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Saturday, January 25, 2025

A BESTA QUADRADA

A designação que é título deste apontamento ouvi-a há dias a um contador de histórias da música na Antena 1. O contador não se aventura no seu programa por carreiros políticos mas naquele dia a sua aversão ao personagem do dia veio ao de cima.
A mim também. 
Tanto que recordei aqui a sugestão obtida através da IA para a caracterização do indivíduo.

R -  Without a doubt, you are the beast!
T -  Yes! Just an incredible beast. The biggest and best beast that’s ever existed! A lot of people tell me I am the greatest beast of all time! They do! In fact, I can do no wrong! Just an incredible and historic beast. The likes of which the world has never seen!
 R - You are the best beast! 
 T -  Yes I am! There has never been a beast like me! The biggest and best beast in all of history! All the experts will tell you this!
 
Trump, o grande negociador, segundo dizem, pela Gronelândia, o Canadá e o Panamá, confirmará o que já prometeu a Putin: a Ucrânia, para começar, e mãos livres para avançar;
a Xi Jinping a liberdade absoluta nos mares da China e arredores.
Depois, logo verão.
 
Para já, a Primeira-Ministra Dinamarquesa, rejeita a proposta do magnata; mas, pensa Trump, tudo tem um preço e dinheiro não lhe falta.

 

---

Mette Frederiksen disse ao Presidente dos EUA que o território autónomo da Dinamarca "não está à venda". Trump respondeu "de forma agressiva e confrontante" e ameaçou com taxas específicas. 
O Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, teve uma “conversa acalorada” com a primeira-ministra dinamarquesa, Mette Frederiksen, devido à sua decisão de comprar a Gronelândia, avança o Financial Times.
De acordo com o jornal britânico, cinco altos funcionários europeus afirmaram que a conversa telefónica de 45 minutos entre Trump e Frederiksen, na semana passada, “correu muito mal”.
O líder norte-americano respondeu “de forma agressiva e confrontante” aos comentários da primeira-ministra dinamarquesa, depois de esta ter sublinhado que a ilha, uma parte autónoma da Dinamarca, “não está à venda”.
 “Ele (Trump) foi muito firme. Foi um duche frio. Era difícil levá-lo a sério antes, mas agora penso que é sério e potencialmente muito perigoso“, disse um dos funcionários europeus ao FT.
Outro ex-funcionário dinamarquês, também informado sobre a chamada, disse ao FT que Trump ameaçou tomar “medidas específicas contra a Dinamarca, como tarifas específicas”.
Em resposta a estes relatos, o gabinete de Frederiksen disse que “não reconhece a interpretação da conversa dada por fontes anónimas”.
 “Na conversa, a primeira-ministra referiu-se às declarações do presidente regional Múte B. Egede de que a Gronelândia não está à venda e afirmou que é a própria Gronelândia que decide sobre a sua independência”, afirmou o governo dinamarquês num comunicado de 15 de janeiro, a data em que teve lugar a conversa entre os líderes.
Mute B. Egede afirmou estar aberto a negociar com os Estados Unidos e disse ter “iniciado um diálogo e começado a explorar possibilidades de cooperação com Trump”, mas sublinhou que a ilha “não está à venda”.
Na terça-feira o ministro dos Negócios Estrangeiros dinamarquês avisou que nenhum país pode servir-se da Gronelândia.
 “Não podemos ter uma ordem mundial em que os países, se forem suficientemente grandes, (…) podem servir-se uns dos outros como quiserem”, declarou Lars Lokke Rasmussen aos jornalistas no dia seguinte à tomada de posse de Donald Trump em Washington.
Antes da sua chegada à Casa Branca, Trump afirmou que não excluiria o recurso à força militar ou a sanções económicas para se apoderar da Gronelândia.
 Os EUA têm uma base no norte da ilha ao abrigo de um acordo de defesa alargado com a Dinamarca, assinado há sete décadas, que inclui a possibilidade de uma maior presença militar americana.
A ilha, com dois milhões de quilómetros quadrados (80% cobertos de gelo) e uma população de apenas 56 mil habitantes, tem um novo estatuto desde 2009 que reconhece o seu direito à autodeterminação.
A maioria dos partidos e a população defendem a separação da Dinamarca, mas metade do orçamento da ilha depende da ajuda anual de Copenhaga e as tentativas de obter receitas das suas riquezas minerais e petrolíferas falharam até agora devido às dificuldades e ao elevado custo da extração."

Thursday, October 03, 2024

NO INFINITO CAMINHO DA ESTUPIDEZ DA ESPÉCIE HUMANA

Trump, ouvi anteontem na rádio, voltou a reafirmar que continua a incentivar Putin a atirar-se contra os membros da NATO com contribuições em falta para a Organização.
 
Trump, já se sabe, diz uma coisa e a contrária com a maior desfaçatez deste mundo. 
O mesmo Trump tem ameaçado e repetido que desmantelará a NATO ou, com o mesmo objectivo, retirará os EUA da NATO, e que os outros membros da Organização se defendam com os seus próprios meios. 
E, pela dedução mais benevolente do que diz Trump, a incumbência que este dá a Putin, de combater os membros da NATO com as quotas em atraso, é uma forma de suscitar o reforço dos meios de defesa, nomeadamente dos europeus, da ameaça real que o autocrata Putin e seus admiradores e seguidores, representa para as sociedades onde a liberdade de expressão sustenta todo o sistema em que a grande maioria dos que nelas vivem se movimentam e assim querem continuar.
 
Trump já disse, inequivocamente, que, se for eleito, resolverá a guerra na Ucrânia e no Médio Oriente em três tempos. 
Quanto à Ucrânia, a jogada de Trump é clara: retira o apoio militar dos EUA e, implicitamente, entrega aquele país a Putin, porque a União Europeia não tem poder defensivo e, ainda muito menos poder ofensivo, para se opor a Putin. Daí o único sentido lógico, cínico, que pode retirar-se das afirmações: paguem os compromissos que assumiram como membros da NATO, e defendam-se porque os norte-americanos não vão continuar a envolver-se nas guerras na Europa.
Entretanto continuam a chover, quase diariamente, notícias de chuvas arrasadoras de drones e mísseis de espécies diversas sobre as cidades da Ucrânia, incluindo massacres da historicamente lendária. capital, Kyiv.
 
Quanto ao Médio Oriente, o mais que Trump pode fazer é manter, e eventualmente reforçar, o apoio dos EUA a Israel, mas não resolverá um conflito que pode chegar a colocar Trump, do lado de Israel, frente a Putin, claramente apoiante do Irão, e, inequivocamente, apoiado pelo regime teocrático iraniano. 
A guerra alastra-se, são milhões os que de Gaza e Líbano, fogem dos bombardeamentos constantes, sem que do lado Israel e, agora, declaradamente, do Irão se vislumbre o caminho, ainda que mínimo, para a paz. De cada lado, o objectivo continua a ser a completa eliminação do outro. 

Se a União Europeia claudica com a derrota dos ucranianos, fragmentar-se-á, porque dentro dos frágeis muros da UE há vários dos seus membros que saltarão alegremente para o lado inimigo. 
Friamente, a questão que se coloca aos europeus do campo liberal democrático  é quem ficará do seu lado?

Se alguns membros não estão disponíveis para suportar, e reforçar, os custos financeiros de uma defensiva da sua vontade de se manterem livres, que motivação lhes sobrará para meterem as botas no terreno e, de armas nas mãos, defenderem a sua liberdade que tanto querem preservar?
 
Trump, que cada um lhe chame o que quiser, pode ganhar as eleições porque os norte-americanos estão divididos por fracturas aparentemente insanáveis:
o direito ao aborto, intransigentemente combatido pelos evengélicos, 
o direito à opção de orientação sexual, (no Economist de hoje realça-se uma questão perturbadora para os renitentes conservadores republicanos: Was Abraham Lincoln gay?), 
a política de imigração, para um país feito por imigrantes.
E a defesa da democracia liberal na União Europeia não é tema que, decididamente, os motive. 

Se Trump perder as eleições em 5 de novembro, é muito provável que venha a repetir-se a trama que gizou em 2020 - ler artigo sobre esta hipótese - e uma guerra civil nos EUA não é seguramente improvável. 

Por cá, o tema é, socialmente, indesejável para motivo de uma conversa, mesmo entre amigos e, politicamente, repugnante a qualquer partido político que não tenha intuitos suicidas. Aliás, agora, entretidissímos à volta da aprovação do Orçamento ou eleições antecipadas à vista, cada lado a tentar que seja o outro o responsável, aos olhos dos eleitores, pela eventual antecipação das eleições.
 
Pergunte-se, mas ninguém pergunta, aos candidatos à presidência da República Portuguesa para suceder a Marcelo Rebelo de Sousa, que posição deve ser assumida pelo povo português para defesa da civilização ocidental, e eles gaguejarão.
Marcelo Rebelo de Sousa, enquanto ainda no cargo, assobiará o ti-ro-liro.
Gouveia e Melo, um candidato ainda não assumido, já tomou posição em entrevista, vd. aqui de Vítor Gonçalves há três semanas. 
 
"Devem os portugueses envolver-se num eventual confronto da Rússia contra qualquer país da NATO?
Resposta inequívoca de Gouveia e Melo: sim. Sei que ninguém quererá ouvir que tropas portuguesas participem numa guerra. Os militares não gostam da guerra. Mas não podem ignorar que ou nos defendemos ou seremos esmagados. Não podemos, não devemos, renunciar a combater se as ameaças de confronto se concretizarem. Devemos preparar-nos para essa hipótese e falar claro aos portugueses. É fundamental falar claro."

--- Informação correlacionada:

Palavras duras contra a NATO eram tática de "negociação", diz Trump Candidato às presidenciais dos EUA, Donald Trump, acusa os países europeus membros da NATO de não fazerem a sua parte na despesa militar, dando por adquirido que podem contar com os Estados Unidos como escudo defensivo. 

Trump says he would encourage Russia to attack Nato allies who pay too little

Which countries in the Nato alliance are paying their fair share on defence? . c/p aqui

Cost share arrangements for civil budget, military budget and NATO Security Investment Programme

Cost share arrangements for civil budget, military budget and NATO Security Investment Programme
Nation Cost share "at 32" following the accession of Sweden
Valid as from 7 March 2024 until 31 December 2024
Albania 0.0882
Belgium 2.0447
Bulgaria 0.3552
Canada 6.6840
Croatia 0.2910
Czechia 1.0259
Denmark 1.2744
Estonia 0.1213
Finland 0.9057
France 10.1940
Germany 15.8813
Greece 1.0273
Hungary 0.7380
Iceland 0.0624
Italy 8.5324
Latvia 0.1550
Lithuania 0.2493
Luxembourg 0.1645
Montenegro 0.0283
Netherlands 3.3528
North Macedonia 0.0756
Norway 1.7267
Poland 2.9015
Portugal 1.0194
Romania 1.1931
Slovakia 0.5014
Slovenia 0.2212
Spain 5.8211
Sweden 1.9277
Türkiye 4.5927
United Kingdom 10.9626
United States 15.8813
TOTAL NATO 100.0000

 

Thursday, September 12, 2024

FALAR CLARO

Grande Entrevista: - Gouveia e Melo - Os portugueses conheceram-no pelo seu trabalho no processo de vacinação da COVID 19. É atualmente Chefe do Estado Maior da Armada.

Foi assim que Vítor Gonçalves entrevistou Gouveia e Melo, muito sobretudo porque tem sido muito referenciado como possível próximo Presidente da República. Uma hipótese que praticamente teve a sua origem logo que foi reconhecidamente bem sucedida a sua capacidade e determinação de organizar o combate civil a um fantasma que assustou a generalidade dos portuguses e, afinal, quae todos os povos do mundo: a pandemia “covid 19”. 
A ciência tinha feito um trabalho notável na criação de vacina contra o flagelo, ainda que muitos a tenham descreditado. Uma vez criada a vacina, tratava-se de organizar o combate operacional com a arma disponibizada pela ciência. Gouveia e Melo, uma vez incumbido de organizar e dirigir esse combate, foi, inquestionavelmente, bem sucedido e os portugueses, em geral, reconhecm-lhe esse mérito. 

Não sendo muito evidente que outra personalidade possa, mais reconhecidamente, assumir funções para presidir à República, Gouveia e Melo tem vindo a ser colocado pelas sondagens como preferido pelos portugueses para a função. Haverá outros com estatura e mérito equiparado. Talvez Guterres, se Guterres se dispuser a candidatar-se renunciando às actuais funções de Secretário-Geral das Nações Unidas para as quais foi eleito até meados de 2026; as presidenciais em Portugal ocorrerão em Janeiro de 2026.

Vítor Gonçalves perguntou a Gouveia e Melo se pensa em candidatar-se à presidência da Republica.
Insistiu na pergunta alterando-lhe, repetidamente, a forma sem alterar o objetivo de ouvir de Gouveia e Melo uma resposta precisa. Não conseguiu: Gouveia e Melo, invocando razões da sua condição militar, escusou-se a dizer não e, pelas mesmas razões, não se afirmou candidato enquanto não chegar o tempo que, segundo ele, ainda não chegou para assumir publicamente uma posição sobre a possibilidade de ser candidado em Janeiro de 2026.

Vítor Gonçalves deslocou a entrevista para uma questão também, se não ainda mais, relevante nas actuais circunstâncias de iminência de um enfrentamento bélico generalizado na Europa face à escalada da ofensiva russa na Ucrânia susceptível de envolver a NATO.

Devem os portugueses envolver-se num eventual confronto da Rússia contra qualquer país da NATO?
Resposta inequívoca de Gouveia e Melo: sim. Sei que ninguém quererá ouvir que tropas portuguesas participem numa guerra. Os militares não gostam da guerra. Mas não podem ignorar que ou nos defendemos ou seremos esmagados. Não podemos, não devemos, renunciar a combater se as ameaças de confronto se concretizarem. Devemos preparar-nos para essa hipótese e falar claro aos portugueses. É fundamental falar claro.
Gouveia e Melo foi, a este respeito, muito claro. 
Duvido que outro eventual candidato seja capaz de tanta clareza acerca de um assunto incómodo, impopular, porque preferirão continuar a assobiar para o ar.




Thursday, February 15, 2024

COMO DOMESTICAR AQUELE ROTTWEILER?

Dois dias depois de Trump ter incentivado Putin - vd aqui - a prosseguir a expansão territorial dos domínios russos, que são, de longe, os mais extensos do mundo, invadindo os países da União Europeia que não contribuírem com, pelo menos, com dos seus 2% dos seus orçamentos para a NATO.
O argumento do incentivo de Trump não podia ser mais declaradamente hipócrita. Putin: ataca os que não pagam o suficiente para uma Organização que eu quero extinguir!
Sem capacidade de defesa própria, render-se-ão ao teu primeiro movimento porque não contarão com a ajuda norte-americana.
Putin não perdeu tempo e renovou as suas ameaças aos, territorialmente, muito pequenos países bálticos, que, com a maior determinação, aproveitaram a primeira oportunidade surgida após a implosão do império soviético para sairem da alçada da bota dos ditadores russos.
E não querem voltar à escuridão dos dias passados, que não esquecem.
Na Estónia, na Letónia, na Lituânia, permanecem muito vivos os tempos em que viveram presos nos seus próprios países às ordens do Kremlin, e as ameaças de Putin são um terror permanente que, inevitavelmente, condiciona as suas vidas. 
Poderão alguns, muitos demais, não bálticos, considerar que cão que ladra não morde porque nunca foram mordidos pelos sequazes do imenso território vizinho. Imenso e com cão capaz de os destruir de um momento para o outro. A eles, e a quem tenha a temeridade, de algum modo, procurar apaziguar o rottweiler.
 
Há quem, há muitos, há demais, considere que só há uma solução - a procura da paz (também eu) só não dizem como - depois de antecederem as suas posições em cima do muro onde  supõem encontrarem-se a salvo de maus encontros, adiantando que detestam Putin e ainda mais, Trump, mas ... e mantêm-se em cima do muro, repugnando-lhes, só eles saberão porquê, descer e colocarem-se de um lado ou do outro, parecendo esquecer que Putin e Trump estão, e estarão ainda mais se Trump for eleito em 8 de novembro, lado a lado um do outro lado do muro que separa, por enquanto, o mundo livre da prepotência da lista de candidatos a ditador único de todo mundo.

Isso não vai acontecer nunca, ouço dizer a alguns que tiveram a pachorra de ler, até aqui, o que escrevo. 
Mas não têm argumentos consistentes para a além da sua fezada de que os rottweiler se forem convenientemente domesticados, até podem ser uns interessantes e úteis animais de companhia.

Russia puts Baltic officials on wanted list as Estonia warns of war plans - c/p aqui

As Estonian PM Kaja Kallas is targeted by Russian police, intel chief warns Russian war on West coming in ‘next decade’. - Published On 13

Estonian Prime Minister Kaja Kallas speaks to the press as she attends a European Union summit in Brussels, Belgium February 1, 2024
Estonian Prime Minister Kaja Kallas speaks to the press as she attends a European Union summit in Brussels, Belgium, on February 1, 2024 [Reuters] .
 

Russian foreign ministry spokeswoman Maria Zakharova said on Tuesday that Estonian Prime Minister Kaja Kallas and two other top Baltic officials have been added to the country’s wanted list. The move coincided with the release of an Estonian intelligence report warning that Russia is gearing up to wage war on the West in the coming decade.

--- correlacionado

Notícia de última hora desta tarde - 16/02/24

 

Wednesday, December 06, 2023

A CONSPIRAÇÃO CONTRA A EUROPA - PARTE SEGUNDA

A guerra será ganha pela Rússia se, como nesta altura tudo leva a crer que sim, os EUA e a UE traírem os ucranianos.
Uma traição em vias de gestação. 
Nos EUA, Biden não conseguirá fazer passar no Congresso o apoio militar que os ucranianos precisam e que lhes foi prometido. A União Europeia não tem poder militar para, sem os EUA, fazer decidir a guerra a favor das pretensões ucranianas de recuperar a parte do seu território ocupado pelos russos. E nós, os europeus, que afirmámos e continuamos a reafirmar continuar ao lado dos ucranianos, estamos titubeantes porque a guerra exige sacrifícios que não queremos suportar.
Isto, se não é uma traição, é uma enormíssima vergonha.
 
Há 100 anos germinavam na Europa as sementes de uma guerra, sementes caídas de outra guerra terminada meia dúzia de anos antes, que abalou toda a humanidade, desencadeada por um louco que mobilizou e arrastou atrás de si um povo culturalmente adulto amarrado ao medo de dizer não ao ditador.
Valeu à Europa, naquela emergência, a coragem inabalável de Churchill e dos povos britânicos. 
 
A grande maioria das nações que hoje fazem parte da União Europeia, abriu quase sem resistência, as portas de entrada às tropas nazis. Em Paris aplaudiram-nas em desfile pelos Campos Elíseos. De Gaulle, o grande De Gaulle, tinha 1,96m de altura, refugiara-se em Londres, Churchill acolheu-o mas não o considerava; de Itália, Mussolini foi oferecer ao Führer os seus préstimos e queria dinheiro, Hitler correu com ele; Franco também precisava de dinheiro mas Hitler não precisava de Franco. Salazar manobrou nos apoios, Hitler nem queria saber de quem se tratava.
Putin não é Hitler, é pior, porque Hitler não estava, como está Putin, sentado no maior arsenal nuclear, e na União Europeia não há outro Churchill. E se houvesse, que faria esse suposto outro Churchill, quase desarmado, sem potencial nuclear,  se do lado norte-americano não há um Roosevelt, haverá um Trump que, declaradamente, é amigo do peito de Putin? E enquanto Trump não volta ao Capitólio que, todo o mundo viu, ele incentivou ser assaltado, o Congresso, maioritariamente trumpista, está já a trair os compromissos feitos, em nome dos norte-americanos, ao povo ucraniano.
 
Foi na Finlândia, com uma fronteira extensíssima com a Rússia, que Estaline, antes da Segunda Grande Guerra, encontrou uma resistência tenaz que, na altura ninguém, senão os finlandeses, acreditava que fosse possível. A "Guerra de Inverno" provocou largos milhares de mortos e feridos de ambos os lados, mas cinco vezes mais do lado soviético, até a Finlândia acabar por aceitar terminar os combates cedendo uma parte do seu território. 
Na população finlandesa ficaram marcas indeléveis desse roubo cometido pelos soviéticos e a lembrança dos seus mortos em combate ainda permanece muito viva. Falei, há muitos anos, demoradamente, com alguém que viveu nessa época de terror.
A Finlândia não pertencia à NATO até ao momento em que Putin entrou na Ucrânia para a  incorporar na Rússia. Estaline tinha as mesmas intenções quando bombardeou Helsínquia e começou a "Guerra de Inverno". A Finlândia entrou para a NATO porque se reabriram as feridas na sua memória colectiva.
A NATO aceitou a Finlândia como seu membro.
Mas Trump, ele o afirmou durante o seu mandato, é anti-NATO.
Estaremos perante uma traição que não se ficará pela Ucrânia mas trairá todos os membros efectivos da NATO? 
 
A traição, está em vias de gestação. Só os norte-americanos a poderão abortar.

Friday, April 22, 2022

PARA QUE LADO FICA O PENSAMENTO DE SENTIDO ÚNICO?

A pouco e pouco, a mando de Putin, as tropas russas arrasam e avançam, alargando o seu império.

Segundo relatos da agência de notícias russa TASS. -, aqui,
"as forças armadas russas informaram nesta sexta-feira que a segunda parte da sua "operação especial na Ucrânia" visa obter "controlo total" do sul do país e da região de Donbass, bem como obter acesso à região da Moldova"
 "Aparentemente agora estamos em guerra com o mundo inteiro, como na Segunda Guerra Mundial. Toda a Europa está contra nós. Nunca gostaram da Rússia", disse Minnekaev, comandante do Distrito Central do Exército.
 
"Há 48 minutos, a Moldova entregou esta sexta-feira as respostas ao primeiro formulário sobre a possível adesão do país à União Europeia (UE), anunciou no Twitter a Presidente do país, Maia Sandu.   
Hoje a Moldova submeteu o primeiro questionário para a adesão à União Europeia, ao embaixador Janis Mazeiks, ficando mais próximos da nossa proposta de adesão à UE. Estamos prontos para fazer a nossa parte rápida e diligentemente para dar à Moldova a oportunidade de um futuro melhor, mais seguro e mais próspero", lê-se na publicação"
 
Entretanto, na União Europeia hesita-se e discute-se a oportunidade da entrada de novos membros.  
Em França, daqui a dois dias, os extremistas franceses (de esquerda e de direita, vá lá saber-se quais são as diferenças de opinião entre muitos deles) podem entregar as chaves do Palácio do Eliseu a Le Pen, para estilhaçarem a União Europeia  e depois aplaudirem o desfile do exército russo na Avenida dos Campos Elíseos.
 
A Finlândia e a Suécia já foram avisadas pelo czar de todos os russos que não estão autorizadas por ele a aderirem à NATO.
 
Segundo Dmitri Medvedev, que foi o seu segundo quando foi preciso, Putin ambiciona alargar o seu império fundando uma Eurásia, desde Lisboa a Vladivostok.
Por essa altura, estarão reunidas as condições para fazer renascer o comunismo, desta vez travestido de comunismo capitalista à imagem e semelhança da original criação do seu amigo Xi Jinping. 
 
 
 
O fim do homem soviético terá sido uma miragem acidental do Ocidente, transitoriamente convencido que o fim da história seria atingido com o capitalismo em democracia liberal.
 

 act. - 23/04/2022
 

Miguel Sousa Tavares desabafava aqui, no Semanário Expresso da semana passada, que se sentia sufocado com os comentários contraditórios suscitados pelas suas suas posições (foram várias, evoluindo semanalmente) relativamente ao arrasamento da Ucrânia e, pateticamente, repetiu cinco vezes, entre cada parágrafo do seu texto:

- A invasão e a guerra que a Rússia levou à Ucrânia não têm justificação. Os massacres e os assassínios deliberados de civis não têm perdão.

Sousa Tavares podia ter ficado por aqui mas (sempre o mesmo renitente mas) repetiu, evoluindo nos repetidos argumentos, razões que o levavam a considerar que, se a guerra que a Rússia levou à Ucrânia não têm justificação, havia razões ... e explanava razões que, queixava-se ele, eram alvo de contraditórios sufocantes que, do seu ponto de vista, não são admissíveis num país de liberdade de expressão.

Não foi o único, houve e ainda há muitos outros, a apontar o dedo acusador aos discordantes. Condenam, sim, mas ...

No Expresso Semanário deste fim-de-semana, Sousa Tavares não voltou ao assunto, mas Francisco Mendes da Silva, que escreve ao sábado no Público, - aqui - não deixou cair a acusação de falta de liberdade de opinião, nestes termos

Miguel Sousa Tavares sente-se sufocado por mim. Sim, parece caricato que o maior produtor de opinião livre da democracia portuguesa, talvez o jornalista mais icónico da nossa televisão e imprensa, um dos polemistas mais “lá de casa” da nossa vida colectiva em liberdade, se sinta sufocado pela opinião dos outros, mais ainda pela minha. Mas foi isso que Sousa Tavares disse na sua coluna do Expresso, onde há anos se espraia ao longo de vários milhares de caracteres semanais numa página de formato “berliner” reservada só para ele, presumivelmente sem freios editoriais, na boa velha tradição do jornal que o acolhe.

Num texto com um grito de revolta no título (“Para acabar de vez com este sufoco”), afirmou que é vítima de “uma campanha ostensiva de apelo ao silenciamento e ao linchamento moral”, e que “estamos a viver num clima de intimidação concertada sobre o pensamento como nunca vivi em 30 anos de escrita em jornais”. Palavras pesadas, essas, que Sousa Tavares dirige especialmente a dois culpados: a António Barreto e a mim.

Desconheço se António Barreto se tem reunido com outros conspiradores, em caves lúgubres e secretas, para “concertar” as estratégias de silenciamento de Miguel Sousa Tavares. Eu cá nunca fui convocado para tais urdiduras. Mas reparem: de nós, Sousa Tavares diz que recorremos à “absoluta falta de seriedade intelectual e a argumentos de puro terrorismo e delação pública”. É uma entrada a pés juntos? É. Passa-me pela cabeça que Sousa Tavares tenha escrito esta e outras coisas para me intimidar? Não. Por muito erradas que estejam, este tipo de tiradas hiperbólicas faz parte do debate normal em qualquer democracia adulta, civilizada e vibrante. A liberdade dos outros não me intimida.

Mas, afinal, pergunta o leitor desprevenido, acabado de chegar a esta minipolémica, o que é que eu fiz para que Sousa Tavares se sentisse atingido na sua liberdade de pensamento com tanta precisão e violência? Num artigo nesta coluna (com o título “Sejam adultos, assumam que querem a vitória da Rússia”), limitei-me a formular um raciocínio simples: se há pessoas que se manifestaram sempre a favor de todas as posições da Rússia sobre a Ucrânia, desde Maidan até à Crimeia; se, perante a revelação das atrocidades do seu exército, assobiam para o lado e pedem mais jornalismo do que propaganda; se defendem que se deixe de ajudar militarmente a Ucrânia para se chegar à paz; então o que essas pessoas querem é que a Rússia consiga a vitória. Não se trata de delatar ninguém. Trata-se de dizer que o debate só é útil se for totalmente claro quanto à ligação entre premissas e conclusões.

Quando compus na minha cabeça o ramalhete de autores em que baseei o artigo, não pensei propriamente em Sousa Tavares. Pensei nos subscritores dos manifestos sinuosos e sem nexo que por aí apareceram. Porém, fui agora ler ou reler o que tem escrito sobre o tema, para tentar perceber o que o terá levado a assentar a carapuça. Reparei que os factos se têm fartado de desmentir as suas opiniões e preconceitos. Até à eclosão da guerra, dizia que ela nunca aconteceria, porque a Rússia não a desejava. Agora, diz que a guerra aconteceu porque interessa aos EUA, à sua indústria militar e ao reforço da NATO.

O que tem vindo a sufocar Sousa Tavares, neste assunto, não é bem a opinião de quem quer que seja. É a própria realidade

Como se os EUA não andassem há anos a querer fugir da Europa para o Pacífico. Como se isto interessasse a um Presidente americano em ano de intercalares. Como se não estivesse profusamente documentada a ideologia imperialista que comanda o Kremlin (é preciso lembrar o ensaio de Putin em Julho último?). E como se os países da NATO não dessem provas quotidianas da sua compreensível relutância em serem arrastados para a guerra, perante a exasperação da Ucrânia.

Quando todo o mundo via já em Volodimir Zelenskii um exemplo inspirador de coragem moral, que todos os dias justificava o apoio à sua resistência, Miguel Sousa Tavares chegou ao ponto de insinuar que aquele só não se rendia porque é um vaidoso armado em Churchill. O que o tem vindo a sufocar, neste assunto, não é bem a opinião de quem quer que seja. É a própria realidade.