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Monday, January 06, 2025

O DIA DO ASSALTO IMPUNE À DEMOCRACIA

A continuidade do Aliás depende do seu merecimento, avaliado por comentários, críticas, sugestões, correcções, de quem o lê.

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6 de janeiro de 2021 

Apoiantes de Trump, com o público incentivo deste, realizaram o acto mais abominável em Democracia: o assalto ao centro do poder político, neste caso o Assalto ao Capitólio dos Estados Unidos da América com o objectivo de reverterem os resultados das eleições ganhas por Joe Biden.

Em entrevista publicada no Washington Post de hoje, Joe Biden pede aos norte-americanos que não consintam que os acontecimentos de 6 de janeiro de 2021 sejam deturpados ou esquecidos.

Hoje é o dia em que serão pacificamente confirmados os resultados que deram a vitória a Trump em 28 de novembro. 
Há quatro anos, os tumultos provocados para impedir a confirmação dos resultados que, inequivocamente deram a vitória a Biden, ficarão como uma das páginas mais repulsivas da democracia norte-americana.
Mas quem valoriza hoje, não só nos Estados Unidos da América mas também na maior parte do mundo, os princípios democráticos?
Poucos e, pior que poucos, cada vez mais poucos. 

Trump será pela segunda vez presidente dos EUA. 

Para que lado se irá virar agora o touro desembolado? 

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O FPÖ é euro céptico e admirador de Putin. 
A União Europeia desmorona-se para gáudio dos eurófagos, aqueles que se alimentam do corpo que vão corroendo.
No fim, o que sobrará do mundo livre de déspotas e de seguidores entusiasmados para aplaudirem o desfile das tropas de Putin nas principais avenidas europeias? 
 
 

Como nos Campos Elíseos - Paris 1940 - Diário de uma Invasão

Tuesday, July 05, 2022

A CULPA DOS RUSSOS

...

- Também discordo da invasão da Ucrânia, mas ...

- Aquilo não é invasão, aquilo é arrasamento, genocídio; o que os russos estão a fazer é uma destruição de cidades inteiras, atingindo indiscriminadamente não só instalações militares como edifícios civis, incluindo hospitais, maternidades, escolas, centros comerciais, zonas residenciais, bombardeados por mísseis disparados de longas distâncias. ..

- São imagens horríveis, sem dúvida. Mas não devemos confundir Putin e a governo do Kremlin com o povo russo ...

 - ... o ditador dá ordens para disparar para objectivos calculados com grande precisão que os meios de localização hoje permitem, e o míssil sai, e dentro de segundos o objectivo é atingido, os edifícios destruídos, as notícias são conhecidas em todo o mundo livre, os mortos, os feridos, e o ditador rebola-se contente e feliz. E o povo aplaude! 

- Não sei se o povo aplaude ...

- É o que dizem as sondagens feitas por instituto russo de idoneidade reconhecida: oitenta por cento dos russos está do lado de Putin e dos seus capangas. Os russos, na sua esmagadora maioria batem palmas  aos sucessos da pontaria dos seus mísseis disparados de longas distâncias.

- Há quem discorde ...

- Há, desde que não se manifeste. Aqueles que se manifestam ou são presos ou envenenados à distância, sempre bem longe do refúgio do assassino,

- Não pode menosprezar-se o facto de grande parte do território russo fazer parte do continente europeu e a sua cultura. Grandes nomes da cultura europeia eram russos: Tolstoi, Dostoievski...

- Dostoievski, um nome maior da literatura russa e um dos maiores da cultura europeia, foi condenado a trabalhos forçados na Sibéria, acusado de conspirar contra o czar. Há outros grandes nomes da cultura russa  e da cultura europeia, não só no campo da literatura e da música; Pushkin, Tchekhov, Gogol, Tchaikovsky, Rachmaninoff, Stravinsky, Prokofiev ...Prokofiev morreu no mesmo dia que Stalin mas a sua morte não foi desde logo anunciada para não ofuscar as homenagens que o regime prestou ao ditador. Mas que luminosidade se projectou sobre a cultura de um povo, na sua imensa maioria ignorante e servo? Quase nenhuma, se alguma existiu. O mesmo se pode dizer da literatura e da música durante o regime soviético, durante o qual aqueles que ousassem contestar o regime ou emigravam ou eram perseguidos e desterrados para a Sibéria. Leu o Arquipélago de Gulag?

. Não podemos ostracizar nem desvalorizar a cultura russa...

- Obviamente, não. Mas a maioria do povo russo que apoia Putin não o faz por orgulho nos seus poetas, escritores, compositores, músicos, artistas, mas por admiração pela ambição desmedida de um ditador querer conquistar o mundo. É a ele que bate palmas, não bate palmas a Dostoievski. Aliás, esta situação não tem nada de original, tem-se repetido ao longo dos séculos. Quem aplaudiu de forma acéfala Hitler, Mussolini, e outros ditadores menores, não foram povos com culturas recheadas de nomes que iluminaram o mundo mas se apagaram quando o delírio do povo os fez matar e morrer por causas apenas movidas por promessas de fortuna e poder  que os demagogos nunca podem cumprir? Goethe, Thomas Mann, Dante, Beethoven, e tantos outros? Não aplaudiram os franceses, entusiasticamente, as tropas nazis a desfilarem nos Campo Elíseos? Não todos, evidentemente. Mas de que lado estava naquele momento o povo francês? Quantos, dos que aplaudiam Hitler nos Campos Elíseos eram o povo francês?  Os que resistiram, relativamente poucos, na clandestinidade?Vítor Hugo,Voltaire, Claude Monet, e tantos outros, quem inspiraram naquela época de vergonha que nem a Marselhesa motivou?

- Putin não é Hitler.

- Não, Putin não é Hitler, porque Putin é muito mais perigoso com as armas, sobretudo o arsenal atómico  de que dispõe e que Hitler não tinha. Hitler, mesmo que quisesse, no momento em que se viu encurralado no bunker com os seus mais fiéis, não podia eliminar a espécie humana. Putin pode.

- Não acredito nisso. 

- Acreditar é uma questão de fé, de esperança, se quiser, mas não tem fundamentação científica. Acreditar, em muitas circunstâncias é motivador, noutras pode ser irresponsabilidade e até crime contra as vítimas da ausência de acção em tempo oportuno.

- A decisão de usar o armamento atómico não depende apenas dele.

- Ninguém sabe como uma decisão dessas será tomada, agora ou algum momento no futuro, para desencadear uma guerra atómica. O que se sabe é que instintivamente o ser humano tem como objectivo imediato salvar a pele e apoiar a decisão do comandante para não considerado traidor e eliminado imediatamente se manifestar desacordo. 

- Estás a ser demasiado pessimista. O pessimismo não faz bem a ninguém. Desafiar Putin pode desencadear a guerra nuclear e o stock nuclear existente em todo o mundo é, provadamente, mais que suficiente eliminar a espécie humana.

- Então a alternativa é deixá-lo avançar até onde ele quiser ir? Subserviência global?

- Não sei dizer. E tu, sabes?

. Sei que enquanto não for totalmente desmantelado o arsenal nuclear, com Putin ou outro Putin qualquer, subsistirá a a ameaça de extermínio da espécie humana.

- Utopia ...

- Será utópico, mas é  a única forma de garantir a sobrevivência da espécie humana. Passa, no entanto, pela consciencialização global (deprimente, reconheça-se) de que a humanidade está  à beira de um precipício que o equilíbrio do terror, com corrida aos armamentos nucleares durante a "guerra fria", tornou mais evidente. 

- Consciencialização global ... O que é isso?

- Exacatamente o contrário da ignorância global que os povos têm deste perigo.

- E se tivessem, o que acontecia?

- Os russos, por exemplo, não apoiariam um ditador que desde o começo do arrasamento da Ucrânia, que ele começou por chamar a 23 de Fevereiro, uma operação militar especial  na região do Donbas, e ao mesmo tempo avisava ter colocado o sistema nuclear em estado de alerta, precisando o seu ministro dos estrangeiros que não se tratava apenas de uma decisão de dissuasão mas de acção imediata se e quando assim entendessem. Os oitenta por cento da população russa que apoia Putin tem conhecimento de que a operação especial se tornou numa operação de arrasamento e terror? Não é credível que não tenha. De outro modo por que razão apoiaria Putin se dos efeitos possíveis da ameaça não sobrará ninguém?

Monday, January 04, 2021

TRUMP, COM A BOCA NA BOTIJA

Em qualquer país democraticamente maduro, a tentativa de pressão de um político sobre outro para adulterar, a favor do primeiro, resultados eleitorais seria objecto de processo criminal e mereceria, pelo menos, o repúdio massivo da população e a sua erradicação do espaço democrático.

Não, nos EUA, onde Trump continua a contar com o apoio de acólitos que sustentam as suas diatribes contra a democracia e de milhões de fanáticos que continuam a acreditar que todas as falsidades proferidas pelo seu guru são verdades inabaláveis.

Foi assim que Hitler acedeu ao comando supremo do Terceiro Reich.

É impossível que uma situação semelhante ocorra nos EUA? Impossível, não é. Se a disputa da verdade dos factos resvala para o contorcionismo jurista orquestrado pelas arruaças dos desordeiros ao serviço do seu mentor será impossível prever até onde Trump estilhaçará as instituições democráticas norte-americanas.

"Num aviso inédito e revelador das actuais ameaças à democracia nos EUA, antigos secretários da Defesa, incluindo os republicanos Dick Cheney e Donald Rumsfeld, dizem que o país pode estar a caminho de “um território perigoso”. - c/p aqui

"All 10 living former defense secretaries: Involving the military in election disputes would cross into dangerous territory" - c/p aqui

Por que razão os 10 ex-secretários de estado da defesa ainda vivos, publicaram esta mensagem? 

Só encontro uma explicação. Trump continua a maquinar a imposição da Lei Marcial com a cumplicidade de alguns militares, e, com essa intenção diabólica, em última instância, até ao meio dia do dia 20/1, bloquear a tomada de posse do Joe Biden. Só o facto de essa intenção ser altamente provável pode ter levado os ex-secretários de estado da defesa a avisarem os militares no activo de que não devem pisar território minado pela perversidade de Trump.


‘I just want to find 11,780 votes’: In extraordinary hour-long call, Trump pressures Georgia secretary of state to recalculate the vote in his favor 

Trump's bid to steal Georgia exposes GOP election ruse

 3/12

Democrats, Republicans race to finish in Ga. as Trump casts shadow over Senate runoffs 

As Georgia votes, Trump tries to destroy America's faith in democracy 

Friday, October 02, 2020

HITLER NEW LOOK

Segundo artigo publicado hoje no Economist, Trump está a ganhar terreno na Flórida, um Estado que pode ser decisivo para a sua reeleição. E a pergunta que o articulista coloca é esta : Why Donald Trump is doing surprisingly well in Florida; Por que é que Trump está, surpreendentemente, a avançar na Flórida?

Uma, e decisiva, razão deste avanço das hostes de Trump onde 31,4% da população é de origem hispânica (16,8%) e afro-americana (14,6%), há dois grupos que decidem as eleições na Flórida: os latinos e os reformados. Por estranho que possa parecer, Trump está bem acima das expectativas na votação a seu favor dos latinos e abaixo na votação dos reformados.

A Forbes publicou a 6 de Setembro excertos do livro, publicado dias depois, "Disloyal: A Memoir", de Michael Cohen, que foi o principal advogado de Trump durante muito tempo   - vd. aqui. A publicação veio a ser divulgada nos mais diversos media durante todo o mês de Setembro. E o que diz Cohen de Trump : diz muito, mas Trump parece inabalável a todos os escândalos e denúncias do indivíduo que ele é: um trapaceiro, um mentiroso, um racista, um violador, um vigarista que " afirmou que nunca conseguirá o voto dos hispânicos porque, como os negros, são demasiado estúpidos para votar em Trump" ( "a cheat, a liar, a fraud, a bully, a racist, a predator, a con man"  ( ) and claims that the president stated he will "never get the Hispanic vote," because "like the blacks, they're too stupid to vote for Trump").

Na Flórida são os hispânicos, que ele considera estúpidos, quem maioritariamente fazem a diferença, votando em Trump. E, pelos vistos, Trump neste ponto tem razão. São os deploráveis (os deplorables, cit. Hillary Clinton), como as mulheres, que Trump despreza, são os pobres que pagam os impostos que os grandessíssimos ricos, maximum Trump, não pagam, e votam em Trump, que o vão, eventualmente, reeleger. 

Serão eles, os estúpidos, os deplorables, quem podem reeleger um indivíduo com todas as características para reeditar o führer deste século. Só poderá duvidar quem não estiver com atenção ao que Trump disse, e é mais que conhecido: no dia das eleições estão convocadas as milícias de fanáticos armados capazes de colocar a América em guerra civil e incendiar o mundo. Se Trump I é o que se conhece, Trump II, sem qualquer freio, será capaz de ir até onde nem a sua ambição desmedida sabe aonde quer chegar.

Thursday, September 08, 2016

O GRANDE FILHO DE PUTIN

Trump voltou ontem à noite, durante um debate com Hillary Clinton sobre segurança nacional e política interna, a confirmar, publicamente, - vd. aqui ou aqui p.e.- a sua admiração pelo presidente russo.  
Que, para Trump, tem sido, dentro do seu sistema, melhor líder que Obama. 
 
“Certainly, in that system, he’s been a leader, far more than our president has been a leader,” Trump said. “We have a divided country.”



É notório, e aplaudido pelos seus seguidores, que Trump diz o que pensa. 
E é suposto que pensa o que diz. 
Também Hitler admirava Mussolini quando o ditador nazi ainda não era Führer em  Berlim  mas Mussolini já era Il Duce em Roma.

Tuesday, March 01, 2016

TERÇA-FEIRA CINZENTA

Os norte-americanos chamam-lhe Super Twesday por se realizarem neste dia, em mais de uma dezena de estados da união, eleições de delegados dos candidatos às nomeações para a candidatura à presidência do país. 
Uma tão acentuada representatividade de votantes se não deixa claros os resultados finais de ambos os lados não andará longe disso. E, se as sondagens não errarem hoje por muito, Hillary Clinton e Donald Trump disputarão a eleição ao cargo mais poderoso do planeta.

Uma terça feira cinzenta que poderá antecipar uma terça-feira negra a 8 de Novembro. 
Trump é um populista perigoso, um misógino, racista, burlesco que, paradoxalmente, consegue expandir a sua base eleitoral junto das mulheres e dos mais desprotegidos.
O paradoxo é tanto mais perturbante quanto é certo ter o Presidente Obama conseguido resgatar o país de uma crise financeira e social eclodida durante a fase final do seu antecessor, e a sua imagem no contexto internacional.

- Espera-se que pelo menos 51% dos norte-americanos tenha o bom senso de repudiar Truman. Afinal, os EUA são não só o país mais poderoso do mundo mas um dos mais intelectualmente evoluídos.
- Também era assim a Alemanha há cem anos, quando Hitler, um austríaco que por confusões burocráticas se viu naturalizado alemão, misógino, racista, burlesco, foi idolatradamente aclamado pelos alemães como seu führer.

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Correl. - Why Trump´s support keeps expanding