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Sunday, July 24, 2022

FAÇA-SE ÁGUA

Se isto é verdade ...

FAÇA-SE ÁGUA

Diz-se, sobre Moisés, que foi um grande líder mas um mau ‘navegador’. Afinal, conduziu o povo judeu para o único lugar do Médio Oriente falto de recursos naturais (até descobrirmos, recentemente, gás natural no Mediterrâneo).

Um dos países com maior stress hídrico no mundo, Israel teve de enfrentar o desafio da escassez da água desde os primeiros anos como Estado. Em criança, lembro-me que as notícias da seca eram uma constante e os israelitas rezavam por chuva enquanto se certificavam de que não desperdiçavam água.

A necessidade moldou a evolução deste sector nos últimos 70 anos. Para sobreviver e desenvolver-se, Israel não teve outra opção senão criar uma série de tecnologias e aplicar práticas inovadoras que aliou a reformas estruturais, legislativas e organizacionais.

Israel percebeu, desde cedo, que precisava de uma solução holística em relação à água

O sector sofreu alterações significativas em todos os aspetos porque a única forma de lidar com a sua escassez foi equilibrar a população (exigente e crescente) com a gestão integrada dos recursos hídricos.

Como?

Legislámos. Temos uma lei da água e esgotos adaptada ao terreno;

Sensibilizamos do jardim de infância à terceira idade. A água é uma preciosidade;

Dessalinizamos em larga escala. Cerca de 80% de toda a água potável para uso doméstico provém de cinco centrais de processamento e usa-se água salobra na agricultura;

Reduzimos as perdas de água no sistema nacional de abastecimento urbano. É das mais baixas do mundo (5% a 8%);

Controlamos, rigorosa e continuamente, a qualidade da água;

Purificamos e reutilizamos. 95% das águas residuais são purificadas e 87% reutilizadas para a agricultura. A água tratada regressa à natureza.

Apostamos na irrigação de precisão. A por gotejamento foi apenas o começo sendo também o melhor método para aplicar fertilizantes em doses muito específicas. O desenvolvimento de variedades agrícolas menos ‘sedentas’ e a extração de água do ar são também áreas que desenvolvemos.

Apostamos na tecnologia da água. Está em constante evolução.

Não foi um milagre. Foi a soma destes fatores que tornou Israel o líder global no sector da água. Até exportamos para os países vizinhos, como a Jordânia e a Autoridade Palestiniana. Os recursos naturais transcendem fronteiras políticas e podem ser geridos cooperativa e sustentavelmente para maximizar a prosperidade de todos os atores na região. Dizia-se que seria a razão da próxima guerra no Médio Oriente mas, com os acordos que Israel alcançou com os seus vizinhos, a água está a tornar-se numa solução criadora de paz.

Israel percebeu, desde cedo, que precisava de uma solução holística em relação à água, capaz de promover ações não só para a poupar mas também para a produzir. É aqui que podemos contribuir como país com um dos sistemas hídricos mais avançados do mundo. Mais: é nosso dever moral partilhar conhecimento e experiência para encontrarmos a melhor solução para qualquer lugar na terra.

Atualmente, Portugal tem 66% do país em seca extrema e 34% em seca severa. A gravidade é tal que o governo está a preparar novas campanhas de sensibilização para um uso mais eficiente e consciente da água.

Israel tem a experiência e a tecnologia e estamos disponíveis para trabalhar com Portugal para que encontre, mais rapidamente, as melhores soluções para fazer face à escassez deste bem.

Todos temos de agir e podemos fazê-lo juntos.

Embaixador de Israel em Portugal

c/p - aqui

… e isto aqui: A água que se perde na rede de distribuição do Algarve daria para regar 40 campos de golfe

Saturday, May 20, 2017

O AMIGO DAS ARÁBIAS

Soube-se hoje que Mr. Trump vendeu aos sauditas 110 mil milhões dólares de armas no primeiro dia da sua primeira saída dos EUA desde que tomou posse, um sucesso que lhe permitirá desacelerar o movimento interno que ameaça a sua destituição. Resta ver que negócios será ele capaz de engendrar junto de israelitas e palestinianos para acabar, promessa dele, com o conflito entre palestinianos e israelitas que dura desde  a fundação do Estado de Israel, há quase 70 anos. 

Para Mr. Trump, vender armas é fácil, aliás já estariam vendidas, Mr. Trump limitou-se a oficializar o negócio, mesmo que essas armas sejam vendidas a quem, segundo o próprio Trump, suporta os fanáticos do Isis, que ele, o mesmo Mr. Trump, se propõe eliminar. 

Tão terrivelmente fácil quanto terrivelmente sujo. 


Tuesday, August 26, 2014

OS GOULÕES

O meu amigo H. remete-me com alguma frequência artigos de jornalistas, cronistas ou artífices de obras afins, exclusivamente apologistas do combate aos israelitas, venham os combatentes de onde vierem. Suponho que o H. esteja convencido que eu seja tão dedicado aos judeus como ele ao Benfica, desconfiando sempre que, apesar da ausência de evidências, eu escondo uma secreta paixão pelo Sporting. Normalmente, são psicólogos sociais que o dizem, a condição humana opta desde muito cedo por posições políticas, desportivas ou religiosas, geralmente estáveis ao longo da vida, sendo anormais, no sentido que exorbitam da regra geral, e suspeitos, os que vieram ao mundo desprogramados dessas paixões serôdias. Não apenas por laracha, se vangloriam aqueles adeptos, seja do que for, de admitirem mudar de mulher (ou de homem) mas de clube, nunca! E as estatísticas dão-lhes largamente razão onde o divórcio não for condenado pelos credos religiosos.

Hoje o H. enviou-me por e-mail este testemunho de acusação do expansionismo israelita perpretada através de sucessivas limpezas étnicas, agora continuadas nos ataques terroristas a Gaza. Este e outros textos com conclusões idênticas nunca admitem a mínima razão do lado de Israel. Mais: por detrás de Israel pairam sempre os interesses abomináveis dos norte-americanos e, frequentemente, a  traição egípcia. Admitamos que são pertinentes todos os argumentos e consistentes todas as conclusões destes acusadores de Israel. 

Mas como explicam estes pretensos defensores da causa árabe (qual delas?) as atrocidades cometidas pelos islâmicos entre si, pela guerra sem tréguas entre sunistas e xiitas, que apenas concordam (os que concordam, mas é desses que trata o artigo de J. Goulão) na eliminação de Israel? Como explicam o vandalismo cada vez mais feroz dos talibãs, da Al Qaeda e do Exército Islâmico que destrói barbaramente memórias da cultura histórica dos seus povos?

Os palestinianos têm, sem dúvida, direito a uma pátria. Mas tem esse direito, necessariamente, que concretizar-se sobre a dizimação ou expulsão de mais de oito milhões de pessoas de um território onde a esmagadora maioria nasceu? Perguntem isso a qualquer fundamentalista islâmico, nascido árabe, persa, inglês, francês, ou português até, e ele aprontará imediatamente a arma para provar que sim. E os goulões, aqueles que, sentados nas bancadas, se excitam até ao auge mais com as derrotas dos  adversários que elegeram do que com as vitórias das hostes que adoptaram,  infinitamente menos perigosos mas igualmente embalados pelas opções marcadas à nascença, que resposta têm?

Presumo que não têm resposta.

Sunday, August 24, 2014

O IMPÉRIO DO MEDO

- Essas afirmações não devem ser feitas em público, aconselham-me num país que nasceu pela liberdade e se fez grande em liberdade. E fico atónito. Como pode o terror instalado por fanáticos condicionar aqui a liberdade de expressão que, no caso, mais não é que questionar-se acerca das razões que podem sustentar uma evidência estatística?
- Rui, o teu apontamento é perigoso, para não dizer incendiário! avisa-me, (com mais que evidente exagero, quem sou eu para ser capaz de incendiar?), do outro lado Atlântico, (vd. comentário à minha nota anterior), o Francisco, filósofo, meu amigo de longuíssima data.

Como poderia eu, amigos meus, que prezo a liberdade como o valor moral essencial à aquisição de todos os outros, colocar-me alguma vez ao lado dos que defendem o império do medo?


Friday, February 11, 2011

O EGIPTO

está livre. De Mubarak, sim. Mas livre mesmo, se ficar, vai levar tempo.


Mubarak abandonou o poder. O Exército egípcio anunciou que vai ser o garante das reformas no país e prometeu a realização de eleições livres e justas. Nas ruas de várias cidades do Egipto milhões de pessoas festejam o fim de 30 anos do regime do faraó.

O poder está agora nas mãos dos militares.
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Quando, como e a quem o vão transferir? Não se sabe. O que se sabe é que os EUA  têm sido até agora o grande fornecedor/financiador das forças armadas egípcias, que grande parte da élite militar egípcia passou pelas academias militares norte-americanas, que a administração norte-americana quer a democracia mas não quer que o processo de democratização seja aproveitado pelos extremistas para ditarem as suas leis e instalarem outra ditadura naquele país.

A CIA dava ontem como certa a saída de Mubarak. Mas Mubarak reafirmou a sua intenção de se manter em funções até Setembro. Enganou-se ou não tinha a informação toda. A partir de agora, tudo pode acontecer. Os movimentos de massas são geralmente imprevisíveis e a confraternização na Praça Tahrir juntou no mesmo clamor grupos que dentro de pouco tempo serão temíveis rivais.

O caldeirão norte-africano estava a fumegar, agora entrou em ebulição. Do outro lado está Israel e, não muito longe dali, os poços de petróleo do golfo pérsico. Dois vizinhos inquietantes.

Friday, January 09, 2009

Tuesday, June 10, 2008

OBAMA E ISRAEL

O meu Amigo Francisco C. estranhava há dias que Obama tivesse declarado que Israel é intocável.
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Não conheço os exactos termos em que Obama expressou a sua posição relativamente ao estado judaico mas li ( El País, de Domingo último, caderno "Será Presidente?") que Obama, que antes havia declarado que se reuniria com o presidente do Irão sem condições para alcançar a paz, durante uma reunião com a Associação de Assuntos Públicos Estados Unidos-Israel, afirmou-se um verdadeiro amigo de Israel e acusou os palestinianos do grupo extremista Hamás de corruptos e falsos profetas do extremismo. Obama prometeu, na oportunidade, que Jerusalém continuará a ser a capital indivisa de Israel, e que a sua segurança nunca será colocada em cheque.
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Poderia dizer o contrário?
Independentemente do peso dos judeus norte-americanos na vida económica e política dos EUA, que não pode ser descurado por qualquer candidato à presidência, poderiam os EUA deixarem de proclamar o seu alinhamento com um estado cuja fundação também favoreceram?
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Penso que não. Israel, visto no mapa, é um espaço pequeno rodeado por todos os lados por territórios extensos governados por regimes geralmente hostis, a maior parte dos quais pretende destruí-lo. Talvez a recriação do estado de Israel tenha sido um grande erro histórico mas consentir o seu aniquilamento seria consentir de novo um incomensurável ultraje à dignidade humana. A paz é possível?
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Anos de guerra e de acordos de paz fracassados ou rompidos levam a pensar que o furúnculo não se extirpará jamais. Aquele território parece ter sido condenado pelos deuses que o habitam a servir de palco a confrontações milenares. Se houver uma solução ela terá de passar pela ocupação por tropas das Nações Unidas e o desarmamento nuclear de Israel e de todos os países à volta. Talvez Obama tenha a intuição, a capacidade, o engenho, para negociar a paz usando as Nações Unidas como escudo protector das suas propostas. Se não conseguir, os EUA continuarão irremediavelmente responsáveis pela sobrevivência de Israel. Pelo menos enquanto forem a potência militar indiscutível que hoje são.
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Jeremiah A. Wright, pastor, que foi mentor de Obama durante anos quando este era organizador comunitário num bairro problemático de Chicago em meados dos anos 80, foi o grande perturbador da campanha eleitoral de Obama nas primárias ao afirmar nos seus inflamados sermões: "Deus amaldiçoe a América! Merecemos os (atentado terroristas) de 11 de Setembro, pela violência no Médio Oriente. Todo o mal que fizemos noutros países volta-se contra nós."

Tuesday, November 27, 2007

ANNAPOLIS - UM GESTO NOBEL



President Bush, center, stands between Israeli Prime Minister Ehud Olmert, left, and Palestinian President Mahmoud Abbas at Annapolis summit.
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Quantas vezes não vimos já a mesma fotografia com outros figurantes?! Um gesto que, de tantas vezes repetido, se desvalorizou, e em que, certamente, muito poucos acreditam possa resolver um problema, aparentemente, irresolúvel. A começar por aqueles que não foram convidados para a cimeira.
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Mas um gesto já (precipitadamente) nobelizado.