Monday, January 15, 2018
Sunday, January 14, 2018
OS MEUS TIOS
(Ao Artur M., que me contou uma história diferente)
Estávamos sentados no alpendre voltado para o quintal da casa a olhar
a chegada da primavera a pintar-se no pomar e no jardim que o Tio plantou ali
desde quando, há anos sem conta, ele e a Tia se mudaram para lá. Para
acompanhar a conversa a Tia tinha fervido água e, com duas rodelas de limão e
uma torrada de um papo-seco, tínhamos um chá quentinho para toda a tarde. E
senti que a tranquilidade da tarde musicada pela passarada e pelas abelhas a compor
aquele quadro, era, para além da minha presença, o melhor lenitivo para a
amargura que a despedida inesperada do Tio tinha deixado na alma da Tia. O que
é a alma Tia?, perguntara-lhe, um dia, era ainda garoto. A alma é o que sentimos,
se sentimos temos alma, estás a ver? E os animais, têm alma? Pois claro que
têm. Todos os seres vivos têm alma, menino. As flores também? Aí, a Tia tinha
desviado a conversa. Não os via há três anos, tinha cancelado todos os compromissos
para poder estar ali com ela, ainda que os tempos da viagem e os atrasos nas
ligações de voos me tenham obrigado a chegar atrasado à despedida do Tio.
Aqueles tios, sem filhos, tinham-nos adoptado, a mim e ao meu irmão, seis anos
mais novo que eu, quando o pai e a mãe desapareceram num acidente de viação. Na
falta de filhos, a Tia tinha dado lar aos instintos maternais rodeando-se de
uma prole zoológica mesmo antes de nós, os sobrinhos, termos passado a viver
com eles. Cães, tinha dois, vadios, recolhidos na rua, sem raça definida mas
com atitude bastante para a Tia garantir que eram setters irlandeses, com pedigree,
nunca se preocupara em confirmar-lhe a linhagem, três gatas e três gatos, uma galinha,
a Virgínia, e um coelho branco, o Pimpão. Para além deste quadro permanente, o
zoo doméstico contava regularmente com convidados ou seguidores do efectivo
privado, aos quais a Tia dedicava igual carinho e distribuía o mesmo
sustento.
A
partida do Tio foi, para mim, e para o meu irmão, que deve chegar aqui ainda
esta tarde, inesperada, as notícias de que nos ia dando conta nos últimos
tempos não referiam qualquer preocupação com a sua saúde, mas dizia-se inquieto
com o comportamento da Tia que, palavras suas, não ia andando bem, sem adiantar
mais. Quando se reformou, passou a dedicar a maior parte do seu tempo à horta e ao jardim. Dizia ele, que era dos serviços
externos, e ela, dos internos, e que se davam bem com a partilha. Dez
anos mais novo que a mulher, tinham-se conhecido quando o Tio, que era polícia,
durante um serviço de ronda ao quarteirão, conseguira apanhar um gatito, que ela
mimava no colo, dera um salto para a rua. Entre ambos tinham os anos estabelecido um acordo implícito,
nem a Tia questionava o Tio sobre as suas actividades, incluindo as deslocações
ao exterior, expressão dele para almoços com amigos e antigos colegas na
esquadra, nem ele reparava na dimensão e no crescimento do zoo nem dava sinais de pouco
satisfeito com a liberdade concedida aos bichos em todos os cantos da casa. Quando
não vagueavam pelo quintal ou pelas redondezas, sem que a Tia receasse
contactos exteriores que lhes arruinassem o pedigree, os caninos sentavam-se em
imobilidade de porcelana esfíngica neste alpendre onde discorro com a Tia
temas triviais ao mesmo tempo que se me desfilam na memória estas
recordações. Os gatos, quando não estavam por fora, deambulavam preguiçosamente
pela casa ronronando à volta dos passos da Tia, a Virgínia, quando não debicava
no quintal, a testar os limites da pachorra do Tio, ensaiava tentativas em voos
frustrados para saltar o muro que dava para o quintal vizinho onde cantava um
galo. Mas era o coelho branco, enorme de velho, sempre enrolado nos braços da
Tia, que desfrutava o calor do carinho dela. De ver, durante os anos em que
vivemos nesta casa, aquela quase umbilicalidade com o bicho, insinuou-se-nos, a mim e ao meu
irmão, a ideia de que coelho cozinhado era petisco para antropófagos. Estava o desfile das minhas recordações neste ponto e a conversa numa discreta lisonja minha sobre o bom
aspecto da Tia, não me queixo da aparência, disse ela, estou cada vez mais
gorda, mas agora é tarde para voltar ao que era, quando, a rodar o corpo para se
voltar para trás, chamou, Oh!, Olegário, traz-nos mais um pouco de açúcar, este
limão assim é uma amargura. Não veio o açúcar nem o Olegário, a conversa
continuou como se aquele parêntesis sem sentido não tivesse acontecido, mas o
insólito bloqueou-me por instantes o fluir das recordações. E, só então, dei
conta que, desde que chegara não vira cão nem gato em casa, nem galinha no
quintal, nem sombra do Pimpão no regaço espaçoso da Tia. Por um momento ínfimo,
assaltou-me a dúvida óbvia, felizmente ultrapassada em velocidade por um
relâmpago de clarividência, e repôs-se-me na mente a projecção do passado,
agora sobressaltado pela entrada de um Olegário desconhecido. `
Aquela
casa, mais do que um zoo, era uma maternidade zoológica, só não procriavam o
Tio e Tia por razões desconhecidas, a Virgínia por falta de golpe de asa, o
Pimpão por não sair do colo da Tia. Cães e gatos cresciam e multiplicavam-se, a
Tia continuava a usar o processo com que encontrara o Tio para fazer chegar a
cada lar do lugar exemplares com raça garantida pela supervisão da criadora. À
noite dormiam todos no mesmo quarto: na cama, o Pimpão, os tios e os gatos, aos pés da
cama os caninos, a Virgínia empoleirada no alçado traseiro da cama. Ao fim de
duas horas, estavam as divagações a mostrar cansaço, quando entrou em casa o
meu irmão. Já não nos víamos há anos, estávamos ambos na mesma, reconhecemos
com recíproca falta de verdade, ele, por residir mais próximo que eu, visitava
os tios com alguma frequência, uma vez por ano, às vezes duas. Ao rosto da Tia
veio a felicidade, logo traduzida em lágrimas de contentamento, de ver
novamente juntos os sobrinhos. Durante as nossas duas horas de conversa, ela
não recordou o Tio e eu evitei tocar, mesmo que de passagem, no súbito
acontecimento que nos roubara o Tio. Chegado o meu irmão, nas conversas agora
trocadas a três, a morte do Tio continuou ausente.
Sabes
quem é um tal Olegário, perguntei ao meu irmão quando a Tia se levantou para,
disse ela em tom de confidência, ir começar a fazer o jantarinho para os seus
meninos. Olegário? Ah! Tu não sabias?
O
Olegário foi o primeiro marido da Tia. Morreu de tifo por ingestão de uns
tremoços que ela tinha comprado na praça. E, ela, não comeu? Não, ela nunca
gostou de tremoços. Já agora, esclarece-me mais uma coisa: da última vez que cá
estive, a casa continuava a ser o zoo em que ambos tínhamos vivido. Hoje, não
resta nenhum exemplar, porquê?
Resta
um, respondeu ele, suponho que ainda reste o Pimpão, os outros foram
desaparecendo por força da idade e destrambelhamento do siso da Tia. Não te
apercebeste disso? Sim, quando ela chamou pelo Olegário. Está sempre a chamar pelo
Olegário, desde há
algum tempo … o Tio nunca te disse nada? Disse, disse vagamente, dizia que ela
não ia andando bem, só isso. E, não andando ela bem, começou ele também a dar
de lado. Sempre foi pequeno e magro, mas, ultimamente, definhava enquanto ela
enlouquecia e engordava. As coisas precipitaram-se quando, certo dia, aqui há
dois anos, mais ou menos, ela encontrou na rua um gato abandonado, com um
inchaço enorme na cabeça. De quem era o bichano, ninguém sabia nem queria
saber. Ninguém, salvo ela. Levou o animal ao veterinário, foi examinado, com
todos os meios complementares de diagnóstico disponíveis, o caso era grave, vai
custar-lhe caro minha senhora, avisou o clínico, responsabiliza-se pela conta?
Com certeza, respondeu ela, e, irmão, foi uma batelada que colocou a
propriedade desta casa em risco, o Tio foi obrigado a contrair um empréstimo
dando a casa de hipoteca, na volta, ela ficou mais louca e ele gravemente
deprimido. Tanto que, um dia, melhor dizendo, uma noite, agarrou na Virgínia,
que tinha o hábito de cantarolar quando ouvia o galo da vizinha a cantar à meia-noite,
e apertou-lhe o gasganete, e, era uma vez uma galinha chamada Virgínia. Se bem
me recordo, foi a partir dessa altura, ou pouco tempo depois, que só o Pimpão
se manteve sobrevivente. Terá morrido, entretanto, não sei, mas é o mais certo,
de outro modo estaria, como sempre no regaço da Tia. Foi neste momento, precisamente
quando o meu irmão
baixou
a voz para completar a frase que a Tia apareceu, sorridente, de ar
estranhamente jovial para a idade que
tem, para informar os seus meninos, ao
mesmo tempo que tirava o seu avental de cozinheira, que o jantarinho estava pronto.
Adivinhem o que vão jantar?
Adivinhámos
ambos, imediatamente, por ser a mais óbvia, ainda que ao mesmo tempo a mais
insólita, a resposta. Adivinhámos e sentimos ao mesmo tempo um vómito tão sufocante
que nos deixou prostrados por largos instantes que, vá lá saber-se porquê,
provocaram na Tia um histérico ataque de riso que a fulminou de engasgo.
---
-
E o Tio? Sabes de que morreu o Tio?
-
Sufocado.
-
Sufocado, como?
-
Foi esse o resultado da autópsia.
-
O resultado, percebo, mas a causa, qual foi a causa?
-
Inconclusiva.
-
Terá sido ela … que o abafou?
-
É possível.
-
E isso não é crime?
-
Talvez. Mas a criminosa, se foi ela, é claramente inimputável.
Wednesday, January 10, 2018
AMANHÃ, O FIM DO MUNDO
1951,
Verão
A
bola, de borracha, veio a pingar-lhe por cima, amparou-a com o peito, fazendo-a
descair para o pé esquerdo, que a fez voar em arco rasante por cima do olhar
desconsolado dos rapazes, caindo para lá do muro no quintal do Jacob. Ouviu-se,
pouco depois, o rosnar do cão a tentar abocanhá-la, e ninguém se voluntariou a
saltar a barreira, arriscando uma dentada numa perna ou, talvez pior, ficar sem
calças nem cuecas, puxadas pelo mastim. Também ninguém protestou, e muito menos
se lembrou de informar o rematador que, agora, a bola era de borracha e havia
regras novas, jogo baixo e em jeito, nunca em força, quem atirasse a bola para
o quintal do Jacob ou ia buscá-la ou comprava outra. Sentaram-se no chão,
resignados, esperando que o autor do remate descontrolado dissesse alguma
coisa. Ele tinha chegado do trabalho, parara para ver o jogo entre os miúdos
com quem em tempos alinhava a jogar e ditar regras porque era o mais velho do
bando, a bola viera ter com ele, não se mexera um milímetro para lhe tocar,
ninguém sabia como aquilo acontecia, mas acontecia vezes sem conta, entre ele e
as bolas haveria algum íman escondido que explicaria o fenómeno que os
espantava.
Deitou
a bicicleta no chão, sentou-se numa das pedras que marcavam a baliza, e disse:
o
mundo vai acabar.
Ninguém
abriu a boca nem tirou os olhos do chão. O que é que lhes interessava, a eles,
o mundo, sabiam lá eles o que era o mundo, e, se acabasse, acabava. O que ele
devia dizer-lhes era onde é que, agora que a bola estava a ser rasgada à
dentada atrás daquele muro, iriam desencantar outra. Mas ele insistiu:
Pois
vai, o mundo vai acabar, podem não acreditar mas vai, o mundo vai mesmo acabar,
e, acabando mundo, não há mais mundo onde se possa jogar, e, não havendo mais
mundo, para que servem as bolas? Sim, para que servem as bolas?
Conversa,
conversa fiada, bateu na borracha de qualquer maneira, e agora vem-nos com esta
do fim do mundo. Respondia-lhes o silêncio dos rapazes, e esse silêncio dizia a
vontade que tinham de o obrigar, se pudessem, a saltar o muro e a trazer a bola
de volta, era essa a lei em vigor, aliás, estabelecida há muito tempo por ele.
Quem
quebrou a barreira e abriu o bico foi o Jó, um rapaz com o dobro da idade deles
mas menos de metade de entendimento, preso da fala, não lhe saíam cês nem quês,
quando aparecia jogava à baliza, mas estava proibido de defender com os pés,
porque o Jó sempre que punha a pata na bola desaparecia o esférico para parte
incerta.
O
´´e é o mundo? perguntou o Jó.
A
garotada não quebrou o silêncio, o momento não era para piadas, e o rematador
não disse o que era o mundo. Continuou o silêncio revoltado do grupo, alguns arremessavam
contra o chão pequenas pedras surgidas à
sua frente, outros rabiscavam com os dedos no espaço circundante sinais da sua
impotência colectiva.
Sem
reacção dos rapazes, o rematador levantou-se, fixou demoradamente o olhar no
grupo cabisbaixo, pegou na bicicleta, sentou-se no selim, fez rodar para trás a
pedaleira, e disse: amanhã trago outra bola.
Juras?,
perguntou um.
Está
jurado, respondeu ele, e foi-se embora.
-
Pai, o mundo vai acabar?
-
Que conversa é essa, filho?
-
Ouvi dizer, quando jogávamos à bola.
-
De vez em quando anda por aí esse boato. Sempre andou e o mundo não acabou.
-
A mãe diz que tudo o que teve princípio pode ter fim.
-
Tu disseste-lhe que o mundo vai acabar?
-
Não. Não disse que o mundo vai acabar, disse que tudo o que tem princípio pode
ter fim. Se assim for, o mundo pode acabar. Se acaba ou não sei. Tu sabes?
-
Sei que é conversa que não interessa.
-
Para nada.
No
dia seguinte, aquela mesma hora, entretido com outra bola que alguém
tinha encontrado algures, mas sem dizer onde, o grupo já tinha esquecido a promessa do rematador
quando este fez chiar os travões e parou sem desmontar nem colocar os pés no
chão, exibindo as suas capacidades de equilíbrio, bazófia, qualquer deles podia
fazer o mesmo se tivesse uma bicicleta sua.
E
a bola? Perguntaram-lhe quando viram que não lhes trazia a bola prometida.
-
Trago amanhã.
-
Prometeste que a trazias hoje …
-
Encomendei-a hoje. Prometi trazer hoje, mas não havia na loja. Amanhã, está
bem?
Depois
acabou a exibição de equilíbrio, deitou a máquina no chão, e sentou-se na pedra
da baliza. Daí a pouco parava o jogo e os rapazes sentaram-se à volta à espera
de notícias do fim do mundo.
-
Já acabou o mundo? troçou um, e os outros riram-se.
-
…
-
Disseste ontem que o mundo ia acabar … Já acabou?
-
Não, ainda não acabou mas vai acabar.
-
Quando?
-
Quando, não se sabe. Mas que vai a acabar, vai.
-
Vai acabar porque tudo o que teve princípio há-de ter um fim? É por isso?
-
Não, nada disso.
-
Dizem que vai acabar em 2000 …
-
Em 2000, em 2000 por mim pode acabar. Nessa altura já terei … já terei quase
sessenta anos. Já serei um velho, se lá chegar.
-
Pode acabar mais cedo.
-
Muito mais cedo? Quanto mais cedo?
-
Não se sabe.
-
Afinal, o que é que sabes acerca do fim do mundo?
-
Sei o que ouvi ontem aos camaradas. Os americanos lançaram duas bombas no Japão
que arrasaram tudo à volta. Tudo. Não ficou casa de pé nem bicho vivo nem
planta verde. Matou e secou tudo.
-
Também as pulgas?
-
Até as pulgas.
-
Hum! Se matou as pulgas acredito que possa matar o mundo todo… O que eu não entendo
é como é que os americanos podem acabar com o mundo sem acabar com eles mesmos.
-
Aí é que tu bateste no ponto: Mais tarde ou mais cedo outros países, a Rússia,
por exemplo …
-
… a Alemanha…
-
… Alemanha, não. A Alemanha ficou de patas para o ar e vai demorar a voltar-se…
-
… a Rússia já tem uma bomba dessas, mais tarde ou mais cedo, outros países vão
ter também bombas dessas e, então, quem é que pode cortar o caminho que dá para
o fim do mundo?
-
O Papa!
-
O Papa? O Papa quer bulas e descanso…
-
Este é protestante.
-
E daí? Vem mal ao mundo ser protestante?
-
Não, penso que não.
-
Ainda bem. Bom, vou-me andando …
Foram
todos para casa, mas a ameaça do fim do mundo tinha-lhes agora tremido a indiferença do dia anterior. Eram ainda tão novos, nascidos há pouco, o mundo já era tão antigo, por que razão iria ter de acabar agora?
-
Jó, acreditas que o mundo vai acabar?
-
O ´´ê?
-
Não ouviste que o mundo vai acabar?
-
Ouvi, ouvi …
-
E, então, o que é que pensas disso?
-
Disso ´´ê?
-
Do fim do mundo …acabar tudo …até as pulgas …
-
Es´ape eu!
Tuesday, January 09, 2018
Monday, January 08, 2018
Friday, January 05, 2018
Sunday, December 24, 2017
PATÉTICA
Querida RMF,
Querida DFF,
Hoje é véspera de Natal, o dia em que se celebra o nascimento do Menino-Deus, há mais de dois mil anos. É uma noite muito bonita porque o Menino-Deus cresceu e ensinou que as pessoas deveriam gostar de praticar o bem, ajudar os que precisam, e viver em paz, sem lutar nem ofender ninguém.
E, porque viver em paz com todos os outros começa pelo viver em paz dentro das nossas casas, o Pai Natal todos os anos, aparece no meio de muitas iluminações e muitos cânticos para deixar em todas as casas uma recordação da mensagem de paz do Menino-Deus, nascido em Belém para o bem de todos.
É por esta razāo que, durante estes dias antes da noite de Natal, o Pai Natal anda muito contente, embora um pouco cansado com tanto trabalho, a entregar lembranças às pessoas e, muito especialmente com muito carinho, às crianças, porque são as crianças que, quando forem mais crescidas, vão tornar o mundo melhor, lembrando-se da mensagem divina de paz entre todos os povos do mundo. Infelizmente, nem sempre essa mensagem de paz é recebida.
Quisemos, a vossa avó e eu, que o Pai Natal vos entregasse essa mensagem e algumas lembranças, testemunhos do nosso grande amor por vós. Mas o Pai Natal veio desanimado porque não conseguiu saber onde estão duas das nossas queridas netas, mesmo depois das muitas tentativas que fez durante os últimos três dias.
Não é nada provável que esta mensagem venha agora a ser lida por vós.
Mas, se por milagre divino, alguém ler e vos disser o que escrevi, acreditem que é tão grande o nosso amor como a mágoa de não sabermos onde podemos, e quando poderemos, voltar a ver-vos.
O nosso grande amor fica, por agora, de braços abertos à espera desse milagre.
Saturday, December 23, 2017
ALEGRE E OS COMPANHEIROS DA ALEGRIA
O sr. Manuel Alegre opina hoje no Público - Catalunha, uns séculos depois - que
"Enfim, a Catalunha falou através do voto, por certo o fará mais vezes. Penso que nós portugueses, independentemente das simpatias pessoais, devemos ser fiéis à Constituição da República e respeitar a liberdade de escolha onde quer que ela se manifeste."
Enfim, o sr. Manuel Alegre está baralhado ou pretende baralhar-nos.
Porque, segundo se depreende do que opina, o respeito pela lei constitucional devido pelos cidadãos em regimes democráticos é incontestável em Portugal mas redundante em Espanha.
A opinião de MA só é relevante porque é parte do coro da extrema-esquerda trauteando a música do coro na direita extrema, a música da nacional-soberania.
Que os resultados das votações demonstrem que na Catalunha, como no referendo ao Brexit no Reino Unido, o eleitorado se reparta em dois blocos praticamente idênticos, é para eles irrelevante;
Que na Catalunha os independentistas obtiveram maior número de assentos no parlamento mas com um significativo menor número de votos* é para eles irrelevante;
Que, tanto na Catalunha como no Reino Unido, pretendam os secessionistas que um voto apenas é democraticamente suficiente para fixar definitivamente o querer das gerações futuras, é negligenciável.
Que uma eventual independência da Catalunha desencadearia um processo imparável de fragmentação em cadeia da União Europeia, é aplaudida pelos extremos, à esquerda e à direita,
porque sempre viram e continuarão a ver na União Europeia uma ameaça ao nacional-soberanismo, que é o seu feitiço, percebe-se.
Que essa ameaça de fragmentação se potencie por outras linhas de fractura, mais notoriamente a leste, para gáudio do sr. Putin, não relembre ao sr. Manuel Alegre e outros companheiros da alegria o assomar do avantesma da guerra entre europeus, em paz apenas há cerca de 70 anos, é repulsivo.
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* Os mesmos eleitores teriam votado nāo à independência por cerca de 150 mil votos de diferença. Cf . aqui
"Enfim, a Catalunha falou através do voto, por certo o fará mais vezes. Penso que nós portugueses, independentemente das simpatias pessoais, devemos ser fiéis à Constituição da República e respeitar a liberdade de escolha onde quer que ela se manifeste."
Enfim, o sr. Manuel Alegre está baralhado ou pretende baralhar-nos.
Porque, segundo se depreende do que opina, o respeito pela lei constitucional devido pelos cidadãos em regimes democráticos é incontestável em Portugal mas redundante em Espanha.
A opinião de MA só é relevante porque é parte do coro da extrema-esquerda trauteando a música do coro na direita extrema, a música da nacional-soberania.
Que os resultados das votações demonstrem que na Catalunha, como no referendo ao Brexit no Reino Unido, o eleitorado se reparta em dois blocos praticamente idênticos, é para eles irrelevante;
Que na Catalunha os independentistas obtiveram maior número de assentos no parlamento mas com um significativo menor número de votos* é para eles irrelevante;
Que, tanto na Catalunha como no Reino Unido, pretendam os secessionistas que um voto apenas é democraticamente suficiente para fixar definitivamente o querer das gerações futuras, é negligenciável.
Que uma eventual independência da Catalunha desencadearia um processo imparável de fragmentação em cadeia da União Europeia, é aplaudida pelos extremos, à esquerda e à direita,
porque sempre viram e continuarão a ver na União Europeia uma ameaça ao nacional-soberanismo, que é o seu feitiço, percebe-se.
Que essa ameaça de fragmentação se potencie por outras linhas de fractura, mais notoriamente a leste, para gáudio do sr. Putin, não relembre ao sr. Manuel Alegre e outros companheiros da alegria o assomar do avantesma da guerra entre europeus, em paz apenas há cerca de 70 anos, é repulsivo.
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* Os mesmos eleitores teriam votado nāo à independência por cerca de 150 mil votos de diferença. Cf . aqui
Thursday, December 21, 2017
PERSPECTIVAS
Começa hoje o Inverno.
- Esteve um dia fantástico. Soalheiro.
- Não imaginas quanto isto nos está a custar.
- Isto, o quê?
Wednesday, December 20, 2017
QUANTOS HUMANOS VÊ NESTE VÍDEO?
Para melhor visualização clique aqui
J,
Para os que quiserem realmente trabalhar, dizes, ainda sobrarão alguns postos de trabalho.
Se para realizar esses trabalhos a oferta for superior à procura, esses trabalhadores serão bem pagos. Se acontecer o contrário, se houver procura de trabalho superior à oferta, os salários baixarão até ao nível de equilíbrio. E isto não acontecerá apenas na indústria mas também nos serviços. Tudo o que possa ser programado como rotina, os robôs tomarão conta do assunto. Para lá do rotina, entra de serviço a inteligência artificial.
Em situação de equilíbrio, para contenção das convulsões sociais que
este trajecto projecta, caminha-se para pagar mais a quem aceitar não
trabalhar do que a quem preferir trabalhar.
Isto decorre do b-a-ba da economia. Capitalista, até que seja reinventada outra concorrente.
No limite, como venho anotando há muitos anos, no futuro quem quiser trabalhar terá de pagar.
PS - Se, entretanto, Trump e Kim Jong-un, ou outros Trump e Kim Jong-un quaisquer, não estoirarem meia humanidade. Nesses caso, haverá muito trabalho para os que sobrarem. Se estoirarem todos, o planeta continuará azul, a rodar silencioso e só iluminado pelo sol.
PS - Se, entretanto, Trump e Kim Jong-un, ou outros Trump e Kim Jong-un quaisquer, não estoirarem meia humanidade. Nesses caso, haverá muito trabalho para os que sobrarem. Se estoirarem todos, o planeta continuará azul, a rodar silencioso e só iluminado pelo sol.
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SUECOS
" O QUADRADO"
A mistificação na arte contemporânea imersa num caldo cultural sueco, amargo e frio. **
Monday, December 18, 2017
ESTADO HOMICIDA
"Marques Mendes disse este domingo, no seu comentário semanal na SIC, que
o Ministério Público vai acusar o Estado e outras entidades de
homicídio por negligência no caso do incêndio de Pedrógão."- aqui
Ouvi ontem o comentador Marques Mendes afirmar o que acima transcrevo do Público.
Supus naquele momento ter entendido mal, e nem sequer me dei ao trabalho de rever a afirmação feita. Afinal, não ouvi mal. Segundo MM, o Estado pode ser acusado de homicídio ou, dito de outro modo, o Estado pode ser homicida.
Andamos sempre aprender, mas creio que a afirmação de MM, apesar da formação jurídica do autor, decorre de um erro semântico frequente entre comentadores e jornalistas. A menos que o jargão jurídico se tenha afastado tanto do entendimento comum que o homem comum não pode atingi-lo.
Não é a primeira vez que anoto neste caderno a minha indisposição perante o uso do nome do Estado das formas mais descabidas e descabeladas.
Nem sempre esse uso abusivo decorre da ignorância do significado do conceito mas de uma forma engenhosa de evitar identificar culpados enviando todas as acusações de que são alvo para o endereço abstracto de um ente abstracto, que por ausência de capacidade volitiva não é, porque não pode ser, culpado de qualquer facto, e, em particular, de factos criminosos.
Recorro ao Google para transcrever as últimas entradas relacionadas com os termos "Estado" e "homicida".
- "Homicida recebe 600 euros do Estado"
- "Estado paga 20 mil euros por fuga de homicida"
- "Estado condenado por deixar fugir homicida"
- "Estado condenado por fuga de homicida para o Brasil
- "Estado falhou com o jovem suspeito de homicídio"
Só por estropiamento de linguagem se podem imputar ao Estado, p.e., responsabilidades na fuga de homicida. Provavelmente, as culpas serão atribuíveis aos guardas prisionais, ou ao director da prisão de onde se evadiu o homicida, ou ao ministro da Justiça, ou ao Governo.
E um homicida pode receber 600 euros do Estado? Pelos vistos, pode receber. Do Estado, não.
O Estado não paga nem recebe. Quem paga? Os contribuintes. Quem recebe? Muita gente, incluindo homicidas.
Se houvesse precisão na linguagem, as consequências seriam enormes.
A afirmação, incorrecta mas corrente, que, por exemplo, o Estado paga 600 euros a um homicida, tem um impacto na opinião pública claramente diferente daquela que teria afirmar, correctamente, que os contribuintes pagam 600 euros a um homicida.
---
21/12/207
"O Estado vai emprestar diretamente dinheiro ao fundo dos lesados do BES, em vez de esta entidade recorrer a financiamento de um sindicato bancário que teria uma garantia estatal. A decisão visa tornar o pagamento da primeira tranche mas rápido e barato, diz o advogado da associação dos lesados do papel comercial" - aqui
O Estado empresta?
O Estado não empresta nada. Quem empresta são os contribuintes por decisão do actual Governo, tutor em exercício da gestão dos interesses colectivos.
Correl . - Para acabar com os lesados dos lesados
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21/12/207
"O Estado vai emprestar diretamente dinheiro ao fundo dos lesados do BES, em vez de esta entidade recorrer a financiamento de um sindicato bancário que teria uma garantia estatal. A decisão visa tornar o pagamento da primeira tranche mas rápido e barato, diz o advogado da associação dos lesados do papel comercial" - aqui
O Estado empresta?
O Estado não empresta nada. Quem empresta são os contribuintes por decisão do actual Governo, tutor em exercício da gestão dos interesses colectivos.
Correl . - Para acabar com os lesados dos lesados
Friday, December 15, 2017
RODA DA VIDA
de Woody Allen
O mérito da arte de contar não está tanto naquilo que se conta (as histórias da espécie humana são sempre as mesmas) mas como se conta.
Woody Allen é um mestre na arte de contar.
Neste caso, na arte de contar uma trama dramática em que se mantém muito impressivo o traço de um artista que se notabilizou, sobretudo, a contar com humor e sarcasmo.
A não perder.
****
Tuesday, December 12, 2017
TRABALHOS DE TRUMP
Trump, de algum modo, cumpre o que promete.
Prometeu reduzir os impostos sobre os maiores rendimentos, e está a conseguir.
É a política do Trickle down economics segundo a qual a redução dos impostos sobre os mais ricos beneficiará, por tabela, os mais pobres. E há muitos pobres que acreditam nisso: Trump foi eleito em grande parte com os votos de eleitores das regiões mais deprimidas dos EUA.
Quem também contribuiu em larga escala para a eleição de Mr. Trump foram as mulheres norte-americanas. Mesmo depois de contra ele terem sido disparadas, durante a campanha eleitoral, várias denúncias de práticas de assédio sexual. Curiosamente, a avalanche de denúncias do mesmo tipo, desencadeada nas últimas semanas a partir, sobretudo, de Hollywood, continua, aparentemente, a não causar mossa a Mr. Trump.
---
Act. - Entretanto, o candidato democrata ao Senado dos EUA pelo Alabama, Doug Jones, causou surpresa ao vencer esta terça-feira o republicano Roy Moore naquele estado conservador, acusado de abuso sexual por oito mulheres, durante a campanha eleitoral.
Por outro lado, na semana passada, Al Franken, senador pelo Minennesota, acusado de condutas sexuais impróprias, anunciou que vai renunciar, aguardando que a Comissão de Ética do Senado o julgará inocente.
"Eu, como toda a gente, estou ciente de que há alguma ironia no facto de estar de saída (do Senado) enquanto um homem que se vangloriou, em registo gravado, da sua história de agressão sexual continua sentado na Sala Oval ... " - Al Franken, no anúncio de saída
Segundo estas notícias, o vendaval de acusações de casos de assédio sexual a derrubar políticos não vai dissipar-se tão depressa.
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Act. - Apesar dos esforços de Trump para acabar com o Obamacare, o número de aderentes está exceder as mais optimistas expectativas, aumentando a inviabilidade política do actual presidente anular os objectivos do acto mais representativo do governo do seu antecessor. - aqui
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Act. - Poderá uma acusação de obstrução à Justiça determinar um processo de impeachment a Trump em 2018.
Mais do que quaisquer denúncias ou testemunhos, serão os resultados das midterm elections que, se retirarem a Trump o suporte que ele ainda detém no Congresso, poderão determinar o desencadeamento do processo de impeachment ou garantir-lhe roda livre para continuar a proceder como até aqui até ao fim deste mandato. vd. aqui: ."Doubting the intelligence, Trump pursues Putin and leaves a Russian threat unchecked"
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Act. - Entretanto, o candidato democrata ao Senado dos EUA pelo Alabama, Doug Jones, causou surpresa ao vencer esta terça-feira o republicano Roy Moore naquele estado conservador, acusado de abuso sexual por oito mulheres, durante a campanha eleitoral.
Por outro lado, na semana passada, Al Franken, senador pelo Minennesota, acusado de condutas sexuais impróprias, anunciou que vai renunciar, aguardando que a Comissão de Ética do Senado o julgará inocente.
"Eu, como toda a gente, estou ciente de que há alguma ironia no facto de estar de saída (do Senado) enquanto um homem que se vangloriou, em registo gravado, da sua história de agressão sexual continua sentado na Sala Oval ... " - Al Franken, no anúncio de saída
Segundo estas notícias, o vendaval de acusações de casos de assédio sexual a derrubar políticos não vai dissipar-se tão depressa.
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Act. - Apesar dos esforços de Trump para acabar com o Obamacare, o número de aderentes está exceder as mais optimistas expectativas, aumentando a inviabilidade política do actual presidente anular os objectivos do acto mais representativo do governo do seu antecessor. - aqui
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Act. - Poderá uma acusação de obstrução à Justiça determinar um processo de impeachment a Trump em 2018.
Mais do que quaisquer denúncias ou testemunhos, serão os resultados das midterm elections que, se retirarem a Trump o suporte que ele ainda detém no Congresso, poderão determinar o desencadeamento do processo de impeachment ou garantir-lhe roda livre para continuar a proceder como até aqui até ao fim deste mandato. vd. aqui: ."Doubting the intelligence, Trump pursues Putin and leaves a Russian threat unchecked"
Monday, December 11, 2017
ADMIRÁVEL MUNDO VELHO
És muito tola, já é quase
meio-dia, estás à espreita desde a entrada dos primeiros raios de sol no quarto,
ele não aparece, e tu aqui incomodada com o que lhe possa ter acontecido.
Lá que é estranho, é, ele move-se consoante o andamento dos astros, a estas
horas o bicho já devia estar cá fora há muito tempo. A tentação de atravessares
a rua e entrares por ali dentro é grande mas o receio de um raspanete é maior.
E se lhe aconteceu alguma coisa e precisa de ajuda? Se o homem, que vive
teimosamente sem companhia em casa, morreu? Aparentemente, ele ainda está rijo
como um pero mas com setenta em cima, os mesmos que tu, ninguém se livra nestas
idades que lhe dê o badagaio de um instante para o outro. Podias chamar a
polícia ou os bombeiros, não seria a primeira vez, mas se o velho decidiu ficar
mais tempo que o costume dentro de casa por uma razão qualquer, por ser domingo?
… Hoje é domingo? Ficava ele ainda mais furioso contigo e a polícia ria-se
outra vez de ti. Seria estranho, mas seria possível, até porque é domingo,
ainda que ele há muito tenha dispensado o calendário e o relógio, sabe lá ele
se é domingo ou outro dia qualquer. Não, não é por ser domingo que ele não está
já no quintal quando o sol já vai alto. Consomes-te com imaginações idiotas,
ainda estás em jejum, não saíste um momento sequer do teu posto de observação.
Já é quase meio-dia, está o sol a pino, em jejum sentes-te desfalecer, vá
lá, levanta-te e vai à cozinha comer qualquer coisa, agarra-te à cadeira,
hum!.. Volta a sentar-te, está tudo a rodar à tua volta, pois está. Aguenta uns
instantes de olhos fechados, vê se te reequilibras, avança o braço
direito, isso mesmo, agarra-te agora à portada da janela, firma-te nela,
volta-te e tenta agora pôr-te de pé. Abre os olhos, estás a ver? … O carrossel
parou. Vá lá, agora só mais um instante de sentinela, e depois, a passos
indecisos, avança pelo corredor, a mão direita a percorrer a parede até à
entrada da cozinha. Aqui, amparas-te à bancada, pegas num copo, enche-o de
água, e bebe-o …. Sentes-te melhor, hem? Agora vais à casa de banho, pela
primeira vez!, hoje, depois de te teres levantado da cama, cumprindo a rotina
diária com quatro horas de atraso. Há anos que te levantas por volta das oito,
não importa a inclinação do sol, para ti nunca muda a hora, por que é que mudam
a hora? Vais outra vez à janela da frente, e vê!, ele ainda não saiu de casa, vais à cozinha, a gata
atrás de ti, dás-lhe comida, geralmente o que te sobrou do jantar, bebes um
copo de água, fazes ah! e entras na casa de banho para o costume. Normalmente, por
volta das oito e meia, sentas-te à mesa, comes uma maçã ou o que houver, bebes
o café da manhã com uma torrada de pão escuro, levantas-te, os comprimidos na
gaveta, não te esqueças dos comprimidos, quinze por dia, cinco de manhã, cinco
ao meio dia, cinco ao jantar, hoje, já passa do meio-dia, deves tomar os da
manhã e os do almoço? Encolhes os ombros, e tomas dez. Vais outra vez à janela a
ver se ele ainda estará vivo, é bem capaz, ocorreu-te agora a ideia, de estar ele
por trás da janela a troçar de ti.
Sais todas as manhãs de
casa, atravessas a rua para lhe dar bons dias, e tentar meter conversa, se ele
está a distância conveniente, o que, de vez em quando, acontece. Aos teus bons
dias, faz o asno o favor de responder, quanto a conversa fiada muitas vezes não
consegues arrancar-lhe uma resposta de mais de dois ou três monossílabos, não,
sim, pois, pois é, pois foi, tirados a custo, sem levantar a cabeça nem
interromper o trabalho. Ainda assim, encostas-te ao muro, e ali te demoras a
dar as notícias da rádio ou ouvidas nas idas às compras, e que não chegam ao
Austero, que não sai dali, do meio jardim meio quintal, não ouve rádio, não lê
jornais, ele nem sabe que a televisão existe. Quando te acabam as notícias do
dia, e já acrescentaste algumas por tua conta, fazes um compasso de espera,
ficas a olhá-lo por mais algum tempo, e até logo! O Austero moita, encolhes os
ombros, suspiras fundo e vais às compras. Só tu tens pachorra para tentar
civilizar aquele penedo abandonado do mundo. Vá lá, suspira outra vez. Isso
mesmo.
O Austero, reconheça-se,
tem um jardim invejável, é a sua obsessão, o seu mundo. Há muito que deixou de
se interessar pelo que se passa para lá dos limites do seu território. Os
mantimentos encomenda-os ao carteiro, que por ali passa diariamente a fazer o
seu trabalho, tão antigo como a história, e se incumbe, quando lhe pede, de lhe
comprar os remédios na farmácia mais próxima, a dois quilómetros dali.
O espaço ocupado pelo
jardim e pela horta é relativamente pequeno, uns vinte de frente por
quinze de comprimento, mas preenche-lhe o tempo todo. Se alguém, geralmente as
mulheres, passa e pergunta, apontando que flores tão bonitas são aquelas ali, o
mais provável é que ouça resmungar uma pequena parte do que o Austero sabe
acerca daquelas e de muitas outras de entre os milhões que enfeitam o
planeta. São muito raros os momentos em que a concha se abre, mas não para ti,
em que ele dá conta, mesmo assim sempre regateada, de alguma satisfação de
viver. O que ouves, ouves por tabela, se estás junto ao muro e passa alguém a
meter conversa, que lindo jardim o seu, e a fazer perguntas. Raramente vai o
Austero além de uma resposta seca, mas, sabe-se lá por que encanto ou intenção,
de vez em quando anima-se a testar a atenção que os curiosos prestam às
respostas que ele dá. Lembras-te do nome daquelas ali? Pois não te lembras, é
normal, fomos por aí fora, andámos às voltas, e era de crer que te
esquecesses por onde começámos. Pois é … São azáleas, da família dos
rododendros. Até as flores têm famílias…, diz em tom amargo, cala-se, e assim
acaba a conversa, vai para dentro, e nem boa tarde.
Há uns tempos, num desses
raros momentos de conversa curta, admitiu, talvez em sequência de insistente
sugestão tua, que estava a precisar de quem o ajudasse a cuidar do jardim e do
quintal, o tempo não perdoa e as forças já não são o que tinham sido. De modo
que estava a pensar contratar alguém que lhe desse uma ajuda, não mais do que
um dia por semana, talvez até uma manhã chegasse, e até já tinha colocado um
anúncio com a ajuda do estafeta. Foi a notícia mais feliz que recebeste depois
de todos estes últimos anos de reencontro furtivo após longos anos em que
nenhum viu ou soube do outro. Sem preocupações com rosas, hortênsias, azáleas,
petúnias, frésias, entre um número sem conta de várias espécies que o mantinham
ensimesmado e alheado do mundo e afastado de ti, é agora a altura de se
aconchegarem um ao outro, por que não? Afinal de contas tinham nascido e
crescido em frente um do outro, quase da mesma idade, mas, com quinze anos, ele
era um fedelho mal acabado, que não te entusiasmava nem ele parecia mostrar
qualquer interesse por ti, apesar de algumas tentativas que fizeste para o
capturar para uns momentos de iniciação. Que idades tinham, então? Oito? Nove? Ficou-lhe
desses tempos uma cicatriz no cocuruto da cabeça, que o cabelo encobria,
resultado da queda de uma pedra do muro, que se desprendeu quando ele tentava trepá-lo
para vir ter contigo. Ele podia entrar pelo portão, sempre aberto, mas preferia
sempre trepar o muro e provocar a tua excitação a vê-lo saltar.
Inesperadamente, o Austero teve respostas
de dezenas de candidatos quando esperava enorme dificuldade que alguém aparecesse,
a última vez que precisara de alguém para lhe reparar um cano de água tinha
andado o carteiro Seca e Meca para descobrir quem soubesse do ofício. Agora,
passados poucos anos, recebeu respostas de empresas especializadas, de gente
que se confessava inexperiente mas cheia de vontade de acertar até mestres em
agronomia e doutores em história. Nenhum indicara o preço, salvo um, por sinal
o mais habilitado no assunto, trabalhara no município durante alguns anos a
cuidar dos jardins públicos. Um achado. O mais espantoso, contudo, é que,
quando lhe perguntara quanto lhe teria de pagar pela colaboração, o homem
estranhou que o Austero estivesse completamente alheio do que se passava pelo
mundo. Por onde é que tem andado? Não costuma ver televisão, não ouve rádio,
não lê jornais? Não fala com ninguém? Fala comigo a vizinha, mas tenho pouca
paciência para aturar conversas. Não tenho motivos nem curiosidade sequer para
saber o que vai pelo mundo. Vivo para o meu jardim e a minha horta, e só a
idade me obriga agora a recorrer a alguém para me ajudar. Quanto lhe terei de
pagar? A mim, nada. Antes, pelo contrário, terá de ser o senhor a dizer quanto
lhe tenho que pagar para trabalhar no seu jardim. Ora essa, um de nós, ou está
a ver o mundo às avessas ou ainda não acordou. E beliscou-se. Hum! Creio que
estou vivo e acordado. Senhor Austero, é natural que esteja confuso, a
alteração aconteceu recentemente, certamente o carteiro não passou, entretanto,
por cá. Há algum tempo que não me aparece, é verdade, estou quase sem fármacos
e sem soja, sou vegetariano, como da horta, estava a pensar até pedir-lhe a si
que fizesse o favor de me fazer essas compras. O mais provável é que o carteiro
não volte a passar, informou o candidato. Os correios estão a dispensar
pessoal, já ninguém envia correspondência pelos correios, a entrega de volumes
está a ser feita por drones, uns falcões artificiais, que entregam e levantam
encomendas, voando para onde lhes mandam as instruções que recebem. Acabaram-se
os selos, os envelopes… A lambidela na goma para fechar as cartas já tinha
acabado há muitos anos, acrescentou Austero para dar conta que não estava tão
fora das mudanças do mundo.
E foi assim que o Austero entregou o
trabalho e se enclausurou em casa. A princípio ainda dava umas voltas pelo
jardim e pelo quintal, certamente a verificar o trabalho realizado pelo oficial
contratado, mas desde há dois dias que não o vês.
A porta das traseiras está aberta. Austero! Nenhuma
resposta. Espreitas, a medo, para dentro da casa, o Austero está sentado num
banco de madeira, no meio da sala, voltado para a janela da frente, a que dá
para a rua, fechada, a janela voltada para o jardim está semiaberta, os
cotovelos nos joelhos a segurar a cabeça calva, a cabeça pendente para o chão
não se desvia com a tua presença. Austero! Austero! E
a voz sai-te trémula e enfraquecida pela dúvida do que lhe estará a provocar
aquela imobilidade que não reage à tua presença. Avança, vá, avança, coloca-lhe
a mão sobre o ombro, Austero, o que se passa? Há quantos anos não lhe pões a
mão no ombro? Cinquenta? Uns cinquenta, sim, não menos. Austero levanta
indolente a cabeça, fita por instantes a janela, com o olhar distante disse,
olá vizinha, e volta, indolente, a fixar o olhar no chão. Austero, que se passa
contigo, fala por amor de Deus! Sentes-te doente, Austero? Fiz um mau negócio, diz,
e começou pausadamente a explicar-se sem despregar os olhos do chão.
Fiz um mau negócio, e agora sinto-me a morrer,
porque entreguei os cuidados do quintal e do jardim, e o rapaz insistiu que
fosse assinado contrato, por mim e por ele, está visto, comprometendo-se ele a
cuidar das flores e da horta, por um prazo de três anos, recebendo eu, nota
bem, recebendo eu uma retribuição, paga por ele, pelo trabalho por ele
prestado. É inacreditável, disseste tu. Pois é, mas foi assim que fiz um mau
negócio. Não entendo, mau negócio, porquê? Não tens que te maçar a trabalhar e
ainda recebes algum em troca, concluíste tu, entusiasmada com as perspetivas
que descortinavas nesta oportunidade imprevista. É verdade, embora seja
estranho, mas parece que o mundo está a dar uma volta, inconcebível há pouco
tempo atrás. Como há, ao que me disse o rapaz, cada vez menos trabalho e mais
gente a querer trabalhar, ganha mais quem fica parado e menos quem vai
trabalhar. Ora eu precisava de alguém que me ajudasse mas agora estou impedido,
por contrato, de pegar sequer numa sachola.
E qual é o mal? Tens alternativas, … tens
mais em que pegar, disseste tu com entoação intencionada, que ele não percebeu
ou fez-se desentendido, e ficou calado. Podes renegociar o contrato, não? Pois
aí é que está o problema. Assinei um contrato por três anos, se quiser
terminá-lo tenho de indemnizar o rapaz, é muito dinheiro …
Mas por que tens tu que pegar na sachola?
Disse sachola como poderia ter dito outra ferramenta qualquer … num jardim
e uma horta usa-se muita ferramenta, faz-se muita coisa … semeia-se, planta-se,
rega-se, arrancam-se as ervas daninhas, colocam-se estacas, acariciamos as
flores, falamos com elas, sabias? Cuidar de um jardim, ou de uma horta, é um acto
de dedicação a um amor permanente, há muita gente que não sabe isso, mas é.
Agora …
Agora não podes sequer olhar para elas? Posso,
claro que posso, mas é diferente … Assim tanto? Tanto quanto possas imaginar
entre pensar em quem amas sem lhe poderes tocar, disse ele com amargura
evidente na voz. E ficaram ambos calados por longo tempo, a olhar os raios de
sol, coados pelo entardecer, a fugir da janela em frente.
É assim tanto dinheiro que tens de lhe
pagar para ele se ir embora? Uns largos milhares … não tenho alternativa. Não
me digas que vais pagar uma fortuna para voltar a trabalhar por amor ao
trabalho. Não posso acreditar. Dizes bem, por amor ao trabalho com as minhas
flores, com a minha horta. Tem juízo, Austero! Com a reforma que tens mais esta
remuneração que te paga quem trabalha para ti, podíamos fazer companhia um ao
outro e ter uma velhice regalada. Cozinhávamos para os dois, limpávamos a casa,
que bem precisa, disseste, mas logo te arrependeste. Podíamos viajar … Podíamos
ir até ao norte! Ao norte? Mas o que é que eu ia fazer ao norte?
Ficaste a olhar para ele, sem dar
resposta, porque o turbilhão de ideias engendradas pela tua ânsia de recuperar
o tempo percorrido por caminhos divergentes atropelava-se numa realidade
amarga: a lembrança da tua excitação juvenil de o ver saltar o muro era
irrepetível porque não havia nele agora o mínimo interesse sequer de atravessar
a rua.
Na altura, ninguém seria capaz de prever
o desvio que a queda da pedra solta do muro iria provocar nas trajetórias de um
e do outro. Dias depois do acidente da pedra, suturada e sarada a ferida, o
Austero espreitou e esperou que tu aparecesses do outro lado da rua para voltar
a saltar o muro. Voltou a espreitar nos dias seguintes, mas não apareceste,
tinhas ido de férias para a praia. Poucos anos depois, tinha ele crescido por
fora e tu muito mais por dentro, começara em ti a ebulição das hormonas, e as
esperanças das mães vizinhas, de verem os filhos casados com outro, foram
arrasadas quando te foi impossível esconder o teu envolvimento com um fulano,
dez anos mais velho, de fortuita passagem pela tua vida, de que te ficou um
filho, que há tanto tempo perdeste de vista. Por onde andará ele agora?
Não, não me interessa nem o norte nem o
sul, vou pagar a rescisão do contrato porque só assim voltarei a viver. Agora,
assim, não vivo porque vivo morto. Tenho uma alternativa, disseste tu com tanto
entusiasmo que até ele pareceu despertar do seu torpor: Eu contrato-o para me
fazer as compras, as limpezas, cozinhar, há já algum tempo que tinha intenção
de admitir alguém. Pagando, claro. Se tiver alguém que faça o que preciso e,
ainda por cima, me pague para o fazer, faz-se a transferência já amanhã, tu
ficas livre dele e eu fico com mais tempo para vir até aqui ver as flores
contigo … se me deres esse gosto …
Seria uma boa ideia, mas não é assim que
as coisas estão a funcionar agora, disse-te ele. Para esses trabalhos que
referes não há quem os queira executar sem retribuição, aliás, cada vez mais
elevada. São os trabalhos que dão a quem os realiza uma sensação de felicidade,
de realização pessoal, que têm maior procura e menor oferta. Já há poucos
jardins..., e pouco trabalho deste, um género de trabalho que as pessoas pagam
para os poder desfrutar, por assim dizer.
A ouvi-lo, mobilizaram-se-te os neurónios
com o máximo empenho para descortinar uma derradeira solução, que permitisse ao
Austero voltar a dedicar-se às flores e às hortaliças sem cair no
incompreensível disparate de espatifar tanto dinheiro para voltar a trabalhar
no seu jardim e na sua horta e, sobretudo, conquistá-lo para um final de vida a
dois, no mesmo lado da rua.
Espera!, disseste tu. Levantaste a mão
direita, olhaste-o fixamente nos olhos compondo um tempo de espera a sugerir
que uma ideia ganhava forma e ia saltar dali a pouco. Baixaste a mão, e
abeiraste-te dele para lhe dizer como quem conta um segredo: Talvez eu possa
mandar fazer um jardim, … tenho algum terreno, pequeno, é certo, mas dá para
instalar uns canteiros, plantar umas flores… E transferimos o teu jardineiro
para o meu jardim. Que te parece? Parece-me que ele não aceitará, respondeu,
serenamente, o Austero, nem desapontado nem determinado, e foi como se, no
salto que preparava para dar, reerguesse o muro que ela tentara derrubar. Sabes
bem que o meu jardim não é um jardim qualquer. Um jardim é uma construção de
amor duradouro, já te disse. E o amor, para ser duradouro, leva muito tempo a
construir, aliás, nunca está acabado porque está sempre em construção. Se sabes
quantos anos tem este jardim, podes avaliar a sensação que um amor tão antigo
pode suscitar em quem está nele envolvido. Está decidido, vou pagar a rescisão
do contrato. Afinal de contas para que quero eu as poupanças que juntei ao
longo da vida?
Sunday, December 10, 2017
NO PAÍS DOS BOYS
"Câmara de Lisboa vai ter 124 assessores e secretárias para apoiar 17 vereadores e já começou a assinar contratos. Alguns eram candidatos autárquicos que não foram eleitos."
Vi esta notícia referida aqui.
O abuso que governantes centrais e locais fazem de dinheiros públicos para emprego de correlegionários, amigos, familiares e coniventes vem de longe. Como em outros aspectos da vida pública, a imoralidade anda de mãos dadas com a conivência das conveniências e a par da falta de exigência de civismo colectivo. Que vingam com um generalizado encolher de ombros e a conclusão adquirida como inamovível de que "todos fazem o mesmo".
Se a notícia tem fundamento, que posição tomaram ou vão tomar os vereadores da oposição na Câmara de Lisboa? Calam-se todos?
É o mais provável: O PSD/PPD e o CDS porque, também eles, têm clientelas partidárias e interesses particulares envolventes à espera de oportunidades futuras , o PCP porque, para os comunistas, quanto mais gente mamar do Orçamento mais se engrandece o Estado.
E o BE é outra vez parte do governo camarário em Lisboa.
Valha-nos Centeno, presidente do Eurogrupo, agora atado de pés e mãos aos limites impostos de fora.
A nossa independência, e o que é isso?, é um perigo.
---
Correl. -
A redução da dívida é absolutamente fundamental (Público - 10/12/2017)
O calcanhar de Centeno (26/8/2017)
O calcanhar de Centeno - 2 (1/9/2017)
A nossa independência, e o que é isso?, é um perigo.
---
Correl. -
A redução da dívida é absolutamente fundamental (Público - 10/12/2017)
O calcanhar de Centeno (26/8/2017)
O calcanhar de Centeno - 2 (1/9/2017)
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Saturday, December 09, 2017
ASSIM VAI O BRÊXIT
Segundo os britânicos.
"As expectativas estão em baixa. Até os que votaram pela saída da UE, receiam agora um mau negócio. Mas, em vez de alterar as suas opiniões acerca do Brêxit, culpam o governo."
c/p Economist
"Se não receio o erro é porque estou sempre pronto a corrigi-lo"
- Bento Jesus Caraça
Mas, geralmente, a espécie humana não muda de credo, nem de clube, nem de partido. E, pelos desaires, acusa os árbitros.
Wednesday, December 06, 2017
TOUT VA TRÈS BIEN, MADAME LA MARQUISE
"Primero fue la Eurocopa, en enero llegó la ONU, en mayo la Eurovisión y este diciembre el Eurogrupo. Portugal copa los titulares de los medios para incredulidad de los expertos en la materia. Al margen de los éxitos por las habilidades con el balón y con la canción, las direcciones en la secretaría general de la ONU y en el Eurogrupo revelan unos triunfos de la diplomacia lusa que van mucho más allá de su peso económico. En enero António Guterres tomó posesión de la secretaría general de la ONU y este diciembre Mário Centeno presidirá el Eurogrupo, el sanedrín de los ministros de Finanzas de la zona euro..." - aqui
"... A líder parlamentar interina do BE duvidou que a eleição do ministro das Finanças português altere a natureza da instituição e o poderio alemão. "A pergunta que os portugueses fazem é se será Mário Centeno, por ser português e pertencer ao PS, pode fazer a diferença nesta instituição que só tem representado ataques à democracia e mais austeridade. Entendemos que prevalece a natureza da instituição", disse Mariana Mortágua, que falava aos jornalistas no parlamento. O PCP considerou que a eleição nada traz de positivo para Portugal e advertiu que combaterá eventuais tentativas do Governo de acentuar restrições ao investimento público. "O PCP alerta para o uso que o Governo do PS, no quadro das suas opções e em sintonia com as do PSD e do CDS, venha a fazer desta decisão para acentuar a recusa ou limitações às medidas necessárias ao desenvolvimento do país", afirmou o eurodeputado comunista João Ferreira. O Partido Ecologista "Os Verdes" (PEV) reagiu "sem surpresa", alertando que Portugal não deve sujeitar-se a uma "submissão maior" à União Europeia. "Os Verdes reiteram a sua preocupação, no sentido de que esta eleição não venha a representar, em qualquer circunstância, uma submissão maior à União Europeia e aos condicionamentos da Zona Euro, o que, a acontecer, seria profundamente negativo para Portugal", lê-se num comunicado do PEV." - aqui
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