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Thursday, August 10, 2017

HABILILEGALIDADES A VER SE PEGAM

- Recebeste ontem ou anteontem uma mensagem da MEO?
- Talvez.
- E já respondeste?
- Não. Tinha de responder?
- Tens de responder. Se não a partir de Setembro passam a cobrar-te mais 3,98 euros por mês por um serviço que nem solicitaste nem queres usar!
- Como assim?
- É como te digo. Já telefonei e confirmei: se não telefonares a recusar, passas a pagar o que nem pediste nem consomes. É uma habilidade. Para estes e outros fornecedores com milhões de clientes, estas habilidades garantem-lhes receitas de muitos milhões.
- Mas são habilidades ilegais!
- Pois são. Mas quem é que se vai dar ao trabalho de contestar? Por esta  e por outras é que também se enchem os tribunais de processos de cobrança de dívidas aos ilegais habilidosos.


"A sua preferência merece ser premiada! Por isso atribuímos 2GB adicionais de internet GRATIS ao seu telemóvel, para usar até 31-08. Apos esta data, pode manter os 2GB extra com desconto garantido de 60p/cento (apenas 3,98 Eur/mes por todos os cartoes do seu pacote MEO) durante 24 meses. Aproveite esta oferta sem fidelização e exclusiva para actuais clientes. Se preferir não beneficiar destas vantagens, ligue gratis 800200023. Obrigado!"

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Act. Acabo de receber mensagem do Público sobre este assunto: 

Deco denuncia ao regulador campanha da Meo que considera ilegal. Meo oferece Internet aos clientes em Agosto, mas obriga a pagar após essa data se não rescindirem. aqui

Wednesday, July 19, 2017

O ESTADO É ESTÚPIDO MAS NÃO PERDOA NADA!

"Estado perdoa 630 milhões de euros à banca na resolução do BES" aqui

É recorrente o uso e abuso que jornalistas e outros artistas narradores fazem da palavra Estado.
Para eles, tudo o que de mau acontece na esfera da administração pública, é culpa dessa entidade abstracta a que se dá o nome de Estado.
O Estado, que não tem costas, tem costas largas. 

Se os fogos devastam as florestas, destroem casas, matam homens e animais, há falha do Estado;
Se uns gabirus assaltam os paióis da tropa enquanto a tropa dorme a sesta, há falha do Estado;
Se os assaltos, os roubos, a criminalidade prospera, a culpa é do Estado;
Se os impostos aumentam, o Estado aumentou os impostos;
Se a justiça é lenta e, até por essa razão, injusta, a culpa é do Estado;
Se a educação, a saúde, os transportes, o ambiente, o civismo, etc., ficam aquém do que deviam, a culpa é do Estado;

"O Estado como conjunto das instituições que controlam e administram uma nação ou, noutra acepção, como país soberano com estrutura própria e politicamente organizado, não é uma identidade volitiva, não tem méritos nem culpas identificáveis. São os tutores dos interesses colectivos prosseguidos pelas instituições que compõem o Estado, quaisquer que sejam os meios usados que os empossaram, que são ou não são culpados, dos resultados positivos e negativos das múltiplas acções realizadas em nome do Estado", escrevi há quase cinco anos aqui e não vejo razão para alterar. 

É muito óbvio que, se morreram cremados pelas chamas 64 pessoas em Pedrogão Grande, alguém é culpado mas culpar o Estado só poderá servir para desculpabilizar os reais culpados. 
Observe-se, agora no outro lado, a identificação dos autores das obras que, mal ou bem, o público aplaude. 
Há inauguração, às vezes repetida, de uma ponte, duma estrada, duma escola, dum caminho, dum parque de estacionamento ou de um arranjo do jardim, há placa pela certa, e na placa a pretensa eterna inscrição dos nomes de suas excelências que dignaram estar presentes para puxar a bandeira ou apenas bater palmas. 

Vem, desta vez, este arrasoado a propósito do título de uma notícia que ontem se podia ler, por exemplo, aqui"Estado perdoa 630 milhões de euros à banca na resolução do BES"

O Estado perdoa???
Quem perdoou, salvo melhor informação, foi o Governo que em Agosto de 2014 consentiu que sobre os contribuintes recaíssem os custos de uma coisa chamada Fundo de Resolução do qual, três anos depois, ainda ninguém conhece os limites. 
São, segundo o que a seguir se transcreve*, 630 milhões de euros!, cerca de 70% daquilo que senhor Bava e o senhor Granadeiro entregaram ao senhor Ricardo Salgado, a mando e recompensa deste. 
Ou, se adoptarmos unidade de medida mais recente, qualquer coisa como 18500 vezes o que foi roubado dos paióis de Tancos.

É obra que mereceria uma enormíssima placa!

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*Novas condições contratuais acordadas entre o Estado e o Fundo de Resolução (detido pelos bancos) suavizaram a atual fatura que recai sobre estes, constata a UTAO. 

O “apoio financeiro” que o Estado deu em agosto de 2014 para se fazer a resolução do Banco Espírito Santo (BES), nomeadamente o empréstimo de 3900 milhões de euros ao Fundo de Resolução (FR), implica, atualmente, um perdão de “cerca de 630 milhões de euros” aos bancos, que são as entidades responsáveis por suportar esse fundo, diz a Unidade Técnica de Apoio Orçamental (UTAO), num estudo encomendado pelo Parlamento a pedido do PCP. Assim é porque o contrato inicial, que indicava que não deveria haver quaisquer custos adicionais para os contribuintes decorrentes da resolução do BES, foi sofrendo alterações mais favoráveis aos bancos de modo a não destabilizar as suas contas e os seus rácios de capital, numa altura em que as instituições bancárias se deparam com elevados volumes de malparado, por exemplo. Por diversas vezes, ao longo deste novo estudo, refere-se que os bancos estão eles próprios constrangidos pois têm de respeitar rácios de capital muito mais elevados por imposição das regras europeias. Portanto, quanto mais exigentes fossem as condições do empréstimo do Estado ao FR, mais apertada seria a situação da banca, mais apertado seria o financiamento à economia, às empresas. O próprio FR diz que em casos limite isso até “poderia colocar em risco a capacidade de continuar a prestar os serviços financeiros essenciais à economia, nomeadamente a concessão de financiamento”. A UTAO recorda que “na sequência do sucessivo adiamento da venda do Novo Banco, foram conduzidos dois processos de revisão das condições de financiamento do Fundo, com o objetivo de garantir a respetiva sustentabilidade e equilíbrio financeiro”. Basicamente, os dois aditamentos ao contrato inicial dilataram prazos de pagamento do tal empréstimo de 3900 milhões de euros (contraído pelo FR, que é detido pelos bancos, junto do Estado) e suavizaram taxas de juro e comissões. Em 10 de fevereiro de 2017, já pela mão do governo atual do PS, “foi formalizado o 2.º aditamento às condições contratuais do empréstimo concedido pelo Estado Português, tendo ficado acordado um conjunto de novas condições contratuais”. Este aditamento “teve como preocupação a estabilidade e previsibilidade do esforço contributivo do setor bancário, sem recorrer a contribuições especiais ou qualquer outro tipo de contribuição extraordinária por parte das instituições participantes no Fundo de Resolução” e “alongou-se o prazo de vencimento do empréstimo para dezembro de 2046, tendo por base as receitas regulares, na qual também se incluiu a contribuição sobre o setor bancário. Agora, com as novas condições do empréstimo do 2.º aditamento, “o contrato de empréstimo apresenta um valor atualizado líquido negativo, de cerca de -630 milhões de euros”. Isto é, atualmente, a situação é: o estado emprestou, mas na verdade está a transferir dinheiro para os bancos. Esses 630 milhões são, neste momento, uma perda para os contribuintes. “Este resultado depende necessariamente da taxa de desconto utilizada, da taxa de juro revista a cada cinco anos a partir de 2022, da data de reembolso do capital e da data de referência para o cálculo do valor atualizado”, diz a UTAO. Contribuição bancária deve ser permanente No entanto, ainda faltam muitos anos para que este processo seja concluído e, nesse sentido, a UTAO recomenda algumas alterações, designadamente no desenho da contribuição bancária, de modo a garantir que o empréstimo é todo pago e o FR não fica depauperado com isso pois tem de continuar a existir e a ser capaz de responder a futuras falências ou problemas na banca. Desde que foi criado, no Orçamento de 2011, que a contribuição sobre a banca (em nome da estabilidade financeira) é tida como “temporária”, “extraordinária”. A UTAO diz que para o plano de pagamentos do FR ao Estado ser bem e totalmente concretizado (e os contribuintes não serem lesados), o tal tributo tem de ser “permanente”. “Conclui-se que para a execução do plano financeiro de longo prazo apresentado pelo Fundo de Resolução são insuficientes as contribuições regulares das instituições financeiras, mas a contribuição sobre o setor bancário assume um papel determinante, com receitas anuais de 210 milhões de euros previstas até 2046”. “Com efeito, a contribuição sobre o sector bancário reveste-se de especial importância para o cumprimento do plano de amortização de capital e juros no prazo previsto, pelo que esta contribuição pode deixar de ser entendida como tendo um caráter temporário, tal como a renovação anual na Lei do Orçamento do Estado deixaria antever, para passar a ser encarada como duradoura”, diz a UTAO. A contribuição sobre o sector bancário é o maná do FR. Sem ela, ou caso haja intenção de acelerar o reembolso ao Estado do empréstimo, terá de se considerar outras formas de arranjar dinheiro. A UTAO fala num novo empréstimo, num recurso aos mercados ou até numa contribuição “especial”, embora esta não seja desejável pois complicaria ainda mais as contas dos bancos, lê-se no mesmo estudo.

Friday, August 19, 2016

A ANEDOTA DESTES DIAS

A Caixa continua na ordem do dia. 

Dos 19 nomes propostos pelo Governo ao BCE para a administração, o BCE vetou 8, todos indigitados como administradores não executivos, incluindo a única mulher que constava da longa lista, e recomenda que o total não ultrapasse os 15, dos quais, 3 a 6 devem ser mulheres. 
Dos 7 administradores executivos aceites pelo BCE, seis são provenientes ou passaram pelo universo BPI; a excepção, Pedro Leitão, que foi administrador da PT, que viria a cair no buracão brasileiro da Oi, está envolvido no processo judicial do caso BES-PT.
O presidente da comissão executiva poderá acumular funções de presidente do conselho de administração durante seis meses, período após o qual deverá tomar posse um presidente do CA distinto do presidente da comissão executiva. 
Três dos sete administradores executivos, devem frequentar curso de gestão bancária estratégica no INSEAD.

Porque o veto dos 8 decorre uma lei bancária que não consente a excessiva acumulação de cargos dos propostos, supondo que tanta carga horária não lhes permitiria mais que assinar as actas, ao secretário de estado do pelouro ocorreu a luminosa ideia de alterar a lei. BE e PCP já disseram que não, que a haver alteração da lei ela deve ir no sentido de uma restrição ainda maior.

Entretanto, a Comissão de Trabalhadores da Caixa deu publicamente conta da sua estranheza pelo facto de nenhum director da instituição ter sido convidado para o quadro de administradores.
É, realmente, espantoso que o BPI possa dispensar vários colaboradores para a administração da Caixa, ainda que três deles tenham de ir para a escola aprender gestão bancária estratégica, e, desses, um tenha que prestar contas à Justiça, e a Caixa, que dispõe de um efectivo de pessoal bem mais numeroso, não tenha conseguido que pelo menos um dos seus quadros superiores tenha adquirido as competências necessárias para ascender à administração. Talvez por falta de frequência do INSEAD.
Ou terão nascido todos apenas para servir.


Friday, July 15, 2016

O JOGO DA CABRA CEGA

Dois anos depois de descoberta a golpada,




(é admissível que os visitados tenham sido avisados)

Sunday, May 15, 2016

O JOGO DA CABRA CEGA

Já passaram três anos sobre a exposição pública das moscambilhas perpetradas pelo sr. Zeinal Bava às ordens do sr. Ricardo Salgado, que acabariam atirar a PT para as mãos dos comparsas brasileiros da Oi, e destes para os franceses da Altice em parceria com um emigrante português bem sucedido em França. Do mal o menos, foram esmagados os interessess dos accionionistas menores, mas sobreviveu a empresa.

Três anos depois, continua a desenrolar-se o rol de manobras, agora descortinadas nos "Panama Papers", que desta vez dão conta da transferência de 18, 5 milhões de euros de uma conta offshore da Espírito Santo Enterprises que, segundo Bava, se destinavam a adquir acções da PT e que, recentemente, foram devolvidos com juros à "massa falida" da Espírito Santo Luxemburgo

A erupção Espírito Santo ocorreu há três anos, mas a do BPN ribombou há oito. Ainda não hà notícias que a justiça tenha julgado as fraudes cometidas. Só sabemos que as facturas apresentadas aos contribuintes se medem já em vários milhares de milhões de euros. Entretanto, rebentou o Banif, para proveito do Santander, sempre às costas dos contribuintes.

Há dias dizia o presidente do Supremo Tribunal de Justiça que "justiça célere não é justiça".
O que é justiça, Meretíssimo?

Saturday, August 22, 2015

SOS! ESTAMOS FIDELIXADOS

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E não podemos cortar com eles?
Parece que não. Estamos fidelizados.

Monday, August 10, 2015

DÍVIDAS PRiVADAS, DIFICULDADES PÚBLICAS

O governo croata conseguiu obter o acordo de mais de uma centena de empresas fornecedoras de água, gás, electricidade, telecomunicações, e, inevitavelmente, bancos, para o perdão de dívidas inferiores ao equivalente a 5000 euros de pessoas em reconhecida situação de insolvência. A dívida privada na Croácia é uma praga importada em grande medida pelo sistema financeiro que, desleixada ou gananciosamente, não valorizou o risco de grande parte do crédito concedido às famílias. Mas também pelas empresas de "utilities" que, por razões de ordem vária, remetem para os tribunais a incumbência de lhes cobrar os créditos de cobrança difícil ou incobráveis.

Em Portugal, a dívida privada, apesar de alguma redução observada nos últimos anos, ainda é muito superior à dívida pública e, em conjunto, a despesa privada e a pública ultrapassam em mais de três vezes e meia o PIB. Convém a este respeito recordar que o rendimento nacional está aceleradamente a perder valor relativamente ao PIB em consequência do investimento financeiro, retirando às comparações que se façam com o PIB alguma validade. Neste caso, o peso da dívida externa é ainda maior quando comparado com a real capacidade de o suportar.

Apesar do enorme peso da dívida das empresas e das famílias portuguesas não abranda a pressão publicitária de alguns sectores, nomeadamente nas áreas financeiras e das telecomunicações, sobre os consumidores, impingindo crédito a taxas impagáveis por muitos que as aceitam, telemóveis e toda a tralha associada. Que pretendem os operadores de telecomunicações com tanta publicidade? Exacerbar até ad nauseam o delírio português pelos telemóveis e correlativos estupefacientes?

Talvez a experiência croata, se admitida em Portugal, pudesse alertar devedores insolventes ou a caminho e credores inconscientes para o bloqueamento que a dívida externa, pública e privada, representa para o crescimento económico e social do país.

Tuesday, July 21, 2015

"É IMPOSSÍVEL ESCREVER CORRUPTO SEM PT"

A descoberta é de Claudio Tognolli, jornalista brasileiro, que já citei aqui em meados de Janeiro deste ano. 

Hoje é notícia, a juntar a muitas outras variações sobre o tema que têm regalado jornalistas portugueses e brasileiros nas últimas semanas, que a PGR confirma investigações relacionadas com a PT

Confirmando o atraso que levam relativamente a Tognoli.

Thursday, June 11, 2015

PHAROL AO FUNDO!


Mesmo com um novo faroleiro chefe a PHarol continua a afundar-se rapidamente.
Hoje, dia em que todas as outras cotadas na bolsa de Lisboa se colocaram acima da linha de água, a PHarol voltou a perder mais de 4%, prometendo desaparecer um dia destes.

Lia-se há dias que havia, e provavelmente agora mais que antes, quem fosse da opinião que a PHarol deveria ser excluída do PSI 20, que na realidade é PSI 18 e passaria a PSI 17 se a PHarol fosse mandada borda fora.

Não deve ser excluída, penso eu. E não deve ser excluída, porque este farol, enquanto existir, avisa a navegação que a bolsa de Lisboa não é porto de gente minimamente honesta. E quem se arrisca que não se queixe porque não tem a quem se queixar.

Friday, May 29, 2015

OS PHAROLEIROS


Os PHaroleiros eram quinze. Passam a ser dez.
A notícia pode também ser lida, por exemplo, aqui
Receberam ontem ordem de despejo das instalações que ocupavam e foram obrigados a mudar de nome. Por quê dez e não três, por exemplo, tem certamente a ver com o número de PHaroleiros que continuam a brincar na PHarol. Por quê PHarol?

É presumível que, neste caso, a designação escolhida derive dos ocupantes (os PHaroleiros)  o nome da ocupada (a PHarol).
Faroleiro, segundo o dicionário, 3. - diz-se de ou indivíduo dado a simulações, fingimentos ou acções e ditos, cujo objectivo é impressionar e chamar a atenção. Desde logo, com PH.

Ainda assim, a PHarol passará a fazer parte da lista PSI-20, que também já devia ter mudado de nome há muito: São dezoito, e não vinte, as empresas cotadas que integram o principal índice da Euronext Lisboa. Entre as dezoito, a PHarol tem a missão, possívelmente única entre todas as bolsas de valores do mundo, de contemplar uma participação financeira e uma dívida colossal incobrável, registar milhões de perdas e pagar principescamente aos PHaroleiros.
.
Quantas outras PHarol integrarão o PSI-20 dentro de algum tempo perante o olhar parado e manso do regulador? Não sabemos. O que sabemos é que a História não se repete mas as histórias são sempre as mesmas.

Monday, May 25, 2015

PODERIAM CHAMAR-LHE PARA TANSOS, SGPS

O Ministro da Economia afirmou hoje durante a inauguração de um "Call Center" da PT (sem SGPS) em Vieira do Minho que, vd. aqui, a PT (SGPS) esteve anos ao serviço de "interesses egoístas". 
É-me difícil entender o qualificativo utilizado pelo ministro porque os interesses a que ele se refere não foram, nem continuam a ser, meramente egoístas. Em matéria de negócios, de um modo ou de outro, em última instância, os interesses defendidos por quem os conduz são sempre egoístas. Não há negócios altruístas.

Ora o que se passou na PT SGPS, e continua impune, foram actos de burla em larga escala porque ninguém consegue explicar como é que os principais detentores do capital aparentemente abdicaram de interesses e posições excepcionalmente relevantes. Ouvidos o governador do Banco de Portugal e o presidente da CMVM na comissão parlamentar de inquérito ao caso BES, ambos mostraram estranheza pela aceitaçãode um conjunto de movimentos que levaram a que accionistas de uma coisa que continua a chamar-se Portugal Telecom SGPS detenha (ou a promessa de ter) acções da Oi, e nenhuma participação na PT propriamente dita. 
Se mais não fez, porque não soube ou não pôde fazer, a CMVM bem poderia impor, para boa clarificação da situação, agora que a PT é outra coisa, que a Portugal Telecom SGPS mudasse de nome.

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Notáveis, os recentes discursos do primeiro-ministro na inauguração de uma queijaria em Aguiar da Beira, onde apontou Dias Loureiro como empresário modelar, e do ministro da Economia na inauguração de um "Call Center" em Vieira do Minho. Exemplos de investimentos de alto valor acrescentado e tecnologia de ponta ?

Monday, May 04, 2015

NOTÍCIAS DO GOLPE*

A sequência de notícias de rombos roubos cometidos na PT parece infinita. Tão grande só o grau de amnésia invocado pelos comparsas da trupe envolvida na tramóia. Esgotado o filão, Zeinal Bava não guardou na memória factos relevantes dos actos que praticou. Os outros, guardaram o que lhes convinha e, não tendo tido o atrevimento insolente de Bava, destaparam algumas informações junto da Comissão de Inquérito Parlamentar ao caso BES que já deveriam ter permitido à CMVM intervir e responsabilizar. 

Durante os últimos seis anos assistimos em Portugal a um caudal de escândalos financeiros em número e volume sem precedentes na história lusa. Num estado de direito já teriam sido julgados e punidos em medida proporcionada os autores e os beneficiários coniventes dos actos de rapinagem cometidos. Em Portugal, se os manobradores são gente fina, não há culpados, só há vítimas.

E as vítimas não são atingidas apenas pelos agravamentos de impostos, reduções de salários, cortes nas pensões, mas também pela desconfiança com que o país é olhado e que afasta os investidores em projectos reprodutivos. Nenhum investidor estrangeiro, chinês, angolano, ou qualquer outro, arriscou nos últimos anos colocar fundos em projectos criadores de riqueza e postos de trabalho, que se vejam.  

Discute-se, do documento encomendado pelo líder do PS, principalmente a redução da contribuição dos trabalhadores na TSU e as medidas de adequação dos montantes das pensões futuras, mas nem a redução da TSU, do empregador ou do empregado, é susceptível de criar as dezenas de milhar de empregos previstos nem o sistema de segurança social é sustentável se não forem criadas condições de confiança que umas quantas quadrilhas abalaram sob o olhar turvo das instituições, nomeadamente a CMVM e o Ministério Público.


E, da Justiça, não há notícias.

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Não é português, não recebe salário, é de uma empresa que colapsou e nem deveria ser administrador – mas foi o gestor da Bolsa portuguesa que mais dinheiro recebeu em 2014. Intrigado? Nós também. Eis porquê.




Pedro Santos Guerreiro/Joana Madeira Pereira (Expresso)

Recebeu quatro milhões de euros em 2014, dos quais 2,7 milhões de indemnização por ter saído da PT… embora ainda esteja na PT. Zeinal Bava ou Henrique Granadeiro? Nenhum deles. O gestor mais bem pago da Bolsa nacional não é sequer português.

Chama-se Shakaf Wine, tem 46 anos, provavelmente poucos portugueses terão ouvido falar dele e, apesar fazer anos a 13 de junho, dia de devoção ao Santo António, mais “carioca” não podia ser.

Em 2014, foi o gestor que mais dinheiro recebeu entre as empresas cotadas na Bolsa portuguesa: quatro milhões de euros. A maquia resulta do somatório de €489 mil de remuneração fixa de 2014, €215 mil de remuneração variável de 2013, €421 mil de remuneração variável de 2010 e €288 mil de prémio pela venda da Vivo, a que acrescem 2,7 milhões de euros de indemnização.

É de longe a fatia mais gorda e apetecível do pacote de remunerações que a PT SGPS pagou no ano passado aos seus administradores, num total de 14,3 milhões de euros.

O gestor que saiu mas ficou
Como se justifica então que um administrador tenha sido indemnizado por cessar funções em 29 de janeiro de 2014 em empresas da PT SGPS mas em maio de 2015 ainda seja administrador da PT SGPS? E como ser indemnizado depois do escândalo do papel comercial? Foi ele quem pediu para sair? Porque recebeu indemnização e outros administradores não a receberam?

Contactada pelo Expresso, a PT SGPS (que está em mudança de nome para PHarol) confirmou que Shakhaf Wine ainda é mesmo administrador da empresa. E explicou que a indemnização foi paga por Shakhaf ter “cessado funções numa empresa do universo Oi, sendo que o dinheiro foi pago pela PT Brasil, não por PT em Portugal”. E que tudo resultou de um acordo feito entre Wine e Granadeiro, para quem empurra assim o ónus da decisão.

Esta explicação, dada esta manhã, não bate completamente certo com o que está no relatório de governo da sociedade, que foi divulgado no final da semana passada, e que diz o seguinte:

“Em 2014 não foram pagas quaisquer indemnizações a ex-administradores, com exceção da indemnização paga no Brasil ao Administrador Shakhaf Wine, através de uma subsidiária da PT SGPS no Brasil, na sequência da celebração de acordo relativo à sua cessação de funções celebrado em 29 de janeiro de 2014, no montante global de 2.678.974 euros, que inclui o valor pago pela cessação de funções na PT Brasil, os restantes 50% da remuneração variável de 2013 e 50% das remunerações variáveis de anos anteriores a 2013 cujo pagamento havia sido diferido.”

A fonte oficial da PT SGPS responde que tudo resulta “de um acordo então celebrado com Henrique Granadeiro”, à época presidente da Portugal Telecom. O pagamento da indemnização “corresponde ao pagamento de prémios diferidos relativos ao Brasil e ao acerto de contas”, sendo que Shakhaf Wine fez o acordo “em abril”, ainda antes da revelação do escândalo. Depois, o próprio Shakhaf propôs ficar como administrador da PT mas sem remuneração, o que foi aceite “no mesmo acordo com Henrique Granadeiro”, reitera a fonte oficial. Por isso, Shakhaf Wine é administrador da PT SGPS mas “não recebe remuneração desde junho de 2014, nem na PT SGPS nem na Bratel” (“holding” da PT no Brasil).

Recorde-se que João de Mello Franco, hoje presidente da PT SGPS, era então também administrador da PT.

Gestor mãos na massa
Wine ganhou mais do que Henrique Granadeiro (1,85 milhões de euros) e do que Zeinal Bava (1,61 milhões), de quem foi nos últimos anos o braço-direito. Pouca coisa se conhece sobre o gestor brasileiro e não lhe são conhecidas grandes intervenções públicas. Licenciado em Economia pela Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro, Shakhaf teve um início de carreira parecido com o de Zeinal Bava, já que ambos passaram pelo mundo das consultoras financeiras internacionais e dos bancos de investimento, como o Deutsche Morgan Grenfell ou a Merrill Lynch, além de terem vivido em Londres.

Antes de entrar para os quadros da PT Brasil, em 2003, Shakaf passou pelos conselhos de administração da operadora Brasilcel e das empresas de participações Telesp Celular, Centro Oeste, Tele Sudeste e Celular CRT. Em maio de 2005, assume a presidência da PT Brasil, substituindo Eduardo Correia de Matos, acabando também por ser nomeado para a comissão executiva da PT SGPS. Acumula ainda a vice-presidente da brasileira Vivo, que o grupo português detinha, em parceria com a espanhola Telefónica.

Em 2008, quando a Zeinal assume a presidência executiva da PT SGPS, a relação profissional entre os dois gestores estreita-se. Um texto publicado na brasileira revista Exame, em janeiro de 2010, descortina esta “dupla de sucesso”. O artigo, intitulado “Os acionistas mãos na massa”, mostra, na fotografia, um Bava e um Shakaf muito sorridentes, em pose para a fotografia. “Juntos, eles fazem parte de um tipo raro de representantes de acionistas, os que colocam a mão na massa – e não demonstram nenhum constrangimento ao se imiscuir no dia-a-dia da operação”, dá conta o artigo. Ao ponto de, num ano, os dois gestores terem visitado seis operações regionais da Vivo espalhadas pelo Brasil, “gastando sola do sapato”.

Era ainda a época dourada da PT, quando a compra de papel comercial do Grupo Espírito Santo, no valor de quase 900 milhões de euros ou o imbróglio da fusão com a Oi ainda não ensombravam a operadora portuguesa: o negócio crescia e, à boleia da Vivo, a PT SGPS mantinha em alta as suas ambições globais. Seis meses depois da publicação deste artigo, a PT vende por 7,5 mil milhões de euros a sua fatia da Vivo à Telefónica e anuncia a compra de 23% da Oi por 3,75 mil milhões.

Segundo o relatório de governo da sociedade da PT, as atuais funções de Shakhaf Wine são as de presidente executivo da Bratel Brasil, presidente Executivo da Istres Holdings / PTB2, presidente executivo da Marnaz Holding, membro do Conselho de Administração da Oi e membro do Conselho de Administração da Telemar Participações.

Friday, March 20, 2015

ANDAM RATOS PELO SÓTÃO

Ricardo Salgado pode estar a ocultar factos relevantes, distorcer outros, fugir à verdade. Mas é altamente improvável que não seja dele o testemunho mais próximo da verdade prestado à CPI acerca da carga crítica que derrubou o "conglomerado misto" a que presidia: "Bava, Granadeiro e Oi sabiam que havia dinheiro da PT em dívida do GES"cf. aqui. "Os accionistas da Oi sabiam? "Sabiam e depois desmentiram. Tanto sabiam que elas estavam nas contas do prospecto do aumento de capital da Oi". Mas, por outro lado, sabendo os accionistas da Oi da aplicação em dívida de sociedades do GES, que acabaram por falir, por que razão não impediu que os termos da combinação de negócios entre a brasileira e a PT fossem revistos, prejudicando a portuguesa? 

A resposta  de Salgado - "estava demasiado centrado nos problemas do BES " - é claramente inconsistente porque a aceitação da redução da participação da PT SGPS, onde o  GES detinha a posição relativa mais relevante, sancionou de facto o argumento dos brasileiros - que invocaram  desconhecimento do empréstimo como razão bastante para rever os termos do acordo reduzindo as participações iniciais - um argumento que Salgado refuta, invocando o prospecto do aumento de capital da Oi, mas depois não suporta com a posição tomada na assembleia de accionistas que aceitou a redução da participação portuguesa.

Há nestes jogos de sombras em que se têm envolvido os protagonistas da mais intensa série de crimes financeiros e de corrupção alguma vez praticada em Portugal, envolvendo banqueiros, políticos e ofícios correlativos, um persistente encobrimento dos comparsas menores: sabemos, por exemplo, que Oliveira e Costa é cabeça de cartaz de uma trupe que continua impune e é inacreditável que tenha sido protagonista isolado; sabemos que José Sócrates é preso preventivo por eventuais crimes que não pode ter executado apenas em dueto com Carlos Silva, mas desconhecemos os executantes, a Procuradora Geral da República afirmou há três semanas atrás que "há uma rede que utiliza o aparelho de Estado e da Administração pública para concretizar actos ilícitos, muitos na área da corrupção". - vd. aqui - e mais não disse, pelo menos por enquanto.

Na obscuridade em que se desenrolou a ainda incompreensível subjugação da PT SGPS aos seus parceiros da Oi que interesses cruzados, ainda por revelar, beneficiaram aqueles que entregaram a PT aos brasileiros por tuta-e-meia e deram, com a mesma cajadada, o golpe final no GES?

Thursday, March 05, 2015

GRANADEIRO ABRIU O LIVRO ABERTO*


O sr. Henrique Granadeiro prestou ontem declarações à CPI ao BES durante seis horas. E disse muita coisa, ainda que não tivesse dito nada de relevantemente novo relativamente ao que já tinha dito noutras declarações públicas. Contrariamente a Zeinal Bava, que se vestiu de tolo para não cair em contradições flagrantes, Granadeiro adoptou por algumas declarações que só os tolos compram. 

Confirmou Granadeiro que é amigo desde há longos anos de alguns membros da família Espírito Santo, que falava frequentemente com Ricardo Salgado por razões de estabelecimento de estratégias uma vez que Granadeiro era presidente da PT e Salgado o presidente do BES, o maior accionista da PT, mas que nunca negociou com Salgado as condições das colocações dos excessos de liquidez da PT no BES e que tais colocações, relativamente avultadas quaisquer que sejam os critérios de comparação, foram, ao longo de mais de uma dezena de anos, sempre determinadas preponderantemente pelas remunerações oferecidas pelo BES. E que ele, Granadeiro, por sobrepor sempre os interesses da PT às relações de amizade com os Espírito Santo, em caso algum se prestaria a favorecer o BES nas decisões das aplicações das disponibilidades de Caixa da PT. Declarou ainda, repetidamente, que nunca se apercebeu nem foi informado por quem devia das dificuldades que atravessava o GES.

Não pode ser verdade, sr. Granadeiro.
É muito óbvio, para quem não ande totalmente distraído, que uma tão elevada concentração de risco no grupo GES, mesmo se tivesse resultado apenas da invocada remuneração sistematicamente competitiva oferecida por esse grupo, teria indiciado que o BES experimentava há muito tempo dificuldades de liquidez, obrigando-o a sobrepor-se às condições correntes do mercado.
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A sua tentativa de explicação da concentração de risco, que contribuiu em larga medida para a ocorrência dos factos demolidores subsequentes não é credível e só pode levar, a contrario sensu, a um ententimento contrário ao que declarou : as aplicações da PT no BES (ou no GES, na PT não se cuidava de distinguir quem era o quê, porque era Ricardo Salgado que punha e dispunha) foram feitas fundamentalmente em função de uma reciprocidade perversa de interesses pessoais entre Ricardo Salgado e os seus colaboradores na PT.

No entanto, tanto ou mais relevante que o esclarecimento das responsabilidades pelas aplicações financeiras feitas ao longo dos anos pela PT no BES, e no GES, - Granadeiro assumiu a responsabilidade pelas aplicações de 200 milhões -, são as perguntas feitas por Granadeiro, ainda sem resposta: por que razão, sendo a PT SGPS, a maior accionista na Oi se subjuga às decisões tomadas pelos accionistas brasileiros minoritários? Por que razão aceitou a PT SGPS a venda da PT à Altice aceitando, desse modo, a subversão dos objectivos da fusão?
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* Texto revisto às 19,30 h.
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Correl. -

Tuesday, February 10, 2015

O CAPITALISMO, HOJE

O Economist desta semana publica um artigo - Capitalism’s unlikely heroes - Why activist investors are good for the public company - que é uma apologia aos méritos das intervenções dos hedge funds, que o colunista qualifica como investidores activistas, nas empresas cotadas em bolsa. 
A abordagem é focalizada nas empresas norte-americanas mas não deixa de reflectir as manobras que na Europa e na Ásia transferem enormes volumes de riqueza para os CEO´s  que, frequentemente, não têm, bem pelo contrário, correspondência nos resultados atingidos pela sua gestão. E porquê? Porque os managers de topo são suportados por accionistas coniventes ou naturalmente complacentes. É da conjugação perversa entre a conivência e abstenção que germinaram nos  últimos 15 anos fiascos como a Enron e a Lehman Brothers. 

Analisadas as diferentes hipóteses de intervenção accionista que possam apear, com vantagem da empresa e dos accionistas, os gestores ineficientes e, ou, oportunistas, o articulista conclui que são os investidores activistas aqueles que obtêm melhores resultados com menos meios financeiros envolvidos.

Leio este artigo e é inevitável recordar o caso PT, tão recente e já tão esquecido. A PT é apenas um dos casos que nos últimos tempos mostraram ao mundo a bandalheira (não encontro adjectivo mais adequado, posto que convenientemente incisivo) em que mergulhou grande parte da nata do capitalismo português. E não aconteceu nada. 

Porquê?
Porque por cá as águas são turvas demais e a profundidade é baixa.
O único investidor (no caso, investidora) que se propôs entrar nas águas turvas em que se movia, e move, a administração da PT SGPS, foi rechaçado pelo argumento de que a sua oferta se encontrava
abaixo do previsto na lei. As cotações da PT SGPS encontram-se hoje a cerca de metade da tal oferta curta. E ninguém é obrigado a responder por isto. Entre a conivência e abstenção continuam a mover-se impunemente as sumidades galardoadas.



c/p de aqui

Sunday, January 25, 2015

A SÓCRATES O QUE É DE SÓCRATES

"Não consigo olhar para a PT hoje sem ver a fotografia do engenheiro Sócrates e do Dr. Ricardo Salgado"
Daniel Bessa / Observador

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E., enviou-me aquele link para uma entrevista a Daniel Bessa publicada há dias no Observador. Eu tinha, numa reunião de amigos, discordado da imputabilidade das maiores responsabilidades na tragédia da PT ao sr. José Sócrates. O sr. José Sócrates é certamente culpado de muita coisa que aconteceu neste país. Mas não pode ser justamente considerado como um dos principais culpados dos actos danosos e fraudulentos ocorridos na PT se o juízo não estiver condicionado por convicções ou proximidades partidárias. 
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Entrevistador pergunta  
"Mas acha que o Governo devia ter feito alguma intervenção"
Responde, perguntando Bessa:  
"Em qual?"  
Na PT, por exemplo. E Bessa responde indirectamente que não: 
"No caso da PT, o Governo interveio no tempo do engenheiro Sócrates. E não consigo desligar o estado em que a PT se encontra da intervenção do engenheiro Sócrates. E de Ricardo Salgado".
Subscrevo, sem quaisquer reservas, aquelas afirmações de Daniel Bessa.

Mas já não subscrevo, porque considero contraditórias, as considerações seguintes de DB: 
"Quando nós olhamos para a PT, tal como está, aquilo que hoje se está discutir – claro que estava lá dentro o Dr. Henrique Granadeiro e o engenheiro Zeinal Bava, num nível de responsabilidade muito elevada, mas acima dos gestores habituei-me a colocar os acionistas e o poder político, quando chega a esse grau de envolvimento com os acionistas. E é por isso que eu não consigo olhar em momento nenhum para o estado em que a PT está hoje sem ver a fotografia do engenheiro José Sócrates e do Dr. Ricardo Salgado".

Se Bessa considera, e eu concordo com ele, que o Governo não deve interferir nas relações accionistas das empresas privadas, não se percebe que coloque acima dos gestores os acionistas e o poder político como maiores responsáveis das ocorrências verificadas na PT Telecom até agora.
Sem dúvida que os accionistas são os maiores responsáveis. Mas serão todos? Não são. Na assembleia geral de Setembro, que aceitou por quase unanimidade a redução da participação da PT SGPS na CorpCo de cerca de 37% para cerca de 27%, esteve representado menos de metade do capital social, verificando-se a mesma situação na assembleia de 22 deste mês, que aceitou a venda da PT Portugal à Altice. 

A PT SGPS é uma empresa cotada em bolsa e cerca de metade do capital accionista está de tal modo disperso que torna a sua agregação para efeitos de voto virtualmente impossível. Daí que a tradicional representatividade do capital accionista nas assembleias gerais (o mesmo ocorre, p.e. na EDP) fique sempre aquém de uma maioria do capital social da empresa. Dito de outro modo: há poucos mas grandes accionistas que governam ou delegam o governo da empresa e há accionistas que, de facto, investem confiantes na capacidade dos gestores, nos auditores e na Comissão do Mercado de Valores Mobiliários. Sem uma capacidade de vigilância efectiva da CMVM, a bolsa de valores perde honorabilidade e só não a abandonam de vez os que têm a memória curta ou os que participam apenas no jogo especulativo. Dos accionistas, só aqueles accionistas com capacidade efectiva de intervenção na gestão da empresa são responsáveis pelos actos de gestão praticados.

Quanto à intervenção do poder político, se ela não decorre de uma decisão tomada publicamente em nome da defesa do interesse público, e não foi o caso, quaisquer actos que envolvam estritamente os negócios ou as participações accionistas da empresa são da exclusiva responsabilidade de quem tem poder para os praticar: os accionistas ou os gestores por eles escolhidos. Se o engenheiro Sócrates de algum modo influenciou os actos de gestão da PT Telecom, a responsabilidade efectiva das consequências dos actos praticados terão de ser assacadas por inteiro aos gestores que concretizaram esses actos. Do mesmo modo que não é aceitável que o poder político intervenha na gestão dos negócios da empresas privadas, também não é aceitável que os gestores das empresas privadas endossem responsabilidades, que são unicamente suas, ao poder político decorrentes de eventuais situações de promiscuidade entre os negócios e a política.

Quanto à colocação de DB dos gestores num segundo patamar de responsabilidades, a minha discordância é total. Porque Bessa não ignora, porque ninguém minimamente informado ignora, que a indicação dos gestores nas listas dos orgãos a votar em assembleia geral, decorre de contratos entre os accionistas e os gestores quando os primeiros não assumem eles próprios a gestão corrente dos negócios. Não raramente esses contratos prevêm, tacitamente, contrapartidas entre as retribuições (de natureza e vias várias) aos gestores e liberalidades, para utilizar uma expressão que está a tornar-se moda, aos accionistas que os nomearam. Piketty em "o Capital no Séc XXI" demonstra até que frequentemente os gestores das grandes corporações acabam por dispensar os apoios accionistas quando o capital é quase totalmente fragmentado, e subalternizam os interesses dos investidores aos seus próprios interesses tornando-se eles, e não mesmo  os maiores investidores, quem mais riqueza acumula. 

Foi isto que aconteceu na PT Telecom.
Ricardo Salgado comprou os empréstimos, sem racionalidade financeira, da PT aos GES por contrapartida dos rendimentos que, por sua proposta, foram atribuidos a Zeinal Bava e seus companheiros da alegria. E os outros accionistas, perguntar-se-á, não deram por isso? Eles dizem que não, mas não é crível. Terão também embolsado as suas contrapartidas. De outro modo não teriam, entre outros actos esquisitos, cedido tão pacificamente à redução dos 37% para 27% na participação no capital da CorpCo, nem tão docilmente defendido a venda da PT Portugal à Altice. 

Ainda quanto à publicamente declarada não intervenção do Governo: se é muito compreensível que nenhuma intervenção poderia ser feita na ssembleia de accionistas porque o Estado não é accionista da PT SGPS, é muito incompreensível que o Estado, representado pelos fundos de estabilização financeira da Segurança Social, se conforme com perdas que eventualmente rondarão os cem milhões de euros, segundo notícias vindas a público, alinhando ao lado dos grandes accionistas, que são também os grandes responsáveis, nas votações tomadas nas assembleis gerais de Setembro do ano passado e de 22 deste mês. 

Porque, das duas uma: ou os gestores dos fundos de Segurança Social são incompetentes, e devem ser despedidos, ou decidiram em função da informação que conheciam e foram ludibriados pela sonegação de informação relevante, e devem ser punidos os responsáveis por essa sonegação.

Ou não acontece nada,  e a bolsa de valores de Lisboa continua a ser um caneiro camuflado?

Thursday, January 22, 2015

A PT DOS PATETAS ACABOU

"Quinta-feira, dia 22 de Janeiro de 2015. Um dia histórico para Portugal e para o euro. O BCE rendeu-se à necessidade de usar a última das armas de um banco central para combater a deflação e vai comprar dívida pública. A PT Portugal foi vendida aos franceses da Altice e deixa de pertencer a um grupo de accionistas que a delapidaram, primeiro apenas portugueses, depois em conjunto com os brasileiros da Oi. A PT como a conhecemos acabou. Com a Altice nascerá uma nova PT." - aqui

Diz a jornalista que a PT Portugal deixou de pertencer a um grupo de accionistas que a delapidaram, mas não é verdade que a PT Portual deixou de pertencer apenas aos accionistas que a delapidaram. Porque a PT Portugal deixou também de pertencer a muitos milhares de accionistas que foram ludibriados pela sonegação de informação daqueles que a delapidaram perante a impotência ou a incompetência da CMVM. Incompreensívelmente, um desses accionistas, a Segurança Social permanece muda e queda como se os resultados da golpada entre os administradores da Portugal Telecom, com particular destaque para o sr. Zeinal Bava, e o sr. Ricardo Salgado não tivesse qualquer influência nas perdas da Segurança Social resultantes de investimentos em activos sonegadamente tóxicos. Perdas, insisto, que inevitavelmente são suportadas pelos contribuintes e beneficiários da Segurança Social.

Que vai fazer agora a CMVM depois de terem sido ignorados pelos delapiladores da PT os seus avisos e solicitações de esclarecimentos, serôdios demais, reconheça-se de modo a garantir o mínimo de honorabilidade da bolsa de valores de Lisboa? Vão ficar impunes os delapiladores?

Por que é que ninguém fala disto?

Tuesday, January 20, 2015

DESCOBREM-SE AS VERDADES?

"O senhor Dr. Henrique Granadeiro trouxe ao conhecimento da CMVM e do exmo. presidente da assembleia informação falsa, falsidade essa que não podia ignorar em virtude da sua condição de presidente da comissão executiva e do conselho de administração da PT SGPS e participante confesso do episódio da Rioforte", lê-se na carta da Oi enviada ao presidente da assembleia geral da PT SGPS". - aqui.

"A auditora PwC, (a quem a PT SGPS encomendou auditoria sobre os empréstimos da PT Portugal à Rioforte) considerava que o seu trabalho devia incluir juízos jurídicos sobre as ligações entre PT e o GES. Contudo, a PT (SGPS) não o queria. Daí que essas opiniões tenham sido retiradas."  - aqui.

"A dificuldade em aceder a informação, a excessiva centralização em Ricardo Salgado e a falta de contas consolidadas no grupo justificaram o fim da ligação entre PwC e BES em 2002, revelou o presidente da auditora."- aqui.

"CMVM insatisfeita com a informação da PT SGPS" - aqui.

Nenhuma destas notícias é realmente notícia, no sentido de que ou já eram conhecidas, as três primeiras, ou esperável, a última. Mas o facto de persistirem fomentam a esperança de que, neste molho de casos, os crimes não ficarão impunes.
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*(21/1) - Cartas-conforto à Venezuela não seriam suficientes como garantia
 (21/1) - A vergonha do caso PT 

Monday, January 19, 2015

É FRAUDE, SR. SUPERVISOR!

Há quem opine que o Governo e o PR deveriam intervir no sentido de impedir que um crime seja consumado na próxima quinta-feira quando a assembleia de accionistas da PT se voltar a reunir para aprovar a venda da PT Portugal à Altice, depois de um adiamento de 12 dias, tendo entretanto a administração da PT SGPS informado ter enviado no dia 16 à CMVM as informações que o supervisor reclamava através de um comunicado público de 97 páginas. Se as informações prestadas pela PT SGPS serão ou não consideradas suficientes pela CMVM não sabemos.

O que sabemos é que o extenso comunicado, naquilo que é informação relevante, repete o que já era do conhecimento público. Se a CMVM esperava que a administração da PT SGPS assumisse em acto de contrição o reconhecimento de um conjunto de actos de gestão ruinosa e fraudulenta de que aqueles que ocupavam ou ainda ocupam cargos não podem (não deveriam poder) descartar responsabiliades, deve ter ficado definitivamente desiludida. 

Há, no entanto, informação relevante que a CMVM não desconhece: a sonegação de informação relevante - o empréstimo da PT ao GES - que ludibriou os accionistas não envolvidos na gestão da PT Portugal com propósitos inequívocamente fraudulentos. A sonegação daquela informação relevante (são vários os responsáveis pela gestão da PT Portugal, da PT SGS, da Oi, que invocam desconhecimento para se descartarem de responsabilidades) não pode deixar de constituir argumento bastante para a CMVM considerar, com todas as consequências que daí resultarem, mas a bem da honorabilidade da Bolsa de Valores de Lisboa, que todo o processo subsequente ao conhecimento público daquela sonegação está inquinado de uma muito evidente mega fraude.

Razões pelas quais nem o Governo nem o Presidente da República têm que ser chamados para intervir num jogo sujo onde arbitra ou deveria arbitrar um árbitro chamado CMVM.
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Correl. - (19/1) - Previsível:  CMVM insatisfeita com informação da PT
Carta do Conselho Diretivo da CMVM ao Presidente da Mesa da Assembleia Geral em 20.1.2014.
Comunicado da PT de 21/1
(22/1) - Novo Banco determina venda da PT Portugal à Altice
E quem determinou que o Novo Banco determinasse assim?


Friday, January 16, 2015

APARIÇÕES

Tinha-me prometido não voltar a anotar neste bloco de notas mais qualquer apontamento sobre a batota que envolve a PT SGPS, a PT Portugal, o BES, o GES, a Rioforte, a Oi, o sr. Zeinal Bava, o sr. Granadeiro, e todos os seus acompanhantes na golpada. Quanto mais se mexe no gato fedorento mais mal ele cheira. Mas ontem houve uma vaga torrencial de declarações sobre estes molhos de escândalos, e é forçoso deixar aqui os links, que se espera não sejam apagados tão cedo, para memória futura.

Logo, de manhã, soube-se que o sr. Henrique Granadeiro tinha saído do casulo para onde entrara quando foi apanhado com o rabo do escândalo do empréstimo de 900 milhões à Rioforte na boca. Saiu, e disse que defende fim da fusão entre PT e Oi, alegando que, afinal, foi a Oi, por intermédio da sua participada PT Portugal emprestou à Rioforte o famigerado empréstimo! Desta, suponho, é que ainda ninguém se tinha lembrado. Lembrou-se ele, mas só agora por quê? À tarde a Oi fez saber que vai processá-lo pela carta enviada à CMVM.

Em conclusão, irrefutavelmente a administração da PT SGPS defende as pretensões e as alegações da Oi.
Hoje a Oi veio novamente à porta do buraco para afiançar que a venda da PT Portugal não afecta princípio da fusão. 
Porquê ou como, não diz. E não diz porque é muito óbvio que com a venda da PT Portugal à Altice o princípio da fusão escapa-se pelo esgoto juntamente com as burlas com que este conjunto de escândalos se tece.

Seguramente, o inteligente que decide as opções de investimento do fundo da Segurança Social desconhecia que a PT aplicava na Rioforte valores que nenhuma gestão financeira minimamente capaz podia justificar. Porque não se deu ao trabalho de analisar as contas da PT ou porque as contas da PT eram tão herméticas ou tão falseadas que o inteligente não lobrigou o logro?
Não sabemos, muito provavelmente nunca nos irão dizer, mas deveriam dizer, a Segurança Social é uma instituição pública e obrigada ao dever da informação dos resultados dos actos que pratica. Se a Segurança Social foi ludibriada pelas práticas de omissão ou sonegação de informação relevante pela administração da PT, vai a Segurança Social exigir os reparos devidos pelas consequências de tais práticas?

Há alguém em casa ou tudo isto não passa de aparições?
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 *Cronologia das relações entre a PT e o GES que culminaram com o investimento na Rioforte 
Act. (16/1) - Logo após a edição deste apontamento recebi comunicado ao mercado de informação enviada, com data de ontem, à CMVM. Está aqui.
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A FRASE DO ANO- ACORDO ORTOGRÁFICO
  
"É impossível escrever corrupto sem PT"
Claudio Tognolli, jornalista brasileiro