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Monday, August 05, 2024

ÍNDICE DO MEDO

‘Índice do medo’ dispara 122% e atira bolsas para o vermelho

"As principais bolsas estão a negociar com fortes correções e um elevado nível de volatilidade, que é visível pela subida de 100% do VIX nos EUA e quase 50% do Vstoxx na Europa, para níveis históricos.

Os mercados financeiros estão a atravessar um período grandes correções e de forte volatilidade. O nervosismo dos investidores é notado pela subida de 122% do VIX esta segunda-feira.

Também conhecido como o “índice do medo”, o VIX está a negociar nos 52 pontos, o valor mais elevado desde abril de 2020 e 2,6 vezes acima da média dos últimos dez anos. Este aumento abrupto no “índice do medo”, que mede a volatilidade esperada do mercado do índice S&P 500 nos próximos 30 dias com base nos preços das opções do índice norte-americano, reflete atualmente um nível de nervosismo e de preocupação dos investidores semelhante ao observado no início da pandemia de Covid-19."

Medo de recessão na economia americana, aliado aos receios com o impacto da inversão da política monetária no Japão e correção acentuada das grandes tecnológicas colocou as bolsas em queda livre.

O que são carry trades, o “fator mais crítico” na queda das bolsas?  

Pedir onde está barato e aplicar onde o retorno é maior. A estratégia é sagaz, mas o problema é quando o barato fica caro, como aconteceu agora com o iene, e obriga a vender os ativos mais rentáveis.

Apesar de ser uma estratégia bastante comum nos mercados globais, não há uma tradução específica do termo ‘carry trade‘ para português. ‘Negócio transportado’ pode ser uma tentativa improvisada, mas até acaba por não ficar muito longe da explicação de como funciona esse tipo de operação, que segundo os analistas foi um dos maiores fatores, senão o principal, pelas recentes quedas nas bolsas.

Tuesday, August 25, 2015

VOLTA AO VERDE

As bolsas europeias voltam hoje ao verde, e o porta moedas português vai na onda.
Passou a ameaça? As ameaças são, como as modas, aquilo que passa. 
Na China, as bolsas continuam em queda.
Geralmente, as bolsa são solidárias. Quando cai uma caem (quase) todas. Agora, ou as da China invertem ou as do ocidente recaem.
---
Act. Depois de ter estado a recuperar durante o dia, o Dow Jones acaba por encerrar a perder 200 pontos. Cf. aqui.
Tudo no vermelho amanhã?

Correl. -Why worries about China make sense

NomeCotaçãoMínMáx
VarVar %VolumeData
Teixeira Duarte 0,4840 0,4680 0,4850 0,0060 1,26 66.637 12:55
Sonae SGPS 1,1190 1,0600 1,1260 0,0590 5,57 2.288.808 12:55
Semapa 12,9200 12,6500 13,0100 0,2650 2,09 57.408 12:50
REN 2,6800 2,6370 2,7120 0,0550 2,10 476.410 12:45
Portucel 3,1900 3,0860 3,2350 0,1300 4,25 395.406 12:54
PHAROL 0,2440 0,2410 0,2500 0,0040 1,67 6.117.953 12:55
NOS 7,3900 7,0170 7,4230 0,3100 4,38 221.017 12:54
Mota-Engil 2,1040 1,9350 2,1160 0,1370 6,96 589.777 12:57
Jerónimo Martins 12,1200 11,8450 12,1850 0,3950 3,37 1.004.872 12:56
Impresa 0,7180 0,6550 0,7390 0,0180 2,57 95.326 12:21
Galp Energia 9,0140 8,6610 9,0950 0,4030 4,68 696.020 12:55
EDP Renováveis 6,0600 5,8290 6,1000 0,2350 4,03 176.455 12:55
EDP 3,0720 3,0090 3,0800 0,0970 3,26 5.737.743 12:54
CTT 9,4450 8,9470 9,5800 0,5640 6,35 384.477 12:53
BCP 0,0599 0,0564 0,0602 0,0036 6,39 177.146.885 12:56
Banif 0,0054 0,0051 0,0054 0,0002 3,85 73.587.603 12:54
Banco BPI 0,9440 0,8950 0,9500 0,0490 5,47 1.651.696 12:53
Altri 3,3200 3,2000 3,3390 0,1210 3,78 508.145 12:56

Thursday, June 11, 2015

PHAROL AO FUNDO!


Mesmo com um novo faroleiro chefe a PHarol continua a afundar-se rapidamente.
Hoje, dia em que todas as outras cotadas na bolsa de Lisboa se colocaram acima da linha de água, a PHarol voltou a perder mais de 4%, prometendo desaparecer um dia destes.

Lia-se há dias que havia, e provavelmente agora mais que antes, quem fosse da opinião que a PHarol deveria ser excluída do PSI 20, que na realidade é PSI 18 e passaria a PSI 17 se a PHarol fosse mandada borda fora.

Não deve ser excluída, penso eu. E não deve ser excluída, porque este farol, enquanto existir, avisa a navegação que a bolsa de Lisboa não é porto de gente minimamente honesta. E quem se arrisca que não se queixe porque não tem a quem se queixar.

Thursday, January 22, 2015

A PT DOS PATETAS ACABOU

"Quinta-feira, dia 22 de Janeiro de 2015. Um dia histórico para Portugal e para o euro. O BCE rendeu-se à necessidade de usar a última das armas de um banco central para combater a deflação e vai comprar dívida pública. A PT Portugal foi vendida aos franceses da Altice e deixa de pertencer a um grupo de accionistas que a delapidaram, primeiro apenas portugueses, depois em conjunto com os brasileiros da Oi. A PT como a conhecemos acabou. Com a Altice nascerá uma nova PT." - aqui

Diz a jornalista que a PT Portugal deixou de pertencer a um grupo de accionistas que a delapidaram, mas não é verdade que a PT Portual deixou de pertencer apenas aos accionistas que a delapidaram. Porque a PT Portugal deixou também de pertencer a muitos milhares de accionistas que foram ludibriados pela sonegação de informação daqueles que a delapidaram perante a impotência ou a incompetência da CMVM. Incompreensívelmente, um desses accionistas, a Segurança Social permanece muda e queda como se os resultados da golpada entre os administradores da Portugal Telecom, com particular destaque para o sr. Zeinal Bava, e o sr. Ricardo Salgado não tivesse qualquer influência nas perdas da Segurança Social resultantes de investimentos em activos sonegadamente tóxicos. Perdas, insisto, que inevitavelmente são suportadas pelos contribuintes e beneficiários da Segurança Social.

Que vai fazer agora a CMVM depois de terem sido ignorados pelos delapiladores da PT os seus avisos e solicitações de esclarecimentos, serôdios demais, reconheça-se de modo a garantir o mínimo de honorabilidade da bolsa de valores de Lisboa? Vão ficar impunes os delapiladores?

Por que é que ninguém fala disto?

Monday, August 11, 2014

FUNDOS E FUNDILHOS

No meio de tanta maroteira financeira continuam de vento em popa os jogos de azar. Agora, com a permissão de apostas on line, que a APC - Associação Portuguesa de Casinos vê como uma sentença de morte aos casinos físicos, e com as apostas nas corridas de cavalos, não falta nenhuma oportunidade ao portuga para ser milionário à velocidade da luz. E, como é normalíssimo em actividades apostantes, há quem faça batota, e no futebol, que é terreno propício a viciações e manipulações de resultados, quem não pode ganhar em campo é tentado a ganhar perdendo.

Mas, para além dos casinos físicos, (o designativo é da APC) e dos casinos online, das apostas da Santa Casa, para o governo das quais o putativo candidato a próximo PR, sr. Santa Lopes, "dá graças a Deus" por lhe ter concedido tão nobre tarefa, existe o casino bancário, o mais tremendo, porque o mais global e exterminador casino de todos, que continua alegre e eficazmente a encher os bolsos dos banqueiros e seus croupiers. Na realidade, não há jogo de azar mais opaco e mais devastador das economias do que o jogo dos chamados fundos de investimento. Quando há dias, o senhor Carlos Costa afirmava que uma das acções a tomar para evitar a repetição de casos como o BES (e como o BPN, o BPP, etc., são mais os casos que as casas) é aumentar a literacia financeira, não estaria, certamente, a pensar elucidar o cidadão comum que, com algumas poupanças, não sabendo onde as arrumar, investe em fundos ditos de investimento que o podem arruinar e ao país. Sendo o sr. Carlos Costa uma personalidade banqueira jamais lhe passará pela cabeça avisar que os bancos de investimento também são casinos físicos, com a grande diferença imposta pelo seu âmbito, que não se resume aos limites físicos dos casinos da APC: arruinam frequentemente as famílias, põem de pantanas as economias nacionais, e apresentam as contas dos desastres aos contribuintes. Por outro lado, os fundos ditos de investimento em acções ou obrigações estrangeiras são um veículo legal de exportação de capitais, retirando capacidade de financiamento ao investimento produtivo nacional, constituindo , com a importação de endividamento, outro factor de debilitação das economias mais frágeis.

Talvez porque me habituei desde muito cedo a ver cada um a ganhar a vida com o suor do rosto, nunca me fiei em jogos de azar, e se, uma vez por outra me tentaram os croupiers, com grande relutância da minha parte, a colocar umas poucas fichas na mesa dos fundos ditos de investimento, os resultados, devo confessá-lo, foram geralmente negativos. O mesmo não se passa, reconheço também, com amigos e conhecidos que, se a conversa nos leva para aí, me dizem ganhar mundos e fundos com os ditos. Azar só meu? 

Há uns atrás, conversava em fim de tarde e de várias reuniões, com pessoa personalidade pública e fama de gestor de excepção. Quando a conversa o sugeriu, perguntei-lhe que impressão tinha das aplicações em fundos ditos de investimento, que eu considerava um jogo de azar sem freios. 
A melhor!, respondeu-me ele, sem hesitar. Tenho ganho muita massa com a bolsa e, muitas vezes, invisto em fundos. Claro que é preciso acompanhar o mercado ... sem acompanhamento, nada feito.
Calei-me, resignado com a minha inabilidade. O meu interlocutor entendeu, então, dar-me uma prova real da sua sageza financeira. Pegou do telemóvel, marcou um número, atenderam do outro lado. Está lá, ligue-me com F., Oh! F., como é que está hoje a bolsa por aí? Hum! A Sonae, quanto é que está a fazer agora a Sonae? Ah, sim?!, compro trinta mil. Isso, trinta mil. Debita na conta tal.
Olhou para mim, sorridente e vencedor. Está ver? É assim.

Daí a três dias o mercado dava um senhor trambolhão. Meti-me com ele: Desta vez deu raia, não?
Qual raia qual carapuça, não comprei para vender, aquilo é para manter, para deixar estar. 
Fiquei inteirado.  
---
Correl.- "Fundos sofrem primeiro impacto do BES. Fundos nacionais abalados com desvalorização da Bolsa - Expresso/Economia (9/8) - Gestoras estão tranquilas e referem que, apesar da crise no GES, o mês de Julho foi positivo, sem registo de resgates significativos ou receios dos investidores neste tipo de produtos"    
Até mais ver.

 

Tuesday, February 18, 2014

CONFUSÃO DAS CONFUSÕES

O El País publicou enteontem um artigo - "Las manos que mueven las bolsas"- que resume em subtítulo: O património em poder dos fundos de investimento e de pensões atingiu novo nível máximo em 2013 e equivale a 75% do PIB mundial. Vale a pena ser lido na íntegra aqui.

Em síntese, "a primeira obra que descreve as operações da Bolsa - Confusión des confusiones - foi escrita em Amsterdão em 1668 por José de la Vega, um judeu (tinha de ser), originário de Córdova, sob a forma de diálogo entre um filósofo, um mercador e um accionista, e descreve o negócio das acções, a sua origem,  a sua etimologia, a sua realidade, o seu jogo e o seu enredo" "Quatro séculos depois, são estes os jogadores que dominam o tapete bolsista: 

fundos de investimento (22,1 biliões) e fundos de pensões (18,1 biliões) que em conjunto gerem 40,2 biliões de euros, equivalente a 75,5% do PIB mundial. A posta restante reparte-se entre fundos especializadamente especulativos (hedge funds), fundos soberanos, grandes fortunas e a gestão robotizada. 

Notável:
O crescimento dos fundos de pensões, apesar da crise mundial.
O retrocesso observado em Portugal com a política do actual governo de  penalização confiscatória dos fundos de pensões, agora reservados a distraídos. 







Los fondos soberanos. Los vehículos de inversión creados por países ricos en materias primas o con superávit fiscal, bautizados en la jerga bursátil como fondos soberanos, han ganado gran peso en el mercado durante los últimos años. Estos fondos tienen una política de inversión a largo plazo y destinan su dinero tanto a deuda (pública y privada) como a renta variable o activos inmobiliarios. Mirados con recelo hasta hace poco en Occidente por su opacidad y su carácter estatal, los sovereing wealth funds son ahora cortejados por empresarios y gobernantes por su abundante liquidez. En 2012, la base de datos del Sovereign Wealth Center recogió 202 inversiones directas públicas de 21 fondos soberanos, por un valor total declarado de 40.000 millones de euros (la mitad de estas inversiones las realizaron en Europa), y los activos bajo gestión de los 20 mayores fondos ascendían a 3,8 billones.
El fondo de pensiones noruego tiene inversiones en 70 empresas de la Bolsa española
“Los fondos están reorientando masivamente sus estrategias de inversión. Buscan, cada vez más, inversiones estratégicas en grupos industriales y, en particular, tecnológicos y de telecomunicaciones. Se trata de inversores cada vez más sofisticados”, subraya el último informe de Esade sobre el sector. En España, los fondos soberanos son cada vez más activos, especialmente en el sector energético. Temasek (Singapur) tiene el 6,29% de Repsol; Qatar Holdings controla el 6,1% de las acciones de Iberdrola; IPIC (Abu Dabi) se ha hecho con el control de Cepsa, y el grupo estatal chino HNA acapara el 24% del capital de NH Hoteles, entre otras operaciones.
Noruega tiene el mayor fondo soberano del mundo. El fondo trata de rentabilizar el dinero que el Gobierno obtiene con el petróleo para contribuir a la sostenibilidad del Estado de bienestar. Los últimos datos disponibles señalan que este vehículo, gestionado por Norges Bank Investment Management (NBIM), acumula activos por valor superior al medio billón de euros. De acuerdo con los últimos datos facilitados, el fondo noruego tiene acciones de 70 compañías españolas cotizadas. Entre las participaciones más destacadas están: Banco Santander (2% del capital), BBVA (2%), Repsol (1,19%), Iberdrola (1,7%) y Telefónica (2,15%). Tras Noruega, los mayores fondos soberanos son los de Arabia Saudí, China, Emiratos Árabes, Kuwait y Singapur.
Las grandes fortunas. La crisis ha ampliado la brecha social, y todo apunta a que en el futuro habrá cada vez un mayor número de ricos con unas fortunas que serán también más grandes. En octubre pasado, Credit Suisse publicó su informe sobre la riqueza en el mundo. Según los datos del banco suizo, actualmente hay 31,6 millones de millonarios en el planeta, y la previsión es que este grupo crezca un 50% hasta llegar a 47,6 millones de ciudadanos en 2018. El club de los ultramillonarios (aquellos con una fortuna superior a los 50 millones de dólares) sumaba casi los 100.00 miembros en 2013, según Credit Suisse.
Las grandes fortunas suelen tener sus propios banqueros privados u oficinas de inversión para sacarle partido a su patrimonio. Los 50 mayores family offices del mundo, según cifras recopiladas por Bloomberg y correspondientes al cierre del ejercicio 2012, sumaban un patrimonio bajo gestión de 690.000 millones de euros, correspondiente a casi 13.500 clientes. Hong Kong, Chicago, Nueva York, Ginebra, Londres, Zúrich, Singapur o Chicago son los centros donde tienen sus sedes estas boutiques de inversión para ricos que intentan diversificar el dinero de sus clientes entre acciones, bonos, inmuebles o inversiones en fondos de capital riesgo.
Los 50 mayores 'family offices', los brazos inversores de los más ricos, gestionan un patrimonio de 690.000 millones
En el mercado español están presentes algunas de las principales fortunas del planeta. El hombre más rico del mundo, Bill Gates, ha entrado en los últimos meses en FCC y en Prosegur. También habría entrado en FCC (no hay registro en la CNMV) George Soros. En el caso del Banco Sabadell, su accionariado se ha visto reforzado con dos de las principales fortunas latinoamericanas como el colombiano Jaime Gilinski y el mexicano David Martínez. En otra entidad financiera, el Banco Popular, la familia mexicana Del Valle será uno de los accionistas de referencia. Otro de los hombres más ricos del mundo, Carlos Slim, tiene el 3,2% del capital de PRISA, grupo editor de EL PAÍS.
Los robots. La tecnología aplicada a potentes ordenadores y el uso de algoritmos permiten que en los mercados financieros haya margen para realizar hasta 40.000 operaciones en lo que dura un parpadeo. La intermediación en Bolsa es cada vez menos humana. Los autómatas están ganando la partida en la contratación bursátil, ya que pueden escupir miles de órdenes de compra y venta en microsegundos. Este tipo de negociación, conocida como high frequency trading (HFT) o negociación de alta frecuencia realiza ya el 51% de las operaciones en la Bolsa estadounidense y el 39% en la europea, según datos de la consultora Tabb Group. La presencia de los robots inversores también ha llegado al mercado de deuda y divisas, mientras que en algunos mercados de futuros acaparan casi la mitad del volumen de negociación.
La mitad de las operaciones en Bolsa que se hacen en Wall Street corren a cargo de los robots-inversores
La velocidad media en la ejecución de una orden en la Bolsa de Nueva York ha caído desde 20 segundos hace una década hasta solo un segundo actualmente. Los economistas ya no son los únicos perfiles que se demandan en el parqué. Matemáticos, físicos, ingenieros o, incluso, meteorólogos han desembarcado en bancos de inversión, brókers y hedge funds para desarrollar algoritmos que permitan descubrir patrones de comportamiento en los mercados para realizar estrategias de inversión convencionales (arbitraje, contrapartida, inversión intradía, detección de correlaciones en el precio de los activos...), pero a muchísima mayor velocidad.
La proliferación del HFT preocupa a los reguladores por el riesgo sistémico que supone. El 6 de mayo de 2010, la liquidez se evaporó en Wall Street. El pánico generó un movimiento gregario en las máquinas, y en pocos minutos se esfumaron 862.000 millones de dólares de capitalización del índice S&P 500 (luego, la cordura se impuso y se recuperó parte de lo perdido). La SEC, el supervisor estadounidense, abrió una investigación, y el informe final, sin llegar a conclusiones definitivas, sí apuntó al auge de la gestión automatizada de órdenes algorítmicas como factor que contribuyó al bautizado como flash crash.

EL PAÍS

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Wednesday, January 29, 2014

UM CRÁPULA DE WALL STREET


"The Wolf of Wall Street" de Martin Scorsese contém todos os ingredientes habituais para se tornar num sucesso de bilheteira e de enriquecimento com nefanda causa. Como espectáculo cinematográfico é um produto configurado nos moldes hollywoodescos usados e reusados desde os tempos da maria cachucha, agora condimentado com repetidas cenas de devassidão e orgias, hoje geralmente aplaudidas pelo progressismo cultural a caminho sabe-se lá de onde. Com DiCaprio e Margot Robbie, qualquer poltrão na vida real  converte-se na tela numa criatura adulada pelas multidões.

Mas de "Wolf of Wall Street" é sobretudo um ludíbrio moral que começa no título e vai até às cenas finais. Porque o protagonista não foi "o lobo de Wall Street", um animal selvagem que empurrado pela fome desceu ao povoado e abocanhou uns cordeiros, até ter sido apanhado por um tiro que acabou com a ameaça de vez. Quanto muito, Jordan Belfort não foi o lobo mas um dos lobos de Wall Street, distinguindo-se dos outros, os institucionais, pelo seu ponto de partida e de chegada. Acabou por ser preso, circunstância rara,  com pena leve, que não faria dele um mito cinematografável se tivesse sido mais contido na exibição dos seus excessos crapulosos. 

Com a saída de campo de Jordan Belfort nem o jogo que o tornou rico e celebrado terminou nem os crápulas do seu tipo (ou os lobos, para as mentes coniventes ou contemporizadoras) foram extintos. Marcelo Rebelo de Sousa dizia no programa de domingo passado que, além do mais, o filme o tinha desiludido por, ao contrário do que ele pensava, a acção se passar há vinte anos atrás. Uma opinião surpreendente para quem sabe bastante bem que, mesmo depois da crise de 2008, nada há de novo em "Wall Street".

"The show must go on". Haverá sempre cordeiros em toda a parte que "Wall Street" alcance. 

E por cá?
Por onde andarão os lobos do BPN? do BPP? de todos quantos nos sugaram e sugam impunemente?

Sunday, January 05, 2014

UM EMBUSTE?*

É o sistema "Pay-as-you-go" um embuste?

"... não havendo direito de propriedade sobre as pensões não as podemos reclamar sequer ao Estado em Tribunal, como qualquer credor pode. O esquema de repartição é um verdadeiro embuste.. 
... O corte nas pensões actuais e futuras é uma necessidade incontornável.. Agora entendo que a metodologia que tem sido aplicada é injusta pois não atende a real carreira contributiva de cada um...como tenho explicado publicamente sem ter conseguido suscitado qualquer apoio. Talvez porque muitos ... tenham consciência que nunca descontaram para as pensões que auferem ou que pensam vir a auferir... "

... a questão da existência ou não de contrato não se coloca, nem no campo jurídico nem na esfera económica. O contrato existe. Sempre que há uma relação traduzida numa responsabilidade recíproca há um contrato. O que poderá ser discutível é o tipo de contrato.
... a CES incide também sobre os fundos privados, e estes estão cobertos por contratos estabelecidos formalmente. Nenhuma justificação de ausência de contrato existe para a aplicação de um corte CES nestes complementos de pensões. O que existe é uma prepotência do governo consentida pelo TC, um orgão de decisão política de geometria variável como lhe chama PC no seu post "Uma norma perfeitamente ordinária", aqui.

.... É o sistema "pay as you go" um embuste porque a evolução demográfica em queda compromete irremediavelmente a sobrevivência do sistema? Ora os fundos complementares de pensões (sistema de capitalização) são tidos como um dos três pilares de sutentabilidade do sistema. E, no entanto, este governo arrombou o terceiro pilar! Em que ficamos então? Num artigo publicado recentemente aqui, Ricardo Reis  dá sucintamente uma ideia da fragilidade do sistema de capitalização adoptado na generalidade dos Estados norte-americanos  tanto na esfera da função pública como dos sectores privados, onde, aliás está em vias de desaparecimento  generalizado depois de 1980.

Mas a maior vulnerabilidade do sistema de capitalização, para além das decorrentes de acções prepotentes do tipo das adoptadas por este governo, é o risco associado aos activos em que esses fundos são aplicados. A bolsa é um casino muito especial ao sabor dos interesses dos grandes jogadores. E tem acontecido com mais frequência do que devia serem os pensionistas confrontados com a falência dos fundos por derrocadas nas bolsas. Muitos são obrigados a voltar a trabalhar.

O sistema "pay as you go" tem virtualidades se for seriamente gerido. O que não tem acontecido. Pode e deve ser complementado com o pilar complementar de capitalização. Mas este pilar não pode ser arrombado pela vontade do governo, sob pena de ir todo o edifício abaixo. Quem é que, agora, continua a descontar para um fundo que sabe vir a ser penalizado até 50%!!! do valor, além do imposto em sede de IRS?
.
Por outro lado, está por provar a insustentabilidade do sistema. Repito-me: o governo, citando um  estudo da UE no Relatório do OE 2014 diz o contrário. E eu acredito que é sustentável. Mesmo na situação de crise que atravessamos, com uma sangria de emigração elevadíssima e uma redução da imigração, o saldo da segurança social, vd. relatório de 2012, tem sido positivo. Fala-se muito da evolução demográfica negativa mas nunca se refere o acréscimo de produtividade. Que a médio e longo prazo acontece, nem que seja por arrastamento.



"... tenho naturalmente os meus pressupostos que se baseiam na realidade económica e politica e na jurisprudência(?) da interpretação constitucional... Na minha interpretacção, a CES é uma imposição tributária excepcional (chamem-lhe imposto ou taxa)...quer a pensão seja pública ou privada ....dai o Governo ter tentado a redução das pensões dos funcionários públicos(a larga maioria com fórmula mais favorável que a aplicada ao sector privado...e portanto com uma pensão acima do que teriam direito em função da carreira contributiva..), o que o TC não quer... As solucoes de emergência nunca serão perfeitas...
...A realidade é que temos um Estado incapaz de solver os seus compromissos, a beira da falência. É por isso que em muitas Constituições dos Estados Americanos se define que em caso de falência o crédito (que é contabilizado e conhecido a cada momento) dos pensionistas goza de privilégio creditício...
É este o caminho do futuro...para que se retome a confianca minima no sistema..."


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*Sequência de dois apontamentos colocados ontem neste caderno de apontamentos.

Tuesday, January 22, 2013

CAPITALISMO POPULAR

Esteve na moda há uns anos atrás. Algum tempo depois, revelou-se um logro que afugentou a galinha dos ovinhos de ouro. Mas só afugentou, não matou de vez, porque mais tarde ou mais cedo, só não se sabe quando, a falta de memória dos homens acabará por ceder à tentação de engordar a galinha outra vez. Naquela altura em que o eldorado parecia ter-se instalado num país de pobres, remediados e alguns poucos com olho de rei, as emissões de subscrição pública de capital caíam como maná à mão de semear dos que tinham uns cobres poupados ao canto da gaveta.
 
Várias vezes me telefonaram do banco sugerindo-me a participação nesta ou naquela subscrição, coisa garantida, resultado mais que assegurado, nos últimos tempos as acções tinham subido em flecha. Avesso a aceitar que a roda da sorte seja um meio tão válido como qualquer outro para aumentar rendimentos, só muito raramente, e sempre para não rejeitar a participação num daqueles grupos ocasionais, dispendi dinheiro na compra de lotaria ou qualquer outra arte afim. Naturalmente, nunca ganhei. Pelas mesmas razões, nunca me atrairam os negócios da bolsa. Mas cedi algumas vezes às sugestões de subscrição de emissões de capital que geralmente redundavam na atribuição de poucas dezenas de títulos em resultado de rateios geralmente apertados. Como, nestes casos, a minha propensão  para vender foi sempre tão baixa como a de comprar, ainda hoje tenho em carteira (!) 74 acções da Soaecom, em resultado de aumentos por incorporções de resultados sobre as 50 que inicialmente paguei ao preço de emissão de 10 euros, representando um investimento de 500 euros, há doze anos.  
 
Hoje foi oficialmente anunciada a fusão da Sonaecom com a Zon, estando as acções da Sonaecom a transaccionar a 1,537. Quer isto dizer que, na melhor das hipóteses, o meu investimento de 500 euros, há doze anos, valerá hoje aproximadamente 114 euros, ou seja menos de 1/4 do valor investido. Culpa da crise? De modo algum. Se há negócios que visivelmente têm crescido neste país um deles é indubitavelmente o das telecomunicações. Aliàs, logo a seguir à emissão, as cotações da Sonaecom cairam para cerca de um terço do preço a que foram emitidas e, desde, então nunca recuperaram.
O logro, neste como em muitos outros casos idênticos, perpretado pelo emitente, foi incubado pelo sindicato bancário que colocou a emissão, com a benção conivente da Comissão de Mercado de Valores. Se o accionista Belmiro de Azevedo & Companhia tivesse perdido, proporcionalmente, o mesmo que aqueles a quem ele vendeu gato por lebre, há muito tempo que teria encerrado a tenda.

No capitalismo popular só perde o popular.