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Wednesday, November 13, 2024

PRODUTIVIDADE - UMA QUESTÃO DE ENGENHEIROS A MAIS E PEDREIROS A MENOS?

A continuidade do Aliás depende do seu merecimento, avaliado por comentários, críticas, sugestões, correcções, de quem o lê.
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Porque é que os portugueses trabalham mais horas do que os outros europeus mas têm salários mais baixos? 
O que importa realmente reter sobre a produtividade da economia portuguesa? 
A resposta à pergunta é dada no "Factos que Contam", um programa da SIC Notícias em colaboração com a Fundação Manuel dos Santos.
 
O título desta nota é, tenho de reconhecer, talvez intencionalmente provocador mas não é mais do que a transcrição tão fiel quanto possível, do que ouvi anteontem Odemira.
 
A medição da produtividade é, à vista desarmada, conceptualmente muito simples.
Se observada com microscópio apropriado à natureza do objecto a observar é complicadíssimo. 
Dediquei a este assunto várias notas neste caderno de apontamentos desde os seus começos há dezanove anos. 
A observação microscópica levanta muitos paradoxos. 
Um exemplo: Uma grande fatia, pelo menos metade, da riqueza produzida e retida em Portugal é atribuida à função pública? Como se mede essa mais ou menos metade?

É indiscutível que o problema maior da economia portuguesa é a falta de produtividade que, neste caso, significa insuficiência de investimento produtor de qualidade elevada.
 
Vi o programa "Factos que contam" mas também ouvi Mário Centeno afirmar, além do mais, que  há “números enganadores” quanto à capacidade de Portugal reter jovens qualificados e ( ) que o país consegue ser um receptor líquido de licenciados".
 
Ontem, passei por Odemira, onde "há mais nepaleses que portugueses" disse-nos um grupo de reformados sentados à beira do Mira.  Numa livraria, quem nos atendeu afirmou o mesmo o que nos disseram os velhos. Porquê?
 
Ora porquê? Porque agora em Portugal só se formam doutores e engenheiros. Se queremos um canalizador, um pedreiro, um pintor, não há. E porque há nepaleses a viver, 25 ou mais em cada casa, porque ganham pouco.E se quero abrir um negócio tenho que esperar e desesperar, a eles dão-lhe a licença de um dia para o outro. 
 
Mas por que é que não se veem  portugueses a trabalhar onde trabalham nepaleses? 
Ou em muitos outros lugares do país onde trabalham imigrantes não nepaleses?
Na região de Lisboa há imigrantes que possuem qualificações para os lugares que ocupam que muitos portugueses não têm. 
Segundo os sucessivos relatórios anuais do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento Humano (acesso gratuito online), Portugal continua a descer no ranking porque pasmou na evolução do indicador da educação.

Aquela gente de Odemira, que fala assim, exagera, não tenho dúvidas, exagera.
Mas que o problema existe, existe.
E Centeno, entre muitos outros que devem saber do que falam, não parece reparar nele.

Saturday, September 21, 2024

ARGENTINA

Um casal simpático. argentinos, altos, saídos há pouco tempo da casa dos cinquenta, em viagem pela Europa, além do mais com passagem por Lourdes.

- Como vai a Argentina, agora com Milei na Presidência?
- Melhor, mas não tanto quanto podia ser se Milei tivesse maioria na Câmara Alta (Senado) e na Câmara Baixa (Deputados) mas não tem. As reformas possíveis têm melhorado a situação. 
- Como explica a queda da economia argentina depois de ter sido uma das mais prósperas?
- O roubo, há muito roubo, o sistema de justiça não funciona, comprado pelos que roubam ...
- Mas quem rouba?
- Os políticos. Há muita prata (muito dinheiro) a circular e a fugir do país. Há muitos ladrões, sabes? Com Milei como Presidente, a situação está a melhorar ... Há menos políticos a roubar.
- Como é que está o vosso sistema educativo?
- Mal, muito mal, não há responsabilização, não há disciplina, os estudantes têm liberdade para fazerem o que quiserem.
- Contudo, segundo o Programa de Desenvolvimento das Nações Unidas (PNUD), o sistema de ensino na Argentino posiciona-se acima do português ...
- Ah, sim, mas é assim tão mau o o sistema de ensino em Portugal?
- Pior que na Argentina, se a classificação do PNUD está correcta.No ranking do índice de desenvolvimento do PNUD Portugal ocupa a 42ª posição e a Argentina a 47ª, tendo Portugal melhor classificação na esperança de vida à nascença e no rendimento médio, em termos de paridade de poder de compra, e pior na educação.
- É curioso ... Quem lidera o ranking?
- A Suíça ocupa a primeira posição, a Noruega, a Islândia, Hong Kong (China), Dinamarca, Suécia, Alemanha, Irlanda, Singapura, Austrália e Países Baixos, Bélgica, Finlândia, Lichtenstein, Reino Unido. Nova Zelândia, Emiratos Árabes Unidos (petróleo)...
- E a Coreia do Sul, que lugar ocupa?
- O 19º, a seguir ao Canadá. O Luxemburgo e os Estados Unidos da América, completam a lista dos vinte primeiros. Na Argentina, segundo este ranking, parece existirem problemas no sistema de saúde e na distribuição da riqueza. 
- O sistema de saúde é mau. Nós temos o nosso seguro de saúde pago pela nossa empresa, pessoalmente não temos razões pessoais de queixa. Mas a política de portas abertas, que Milei quer contrariar, é responsável pela pressão sobre os serviços médicos pagos pelo Estado, em grande parte pelos  imigrantes vindos de outros países vizinhos que recorrem a esses serviços médicos e se dispõem a trabalhar a qualquer preço.
- Quer dizer que Milei se propõe imitar Trump em questões de imigração. 
- É isso mesmo.
- Apoiariam Trump se votassem nos Estados Unidos.
- Sem dúvida. 
- Vão passar por Lourdes, já estiveram em Fátima, já passaram por Roma. Visitaram o Papa Francisco, um Papa argentino?
- Não, não. O Papa é muito político ...
- Não entendo ...
- Não considerou falsos os resultados na Venezuela e ilegítima a reeleição de Chaves.
- Mas pediu que fossem analizados os resultados.
- Não chega. O Papa é muito político.
- Ontem ouvi que o Papa voltou a considerar o aborto um mal que tem de ser condenado e a imigração uma necessidade que deve ser facilitada.
- Uma no cravo, outra na ferradura. É muito político. Não gostamos dele. É argentino, mas na Argentina era um desconhecido. Agora que o conhecemos, não gostamos dele. Diz ele que quer uma igreja dos pobres, se assim continua todos ficarão pobres. Não, não gostamos dele. É muito político.

Sunday, October 08, 2017

FAÇAM FILHOS!


No Economist desta semana observa-se que um dos argumentos favoráveis à União Europeia é o alastrar das boas ideias através do continente. Conjuntamente com o crescimento das trocas comerciais dentro mercado único, em princípio, a entrada de um vasto conjunto de países económica e culturalmente diferentes para o mesmo clube, tornará, com o decorrer do tempo, os seus membros mais parecidos entre si.  

Contudo, se tarda a convergência económica, num aspecto, conclui-se aqui,  as nações são já muito parecidas na idade em que as mulheres têm o primeiro filho.  
A disponibilidade de contraceptivos e o acesso das mulheres à Universidade são considerados alguns dos factores das aproximações das tendências observadas nos países do leste e do sul europeu, mais evidente no primeiro destes dois grupos, aos países do norte. 

Por outro lado, o retardamento da concepção tem como consequência a gestação de menos filhos o que, conjuntamente com os avanços observados nos cuidados médicos, determina o decréscimo e um maior envelhecimento da população.

Se a redução da população pode ser moderada com o aumento da esperança de vida, o rejuvenescimento só pode ser conseguido com o aumento da natalidade. 
Ou o aumento da imigração. 
Escolham!

Friday, December 18, 2015

TRUMP E OS OUTROS

Trump vai de vento em popa.
Os resultados de uma sondagem publicados no Washington Post de há quatro dias atrás revelam que, vd. aqui, "uma clara maioria (60%) de norte-americanos opõe-se à proibição de entrada de muçulmanos no país proposta por Donald Trump, mas a maioria dos Republicanos (59%) aprova-a."
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Por outro lado, a mesma sondagem atribui a Trump, vd. aqui, 38% das intenções de voto dos Republicanos, bem longe dos 15% do segundo melhor classificado. 
Aonde quer que se desloque, Trump arrasta os media e estes motivam multidões de seguidores que o aplaudem entusiasmados e se sobrepõem às vaias de alguns opositores temerários que apareçam para estragar a festa. Aconteceu ontem, vd. aqui. em Phoenix (Arizona), nada sugere que ao movimento Trump sustentado basicamente na mensagem xenófoba, contra os sul-americanos e os islâmicos, se venha a opor com sucesso alguma tentativa interna para o desalojar como candidato dos Republicanos nas eleições presidenciais de 8 de Novembro do próximo ano.

Pelo contrário, os outros candidatos estão a aceitar jogar no campo e segundo as regras que Trump escolheu, a questão da segregação na imigração está a sobrepor-se a qualquer outro tema. E quanto mais ele exacerba o discurso xenófobo mais aumenta a distância que o separa dos restantes. 

Na Europa, e não só em França, ainda que sejam mais perceptíveis os confrontos que ali se observam,
os dramas dos refugiados procedentes de países islâmicos sensibilizam uns mas aperreiam as animosidades de outros. E em França, Marine Le Pen progride nos resultados eleitorais, obrigando os outros a inclinarem-se para as suas propostas. Marine como Donald ou, porque foi ela quem deu o mote, Trump como Marine. 

A propósito da vaga populista anti-imigração, lia-se, aqui, no Economist desta semana (The march of Europe´s little Trumps) que os partidos xenófobos foram durante muito tempo ostracizados pelos partidos dominantes. E relembra que os grupos populistas anti-imigrantes começaram a formar-se na Europa na década de 60 quando começaram a aquecer os debates sobre o Islão e a integração de imigrantes islâmicos. Os choques provocados pela introdução do euro vieram impulsionar o euro cepticismo e a relançar o debate anti-imigração, colocando-o no centro das atenções e dos confrontos ideológicos com a entrada massiva de refugiados à procura de abrigos na Europa. 

Para onde caminhará o mundo comandado por Trump dum lado e Le Pen do outro, ninguém sabe. 
Esperemos que essa hipótese, possível, não se concretize. 
Os partidos populistas não podem ser ignorados, conclui em título o artigo cit. do Economist.
Falta saber como confrontá-los.

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Ainda a propósito deste tema, dois artigos publicados em Maio de 2013 no Washington Post merecem uma leitura atenta: 


Mudaram-se as vontades assim tanto nos dois últimos anos?


(clicar nas imagens para aumentar)







Na foto - Menores sul-americanos são capturados pela polícia do Texas quando tentam atravessar a fronteira dos EUA com o México

Thursday, September 03, 2015

NÃO HÁ PALAVRAS


Não há palavras que possam comentar este imenso horror.

Tuesday, June 09, 2015

OS NOVOS AMERICANOS

O Economist desta semana publica aqui um artigo - The future's Asian - que parece titulado de modo irónico. Segundo o texto, a emigração mexicana para os EUA representava ainda em 2007 o maior contigente imigrante, quase um quarto, de novos norte-americanos. A partir daquele ano, a tendência decrescente de emigrantes mexicanos entrados, que já se vinha observando nos anos antes da crise, acentuou-se e em 2013 os emigrantes chineses e os indianos entrados naquele país já ultrapassaram, nos dois casos, o número de mexicanos.

Com uma diferença notável que os números de quantidade não refletem: a emigração chinesa para os EUA possui qualificações superiores e 70% dos indianos possuem qualificações superiores muito elevadas.

Tenho anotado algumas vezes neste caderno de apontamentos que é  ilusória a afirmação de que as mais recentes gerações de portugues são as melhor preparadas de sempre. Serão, se forem, as melhor preparadas relativamente às gerações anteriores, mas não o são em termos comparativos com as gerações de outros países, e principalmente de alguns países asiáticos.

Por outro lado, e de um modo mais abrangente, é forçoso, a respeito deste assunto, reflectir sobre os problemas que se colocam a uma União Europeia pouco unida em muitas frentes críticas e muito particularmente também relativamente à política de imigração dentro das suas fronteiras "comuns". Se a imigração continuar a constituir uma arma de recrudescimento dos nacionalismos europeus, a União Europeia fragmentar-se-á antes que o busílis das dívidas soberanas a tenha derrubado.

Wednesday, May 07, 2014

OS JOÕES FERREIRA TOCAM-SE


"João Ferreira do Amaral, em defesa da independência nacional"
"Defender o povo, defender o país", João Ferreira, 1º. candidato da CDU ao PE

Os nacionalismos estiveram sempre na origem dos conflitos bélicos que destruiram a Europa.
Eles aí estão de novo por detrás de diversas barricadas, algumas das quais simpatiquíssimas aos olhos mais desprevenidos.

Wednesday, August 24, 2011

PENNSYLVANIA AVE.

Brasileiro? Não. Eu sou colombiano. Estou cá há nove anos, já morei em muitos sítios daqui. Hoje tem pouca gente mas não é por causa da crise, não. Do Verão, talvez. Às segundas e terças vem sempre menos gente. A semana passada estivemos cheios. Seiscentas ou setecentas pessoas. Foi a semana dos restaurantes, com os preços pela metade.
Agora, para a semana o pessoal começa a voltar, começam as aulas, e isto volta a encher. Tem sempre muito cliente. Olha, esse aí é brasileiro!

É, sou brasileiro, sim. Aqui, a maior parte do pessoal é brasileiro. É natural, o restaurante é brasileiro. Eu estou cá, vai fazer seis anos. Já trabalhava para esta cadeia em São Paulo. Estive a trabalhar sete anos em São Paulo. Gosto de aqui estar, sim, mas um pouco de frio no inverno, não é? Você é português? De Portugal mesmo, ou do Brasil? Que bom. Nunca fui a Portugal mas gostava ir. Um dia destes, vou. O Brasil ganhou a Portugal em Sub-20, você sabia? 3-2. Pois. O Brasil tem 190 milhões. Em Portugal, quantos? 10 milhões. É, quase vinte vezes mais. Há anos, foi o contrário: ganhou Portugal. Mais pequenino, mas ganhou. 
Portugal e Brasil, somos os maiores em futebol, não é?
    

Saturday, August 20, 2011

IMIGRAÇÃO NA EUROPA, UM CASO SÉRIO

Aug 12th 2011

YESTERDAY the European Commission ruled that Spain could close its labour market to Romanian immigrants until the end of 2012. The commission has usually been a hearty supporter of freedom-of-movement rules within the European Union (as its spat with France last summer over Nicolas Sarkozy's decision to expel thousands of Roma migrants showed). Its move is a telling reminder—as if one were needed—of the threat posed by Europe's economic difficulties to its political project.

Unlike some of its EU partners, Spain lifted restrictions on workers from Bulgaria and Romania in 2009, two years after the pair joined the EU. But today, following the collapse of its construction sector and a painful crawl out of recession, Spain’s unemployment rate stands at a whopping 21%, over twice the EU average of 9.4%. Almost a third of Spain’s 860,000 Romanian nationals—the largest foreign group in the country— are unemployed.

Something had to give. And so two weeks ago Spain said it would impose restrictions on Romanians looking to enter the country for work. After initially ruling the move illegal, the commission now seems to be persuaded that Romanians were distorting the labour market.

Unfortunately for Spain, Romanians already in the country—who are not affected by the commission ruling—may prefer to stick around to claim unemployment benefits. At home, they face an ill-funded and distorted welfare system that, for example, still hands out large pension payments to ex-Securitate officers.

At 7%, unemployment in Romania is low, but so are wages. According to Eurostat, standards of living in Romania are among the lowest in the EU. Ambitious young Romanians often feel that their best opportunities lie abroad, even if they hope one day to return home.

Under the accession treaties Bulgaria and Romania signed, all EU countries must open their labour markets fully to workers from the pair by 2014. The two countries' labour ministers recently urged the commission to put pressure on those countries that still apply restrictions on their workers to lift them next year. The new Spanish policy—which follows a decision by the Netherlands in April to take a tougher line on Bulgarian and Romanian workers—makes that look unlikely.

So what is the answer? More opportunities at home would help. The Romanian government needs to speed investment in productivity-boosting projects, such as transport infrastructure. There are plenty of inefficient state-owned enterprises ripe for privatisation. A more vibrant small- and medium-sized enterprise (SME) sector could encourage some Romanians abroad to return home.

Yet hopes for a rapid rebalancing of the European economy are whistling in the wind. Economists have been worrying about the perverse incentives created by economic mismatches within the EU for decades. The challenge in the months and years to come will be how, in an age of austerity and stagnation, to stop the huge economic and fiscal differences between EU countries from doing further damage to the project of European integration.

The challenges are large. Economic imbalances within the 17-member euro zone are threatening to tear the single currency apart. Another core EU project—the visa-free Schengen regime—is also under strain.

Freedom-of-movement rules are at the heart of the European project. They are probably not yet under serious threat. Yet as the Spanish move, and the commission's decision to allow it, suggest, when times are tough the draw of abstract principles no longer proves so magnetic.

Thursday, June 09, 2011

OS SUBTERRÂNEOS DA ECONOMIA EUROPEIA

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Europe: Hidden economy
By Victor Mallet and Guy Dinmore

Shi Songbin’s existence in Italy came to light one morning in the Via Barsanti in the town of Prato only when stunned residents found his body outside an underground car park surrounded by drab apartment blocks.
Investigators suspect Shi, a 29-year-old Chinese illegal immigrant, died from an overdose of the drugs he took to keep him working on a gruelling day-long shift. His shadowy employers disposed of him in the street to avoid calling the attention of the authorities to their anonymous sweatshop.

Prato – a medieval jewel of a town once renowned for its textile industry – has been transformed into an example of how economic globalisation and weak government have combined to fuel the development of black economies on the southern and eastern fringes of Europe. Illegal sweatshops and their toll of death and misery are, however, only the most gruesome aspect of a multi-faceted, Europe-wide unofficial economy that embraces millions of ordinary citizens – from Bulgarians to Belgians – as well as illegal immigrants from Asia and Africa.

The western world’s economic and financial crisis of the past three years – and particularly the more recent upheaval in the eurozone sovereign debt markets – has aroused new concerns about underground economic activity. “Black” workers pay no taxes, reducing government income and increasing budget deficits, which can prompt higher taxes to make up for lost revenue, which in turn tempts more people into the black economy – a vicious circle of rising crime and decreasing government legitimacy.

For Italy, 1987 was the year of il sorpasso, when revisions to the estimated size of that country’s black economy helped it surpass the UK to become, briefly, the world’s fourth-largest economy.

Contrary to words such as clandestine, black, shadow or underground, a hidden economy is clearly not all bad. Welcome activities – reciprocal favours for neighbours, say – might be hidden from statisticians and also perfectly legal. The hidden economy also enables valuable activity to circumvent stifling bureaucracy, such as unnecessary licences. Without such activities, many societies would be poorer and fail to benefit from the money earned, which is usually spent in the formal part of the economy.

Of course, large parts of the hidden economy are also corrupt, dangerous, illegal and have no social value. So with both good and bad elements to a hidden economy, politicians and economists need to know its size and composition. By definition, however, the hidden economy seeks to avoid detection and measurement. This has created a niche industry in guessing its size but there is little agreement either on the best measurement techniques or the results.

Some things are known. Poor countries have larger hidden economies than rich ones. Southern Europe has a bigger black market than the north. It is also bigger in countries that have numerous restrictions than in more deregulated economies. But going much further is fraught with difficulties. Most techniques use a measurable proxy to estimate “real” activity, then subtract what is measured to leave the residual as the hidden economy. Proxies include electricity consumption, cash in circulation and the volume of transactions.

But to work effectively, these estimates rely on a stable relationship between the proxy and “real” activity. If an economy becomes more electricity-intensive – for example through a switch to electric transport – an electricity-based measure would erroneously show an increase in the size of the hidden economy.

Other methods examine differences in measures of expenditure and income, reasoning that most spending takes place in the regular economy. More complex techniques attempt to relate causes, such as the burden of regulation and attitudes to tax, to indicators of the consequences in measured hours worked and labour force participation rates.

The most compelling reason to treat any specific measure with scepticism, however, is the huge variation in results generated by different researchers. In 1976, two estimates of Canada’s hidden economy by the same authors using the same method but slightly varying techniques yielded estimates that ranged from 4.9 per cent to 27.5 per cent. Chris Giles

Spain – where police have sometimes raided illegal Chinese clothing workshops but where much of the black economy takes the form of humdrum tax evasion by its own citizens – illustrates the complexity of a phenomenon that has spawned its own branch of economic research.

According to Friedrich Schneider, economics professor at Johannes Kepler University in Linz, Austria, the size of the Spanish black economy is equivalent to 19.2 per cent of official gross domestic product. That happens to be the same proportion as the average he calculates for 31 European countries, with Bulgaria the highest at 32.6 per cent and Switzerland the lowest at 8.1 per cent.

It is this clandestine activity that helps to explain one of the more embarrassing economic mysteries of modern Spanish society: an extraordinarily high rate of official unemployment without much of the civil unrest and popular anger that such a problem would normally generate. If it were true that 4.9m people, or more than 21 per cent of the workforce, were jobless, Spain would not be as peaceful as, barring a few demonstrations, it has so far been, say economists and business leaders.

It is an open secret that the Spanish jobless rate – double the European average – is a fiction. Hundreds of thousands of people claim unemployment benefit when they actually have some kind of work; millions are not registered as working, which means that neither they nor their employers are paying social security contributions. One proof, say employers, is that when unemployment fell to 8.5 per cent at the height of the boom in 2006-07, they could find no workers to hire. Yet that figure, the recent Spanish minimum, is high enough that it would be associated with a deep economic recession in almost any other industrialised country.

Madrid would like to cut the jobless rate dramatically. But ministers are reluctant to do so by openly condemning Spaniards as cheats or dismissing their own statistics as unreliable, since that would undermine the country’s reputation further in the midst of an already damaging sovereign bond crisis.

Instead, the government has launched a campaign against the black economy. In April, it approved a law that will sharply increase fines for social security transgressions in order to “combat in an extraordinary and urgent manner the phenomenon of irregular employment”, in the words of the labour ministry. Mari Luz Rodríguez, secretary of state for employment, says the government has provided a total of more than €113bn ($165bn) in aid to the unemployed since 2007.

Ignacio Mauleón, economics professor at Madrid’s King Juan Carlos University, says it is the economic crisis and the need to reduce public spending that has made the previously tolerated black economy such a hot topic. “When there’s no crisis, no one worries about it,” says Prof Mauleón, who co-authored a study this year showing that the number of jobs in Spain’s underground economy had risen from about 1.5m in the early 1980s to more than 4m in the three years to 2008. “But now it’s an issue that everyone thinks about, because of the country’s budget deficit.”

Unregistered employment in construction, farming and other sectors, though, is only one side of a black economy that includes tax evasion by professionals and indeed by almost every Spanish homeowner. In many transactions, including house purchases, part of the payment is official and taxable, and the rest is paid in cash, known as “black money” or “payment B”. That sort of activity helps shed light on why Spain is often said to be the European Union country with the most €500 notes – the largest denomination – in circulation.

But Spain is not unique. Governments in several countries have long tolerated such practices and it is often hard to say where the official economy ends and the “black” one begins, since cash usually flows back into the recorded economy to be taxed.

Nor is it always obvious that the black economy is as detrimental to a nation’s welfare as its label suggests. The shadow economy can be counter-cyclical, softening the negative impact on the formal economy in times of recession. “When wages go down, there is more incentive to move towards the black economy. It is almost a form of insurance, a way out,” says Pietro Reichlin, economics professor at Rome’s Luiss university.

Prof Schneider agrees that underground economies can be useful. “It’s welfare-enhancing,” he says. “Without the shadow economy, Spain would collapse. It’s the only part of the economy that keeps the economy alive You immediately get cash, you immediately earn something to feed your family.” But he notes that in Spain even the shadow economy has shrunk recently, so severe has the crisis been.

That does not mean the black economy is about to disappear as a contributor to the broader eurozone economy. Clandestine employment, after all, has been nourished both by globalisation and by increasingly burdensome regulations imposed on employers by European governments. Take the Chinese in Italy: a decade ago, an illegal immigrant such as Shi would have embarked on a dangerous journey hidden on a ship, possibly crossing from the Balkans on foot. Now tens of thousands simply fly into Europe on three-month tourist visas but then stay for years.

A town of some 180,000 people, Prato is now home to an estimated 35,000 Chinese, about half of them illegal. Just outside the city walls, a Chinatown provides all their needs – Chinese supermarkets, restaurants, travel and marriage agencies, massage parlours and driving schools. The pronto moda – “instant fashion” – garment business they have created, from dyeing imported materials to producing finished goods, can generate hundreds of thousands of items a day, probably the largest concentration of Chinese-run industry in Europe.

By being based in western Europe, the Chinese in Prato can respond to the latest hot market trend within days, rather than weeks if they were delivering from China. The garments can also carry the desirable “made in Italy” label. City law enforcement agencies last year raided 320 businesses, seizing 144 properties and 6,250 sewing machines. But the illegal immigrants they arrest and serve with a deportation order are soon at work again. China refuses to take back its undocumented citizens, while Brussels recently overturned an Italian law making illegal immigration a crime. Piero Grasso, head of the national anti-mafia directorate, estimates that up to €5bn was transferred to China over the past five years through Prato’s money transfer agencies using a branch of Bank of China in Milan. The law allows an individual to transfer €1,999 in cash with no questions asked, so large quantities are broken down.

“The Bank of Italy is sleeping on this issue,” says Silvia Pieraccini, a local journalist and author.

In Italy, as in Spain, the complex phenomenon of the black economy is not just sweatshops and illegal immigrants. It ranges from simple tax evasion by doctors and accountants, paid in cash with no receipts issued, to increasingly sophisticated operations run by organised crime. The Bank of Italy estimates that the amount of money laundered each year, mostly by “criminal multinationals”, is worth 10 per cent of GDP. In 2010 the central bank identified 37,000 suspect transfers.

Prof Reichlin says most studies give Italy’s black economy an overall value equal to some 25 per cent of GDP (Prof Schneider’s latest calculations say 21.8 per cent), compared with an average among industrialised countries of some 15 per cent. Germany is just above the average for the 34 members of the Organisation for Economic Co-operation and Development, while the UK and US are below.

“Among the main causes of the black economy is the level of taxation. The higher the tax and the regulatory burden the bigger the shadow economy of the country,” Prof Reichlin says. “There are also historical reasons shared by countries like Italy, Spain and Greece – a weaker rule of law, lower confidence in the state and a lower social capital.” He sees the solution in reforms to simplify and reduce taxes, lighten the regulatory burden, decrease barriers to labour and improve the judicial system.

A weak state may also help to explain why linguistically divided Belgium shows up in the Schneider figures with a black economy representing 17.4 per cent of GDP, compared with just 10 per cent for the more centralised Netherlands to the north.

All this raises the question as to whether governments will succeed when they try to crack down. In May, the Spanish government publicised a €127,000 fine imposed on Talleres Macor, a car repair and servicing company in southern Spain, for failing to make social security payments for employees. The idea is to deter others from hiring illegal workers. Nevertheless, Spanish employers and economists say a better way to tackle the black economy would be to liberalise the inflexible local labour market.

“There’s an underlying issue here, which is that it’s expensive to hire workers,” says Gayle Allard, professor of economic environment and country analysis at IE business school in Madrid. “You are going to have to do something to make it easier for companies to hire.”

That will not bring Shi back to life. It may not even do much to dent illegal immigration to Europe. But it could help to reduce the substantial share of the continent’s economy accounted for by illicit activities.

Tuesday, August 31, 2010

DESEMPREGO & Cª.

Segundo os números divulgados hoje pelo Eurostat o desemprego atingiu em Portugal os 11% e mais de 600 mil trabalhadores.

Ao mesmo tempo a Alemanha observa pelo 14º. mês consecutivo uma redução do desemprego ainda que a taxa se tenha mantido nos 7,6%.

O crescimento do desemprego em Portugal era inevitável e não constitui nenhuma surpresa a não ser para aqueles que se convenceram, ou quiseram convencer-nos, que o aumento do emprego em Portugal estava apenas dependente do relançamento económico no exterior capaz de induzir mais crescimento económico e, por essa via, mais emprego.

O que nem sempre é verdade e dificilmente aconteceria em Portugal. Por várias razões, a mais decisiva das quais, que várias vezes anotei neste caderno de apontamentos, era, e ainda é em grande parte, a dependência em que a economia portuguesa se encontrava da construção civil e das obras públicas.  No primeiro trimestre deste ano, ainda segundo números do Eurostat publicados na última edição do Expresso/Economia, a construção absorvia 10,1% do emprego total em Portugal (9,1% em Espanha, 7,6% na Zona Euro). A economia estava drogada em construção civil e era inevitável a passagem por um desmame doloroso. Escrevi isto quase desde o início do Aliás, há quase cinco anos. 

Muita gente sabia que era assim e que a overdose só poderia vir arruinar dramaticamente a saúde do paciente. Sabiam os políticos, os banqueiros, os construtores, os agentes imobiliários, mas nenhum renunciava à teta da porca.
Como, por outro lado, a construção civil exige trabalho de alombador e não havia portugueses em número suficiente para essas tarefas, indignas para muitos, ocorreram imigrantes que, naturalmente, agora se sentam nos bancos dos centros de emprego à procura do devido subsídio. Que vão eles fazer depois do prazo de subsídio se esgotar?  

Alguns voltarão para casa, amargurados, desiludidos e pobres. Outros permanecerão na expectactiva de oportunidades. Que difilmente aparecerão. A marginalidade aumentará e com ela o crime suburbano.

Andamos a incorrer neste erro hà dezenas de anos. Desde os tempos em que as poupanças dos emigrantes portugueses se encaminharam para a construção de maisons que as segundas gerações  geralmente esqueceram. Como é que foi possível um convencimento tão alargado de que o País poderia sustentar-se construindo casas de que já não precisava?

Somos todos culpados. Mas há quem seja mais culpado que os outros. De entre estes últimos, os banqueiros foram sem dúvida os maiores culpados. Moral hazard: não se contarão, no entanto, entre as vítimas.
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* O gráfico apresentado é copy/paste de aqui

Thursday, May 07, 2009

MELTING POT

A imigração para os EUA em 2008
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via Jumento

Thursday, February 12, 2009

A GLOBALIZAÇÃO DO TRABALHO

E esta proposta, que tal?

IBM offers to shift laid-off workers to lower-wage countries
Some of the workers being let go by IBM have a chance to remain with the company - if they're willing to move to Brazil, India, China or a dozen other low-wage countries. But the expatriate employees likely would be paid local wages as they begin their new lives overseas.
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A questão que levanta no seu comentário, e a que só agora respondo por ter, entretanto, tentado divulgar e comentar os números que caracterizam o beco em que estamos metidos, é de resposta complexa.
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Há dias perguntava-me um amigo meu o que me parecia do caso, para ele intolerável, de um empregador norte-americano querer contratar um técnico altamente especializado asiático para trabalhar nos EUA pagando-lhe um salário bastante inferior ao correntemente pago a técnicos norte-americanos com qualificação semelhante (no caso que me descreveu, a qualificação do asiático até seria superior ao dos norte-americanos).
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Moralmente, parece-me mal, mesmo muito mal, respondi-lhe.
Em termos económicos não posso senão pensar do modo seguinte: o ordenado deverá resultar da negociação livre entre empregador e empregado. Se alguma lei impuser o pagamento de salários aos imigrantes iguais aos que são pagos a nacionais, para funções e com competências semelhantes, os empregadores recorrerão a trabalhadores imigrantes se a oferta de nacionais for insuficiente para satisfazer a procura num determinado momento. O que implica uma travagem na imigração e a sustentação de salários elevados. Com repercussões na competitividade, para além do incremento dos casos dramáticos de emigração clandestina.
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Se assim acontecer, não se movendo os trabalhadores por restrições à imigração, que podem ser salariais ou outras, movem-se as empresas. É o que está a fazer, segundo a notícia que transcreveu, a IBM. Neste caso, a empresa deslocaliza-se para um território onde os salários são mais baixos e onde ela conta com uma suficiente oferta de capacidades locais. Neste caso, a concorrência processa-se em sentido inverso mas as consequências são as mesmas: aos que trabalham em países com salários mais elevados é oferecida a possibilidade de continuarem a trabalhar para a empresa mas num outro país onde os salários pagos são mais baixos.
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Moralmente, como comecei por dizer, estas práticas parecem contrariar os direitos cívicos, e a nossa reacção é condenatória.
Mas, olhando para o outro lado da questão, o que é que vemos?
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Se a imigração é constrangida de modo a salvaguardar os interesses dos residentes dentro das muralhas, a sociedade tende a esclerosar-se por ausência de competição externa. Em Portugal existem neste momento centenas de milhares de trabalhadores estrangeiros e milhões de trabalhadores portugueses a trabalhar no estrangeiro. Ainda há bem poucos dias trabalhadores ingleses se rebelaram contra a entrada de trabalhadores portugueses e italianos.
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No caso da União Europeia, o problema mais delicado do seu funcionamento, e o maior perigo à sua consolidação política, é precisamente a falta de mobilidade do factor trabalho. Contrariamente ao que ocorre nos EUA onde a mobilidade é elevada até porque há uma língua comum, ainda que o espanhol esteja em progressão notável, na UE os constrangimentos à mobilidade do factor trabalho são muitos a começar na diversidade linguística.
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Lamentavelmente, confrontando-se Portugal neste momento com uma dívida externa galopante que será forçada a travar-se, e que está a parar o já débil crescimento económico que se vinha observando, muitos portugueses serão obrigados a emigrar e muitos imigrantes a trabalhar em Portugal obrigados a regressar aos seus países de origem. Ora estes fluxos migratórios não podem deixar de provocar alterações salariais nos países para onde as correntes migratórias se dirigem. Outra hipótese, politicamente inexequível, seria a redução global dos salários em Portugal, independentemente de muitas outras medidas que poderiam minorar a redução ou o desemprego.
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Poderia tudo isto ser planificado de modo a evitarem-se ajustamentos que terão sempre consequências traumáticas e a salvaguardem-se os princípios morais? Talvez possa, mas as experiências tentadas até agora têm-se mostrado desastrosas. Talvez porque
"no hay camino, el camino se hace al caminar"

Monday, January 26, 2009

O OVO DA SERPENTE


O maior perigo que ameaça a Europa não é esta crise, que será transitória, e esperamos que seja de uma transitoriedade curta, mas o racismo e a xenofobia.
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Se a Europa não conseguir evoluir naturalmente para uma sociedade multicultural e multiétnica implodirá uma vez mais numa guerra que, desta vez, a deixará em destroços irrecuperáveis.
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Para evitar que o ovo da serpente ecluda de novo são precisos dirigentes políticos com capacidade para travar a vaga que os energúmenos não deixarão de tentar promover.
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Num ano em que os EUA elegeram como seu presidente o filho de um estrangeiro, seria catastrófico que os europeus não repensassem uma vez por todas que os instintos xenófobos que habitam no corpo de alguns podem destruir irremediavelmente a alma europeia.
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Escrevo isto depois de ler o comentário que colocou aqui a nossa Amiga A., referindo e transcrevendo um artigo publicado no Telegraph :
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Começam os imigrantes a pagar por aquilo que não fizeram. Era de esperar.É muito mais fácil bater 'para baixo' que 'para cima', basta um pequeno incentivo.Mas, parece-me que, desta vez, não vai resultar.

Athens erupts in violence after acid attack on immigrant
Police in Greece clashed with gangs of youths throwing petrol bombs and stones on Thursday night, a month on from the country's worst civil unrest in decades
By Nick Squires / 23 Jan 2009

Police officers in central Athens fired tear gas to dispel the rioters, who peeled off from a protest which had been organised in solidarity with a Bulgarian migrant worker who was attacked with acid last month.Kostadinka Kuneva, 44, a Bulgarian cleaning lady and a union official, is in hospital in a serious condition after the Dec 22 attack by two unidentified men who ambushed her outside her home and threw acid in her face....Thousands of protesters, many of them school pupils and students, took to the streets to protest against police brutality, poor job prospects, low wages and government corruption.Meanwhile thousands of farmers blocked border crossings and main roads on Friday in a fifth day of protests to demand compensation for a drop in agricultural prices.Farmers used tractors to shut border crossings into Bulgaria, Macedonia and Turkey, a day after rejecting a 500-million-euro package from the government.
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O pior, é que a solução do 'inimigo comum' pode escalar e, aí, a História repete-se com muito mais gente envolvida e com armas muito mais sofisticadas.

MALTHUS REVISITADO

Afirma João Miguel Vaz, em comentário a propósito do artigo Japan Works Hard to Help Immigrants Find Jobs, publicado no Washington Post, que citei aqui :
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Discordo em absoluto da noção: a falta de crescimento demográfico é um problema.
O planeta tem gente a mais, especialmente o Norte Ocidental e o Sudoeste Asiático. A pressão sobre os recursos torna-se sim um problema dramático. A procura do crescimento pelo crescimento, mais e mais bens materiais, até ficarmos inanimados por uma obesidade mórbida, e aborrecidos de morte tal é a abundância de tudo e mais alguma coisa. Já no Sul a escassez de recursos conduz à existência de má nutrição de grande parte da população.O problema das nossas sociedades (e do Japão) também é que deixamos de saber viver sem "crescimento económico" i.e. sem estarmos obcecados com "o ter".
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As the world population continues to grow geometrically, great pressure is being placed on arable land, water, energy, and biological resources to provide an adequate supply of food while maintaining the integrity of our ecosystem. According to the World Bank and the United Nations, from 1 to 2 billion humans are now malnourished, indicating a combination of insufficient food, low incomes, and inadequate distribution of food. This is the largest number of hungry humans ever recorded in history. In China about 80 million are now malnourished and hungry. Based on current rates of increase, the world population is projected to double from roughly 6 billion to more than 12 billion in less than 50 years (Pimentel et al., 1994). As the world population expands, the food problem will become increasingly severe, conceivably with the numbers of malnourished reaching 3 billion.

Saturday, December 22, 2007

EUA - UM PAÍS DE IMIGRANTES













São múltiplas, e sempre de difícil abordagem consensual, as questões levantadas pela Imigração . A globalização, que não é um facto novo mas que atingiu nas últimas décadas dimensões sem comparação no passado, veio colocar problemas diferentes daqueles que se observaram quando os fluxos migratórios encontravam nos países de destino grandes espaços atractivos com baixa densidade populacional. Hoje a força atractiva não é principalmente função do espaço disponível mas do diferencial de potencial económico, pelo menos como dele se apercebem os que imigram, entre o lugar de saída e o de entrada. Assim se explica, por exemplo, a inversão da corrente migratória entre Portugal e o Brasil, ou entre a França e a Argélia, entre a Alemanha e a Turquia, entre a Espanha e Marrocos. A globalização provoca alterações significativas na repartição do trabalho a nível mundial, ao mesmo tempo que determina deslocalização de actividades para a Ásia e a redução do emprego cria outras oportunidades de emprego que, raras vezes, os desempregados dos sectores deslocalizados têm capacidade (e às vezes interesse) em realizar.
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Essa alteração estrutural do emprego provoca, naturalmente, alarmes e protestos. Mas também reacções xenófobas, que podem constituir, se não forem prevenidas a tempo, o ninho onde se chocarão os ovos da serpente.
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Porque tudo é reversível mas os custos, muitas vezes, são dramáticos, o artigo que a seguir transcrevo, parcialmente, mas pode ser consultado na íntegra no Washington Post , é da mais perene actualidade e interesse para norte-americanos europeus.
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LOOK BOTH WAYS
The Right Road to America?
By Amy Chua
If you don't speak Spanish, Miami really can feel like a foreign country. In any restaurant, the conversation at the next table is more likely to be Spanish than English. And Miami's population is only 65 percent Hispanic. El Paso is 76 percent Latino. Flushing, N.Y., is 60 percent immigrant, mainly Chinese.
Chinatowns and Little Italys have long been part of America's urban landscape, but would it be all right to have entire U.S. cities where most people spoke and did business in Chinese, Spanish or even Arabic? Are too many Third World, non-English-speaking immigrants destroying our national identity?

For some Americans, even asking such questions is racist. At the other end of the spectrum, the conservative talk show host Bill O'Reilly fulminates against floods of immigrants who threaten to change America's "complexion" and replace what he calls the "white Christian male power structure."

But for the large majority in between, Democrats and Republicans alike, these questions are painful, with no easy answers. At some level, most of us cherish our legacy as a nation of immigrants. But are all immigrants really equally likely to make good Americans? Are we, as the Harvard political scientist Samuel Huntington warns, in danger of losing our core values and devolving "into a loose confederation of ethnic, racial, cultural, and political groups, with little or nothing in common apart from their location in the territory of what had been the United States of America"?

My parents arrived in the United States in 1961, so poor that they couldn't afford heat their first winter. I grew up speaking only Chinese at home (for every English word accidentally uttered, my sister and I got one whack of the chopsticks). Today, my father is a professor at Berkeley, and I'm a professor at Yale Law School. As the daughter of immigrants, a grateful beneficiary of America's tolerance and opportunity, I could not be more pro-immigrant.

Nevertheless, I think Huntington has a point.

Sunday, November 27, 2005

O PRÓXIMO HOMEM E A PRÓXIMA HISTÓRIA


Os motins em França e outras cidades francesas, que depois se estenderam episodicamente a Bruxelas e a outras cidades vizinhas, suscitaram aos analistas políticos um conjunto de explicações que, cumulativamente, incidem:

- no modelo francês de acolhimento e integração de emigrantes;
- no modelo social europeu;
- nas elevadas taxas de desemprego de jovens;

- No modelo francês de acolhimento e integração de emigrantes, nomeadamente dos muçulmanos, por oposição ao modelo americano do “melting pot”, tese esta defendida por F. Fukuyama em artigo publicado no “Público” de 6/11, de que se transcreve a seguir a parte final.

Muitos europeus asseguram que o “melting pot” americano não pode ser transplantado para solo europeu. A identidade, aqui, continua enraizada no sangue, na terra e em memórias antigas partilhadas. Isto pode ser verdade mas, se é assim, a democracia na Europa terá grandes problemas no futuro, á medida que os muçulmanos representam uma parte da população cada vez maior. E se a Europa é, hoje, um dos principais campos de batalha da guerra ao terrorismo, esta realidade terá importância para todo o mundo.”

Por outras palavras: ou temos “melting pot” na Europa ou entorna-se o caldo globalmente; se queremos as vantagens do liberalismo económico e da democracia, temos de adoptar políticas de integração por assimilação e não por compartimentação e, sobretudo, temos que obrigar os jovens a trabalhar.

O “The Economist”, na sua edição de 12/18 Novembro, 2005, faz questão de salientar que, a este respeito, na Europa, o Reino Unido se distingue notavelmente do modelo francês. Nestas coisas os britânicos não gostam de ser menos americanos que os próprios.

“ At the top end, the contrast with multicultural Britain is noticeable. There are now 15 British members of parliament from ethnic minorities, including Muslims …There are no black or brown mainland members of the National Assembly; hardly any black or brown faces on national television…As Nicolas Sarkosy, the interior minister and head of the ruling UMP party, often says, “If we want young Muslims offspring of immigrants to succeed we need examples of success, and not only from football.”
- O modelo social europeu como causa dos distúrbios é uma variante da tese anterior e atribui a culpa, em última instância, ao sistema social europeu que dá o peixe em vez de obrigar a pescar, isto é, se puserem os jovens a trabalhar eles irão sossegar.

- Daí que as elevadas taxas de desemprego de jovens são, ainda segundo o mesmo “The Economist”
“A much greater contributor than Islam to the malaise in the suburbs is the lack of jobs. Mr. Chirac promised in 1995 that unemployment would be his top priority, an assertion repeated ten years on by his new prime minister, Dominique de Villepin, when he took office last May. It is here, not in esoteric disputes over different models of assimilation, integration or multiculturalism, that the biggest differences between France and countries such as America and Britain are to be found. Over the past decade de British and American economies have generated impressive growth and plenty of new jobs; the French economy has failed on both counts.”
E refere os números do rastilho da revolta em França:

desemprego em França 10%
desemprego jovens 22%
desemprego jovens muçulmanos 40%

Os muçulmanos representam 10% da população total francesa
Mais de metade da população nas prisões francesas é muçulmana
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Segundo as mesmas fontes (Economist cit. Eurostat; US Bureau of Statistics ) o desemprego dos jovens, entre os 15 e os 24 anos, apresentava noutros países os valores seguintes:

Itália 24%
Bélgica 23%
Espanha 21%
EU 25 18%
EUA 12% (entre 16 e 24 anos)



Quando, há 13 anos, foi editado “The End of History and the Last Man” de F. Fukuyama a obra foi muito aplaudida no seu lançamento mas viria a necessitar da parte do seu autor uma série de retoques mais ou menos profundos. Fukuyama, professor de Economia Política na Universidade de Johns Hopkins, foi, em certa medida, obrigado a dar o dito por não dito ou a dizer que afinal era outra coisa que queria ter dito.

Passou-se o mesmo com a “Nova Economia” e o anúncio precipitado do fim dos ciclos económicos.

E quem é que imaginaria, há ainda pouco tempo, que um vírus da gripe se vai modificar e pode matar milhões de vidas humanas? À medida que o conhecimento avança os deuses vão-nos colocando armadilhas no caminho.

Fukuyama, apesar do seu incontestado prestígio, já se tem enganado e não está provado que, apesar do “melting pot”, os Estados Unidos não possam vir a defrontar problemas idênticos aos que a França actualmente enfrenta. Sempre que a actividade económica abranda nos EUA aumentam os índices de criminalidade urbana.

Steven D. Levitt, da Universidade de Chicago, galardoado com a John Bates Clark Medal, atribuída de dois em dois anos ao melhor economista com menos de quarenta anos, publicou este ano “Freakonomics”, onde além do mais, dá conta dos resultados a que chegou acerca das consequências da adopção da lei do aborto nos Estados Unidos sobre a criminalidade urbana, concluindo que a lei do aborto teve efeitos decisivos na redução da taxa de criminalidade urbana por ter diminuído o número de adolescentes desintegrados.

Os recentes acontecimentos nos subúrbios de Paris e outras cidades francesas, não ocorreram seguramente apenas porque, sendo os amotinados muçulmanos ou franceses filhos de emigrantes de outras origens e credos, não estão representados nos órgãos do poder, não fazem parte das forças da ordem, vivem acantonados e não em “melting pot”. O rastilho ateou-se no facto de se sentirem a mais. O “melting pot” poderá conter temporariamente a chama da revolta mas não a evita em definitivo se forem de mais os que se perguntarem,

que faço eu aqui?
Níveis de desemprego, a rondar os 40%, põem muita gente a pensar mesmo que tenham garantida casa, mesa e roupa lavada. E quando um homem se põe a pensar…



PRIMEIRO HOMEM E A PRIMEIRA HISTÓRIA

Toda a gente, ou quase, sabe que a primeira história começa no Jardim das Delícias, a única discussão possível acerca do assunto é onde ele ficava, mas é uma discussão peregrina porque ainda subsistem hoje recantos do tal jardim, onde o homem caça e pesca e come os frutos que a natureza lhe põe ao alcance da mão. O primeiro homem ter-se-á portado mal, o tal pecado original, foi expulso e obrigado a ganhar o pão com o suor do seu rosto.
Mas o mais certo é que se tenha posto a pensar e a pensar tenha complicado a sua vida.

Num dia de trovoada, caiu um raio que pegou fogo à floresta. Depois choveu, o fogo apagou-se e, no rescaldo, o homem encontrou a caça assada. O odor do assado arregalou-lhe as narinas e o primeiro homem concluiu que a caça no carvão era mais saborosa e tenra que a carne crua.

E pensou, pecado original, que melhor seria guardar o fogo aceso quando por lá caísse outro raio incendiário.

Depois concluiu que o fogo, além de assar a carne lhe aquecia a caverna. Tomou-lhe o gosto e tornou-se sedentário à volta do seu fogo. Passou a semear e a colher os seus frutos. Nasceram as comunidades e apareceram os chefes, depois os sacerdotes e os militares, as guerras, as pilhagens, as pragas, os sacrifícios aos deuses e aos outros.

Sem dar bem por isso, às tantas era escravo, depois servo da gleba, proletário, o mundo era outro e o homem pensou e revoltou-se, tinha trabalho a mais e frutos a menos.

O SEGUNDO HOMEM E A SEGUNDA HISTÓRIA

Foi então que alguém pensou: se o homem se revolta por trabalhar demais vamos inventar máquinas para produzir mais e pôr o homem a trabalhar menos.

Inventaram-se as máquinas e com elas a produtividade, um simples quociente entre o que é produzido e os meios utilizados nessa produção. Com as máquinas aumentaram as produções e as produtividades dos homens que as conduzem. Tanta produção gerou a concorrência, e a concorrência novas máquinas e outros meios de produção, maiores produções, melhores produções, outros produtos, maiores produtividades, maiores produções, mais concorrência, alargaram-se os mercados, o mundo tornou-se cada vez mais pequeno, globalizou-se.

E agora, homem?

O TERCEIRO HOMEM E A TERCEIRA HISTÓRIA

Agora cerca de 2% da população activa seria suficiente para produzir os bens alimentares suficientes para alimentar todos os habitantes do mundo. Se tal não acontece não é por falta de meios mas por outras razões.

Nas sociedades economicamente mais desenvolvidas o número de pessoas empregadas no sector primário ronda os 2% mas se forem removidos as barreiras alfandegárias aos produtos das nações mais desfavorecidas aquele valor, já muito baixo, vai reduzir-se.

No sector secundário, o tal que faz as máquinas e produz a energia que substituem o homem, a perseguição da produtividade vai, mais dia menos dia, determinar que não há lugar para mais de 3% da população activa para produzir tudo.

Os serviços terão, então, 95% da população activa ao seu dispor.


O FIM DO HOMEM E A ÚLTIMA HISTÓRIA


A concorrência entre produtores de serviços está em fase de globalização, mas não tão adiantada.
A produtividade dos mais eficientes determinará a localização da produção dos serviços e o número de servidores. Um dia destes haverá lugar, na produção de serviços, quanto muito, para 30% da população activa.

Que farão os 65% restantes?

O trabalho tornar-se-á um bem escasso, a procura (por parte de quem quer trabalhar por não saber fazer outra coisa) excederá brutalmente a oferta de oportunidades. Os manuais de Economia ensinam, logo nas primeiras páginas, que quando a procura excede a oferta os preços aumentam. Se assim é, um dia (sabe-se lá quando) quem quiser trabalhar terá de pagar para experimentar esse gozo limitado. Teremos a economia ao contrário.

Dito de outro modo: Os governos, quase todos os governos, inscrevem nas suas promessas eleitorais a prioridade na criação de empregos. Mas em geral falham. Mas falham, sobretudo, porque globalmente o trabalho está em vias de extinção

Há quem seja de opinião contrária: a produtividade não elimina o emprego, aumenta-o. E apontam, a título de exemplo, os Estados Unidos. A criação de emprego nos Estados Unidos é, contudo, outra história. O crescimento do número de empregos criados nos Estados Unidos, quando ocorre, não decorre substancialmente do aumento de produtividade mas do, até agora, inesgotável afluxo de poupanças provenientes dos grandes aforradores e gabirus do mundo. Voltaremos a ela.

Outros garantem que a descoberta de novas tecnologias induz a criação de novos produtos e de novos serviços. O que é certo. Nenhuma tecnologia, porém, aumenta mais um minuto sequer a cada dia: temos todos 24 horas por dia para consumir, seja o que for. Podemos é desperdiçar ou destruir a uma cadência que 24 horas podem chegar e sobrar.


O HOMEM E A HISTÓRIA, HOJE


Quem consultar http://hdr.undp.org/ terá diante de si o relógio do horror mundial:

CHILD MORTLITY: HUMAN COST OF MISSED TARGETS

CHILDS DEATHS SINCE JANUARY 1st. 2005 9096000 (às 15 horas de 27/11/2005)

Durante o minuto em que consultei o site morreram 20 crianças em todo o mundo, a maioria delas por fome. No mesmo minuto os programas de assistência das Nações Unidas conseguiram salvar 3 crianças.

É assim o mundo que habitamos: revoltam-se e incendeiam milhares de carros milhares de jovens que, sem trabalho, se sentem a mais; morrem milhões de crianças porque não trabalhamos o suficiente para as salvar.

O fim da história será o fim do homem; que ninguém se ponha à espera do último homem, mas invente o próximo. O próximo homem da próxima história.