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Saturday, May 20, 2017

O AMIGO DAS ARÁBIAS

Soube-se hoje que Mr. Trump vendeu aos sauditas 110 mil milhões dólares de armas no primeiro dia da sua primeira saída dos EUA desde que tomou posse, um sucesso que lhe permitirá desacelerar o movimento interno que ameaça a sua destituição. Resta ver que negócios será ele capaz de engendrar junto de israelitas e palestinianos para acabar, promessa dele, com o conflito entre palestinianos e israelitas que dura desde  a fundação do Estado de Israel, há quase 70 anos. 

Para Mr. Trump, vender armas é fácil, aliás já estariam vendidas, Mr. Trump limitou-se a oficializar o negócio, mesmo que essas armas sejam vendidas a quem, segundo o próprio Trump, suporta os fanáticos do Isis, que ele, o mesmo Mr. Trump, se propõe eliminar. 

Tão terrivelmente fácil quanto terrivelmente sujo. 


Friday, December 25, 2015

FILHOS DE ABRAÃO

Não há, certamente, manifestação mais evidente da estupidez humana que matarem-se os homens uns aos outros em nome do mesmo Deus. O cartoon de Kal, que coloquei anteontem neste caderno de apontamentos, não podia ser mais acutilante do cúmulo dessa estupidez.

Num artigo do El País de ontem - La ola de violencia arruina la temporada de Navidad en Tierra Santa - o jornalista sintoniza a sua reportagem aos prejuízos causados à indústria turística por uma guerra milenária entre crentes fanáticos ou coercivamente fanatizados das religiões abraâmicas, monoteístas. 


Na foto, um palestiniano lança uma pedra com uma funda contra soldados israelitas enquanto três homens vestidos de São Nicolau deambulam em direcções opostas. Há dez anos que não se observava em Jerusalém uma onda de violência como esta que se exacerba há três meses entre judeus e muçulmanos . Mesmo no meio da luta fratricida, que nunca teve fim à vista entre os filhos de Abraão, passeiam-se impassíveis os negócios da estação festiva cristã. 

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Correl . -

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Tuesday, August 26, 2014

OS GOULÕES

O meu amigo H. remete-me com alguma frequência artigos de jornalistas, cronistas ou artífices de obras afins, exclusivamente apologistas do combate aos israelitas, venham os combatentes de onde vierem. Suponho que o H. esteja convencido que eu seja tão dedicado aos judeus como ele ao Benfica, desconfiando sempre que, apesar da ausência de evidências, eu escondo uma secreta paixão pelo Sporting. Normalmente, são psicólogos sociais que o dizem, a condição humana opta desde muito cedo por posições políticas, desportivas ou religiosas, geralmente estáveis ao longo da vida, sendo anormais, no sentido que exorbitam da regra geral, e suspeitos, os que vieram ao mundo desprogramados dessas paixões serôdias. Não apenas por laracha, se vangloriam aqueles adeptos, seja do que for, de admitirem mudar de mulher (ou de homem) mas de clube, nunca! E as estatísticas dão-lhes largamente razão onde o divórcio não for condenado pelos credos religiosos.

Hoje o H. enviou-me por e-mail este testemunho de acusação do expansionismo israelita perpretada através de sucessivas limpezas étnicas, agora continuadas nos ataques terroristas a Gaza. Este e outros textos com conclusões idênticas nunca admitem a mínima razão do lado de Israel. Mais: por detrás de Israel pairam sempre os interesses abomináveis dos norte-americanos e, frequentemente, a  traição egípcia. Admitamos que são pertinentes todos os argumentos e consistentes todas as conclusões destes acusadores de Israel. 

Mas como explicam estes pretensos defensores da causa árabe (qual delas?) as atrocidades cometidas pelos islâmicos entre si, pela guerra sem tréguas entre sunistas e xiitas, que apenas concordam (os que concordam, mas é desses que trata o artigo de J. Goulão) na eliminação de Israel? Como explicam o vandalismo cada vez mais feroz dos talibãs, da Al Qaeda e do Exército Islâmico que destrói barbaramente memórias da cultura histórica dos seus povos?

Os palestinianos têm, sem dúvida, direito a uma pátria. Mas tem esse direito, necessariamente, que concretizar-se sobre a dizimação ou expulsão de mais de oito milhões de pessoas de um território onde a esmagadora maioria nasceu? Perguntem isso a qualquer fundamentalista islâmico, nascido árabe, persa, inglês, francês, ou português até, e ele aprontará imediatamente a arma para provar que sim. E os goulões, aqueles que, sentados nas bancadas, se excitam até ao auge mais com as derrotas dos  adversários que elegeram do que com as vitórias das hostes que adoptaram,  infinitamente menos perigosos mas igualmente embalados pelas opções marcadas à nascença, que resposta têm?

Presumo que não têm resposta.

Sunday, August 24, 2014

O IMPÉRIO DO MEDO

- Essas afirmações não devem ser feitas em público, aconselham-me num país que nasceu pela liberdade e se fez grande em liberdade. E fico atónito. Como pode o terror instalado por fanáticos condicionar aqui a liberdade de expressão que, no caso, mais não é que questionar-se acerca das razões que podem sustentar uma evidência estatística?
- Rui, o teu apontamento é perigoso, para não dizer incendiário! avisa-me, (com mais que evidente exagero, quem sou eu para ser capaz de incendiar?), do outro lado Atlântico, (vd. comentário à minha nota anterior), o Francisco, filósofo, meu amigo de longuíssima data.

Como poderia eu, amigos meus, que prezo a liberdade como o valor moral essencial à aquisição de todos os outros, colocar-me alguma vez ao lado dos que defendem o império do medo?


Friday, June 20, 2008