Mais do que um filme sobre o amor e a perda, Filomena é, essencialmente, uma história verídica, porque baseada num caso real, sobre pecados da Igreja Católica irlandesa.
Monday, March 03, 2014
CRIME E IMPUNIDADE
Sem que se perceba porquê, o fundo de pensões do BPN foi integrado na Caixa Geral de Aposentações depois do encerramento do maior buraco financeiro até agora descoberto em Portugal.
E digo até agora porque ninguém nos garante que um novo recorde não venha a ser estabelecido nos tempos mais ou menos próximos .
Mas o que é notícia, desta vez, acerca do mostrengo é o facto de, segundo o que é dito, hoje, aqui, não há fundos para pagar as pensões aos reformados do buracão porque foram distribuidos dividendos. Quem da notícia se fique pelo título pensará, provavelmente, que outra coisa não seria de esperar após o estoiro que nos está a queimar quase todos.
O que é realmente notável nesta notícia é o facto de terem sido os administradores nomeados pela CGD para a gestão do mostrengo que decidiram alterar os estatutos do fundo (contrariando o que os estatutos do mesmo estipulavam) e distribuir dividendos porque havia, segundo eles, sobredotação do referido fundo de pensões!
Os responsáveis pela construção do buraco medonho que, quase todos, temos às costas, continuam impunes. Mas também continuam impunes e bem pagos aqueles que foram nomeados após a nacionalização para suster os danos gravosos do assalto e que, ao contrário de realizar o que lhes competia, aprofundaram, e bastante, as dimensões do buraco que lhes foi entregue. Este caso dos fundos de pensões é apenas um dos crimes cometidos pelos caixeiros destacados.
Que, como os outros, há-de ficar impune porque é mais fácil e menos perturbador da clique levar também estes custos à conta da segurança social, e da despesa pública.
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A propósito: Um dia destes ainda seremos confrontados com os resultados das transferências mal negociadas pelo governo dos fundos de pensões dos bancos para o regime geral da segurança social. Tais transferências deveriam estar subordinadas, como nos fundos de pensões privados, à obrigatoriedade do eventual reforço desses fundos em conformidade com os resultados estudos actuariais periódicos. Tanto quanto julgo saber, nada disso está previsto. Se assim for, subirão muito provavelmente, por este motivo, as despesas com prestações sociais e, neste caso, inevitavelmente, a despesa pública.
Sunday, March 02, 2014
ISAÍAS E SAMUEL
Caro E.,
Voltas ao teu tema preferido: a necessidade de corte das gorduras do Estado. E, a este propósito, recordo-me da história dos "Ratos reunidos em conselho". Até agora, não apareceu o rato capaz de colocar o guizo no pescoço do gato. Talvez por falta de força para chegarem às gorduras, até agora têm-nos cortado a pele.
Depois, caro E., sem te contestar as conclusões, permite que repita a minha discordância de algumas contas. E também, a propósito de contas, me ocorre uma laracha antiga:
Há muito tempo que Isaías, o patrão, se esquecera de rever o salário de Samuel. Decidiu-se então Samuel a falar com Isaías para lhe lembrar quanto o seu salário estava corroido pela inflação e não lhe permitir o cinto mais aperto. Isaías mirou Samuel por uns instantes, e depois disse-lhe, muito bem, vamos lá fazer umas contas: O ano tem 365 dias (366 de quatro em quatro anos), certo? Certo. Pois bem. Quantas horas trabalhas por dia? Oito. Ou seja o equivalente a um terço dos dias do ano, contas feitas, trabalhas 122 dias por ano. Certo?. Certo. Mas não trabalhas ao sábado, que é dia guardado da nossa religião, e também não trabalhas ao domingo porque estão os outros fechados, ou seja cerca de cento e quatro dias. Certo? Certo. Quem de 122 tira 104 ficam 8. Agora tira-lhe os feriados e as férias e faz as contas. Afinal, Samuel, ainda me deves dinheiro.
A anedota tem barbas e o ludíbrio das contas é mais que evidente. E, no entanto, uma história parecida anda para aí a ser contada e recontada e, mais espantoso que isso, engolida pela generalidade dos Samueis deste país.
Ninguém minimamente responsável e informado pode contestar o alargamento acelerado observado nas últimas décadas do perímetro do Estado na economia. O que, só por si, poderia não ter consequências negativas no crescimento económico se as prestações da função pública tivessem sido eficientes e os investimentos públicos rentáveis. Sabemos que não foram. Aos investimentos públicos realizados nos últimos vinte anos corresponderam crescimentos anémicos e pela perda de velocidade da economia são responsáveis as ineficiências de algumas das funções nucleares do Estado, nomeadamente a justiça, e a redundância de numerosos institutos, observatórios, fundações, etc.
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Mas é sobretudo a segurança social quem geralmente paga as favas quase todas, e, muito particularmente, as prestações sociais. No Expresso deste fim-se-semana, por exemplo, lá vem mais uma bicada de um dos subdirectores do semanário, que elegeu os reformados como as "bêtes à abattre", reportando-se a um gráfico publicado num estudo editado pela Fundação Francisco Manuel dos Santos.Em 2010, segundo o tal estudo, as prestações sociais representavam 43% da despesa pública e a despesa pública 50% do PIB. Em 1986 as prestações sociais representavam 10% do PIB, 12% em 1993, 13% em 2000 e 22% em 2010
É inquestionável o crescimento das prestações sociais na primeira década do século. Mas é o peso das reformas e pensões tão acentuado quanto dizem os Isaías cá do sítio? Não é. E não é porque as contas têm sofisma que, estranhamente,quase toda a gente, mesmo a mais ilustrada, engole sem lhe dar pelo sabor a treta. Antes de avançar na desmontagem (fácil) do logro convém retirar da análise algumas opacidades que não têm qualquer correlação com a questão que abordo.
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Uma delas é o crescimento dos apoios sociais decorrentes da situação de crise, nomeadamente o subsídio de desemprego, uma questão que só a retoma da economia resolve, a menos que resolvam os Isaías acabar com ele, o subsídio. Nada disto invalida o facto de em muitos casos estarem a ser atribuidos subsídios a quem, por ter recursos próprios, a palavra "segurança social" carece de sentido. Em igualdade de absurdas circunstâncias estão as reformas pagas a não contributivos, e portanto consideradas "segurança social", que dispõem de meios próprios mais que suficientes à sua subsistência em condições condignas.
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Também carece de sentido incluir na rubrica "segurança social" a reforma paga à senhora presidente da AR, reformada aos 42 anos (!), e a todos os políticos e ex-políticos, e a tantos mais que leis disléxicas chamam "segurança social" do mesmo modo que lhe poderiam chamar "apito".
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Dito isto, e muito mais haveria a acrescentar, vamos então às contas dos Isaías quanto aos sistemas de pensões. Mas não sem antes apontar o mais tenebroso raciocínio que leva à consideração da tributação em CES dos complementos de reforma privados, geridos por privados, sem qualquer intervenção da função pública, responsabilidade, nem risco do Estado, como redução da despesa pública!
Desde logo, os Isaías, metem no mesmo saco as contas do regime geral da segurança social, financiada pelas prestações sociais pagas pelo sector privado - mais de 1/3 dos salários brutos - com os sistemas dos reformados da função pública e situações afins, financiadas por impostos, e ainda as contribuições sociais a não contributivos que, naturalmente deveriam ser financiadas por impostos. A prática de tudo no mesmo saco tem servido aos vários governos para se apropriarem dos saldos positivos da segurança social dos privados, e agora clamarem os Isaías que o sistema é insustentável!
Qual sistema, caramba? O do regime geral da segurança social? Não parece. Lendo o Relatório do OE 2014, págs. 55, ( o sistema português de segurança social é que menos riscos corre nos próximos 50 anos). Tudo no mesmo saco serve ainda a outros propósitos: Como a única forma de cortar gorduras no Estado tem sido a reforma antecipada de muitos funcionários, reduzem-se as despesas de pessoal, aumentam as "despesas sociais", e os resultados da engenharia levados à conta da insustentabilidade do sistema!
Uma forma honesta de saber onde nos encontramos em matéria de sustentabilidade do sistema deveria começar pela separação das contas do regime geral da segurança social do sistema de segurança social da função pública e funções correlativas. E, feito isto, considerar que, efectivamente, as reformas pagas aos contributivos do regime geral não são despesa pública, porque não correspondem a um serviço prestado pela função pública que apenas gere as transferências entre contribuitivos activos e contributivos reformados. Apenas os custos dessa gestão, que representarão não mais que 1% do total gerido, é efectivamente despesa pública. Esta correcção da despesa pública, dir-te-á qualquer Samuel mais avisado determinará um valor substancial daquilo a que os Isaías insistem chamar despesa pública, qualquer coisa como oito pontos percentuais.
Mas há mais: Quem recebe pensões ou refomas não recebe os valores que os Isaías dizem pagar. Salvo o caso das refomas mais baixas, e se o reformado não tem outros rendimentos, todas as reformas estão sujeitas a IRS, além da confiscatória CES, que pode elevar a carga tributária para cima de 60%. É despesa o valor pago e a receita do imposto deduzido?*
Samuel que faça contas chegará à conclusão que os oito pontos percentuais atrás referidos montam a cerca de 12 pontos percentuais se uma receita não for considerada receita, como parece a qualquer Samuel atento.
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NEBRASKA
Interpretações notáveis de Bruce Dern e June Squibb.
De Alexander Payne, o mesmo de realizador Sideways e as Confissões de Schmidt
Bruce Dern merece o Óscar deste ano.
Saturday, March 01, 2014
DESCARADAMENTE
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O Expresso de hoje destaca na sua primeira página alguns exemplos de situações típicas do descaramento com que grande parte das elites portuguesas atravessa impune e bem paga o lodaçal que elas mesmas produzem. Com exemplos destes, vindos de cima, o que pode esperar-se do comportamento cívico do homem da rua que os olha de baixo?
O senhor Rui Machete mentiu ao Parlamento ("não sou nem nunca fui accionista do BPN"), reconheceu a procuradora-adjunta ao fim de quatro meses de investigação, mas a PGR mandou arquivar a queixa crime apresentada contra ele porque "o dever de verdade só existe se ela for relevante o que, neste caso, não pode provar-se precisamente porque não é possível avaliar a relevância do que não foi dito e teria sido dito se Machete tivesse falado verdade". Por um lado, para a PGR, a mentira em sede de comissão de inquérito parlamentar não é, só por si, condenável, e é irrelevante porque é insondável, no caso em questão, a relevância da verdade. Admirável contorcionismo jurídico, mesmo considerando que levou quatro meses a treinar.
O senhor Miguel Relvas saiu do governo na sequência de um conjunto de incidentes, pelo menos moralmente, condenáveis. O senhor Passos Coelho resolveu agora, inesperadamente, repescá-lo e atribuir-lhe a presidência da conselho nacional do partido. Restaurado e imaculado, Relvas estará dentro de pouco tempo a prégar aos portugueses.
Os senhores Espírito Santo contam na carteira com mais um feito exemplar da idoneidade banqueira: o de terem embolsado clandestinamente comissões no negócio dos submarinos. Pagas ou a pagar pelos contribuintes portugueses.
As seguradoras estão a ensinar empresas a fintar a TSU através da utilização de seguros de capitalização (isentos de TSU) como forma de remuneração dos quadros superiores. Nada de novo, reconheça-se: a solidariedade social nunca foi abrangente sequer de todos os grupos profissionais.
Friday, February 28, 2014
AS CONTAS DAS ÁGUAS
O Tribunal de Contas divulgou ontem relatório - vd. aqui - de auditoria às parcerias público privadas no sector das águas. E, obviamente, concluiu que negócio está a ser desastroso para os municípios e munícipes abrangidos pelos contratos estabelecidos.
Obviamente, porque a generalidade dos contratos de PPP, qualquer que seja o sector onde hajam sido
estabelecidos contratos daquele tipo, estão infectados por pressupostos de actividade errados, com o propósito de garantir aos concessionários rendas, que os concedentes têm de suportar, decorrentes da imputação a estes do risco do negócio e a garantia de rentabilidades aos concessionários. No caso da água, pelos consumos pressupostos não atingidos, no caso das autoestradas em regime de PPP, pelos volumes de tráfego inferiores aos pressupostos estabelecidos.
A denúncia destes contratos é complicada porque os concessionários se artilharam com juristas astutos e os concedentes (os municípios ou o Estado) foram representados por entidades ou menos competentes ou coniventes com a formalização do logro. A avaliação da incompetência ou má fé que consentiu ou colaborou nestes negócios já não é da competência do TC, eunuco por natureza. Em qualquer renegociação extra-judical a posição negocial dos concedentes está debilitada se não for possível demonstrar o erro ou a intenção de errar os pressupostos. Judicialmente, muita água correrá (correria) pelas conduta até que o assunto seja esquecido e arquivado.
Aos representantes do Estado, a nível local ou central, nunca deveria
ser concedida autoridade para subscrever contratos, de PPP ou outros, de tipo
leonino. O que esteve errado, (ainda continua a estar?) não foi a assinatura de contratos de PPP mas a assinatura de contratos que atiram os riscos do negócio para uma das partes (o Estado) e as garantias de margens certas para a outra (os concessionários).
Thursday, February 27, 2014
PORTUGAL MENOR
Juízes exigem, (propõem, pedem, são utilizados os três termos na notícia),
- que o Estatuto dos Magistrados Judiciais seja separado de qualquer
remissão para a Função Pública e dos titulares de cargos políticos,
atribuindo-lhe regime autónomo, que determine
- blindagem do seu estatuto remuneratório, para que possam as magistraturas
- receber um salário correspondente às suas funções,
livre de mudanças por lei orçamental, e
- um suplemento de exclusividade, para salvaguarda da independência das magistraturas e do princípio da separação de poderes
- abolindo-se os tectos máximos aos salários e a indexação ao vencimento do Presidente da República,
- admitindo uma redução de salários como contribuição em caso de crise económica nunca superior a um ano e a 3%.
A Associação Sindical dos Juízes Portugueses volta a assumir-se como representante de uma classe a quem serão devidos tributos especiais pelo exercício de funções com isenção e independência que, implicitamente, parece não admitir serem também exigidas a quem exerce cargos públicos ou realiza outras funções do Estado, na saúde, na defesa, na segurança, no ensino. Ou sugere a ASJP que as outras funções do Estado, a começar pela magistratura suprema, não têm que ser realizadas com isenção e independência?
Que o senhor Juíz Conselheiro do Tribunal de Contas Mouraz de Carvalho, enquanto presidente da APJP, reclame melhores vencimentos para a classe que representa, percebe-se perfeitamente. É essa uma das funções primordiais dos sindicalistas, ainda que seja estranha a representatividade sindical dos membros de um órgão do Estado. Que ele fundamente a reivindicação com argumentos que não são privativos da classe é chocante. E tanto mais chocante quanto é conhecida a nada lisongeira imagem da classe junto da opinião pública.
Que o senhor Juíz Conselheiro do Tribunal de Contas Mouraz de Carvalho, enquanto presidente da APJP, reclame melhores vencimentos para a classe que representa, percebe-se perfeitamente. É essa uma das funções primordiais dos sindicalistas, ainda que seja estranha a representatividade sindical dos membros de um órgão do Estado. Que ele fundamente a reivindicação com argumentos que não são privativos da classe é chocante. E tanto mais chocante quanto é conhecida a nada lisongeira imagem da classe junto da opinião pública.
Wednesday, February 26, 2014
O PREÇO DA ALFACE
"É mentira, senhor, é mentira, os hipermercados não vendem abaixo do preço de custo, quem vende abaixo do custo somos nós, os produtores, toda a gente sabe que é assim. Os hipermercados fazem o que querem e quem paga são os fonecedores. Veja bem: vendo a alface a trinta cêntimos. Facturo e recebo conforme o contrato. Vendi por trinta cêntimos a alface? Não sei. E não sei porque se no fim do ano o gestor da loja não atingiu os objectivos manda-me uma nota de débito para que comparticipe na realização dos resultados que ele quer. Quando o Pingo Doce vendeu no 1º. de Maio com descontos de 50% de desconto, quem é que pagou esses descontos? Os fornecedores, que não foram ouvidos nem achados antes. Estes são exemplos, entre muitos, das práticas que os hipermercados usam para conseguirem os preços que querem e obterem os lucros que pretendem. O risco corre todo do lado dos fornecedores. Se não aceito aquilo que me impõem sou riscado da lista. Os contratos deveriam ser obrigatoriamente registados no notário para evitar estes abusos de poder das grandes superfícies."
No mesmo dia (ontem) em que entrou em vigor a nova lei de comércio (ASAE - vd. aqui - já tem em mãos 50 processos de más práticas) a Jerónimo Martins - vd. aqui - "obteve resultados líquidos de 382,3 milhões no exercício passado. EBITDA melhorou 5,1% e vendas progrediram 10,7%." Os analistas - vd. aqui - previam resultados superiores, que terão sido frustados pelo desempenho da Biedronka (a JM na Polónia), e as cotações do grupo estão hoje a cair 7% na bolsa de Lisboa. Num dia, note-se, de queda generalizada.
Resolve-se o problema (complicado) com multas desincentivadoras do poder de dimensão dos grandes grupos de distribuição e a intervenção da ASAE? É duvidoso. A intervenção notarial, policial ou judicial nas relações comerciais raramente dá bons resultados. A um poder forte de um lado só um poder organizado do outro pode opor-se com sucesso. Enquanto as associações de produtores não forem capazes de estipular e garantir uma disciplina nas práticas de contratação dos seus associados nenhuma intervenção da ASAE será suficientemente eficaz, sobretudo porque há um terceiro parceiro no jogo que a ASAE não fiscaliza: os fornecedores estrangeiros que praticam dumping ocasional em mercados secundários, cobrindo apenas os custos variáveis, como forma de diluir os seus custos fixos.
As associações de produtores têm um problema de organização interna que só eles podem, eficazmente, resolver. Incluindo a sensibilização da opinião pública para as vantagens da economia de proximidade, do consumo das produções nacionais. Sem uma conscencialização dessas vantagens recíprocas, para fornecedores e consumidores, o dumping exterior continuará a ser a arma com que os grandes grupos de distribuição dividem, para reinar, os fornecedores nacionais.
As associações de produtores têm um problema de organização interna que só eles podem, eficazmente, resolver. Incluindo a sensibilização da opinião pública para as vantagens da economia de proximidade, do consumo das produções nacionais. Sem uma conscencialização dessas vantagens recíprocas, para fornecedores e consumidores, o dumping exterior continuará a ser a arma com que os grandes grupos de distribuição dividem, para reinar, os fornecedores nacionais.
Monday, February 24, 2014
O BINÓMIO DE NEWTON
"O binómio de Newton é tão belo como a Vénus de Milo.
O que há é pouca gente para dar por isso.
óóóó — óóóóóóóóó — óóóóóóóóóóóóóóó
(O vento lá fora)." - Fernando Pessoa / Poesias de Álvaro Campos (1928-1935)
O que há é pouca gente para dar por isso.
óóóó — óóóóóóóóó — óóóóóóóóóóóóóóó
(O vento lá fora)." - Fernando Pessoa / Poesias de Álvaro Campos (1928-1935)
Um estudo recente (divulgado há uma hora atrás no Economist) descobriu que a actividade cerebral dos matemáticos quando olham para equações é motivada na mesma área emocional do cérebro e tão intensa quanto a que estudos anteriores tinham reportado durante experiências de contemplação de beleza em outros domínios. Dito de outro modo, as fórmulas emocionam no mesmo sentido que as artes visuais e a música. - vd. aqui. Ainda segundo o mesmo estudo nem todas as fórmulas são susceptíveis de entusiasmar a mente com igual intensidade. Talvez porque o assunto ainda esteja mal aprofundado.
Pessoa, o assombroso Pessoa, já lá chegou há uns 84 anos atrás.
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Dedicado a Catarina F., que amanhã defende tese de doutoramento na área de neurologia pela Universidade de Lisboa.
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Dedicado a Catarina F., que amanhã defende tese de doutoramento na área de neurologia pela Universidade de Lisboa.
Sunday, February 23, 2014
CONCEITOS ABSURDOS
Há vários. Tenho anotado neste bloco de notas alguns deles. Um daqueles em que mais tenho insistido é a consideração como despesa pública o pagamento de reformas aos contributivos da segurança social; outro, que não é absurdo porque é uma mentira insolente, descarada, a consideração da CES sobre as pensões de fundos privados como redução da despesa pública.
Ontem referi aqui a influência da desvalorização do ouro do BP no crescimento da dívida externa líquida e o reflexo que essa desvalorização acaba por determinar na pressão da UE para mais reduções de salários. Se atendermos ao princípio que está subjacente a este critério - da valorização dos activos segundo os valores de mercado - o conceito é correcto. O que não é correcto é que a variação do valor de mercado deste activo seja razão para uma imposição sobre outro factor macro económico com o qual não há correlação alguma.
O mesmo pode dizer-se da valorização no mercado secundário das obrigações do Estado. Tendo-se observado uma redução do prémio de risco cobrado pelos investidores, essas obrigações estão agora mais valorizadas que há alguns tempos atrás, traduzindo-se esse facto num yield agora menor. Em consequência, segundo este critério, as obrigações valem agora mais que antes e, por essa razão, a dívida cresceu.
Como (ao que parece) não foi possível vender ouro na melhor altura e não foi consentido ao Tesouro comprar dívida no mercado secundário quando estava desvelorizada, a dívida cresce, além do mais, tanto pelos bons motivos (redução do risco do país) como pelos maus (desvalorização do ouro).
À conta dos salários e das pensões de reforma.
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Correl.- ( 24/2) Governo vai avançar para operação de recompra de dívida pública
Ontem referi aqui a influência da desvalorização do ouro do BP no crescimento da dívida externa líquida e o reflexo que essa desvalorização acaba por determinar na pressão da UE para mais reduções de salários. Se atendermos ao princípio que está subjacente a este critério - da valorização dos activos segundo os valores de mercado - o conceito é correcto. O que não é correcto é que a variação do valor de mercado deste activo seja razão para uma imposição sobre outro factor macro económico com o qual não há correlação alguma.
O mesmo pode dizer-se da valorização no mercado secundário das obrigações do Estado. Tendo-se observado uma redução do prémio de risco cobrado pelos investidores, essas obrigações estão agora mais valorizadas que há alguns tempos atrás, traduzindo-se esse facto num yield agora menor. Em consequência, segundo este critério, as obrigações valem agora mais que antes e, por essa razão, a dívida cresceu.
Como (ao que parece) não foi possível vender ouro na melhor altura e não foi consentido ao Tesouro comprar dívida no mercado secundário quando estava desvelorizada, a dívida cresce, além do mais, tanto pelos bons motivos (redução do risco do país) como pelos maus (desvalorização do ouro).
À conta dos salários e das pensões de reforma.
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Correl.- ( 24/2) Governo vai avançar para operação de recompra de dívida pública
Saturday, February 22, 2014
MALDITO OURO
Em Abril de 2011, já lá vão quase três anos, coloquei um comentário - Um sorriso triste - e este gráfico publicado no Economist:
Em Agosto de 2012 o DN noticiava que "Portugal tem as segundas maiores reservas de ouro do mundo", esclarecendo que "as reservas de ouro do Banco de Portugal são as segundas que mais pesam em relação ao PIB e representam 40% das necessidades de financiamento de 2013". Em meados de Agosto o ouro era transaccionado a cerca de 2620 dólares/onça.
Um ano depois, em Setembro de 2013, - vd. aqui - as reservas de ouro representavam 85% do valor total das reservas do Banco de Portugal, o índice mais elevado dos 40 países com maires reservas em termos absolutos (Portugal detinha a 15ª.posição, numa altura em que as cotações já tinham caído para 1367 dólares, cerca de metade do valor observado um ano antes). Ontem a cotação fechou nos 1325 dólares/onça depois de uma recuperação observada no último mês após uma queda abissal do máximo observado no ínicio de Outubro de 2012.
Abordei o assunto em vários apontamentos colocados neste bloco de notas, estranhando sempre a política (ou a falta dela) da gestão das reservas de ouro do BP, um assunto tabu tanto para os governos como para as oposições, das mais moderadas às mais extremas. Dir-se-ia (dir-se-á) que sobre o tema paira do fantasma do senhor de Santa Comba.
Sempre que levantei o tema, aqui ou junto de amigos ou conhecidos, as observações foram sempre as mesmas: não pode vender-se, tem pouco peso relativamente à dívida, é um recurso para uma situação extrema, tem um peso socio-psicológico elevado. E o ouro lá continua intocado (supõe-se que sim) depois de ter levado alguns fortes desbastes em tempos anteriores à adesão à UE.
Anteontem, lia-se no Jornal de Negócios que: "queda do ouro e alta das obrigações fazem subir a dívida (líquida) externa nacional" e que os técnicos da Comissão Europeia entendem que "o nível de desequilíbrio da economia e a elevada dívida externa e desemprego aconselham cortes adicionais dos salários da ordem dos 2% a 5%".
Quer isto dizer que a tremenda queda do ouro, que não se pôde (?) vender quando atingiu valores máximos, está agora a contribuir para o aumento da dívida externa líquida e, consequentemente, para a redução dos salários de quem no ouro não mete o olho sequer. É possível?
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Correl. We can pay the world in gold
Friday, February 21, 2014
DEGRADADOS NA VERTICAL
Quando há umas dezenas de anos cheguei a Lisboa fiquei espantado com as condições miseráveis em que muita gente vivia. Os bairros de lata alastravam-se por praticamente todos os cantos da capital, muitas famílias habitavam partes de casa, algumas num quarto apenas. Quem de cá de cima da Paiva Couceiro olhasse na direcção do rio deparava-se com um cenário confrangedor de barracas e imundice que se replicava vezes sem conta em toda a faixa oriental da cidade. Oriundo de uma aldeia onde toda a gente tinha casa, ainda que rudimentares algumas delas, o confronto com a degradação exposta de Lisboa naquela altura imprimiu-me um hábito de observação da cidade onde passei a viver que nunca mais se despegou de mim.
Hoje já não há as barracas que havia então, mas nem foram erradicadas todas as bolsas urbanas de degradação, imundice e miséria no perímetro da capital nem contida a sua expansão. Por outro lado, surgiram guetos que a crise amplia e torna mais perigosos sobretudo para quem lá quer viver pacificamente.
Mas, para lá destas áreas habitadas em grande parte pela marginalidade social, existem duas outras Lisboas onde a degradação urbana progride a uma cadência acelerada que, no entanto, parece não preocupar a generalidade dos lisboetas, da edilidade, do governo central, das oposições. Refiro-me, mais uma vez neste caderno de apontamentos, aos prédios abandonados e a uma grande parte dos prédios em regime de propriedade horizontal.
Quanto aos prédios abandonados, muitos deles em fase desmoronamento lento à espera de um empurrão natural decisivo, supus que uma tributação fiscal adequada incentivasse a sua venda e subsequente recuperação. Mas enganei-me. A tão apregoada política de recuperação destes prédios, muitos deles em zonas nobres da cidade, não tuge nem muge. A lei das rendas, que prometia solucionar parte do problema, está à espera da próxima.
Quanto aos prédios em propriedade horizontal, geralmente ampliada com marquises cada cor seu paladar, a benevolência da lei consente que a maioria deles se esteja a transformar, ao fim de três décadas sem manutenção exterior, em autênticos abarracamentos degradados em altura.
Lisboa é linda, claro que é. Mas é precisamente por ser linda que deveria a consciência cívica colectiva não permitir que lhe infligissem ou consentissem que lhe infligissem tanta chaga. É caro e demorado alterar esta situação?
Penso que não. É sobretudo uma questão de sensibilidade e imaginação. De civismo.
Thursday, February 20, 2014
ÁGUA DA TORNEIRA: MAIS SAÚDE E ALGIBEIRA
Isabel PS comentou aqui o meu apontamento de anteontem - Meter Água - e colocou o endereço deste interessante youtube sobre o assunto:
Obrigado, Isabel.
Outro comentador Anonymous afirma "Em Businessinsider.com, pode ler-se : os USA beberam em 2009 mais água engarrafada do que leite e cerveja. O consumo per capita ultrapassou os 32 galões."
Não consegui localizar essa informação mas confirma-se aqui que o consumo de água engarrafada nos EUA (107 litros per capita em 2010) foi inferior ao observado na Bélgica (148), Alemanha (134), França (132), Espanha (124) Hungria (111), Suiça (108) mas superior ao observado na Republica Checa (92), Áustria (91) e em Portugal em (85, em 2007).
O valor de 32 galões (cerca de 121 litros) de consumo per capita nos EUA referido por Anonymous é cerca de 20% superior ao da fonte que citei. O que parece estranho porque uma das fontes (Canadean) é citada nos dois quadros. Existem também discrepâncias significativas quanto aos consumos per capita noutros países. Quanto a Portugal os valores distanciam-se de 85 litros (em 2007) para 115 litros (em 2010). Quais são os valores correctos, não sei. O que sei é que o PIB per capita em Portugal medido em termos de paridade de poder de compra é cerca de 46% - vd. aqui- do observado nos EUA. Como a água engarrafada não é um produto de primeira necessidade, o consumo per capita de água engarrafada em Portugal será, por quem se pode dar ao luxo de a consumir, cerca do dobro da consumida nos EUA para idênticos estratos da população num caso e noutro.
Mas terei de reconhecer que a minha observação do meio que conheço me deu uma ideia errada do que bebem os norte-americanos. Não imaginava que bebessem mais água engarrafada que leite e cerveja.
Os EUA são, para além de uma grande nação, uma nação muito grande, e qualquer conclusão retirada de uma amostra baseada na observação pessoal de uma pequena parte arrisca-se a ser errada.
Em conclusão: Até os Ianques bebem água engarrafada a mais.
Wednesday, February 19, 2014
OS ARTISTAS DE SÃO BENTO
Diz-se aqui que Joana Vasconcelos confirma ter sido contactada pela Assembleia da República para realizar uma intervenção no âmbito das comemorações dos 40 anos do 25 de Abril, mas “neste momento os prazos não permitem a execução do projecto” e que a artista "desmente que a sua intervenção recorresse a chaimites e cravos. “Nunca em momento algum a artista idealizou tal intervenção”
Se a Joana Vasconcelos nunca passou pela cabeça a ideia dos cravos nas chaimites, se até chegou a ser noticiado que cada flor custaria a módica quantia de 5000 euros, se ninguém mais desmentiu a notíca, quem é que imaginou chaimites floridas de cravos e se convenceu que a artista aceitava a encomenda já desenhada pelo cliente? O jornalista?, o líder da juventude do PSD?, a presidente da Assembleia da República? Lendo a notícia do Público de hoje confirma-se a tese de Beuys.
"Toda a pessoa é um artista” (“Jeder Mensch ein Künstler”), afirmava insistentemente Joseph Beuys, que recebeu nas suas aulas 142 candidatos que tinham sido recusados por causa do sistema numerus clausus.
Alain Borer, 2001. Joseph Beuys, p. 17.
Alain Borer, 2001. Joseph Beuys, p. 17.
Tuesday, February 18, 2014
CONFUSÃO DAS CONFUSÕES
O El País publicou enteontem um artigo - "Las manos que mueven las bolsas"- que resume em subtítulo: O património em poder dos fundos de investimento e de pensões atingiu novo nível máximo em 2013 e equivale a 75% do PIB mundial. Vale a pena ser lido na íntegra aqui.
Em síntese, "a primeira obra que descreve as operações da Bolsa - Confusión des confusiones - foi escrita em Amsterdão em 1668 por José de la Vega, um judeu (tinha de ser), originário de Córdova, sob a forma de diálogo entre um filósofo, um mercador e um accionista, e descreve o negócio das acções, a sua origem, a sua etimologia, a sua realidade, o seu jogo e o seu enredo" "Quatro séculos depois, são estes os jogadores que dominam o tapete bolsista:
fundos de investimento (22,1 biliões) e fundos de pensões (18,1 biliões) que em conjunto gerem 40,2 biliões de euros, equivalente a 75,5% do PIB mundial. A posta restante reparte-se entre fundos especializadamente especulativos (hedge funds), fundos soberanos, grandes fortunas e a gestão robotizada.
Notável:
O crescimento dos fundos de pensões, apesar da crise mundial.
O retrocesso observado em Portugal com a política do actual governo de penalização confiscatória dos fundos de pensões, agora reservados a distraídos.
Los fondos soberanos. Los vehículos de inversión creados por países ricos en materias primas o con superávit fiscal, bautizados en la jerga bursátil como fondos soberanos, han ganado gran peso en el mercado durante los últimos años. Estos fondos tienen una política de inversión a largo plazo y destinan su dinero tanto a deuda (pública y privada) como a renta variable o activos inmobiliarios. Mirados con recelo hasta hace poco en Occidente por su opacidad y su carácter estatal, los sovereing wealth funds son ahora cortejados por empresarios y gobernantes por su abundante liquidez. En 2012, la base de datos del Sovereign Wealth Center recogió 202 inversiones directas públicas de 21 fondos soberanos, por un valor total declarado de 40.000 millones de euros (la mitad de estas inversiones las realizaron en Europa), y los activos bajo gestión de los 20 mayores fondos ascendían a 3,8 billones.
El fondo de pensiones noruego tiene inversiones en 70 empresas de la Bolsa española
Noruega tiene el mayor fondo soberano del mundo. El fondo trata de rentabilizar el dinero que el Gobierno obtiene con el petróleo para contribuir a la sostenibilidad del Estado de bienestar. Los últimos datos disponibles señalan que este vehículo, gestionado por Norges Bank Investment Management (NBIM), acumula activos por valor superior al medio billón de euros. De acuerdo con los últimos datos facilitados, el fondo noruego tiene acciones de 70 compañías españolas cotizadas. Entre las participaciones más destacadas están: Banco Santander (2% del capital), BBVA (2%), Repsol (1,19%), Iberdrola (1,7%) y Telefónica (2,15%). Tras Noruega, los mayores fondos soberanos son los de Arabia Saudí, China, Emiratos Árabes, Kuwait y Singapur.
Las grandes fortunas. La crisis ha ampliado la brecha social, y todo apunta a que en el futuro habrá cada vez un mayor número de ricos con unas fortunas que serán también más grandes. En octubre pasado, Credit Suisse publicó su informe sobre la riqueza en el mundo. Según los datos del banco suizo, actualmente hay 31,6 millones de millonarios en el planeta, y la previsión es que este grupo crezca un 50% hasta llegar a 47,6 millones de ciudadanos en 2018. El club de los ultramillonarios (aquellos con una fortuna superior a los 50 millones de dólares) sumaba casi los 100.00 miembros en 2013, según Credit Suisse.
Las grandes fortunas suelen tener sus propios banqueros privados u oficinas de inversión para sacarle partido a su patrimonio. Los 50 mayores family offices del mundo, según cifras recopiladas por Bloomberg y correspondientes al cierre del ejercicio 2012, sumaban un patrimonio bajo gestión de 690.000 millones de euros, correspondiente a casi 13.500 clientes. Hong Kong, Chicago, Nueva York, Ginebra, Londres, Zúrich, Singapur o Chicago son los centros donde tienen sus sedes estas boutiques de inversión para ricos que intentan diversificar el dinero de sus clientes entre acciones, bonos, inmuebles o inversiones en fondos de capital riesgo.
Los 50 mayores 'family offices', los brazos inversores de los más ricos, gestionan un patrimonio de 690.000 millones
Los robots. La tecnología aplicada a potentes ordenadores y el uso de algoritmos permiten que en los mercados financieros haya margen para realizar hasta 40.000 operaciones en lo que dura un parpadeo. La intermediación en Bolsa es cada vez menos humana. Los autómatas están ganando la partida en la contratación bursátil, ya que pueden escupir miles de órdenes de compra y venta en microsegundos. Este tipo de negociación, conocida como high frequency trading (HFT) o negociación de alta frecuencia realiza ya el 51% de las operaciones en la Bolsa estadounidense y el 39% en la europea, según datos de la consultora Tabb Group. La presencia de los robots inversores también ha llegado al mercado de deuda y divisas, mientras que en algunos mercados de futuros acaparan casi la mitad del volumen de negociación.
La mitad de las operaciones en Bolsa que se hacen en Wall Street corren a cargo de los robots-inversores
La proliferación del HFT preocupa a los reguladores por el riesgo sistémico que supone. El 6 de mayo de 2010, la liquidez se evaporó en Wall Street. El pánico generó un movimiento gregario en las máquinas, y en pocos minutos se esfumaron 862.000 millones de dólares de capitalización del índice S&P 500 (luego, la cordura se impuso y se recuperó parte de lo perdido). La SEC, el supervisor estadounidense, abrió una investigación, y el informe final, sin llegar a conclusiones definitivas, sí apuntó al auge de la gestión automatizada de órdenes algorítmicas como factor que contribuyó al bautizado como flash crash.
EL PAÍS
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Monday, February 17, 2014
METER ÁGUA
Em qualquer restaurante dos EUA quando o cliente pede água, se ela já não foi servida mesmo sem ter sido pedida, servem-lhe água da torneira num copo avantajado, com cubos de gelo se não forem dadas indicações em contrário ao empregado. Admito que um ou outro cliente peça água mineral, nunca vi, mas deve haver excepções para confirmar a regra. Também admito que haja águas minerais à venda nos supermercados, mas nunca reparei nelas. Em Portugal, pelo contrário, água bebida em restaurante, modesto ou de luxo, é mineral, salvo casos raros.
Dir-se-á, e eu concordo, que cada qual mete a água que lhe apetece, e que em matérias grastronómicas os norte-americanos não são bons exemplos para ninguém. Em todo o caso não deixa de ser notório que muitos portugueses paguem satisfeitos por bom preço aquilo que a generalidade dos norte-americanos bebe de graça. Poder-se-ia argumentar que a preferência pelas águas minerais decorre da desconfiança pela qualidade da água canalizada, mas segundo relatório publicado no site da ERSAR - Entidade Reguladora dos Serviços e Água e Resíduos, "a água para consumo humano em Portugal confirma a excelente qualidade. Com o indicador de água segura acima dos 98%, pode garantir-se aos portugueses que podem beber água da torneira com confiança." Será tão elevado o indicador de segurança da água mineral? Não sei, e não encontrei informação sobre isso.
Vem isto a propósito de um e-mail recebido do J Vaz anexando um gráfico que compara os consumos per capita em Portugal e nos outros países da União Europeia.
Afirma J Vaz, que na Alemanha consome-se muita água engarrafada com gás (CO2) e as embalagens são retornáveis e de vidro. Nos países em crise financeira (Portugal, Espanha, Itália, Hungria, ...) o consumo de água engarrafada é elevado, não existindo
nesses países sistemas de retorno das garrafas e muitas delas vão parar à valeta e depois ao Oceano. E pergunta:
Haverá associação entre o comodismo da água engarrafada, sem retorno da garrafa, e a crise financeira?
Caro João,
É muito evidente que a economia se afunda quando lhe entra água a mais pelos cascos. A crise financeira é o redemoínho engolidor provocado por esses afundanço. Ou vice versa.
Sunday, February 16, 2014
FILOMENA
Recomendado sobretudo a católicos praticantes. A melhor via para evitar o pecado é conhecer as consequências dele na terra.
Saturday, February 15, 2014
QUANDO O BENFICA FOR CAMPEÃO
Se o assunto não fosse sério diria que a CGD vai voltar aos lucros quando o Benfica for campeão" disse ontem, vd. aqui, José Matos.
Mas o assunto é sério, senhor José de Matos.
Nos últimos três anos na Caixa foram estoirados cerca de mil e quinhentos milhões de euros, mais do que o valor que os chineses da Fosun irão pagar por 80% do segmento segurador do grupo do Estado. A este descalabro o senhor Passos Coelho disse nada e o senhor Seguro, neste caso, disse o mesmo. Uma omissão que é uma afronta para os reformados que, por ordem de um e a complacência sonsa do outro, pagam uma crise que os bancos, com relevante colaboração da Caixa, e os políticos engendraram.
Se neste país houvesse um nível, mínimo que fosse, de consciência cívica colectiva, quando o Benfica for campeão, o senhor José de Matos e a sua equipa, já teriam sido há muito tempo mandados recolher aos balneários e os culpados do descalabro responsabilizados, alguns deles criminalmente.
Nos últimos três anos na Caixa foram estoirados cerca de mil e quinhentos milhões de euros, mais do que o valor que os chineses da Fosun irão pagar por 80% do segmento segurador do grupo do Estado. A este descalabro o senhor Passos Coelho disse nada e o senhor Seguro, neste caso, disse o mesmo. Uma omissão que é uma afronta para os reformados que, por ordem de um e a complacência sonsa do outro, pagam uma crise que os bancos, com relevante colaboração da Caixa, e os políticos engendraram.
Se neste país houvesse um nível, mínimo que fosse, de consciência cívica colectiva, quando o Benfica for campeão, o senhor José de Matos e a sua equipa, já teriam sido há muito tempo mandados recolher aos balneários e os culpados do descalabro responsabilizados, alguns deles criminalmente.
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