Friday, September 30, 2022

POR UM PRATO AZEDO DE LENTILHAS

As notícias sobre o aproveitamento imoral, oportunista, de uma lei com boas intenções mas recheada de brechas por onde tentam escapar-se alguns foragidos da justiça, e alguns já se escaparam, para territórios desprevenidos da União Europeia e, deste modo, fixarem em Portugal bases lhes consentem continuar as suas actividades ilícitas, continuam a aparecer na imprensa para logo desaparecerem sem que se conheça a continuidade dos rastos. 

De um ou outro sabe-se, ou supõe-se que se sabe que, uma vez atribuída a cidadania portuguesa, não é revogável a concessão dada e os beneficiários são livres de circular no espaço comunitário europeu depois de terem pago um óbulo, enorme para quem o recebe, insignificante para quem o paga, sem honra nem proveito para o país que lhes concede a vantagem que, na sua origem, teve, devia ter, essencialmente como objecto a compensação moral por actos iníquos praticados há séculos sobre os seus antepassados.

Há dias, mais uma notícia no Público sobre a eventual entrada de mais um desses canalhas. Chamam-lhe oligarcas, mas admito que nem todos os oligarcas são canalhas ... . Estes oligarcas, que entram para tirarem partido de uma lei com boas intenções mas, propositadamente ou distraidamente, com alçapões para eles, e quem lhes concede o bónus, retirarem proveitos e escaparem à justiça, são, inequívocamente, canalhas.

Aqui

"Reino Unido sanciona mais um oligarca a aguardar a nacionalidade portuguesa -God Nisanov é um dos quatro oligarcas sancionados pelo governo de Londres. Lev Leviev, que também aguarda naturalização em Portugal, está a ser interrogado pelas autoridades israelitas por tráfico de diamantes."

God Nisanov, um dos maiores promotores imobiliários da Rússia, que está a aguardar pela naturalização portuguesa ao abrigo da “lei dos sefarditas”, é um dos alvos das novas sanções do Reino Unido contra Moscovo, em resposta aos pretensos referendos para a anexação das quatro regiões da Ucrânia ocupadas pelos russos. Em Israel, Lev Leviev, outro oligarca russo, também conhecido como o “rei dos diamantes”, que aguarda igualmente para ser português, foi interrogado pelas autoridades numa investigação de contrabando de diamantes.

“As sanções terão como alvo aqueles por trás dessas votações falsas [referendos], bem como os indivíduos que continuam a sustentar a guerra de agressão do regime russo”, justificou esta segunda-feira o ministro dos Negócios Estrangeiros, James Cleverly, no comunicado do Governo britânico. Ao todo, estão referidas 92 entidades e personalidades, entre as quais os líderes pró-russos das regiões ucranianas de Donetsk, Lugansk, Kherson e Zaporijjia e quatro oligarcas russos que entram na lista negra de Londres. God Nisanov está entre eles. - aqui 

Monday, September 19, 2022

PARA QUE IMPORTA A MONARQUIA?

Why the monarchy matters

The monarchy is an anachronism, yet it thrived under Elizabeth II. That holds lessons for her successor and for democracies elsewhere - v/p Economist

On september 19th, as Queen Elizabeth II is laid to rest, London will briefly become the centre of the world. In a distant echo of Britain’s imperial standing of a century ago, heads of state from dozens of countries, including President Joe Biden, will witness funeral rites and flummery in Westminster Abbey, while perhaps a billion or more of their citizens watch at home. That is a function of Elizabeth’s longevity. Her 70 years on the throne began in the twilight of that now-vanished era and were packed with state visits and receptions. But it is also a measure of her success. As King Charles III begins his reign amid strife in Britain, populism in the West and a challenge to democratic systems led by China and Russia, this success bears examination.

On the face of it, the British monarchy runs against the spirit of the times. Deference is dead, but royalty is built on a pantomime of archaic honorifics and frock-coated footmen. In an age of meritocracy, monarchy is rooted in the unjustifiable privilege of birth. Populism means that elites are out, but the most conspicuous elite of all remains. Identity politics means that narratives are in, but the queen kept her feelings under her collection of unfashionable hats. By rights, support for the crown should have crumbled under Elizabeth, as The Economist has sometimes imagined it might. Instead, the monarchy thrived.

Wednesday, September 14, 2022

O MUNDO É MONÁRQUICO

O mundo é monárquico?

Aparentemente, pelo menos, o fascínio da espécie humana pela monarquia é geral e tem milénios, ainda que muitos se digam republicanos de sete costados.

As andanças do corpo de Isabel II  (Elisabeth, no original) desde o local onde faleceu no seu castelo de Balmoral, na Escócia, no dia 8 deste mês até à abadia de Westminster de onde sairá o funeral para a capela de São Jorge no seu Castelo de Windsor no dia 19, são um espectáculo admirado por milhões de pessoas, presencialmente no Reino Unido, pela televisão por centenas de canais televisivos.

O que fez Isabel II de notável para ser tão adorada ou, pelo menos, tão admirada?

Pelo que fez, segundo a pretensa original opinião, aqui, de um crónico cronista, do Público, Isabel II é digna de pena.

"Faz pena uma mulher que perdeu uma vida inteira a agradar aos outros. Faz pena uma mulher que nasceu com tantas maneiras de passar agradavelmente a vida — com amor, terras, família, tempo, dinheiro e sentido de humor — ter passado tanto tempo em cerimónias públicas, a aturar pessoas das quais qualquer pessoa fugiria se pudesse." 

Esqueceu-se, ou desconhece, o cronista que Isabel II foi hábil gestora financeira : The sovereign’s wealth: UK royal family’s finances – explained. Entre aturar terceiros e os dissabores da sua prole, sua majestade também se divertiu a aumentar uma enormíssima herança, que ninguém saberá calcular. 

Faz pena.


Saturday, September 10, 2022

O INVICTO

 



"Segundo filme de Satyajit Ray, foi premiado com o Leão de Ouro no festival de Veneza, onde o cineasta decidiu que seria o segundo título de uma trilogia dedicada a Apu. O Invicto é o filme mais belo desta trilogia e uma das obras-primas de Ray.

Um comboio atravessa uma ponte sobre o rio. E logo estamos na cidade sagrada de Benares, nas margens do Ganges, onde Apu e os pais recomeçam a vida da família. Apu tem 10 anos e é um aluno curioso e brilhante. Mas o infortúnio obriga a que regresse com a mãe à aldeia natal. Apu ganha uma bolsa para estudar em Calcutá, o que vai obrigá-lo a separar-se da mãe.

Com música de Ravi Shankar, O Invicto é o grande filme de Ray sobre a figura da mãe , e nele estão também os temas marcantes da sua obra: a passagem do campo à cidade, o crescimento e o conhecimento." - c/p aqui

O VALOR ECONÓMICO E ESTRATÉGICO DA CACA

 

Falando da nossa caca, é um artigo de Jorge Almeida Fernandes, no Público de anteontem.

Transcrevo parte e concluo com informação que recebi de fonte fidedigna sobre o que é afirmado na parte final do artigo de JAF

"Olhemos dois números. Há 8015 mil milhões de seres humanos. E cada habitante do planeta produz diariamente 450 gramas de fezes. Que lhe fazemos? Não é um assunto repugnante que deva ser silenciado por tabus ou preconceitos. É uma questão de saúde pública, de ecologia e agricultura. Hoje, queremos livrar-nos das fezes. No Japão eram objecto de cobiça e foram o segredo da sua alta produtividade agrícola.

Parto de uma investigação da BBC, da jornalista Lina Zelnovich: "Por que é tempo de falar sobre a nossa caca". Os restos dos nutrientes humanos são desperdiçados, remetidos para os nossos oceanos e aterros sanitários em vez de serem devolvidos ao solo. As nossas fezes são um poderosíssimo fertilizante. Os cereais, a fruta e as verduras que comemos estão cheios de substâncias nutrientes, como azoto, fósforo, potássio e muitos outros. ...

Há hoje dispositivos para uso doméstico, que reciclam as fezes e limpam a água de factores patogénicos, permitindo, por exemplo, adubar e regar jardins. E há experiências em maior escala. A DC Water, de Washington, trata de forma inovadora toda a caca dos habitantes da capital americana, produzindo um fertilizante sólido, vendido por uma instituição sem fins lucrativos.

Mas é uma gota de água à escala mundial. E, como era de esperar, a sua aplicação na agricultura tem pela frente um poderoso lobby: a indústria de fertilizantes. Só pela força das crises se fará esta revolução: à terra o que vem da terra."

Sim, é verdade. 

Melhor ainda - não é só em DC- mas DC Water é provavelmente a maior entidade que tem esse programa. Inicialmente, DC Water oferecia o fertilizante a quem o quisesse ir buscar porque mandar o fertilizante para os aterros é mais caro. Mas a realidade económica mostra que as pessoas valorizam mais o que lhes custa comprar, e poucos se dirigiam às estações de tratamento para levantar os fertilizantes que necessitavam.

Foi, então, criada empresa que comercializa, embalando e distribuindo a preço conveniente. Está a ser bem sucedida.

Friday, August 26, 2022

Saturday, August 20, 2022

É MERDINA A MAIS

Ingenuidade a mais ou falta de vergonha?

"Empresa de filho de Sérgio Figueiredo recebeu 350 mil euros de Câmara liderada por Medina

Autarquia lisboeta concedeu o apoio a empresa de Sérgio Jacob Ribeiro para a realização do Planetiers World Gathering 2020, numa altura em que o atual ministro das Finanças era comentador na TVI24 a convite de Figueiredo."  ....  Continua aqui

Pergunto-me: Como é que um político, que sonha voar mais alto, se deixa estatelar por actos, que até podem ser legais, mas são moralmente destruidores da sua reputação?

Como ministro não sabe nem encontra na função pública pessoa ou grupos de pessoas competentes para desempenharem as atribuições que quis entregar a quem não apresenta curriculum que, inquestionavelmente, o recomende para o objectivo definido?

Como presidente da Câmara de Lisboa, não sabia que um apoio atribuído ao filho do director de televisão, que o convidou como comentador político sem contraditório, era promiscuidade ou ingenuidade a mais que, mais tarde ou mais cedo, seria conhecida?

Thursday, August 18, 2022

O ÓPIO DO POVO

 

(Enviado por pessoa e-mail sem referência ao autor)

Tuesday, August 02, 2022

SERÁ BOM ACREDITAR NUM GRANDESSÍSSIMO MENTIROSO?

 SE ELE DISSER O QUE NÓS QUEREMOS OUVIR?

 

Putin: “Nenhuma guerra nuclear deve ser desencadeada”- aqui

“Não pode haver vencedores numa guerra nuclear”, diz o Presidente russo. -

O Presidente russo, Vladimir Putin, disse esta segunda-feira que não pode haver vencedores numa guerra nuclear e que nenhuma guerra desse tipo deve ser iniciada.

Numa carta aos participantes de uma conferência sobre o Tratado de Não-Proliferação Nuclear (TNPN), mais de cinco meses após o começo da guerra contra a Ucrânia, Putin escreveu: “Partimos do facto de que não pode haver vencedores numa guerra nuclear e que esta nunca deve ser desencadeada, e defendemos uma segurança igual e indivisível para todos os membros da comunidade mundial”.

As palavras parecem ter como objectivo tranquilizar o mundo e retratar a Rússia como uma potência nuclear responsável. Contrastam com declarações anteriores de Putin e de outros políticos russos que foram interpretadas no Ocidente como ameaças nucleares implícitas.

Num discurso a 24 de Fevereiro, no arranque da invasão russa da Ucrânia, Putin referiu-se ao arsenal nuclear russo e avisou as potências externas que qualquer tentativa de interferência “conduziria [esses países] a consequências que nunca encontraram na sua história”.

Dias mais tarde, ordenou que as forças nucleares russas fossem colocadas em alerta máximo.

A guerra elevou as tensões geopolíticas a níveis não vistos desde a Crise dos Mísseis de Cuba de 1962, com políticos tanto na Rússia como nos Estados Unidos a falarem publicamente do risco de uma Terceira Guerra Mundial.

O director da CIA, William Burns, afirmou em Abril que, tendo em conta os reveses que a Rússia sofreu na Ucrânia, “nenhum de nós pode encarar de ânimo leve a ameaça representada por um potencial recurso a armas nucleares tácticas ou a armas nucleares de baixo rendimento”.

A Rússia, cuja doutrina militar permite a utilização de armas nucleares em caso de ameaça existencial ao Estado russo, acusou o Ocidente de empreender uma “guerra por procuração”, armando a Ucrânia e impondo sanções a Moscovo.

Esta segunda-feira, uma fonte do Ministério dos Negócios Estrangeiros russo questionou a seriedade dos comentários do Presidente dos EUA, Joe Biden, apelando a conversações sobre um quadro de controlo de armas nucleares para substituir um tratado que expira em 2026.

Em Abril, a Rússia realizou um primeiro ensaio do seu novo míssil balístico intercontinental Sarmat, capaz de montar ataques nucleares contra os Estados Unidos, e disse que planeava utilizar as armas até ao Outono.

--- Correl.-

A Rússia poderá vir a utilizar armas nucleares?  

O PEQUENO PROBLEMA NUCLEAR 

Monday, August 01, 2022

FASCISMO RUSSO

 Vladimir Putin is in thrall to a distinctive brand of Russian fascism

That is why his country is such a threat to Ukraine, the West and his own people

A Russian honour guard marches on Red Square during the Victory Day military parade in central Moscow on May 9, 2022. - Russia celebrates the 77th anniversary of the victory over Nazi Germany during World War II. (Photo by Alexander NEMENOV / AFP) (Photo by ALEXANDER NEMENOV/AFP via Getty Images)

What matters most in Moscow these days is what is missing. Nobody speaks openly of the war in Ukraine. The word is banned and talk is dangerous. The only trace of the fighting going on 1,000km to the south is advertising hoardings covered with portraits of heroic soldiers. And yet Russia is in the midst of a war.

In the same way, Moscow has no torch processions. Displays of the half-swastika “z” sign, representing support for the war, are rare. Stormtroopers do not stage pogroms. Vladimir Putin, Russia’s ageing dictator, does not rally crowds of ecstatic youth or call for mass mobilisation. And yet Russia is in the grip of fascism. - more

Friday, July 29, 2022

O ESTADO É DE BARRO

- "A lei permite que os litígios do Estado em que se discutem dinheiros públicos sejam decididos em tribunais privados, por juízes-árbitros nomeados livremente pelas partes, sem que exista algum mecanismo público que fiscalize a sua imparcialidade e os conflitos de interesses. - mais aqui

- Bom…mas, sendo juiz, o autor defende a classe. Corporativamente. 

- Uma visão distorcida ... e corporativa!







- Recordo-me, a este propósito, de  uma fábula de La Fontaine: a panela de barro e a panela de ferro.
 
Convidou a panela de ferro a panela de barro para um passeio. A panela de barro, receou: tu és de ferro, eu sou de barro ...
Não receies; somos amigas, não somos?
A panela de barro, confiante, aceitou.
Lá foram, conversando, conversando, .... até que ao dobrar de uma esquina, a panela de ferro (eram de três pernas, das antigas) desequilibrou-se, tombou para cima da panela de barro ... e era uma vez uma panela de barro.
Quem fez uma quarta classe feita não pode dizer que não conhecia esta fábula ...

- As regras do jogo tem de ser aceites por ambas as partes . Que são livres de aceitar ou não a formação de um tribunal arbitral. Os juízes na sua posição corporativa nunca gostaram de perder o poder monopolista, mas a via arbitral deve ser desenvolvida como acontece em todas democracias maduras.. e os agentes do Estado abusam muitas vezes do seu poder contra os cidadãos, investidores e empresas…
( ) face à morosidade paralisante dos tribunais administrativos e fiscais, ( ), a outra parte deveria ter a opção de recorrer a arbitragem ao fim de um certo tempo de morosidade..

Wednesday, July 27, 2022

O JOGO DA CABRA CEGA

Só não vê quem não quer ver

"A lei permite que os litígios do Estado em que se discutem dinheiros públicos sejam decididos em tribunais privados, por juízes-árbitros nomeados livremente pelas partes, sem que exista algum mecanismo público que fiscalize a sua imparcialidade e os conflitos de interesses. - mais aqui

Manuel Soares / Presidente da direção da Associação Sindical dos Juízes Portugueses

Tuesday, July 26, 2022

A TERCEIRA ROMA - PARTE 3

Russia says it wants to end Ukraine’s `unacceptable regime’ - aqui


Mas qual é, afinal, o objectivo último de Putin?

- Ser o fundador, o primeiro Imperador do Sacro Império Russo, com Moscovo como Terceira Roma, sendo a salvação humana o objectivo último.
- Não estás a falar a sério …
- Lê estas notícias,

 
E depois a Itália

Na Itália, líder da extrema direita ganha força com discurso pós-fascista - aqui

 
 

 

 

 

Sunday, July 24, 2022

FAÇA-SE ÁGUA

Se isto é verdade ...

FAÇA-SE ÁGUA

Diz-se, sobre Moisés, que foi um grande líder mas um mau ‘navegador’. Afinal, conduziu o povo judeu para o único lugar do Médio Oriente falto de recursos naturais (até descobrirmos, recentemente, gás natural no Mediterrâneo).

Um dos países com maior stress hídrico no mundo, Israel teve de enfrentar o desafio da escassez da água desde os primeiros anos como Estado. Em criança, lembro-me que as notícias da seca eram uma constante e os israelitas rezavam por chuva enquanto se certificavam de que não desperdiçavam água.

A necessidade moldou a evolução deste sector nos últimos 70 anos. Para sobreviver e desenvolver-se, Israel não teve outra opção senão criar uma série de tecnologias e aplicar práticas inovadoras que aliou a reformas estruturais, legislativas e organizacionais.

Israel percebeu, desde cedo, que precisava de uma solução holística em relação à água

O sector sofreu alterações significativas em todos os aspetos porque a única forma de lidar com a sua escassez foi equilibrar a população (exigente e crescente) com a gestão integrada dos recursos hídricos.

Como?

Legislámos. Temos uma lei da água e esgotos adaptada ao terreno;

Sensibilizamos do jardim de infância à terceira idade. A água é uma preciosidade;

Dessalinizamos em larga escala. Cerca de 80% de toda a água potável para uso doméstico provém de cinco centrais de processamento e usa-se água salobra na agricultura;

Reduzimos as perdas de água no sistema nacional de abastecimento urbano. É das mais baixas do mundo (5% a 8%);

Controlamos, rigorosa e continuamente, a qualidade da água;

Purificamos e reutilizamos. 95% das águas residuais são purificadas e 87% reutilizadas para a agricultura. A água tratada regressa à natureza.

Apostamos na irrigação de precisão. A por gotejamento foi apenas o começo sendo também o melhor método para aplicar fertilizantes em doses muito específicas. O desenvolvimento de variedades agrícolas menos ‘sedentas’ e a extração de água do ar são também áreas que desenvolvemos.

Apostamos na tecnologia da água. Está em constante evolução.

Não foi um milagre. Foi a soma destes fatores que tornou Israel o líder global no sector da água. Até exportamos para os países vizinhos, como a Jordânia e a Autoridade Palestiniana. Os recursos naturais transcendem fronteiras políticas e podem ser geridos cooperativa e sustentavelmente para maximizar a prosperidade de todos os atores na região. Dizia-se que seria a razão da próxima guerra no Médio Oriente mas, com os acordos que Israel alcançou com os seus vizinhos, a água está a tornar-se numa solução criadora de paz.

Israel percebeu, desde cedo, que precisava de uma solução holística em relação à água, capaz de promover ações não só para a poupar mas também para a produzir. É aqui que podemos contribuir como país com um dos sistemas hídricos mais avançados do mundo. Mais: é nosso dever moral partilhar conhecimento e experiência para encontrarmos a melhor solução para qualquer lugar na terra.

Atualmente, Portugal tem 66% do país em seca extrema e 34% em seca severa. A gravidade é tal que o governo está a preparar novas campanhas de sensibilização para um uso mais eficiente e consciente da água.

Israel tem a experiência e a tecnologia e estamos disponíveis para trabalhar com Portugal para que encontre, mais rapidamente, as melhores soluções para fazer face à escassez deste bem.

Todos temos de agir e podemos fazê-lo juntos.

Embaixador de Israel em Portugal

c/p - aqui

… e isto aqui: A água que se perde na rede de distribuição do Algarve daria para regar 40 campos de golfe

A EUROPA NA ARMADILHA

- Muito más notícias para a economia europeia. (Europe caught in a trap) - in Michael Roberts Blog * (Economista Marxista)

- Muito más notícias para o mundo.

Podia a Europa (e os EUA, e ..., e....) evitar a armadilha após o começo do arrasamento da Ucrânia em 24 de Fevereiro?
Podia, se visse, ouvisse, e se mantivesse calada como os três macaquinhos.
E depois se subjugasse ao diktat do ditador.
Os franceses (não só) abdicaram e bateram palmas (não todos, mas muitos) às tropas nazis em desfile pelos Campos Elíseos. E Paris foi poupada.
Apenas Churchill, no meio de uma cobardia generalizada dominada pelos ventos nazis, fascistas, etc. preponderantes na Europa,desafiou e enfrentou o monstro. Stalin fez um acordo com ele, arrependeu-se quando os ventos mudaram de direcção.
Mas a história não se repete e nem Churchill tinha o poder bélico nuclear, nem Hitler, que Putin detém e ameaça, repetidamente, usar quando assim decidir..
Ontem os russos atingiram Odessa e um navio ucraniano, depois de no dia anterior terem assinado acordos envolvendo a ONU e a Turquia para, finalmente, começarem a poder sair carregamentos de cereais para países onde se morre à fome.
Que fazer? Não sei, nem posso fazer nada.
Mas quem escreve que a Europa caiu numa armadilha e explica profusamente com gráficos as consequências previsíveis, o que pretende?
Exacerbar os instintos primitivos de sobrevivência da espécie e os consequentes comportamentos extremistas que desembocam no fim das democracias liberais e dos seus valores?
 
 

PORCARIA A MAIS

" Foi o coração que lhe sussurrou ao ouvido para seguir psicologia clínica mas, ao fim de algum tempo, a barriga dizia-lhe que não ia conseguir sobreviver." - aqui   

""de acordo com as notícias veiculadas pela comunicação social, a senhora presidente do conselho diretivo do  IEFP poderá ter recebido prestações sociais indevidas, designadamente de subsídio de desemprego". - aqui

- Que fazer, senhora ministra?

- Hein? ... Nada a fazer ... foi um descuido ... mas ela está pronta a devolver ... é uma atitude muito honesta, uma atitude dos nossos. 

 

 

E DEPOIS DO ACORDO

Rússia admite que atingiu barco militar no porto de Odessa

A porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros da Rússia, Maria Zakharova, admitiu este domingo que as forças russas atingiram um barco militar ucraniano que estava no porto de Odessa com mísseis de alta precisão. - aqui

Quem vai conseguir parar o Terrorista Global?

 

Tuesday, July 19, 2022

COM O MAL DOS OUTROS POSSO EU MAL

 ...

- Estive a ler o que escreveu há dias no seu blog, o artigo acerca dos vizinhos dos russos ..., para mim russos e ucranianos são a mesma gente, aquilo tem muita história por trás, ... há uma guerra entre eles, há muita destruição, pois há, mas a guerra, todas as guerras em todos os tempos fizeram muita  destruição, é mais do mesmo  ... as televisões durante dias não falaram de outra coisa, o covid desapareceu com a entrada da guerra   ... transmissões diárias em directo de vários locais ... foi uma fartura de guerra, de mísseis, de tanques, ... agora chegaram os fogos, desapareceu guerra, agora os directos são de onde há incêndios ... o covid acabou? a guerra acabou? ... li o seu artigo e parece-me que só o meu amigo é que está preocupado com a guerra entre ucranianos e russos, mas aquilo não passa de um mal entendido entre vizinhos, que são a mesma gente, acabarão por entender-se ... e depois, aquilo passa-se longe, muito longe daqui, daqui até lá, onde há combates são quase cinco mil quilómetros ... cinco mil quilómetros, meu caro, é muito quilómetro, ... aquela guerra está muito longe daqui, ... com o que é que o meu amigo está preocupado? que eles venham por aí abaixo e arrasem isto? não se preocupe, esqueça os russo, esqueça os ucranianos, ... com o mal dos outros podemos nós bem, não é?

 


Tuesday, July 05, 2022

A CULPA DOS RUSSOS

...

- Também discordo da invasão da Ucrânia, mas ...

- Aquilo não é invasão, aquilo é arrasamento, genocídio; o que os russos estão a fazer é uma destruição de cidades inteiras, atingindo indiscriminadamente não só instalações militares como edifícios civis, incluindo hospitais, maternidades, escolas, centros comerciais, zonas residenciais, bombardeados por mísseis disparados de longas distâncias. ..

- São imagens horríveis, sem dúvida. Mas não devemos confundir Putin e a governo do Kremlin com o povo russo ...

 - ... o ditador dá ordens para disparar para objectivos calculados com grande precisão que os meios de localização hoje permitem, e o míssil sai, e dentro de segundos o objectivo é atingido, os edifícios destruídos, as notícias são conhecidas em todo o mundo livre, os mortos, os feridos, e o ditador rebola-se contente e feliz. E o povo aplaude! 

- Não sei se o povo aplaude ...

- É o que dizem as sondagens feitas por instituto russo de idoneidade reconhecida: oitenta por cento dos russos está do lado de Putin e dos seus capangas. Os russos, na sua esmagadora maioria batem palmas  aos sucessos da pontaria dos seus mísseis disparados de longas distâncias.

- Há quem discorde ...

- Há, desde que não se manifeste. Aqueles que se manifestam ou são presos ou envenenados à distância, sempre bem longe do refúgio do assassino,

- Não pode menosprezar-se o facto de grande parte do território russo fazer parte do continente europeu e a sua cultura. Grandes nomes da cultura europeia eram russos: Tolstoi, Dostoievski...

- Dostoievski, um nome maior da literatura russa e um dos maiores da cultura europeia, foi condenado a trabalhos forçados na Sibéria, acusado de conspirar contra o czar. Há outros grandes nomes da cultura russa  e da cultura europeia, não só no campo da literatura e da música; Pushkin, Tchekhov, Gogol, Tchaikovsky, Rachmaninoff, Stravinsky, Prokofiev ...Prokofiev morreu no mesmo dia que Stalin mas a sua morte não foi desde logo anunciada para não ofuscar as homenagens que o regime prestou ao ditador. Mas que luminosidade se projectou sobre a cultura de um povo, na sua imensa maioria ignorante e servo? Quase nenhuma, se alguma existiu. O mesmo se pode dizer da literatura e da música durante o regime soviético, durante o qual aqueles que ousassem contestar o regime ou emigravam ou eram perseguidos e desterrados para a Sibéria. Leu o Arquipélago de Gulag?

. Não podemos ostracizar nem desvalorizar a cultura russa...

- Obviamente, não. Mas a maioria do povo russo que apoia Putin não o faz por orgulho nos seus poetas, escritores, compositores, músicos, artistas, mas por admiração pela ambição desmedida de um ditador querer conquistar o mundo. É a ele que bate palmas, não bate palmas a Dostoievski. Aliás, esta situação não tem nada de original, tem-se repetido ao longo dos séculos. Quem aplaudiu de forma acéfala Hitler, Mussolini, e outros ditadores menores, não foram povos com culturas recheadas de nomes que iluminaram o mundo mas se apagaram quando o delírio do povo os fez matar e morrer por causas apenas movidas por promessas de fortuna e poder  que os demagogos nunca podem cumprir? Goethe, Thomas Mann, Dante, Beethoven, e tantos outros? Não aplaudiram os franceses, entusiasticamente, as tropas nazis a desfilarem nos Campo Elíseos? Não todos, evidentemente. Mas de que lado estava naquele momento o povo francês? Quantos, dos que aplaudiam Hitler nos Campos Elíseos eram o povo francês?  Os que resistiram, relativamente poucos, na clandestinidade?Vítor Hugo,Voltaire, Claude Monet, e tantos outros, quem inspiraram naquela época de vergonha que nem a Marselhesa motivou?

- Putin não é Hitler.

- Não, Putin não é Hitler, porque Putin é muito mais perigoso com as armas, sobretudo o arsenal atómico  de que dispõe e que Hitler não tinha. Hitler, mesmo que quisesse, no momento em que se viu encurralado no bunker com os seus mais fiéis, não podia eliminar a espécie humana. Putin pode.

- Não acredito nisso. 

- Acreditar é uma questão de fé, de esperança, se quiser, mas não tem fundamentação científica. Acreditar, em muitas circunstâncias é motivador, noutras pode ser irresponsabilidade e até crime contra as vítimas da ausência de acção em tempo oportuno.

- A decisão de usar o armamento atómico não depende apenas dele.

- Ninguém sabe como uma decisão dessas será tomada, agora ou algum momento no futuro, para desencadear uma guerra atómica. O que se sabe é que instintivamente o ser humano tem como objectivo imediato salvar a pele e apoiar a decisão do comandante para não considerado traidor e eliminado imediatamente se manifestar desacordo. 

- Estás a ser demasiado pessimista. O pessimismo não faz bem a ninguém. Desafiar Putin pode desencadear a guerra nuclear e o stock nuclear existente em todo o mundo é, provadamente, mais que suficiente eliminar a espécie humana.

- Então a alternativa é deixá-lo avançar até onde ele quiser ir? Subserviência global?

- Não sei dizer. E tu, sabes?

. Sei que enquanto não for totalmente desmantelado o arsenal nuclear, com Putin ou outro Putin qualquer, subsistirá a a ameaça de extermínio da espécie humana.

- Utopia ...

- Será utópico, mas é  a única forma de garantir a sobrevivência da espécie humana. Passa, no entanto, pela consciencialização global (deprimente, reconheça-se) de que a humanidade está  à beira de um precipício que o equilíbrio do terror, com corrida aos armamentos nucleares durante a "guerra fria", tornou mais evidente. 

- Consciencialização global ... O que é isso?

- Exacatamente o contrário da ignorância global que os povos têm deste perigo.

- E se tivessem, o que acontecia?

- Os russos, por exemplo, não apoiariam um ditador que desde o começo do arrasamento da Ucrânia, que ele começou por chamar a 23 de Fevereiro, uma operação militar especial  na região do Donbas, e ao mesmo tempo avisava ter colocado o sistema nuclear em estado de alerta, precisando o seu ministro dos estrangeiros que não se tratava apenas de uma decisão de dissuasão mas de acção imediata se e quando assim entendessem. Os oitenta por cento da população russa que apoia Putin tem conhecimento de que a operação especial se tornou numa operação de arrasamento e terror? Não é credível que não tenha. De outro modo por que razão apoiaria Putin se dos efeitos possíveis da ameaça não sobrará ninguém?