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Tuesday, August 31, 2021

Sunday, June 04, 2017

OS TERRORISTAS E OS FARSANTES

"May say´s "enough is enough after London Bridge terror attack"

Transportavam-se numa "van" e atiraram o veículo contra os que passavam nas proximidades do acesso à London Bridge. O meio utilizado pelos fanáticos islâmicos, alucinados por promessas pregadas em locais públicos ou transmitidas nas (mal) designadas redes sociais voltou a repetir-se, Desta vez os criminosos, três, depois de atravessarem a ponte, saíram do veículo e esfaquearam quem encontraram pela frente. Sete mortos e quarenta e oito feridos é o resultado diabólico deste terceiro massacre perpetrado nos últimos três meses em Londres. 

"É uma farsa, o terrorismo é uma farsa", ouvi há dias clamar a quem ficou aliciado por certa extrema -esquerda enquanto jovem, e lá permanece, contrariamente a outros que saíram há muitos anos já pela direita baixa. 
- Uma farsa?!! Tu chamas "uma farsa" à chacina de que temos agora quase todos os dias notícias, e que parece imparável porque é perpetrada por mentes alucinadas em nome de Deus? Pode acontecer em qualquer local, pode um dia destes acontecer ali em baixo, no Chiado?
- Chamo, chamo, este terrorismo é uma farsa promovida pelo capitalismo monopolista, acredita. 

Desisti de argumentar.
Hoje, a ler esta reportagem do Financial Times, que refere o aproveitamento de Trump, a propósito deste atentado, para fechar as fronteiras dos EUA a vários países islâmicos, mas não à Arábia Saudita, que é sustentáculo financeiro dos terroristas sunitas, com quem há dias Trump selou a venda de cem mil milhões de dólares de armas, tropeço outra vez nesta dúvida silogística: Se Trump vende armas aos sauditas que, por sua vez, apoiam os terroristas, e Trump quer encerrar fronteiras a vários países islâmicos mas não aos sauditas, o que é Trump senão um farsante?
E todos quantos produzem ou traficam armas, e depois choram lágrimas de crocodilo, o que são, se não farsantes?
E os islâmicos que dizem pregar pela paz mas que, por medo ou outra razão qualquer, não condenam abertamente nos locais de culto estas barbaridades cometidas em nome do mesmo Deus que eles também veneram?

Argumentar-se-à que estes fanáticos alucinados não usam armas made in USA ou made in outro-país- qualquer, porque as fazem em casa ou usam carros ou camiões contra quem passa ou se concentra em ruas ou praças, mas o argumento esquece que a inspiração destes islâmicos fanáticos está nos sucessos que obtiveram em largos espaços do Médio Oriente onde o islamismo é quase o único credo consentido.

Não, definitivamente, o terrorismo não é uma farsa, mas que envolve grandessíssimos farsantes que orbitam à volta de interesses monopolistas é uma realidade comprovada. 

Thursday, June 01, 2017

PORTUGAL, UM PAÍS PACÍFICO

No Global Peace Index 2017, do Institute for Economics and Peace, um Think tank  com sede em Sydney, Austrália,  que acaba de ser divulgado, Portugal é o terceiro país mais pacífico num ranking que abrange 163 países, onde a Síria ocupa a última posição, a Rússia o 151º. , a China o 116º e os EUA o 114º.




Insha´Allah não se lembrem os terroristas de nos estragar o feito. 
Quase diariamente chegam notícias de ataques que dizimam inocentes. Há dias em Manchester, ontem em Cabul, hoje em Manila, os carniceiros aparecem nos mais diversos cantos do mundo.
E ninguém sabe como parar ou conter sequer a progressão das atrocidades. 
Aqueles que poderiam dissuadir os loucos persuadidos de um além de virgens, não o fazem, por medo ou mal dissimulada conivência. São estes que as sociedades ameaçadas devem denunciar e legalmente obrigar a evidenciar de forma inequívoca de que lado, afinal, se encontram.

Saturday, January 28, 2017

A VIDA, PELO PARAÍSO

Hà dias, anotei aqui uma leitura possível do "Silence" de Scorsese. Hà outras, mas a minha atenção foi sobretudo mobilizada para as razões, muito explícitas no filme, que explicam o relativo sucesso dos missionários jesuítas, em meados do século XVII, na conversão ao cristianismo de japoneses vivendo em condições miseráveis em povoações costeiras e as crueldades da perseguição que  lhes foi movida pelas autoridades locais: os missionários garantiam um além vida pleno de felicidade que as espiritualidades tradicionais (xintoísmo, budismo) não teístas não ofereciam.

Outra perspectiva aponta para as crueldades cometidas  em nome de Deus pela humanidade contra si mesmo. Mais ou menos nos anos em que decorrem as atrocidades contadas no filme a Inquisição perseguia os judeus em Portugal e Espanha* de forma mais extensiva e sem razões de concorrência imperfeita que ameaçava os monges espirituais no oriente. Em nome de Deus foram, são e continuarão a ser, porque nenhuma mudança desta índole humana se perspectiva para o futuro, cometidos os mais bárbaros e irracionais comportamentos. 

Pelo contrário, assiste-se agora a um recrudescimento do fanatismo religioso, não menos violento em crueldade e vítimas do que aquele que varreu de ódio os séculos passados. 
Ontem contaram-se 72 anos sobre a data da libertação de Auschwitz. Por estes dias voltarão os media a dar conta de atentados islâmicos, geralmente cometidos por terroristas suicidas convencidos que no além vida os espera uma vida de felicidade infinita. 
Entretanto progridem os aplausos aqueles que propõem o regresso às barricadas nacionalistas para o combate racista, xenófobo, chauvinista, esquecendo que o planeta é fisicamente limitado mas, para o eventual uso letal dos progressos da ciência, cada vez mais pequeno. 


Na edição de ontem do Público, Bagão Félix, a propósito de "Silêncio" pergunta aqui

"No meio de tantas provações e devastação de vidas, o que levou homens e mulheres a crerem? Como se alcançou uma tão inalienável fé por Deus, com Deus e em Deus? Como viram no seu Cristo o farol da conversão, o esplendor da compaixão, o ícone quase uterino da absolvição e da purificação? Como se explica o martírio como a mais gloriosa morte a que aspiravam?"

Pergunte aos bombistas suicidas do Daesh, por exemplo.

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O Judeu, de Camilo Castelo Branco, para quem esteja interessado na leitura de um romance centrado na vida de António José da Silva, escritor, dramaturgo, condenado à morte na fogueira com 34 anos em 1739. 


Friday, August 26, 2016

E SE O BURQUÍNI FOR BEM JUSTO E DE COR DE PELE?

A. Cristóvão,


Quando li a notícia pela primeira vez, reagi pensando que os franceses estavam a comprar uma guerra absurda. E considerei até que se tratava de um ardil achado para contornar a falta de liberdade imposta pelos islâmicos às suas mulheres. Neste sentido, o burquíni seria uma manifestação de emancipação, um sintoma de fuga à subjugação a que estão submetidas as mulheres no Islão.

Mas mudei de opinião porque percebi, por empatia, que a revolta dos franceses, aterrorizados pelos fanáticos que pretendem impor ao ocidente valores que nos repugnam, não é contra o burquíni mas contra o símbolo que eles vêem exibido no seu meio.

São livres as mulheres islâmicas de vestir o que bem entendem?
Todos sabemos que não são, ainda que, provavelmente, a grande maioria delas afirmem o contrário. Temos nós, os ocidentais, o direito de lhes impor os nossos valores?
Temos, pelo menos, o direito de no nosso solo impedir que outros nos imponham os seus com actos de terror.

O burquíni é um débil exemplo de subordinação feminina? É. E, pode até, como disse no princípio, ser entendido como sintoma de emancipação.
Se não estivesse o mundo ocidental ameaçado pelos actos tresloucados de gente que bebe em interpretações corânicas  o elixir de uma vida abençoada num céu de virgens.

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Correl . -‘Burkini’ Inventor Says Sales Have Skyrocketed on Heels of Controversy -  aqui
- Justiça francesa suspende proibição do burquíni
- Sarkozy promete proibir burquíni em França se for novamente eleito presidente em 2017



Thursday, January 28, 2016

SUBMISSÃO*

"As autoridades italianas cobriram várias estátuas de nus nos Museus Capitolinos, em Roma, para evitar possíveis ofensas durante a visita de Hassan Rouhani, presidente do Irão. Segundo as imagens divulgadas pela imprensa internacional, Matteo Renzi e Rouhani foram fotografados junto a uma estátua equestre do imperador Marco Aurélio, enquanto à volta os exemplos de nus surgiam cobertos por grandes painéis." - vd. aqui
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* "Submissão" é também o título do livro de Houellebecq que comentei aqui.
Não sei de outra palavra que resuma melhor a postura de cócoras da cultura ocidental perante a obtusidade civilizacional da cultura islâmica actual.
Curiosamente, em Novembro passado, voltaram a ser expostas no Museu de Arte Contemporânea de Teerão, vd. aqui, as obras de arte coleccionadas pela mulher do Xá,  que se encontravam encerradas num cofre forte desde 1979. Valeram a estas obras agora libertadas - de Picasso, Rothko, Warhol, Pollock, Gauguin, Bacon, e vários outros - não despertarem  aos olhos dos clérigos islâmicos concupiscência que os motive. 

Hitler mandou queimar as obras de arte contemporânea que lhe estavam ao alcance por as considerar "arte degenerada". 
Khomeini só as mandou para a prisão num cofre forte, e Hassan Rouhani libertou-as 36 anos depois. Houve progresso, esperemos que não haja retrocesso.


Saturday, January 02, 2016

MATAI OS OUTROS E A VÓS MESMOS

O Economist,  em artigo datado do último dia de 2015 - Asking what God would want really does seem to curb prejudice - recomendava, como bom assunto para acompanhar a ceia do fim do ano, um debate provocado pela afirmação de que a religião divide as pessoas e inspira-as para o mal, uma afirmação a que parece não faltarem provas. Não arrisquei a recomendação. 

Como contraprova da evidência dos argumentos que preenchem diariamente largos espaços dos media e colocam o mundo em quase constante sobressalto relembra o articulista as acções de caridade e solidariedade por motivação religiosa. E cita um estudo de opinião que conclui pela quase irrelevância da influência do credo religioso nas relações individuais entre vizinhos. 




Hoje é notícia que, vd. aqui, foram executados na Arábia Saudita 47 indivíduos entre os quais um proeminente clérigo xiita. O Irão já ameaçou que a execução vai custar cara aos sauditas.
E é ,daquele lado, mais ou menos assim, desde há catorze séculos com raros períodos de tréguas.
Deste lado e dos outros, também não faltam exemplos de destruição mútua e alheia  feita pelo cúmulo da estupidez humana em nome de Deus.



Friday, December 18, 2015

TRUMP E OS OUTROS

Trump vai de vento em popa.
Os resultados de uma sondagem publicados no Washington Post de há quatro dias atrás revelam que, vd. aqui, "uma clara maioria (60%) de norte-americanos opõe-se à proibição de entrada de muçulmanos no país proposta por Donald Trump, mas a maioria dos Republicanos (59%) aprova-a."
.
Por outro lado, a mesma sondagem atribui a Trump, vd. aqui, 38% das intenções de voto dos Republicanos, bem longe dos 15% do segundo melhor classificado. 
Aonde quer que se desloque, Trump arrasta os media e estes motivam multidões de seguidores que o aplaudem entusiasmados e se sobrepõem às vaias de alguns opositores temerários que apareçam para estragar a festa. Aconteceu ontem, vd. aqui. em Phoenix (Arizona), nada sugere que ao movimento Trump sustentado basicamente na mensagem xenófoba, contra os sul-americanos e os islâmicos, se venha a opor com sucesso alguma tentativa interna para o desalojar como candidato dos Republicanos nas eleições presidenciais de 8 de Novembro do próximo ano.

Pelo contrário, os outros candidatos estão a aceitar jogar no campo e segundo as regras que Trump escolheu, a questão da segregação na imigração está a sobrepor-se a qualquer outro tema. E quanto mais ele exacerba o discurso xenófobo mais aumenta a distância que o separa dos restantes. 

Na Europa, e não só em França, ainda que sejam mais perceptíveis os confrontos que ali se observam,
os dramas dos refugiados procedentes de países islâmicos sensibilizam uns mas aperreiam as animosidades de outros. E em França, Marine Le Pen progride nos resultados eleitorais, obrigando os outros a inclinarem-se para as suas propostas. Marine como Donald ou, porque foi ela quem deu o mote, Trump como Marine. 

A propósito da vaga populista anti-imigração, lia-se, aqui, no Economist desta semana (The march of Europe´s little Trumps) que os partidos xenófobos foram durante muito tempo ostracizados pelos partidos dominantes. E relembra que os grupos populistas anti-imigrantes começaram a formar-se na Europa na década de 60 quando começaram a aquecer os debates sobre o Islão e a integração de imigrantes islâmicos. Os choques provocados pela introdução do euro vieram impulsionar o euro cepticismo e a relançar o debate anti-imigração, colocando-o no centro das atenções e dos confrontos ideológicos com a entrada massiva de refugiados à procura de abrigos na Europa. 

Para onde caminhará o mundo comandado por Trump dum lado e Le Pen do outro, ninguém sabe. 
Esperemos que essa hipótese, possível, não se concretize. 
Os partidos populistas não podem ser ignorados, conclui em título o artigo cit. do Economist.
Falta saber como confrontá-los.

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Ainda a propósito deste tema, dois artigos publicados em Maio de 2013 no Washington Post merecem uma leitura atenta: 


Mudaram-se as vontades assim tanto nos dois últimos anos?


(clicar nas imagens para aumentar)







Na foto - Menores sul-americanos são capturados pela polícia do Texas quando tentam atravessar a fronteira dos EUA com o México

Sunday, November 22, 2015

EM NOME DA ARTE


Em 1979 uma revolução islâmica destronou o Xá Reza Pahlavi e, de Paris, onde se encontrava exilado, chegou a Teerão para assumir as funções de chefe supremo do novo regime o Aiatola Khomeini.  Entre outras medidas tomadas pelo Aiatola para erradicar da sociedade iraniana os vícios e as blasfémias das sociedades ocidentais foram encerradas numa caixa forte do Museu de Arte Contemporânea de Teerão obras de Picasso, Rothko, Warhol, Pollock, Gaugin, Bacon, ente outros, que Fara Pahlavi (Fara Diba), mulher do Xá, tinha adquirido para rechear o museu ajudara a fundar. 

Desde anteontem, as obras encerradas desde 1979 voltaram a poder ser vistas pelo público. 
Para mais detalhes sobre o acontecimento que parece confirmar uma evolução apreciável na aproximação do Irão aos valores ocidentais, vd. aqui, e, p.e., também aqui e aqui.

A paz, em nome da arte.