O meu amigo H. remete-me com alguma frequência artigos de jornalistas, cronistas ou artífices de obras afins, exclusivamente apologistas do combate aos israelitas, venham os combatentes de onde vierem. Suponho que o H. esteja convencido que eu seja tão dedicado aos judeus como ele ao Benfica, desconfiando sempre que, apesar da ausência de evidências, eu escondo uma secreta paixão pelo Sporting. Normalmente, são psicólogos sociais que o dizem, a condição humana opta desde muito cedo por posições políticas, desportivas ou religiosas, geralmente estáveis ao longo da vida, sendo anormais, no sentido que exorbitam da regra geral, e suspeitos, os que vieram ao mundo desprogramados dessas paixões serôdias. Não apenas por laracha, se vangloriam aqueles adeptos, seja do que for, de admitirem mudar de mulher (ou de homem) mas de clube, nunca! E as estatísticas dão-lhes largamente razão onde o divórcio não for condenado pelos credos religiosos.
Hoje o H. enviou-me por e-mail
este testemunho de acusação do expansionismo israelita perpretada através de sucessivas
limpezas étnicas, agora continuadas nos ataques terroristas a Gaza. Este e outros textos com conclusões idênticas nunca admitem a mínima razão do lado de Israel. Mais: por detrás de Israel pairam sempre os interesses abomináveis dos norte-americanos e, frequentemente, a traição egípcia. Admitamos que são pertinentes todos os argumentos e consistentes todas as conclusões destes acusadores de Israel.
Mas como explicam estes pretensos defensores da causa árabe (qual delas?) as atrocidades cometidas pelos islâmicos entre si, pela guerra sem tréguas entre sunistas e xiitas, que apenas concordam (os que concordam, mas é desses que trata o artigo de J. Goulão) na eliminação de Israel? Como explicam o vandalismo cada vez mais feroz dos talibãs, da Al Qaeda e do Exército Islâmico que destrói barbaramente memórias da cultura histórica dos seus povos?
Os palestinianos têm, sem dúvida, direito a uma pátria. Mas tem esse direito, necessariamente, que concretizar-se sobre a dizimação ou expulsão de mais de oito milhões de pessoas de um território onde a esmagadora maioria nasceu? Perguntem isso a qualquer fundamentalista islâmico, nascido árabe, persa, inglês, francês, ou português até, e ele aprontará imediatamente a arma para provar que sim. E os goulões, aqueles que, sentados nas bancadas, se excitam até ao auge mais com as derrotas dos adversários que elegeram do que com as vitórias das hostes que adoptaram, infinitamente menos perigosos mas igualmente embalados pelas opções marcadas à nascença, que resposta têm?
Presumo que não têm resposta.