Palavras cruzadas para entreter a viagem.
"Não há questões filosóficas, há questões de linguagem." - Wittgenstein
"Insanity is doing the same thing over and over again, expecting different results" - Albert Einstein
Entronizada, pela segunda vez, por um cesto de deploráveis.
Basket of deplorables foi o termo que Hillary Clinton usou para caracterizar aqueles menos afortunados, apoiantes de Trump.
Por falar verdade, Hillary perdeu as eleições para Trump em 2016.
Trump torceu as palavras de Clinton durante toda a campanha. Hillary Clinton recuou no dia seguinte, e esse recuo foi determinante para a vitória de Trump.
O politicamente correcto nem sempre dá dividendos e pode mesmo determinar derrotas.
Trump nunca recua mesmo que afirme as mais evidentes mentiras ou negue as mais cristalinas verdades.
Assim sendo, em tempos dominados por notícias falsas, mentiras, calúnias ...onde mora o politicamente correcto?
A partirde ontem a democracia norte-americana, que, pelo The Economist Democracy Index já era considerada no grupo das democracias com falhas, Flawed democracies, irá, certamente, experimentar brutal descida no índice do Economist.
Só no núcleo executivo do novo Governo norte-americano há cinco membros com fortunas superiores a 100 milhões de dólares e quatro nomeados com passagem pela Fox News".
Um Governo de milionários: quem é quem na nova Administração Trump Pete Hegseth (Defesa), Kristi Noem (Segurança Interna), Lee Zeldin (Agência de Protecção do Ambiente), Linda McMahon (Educação), Doug Burgum (Interior) e Howard Lutnick (Comércio), entre outros nomeados para a nova Administração, jantaram este sábado com o próximo vice-presidente dos EUA, J.D. Vance
Leio o teu
comentário (sobre o artigo do The Economist - Putin seems to be winning the war in Ukraine—for now His biggest asset is Europe’s lack of strategic vision - de 30 de Novembro) e a minha primeira intenção foi não comentar porque, pela
minha perspectiva, vejo que temos opiniões contrárias sobre o assunto em
questão e de nada podem valer os meus débeis conhecimentos contra os
teus, certamente muito bem fundamentados, argumentos.
Facilmente
admitirei que não tenho como avaliar se na Ucrânia de hoje o despotismo
e a corrupção imperam e a democracia é uma ideia peregrina. Tenho lido e
ouvido, se tenho ainda capacidade suficiente para ler e ouvir
razoavelmente, que a União Europeia tem observado a evolução da Ucrânia
no sentido da democracia, afastando, se não todos, pelo menos grande
parte dos oligarcas e introduzido controlos de redução da corrupção.
Consideras
que não é a melhor ideia para garantir a segurança e o bem estar dos
povos envolverem-se, e, com esse envolvimento, empobreceram os povos de
países completamente alheios a uma disputa entre duas cleptocracias,
porque a fronteira leste ideal para a União Europeia tem muito que se
lhe diga. E que em vez da perpetuação de uma guerra o importante será
negociar uma paz numa base realista.
Pois será. E até já sabemos quem se propõe cessar a guerra numa semana e obter um acordo de paz no dia seguinte.
É Trump.
É
muito evidente que se Trump ganhar, em grande medida com esse
argumento, as presidenciais de Novembro do próximo ano, o Boeing
presidencial voará poucos dias depois para Moscovo para entregar a
Ucrânia a Putin. E a fronteira ideal da União Europeia será desenhada
nesse momento histórico.
Mas não será um desenho a traço
cheio, será antes, um esboço, uma mancha de geometria variável à
disposição de Putin que, ele o disse, pretende recuperar o sonho de uma
União Soviética com a bênção de Cirilo I.
Não estamos, está visto que não estamos do mesmo lado de uma fronteira ideal da União Europeia.
O
que me causa estranheza é ver-te desse lado onde se perfilam ao lado de
Putin, a srª. Marine Le Pen (muito provavelmente próxima presidente dos
franceses), da srª. Giorgia Meloni, (primeira-ministra dos italianos)
do Sr. Viktor Orbán (primeiro-ministro dos húngaros), além de outros
personagens que saltarão para esse lado logo que Trump chegar lá. De cá,
o sr. Paulo Raimundo já lá está e o sr. André Ventura vai a caminho.
---
* De Philip Roth foi publicado em 2004 - The Plot Against America - uma ficção retrospectiva de uma hipótese que não tinha acontecido: se nas eleições presidenciais norte-americanas de 1940 (em plena Segunda Guerra Mundial) Roosevelt tivesse perdido para Charles Lindbergh, um piloto de aviação famoso que em 1927 tinha feito, pela primeira vez, um voo sem escala entre Nova Iorque e Paris, que rumo teria levado o mundo? Lindbergh , que nem concorreu, era simpatizante do nazismo. Philip Roth quis neste livro evidenciar aos norte-americanos o perigo de os destinos do país serem alguma vez entregues a um conspirador contra o seu próprio país.
---
Putin seems to be winning the war in Ukraine—for now
His biggest asset is Europe’s lack of strategic vision - c/p The Economist
image: Agnew/Getty Images/Eyevine
FOR THE first
time since Vladimir Putin invaded Ukraine on February 24th 2022, he
looks as if he could win. Russia’s president has put his country on a
war footing and strengthened his grip on power. He has procured military
supplies abroad and is helping turn the global south against America.
Crucially, he is undermining the conviction in the West that Ukraine
can—and must—emerge from the war as a thriving European democracy.
The
West could do a lot more to frustrate Mr Putin. If it chose, it could
deploy industrial and financial resources that dwarf Russia’s. However,
fatalism, complacency and a shocking lack of strategic vision are
getting in the way, especially in Europe. For its own sake as well as
Ukraine’s, the West urgently needs to shake off its lethargy.
The
reason a Putin victory is possible is that winning is about endurance
rather than capturing territory. Neither army is in a position to drive
out the other from the land they currently control. Ukraine’s
counter-offensive has stalled. Russia is losing over 900 men a day in
the battle to take Avdiivka, a city in the Donbas region. This is a
defenders’ war, and it could last many years.
However,
the battlefield shapes politics. Momentum affects morale. If Ukraine
retreats, dissent in Kyiv will grow louder. So will voices in the West
saying that sending Ukraine money and weapons is a waste. In 2024 at
least, Russia will be in a stronger position to fight, because it will
have more drones and artillery shells,
because its army has developed successful electronic-warfare tactics
against some Ukrainian weapons and because Mr Putin will tolerate
horrific casualties among his own men.
Increasing
foreign support partly explains Russia’s edge on the battlefield. Mr
Putin has obtained drones from Iran and shells from North Korea. He has
worked to convince much of the global south that it has no great stake
in what happens to Ukraine. Turkey and Kazakhstan have become channels
for goods that feed the Russian war machine. A Western scheme to limit
Russian oil revenues by capping the price for its crude at $60 a barrel
has failed because a parallel trading structure has emerged beyond the
reach of the West. The price of Urals crude from Russia is $64, up
nearly 10% since the start of 2023.
Mr Putin is also winning because he has strengthened his position at home.
He now tells Russians, absurdly, that they are locked in a struggle for
survival against the West. Ordinary Russians may not like the war, but
they have become used to it. The elite have tightened their grip on the
economy and are making plenty of money. Mr Putin can afford to pay a
lifetime’s wages to the families of those who fight and die.
Faced with all this, no wonder the mood in Kyiv is darker.
Politics has returned, as people jostle for influence. Volodymyr
Zelensky, Ukraine’s president, and Valery Zaluzhny, its most senior
general, have fallen out. Internal polling suggests that corruption
scandals and worries about Ukraine’s future have dented Mr Zelensky’s
standing with voters.
As notícias sobre o aproveitamento imoral, oportunista, de uma lei com boas intenções mas recheada de brechas por onde tentam escapar-se alguns foragidos da justiça, e alguns já se escaparam, para territórios desprevenidos da União Europeia e, deste modo, fixarem em Portugal bases lhes consentem continuar as suas actividades ilícitas, continuam a aparecer na imprensa para logo desaparecerem sem que se conheça a continuidade dos rastos.
De um ou outro sabe-se, ou supõe-se que se sabe que, uma vez atribuída a cidadania portuguesa, não é revogável a concessão dada e os beneficiários são livres de circular no espaço comunitário europeu depois de terem pago um óbulo, enorme para quem o recebe, insignificante para quem o paga, sem honra nem proveito para o país que lhes concede a vantagem que, na sua origem, teve, devia ter, essencialmente como objecto a compensação moral por actos iníquos praticados há séculos sobre os seus antepassados.
Há dias, mais uma notícia no Público sobre a eventual entrada de mais um desses canalhas. Chamam-lhe oligarcas, mas admito que nem todos os oligarcas são canalhas ... . Estes oligarcas, que entram para tirarem partido de uma lei com boas intenções mas, propositadamente ou distraidamente, com alçapões para eles, e quem lhes concede o bónus, retirarem proveitos e escaparem à justiça, são, inequívocamente, canalhas.
"Reino Unido sanciona mais um oligarca a aguardar a nacionalidade portuguesa -God Nisanov é um dos quatro oligarcas sancionados pelo governo de Londres. Lev Leviev, que também aguarda naturalização em Portugal, está a ser interrogado pelas autoridades israelitas por tráfico de diamantes."
God Nisanov, um dos maiores promotores imobiliários da Rússia, que está a aguardar pela naturalização portuguesa ao abrigo da “lei dos sefarditas”, é um dos alvos das novas sanções do Reino Unido contra Moscovo, em resposta aos pretensos referendos para a anexação das quatro regiões da Ucrânia ocupadas pelos russos. Em Israel, Lev Leviev, outro oligarca russo, também conhecido como o “rei dos diamantes”, que aguarda igualmente para ser português, foi interrogado pelas autoridades numa investigação de contrabando de diamantes.
“As sanções terão como alvo aqueles por trás dessas votações falsas [referendos], bem como os indivíduos que continuam a sustentar a guerra de agressão do regime russo”, justificou esta segunda-feira o ministro dos Negócios Estrangeiros, James Cleverly, no comunicado do Governo britânico. Ao todo, estão referidas 92 entidades e personalidades, entre as quais os líderes pró-russos das regiões ucranianas de Donetsk, Lugansk, Kherson e Zaporijjia e quatro oligarcas russos que entram na lista negra de Londres. God Nisanov está entre eles. - aqui