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Saturday, April 25, 2020

25 DE ABRIL SEM CLAUSURA


Revi esta noite num espaço televisivo "... a madrugada que eu esperava, o dia inicial inteiro e limpo, onde emergimos da noite e do silêncio, e livres habitamos a substância do tempo"*, emocionaram-me, emocionam-me sempre que revejo, as imagens, os sons, as canções, os testemunhos dos revoltosos que realizaram o golpe de estado imediatamente abraçado pelo portugueses movidos por um impulso libertador enclausurado durante quase meio século, e que, com esse abraço decisivo fizeram uma revolução.

Mas foi uma revolução que tropeçou, frequentemente, ao longo de um ano e meio, em golpes e contra golpes, alguns dos quais tinham como objectivo explícito destruir a liberdade conquistada pelo povo nas ruas e instalar outra ditadura camuflada de liberdade condicionada por outro partido único. A democracia, como expressão livre da vontade do povo, só viria a consolidar-se a 25 de Novembro do ano seguinte.

Escrevo ao mesmo tempo que ouço a transmissão dos discursos na Assembleia da República, repetidos e requentados, os partidos a acusarem-se, reciprocamente, como sempre, das causas do nosso descontentamento colectivo, tendo este ano, em tempos de pandemia, a celebração na AR  como prato forte das querelas partidárias. A terminar, o Presidente da República gastou cerca de metade do seu tempo de discurso com a sua nunca dúvida de que o 25 de Abril, também este ano, (ainda que não o tenha sido sempre), teria que ser celebrado na AR.

Quantos portugueses terão ouvido estes discursos de princípio ao fim?

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* Obviamente, Sofia de Mello Breyner Andersen

Monday, November 23, 2015

O TERCEIRO RASTILHO?

O PR entregou hoje ao Secretário-Geral do PS um documento, vd. aqui, integrando um conjunto de questões que pretende sejam esclarecidas com vista a uma futura solução governativa:   

a) aprovação de moções de confiança;
b) aprovação dos Orçamentos do Estado, em particular o Orçamento para 2016;
c) cumprimento das regras de disciplina orçamental aplicadas a todos os países da Zona Euro e subscritas pelo Estado Português, nomeadamente as que resultam do Pacto de Estabilidade e Crescimento, do Tratado Orçamental, do Mecanismo Europeu de Estabilidade e da participação de Portugal na União Económica e Monetária e na União Bancária;
d) respeito pelos compromissos internacionais de Portugal no âmbito das organizações de defesa colectiva;
e) papel do Conselho Permanente de Concertação Social, dada a relevância do seu contributo para a coesão social e o desenvolvimento do País;
f) estabilidade do sistema financeiro, dado o seu papel fulcral no financiamento da economia portuguesa.

PS responde hoje por carta, vd. aquidepois de ouvir Bloco e BCP. 
Entretanto o Secretário-Geral do PCP já se antecipou afirmando, vd. aqui, que "não há razão nenhuma para as exigências de Cavaco". 





"Pela Constituição - A comissão promotora das comemorações do 25 de Abril convocou* para 24 de Novembro, ao fim da tarde, uma concentração em defesa da Constituição, no Largo do Carmo, em Lisboa" - Expresso - 21 de Novembro de 2015  

A comemoração do 25 de Novembro de 1975 foi, implicitamente, rejeitada pelo PCP, PEV, BE e PS, que faltaram à reunião convocada pelo presidente da AR, com aquele objectivo, sem aviso nem explicações. Vale a pena, a este propósito, recordar a quem vai perdendo a memória pelo caminho, os factos que mais imediatamente antecederam as acções militares e políticas entre 24 e 25 de Novembro de 75. 

Resumo dos factos, relatados por António Reis, co-fundador do PS, em "Portugal, 20 anos de democracia" .

- 9 de Novembro - Cerco do Palácio de S. Bento por uma manifestação de trabalhadores da construção civil, que mantêm deputados constituintes, primeiro-ministro e parte do Governo sequestrados ao longo de 24 horas. É a completa desautorização do Governo e a humilhação do único órgão até então legitimado pela vontade popular.
- 16 de Novembro - Lisboa é invadida por uma gigantesca manifestação organizada pelas comissões de trabalhadores da cintura industrial e com a participação do proletariado rural alentejano, manifestação esta que recebe o apoio declarado de Otelo.
19 de Novembro - O Governo auto suspende-se do exercício de funções, exigindo de Costa Gomes garantias de apoio militar para poder governar. Este recusa-se a mudar os comandos militares, receoso de uma acção de força que desencadeasse uma guerra civil. Será o Conselho a Revolução a lançar o rastilho, ao ousar nomear Vasco Lourenço comandante da Região Militar de Lisboa, em substituição de Otelo. Lourenço faz saber de imediato que porá cobro ao estado de indisciplina de algumas unidades e substituirá os respectivos comandantes. As unidades em causa, reunidas no COPCON, opõem-se à sua nomeação, que é, no entanto, confirmada pelo Conselho da Revolução, que decide ainda dissolver a Escola-Base de Pára-Quedistas de Tancos. É o segundo rastilho que se acende.
25 de Novembro - Os pára-quedistas numa operação relâmpago ocupam as bases aéreas do País com excepção de Cortegaça ...o RALIS toma pouco depois posições de controlo dos acessos da auto-estrada do Norte, mas no COPCON surgem as primeiras hesitações por parte de Otelo, que acaba por recolher a casa. 
Costa Gomes tenta ainda negociar com os pára-quedistas, mas, pressionado pelos moderados, que lhe dão conta da sua superioridade operacional proclama o estado de emergência na área de Lisboa, dando luz verde à neutralização da sublevação. Simultaneamente, consegue persuadir os conselheiros gonçalvistas da Armada a evitarem a intervenção dos fuzileiros em favor dos revoltosos e dissuade acções de mobilização popular por parte das estruturas afectas ao PCP...

O desfecho do 25 de Novembro acabou por ser o produto da precipitação voluntarista do extremismo de esquerda que, desamparado pela prudência táctica de comunistas e gonçalvistas, esbarrou com a determinação do sector moderado, que há muito se encontrava preparado para uma eventualidade como esta.  
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Tuesday, April 15, 2014

OPINIÃO PÚBLICA HÁ 40 ANOS

A divulgação de alguns resultados de estudo de opinião pública realizado sete meses depois de 25 de Abril de 1974 só terá algum interesse como retrato sociológico meio sumido pelo tempo de uma sociedade há pouco tempo abanada por uma revolta militar que viria a espoletar mudanças políticas, sociais, económicas,  profundas  nos 12 meses seguintes. 

Na impossibilidade de dar a conhecer aqui o conjunto, podendo no entanto ceder para consulta e para fins pertinentes o relatório resumo (489 páginas dactilografadas) transcrevo algumas das conclusões:

" O primeiro ponto importante a referir ... é a existência de uma elevada percentagem de pessoas que não emitiram opinião sobre a quase generalidade dos assuntos focados" "É no campo político que a ausência de respostas mais se faz sentir..."

 " A maior liberdade surge como a mudança mais importante verificada em Portugal, seguindo-se, mas a um nível bastante inferior, a mudança de governo, o fim da guerra do Ultramar ..."

"Metade da população desconhece quem fez o 25 de Abril; por outro lado, o Movimento das Forças Armadas aparece como o seu principal originador na opinião da outra metade, seguindo-se Spínola e Otelo Saraiva de Carvalho, mas colocados em planos nitidamente inferiores"

" As opiniões (sobre uma série de factos considerados resultantes da mudança) são geralmente consideradas positivamente salvo no que respeita à possibilidade do divórcio, que obtem apenas uma pequena maioria de opiniões favoráveis, e ainda no que se refere às greves e à possibilidade de Portugal se tornar um país comunista, onde as opiniões negativas superam as positivas"

"A maioria da população maior de 18 anos admite que o país está numa crise económica, acentuando-se esta convicção nos grupos mais evoluídos"

"As opiniões susceptíveis de localizar a origem desta crise, antes ou depois do 25 de Abril, são contraditórias. Com efeito apenas um por cento mencionam a crise económica como (origem  de) mudança mais importante e inversamente uma maioria pensa que o regime anterior deixou o país de rastos" "Por outro lado, o aumento de salários, que poucos referiram como mudança mais importante, e que a maioria encara favoravelmente como um dos resultados da revolução, é também considerado pela maioria como a causa de muito desemprego e do encerramento de muitas empresas; para cerca de metade da população, o povo ficou pior porque os preços aumentaram mais que os salários, e para cerca de um quarto os países estrangeiros não estão a dar-nos auxílio" 

"Para cerca de metade da população Portugal deveria manter-se no Ultramar se fosse posível acaba com a guerra ... e que para cerca de um terço "saímos de lá nós para utros lhe deitarem o dente ... havendo outro terço para quem a independência só devia ser dada depois do povo ter sido ouvido" 

"A opinião da maior parte da população sobre o modo de governar (do Governo de então) é positiva, apenas uma miniria considera que governa mal. Comparativamente com o governo de Marcelo Caetano também o actual governo é apreciado favoravelmente pela maior parte já que as pessoas que consideram que governa da mesma forma ou governa pior são uma minoria. Aresença de militares no governo é também encarada favoravelmente"

"A maioria refere como resultados positivos do 25 de Abril a libertação dos presos políticos e a prisão dos agentes da PIDE. Metade da opulção não se manifestou quanto ao país junto do qual poderemos agora obter maior auxílio e os que exprimem opinião referem com mais fequência os países da Europa, seguindo-se os americanos e depois os russos"

"Surge destacadamente como primeira figura política nacional Costa Gomes (que cerca de 20% preferem para Presidente da Republica), seguindo-se Mário Soares (preferido por 5%), Vasco Gonçalves e Spínola. Depois, com menor importância e muito próximos uns dos outros, Sá Carneiro, Álvaro Cunhal e Otelo Saraiva de Carvalho. Mais abaixo, Pereira de Moura, Saldanha Sanches e Freitas do Amaral. Por ultimo, Marcelo Caetano e Américo Tomáz."

"A percentagem de favoritismo pelos vários partidos traduziu-se por:

PS  -             23%
PPD -          17%
PCP -            6%
MFA -            3%
MDP/CDE - 1%
CDS -            1%

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*Conduzido pela CEAD - Centro de Estudos de Administração e Desenvolvimento, foi realizado um "Estudo de Opinião Pública" em Dezembro de 1974. O trabalho de campo decorreu entre 5 e 31 de Dezembro de 1974, envolveu entrevistas pessoais directas de 6629 indivíduos seleccionados aleatoriamente, dentre o conjunto de todos os indivíduos de nacionalidade portuguesa, residentes em Portugal Continental, de ambos os sexos e com idade superior a 18 anos.


Sunday, April 13, 2014

OS PROTAGONISTAS

40 anos depois

Destaco a imagem mais positiva, de Ramalho Eanes (61%), e a maior queda de Mário Soares (10 pontos percentuais, para 38%) nos últimos dez anos apesar de atingir o máximo (100%) em notoriedade.
 
Conclusão (minha): a insistente intervenção política de Mário Soares, se lhe grangeou a admiração e o espanto de muitos, valendo-lhe o reconhecimento de personagem do ano pela imprensa estrangeira em Lisboa, tem-lhe corroído notoriamente a imagem junto da opinião pública. 

Mas sondagens, são sondagens, vocês acreditam em sondagens?

Wednesday, February 19, 2014

OS ARTISTAS DE SÃO BENTO

Diz-se aqui que Joana Vasconcelos confirma ter sido contactada pela Assembleia da República para realizar uma intervenção no âmbito das comemorações dos 40 anos do 25 de Abril, mas “neste momento os prazos não permitem a execução do projecto” e que a artista "desmente que a sua intervenção recorresse a chaimites e cravos. “Nunca em momento algum a artista idealizou tal intervenção”

Se a Joana Vasconcelos nunca passou pela cabeça a ideia dos cravos nas chaimites, se até chegou a ser noticiado que cada flor custaria a módica quantia de 5000 euros, se ninguém mais desmentiu a notíca, quem é que imaginou chaimites floridas de cravos e se convenceu que a artista aceitava a encomenda já desenhada pelo cliente? O jornalista?, o líder da juventude do PSD?, a presidente da Assembleia da República? Lendo a notícia do Público de hoje confirma-se a tese de Beuys. 
 
"Toda a pessoa é um artista” (“Jeder Mensch ein Künstler”), afirmava insistentemente Joseph Beuys, que recebeu nas suas aulas 142 candidatos que tinham sido recusados por causa do sistema numerus clausus.
Alain Borer, 2001. Joseph Beuys, p. 17.

Uma explicação plausível para a má imagem pública da AR: Julgamos ver deputados em imaginosos artistas.


Thursday, February 13, 2014

CRAVOS EM FALSO

A ideia parece ter partido do líder da JSD e a Presidente da AR agarrou-a, propondo suscitar uma acção de mecenato para pagar comemorações do 25 de Abril. A proposta gerou mal-estar entre os deputados, que consideram a iniciativa ser incompatível com um órgão de soberania. O patrocínio visava a ornamentação de chaimites com cravos criados por Joana Vasconcelos. (vd. aqui), mas  (vd. aqui) Assunção Esteves, que continua a defender a ideia, abandonou a proposta por ter percebido que não reunia consenso nos outros partidos.

Percebe-se a reacção dos deputados, não porque a ideia seja inusitada - a consagração pública do 25 de Abril no seu 40º. aniversário, independentemente do modo como ela se possa realizar -, mas porque deveria partir da mobilização cívica da sociedade portuguesa.

Se Joana Vasconcelos foi capaz de tornar um cacilheiro obra de arte e apresentá-lo na Bienal de Veneza (vd. aqui) parece ser bem menor o esforço requerido para criar os cravos com que a artista se propõe ornamentar os tanques de Santarém. A menos que não haja mecenas suficentemente entusiasmados com ideia e na sociedade civil em geral o entusiasmo não supere a falta de entusiasmo dos mecenas. 

De qualquer modo perspectiva-se mais um inconseguimento da senhora presidente da AR, salvo se Joana Vasconcelos se encher de brios e oferecer, só ela e sem mais jardineiros, um exuberante ramo dos seus cravos no próximo dia 25 de Abril. 
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Act. - Já depois de ter colocado este apontamento, vejo uma notícia na televisão dando uma versão que eu nunca imaginaria: a de na AR serem colocados uns cartazes publicitários dos eventuais mecenas. E fiquei sem perceber se tal absurdo pairou na cabeça de Assunção Esteves ou foi apenas imaginação delirante do realizador da peça televisiva. 

Monday, April 30, 2012

OS PROTAGONISTAS

Quatro dias depois de um conjunto de personagens públicas terem anunciado e concretizado não comparecerem na Assembleia da República ainda ouço na televisão o inevitável professor Marcelo ser chamado a responder à questão que abalou as celebrações de Abril: Foi ou não foi o desejo de protagonismo que levou os contestatários a não comparecer?

Marcelo, à semelhança da generalidade dos comentadores da praça, não aprova as não comparências mas considera que não foi a busca de protagonismo que motivou as suas decisões. E porquê? Porque todos eles, uns mais que outros, são sobejamente conhecidos para pretenderem mais protagonismo. Aliás, essa foi a resposta dada por Mário Soares a Passos Coelho quando este (sem nomear a quem se dirigia) disse (e não devia ter dito) que as anunciadas ausências decorriam do normal desejo de alguns quererem protagonismo em ocasiões destas.

Marcelo há muito que iniciou a sua campanha como candidato às próximas eleições presidenciais e, para o efeito, dispõe de palco duradouro e bem remunerado. Não lhe convêm posições públicas fracturantes e precisa de votos à esquerda do seu partido. Por tal motivo, nunca neste, como em casos com configurações semelhantes, lhe interessarão interpretações que passem para além do óbvio à primeira vista.

Porque há outra perspectiva pelo menos tão óbvia como a mais politicamente correcta.
É óbvio que, salvo muito raras excepções,  uma personagem pública (da política, do futebol, da televisão, etc.) nunca considerará, enquanto puder, que o seu protagonismo é suficiente enquanto ele não chegar ao fim. Do mesmo modo que um ricalhaço nunca abdicará de procurar mais fortuna mesmo que não precise de mais nenhuma.

Precisa um multimilionário de ser mais rico? Precisa pela sua atitude de necessidade incontida de mais riqueza.
Precisa Mário Soares de mais protagonismo? Precisa pela sua atitude incontida de intervir publicamente mesmo que algumas dessas intervenções possam ser geralmente reprovadas.

Dos protagonistas do 25 de Abril, recordo-me de apenas um, que após ter cumprido o papel principal que lhe tinha sido atribuído nas acções militares desse dia, dispensou todas as oportunidades e honrarias, licenciou-se em Ciências Políticas e Sociais, foi transferido para os Açores em 1979 e  colocado dois anos depois como comandante do presídio militar de Santa Margarida.
Chamava-se Fernando José Salgueiro Maia, morreu há 20 anos, a 4 de Abril.

Ficará na história como o herói  maior daquele dia em que mudou Portugal.

Tuesday, April 24, 2012

PARÁBOLA DO CASAL COM CONTA CONJUNTA


O Financial Times de hoje publica um artigo de Kenneth Rogoff ( professor de economia na Universidade de Harvard e co-autor de “This Time is Different”) - Uma parábola para o euro : um casal com uma conta bancária conjunta.


A parábola é conhecida, Kenneth Rogoff acrescenta, no entanto, um conjunto de outros titulares à conta inicial  para vincar mais a demonstração de que não há grupo que não acabe por se desintegrar se não houver entre os seus elementos um conjunto de valores centrípetos que lhes garanta unidade ao longo da viagem pelo tempo. 

Na sua versão original e mais simplificada que esta de Rogoff, pergunta-se se é possível a perdurabilidade da união de um casal que possui uma conta conjunta no banco mas um dos parceiros é perdulário ao ponto de afundar a solvabilidade e a credibilidade financeira do outro. A resposta óbvia é não. Por mais intensos que sejam os outros laços que os unem, mais tarde ou mais cedo o desregramento perdulário de um deles acabará por destroçá-los. A probabilidade dessa ocorrência aumenta quando aumenta o número de elementos ligados pela mesma conta conjunta. As vantagens, que também existem, na medida em que os banqueiros retribuem melhor as contas maiores, desfazem-se se um ou mais elementos do grupo colocar em causa a fiabilidade do conjunto.

Acontece o mesmo com um conjunto de países unidos por uma moeda comum. A mobilidade do factor trabalho entre os países membros é uma condição necessária mas não suficiente à coesão da união. Uma moeda comum exige, entre outros factores de coesão, uma autoridade fiscal central com autoridade tributária sobre os países membros, um regulador financeiro central, mas sobretudo não pode dispensar a legitimidade do poder de uma união política.

Em resumo: A União Europeia ou é uma união política legitimada democraticamente ou será desunião com todas as consequências dramáticas que esse divórcio implicará.

Dentro de algumas horas, cerca das 10 da noite, celebram-se 38 anos do início dos movimentos militares que no dia seguinte derrubariam um regime de quatro décadas que caiu sem que alguém tenha disparado um tiro em sua defesa. Este ano, as celebrações do 25 de Abril não vão contar com os militares representados na Associação 25 de Abril, Mário Soares também já fez saber que não contem com ele e Manuel Alegre, idem aspas. Argumentam, certamente por desmemoriação pontual, que a soberania do país está no prego e culpam este governo da afronta. 

Há dias, soube-se que o governo dos Países Baixos, que não se encontram em situação de fragilidade financeira, se demitiu por falta de apoio às medidas decorrentes do tratado recentemente assinado por 25 dos 27 membros da União Europeia.

Apenas  dois exemplos extremos, onde o incómodo das consequências da adesão a uma conta conjunta pré-nupcial ameaça acabar mais dia menos dia com a conta e destruir o grupo. A soberania, real ou imaginada, continua a determinar as emoções dos povos europeus enquanto eles não forem colocados perante a questão curial:

---, é de sua livre vontade ser europeu?, sujeitando-se a regras de convivência que não podem deixar de passar pela perda de soberania de cada um movimentar a conta conjunta conforme lhe der na real gana?  

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Act. - É muito curioso, e essa foi a principal razão que me levou a escolher o artigo de Rogoff como tema do meu apontamento de hoje, que sejam sobretudo os economistas norte-americanos que defendem o federalismo como única saída para o impasse europeu. Na União Europeia, o assunto continua tabu. Mesmo os federalistas europeus não disfarçam o incómodo da, consequente,  perda de soberania, muitas vezes já largamente perdida.  

Friday, April 25, 2008

OS GENERAIS DE ABRIL

Dois discursos, um mesmo tema, estão hoje em destaque no Público: O discurso do Presidente da Repúplica na AR e o resumo de entrevistas conduzidas por Adelino Gomes a cinco generais e um coronel envolvidos activamente no 25 de Abril.
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O Presidente da República, Cavaco Silva, mostrou-se hoje "impressionado" com a ignorância de muitos jovens sobre o 25 de Abril e o seu significado e denunciou uma "notória insatisfação" dos portugueses com o funcionamento da democracia. No seu discurso na sessão comemorativa do 25 de Abril, no Parlamento, Cavaco Silva divulgou extractos de um estudo que mandou realizar sobre o alheamento da juventude face à política, e atribuiu parte da responsabilidade aos partidos políticos.
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Quanto aos generais, pergunta em subtítulo Adelino Gomes, "O que querem os generais, desiludidos com a democracia?"
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Ninguém, de boa fé e com um mínimo de vivência antes do 25 Abril, pode afirmar que Portugal não mudou ou, mais grave ainda, que se mudou piorou. Terá, evidentemente, mudado para pior para um número muito reduzido que vivia das vantagens que o antigo regime lhes concedia em exclusivo. Para a esmagadora maioria dos portugueses, mudou para melhor e mudou muito, ainda que pudesse ter mudado mais.
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O desalento do PR relativamente à ignorância da juventude relativamente à data que marcou uma transformação profunda na vida portuguesa é exagerado. Em democracia vive-se em liberdade como num espaço aberto, respira-se sem dar por isso. Provavelmente, a juventude em geral tem do 25 de Abril uma ideia tão difusa como tem de muitos acontecimentos relevantes da nossa história, por deficiências no ensino. O que não parece pertinente tomar a data como celebração de uma dádiva. Porque se em 25 de Abril nos libertámos, até 25 de Abril nos deixámos agrilhoar. O 25 de Abril é ao mesmo tempo um dia de júbilo e o termo de um longo tempo de sujeição. É um marco na história que tem um significado distinto para aqueles que o transpuseram daquele que pode ser apreendido pelos que já nasceram num país livre.
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Em 24 de Abril de 1974 o regime estava tão deteriorado nas suas estruras e tão desacreditado internacionalmente que, para colapsar, qualquer abalo mínimo chegava. Esse empurrão chegou com a revolta dos militares, fundada inicialmente em razões corporativas. A revolução dos cravos tinha todas as condições para ser bem sucedida sem séria troca de tiros. Subitamente, praticamente todos os os militares estavam do lado certo, rezingando apenas um ou outro general mais afecto ao anterior regime, mas por pouco tempo.
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Percebe-se a inquietação actual dos generais? Percebe-se, sobretudo por razões corporativas.
O artigo de Garcia Leandro publicado há uns meses atrás referia uma questão sensível: as ameaças à instabilidade social decorrentes do agravamento das desigualdades sociais, mas não escondia que a sua denúncia continha reivindicações de interesses próprios. E, lamentavelmente, deixava no ar a ideia de que uma manifestação de desagrado general andava por aí.
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Como sempre acontece nestas situações, os incómodos de que falam os queixosos não são, realmente, aqueles com que se sentem incomodados. O que pouco abona o sentido patriótico das suas preocupações.
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Primeiro foi Garcia Leandro, ao dizer que muita gente o procurava a incitá-lo a que fizesse alguma coisa para parar a degradação das instituições democráticas.Mais recentemente foi Rocha Vieira (...) declarou que os tempos de crise que Portugal atravessa "ignoram o passado da independência e anunciam um futuro sem liberdade". (...) Loureiro dos Santos apelava ao Governo para que, "em vez de insistir em normas à margem do que a Constituição da República prescreve", demonstrasse "o seu apego à democracia e à lei, expurgando o RDM (Regulamento de Disciplina Militar) das inconstitucionalidades que ainda contém" e que, a crer na versão de um anteprojecto em consulta, poderá vir a ter ainda mais restrições ao exercício de direitos dos oficiais na reforma.Uma obra de um quarto general, Silva Cardoso, tecendo considerações absolutamente desencantadas em relação aos últimos anos da história portuguesa, surgiu igualmente nos últimos dias nos escaparates (...) o que querem afinal os generais, com este insistente cassandrear de péssimo agoiro? Não estarão eles a incentivar ou no mínimo a legitimar a preparação de alguma acção de força que mude o rumo do país? (...) Garcia Leandro "Queremos simplesmente uma democracia pluralista que funcione dentro das regras". (...) "Há pessoas que não têm só o direito de falar; têm o dever", enfatiza (...) Não é esta forma de democracia que está errada, esclarece. "O que está errado é o modo como os actores principais a têm servido. E a dificuldade que encontram as pessoas que querem fazer coisas"."Se Portugal fosse um barco, estava completamente virado para bom-bordo. Eu até poderia encarar com alguma tranquilidade o futuro do meu país se pudesse dizer assim: "As pessoas com mais de 50 anos são para deitar fora. Mas o que vem atrás é muito bom..." O problema é que não. Não é muito bom", explica Garcia Leandro. Este general, que actualmente preside ao Observatório de Segurança, Criminalidade Organizada e Terrorismo, aceita que nunca como hoje houve tanta gente nova portuguesa com tão altas qualificações no estrangeiro. E sublinha mesmo que desde 1976 Portugal melhorou muito. "Isso está fora de causa. O que me preocupa é o que não se fez ou foi mal feito ou podia ter sido mais bem aproveitado. Nomeadamente as verbas que vieram da Comunidade Europeia: alguém alguma vez se preocupou a sério em apurar quanto dinheiro chegou cá e o destino que lhe foi dado? (...) "Movimento de indignação civil", precisa agora o general, apostado em prevenir eventuais novas más interpretações, como aquelas que, lamenta, deturparam o artigo no Expresso ("A falta de vergonha"). Isto apesar de nele escrever, preto no branco, ser óbvio que "não haverá mais cardeais e generais para resolver este tipo de questões", pois "isso é um passado enterrado. Tem de ser o próprio sistema político e social a tomar as medidas correctivas para diminuir os crescentes focos de indignação e revolta".(...) (Para Rocha Vieira) "Se não estivéssemos na Europa, se calhar o desânimo era capaz de ser demonstrado de uma maneira mais violenta. Vivemos tempos complicados: as pessoas começam a sentir que a sua liberdade começa a ser coarctada; há esta ideia de os oficiais na reforma passarem a ser abrangidos pelo RDM; os oficiais ligados às associações militares começam a ser vistos de uma maneira enviesada. E tudo se passa com um Governo que aparentemente estaria com o 25 de Abril. Chegamos a uma situação destas num Governo de esquerda", lamentou-se ao PÚBLICO, num contacto telefónico.(...) Vasco Lourenço não tem visto com muita simpatia esta sucessão de declarações por parte de generais. "Para fazer ouvir a sua voz, seja quem for, tem que ter autoridade moral no que respeita aos temas em que quer ser ouvido. Infelizmente, isso não acontece, muitas vezes."Nos casos em apreço, "por escandaloso, há um que sobressai mais. O general Silva Cardoso, pelo seu passado, pela sua postura, não tem perfil nem qualquer autoridade para afirmar seja o que for. Até porque, normalmente, mente descaradamente", critica.Reconhece, contudo, que "os tempos actuais são complicados". Do seu ponto de vista e não apenas em Portugal, "o actual regime democrático parece esgotado", com os detentores do poder a fugirem para a frente, sem se aperceberem de que, cada vez mais, vão ajudando a degradar a situação, o que lhe lembra "os velhos senhores de Roma, que não viam o fim do Império a aproximar-se, de forma acelerada, e continuavam em festas e orgias". (...) Vasco Lourenço defende que ospartidos políticos voltem "à essência da sua criação", pois "não podem continuar a ser agências de empregos, coberturas e agentes de luta do poder pelo poder, causadores e encobridores de corrupção, enfim, maus agentes da democracia".
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Valha-nos Santa Europa!

Monday, April 23, 2007

33 anos

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Thursday, April 19, 2007

33 anos


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Wednesday, April 18, 2007

33 anos


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Tuesday, April 17, 2007

33 anos


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Monday, April 16, 2007