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Saturday, August 10, 2024

MERCENÁRIOS OLÍMPICOS

 - mas Cuba não ganhou nada
 
O dinheiro compra tudo, mesmo num país que insiste em afirmar-se comunista. 
Estes três "deram o salto". 
São mercenários como tantos outros ao serviço daquilo a que se continua a chamar desporto.

Muitos milhares de outros fizeram o mesmo, não por medalhas olímpicas mas por uma vida melhor.


'Hermanos', mas rivais. Dentro e fora de pista. Três atletas nascidos em Cuba partilharam o pódio dos Jogos Olímpicos em Paris. Nenhum por Cuba. Cada um pelo seu país. Jordan Alejandro Díaz Fortún, por Espanha. Pedro Pichardo, por Portugal. Andy Díaz Hernandez, por Itália. Medalha de ouro, prata e bronze respetivamente. O único atleta cubano, com as cores de Cuba, ficou em oitavo lugar

Tuesday, June 18, 2024

EURÓFAGOS

Eurófago não é termo dicionarizado, salvo melhor conclusão que não encontrei em breve procura nas fontes do costume.
Por analogia semântica, eurófago é aquele que, à semelhança do xilófago, se alimenta, e, deste modo, destrói, as estruturas em que se instala e desenvolve a sua actividade.

Xilófagos, vulgo carunchos, são insectos que se alimentam de madeira, perfurando galerias até a estrutura em que se instalam desabar, se, entretanto, não forem detectados pelo pó que rejeitam para o exterior, e eliminados. Não metem o dente em estruturas menos complacentes que a madeira.
 
Ocorreu-me esta actividade xilófaga a propósito das intenções de eurófagos, diferentes dos euro cépticos porque, instalados na Europa da livre expressão do pensamento, uma estrutura complacente,  a querem minar e desmantelar para ser governada por autocratas, arrasando, deste modo os seus valores democráticos.

Quem são os inimigos explícitos da Europa livre, aqueles que não escondem os seus propósitos?
Sem dúvida, Putin e seus amigos ou aliados, e Trump, se, como é muito provável, voltar à presidência dos EUA. São eles  que, visivelmente, movem-se por objectivos declarada e objectivamente arrasadores e animam as actividades de parasitas (os eurófagos) que, por dentro, minam as estruturas em que se vivem e se alimentam, até as desmantelarem.
 
Os resultados das eleições europeias ocorridas este mês de Junho implodiram, pela primeira vez, os principais vectores de estabilidade da União Europeia, reflectidos nesta imagem de reconciliação em 1984, protagonizada por Helmut Khol e François Mitterrand. 
 
 
Cinco anos depois, 1989,  assistir-se-ia à queda do Muro de Berlim.
 
 
No ano seguinte, 1990, reunifica-se a Alemanha e o Marco alemão passa a ser a moeda em toda a República Federal da Alemanha até 2002, ano em que o Marco deu lugar ao Euro, como moeda corrente na generalidade dos países da União Europeia. 
Foi Helmut Khol quem, enfrentando forte oposição do lado ocidental, impulsionou a construção da Alemanha reunificada. 

Em 1991, desintegrava-se, sem causa física exterior, a União Soviética. 
Nazismo, fascismo, comunismo, tinham sido abalados mas não erradicados.
 
Trinta e três anos depois, Macron, defensor intransigente dos valores da União Europeia, sente-se obrigado a convocar eleições legislativas após a evidente emergência de forças políticas extremistas que entalam as posições politicamente moderadas do Presidente francês.  
Na Alemanha, o Chanceler Olaf Scholz, também ele um europeísta convicto, nomeado há dois anos, observa um desaire semelhante a Macron, mas os resultados das europeias não o colocam em situação tão fragilizada quanto a do presidente francês. 
 
Para uma observação da situação em que se encontram os progressos dos eurófagos nestes dois países, determinantes para a sustentação da União Europeia hoje, recorro a um artigo publicado anteontem no Público, de Teresa de Sousa, que considero a jornalista portuguesa melhor informada sobre a situação política na Europa e das influências que podem determinar o futuro: Eleições europeias: de suspiro de alívio em suspiro de alívio.
 
A União Nacional (Rassemblement National) estará com saliente implantação em quase toda a França: exceptua-se uma relativamente pequena área em Paris. 
Se vier a governar retomará todas as vias do nacionalismo, será condescendente com os autocratas e voltará a exibir o seu fascínio pela Grande Rússia.

A Frente Popular de 1935, é a motivação invocada por Jean-Luc Mélanchon, um putinista declarado, que recusa condenar o Hamas, para  reunir as esquerdas extremas com socialistas, ecologistas, (de ideologia europeísta e apoio total à Ucrânia) e comunistas. 

Na Alemanha, o SPD de Olaf Scholz, ficou nas eleições europeias em terceiro lugar, abaixo da AfD, de extrema direita, que domina todas as regiões da antiga RDA. 
Votos da AfD mais os do Die Linke (herdeiro do partido Comunista da RDA e da Aliança Shara Wagenkecht (uma excrescência do SPD com uma ideologia que mistura políticas de extrema esquerda e extrema direita) representam cerca de 25% do total, no país que se cria imune ao regresso do que se assemelhasse ao nazismo.
 
A Europa está hoje rodeada de ameaças e desafios globais, de Putin à China.
Mas a maior preocupação é, obviamente, o apoio à Ucrânia, onde se joga verdadeiramente o futuro da Europa.
 
Talvez os eurófagos se cruzem e se auto eliminem nas galerias que vão minando em sentidos diversos.
 
E em Portugal, num país que, segundo as sondagens publicadas, é na UE dos mais europeístas, quantos, dos que sabem quem ele é, detestam Macron?
 
Pergunto-me e vejo muitas caras conhecidas sorrirem perante o desaire espelhado nos resultados obtidos pelo Presidente francês.

Friday, May 31, 2024

SUSPEITOS FASCISTAS

O telefone tocou às sete da manhã. 
- Quem é? ... O que é que aconteceu?
- Há tropas na rua, diz o teu irmão. Estão a transmitir comunicados de um movimento das forças armadas. Pedem à população que se mantenha calma e que fique em casa. Falou há momentos com o Casimiro, receia-se que seja um golpe do Kaulza para destituir o Tomaz e o Marcelo. 
Liga aí a rádio. 

Confirmava-se um movimento militar, uma força da Escola Prática de Cavalaria (aquela onde, há dez anos, eu entrara para frequentar a primeira parte do curso de cadetes milicianos) comandada pelo capitão Salgueiro Maia, já tinha sob controlo, desde as seis e meia da manhã, o Terreiro do Paço. 
Os comunicados transmitidos pela rádio insistiam que as pessoas se mantivessem em casa até indicações em contrário.
- Vou comer qualquer coisa e dar uma volta por aí. Não demoro.
- És maluco?
- Tenho dias. 
Saí de casa, cerca das oito e meia da manhã, a hora habitual para chegar à empresa, na Rua Marquês de Fronteira.Trânsito automóvel quase nulo, poucos peões, uns por desconhecerem as noticias daquela madrugada, outros porque a curiosidade acicatava o risco. Parei em frente da entrada do escritório, estava a porta fechada, veio o porteiro abri-la, com ar meio desconfiado, logo desfeito com um sorriso quando me reconheceu. 
- Não está cá ninguém. Veio um ou outro, foram-se embora, não estavam ao corrente das notícias, penso eu. Tenho estado de ouvido neste rádio, repetiram há momentos, desta vez através da Emissora Nacional,   o pedido à população que se mantenha calma e que recolha às suas residências. Mas quem é que agora vai ficar em casa? Fico eu porque não posso sair daqui, do meu posto, mesmo em dias feriados.
- Então, hoje é dia feriado?
- Se não é ainda, vai passar a ser. Está já a ir muita gente a caminho da Baixa. Isto está a dar uma volta, não tenho dúvidas. Se pensa também ir para lá, o melhor é deixar o carro por aqui e ir a pé. 
 
No fim do dia, são destituídos das suas funções o Presidente da República, o Governo e dissolvida a Assembleia Nacional e o Conselho de Estado, passando todos os poderes atribuídos aos referidos órgãos  ser exercidos pela Junta de Salvação Nacional.
A festa da revolução popular continuou nos dias seguintes, atingindo o clímax eufórico no dia 1 de Maio, nas primeiras manifestações livres desde há 50 anos. A amizade, a igualdade, eram os elos de ligação agora cantados numa sociedade libertada:   "Em cada esquina um amigo, em cada rosto igualdade ..."

Em meados de Maio, tinham começado a comparecer todos os trabalhadores do departamento, designação que passou a ser aplicável a todos os que trabalhavam na empresa, independentemente das funções que desempenhavam.
As discussões suscitadas pela liberdade de pensamento e expressão pública começaram no meio daquele grupo restrito, não mais que vinte trabalhadores,  assim:
 
- O director é um trabalhador, a dactilógrafa também, o porteiro, idem aspas ... e o dono disto?
Dúvidas daquele quilate de pechisbeque só podiam ter sido levantadas por um "fascista", argumentou o  um jovem com fôlego suficiente para qualquer dialética.
- Perguntar não ofende, penso eu, ...
- Depende da pergunta camarada. A pergunta do nosso camarada é insidiosa. 
- Porquê? A pergunta é muito simples, a resposta não pode ser complicada. O dono de tudo isto é ou não é trabalhador nesta empresa?

Tinha sido só o começo de uma guerrilha interna entre posições extremadas de um lado e de outro, perante a paciência calada de meia dúzia, se tanto: A José B.e José M., dois contabilistas diplomados, estavam atribuídas funções em que eram peritos. O José B., era um profundo conhecedor de música clássica, poeta de mérito reconhecido pelos seus pares e o mais qualificado especialista em língua espanhola, tendo traduzido, além de muito mais, "O Engenhoso Fidalgo D. Quixote de la Mancha". Escrevia com letras garrafais, o que facilitava o trabalho da dactilógrafa, enquanto assobiava ópera só para ele ouvir, talvez o parceiro o ouvisse também, viviam os dois no seu mundo privativo, alheados da balbúrdia à volta.  
Os outros, os pacientes, tinham retomado o trabalho, saíam de vez em quando para ir a um café do outro  lado da rua recarregar a paciência para ouvir sem interferir.

- Agora não há Deus nem chefes!, proclamava o mais fanfarrão. 
- O Bragança quer os relatórios de serviços prestados para poder facturar. Sem facturação não há receitas, sem receitas não haverá dinheiro para pagar os salários.
-  O que não falta lá é dinheiro.O Bragança está a armar-se em parvo.
 
Tinham passado meses de forte turbulência, o director do departamento demitira-se, optara por uma carreira a solo. Do trio sénior, um estava dedicado a trabalhar num banco do Grupo, passava pouco tempo na sede, dos outros dois, um aderira ao movimento radical de esquerda, também ali muito maioritário, o outro era considerado suspeito porque não aderira a nenhum dos lados em confronto.
 
Em meados do ano seguinte o Grupo tinha sido nacionalizado.
 
- Fomos nacionalizados! O socialismo não se constrói com fascistas!
- O Bragança precisa das folhas de serviço prestado para poder facturar.
- Isso era ontem, hoje a música é outra! Não há folhas de serviço para ninguém!
- Nem o ordenado ao fim do mês! 
 
É neste contexto que um dia recebo um convite para integrar uma Comissão Coordenado e  Instaladora de uma Empresa Pública resultante da nacionalização de um grupo de empresas do sector rodoviário. Mal por mal, pior não seria, pensei e aceitei.
Daí a dias sou convocado para uma reunião de trabalhadores.
Compareci.
 
- Como é que o camarada explica a sua disponibilidade para deixar a nossa empresa e aceitar desempenhar funções numa actividade que não tem nada a ver com o seu trabalho nos últimos quatro ou cinco anos aqui?
- Como consultor já realizei trabalhos em empresas ou organizações muito diversas. Consultor de organização é consultor em qualquer actividade. 
- E quem, neste caso, requisitou os seus serviços?
- Admito que seja a entidade que assina a requisição em vosso poder.
- Admite? Quer dizer que não sabe?
- Não, não sei, não recebi cópia da requisição. 
- Mas sabe quem o convidou ...
- Sei, mas não vou dizer, por uma questão de princípio, de que não abdico.  
- Hum! O camarada não esteve há semanas numa reunião alargada de trabalhadores?
- Estive.
- Mas saiu a meio, se bem me lembro.
- Lembra-se bem. Saí a meio quando percebi que não teria possibilidade de intervir e os dados estavam lançados.
- Quais dados?
- O saneamento de dois consultores por suspeição de serem fascistas, suspeição talvez fundada no facto de se manterem calados num ambiente de confronto ideológico no local de trabalho. 

O interrogatório ficou por ali. Trabalhei durante cinco meses como membro da Comissão para a qual tinham sido requisitados os meus serviços. Até ao dia em que solicitei uma reunião com o presidente da Comissão.

- Então quer deixar-nos porquê?
- Porque não estou a ter um contributo útil aqui. Não há nenhuma razão, económica ou ideológica que seja, que justifique as funções que me foram atribuídas de gestão de actividades que caíram na esfera de gestão do Estado por arrastamento de outras, eventualmente estratégicas no sector público. Faz algum sentido a gestão pública de agências de viagens?
- Não, não faz, mas este ainda não é o momento para corrigir o que deve ser corrigido. Vamos furar esta onda e ficar frescos para a que vier a seguir.
-  Compreendo mas vou voltar à base e procurar outro mar.

Friday, January 05, 2024

POSTAL DE UM PAÍS COMUNISTA

 

Um tribunal chinês aceitou esta sexta-feira o pedido de falência do Zhongzhi Enterprise Group, um dos maiores gestores de fortunas privadas do país. 

"Este tipo de entidades, que funcionam como bancos apesar de não o serem, são pouco reguladas: recorrem às poupanças das famílias para oferecerem empréstimos e investirem em imobiliário, entre outros ativos. De acordo com a Bloomberg, nos últimos anos, o Zhongzhi Enterprise Group aumentou o financiamento a promotores imobiliários em dificuldade, numa altura em que o setor na China enfrenta graves problemas de liquidez."

Saturday, October 28, 2023

E CONTINUÁMOS FELIZES FIÉIS COMUNISTAS

 
O SOL DO FUTURO, na tradução portuguesa do título original italiano "IL SOL DELL´AVVENIRE", é a mais recente realização de Nanni Moretti, insatisfeito por produzir/realizar tão pouco.
A motivação de agora é a Revolução Húngara de outubro de 1956, esmagada menos de um mês depois pelos tanques soviéticos. Nanni Moretti, enredado em dúvidas (e dívidas) sobre a forma como concretizar o seu objectivo artístico e no relacionamento com a sua mulher, também ela envolvida na arte cinematográfica, acaba por terminar o filme com uma saída irónica (só pode ser irónica) que resume as consequências das fracturas que a revolução húngara de 1956 teve no movimento comunista internacional, com particular incidência nos países não abrangidos pela constelação soviética: estamos com os que combatem pela liberdade em Budapeste mas continuamos fiéis ao nosso partido. 
O drama vivido em Budapeste naqueles breves dias de uma revolução abafada que matou mais de 2,5 mil soldados húngaros e cerca de 700 soldados soviéticos e causou mais de  200 mil refugiados húngaros, prisões em massa e denúncias que continuaram durante meses, não faz parte do guião de Nanni Moretti.
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É curiosa a coincidência de há já muito tempo o governo húngaro após a fragmentação da União Soviética ser hoje, para além de membro materialmente interessado na União Europeia, um descarado apoiante do regime em Moscovo e admirador da sua política tendencialmente totalitária. 
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Correlacionados - 

                                                                  O SOL DO FUTURO

"Giovanni é realizador e marido de Paola, uma produtora de cinema com quem trabalha há anos. Enquanto ele se dedica a uma longa-metragem sobre a Revolução Húngara de 1956, ela começa a trabalhar numa outra produção cinematográfica, algo que o deixa bastante ressentido.

E tudo parece estar contra o projecto de Giovanni: a indústria cinematográfica enfrenta mudanças de paradigma difíceis de contornar, o seu casamento aparenta alguns sinais de estar em crise e o co-produtor do seu filme está à beira da falência. Com tudo isto a acontecer ao mesmo tempo, ele vê-se a repensar a forma como encara a vida e a própria arte, a quem se entregou de corpo e alma." - c/p aqui


Saturday, October 15, 2022

TODOS NO MESMO CABAZ, E FICA ASSEGURADA A PAZ

De Miguel Monjardino lia-se no Expresso de 7 deste mês uma das suas habituais crónicas sobre política internacional naquele semanário, que transcrevo.

Transcrevo, 
não porque o artigo acrescente novidade acerca do que tem sido notícia corrente desde o momento em que Putin iniciou "operação  militar especial" em 24 de Fevereiro, há quase oito meses, período durante o qual a "operação militar especial" se transformou "numa guerra civilizacional que tem de ganhar, a todo o custo, para que os seus valores autocráticos prevaleçam. Fascistas, comunistas e departamentos universitários europeus e americanos partilham esta avaliação"
mas porque 
Monjardino escreve, e ele estará muito bem informado sobre o que afirma, "departamentos universitários europeus e americanos" partilham da opinião de que, por um lado, os pérfidos “anglo-saxões” dominam europeus e japoneses para tentar controlar e explorar o mundo. Por outro, o satanismo, o racismo, o liberalismo político e a decadência moral no mundo anglo-saxão condenam-no à decadência."
 
Que comunistas e fascistas são admiradores de Putin e aplaudem os seus objectivos para,    "autocraticamente, imporem os seus valores civilizacionais contra o satanismo, o racismo, o liberalismo político e a decadência moral no mundo anglo-saxão condenado à decadência", também não é novidade.
Que departamentos universitários europeus e americanos façam parte do mesmo cabaz, é uma novidade, se for verdade, que não entendo. A expressão "departamentos universitários" é vaga: São todos? Não são todos. São a grande maioria? A maioria? Alguns. Sejam quantos forem, é preocupante que esteja a chocar, outra vez, nos meios académicos o ovo da serpente de uma despótica ditadura fascista ou comunista global. 
 
MM começa o seu artigo recordando que há 40 anos, "as armas nucleares eram recorrentes nas conversas políticas ... (MM refere-se ao ambiente na Faculdade de Direito, que ele frequentava, certamente como exemplo de uma discussão mais generalizada nos meios universitários), ... o fantasma da guerra nuclear era preocupante".
Hoje, a acreditar no que escreve MM, o fantasma da guerra nuclear não parece preocupar os universitários europeus e norte-americanos porque a adesão a uma nova ordem mundial garantida por um regime totalitário global, comunista ou fascista, tanto faz, assegurará a paz e tornará obsoleto o arsenal nuclear, e a espécie humana sobreviverá por mais uns tempos.
 
Devo ter entendido mal. 
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* MM teve a amabilidade de me informar (via e-mail) de que "referia-se a alguns departamentos universitários nos EUA e alguns países europeus onde não existe propriamente grande afeição pela democracia liberal. Aliás, nada disto é novo. A predisposição de alguns académicos /intelectuais que vivem em países democráticos pelas ideologias autocráticas/totalitárias é, infelizmente, antiga."
  
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No aniversário de Putin - Miguel Monjardino - c/p EXPRESSO

"Há 40 anos, quando frequentava a Faculdade de Direito da Universidade de Lisboa, as armas nucleares eram recorrentes nas conversas políticas. Entre as aulas de Direito das Obrigações e de Finanças Públicas, o fantasma da guerra nuclear fazia parte das nossas preocupações. As divergências eram enormes. Nos jornais, o tema era frequente. Na primavera de 1983, o discurso de Ronald Reagan com a proposta da Iniciativa de Defesa Estratégia deu origem a uma polémica nos países da NATO.

É importante recordar isto agora. Em Moscovo, está em curso a inevitável mudança do triunfalismo imperial para a dúvida e a rejeição. É difícil encontrar na história militar caso equivalente ao da Rússia na Ucrânia. Uma grande potência militar, com arte operacional da guerra temida pelas forças armadas europeias e equipamento avançado, não consegue vencer a resistência de um inimigo que, supostamente, devia ter entrado em colapso em alguns dias.

Vladimir Putin faz hoje 70 anos. É um decisor político obcecado pela sua marca histórica. Tal explica, em parte, a invasão da Ucrânia. Como demonstrou o extraordinário discurso da semana passada, o líder russo tem outro objetivo estratégico: desmantelar a ordem internacional que, segundo o Kremlin, garante a hegemonia dos Estados Unidos. Putin acredita convictamente em duas coisas contraditórias. Por um lado, os pérfidos “anglo-saxões” dominam europeus e japoneses para tentar controlar e explorar o mundo. Por outro, o satanismo, o racismo, o liberalismo político e a decadência moral no mundo anglo-saxão condenam-no à decadência. Tal levou-o a concluir que a Rússia está envolvida numa guerra civilizacional que tem de ganhar, a todo o custo, para que os seus valores autocráticos prevaleçam. Fascistas, comunistas e departamentos universitários europeus e americanos partilham esta avaliação.

Como reagirão Putin e o seu regime às crescentes dificuldades da guerra na Ucrânia? Convém termos presente que a tentativa dos Estados Unidos e dos países europeus de o dissuadirem de invadir falhou no dia 24 de fevereiro. Putin tem três opções que podem ser combinadas entre si.

A primeira é continuar a guerra e esperar que a mobilização resolva os problemas da falta de infantaria e de equipamento nos teatros de operações. Na primavera, os problemas políticos e económicos na Europa e nos Estados Unidos deverão levar os seus governos e opiniões públicas a compreender que é do seu interesse negociar com Moscovo e garantir a continuidade do poder de Putin. A segunda opção é uma declaração unilateral de cessar-fogo ao longo da atual linha da frente. Tal poderia criar divisões importantes entre Kyiv e seus apoiantes e dar tempo ao Kremlin para recuperar forças e equipamento. Por fim, resta-lhe a coerção em termos de retórica, sinalização e, no limite, utilização de armas nucleares táticas na Ucrânia ou na vizinhança para quebrar o consenso euro-atlântico e forçar uma negociação favorável aos seus objetivos.

Nos 70 anos de Putin, devemos levar a sério a sua retórica sobre as armas nucleares e ponderar as nossas decisões e dilemas."

Tuesday, July 26, 2022

A TERCEIRA ROMA - PARTE 3

Russia says it wants to end Ukraine’s `unacceptable regime’ - aqui


Mas qual é, afinal, o objectivo último de Putin?

- Ser o fundador, o primeiro Imperador do Sacro Império Russo, com Moscovo como Terceira Roma, sendo a salvação humana o objectivo último.
- Não estás a falar a sério …
- Lê estas notícias,

 
E depois a Itália

Na Itália, líder da extrema direita ganha força com discurso pós-fascista - aqui

 
 

 

 

 

Sunday, July 24, 2022

A EUROPA NA ARMADILHA

- Muito más notícias para a economia europeia. (Europe caught in a trap) - in Michael Roberts Blog * (Economista Marxista)

- Muito más notícias para o mundo.

Podia a Europa (e os EUA, e ..., e....) evitar a armadilha após o começo do arrasamento da Ucrânia em 24 de Fevereiro?
Podia, se visse, ouvisse, e se mantivesse calada como os três macaquinhos.
E depois se subjugasse ao diktat do ditador.
Os franceses (não só) abdicaram e bateram palmas (não todos, mas muitos) às tropas nazis em desfile pelos Campos Elíseos. E Paris foi poupada.
Apenas Churchill, no meio de uma cobardia generalizada dominada pelos ventos nazis, fascistas, etc. preponderantes na Europa,desafiou e enfrentou o monstro. Stalin fez um acordo com ele, arrependeu-se quando os ventos mudaram de direcção.
Mas a história não se repete e nem Churchill tinha o poder bélico nuclear, nem Hitler, que Putin detém e ameaça, repetidamente, usar quando assim decidir..
Ontem os russos atingiram Odessa e um navio ucraniano, depois de no dia anterior terem assinado acordos envolvendo a ONU e a Turquia para, finalmente, começarem a poder sair carregamentos de cereais para países onde se morre à fome.
Que fazer? Não sei, nem posso fazer nada.
Mas quem escreve que a Europa caiu numa armadilha e explica profusamente com gráficos as consequências previsíveis, o que pretende?
Exacerbar os instintos primitivos de sobrevivência da espécie e os consequentes comportamentos extremistas que desembocam no fim das democracias liberais e dos seus valores?
 
 

Friday, April 22, 2022

PARA QUE LADO FICA O PENSAMENTO DE SENTIDO ÚNICO?

A pouco e pouco, a mando de Putin, as tropas russas arrasam e avançam, alargando o seu império.

Segundo relatos da agência de notícias russa TASS. -, aqui,
"as forças armadas russas informaram nesta sexta-feira que a segunda parte da sua "operação especial na Ucrânia" visa obter "controlo total" do sul do país e da região de Donbass, bem como obter acesso à região da Moldova"
 "Aparentemente agora estamos em guerra com o mundo inteiro, como na Segunda Guerra Mundial. Toda a Europa está contra nós. Nunca gostaram da Rússia", disse Minnekaev, comandante do Distrito Central do Exército.
 
"Há 48 minutos, a Moldova entregou esta sexta-feira as respostas ao primeiro formulário sobre a possível adesão do país à União Europeia (UE), anunciou no Twitter a Presidente do país, Maia Sandu.   
Hoje a Moldova submeteu o primeiro questionário para a adesão à União Europeia, ao embaixador Janis Mazeiks, ficando mais próximos da nossa proposta de adesão à UE. Estamos prontos para fazer a nossa parte rápida e diligentemente para dar à Moldova a oportunidade de um futuro melhor, mais seguro e mais próspero", lê-se na publicação"
 
Entretanto, na União Europeia hesita-se e discute-se a oportunidade da entrada de novos membros.  
Em França, daqui a dois dias, os extremistas franceses (de esquerda e de direita, vá lá saber-se quais são as diferenças de opinião entre muitos deles) podem entregar as chaves do Palácio do Eliseu a Le Pen, para estilhaçarem a União Europeia  e depois aplaudirem o desfile do exército russo na Avenida dos Campos Elíseos.
 
A Finlândia e a Suécia já foram avisadas pelo czar de todos os russos que não estão autorizadas por ele a aderirem à NATO.
 
Segundo Dmitri Medvedev, que foi o seu segundo quando foi preciso, Putin ambiciona alargar o seu império fundando uma Eurásia, desde Lisboa a Vladivostok.
Por essa altura, estarão reunidas as condições para fazer renascer o comunismo, desta vez travestido de comunismo capitalista à imagem e semelhança da original criação do seu amigo Xi Jinping. 
 
 
 
O fim do homem soviético terá sido uma miragem acidental do Ocidente, transitoriamente convencido que o fim da história seria atingido com o capitalismo em democracia liberal.
 

 act. - 23/04/2022
 

Miguel Sousa Tavares desabafava aqui, no Semanário Expresso da semana passada, que se sentia sufocado com os comentários contraditórios suscitados pelas suas suas posições (foram várias, evoluindo semanalmente) relativamente ao arrasamento da Ucrânia e, pateticamente, repetiu cinco vezes, entre cada parágrafo do seu texto:

- A invasão e a guerra que a Rússia levou à Ucrânia não têm justificação. Os massacres e os assassínios deliberados de civis não têm perdão.

Sousa Tavares podia ter ficado por aqui mas (sempre o mesmo renitente mas) repetiu, evoluindo nos repetidos argumentos, razões que o levavam a considerar que, se a guerra que a Rússia levou à Ucrânia não têm justificação, havia razões ... e explanava razões que, queixava-se ele, eram alvo de contraditórios sufocantes que, do seu ponto de vista, não são admissíveis num país de liberdade de expressão.

Não foi o único, houve e ainda há muitos outros, a apontar o dedo acusador aos discordantes. Condenam, sim, mas ...

No Expresso Semanário deste fim-de-semana, Sousa Tavares não voltou ao assunto, mas Francisco Mendes da Silva, que escreve ao sábado no Público, - aqui - não deixou cair a acusação de falta de liberdade de opinião, nestes termos

Miguel Sousa Tavares sente-se sufocado por mim. Sim, parece caricato que o maior produtor de opinião livre da democracia portuguesa, talvez o jornalista mais icónico da nossa televisão e imprensa, um dos polemistas mais “lá de casa” da nossa vida colectiva em liberdade, se sinta sufocado pela opinião dos outros, mais ainda pela minha. Mas foi isso que Sousa Tavares disse na sua coluna do Expresso, onde há anos se espraia ao longo de vários milhares de caracteres semanais numa página de formato “berliner” reservada só para ele, presumivelmente sem freios editoriais, na boa velha tradição do jornal que o acolhe.

Num texto com um grito de revolta no título (“Para acabar de vez com este sufoco”), afirmou que é vítima de “uma campanha ostensiva de apelo ao silenciamento e ao linchamento moral”, e que “estamos a viver num clima de intimidação concertada sobre o pensamento como nunca vivi em 30 anos de escrita em jornais”. Palavras pesadas, essas, que Sousa Tavares dirige especialmente a dois culpados: a António Barreto e a mim.

Desconheço se António Barreto se tem reunido com outros conspiradores, em caves lúgubres e secretas, para “concertar” as estratégias de silenciamento de Miguel Sousa Tavares. Eu cá nunca fui convocado para tais urdiduras. Mas reparem: de nós, Sousa Tavares diz que recorremos à “absoluta falta de seriedade intelectual e a argumentos de puro terrorismo e delação pública”. É uma entrada a pés juntos? É. Passa-me pela cabeça que Sousa Tavares tenha escrito esta e outras coisas para me intimidar? Não. Por muito erradas que estejam, este tipo de tiradas hiperbólicas faz parte do debate normal em qualquer democracia adulta, civilizada e vibrante. A liberdade dos outros não me intimida.

Mas, afinal, pergunta o leitor desprevenido, acabado de chegar a esta minipolémica, o que é que eu fiz para que Sousa Tavares se sentisse atingido na sua liberdade de pensamento com tanta precisão e violência? Num artigo nesta coluna (com o título “Sejam adultos, assumam que querem a vitória da Rússia”), limitei-me a formular um raciocínio simples: se há pessoas que se manifestaram sempre a favor de todas as posições da Rússia sobre a Ucrânia, desde Maidan até à Crimeia; se, perante a revelação das atrocidades do seu exército, assobiam para o lado e pedem mais jornalismo do que propaganda; se defendem que se deixe de ajudar militarmente a Ucrânia para se chegar à paz; então o que essas pessoas querem é que a Rússia consiga a vitória. Não se trata de delatar ninguém. Trata-se de dizer que o debate só é útil se for totalmente claro quanto à ligação entre premissas e conclusões.

Quando compus na minha cabeça o ramalhete de autores em que baseei o artigo, não pensei propriamente em Sousa Tavares. Pensei nos subscritores dos manifestos sinuosos e sem nexo que por aí apareceram. Porém, fui agora ler ou reler o que tem escrito sobre o tema, para tentar perceber o que o terá levado a assentar a carapuça. Reparei que os factos se têm fartado de desmentir as suas opiniões e preconceitos. Até à eclosão da guerra, dizia que ela nunca aconteceria, porque a Rússia não a desejava. Agora, diz que a guerra aconteceu porque interessa aos EUA, à sua indústria militar e ao reforço da NATO.

O que tem vindo a sufocar Sousa Tavares, neste assunto, não é bem a opinião de quem quer que seja. É a própria realidade

Como se os EUA não andassem há anos a querer fugir da Europa para o Pacífico. Como se isto interessasse a um Presidente americano em ano de intercalares. Como se não estivesse profusamente documentada a ideologia imperialista que comanda o Kremlin (é preciso lembrar o ensaio de Putin em Julho último?). E como se os países da NATO não dessem provas quotidianas da sua compreensível relutância em serem arrastados para a guerra, perante a exasperação da Ucrânia.

Quando todo o mundo via já em Volodimir Zelenskii um exemplo inspirador de coragem moral, que todos os dias justificava o apoio à sua resistência, Miguel Sousa Tavares chegou ao ponto de insinuar que aquele só não se rendia porque é um vaidoso armado em Churchill. O que o tem vindo a sufocar, neste assunto, não é bem a opinião de quem quer que seja. É a própria realidade.


Thursday, March 03, 2022

A DESPUDORADA COERÊNCIA DOS COMUNISTAS PORTUGUESES

Vejo* de relance algumas imagens repugnantes das atrocidades provocadas por ordens de Putin e do seu entourage -  aqui - que horrorizam as pessoas de consciência limpa e vistas livres de antolhos, e revoltam-me as posições assumidas pelos comunistas portuguesas de defesa da história contada por Putin & Companhia para justificar o assalto que destrói indiscriminadamente instalações militares, edifícios residenciais, monumentos, hospitais, e mata civis, obrigando sobreviventes  mulheres e crianças a abandonar o país, despedindo-se de maridos e pais. 

Chegam-me por e-mail mensagens desses obstinados defensores  da legitimidade da invasão da Ucrânia pelo poder russo. Reconheça-se, considerando o longo percurso do PCP,  que há alguma despudorada coerência nessa obstinação, insensível aos horrores do espectáculo desta guerra transmitida em directo.

Em 1975 os comunistas portugueses moviam-se por alcançar o poder, guiados pelo farol da  ditadura, dita do proletariado, pela qual haviam lutado e alguns morrido, durante décadas, que iria colocar Portugal na órbita da União Soviética, substituindo uma ditadura por outra. 

Putin não será comunista mas o seu desideratum é o mesmo do Politburo instalado no Kremlin, de onde hoje Putin pretende reconstruir o domínio do império czarista, destronado em 1917 pelo regime comunista, que implodiu em 1991 depois de sete décadas de uma experiência encantatória esmagada sob o peso do seu fracasso total.
 
E os comunistas portugueses, ficaram náufragos e sem farol. 
Eles não confundem, certamente, Putin com a União Soviética mas não condenam as atrocidades do regime plutocrático russo porque, sendo Putin hoje o czar detentor de um enorme poder bélico herdado do regime soviético, de que Putin foi parte, o revanchismo é lenitivo para a orfandade de quem ficou náufrago e sem o seu mágico farol. 

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1975 - Julho

"Agora que os deputados comunistas, ou melhor, os deputados do Partido Comunista abandonaram a sala, aqueles que são contra a liberdade, eu só quero dizer, antes de continuar, que há naquelas bancadas do Partido Comunista gente que se acolheu em minha casa, que, nos duros anos do fascismo, procurou abrigo na modesta casa de um camarada antifascista como eles. Agora abandonam esta Assembleia, mostrando à evidência que eles não sabem sentir e compreender a palavra "liberdade".
Porque saíram da sala esses deputados? Um dia o povo português responderá" - António Arnault

--- act.

Hoje, 04/03, ouço esta manhã na rádio que Putin decretou a Lei Marcial no país e que, durante a noite, foram bombardeadas pelos militares russos instalações anexas à Central de Zaporizhia, a maior central nuclear da Europa. Kiev fica a meio caminho entre Zaporizhia e Chernobyl, cerca de 350 quilómetros para cada lado.


Wednesday, February 23, 2022

QUEM ESTÁ DO LADO DE LÁ

Há dias colocava neste caderno de apontamentos uma dúvida: o PCP apoia Putin; e o CHEGA?

Hoje lê-se aqui a resposta: "À excepção do PCP e do PEV, os partidos parlamentares são unânimes na crítica às posições russas e deverão manifestar a sua posição na Comissão Permanente (órgão que substitui o plenário da Assembleia da República) marcada para quinta-feira, com a participação do ministro dos Negócios Estrangeiros, Augusto Santos Silva."

"O PCP diverge e, em comunicado, acusa os Estados Unidos, a NATO, a UE e o regime ucraniano pela situação que se vive naquele país, defende a dissolução da NATO e a desmilitarização da UE, assim como um “processo de diálogo com vista a uma solução pacífica para o conflito”. Os comunistas culpam o Ocidente pela promoção do que dizem ser uma “perigosa estratégia de tensão e propaganda belicista” e de confrontação face à Federação Russa ao ser permitida a entrada da Ucrânia na NATO."

O  Avante já tinha informado de que lado estão os comunistas portugueses neste conflito que pode degenerar numa guerra global: estão do lado de lá.

E no lado de lá estão aqueles que se submetem aos dictats de regimes onde a democracia sustentada no voto popular é considerada uma ameaça a abater. Xi Jinping colocou a democracia liberal como o primeiro inimigo do comunismo chinês - conf. aqui. Putin está do mesmo lado.

Muito mais do que o actual conflito localizado na disputa pela posse do território da Ucrânia, o que está em jogo é a disputa pela supremacia dos regimes totalitários pelo seu espaço vital, no actual contexto geo estratégico, o espaço global.
Na Europa, o primeiro objectivo é a destruição da União Europeia. Onde o voto popular pode deixar-se atrair pelos populismos que campeiam desenfreados: se não se defendem os valores da democracia o totalitarismo abafa-os. 

Sunday, January 23, 2022

PERGUNTAR, OFENDE?

Reconheço que há perguntas que podem ser ofensivas.

Anteontem, perguntei aqui"No caso de um conflito armado (mais provável que impossível) de que lado se posicionariam os comunistas portugueses?".

O amigo L., perguntou-me hoje, a este propósito: 

Mas resposta a essa pergunta interessa-te a ti ou aos Comunistas (presumo que queiras significar militantes e simpatizantes do PCP)? Acho que não será difícil, pelo que conheço do partido, formular uma resposta politicamente correta: Contra a guerra! Nem por uns nem por outros.

Estimado L.,

Também eu sou, todos somos contra a guerra. Ou quase todos.

A questão não é essa mas saber de que lado estarão os comunistas portugueses se houver um confronto bélico na Ucrânia, sem desviar a resposta para o politicamente correcto.
O C C. remeteu-me para três referências sobre o assunto no facebook, uma remissiva que me pareceu significar não querer C C. dar a sua, certamente, fundamentada opinião.
Como não frequento o facebook não me tinha apercebido que a pergunta já tinha sido foi feita a Jerónimo de Sousa pelo jornalista da RTP1 Vítor Gonçalves: se a Rússia invadisse a Ucrânia, Jerónimo de Sousa apoiaria sanções contra Putin?
Não sei qual a resposta de Jerónimo de Sousa porque o comentário não diz mas considera a pergunta "preconceito anti comunista rasteiro indisfarçável"

Isto é, fiquei sem resposta.
E nem comentei, supondo que a minha pergunta tinha ofendido.
Ofendi?
Que te parece L.?
 
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"Os ponteiros do Relógio do Apocalipse continuam a ficar imóveis: este ano, o simbólico relógio permanece a 100 segundos da meia-noite, anunciaram esta quinta-feira os especialistas da revista Bulletin of the Atomic Scientists. No ano passado, os ponteiros deste relógio também ficaram imóveis, estando desde 2020 a 100 segundos do fim. Alterações climáticas, segurança nuclear e a gestão da pandemia da covid-19 foram algumas das principais razões para os especialistas não mexerem nos ponteiros também em 2022. Para que fique bem claro, este relógio representa uma metáfora que alerta a humanidade se está mais perto ou mais longe de se autodestruir com as suas decisões, acções e tecnologias." - mais aqui