milhões em crédito à habitação. Há sete meses que a procura de casas não atingia valores tão altos."  - aqui

Os níveis de poupança dos portugueses estão em queda desde 2014.
Os juros baixos desanimam as poupanças de particulares, aumentam o consumo privado, incentivam investimentos em habitação própria ou expectante.
Por outro lado, os juros baixos dos empréstimos bancários aliciam o investimento em habitação, para habitação própria, secundária ou especulação, impulsionando os preços.

Que parte dos empréstimos bancários é financiado pela poupança interna e que outra parte é crédito importado? 
Entretanto, de investimento produtivo continuamos sem notícias.

Foi assim, é sempre assim, que caímos e voltaremos a cair na armadilha da dívida externa.
E a banca (e a Caixa) se afundou e nos afundou.

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Correl. - (21/06) - Os preços as casas dispararam 6,9% no primeiro trimestre deste ano

Sunday, December 13, 2015

VOLTANDO A KRUGMAN

Ontem registei aqui mais um apontamento de Krugman - Debt and Demographic Debt Spirals - sobre a situação social, económica e financeira, em Portugal. O artigo suscitou muitos comentários de leitores norte-americanos (67, no momento em que componho estas linhas), alguns dos quais merecem a atenção de quem se interessa por estas questões porque nos dão, de algum modo, uma ideia da imagem de Portugal no contexto da União Europeia observada por quem vive do lado de lá numa grande e relativamente antiga união de estados federados. 

Krugman e outros economistas norte-americanos, de entre os quais é elementar destacar Stiglitz, têm dedicado bastante a sua atenção à evolução da situação na UE, sobretudo depois da erupção da crise de 2008 na Europa. E o seu diagnóstico não pode ser mais claro: a política de austeridade, liderada pela Alemanha, para enfrentar a crise iria agravá-la e seriam os países periféricos do sul da Europa os mais atingidos por essa política, segundo eles, errada. É esta perspectiva que está subjacente ao artigo de Krugman publicado ontem. 

O tema tem pontas múltiplas e não se puxa uma por inteiro sem puxar todo o incomensurável novelo.
Limito-me hoje a uma prometida* brevíssima reflexão sobre dois pontos:

- O financiamento do pagamento de pensões geridas pelo Estado em sistema de pay as you go apresenta vulnerabilidades evidentes em conjuntura económica deprimida, fustigada por dois factores cumulativamente negativos: desemprego e emigração.
A alternativa dos sistemas de capitalização, por outro lado, tem demonstrado poder ser ainda menos segura quando os mercados financeiros são abalados pela sua própria natureza e desses abalos não sabem como escapar. 
A conjugação mista dos dois sistemas, e de todas as suas variantes, permanecerá sempre sob a ameça do, até agora, inevitável comportamento dos ciclos económicos. 
Resumindo: Se as crises são inevitáveis, resta-nos tentar minimizar as suas consequências. E, em Portugal, não fez isso, fez-se o contrário.

A leitura do gráfico editado por Krugman, que transcrevi ontem, deve acompanhado da leitura de, pelo menos, outros dois gráficos.



É muito evidente (primeiro gráfico) qua a dívida pública portuguesa subiu abruptamente na última década tendo o número de activos começado a decrescer só a partir de 2009 quando se fizeram sentir os efeitos da contracção provocada pelas medidas de austeridade. A conclusão parece-me óbvia: não foi o défice demográfico natural que provocou o aumento fulgurante da dívida mas as medidas de austeridade (erradas ou não, evitáveis ou inevitáveis,  é outra questão) que provocaram o desemprego e a aceleração do fluxo emigarório (que já vinha de trás) e o refluxo da imigração,aumentando o défice demográfico total.

O gráfico seguinte, por outro lado, evidencia até que ponto a irresponsabilidade do sistema financeiro, importando crédito ao sabor das vantagens dos interesses de banqueiros e de políticos, colocou o país em posição de cheque-mate perante a raínha Merkel.

E.T. - Nada do que afirmo contraria a evidência de que a redução da população activa contrai a base de incidência dos impostos e ameaça dramaticamente a capacidade do Estado solver os seus compromissos na ordem externa e interna.

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 * Vd. aqui

Thursday, August 13, 2015

QUEM SE IMPORTA?

O saldo das transacções correntes deteriorou-se durante o primeiro semestre do ano corrente ameaçando recair na situação de défice crónico que conduziu ao insuportável nível de endividamento, público e privado, que condiciona actualmente o crescimento económico sustentado do país. 
Quem se importa com isso? O meu Amigo JMPM importa-se. Enviou-me há dois dias o desabafo que transcrevo abaixo. Mas a questão passa completamente ao lado da generalidade da população portuguesa.
.
Pode proibir-se ou desanimar-se a importação de determinados produtos ou serviços lícitos? Não pode. Desde logo porque os tratados que subscrevemos não consentem, depois porque nenhum governo, qualquer governo, arriscaria apontar aos portugueses  as consequências perversas para a economia  do País de algumas das suas escolhas. É matéria em que nenhum partido, no governo ou na oposição, se arriscará a pôr as mãos.
.
A RTP, p.e., enquanto empresa supostamente de serviço público, poderia divulgar factos e números que elucidassem a população das consequências no plano nacional e individual das suas escolhas. Mas faz o contrário. Um dos programas mais populares da estação de televisão pública - O Preço Certo - encaminha os telespectadores para  compra de tralha geralmente inútil.
.
Somos atavicamente os maiores consumidores de bacalhau, e gabamo-nos disso. É todo importado. No dia em que houvesse a mais ténue referência pública para a extravagância deste recorde mundial, ia a casa abaixo. Mas somos também dos maiores consumidores de pescado em geral, que importamos em grande parte. Li há dias que a fruta preferida dos portugueses é o abacaxi. Por outro lado, Portugal é um mercado onde a BMW e Mercedes conseguem, nestes tempos de crise, os crescimentos de vendas mais significativos. Um suíço compra uma bicicleta "made in Suiça" e prefere os produtos alimentares de origem local, ainda que sejam relativamente mais caros. Os portugueses arregalam o olho para marcas estrangeiras e produtos exóticos. 

Não há nada a fazer?
Há, mas quem pode não deixa.
Ouvimos vezes sem conta que "os portugueses viveram acima das suas possibilidades". Independentemente da averiguação - que portugueses?-, é importante notar que só vive acima das suas possibilidades quem recebe crédito. O mesmo é dizer que a balança comercial se desequilibra quando o crédito concedido pelos bancos aumenta superando a poupança interna retida. A importação de crédito, que anima o prato da importação da balança comercial, é da responsabilidade dos bancos e actividades correlativas. É nessa sede que a questão se pode derimir numa zona monetária inacabada. 

Para além, obviamente, do equilíbrio das contas públicas que tarda em reflectir-se na inversão do crescimento da dívida. Que, em todo o caso, segue a regra geral: a dívida pública aumenta em grande medida pelo crédito obtido por quem tutela os interesses do Estado.
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"Li com preocupação os resultados das importações, agora divulgados pelo INE, durante o 2º trimestre deste ano: 9% a mais que em 2014. Considerando o crescimento das exportações,  já com 7 e tal por cento, um esforço admirável que o País está a fazer - sobretudo a gente do Norte - assim não dá nunca. Não pode dar. Isto é uma vergonha. Até o INE tenta esconder. Mesmo com ficheiros Excel, não mostra com clareza. Mas podia.

É assim: Segundo o INE, num quadro do Relatório em PDF - que não vem no Excel ! -, temos a seguinte estrutura de gastos com as importações no tal 2 ºtrimestre deste ano.

. 13% para produtos alimentares e bebidas (mas não discrimina o que são os produtos alimentares e sobretudo as bebidas, mas devem ser em grande parte os Continentes, os Pingos Doces, os Cortes Ingleses, etc, etc, etc, que continuam a importar como se o Pais fosse rico, e nós com tanta coisa boa para comer.... Ainda bem que não sou eu o Ministro da economia. Senão tinhamos sarilho.
  
. Indústria e maquinaria . Aqui Ok, nada a dizer porque é fundamentalmente investimento
. Combustiveis, nada a fazer, mas nós exportamos de Sines e a coisa lá se vai compondo
. Agora carros (alemães na sua maioria), respectivas peças e bens de consumos (lojas da moda e o que mais sei lá?)  quase 30%? Não. O governo tem que intervir. Quer queiram quer não. E mais: tem de dar o exemplo, com a frota de carros do Estado. Isto não pode continuar assim, se não não nunca vais haver IRSs, IVAs, Etc, etc, etc, que cheguem para alimentar esta malta. Não me admirava mesmo nada que este assunto fosse explorado politicamente pelo AC do PS. Claro, põem-se a jeito e depois que se queixem.  
Abç zm" 


20142015
Produtos alimentares e bebidas ??? 13.1%13.2%
Industria+maquinaria  43.2%42.4%
Combustiveis importados 16.8%15.3%
Carros + peças e bens de consumo gerais26.9%29.1%
100.0%100.0%

Thursday, July 09, 2015

LA DONNA È MOBILE

Dona Christine Lagarde tem dias. 
As notícias desta manhã dão conta que a directora-geral do FMI declarou ontem que a dívida da Grécia tem de ser reestrurada e que os gregos precisam de mais 50 biliões de euros para se desatascarem e levantarem a cabeça. 
Espantoso?

Um pouco, mas não tanto assim.
Sua Excelência tem vindo ao longo do seu mandato a dar provas de ter a cabeça mal arrumada: umas vezes bate-se por medidas de políticas austeridade, depois afirma que essas medidas foram longe de mais e não resultaram, depois volta a insistir que sem mais medidas de austeridade não há mais apoio do FMI, recentemente avisou a Grécia de que ou pagava no dia 30 de Junho os 1,5 milhões devidos nesse dia ou cortava-lhe a coleta. 
Nunca se tinha visto nada assim: um país, dito desenvolvido, não pagou mesmo. 

Dias depois, foi publicado um relatório do FMI, - vd. aqui -, que os países da Zona Euro quiseram bloquear- vd. aqui -, que reconhecia, além do mais, que a dívida grega requer uma reestruturação e o sistema financeiro grego uma injecção de 50 milhões de euros. Tal e qual o que a srª. Lagarde disse ontem, sendo certo que quando ainda dizia o contrário o relatório já lhe tinha sido distribuido. 

É a senhora Lagarde volátil por conta própria? Duvida-se. Desde logo porque as contradições entre relatórios do FMI e as declarações e imposições dos seus técnicos integrados na troica são frequentes. Depois porque Madame Lagarde deve ter recebido indicações para olhar para o mapa e perceber onde se situa a Grécia.

A rematar as suas declarações, Christine Lagarde fez questão de esclarecer que as medidas de excepção aplicáveis à Grécia não podem ser estendidas aos outros países intervencionados, i.e., Portugal e a Irlanda.

O que dirá o primeiro-ministro de Portugal a isto?
E o candidato ao lugar?



Saturday, June 27, 2015

TSÍPRAS, OS GREGOS, E O PLEBISCITO*


Tsípras talvez tenha anunciado a noite passada o Plano B com que partiu para as negociações com os parceiros europeus na UE logo que ganhou as eleições e assumiu o governo em Atenas. Por onde passa esse plano B, uma vez desencadeado o processo de anúncio da consulta popular, não sabemos, mas espera-se que Tsípras saiba. Ou, pelo menos, saiba por onde quer que ele passe. 

Tsípras, contrariamente ao que o termo que usou significa, e os media estão a replicar, não convocou um referendo, convocou pelo menos três. Que, implicitamente, implicam o plebiscito do regime que defende.

Sabe-se que a opinião pública grega é, por um lado, muito maioritariamente favorável à permanência no euro mas, por outro, a maioria apoia a actução de Tsípras no modo como tem conduzido as alegações de defesa dos interesses e da dignidade dos gregos  em Bruxelas. Acontece, contudo, que a permanência no euro não é compatível com a recusa das propostas dos credores, que o governo de Atenas considera um ultimatum. E Tsípras, ao mesmo tempo que anunciava a consulta popular para 5 de Julho, fez saber que irá fazer campanha pelo Não à aceitação do ultimatum. O mesmo é dizer, pela saída do euro.

Se vencer o Não, abre-se a Caixa de Pandora, e ninguém pode calcular como se propagam os efeitos dos diabos à solta. Saindo do euro, sairá da UE? Sairá da Nato? Ainda é possível algum recuo? Quando Samaras, o anterior primeiro-ministro grego, aventou a hipótese de um referendum na Grécia foi rapidamente dissuadido por Berlim e Bruxelas. Mas nessa altura ainda estavam por parquear no BCE muitos empréstimos de bancos alemães, franceses, holandeses, ... e Samaras não é Tsípras.
Se vencer o Sim, Tsípras não tem alternativa senão demitir-se, provocando eleições legislativas antecipadas.


Segunda-feira começa o teste. Tsípras disse que não imporá controlo de capitais e os bancos abrirão como de costume. Sendo improvável que os gregos, na dúvida de qual será o resultado daí a uma semana,  não corram para lá a sacar os seus depósitos em euros, os bancos abrirão para fecharem pouco depois. A menos que o Plano B de Tsípras, se existe, continue a surpreender-nos.

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 *  vd. aqui,
( ), podemos dizer que plebiscito é uma consulta ao povo antes de uma lei ser constituída, de modo a aprovar ou rejeitar as opções que lhe são propostas; o referendo é uma consulta ao povo após a lei ser constituída, em que o povo ratifica ("sanciona") a lei já aprovada pelo Estado ou a rejeita. Maurice Battelli, de fato, define plebiscito como a manifestação direta da vontade do povo que delibera sobre um determinado assunto, enquanto que o referendo seria um ato mais complexo, em que o povo delibera sobre outra deliberação (já tomada pelo órgão de Estado respectivo).
 -
Marcello Caetano (  ) definia o referendo como um processo próprio de uma conjuntura governativa instituída, enquanto que o plebiscito seria próprio de tomadas de decisão que visassem alterações profundas na estrutura do regime político governante (em geral, da própria Constituição).
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Pensionista grego e fila de gente junto a ATM

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 (05/07)

Grecia decide hoy el destino del euro y de la Unión Europea 

El resultado del referéndum no garantiza en ningún caso la salida de la crisis. La votación es un plebiscito sobre el primer ministro - cf. aqui

Monday, June 01, 2015

O INVESTIMENTO DILETO DOS PORTUGUESES

"Portugueses compram 21 mil carros em Maio. Nos primeiros cinco meses de 2015, o mercado matriculou 92.605 veículos automóveis." - cf. aqui

O crescimento das vendas de automóveis em Portugal já não pode atribuir-se apenas à recuperação da queda durante os primeiros anos da crise porque, por um lado, a tendência excepcionalmente crescente já perdura há mais tempo do que o período de contracção sem que tal evolução tenha qualquer correspondência com o aumento de poder de compra dos portugueses em geral, e por outro porque são sobretudo notáveis os crescimentos das vendas de viaturas de gama alta.

Explicação para este entusiasmo automóvel em tempo de crise só pode encontrar-se, parece-me, em dois factores: 

- A redução das taxas de juro que, por um lado, incentiva a expansão de crédito para este tipo de investimentos, que irão contribuir para a retoma do desequilíbrio da balança comercial, e, por outro, desincentiva a poupança, desencaminhando-a para o consumo e equipamentos domésticos, em grande parte importados, reforçando a tendência referida para o desequilíbrio das contas com o exterior provocado pelo aumento do crédito.

- O aumento em tempos de crise dos rendimentos das classes sociais mais abonadas, para o crescimento espantoso das vendas de automóveis de gama alta.
Se as operações de "Quantitative Easing" do BCE vieram aliviar significativamente o custo da dívida das economias mais fragilizadas, ainda que muito tardiamente, os efeitos económicos poderão estar a desviar-se bastante dos objectivos supostamente pretendidos: a liquidez injectada nos mercados não está a dirigir-se ao investimento produtivo mas sobretudo para o consumo e operações financeiras especulativas. 

Os taxas dos depósitos a prazo são agora, salvo um ou outro caso para captura de clientes novos, quase nulas; nestas condições, os depositantes preferem a liquidez dos depósitos à ordem ao rendimento exíguo dos depósitos a prazo. Os certificados de aforro e os certificados do tesouro, apesar de tudo mais compensadores que os depósitos a prazo, também não são competitivos com a tentação do consumo.

E, assim, os automóveis vendem-se como pãezinhos quentes.
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Correl. - (16/06) - "Portugal continua a liderar o crescimento das vendas de carros na Europa" - cf. aqui - " Em Portugal, a venda de carros novos totalizou 18.343 unidades em Maio - um crescimento de 33,1% face ao mesmo mês do ano anterior. Este aumento, que é o mais expressivo de toda a Europa, compara com um crescimento médio de 1,3% na União Europeia."
 

Sunday, March 29, 2015

AFIRMA VAROUFAKIS

"Quando, nos princípios de 2010, o governo grego deixou de poder pagar os débitos da Grécia aos bancos franceses, alemães e gregos, manifestei-me contra o pedido de um enorme novo empréstimo que acabaria por ter de ser pago pelos contribuintes europeus. Dei três razões ..."  vd. aqui ou aqui, se preferir a tradução em espanhol.
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Quem pode discordar?
Em finais de Outubro de 2013 anotei aqui: Do que precisamos mesmo é de outra coisa
Entretanto, as circunstâncias alteraram-se, escapámos àquele segundo resgate, mas as ameaças mantêm-se, e a minha convicção é a mesma.
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ATHENS – A German television presenter recently broadcast an edited video of me, before I was Greece’s finance minister, giving his country the middle-finger salute. The fallout has shown the potential impact of an alleged gesture, especially in troubled times. Indeed, the kerfuffle sparked by the broadcast would not have happened before the 2008 financial crisis, which exposed the flaws in Europe’s monetary union and turned proud countries against one another.
When, in early 2010, Greece’s government could no longer service its debts to French, German, and Greek banks, I campaigned against its quest for an enormous new loan from Europe’s taxpayers to pay off those debts. I gave three reasons.
First, the new loans did not represent a bailout for Greece so much as a cynical transfer of private losses from the banks’ books onto the shoulders of Greece’s most vulnerable citizens. How many of Europe’s taxpayers, who have footed the bill for these loans, know that more than 90% of the €240 billion ($260 billion) that Greece borrowed went to financial institutions, not to the Greek state or its people?
Second, it was obvious that if Greece already could not repay its existing loans, the austerity conditions on which the “bailouts” were premised would crush Greek nominal incomes, making the national debt even less sustainable. When Greeks could no longer make payments on their mountainous debts, German and other European taxpayers would have to step in again. (Wealthy Greeks, of course, had already shifted their deposits to financial centers like Frankfurt and London.)
Finally, misleading peoples and parliaments by presenting a bank bailout as an act of “solidarity,” while failing to help ordinary Greeks – indeed, setting them up to place an even heavier burden on Germans – was destined to undermine cohesion within the eurozone. Germans turned against Greeks; Greeks turned against Germans; and, as more countries have faced fiscal hardship, Europe has turned against itself.
The fact is that Greece had no right to borrow from German – or any other European – taxpayers at a time when its public debt was unsustainable. Before Greece took any loans, it should have initiated debt restructuring and undergone a partial default on debt owed to its private-sector creditors. But this “radical” argument was largely ignored at the time.
Similarly, European citizens should have demanded that their governments refuse even to consider transferring private losses to them. But they failed to do so, and the transfer was effected soon after.
The result was the largest taxpayer-backed loan in history, provided on the condition that Greece pursue such strict austerity that its citizens have lost one-quarter of their incomes, making it impossible to repay private or public debts. The ensuing – and ongoing – humanitarian crisis has been tragic.
Five years after the first bailout was issued, Greece remains in crisis. Animosity among Europeans is at an all-time high, with Greeks and Germans, in particular, having descended to the point of moral grandstanding, mutual finger-pointing, and open antagonism.
This toxic blame game benefits only Europe’s enemies. It has to stop. Only then can Greece – with the support of its European partners, who share an interest in its economic recovery – focus on implementing effective reforms and growth-enhancing policies. This is essential to placing Greece, finally, in a position to repay its debts and fulfill its obligations to its citizens.
In practical terms, the February 20 Eurogroup agreement, which provided a four-month extension for loan repayments, offers an important opportunity for progress. As Greece’s leaders urged at an informal meeting in Brussels last week, it should be implemented immediately.
In the longer term, European leaders must work together to redesign the monetary union so that it supports shared prosperity, rather than fueling mutual resentment. This is a daunting task. But, with a strong sense of purpose, a united approach, and perhaps a positive gesture or two, it can be accomplished.

This is an updated and extended version of a post at yanisvaroufakis.eu.
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