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Thursday, August 13, 2015

QUEM SE IMPORTA?

O saldo das transacções correntes deteriorou-se durante o primeiro semestre do ano corrente ameaçando recair na situação de défice crónico que conduziu ao insuportável nível de endividamento, público e privado, que condiciona actualmente o crescimento económico sustentado do país. 
Quem se importa com isso? O meu Amigo JMPM importa-se. Enviou-me há dois dias o desabafo que transcrevo abaixo. Mas a questão passa completamente ao lado da generalidade da população portuguesa.
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Pode proibir-se ou desanimar-se a importação de determinados produtos ou serviços lícitos? Não pode. Desde logo porque os tratados que subscrevemos não consentem, depois porque nenhum governo, qualquer governo, arriscaria apontar aos portugueses  as consequências perversas para a economia  do País de algumas das suas escolhas. É matéria em que nenhum partido, no governo ou na oposição, se arriscará a pôr as mãos.
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A RTP, p.e., enquanto empresa supostamente de serviço público, poderia divulgar factos e números que elucidassem a população das consequências no plano nacional e individual das suas escolhas. Mas faz o contrário. Um dos programas mais populares da estação de televisão pública - O Preço Certo - encaminha os telespectadores para  compra de tralha geralmente inútil.
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Somos atavicamente os maiores consumidores de bacalhau, e gabamo-nos disso. É todo importado. No dia em que houvesse a mais ténue referência pública para a extravagância deste recorde mundial, ia a casa abaixo. Mas somos também dos maiores consumidores de pescado em geral, que importamos em grande parte. Li há dias que a fruta preferida dos portugueses é o abacaxi. Por outro lado, Portugal é um mercado onde a BMW e Mercedes conseguem, nestes tempos de crise, os crescimentos de vendas mais significativos. Um suíço compra uma bicicleta "made in Suiça" e prefere os produtos alimentares de origem local, ainda que sejam relativamente mais caros. Os portugueses arregalam o olho para marcas estrangeiras e produtos exóticos. 

Não há nada a fazer?
Há, mas quem pode não deixa.
Ouvimos vezes sem conta que "os portugueses viveram acima das suas possibilidades". Independentemente da averiguação - que portugueses?-, é importante notar que só vive acima das suas possibilidades quem recebe crédito. O mesmo é dizer que a balança comercial se desequilibra quando o crédito concedido pelos bancos aumenta superando a poupança interna retida. A importação de crédito, que anima o prato da importação da balança comercial, é da responsabilidade dos bancos e actividades correlativas. É nessa sede que a questão se pode derimir numa zona monetária inacabada. 

Para além, obviamente, do equilíbrio das contas públicas que tarda em reflectir-se na inversão do crescimento da dívida. Que, em todo o caso, segue a regra geral: a dívida pública aumenta em grande medida pelo crédito obtido por quem tutela os interesses do Estado.
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"Li com preocupação os resultados das importações, agora divulgados pelo INE, durante o 2º trimestre deste ano: 9% a mais que em 2014. Considerando o crescimento das exportações,  já com 7 e tal por cento, um esforço admirável que o País está a fazer - sobretudo a gente do Norte - assim não dá nunca. Não pode dar. Isto é uma vergonha. Até o INE tenta esconder. Mesmo com ficheiros Excel, não mostra com clareza. Mas podia.

É assim: Segundo o INE, num quadro do Relatório em PDF - que não vem no Excel ! -, temos a seguinte estrutura de gastos com as importações no tal 2 ºtrimestre deste ano.

. 13% para produtos alimentares e bebidas (mas não discrimina o que são os produtos alimentares e sobretudo as bebidas, mas devem ser em grande parte os Continentes, os Pingos Doces, os Cortes Ingleses, etc, etc, etc, que continuam a importar como se o Pais fosse rico, e nós com tanta coisa boa para comer.... Ainda bem que não sou eu o Ministro da economia. Senão tinhamos sarilho.
  
. Indústria e maquinaria . Aqui Ok, nada a dizer porque é fundamentalmente investimento
. Combustiveis, nada a fazer, mas nós exportamos de Sines e a coisa lá se vai compondo
. Agora carros (alemães na sua maioria), respectivas peças e bens de consumos (lojas da moda e o que mais sei lá?)  quase 30%? Não. O governo tem que intervir. Quer queiram quer não. E mais: tem de dar o exemplo, com a frota de carros do Estado. Isto não pode continuar assim, se não não nunca vais haver IRSs, IVAs, Etc, etc, etc, que cheguem para alimentar esta malta. Não me admirava mesmo nada que este assunto fosse explorado politicamente pelo AC do PS. Claro, põem-se a jeito e depois que se queixem.  
Abç zm" 


20142015
Produtos alimentares e bebidas ??? 13.1%13.2%
Industria+maquinaria  43.2%42.4%
Combustiveis importados 16.8%15.3%
Carros + peças e bens de consumo gerais26.9%29.1%
100.0%100.0%

Sunday, February 03, 2013

O NEGRO E O VERMELHO

Subitamente, o El País publicou ontem informações que denunciam um escândalo de corrupção e favorecimento político que atingem vários dirigentes do partido do Governo e, nomeadamente, Mariano Rajoy é acusado de ter cobrado en negro. Rajoy negou imediatamente e anunciou que irá publicar na internet cópias das suas declarações de rendimentos e dos bens que possui, em seu nome, evidentemente. 80% dos espanhóis afirmam que aqueles que receberam por baixo da mesa deverão demitir-se. O que vale por dizer que a Espanha entrou numa fase de convulsão política que vai levar ao rubro a já sobre aquecida situação social do país vizinho.
 
Pode Rajoy publicar os documentos oficiais que entender mas, obviamente, essa exposição voluntária não torna transparente aquilo de que é acusado: se cobrou em negro, não colocou o negro no branco. Até onde irão os efeitos desvastadores deste furacão, ninguém sabe. O que se sabe é que a instabilidade política, já severamente ameaçada pelas pretensões independentistas que abanam o governo em Madrid, irá determinar uma degradação dos níveis de confiança dos espanhóis, já fortemente abalada pela recessão e taxas de desemprego recorde, e provocará, provavelmente, um retrocesso na evolução observada recentemente  dos custos da dívida.
 
Nada disto é inócuo para Portugal. Um agravamento da situação económica em Espanha repercurtir-se-á inevitavelmente nas exportações portuguesas, uma recaída na desconfiança dos investidores estrangeiros relativamente a Espanha não os encaminhará para os títulos da dívida soberana portuguesa dadas as repercussões negativas de um eventual agravamento da situação recessiva em Espanha sobre a nossa economia.
 
Se assim for, a ida aos mercados, o santo e a senha da libertação prometida, terá de esperar que o furacão passe e alguma confiança fique ainda de pé.
 
 

Thursday, January 24, 2013

O DÉFICE NÃO É UM PROBLEMA


Martin Wolf, citado por Paul Krugman aqui, defendia ontem no Financial Times que  a política fiscal norte-americana não está em crise - America´s fiscal policy is not in crisis -, o desafio mais urgente é a promoção da recuperação da economia. Sem dúvida, reconhece MW, a evolução da dívida poderá vir a colocar sérios problemas a longo prazo, mas a única forma de os evitar não é a redução da despesa a curto prazo mas a criação de condições de crescimento económico que obrigue a inflexão da curva do endividamento antes que este assuma proporções indomáveis. Em resumo: Martin Wolf alinha pela política da administração de Obama, ainda que pondere nela alguns trajectos que deverão ser equacionados, por exemplo, o crescimento dos custos de um sistema, ineficiente, de saúde. Do ponto de vista da oposição republicana no Congresso, que já engoliu metade do sapo do aumento do tecto da dívida, Martin Wolf será um socialista infiltrado no diário de maior expansão mundial, um símbolo inequívoco do capitalismo.

Uma das consequências imediatamente visíveis desta política é persistente desvalorização do dólar relativamente à moeda única europeia que, obviamente, favorece as exportações norte-americanas e dificulta as economias europeias, sobretudo aquelas que, por se encontrarem num patamar tecnológico médio menos competitivo, enfrentam desarmadas a guerra das moedas. A desvalorização da moeda não é uma  uma boa via para ganhar competitividade de forma sustentada, mas a valorização é certamente um handicap que algumas economias, e nomeadamente a portuguesa, com um tecido produtivo não geralmente sofisticado,  dificilmente poderão compensar com outros argumentos.

Assim sendo, é esperável que a União Europeia do norte reconheça a curto prazo que a política prioritária da austeridade tem de dar lugar a uma política mais flexível que, sem descurar a prosecução do aumento da eficiência do Estado, permita criar condições à revitalização das economias mais fragilizadas. A obsessiva polarização do discurso político no saneamento das finanças públicas, de que a reentrada nos mercados é um exemplo flagrante, tem desvalorizado o caminho económico que permitirá pagar a dívida. Alguns argumentam que não há crescimento económico sem saneamento das finanças públicas e que a economia não é o governo que a promove mas os empresários. O que sendo verdade, não é totalmente verdade. Se fosse, as exportações portugueses não representariam, apesar dos progressos observados, ainda uma parte menor do PIB do país.  

Monday, January 14, 2013

VINHOS E AIPEDES


Dois litros de cerveja produzida em "micro cervejaria" custam entre 9 e 11 dólares, consoante as diferentes qualidades à escolha do freguês, oito, na micro referida na foto.

À volta de Washington DC, na Virgínia e Maryland há várias. Mas a Virgínia orgulha-se, sobretudo, dos seus vinhos. Ainda que as Colas e outras beberagens afins continuem a ser preferidas pelos norte-americanos, os vinhos ocupam um lugar destacado em todos os supermercados, sinal de que são procurados sobretudo pelas classes mais altas. Vêm sobretudo da Califórnia, do Chile, da Argentina, da Austrália, África do Sul e, evidentemente, também de França, Itália, Alemanha e Áustria (brancos) e de Espanha. Da Suíça (caríssimos), até. 

A presença de vinhos portugueses, salvo os Portos, ou é nula ou insignificante. Pior do que isso: quando existe é representada geralmente por vinhos de qualidade inferior incutindo nos norte-americanos uma ideia errada sobre a qualidade dos vinhos produzidos em Portugal. Não me admiraria que os bons vinhos portugueses possam ter dificuldades de penetração nos EUA em consequência da avançada pelintra deste pelotão rasca.


Não é a primeira vez que anoto esta questão neste caderno de apontamentos. Repito-me porque hoje deparei com a colocação em lugar de destaque de uma dúzia de caixas de vinho verde de uma marca que nunca vi em Portugal. Preço : 4,99 dólares/garrafa. Não pode ser um bom vinho verde. Há muitos anos que os vinhos portugueses são referenciados no estrangeiro, e nomeadamente nos EUA, por produções que não prestigiam a actual qualidade dos nossos vinhos. Pelos vistos, a estratégia mantem-se. Admito que alguem ganhe com isso,  a vitivinicultura portuguesa certamente não. Se nem vendermos vinhos a estes tipos como é que arranjamos dólares para lhes pagar aipedes?

Saturday, November 10, 2012

AS CULPAS DOS SINDICATOS

- Li aqui que as exportações cairam pela primeira vez em Setembro desde o início do. Uma queda de 6,5%, em  consequência da redução do comércio intracomunitário e das greves dos estivadores.
- Não me digas que os culpados da situação económica em que o pais  se encontra são os sindicatos.
- Não disse tanto. Mas parece-me evidente que as greves contrariam em grande medida o esforço de recuperação económica, sobretudo na sua vertente exportadora, que é  aquela em que, nas circunstâncias actuais, com a procura interna em queda, assenta fundamentalmente a utilização do nosso potencial produtivo. E, objectivamente, a greve dos estivadores, uma corporação fechada, com um poder negocial desmesurado, até porque encontra suporte da classe além fronteiras, prejudica significativamente a economia.
- Desmesurada??? Desmesurada, porquê? A greve é legal, não? Ou sugeres que se altere a Constituição também nesse ponto?
- É legal. Mas a lei da greve deveria condicionar as condições em que os serviços monopolistas a podem utilizar. E, se for necessário, pois que se modifique a Constituição em conformidade.
- Essa é boa! Propões então que a lei da greve tenha aplicações diversas consoante as circunstâncias...
- Isso mesmo. Repara que, enquanto em qualquer actividade sujeita às leis da concorrência, uma greve numa empresa não impede que o consumidor recorra a outra do mesmo ramo, nas actividades monopolistas o consumidor, que é quem paga em última instância as exigências dos grevistas, que podem ser prepotentes, não tem alternativa. Como é que pode uma empresa, onde trabalham 1000 pessoas, cumprir os seus compromissos de entregas aos seus clientes, que, por sua vez empregam centenas ou milhares de pessoas, se uma dúzia de estivadores decide entrar em greve prolongada? A estiva é dominada pelos sindicatos, são eles que, senhores de uma exclusividade de serviço, que não permite a entrada de concorrentes, põem e dispõem até onde lhe der na real gana.
- Exageras ...
- Não exagero, não. O país, que se encontra sujeito a muitos rombos, entrará em colapso económico total se não houver quem ponha mão nesta anarquia constitucionalizada. E não me refiro, evdientemente, apenas aos estivadores ...
- A quem mais?  
- A todos quantos, como disse, realizam trabalho em regime monopolista. Por exemplo, os maquinistas da CP. É raro o dia em que não se ouçam declarações de greve dos senhores maquinistas da CP. Neste caso, a greve de uns poucos paraliza a quase totalidade da actividade transportadora da empresa. E quem paga as favas? O passageiro, que em muitos casos já pagou antecipadamente o passe e tem de pagar outro transporte ou faltar ao serviço, e que, além disso, tem de pagar a satisfação das reivindicações dos maquinistas, ou sob a forma de aumento das tarifas ou, como contribuinte, sob a forma de impostos que o governo canaliza para a empresa.
- Não têm, portanto, segundo o teu entender, direito à greve nem os estivadores nem os maquinistas da CP...
 - Há muitos mais sindicatos de profissionais com poder negocial desmesurado e que, frequentemente, abusam do direito à greve.
-  É quem é que avalia até que ponto foi ultrapassada pelos sindicatos a linha de abuso do direito à greve?
- É sempre possível estabelecer, em abstracto, critérios de avaliação da justeza das exigências dos sindicatos de profissionais de serviços monopolistas. Quando os estivadores reclamam condições de trabalho que excedem claramente as retribuições médias pagas a profissionais com idênticos requisitos de habilitação e experiência  profissional, as suas exigências são excessivas e lesivas do interesse nacional. Porque os portos são uma infraestrutura do Estado e a sua exploração não pode estar entregue ao livre arbítrio dos estivadores.
- Exageras ... 
- Veremos.

Monday, September 24, 2012

O OURO DA CRISE

Quase dez por cento do crescimento das exportações este ano é resultado de vendas de ouro, segundo o INE. Nos primeiros sete meses de 2012, Portugal exportou 26.914 milhões de euros em bens. Este valor é superior em 2.193 milhões ao que se registou no mesmo período do ano passado (subida de 8,9 por cento; valores nominais). Nos primeiros sete meses de 2012, as exportações de ouro portuguesas ascenderam a 455,9 milhões de euros. Comparando com o mesmo período de 2011, Portugal vendeu mais 201 milhões de euros, um crescimento superior a 75%. Desde 2000, a evolução das exportações de ouro (em euros) foi a sguinte: 
2012 (até Julho) 445,9
2011 519,4
2010 216,4
2009 102,1
2008 33,4
2007 6,9
2006 8,5
2005 1,4
2004 1,9
2003 2,3
2002 4,5
2001 5,6
2000 9,3
 
O crescimento das exportações tem sido dos poucos indicadores que têm aliviado o quadro negro da economia portuguesa. Mas saber que dez por cento desse crescimento, este ano, é resultado de vendas de ouro, é um indicador de sentido contrário.
Porque se,
Portugal não está a exportar ouro extraído de minas. É possível que isso possa acontecer dentro de quatro anos, segundo declarações do ministro da Economia feitas há algum tempo, mas por agora não há extracção mineira de ouro em Portugal,
Não é provável que os artífices de ouro portugueses tenham subitamente ganho credenciais lá fora para um aumento das exportações de ouro trabalhado,
Não é provável que o Banco de Portugal esteja a vender ouro e essas vendas consideradas exportações, embora eu continue sem perceber a política do BP relativamente às relativamente elevadas (acredito que ainda sejam) reservas de ouro à sua guarda numa altura em que as cotações estão em alta e a dívida pública indomável,
Só há, penso, uma justificação para esta escalada nas  vendas de ouro: qualquer coisa como 10 toneladas até Julho: a venda forçada de ouro trabalhado em consequência da crise. Há muita gente a recorrer aos compradores de ouro, que já devem ter ultrapassado os seis mil, que derretem anéis, pulseiras, fios, medalhas,gargantilhas, brincos, etc., e o moldam em barras para exportação.   Vd vídeo aqui
Dez toneladas de ouro são muitos anéis, muitas pulseiras, muitos fios, muitas medalhas, muitas gargantilhas, muitos brincos. São dez mil quilos de ouro que se escaparam dos dedos de quem não poude continuar a segurá-los. Chamam-lhe exportações.