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Saturday, March 30, 2024
PRR JAPONÊS
PRR Japonês
PRR Portugês
- Descubra das diferenças a partir da segunda parte deste apontamento
Na página da Medeia Filmes, Evil Does Not Exist - O Mal não Está Aqui. a sinopse do filme, começa pela referência elogiosa à carreira do realizador japonês Aku Wa Sonzai Shina, que lhe valeu diversos prémios. Não conhecemos outros filmes deste cineasta para além daquele que assistimos ontem, - no Nimas, uma sala modesta, sem pipocas nem coca cola, que se destaca dos buracos para projecção de filmes nos centros comerciais - a abordagem feita pela generalidade das apreciações foca-se no aspecto mais saliente desta obra, a ecologia, as consequências decorrentes das agressões feitas ao equilíbrio natural do meio ambiente. Em resumo:
"Evil Does Not Exist - O Mal Não Está Aqui", o novo filme de Ryusuke Hamaguchi, pai e filha confrontam-se com a ameaça à
sua vida em comunhão com a natureza. Filme é um conto ecológico sobre a
construção de um parque de campismo de luxo".
O título que atribuí a este comentário, não corrige nem procura de algum modo contraditar as apreciações feitas pela generalidade da crítica especializada na arte cinematográfica porque apenas procura ver para além da temática central do filme que, no entanto, opta no fim por uma deriva que não é determinante para a pertinência da obra e que, pela minha perspectiva, o desvaloriza: um argumento menos forte tende a debilitar um argumento forte.
O que no entanto parece ter escapado à generalidade dos críticos é a similitude entre as causas e as consequências em que se atravessam conveniências e conivências na subsidiação de planos de desenvolvimento económico e social (planos de recuperação e resiliência) após os anos de retrocesso da pandemia covid 19.
No caso concreto que motivou este filme, e que parece corresponder, pelo menos parcialmente, a factos reais, uma empresa, supostamente especializada na caça de talentos, elabora um plano de instalação de um camping de luxo, destinado a altos quadros de grandes empresas situadas em grandes cidades (Tóquio é a
referida no filme, como exemplo) que procuram férias num ambiente natural tão selvagem quanto possível para recuperarem da exaustão física e psicológica dos meses de trabalho intenso nos grandes centros urbanos.
E enviam dois supostos talentos ao local onde vai ser instalado o camping de luxo para informarem os residentes, uma comunidade que ali vivia desfrutando a tranquilidade da natureza.
É um requisito fundamental para aprovação do plano que os residentes sejam ouvidos, mas não necessariamente atendidas as suas objecções. Os dois talentos, que se vem a saber depois que de talento terão pouco e conhecimento do assunto objeto da sua missão ainda menos, enfrentam, entre outras objecções dos residentes, uma de ultrapassagem impossível para os dois talentos: o camping requer a instalação de uma fossa séptica que drenará os seus efluentes para os lençóis freáticos contaminando as águas puríssimas da região.
Por esta razão, entre outras, voltam os dois talentos a Tóquio para transmitirem à direcção da empresa de caça de talentos as razões dos residentes. E que melhor seriam mesma que direcção ouvisse os residentes, presença, aliás, reclamada por estes.
Enfureceu-se a direcção à distância, a direcção está bem longe dali, ordenando aos dois talentos que voltassem ao local, e convencessem os residentes, se preciso fosse corrompendo o líder dos contestatários, caso contrário o projecto não seria atendido, a empresa perderia muito dinheiro e eles perderiam o emprego.
E que tudo deveria estar feito como devia, dentro dos prazos exigidos pelas regras de atribuição de fundos e subsídios atribuíveis segundo o plano de recuperação e resiliência após o tombo provocado pelo covid.
Dos dois talentos, um desistiu, o outro terá morrido de exaustão.
Lá como cá. Cá, desde há muito tempo.
Escrevi aqui em 2 de Março: se ganhares, perdes; se perderes, ganhas.
Ganhou Montenegro.
O quê?
--- A propósito disto,
isto.
Thursday, July 21, 2022
PORTUGAL : UM PAÍS DE BILIONÁRIOS
Wednesday, January 20, 2021
É ASSIM, NA CHINA
China builds massive Covid-19 quarantine camp for 4,000 people as outbreak continues
... em Portugal : É urgente um confinamento mais robusto
"Portugal bateu ontem o recorde do número de mortes por Covid-19. Até ao momento, o País registou 9246 vítimas mortais. Em entrevista, hoje, à Antena 1, o matemático Henrique Oliveira defende que é urgente um confinamento mais robusto, com o encerramento das escolas. ... este professor do Instituto Superior Técnico diz que os cálculos apontam para que, no final de fevereiro, Portugal tenha 16 mil óbitos relacionados com a Covid-19."
Monday, February 09, 2015
HOJE HÁ PERCEBES*
O sr. Passos Coelho rejeita publicamente qualquer renegociação com a Grécia porque uma posição complacente colocá-lo-ia em dificuldades perante o eleitorado que ele necessita em Setembro/Outubro que lhe dê a maioria absoluta com que ainda (ou cada vez mais) sonha.
Apostou, mais por convicção que falta de outra alternativa, num propósito, e qualquer mensagem que sugerisse sequer uma inflexão nesse propósito seria aproveitado partidariamente pelos seus adversários políticos, internos e externos. Está refém de uma estratégia que falhou em grande medida mas que nem Merkel & Companhia do Norte nem ele querem, por diferentes razões, reconhecer.
Intimamente, as coisas passam-se modo diferente. Imagine-se que Merkel & Companhia do Norte acabam por conceder ao Syriza o benefício da dúvida e que, decorrente de recuos de parte a parte, a Grécia obtem parte daquilo que pretende: p.e., o pagamento da dívida em função do crescimento do PIB. Persistirá o sr. Passos Coelho na sua cruzada contra os relapsos gregos ou ficará satisfeito por nos poderem tocar por tabela algumas vantagens das eventualmente concedidas à Grécia? A resposta parece óbvia, não?
Esta, aliás, tem sido a praxis politica do sr. Passos Coelho desde a sua tomada de posse: exibir uma atitude de sobre cumprimento dos objectivos do MoU, uma exibição sempre coniventemente aplaudida pela srª Merkel e pelo sr. Schäuble, e aproveitar o que pode das vantagens consequentes da rebeldia grega. Hipocrisia ou oportunismo, chamem-lhe o que quiserem, mas não me parece que possa haver outra leitura à superfície da obediência a uma estratégia, que falhou em grande medida, na Grécia, em Portugal, na Europa, e a que, aparentemente, o sr. Passos Coelho se continua a agarrar como os percebes à rocha.
Resumindo: O sr. Passos Coelho não vai mudar de estratégia. Espera apenas que a estratégia venha ter com ele.
---
* Colocado aqui
Apostou, mais por convicção que falta de outra alternativa, num propósito, e qualquer mensagem que sugerisse sequer uma inflexão nesse propósito seria aproveitado partidariamente pelos seus adversários políticos, internos e externos. Está refém de uma estratégia que falhou em grande medida mas que nem Merkel & Companhia do Norte nem ele querem, por diferentes razões, reconhecer.
Intimamente, as coisas passam-se modo diferente. Imagine-se que Merkel & Companhia do Norte acabam por conceder ao Syriza o benefício da dúvida e que, decorrente de recuos de parte a parte, a Grécia obtem parte daquilo que pretende: p.e., o pagamento da dívida em função do crescimento do PIB. Persistirá o sr. Passos Coelho na sua cruzada contra os relapsos gregos ou ficará satisfeito por nos poderem tocar por tabela algumas vantagens das eventualmente concedidas à Grécia? A resposta parece óbvia, não?
Esta, aliás, tem sido a praxis politica do sr. Passos Coelho desde a sua tomada de posse: exibir uma atitude de sobre cumprimento dos objectivos do MoU, uma exibição sempre coniventemente aplaudida pela srª Merkel e pelo sr. Schäuble, e aproveitar o que pode das vantagens consequentes da rebeldia grega. Hipocrisia ou oportunismo, chamem-lhe o que quiserem, mas não me parece que possa haver outra leitura à superfície da obediência a uma estratégia, que falhou em grande medida, na Grécia, em Portugal, na Europa, e a que, aparentemente, o sr. Passos Coelho se continua a agarrar como os percebes à rocha.
Resumindo: O sr. Passos Coelho não vai mudar de estratégia. Espera apenas que a estratégia venha ter com ele.
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* Colocado aqui
Wednesday, January 08, 2014
EURO - QUINZE ANOS DEPOIS
"Com 15 anos de idade o euro é ainda um adolescente difícil", é o título de um artigo do Economist desta semana mas o gráfico que o acompanha, sugere-me outro: Quinze anos desunidos.
Culpa do euro?
Se a moeda única não existisse, o que seria a União Europeia, hoje? A Comunidade Económica Europeia teria subsistido mesmo que sujeita a sucessivas vagas de competitividade monetária entre os seus membros? Poucos discordarão que a Alemanha foi a grande beneficiária da moeda única, gerida em grande medida em função dos seus interesses, muitos observarão que os britânicos tiraram partido da sua, relativa, independência monetária, mas outros repararão que a Finlândia conseguiu melhor, sendo membro da zona euro. E até onde pode o euro explicar o retrocesso da Itália e a letargia da economia portuguesa? Que peso de responsabilidade se pode atribuir à sujeição do segmento menos competitivo da economia portuguesa à inflexibilidade cambial e à concorrência nesses segmentos de países com custos de mão-obra muito mais baixos? Continuo a pensar que este segundo factor foi, e continua a ser, muito mais determinante que o primeiro e uma prova disso tem sido o comportamento positivo também de algumas exportações situadas em actividades de mão de obra intensiva.
Explicações, há tantas quantas os explicadores.
Num aspecto, penso, coincide a opinião da grande maioria: A União sem euro já não estaria unida (se estivesse, estaria unida em quê?); com euro, está, ao fim de quinze anos ainda bem longe de se afirmar como uma união política, condição sine qua non para o equilíbrio que possa garantir a sua perenidade e continuar a preservar a paz num continente propenso à guerra entre os seus membros.
Pode um maior sentido de interesse comum ser motivado por uma ameaça exterior? Há quem pense que sim, que a reemergência da Rússia como potência mundial obrigará a Alemanha a olhar menos para o seu umbigo. A recente admissão da Letónia na zona euro, as movimentações populares na Ucrânia, os sucessivos planos de resgate da Grécia, são factos indiciadores de que, para lá do euro, há muitos factores de índole geoestratégica em jogo.
Segundo o articulista do Economist as perspectivas de médio prazo continuam sombrias, grande parte do endividamento dos países mais fragilizados encontra-se encostado a bancos da zona euro, nomeadamente da Alemanha, e, na parte que mais directamente nos diz respeito, Portugal encaminha-se para um segundo resgate, no trilho da Grécia. Grécia, que entra no sétimo ano de recessão (admira muito que se situe ainda acima de Portugal em termos de PIB per capita) e estará a caminho de um terceiro resgate.
Se prosseguir no mesmo caminho, se para proteger os seus bancos, a Europa credora, liderada pela Alemanha, continuara a obrigar ao pagamento de um preço pelos devedores que, por se tornar insuportável, acabará por comprometer a subsistência da União, e em última instância, a solidez do seu sistema financeiro.
A menos que se agigante o tal inimigo externo.
Tuesday, August 28, 2012
O TEMPO E O DINHEIRO
A situação na Grécia volta à ribalta da tragédia europeia. Contra o cada vez maior número daqueles que sentenciam a sua saída do euro, insurgem-se os líderes gregos. O actual primeiro-ministro Antonis Samaras afirmava há dias que a saída do euro seria devastadora para a Grécia e prejudicial para a Europa. Significaria uma nova quebra de cerca de 70 por cento no nível de vida dos gregos que, neste momento, já recuou 35 por cento por causa da acção combinada da desvalorização e da inflação. E admitia a hipótese de vender algumas das ilhas desabitadas, sem perda de soberania sobre as mesmas. (cit. aqui)
Hoje, Venizelos, o lider do Pasok (cit. aqui) afirmava que "Conversas sobre saída da Grécia do euro devem acabar" e que "a Grécia não precisa de mais dinheiro, apenas de mais tempo para cumprir o programa de reformas".
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Quem parece não comungar deste optimismo de Venizelos é, por exemplo, o Crédit Agricole que (cit aqui) pretende vender aos gregos a sua subsidiária na Grécia, Emporiki, e continuar a redução da sua exposição em Espanha e na Itália. Mais tempo é o que os bancos agradecem para se safarem dos créditos incobráveis.
Em Portugal temos nova visita dos troicos para auditoria do progresso das reformas, consequências e danos emergentes. O Governo português tem afirmado e reafirmado que não precisa nem de mais tempo nem de mais dinheiro, mas, recentemente, com o défice a desobedecer às instruções dos domadores, é muito provável que venha a solicitar uma coisa e outra.
O que se traduzirá, se vier a acontecer, num adiamento do reconhecimento daquilo que há muito é evidente: Nem Portugal, nem a Espanha, nem a Itália, e muito menos a Grécia, podem safar-se da teia em que se encontram emaranhados enquanto os juros da dívida não forem os suportáveis.
Mais dinheiro implica mais dívida e mais juros. Mais tempo implica não fazer amanhã o que não se quer fazer hoje. A solução do imbróglio é política. Ou há condições políticas para reduzir a carga que esmaga os países ameaçados e restaurar a confiança dos depositantes desses países ou não há nem tempo nem dinheiro que possa desatascar a zona euro, e por tabela a União Europeia, dos terrenos movediços em que todos (uns mais que outros) estão metidos.
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Saturday, May 26, 2012
A HORA DA VERDADE
O cerco aperta-se. Aos resultados da repetição das eleições na Grécia que podem colocar a extrema esquerda no poder e destroçar um sistema financeiro já fortemente abalado, juntam-se as notícias do progressivo agravamento da situação dos bancos espanhóis, com particular destaque, pela sua dimensão, o Bankia, já parcialmente nacionalizado.
Segundo El País, o relatório do Bankia publicado ontem avisa os accionistas que podem perder tudo se não reforçarem as suas participações. Em 2011 as perdas do Bankia atingiram os 2979 milhões de euros, um valor que estrondosamente contrasta com o lucro de 305 milhões que havia sido apresentado há três meses.
Em consequência destes resultados e das exigências impostas pela UE o Bankia pede agora que o estado espanhol injecte 19 mil milhões de dinheiro público, que se somarão aos 4465 milhões que já recebeu. As contas foram visadas pelos auditores que, no entanto, registaram reservas. Os activos tóxicos do Bankia decorrentes essencialmente de financiamentos ao sector imobiliário elevam-se agora a 30950 mil milhões; o volume de activos tóxicos detidos pelo BFA (Banco Financiero y de Ahorros) é ainda mais elevado mas as suas contas ainda estão a ser objecto de reformulação. Como o BFA consolida nas suas contas os resultados do Bankia, o montante dos activos tóxicos contabilizados no BFA já atingem os 41500 milhões antes da reformulação em curso das contas do BFA.
Este é apenas um exemplo (embora, em princípio, o mais saliente em Espanha), das primeiras previsiveis consequências de uma derrocada de um grande banco sobre um sistema com diversos níveis de interdependência.
É neste contexto resultante de uma política de irresponsabilidade resultante da conivência entre a ganância dos banqueiros e a demagogia dos políticos, que a União Europeia tem de decidir se vai prosseguir no sentido da integração política ou do desmantelamento da obra edificada até agora.
Ontem, comentei o contexto em que tal decisão tem de ser tomada, e resumi algumas afirmações contidas num longo artigo (mais um entre centenas) que o Economist já dedicou ao tema. Curiosamente, enquanto o futuro de Portugal passa pela Europa, por melhor que seja sucedida uma política atlantista que muitos defendem, jornalistas, comentadores, analistas, políticos da oposição e do governo, esgotam e esgotam-nos o tempo com temas com que costumavam vender os tablóides.
No fim de contas, pensarão muitos, que podemos nós fazer para impor seja o que for à dona da loja, a senhora Angela Merkel? Merkel, por opção ou inevitabilidade, tornou-se protagonista da crise, oxalá não seja protagonista do início do desmembramento da União e do conflito cultural que ele desencadear.
Cito, a seguir, um resumo da segunda parte do referido artigo do Economist:
"A Alemanha é culpada da crise? Muito, segundo alguns entusiastas federalistas. Para o ministro alemão das finanças, Wolfgang Schäuble, a moeda única foi à partida uma passada no caminho para uma integração plena da Europa. Mas
para lá chegar é preciso haver harmonização fiscal e centralizar o poder de decisão, a Comissão Europeia deverá ser eleita e devem ser atribuídos novos poderes ao Parlmento Europeu. Contudo, não é oportuno avançar quando o euro está à beira do colapso e os eleitores serão coagidos a votar numa situação ameaçadora. Com o tempo, a Europa voltará a crescer e as novas instituições ganharão legitimidade."
"Aproveitar a crise do euro como uma oportunidade para federalizar a UE provocaria um equívoco eleitoral. A geração do pós-guerra que via na UE um baluarte contra um novo conflito báelico está a a desaparecer ... Hoje não é evidente que os europeus sintam o mesmo...O projecto de Constituição foi abortado, o Parlamento Europeu está muito distante."
"Uma outra versão de um super estado europeu consistiria na aceitação da continuidade das políticas nacionais mas aumentar o poder de controlo do governo de cada país sobre os outros. Contudo, a crise do euro veio demonstrar que
as decisões colectivas são muito difíceis e os países mais pequenos receiam a influência excessiva dos maiores. Se Berlim paga as facturas e diz ao resto da Europa como devem comportar-se, arrisca-se a fomentar um nacionalismo destruidor e uma animosidade contra a Alemanha. Por outro lado, reforçaria a propensão para a saída dos membros mais liberais na perspectiva económica"
"É por isso que defendemos um caminho que limite a partilha da carga da dívida e a transferência de soberania. ... A zona euro necessita de um sistema global de supervisão bancária (uma ideia que Wolfgang Munchau adiantava há dias no FT, que comentei neste caderno), recapitalização, garantia dos depósitos, e regulação. Os governos da zona euro serão capazes de dominar e reduzir as suas cargas fiscais se houver mutualização da dívida acima de determinados limites (outra ideia já várias vezes adiantada por alguns economistas). Mas em qualquer caso a resposta não é transferir tudo para a UE."
"Haverá (mesmo assim) mudanças enormes. Os políticos deixarão de pressionar os bancos nacionais para apoiarem empresas nacionais (inviáveis) ou comprar obrigações do tesouro. Os bancos deixarão de ser espanhóis ou alemães mas progressivamente europeus. Trata-se de uma integração limitada à finanças quando as fronteiras económicas há muito foram abolidas"
"A integração fiscal pode também ser limitada. Não há necessidade para Bruxelas se ocupar dos impostos sobre o consumo nem de toda a dívida de cada estado membro. O que é preciso é que os países sobreendividados tenham acesso ao crédito e que os bancos tenham uma carteira de activos não principalmente ligados às circunstâncias de um país."
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"Até agora, Angela Merkel tem-se oposto a todas as formas de mutualização ... Se adoptasse a sugestão (do Economist, e não só), a Alemanha pagaria pagaria mais do que paga pela sua dívida, subsidiando os credores em risco, mas não seria uma federalização total da dívida. ... Estas emissões de dívida conjunta não contrariariam as restrições constitucionais da Alemanha."
"Mesmo assim uma versão limitada de federalismo é complicada. Um regulador bancário único pode exigir alterações aos tratados, que pode ser dificultada pelo facto de dez membros da UE não fazerem parte da zona euro..."
"...Uma questão subsiste para além de tudo isto: Estarão os alemães, os austríacos ou os holandeses suficientemente solidários com os italianos, os espanhóis, os portugueses e os irlandeses para pagar a conta? Pensamos que eles teriam interesse nisso. Chegou a hora da verdade para os líderes europeus, e especialmente para Angela Merkel, decidirem"
Friday, June 25, 2010
TIROS NOS PÉS
Atentado à bomba na Grécia mata chefe de segurança ministerial, lê-se no Público online de hoje.
Ontem, o artigo do Washington Post que transcrevi aqui era acompanhado desta fotografia, e da legenda "Tourists wait at the Piraeus Port, near Athens, where striking workers prevented hundreds of passengers from boarding ferries."
Dos muitos milhões de pessoas que lêm estas notícias, aquelas que desejam visitar a Grécia e as suas ilhas, retrair-se-ão perante os perigos e os incómodos que elas promovem.
A ultrapassagem da crítica situação grega (não muito mais crítica que outras, incluindo Portugal) não passa por maior prodigalidade do governo alemão mas, essencialmente, pelo crescimento económico. Ora a economia grega tem de contar com o turismo como um dos sectores mais decisivos para o seu crescimento.
Não são as notações de ranking que afastam os turistas da Grécia, nem o nível de endividamento dos gregos. O que contraria o crescimento económico não são essencialmente as restrições financeiras mas os bloqueamentos das capacidades produtivas disponíveis. Os constrangimentos financeiros são sempre resultado de deficiente gestão dos recursos disponíveis.
Krugman, Stiglitz, Martin Wolf, Soros, etc., poderão criticar a Alemanha pela sua obsessão com a inflação (e as repercussões que essa obsessão terá na Europa e, mais preocupante para eles, nos EUA e no UK), mas não podem refutar o óbvio: os países financeiramente mais fragilizados são aqueles onde as economias são estruturalmente menos resistentes à crise. O caso da Espanha é pardigmático. Como não se cansa de salientar Krugman, a Espanha tinha antes da crise de 2007 as finanças públicas equilibradas, na realidade estava até a gerar saldos fiscais positivos e a dívida pública apresentava níveis relativamente ao PIB abaixo dos observados na Alemanha.

Não são as notações de ranking que afastam os turistas da Grécia, nem o nível de endividamento dos gregos. O que contraria o crescimento económico não são essencialmente as restrições financeiras mas os bloqueamentos das capacidades produtivas disponíveis. Os constrangimentos financeiros são sempre resultado de deficiente gestão dos recursos disponíveis.
Krugman, Stiglitz, Martin Wolf, Soros, etc., poderão criticar a Alemanha pela sua obsessão com a inflação (e as repercussões que essa obsessão terá na Europa e, mais preocupante para eles, nos EUA e no UK), mas não podem refutar o óbvio: os países financeiramente mais fragilizados são aqueles onde as economias são estruturalmente menos resistentes à crise. O caso da Espanha é pardigmático. Como não se cansa de salientar Krugman, a Espanha tinha antes da crise de 2007 as finanças públicas equilibradas, na realidade estava até a gerar saldos fiscais positivos e a dívida pública apresentava níveis relativamente ao PIB abaixo dos observados na Alemanha.

vd aqui
A azul a Alemanha, a vermelho a Espanha.
O problema de Espanha é a sua fortíssima dependência da construção civil e obras públicas. A reacção de contracção (tardia e conivente) dos bancos credores deve-se à quebra de confiança na capacidade espanhola de solver os seus compromissos após o rebentamento da bolha imobiliária (há muito tempo esperada) e ao elevado nível de desemprego que reduz a capacidade dos tomadores de empréstimos de pagarem as suas dívidas.
O espectro da bancarrota não se avoluma necessariamente em função do limite de endividamento atingido. Como referem Reinhart e Rogoff em This Time is Different, o nível de endividamento público máximo previsto no Tratado Maastricht (50% do PIB) não corresponde ao nível máximo historicamente tolerado. Muitos países (sobretudo os de economias emergentes) entraram em bancarrota bem abaixo daquele limite enquanto outros se sustentaram sem quebrar com níveis de endividamento muito superiores.
É a situação económica que, fundamentalmente, comanda a resistência financeira de cada país.
É por essa razão que Krugman, Stigliz, Martin Wolf, Soros etc. só aparentemente divergem de Constâncio e Beça, por exemplo. Portugal e Alemanha enfrentam problemas completamente diferentes. E a Alemanha não pode resolver os nosso problemas, que têm se ser resolvidos por nós. Pode dar uma ajuda.
E não se apaga o fogo financeiro lançando-lhe dinheiro em cima.
---
No Jornal de Negócios on line de hoje: França pretende reduzir o défice orçamental em 40 mil milhões de euros . Ninguém na Europa parece dar ouvidos a Krugman & Cª.
A azul a Alemanha, a vermelho a Espanha.
O problema de Espanha é a sua fortíssima dependência da construção civil e obras públicas. A reacção de contracção (tardia e conivente) dos bancos credores deve-se à quebra de confiança na capacidade espanhola de solver os seus compromissos após o rebentamento da bolha imobiliária (há muito tempo esperada) e ao elevado nível de desemprego que reduz a capacidade dos tomadores de empréstimos de pagarem as suas dívidas.
O espectro da bancarrota não se avoluma necessariamente em função do limite de endividamento atingido. Como referem Reinhart e Rogoff em This Time is Different, o nível de endividamento público máximo previsto no Tratado Maastricht (50% do PIB) não corresponde ao nível máximo historicamente tolerado. Muitos países (sobretudo os de economias emergentes) entraram em bancarrota bem abaixo daquele limite enquanto outros se sustentaram sem quebrar com níveis de endividamento muito superiores.
É a situação económica que, fundamentalmente, comanda a resistência financeira de cada país.
É por essa razão que Krugman, Stigliz, Martin Wolf, Soros etc. só aparentemente divergem de Constâncio e Beça, por exemplo. Portugal e Alemanha enfrentam problemas completamente diferentes. E a Alemanha não pode resolver os nosso problemas, que têm se ser resolvidos por nós. Pode dar uma ajuda.
E não se apaga o fogo financeiro lançando-lhe dinheiro em cima.
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No Jornal de Negócios on line de hoje: França pretende reduzir o défice orçamental em 40 mil milhões de euros . Ninguém na Europa parece dar ouvidos a Krugman & Cª.
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