Tuesday, October 31, 2023

Saturday, October 28, 2023

E CONTINUÁMOS FELIZES FIÉIS COMUNISTAS

 
O SOL DO FUTURO, na tradução portuguesa do título original italiano "IL SOL DELL´AVVENIRE", é a mais recente realização de Nanni Moretti, insatisfeito por produzir/realizar tão pouco.
A motivação de agora é a Revolução Húngara de outubro de 1956, esmagada menos de um mês depois pelos tanques soviéticos. Nanni Moretti, enredado em dúvidas (e dívidas) sobre a forma como concretizar o seu objectivo artístico e no relacionamento com a sua mulher, também ela envolvida na arte cinematográfica, acaba por terminar o filme com uma saída irónica (só pode ser irónica) que resume as consequências das fracturas que a revolução húngara de 1956 teve no movimento comunista internacional, com particular incidência nos países não abrangidos pela constelação soviética: estamos com os que combatem pela liberdade em Budapeste mas continuamos fiéis ao nosso partido. 
O drama vivido em Budapeste naqueles breves dias de uma revolução abafada que matou mais de 2,5 mil soldados húngaros e cerca de 700 soldados soviéticos e causou mais de  200 mil refugiados húngaros, prisões em massa e denúncias que continuaram durante meses, não faz parte do guião de Nanni Moretti.
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É curiosa a coincidência de há já muito tempo o governo húngaro após a fragmentação da União Soviética ser hoje, para além de membro materialmente interessado na União Europeia, um descarado apoiante do regime em Moscovo e admirador da sua política tendencialmente totalitária. 
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Correlacionados - 

                                                                  O SOL DO FUTURO

"Giovanni é realizador e marido de Paola, uma produtora de cinema com quem trabalha há anos. Enquanto ele se dedica a uma longa-metragem sobre a Revolução Húngara de 1956, ela começa a trabalhar numa outra produção cinematográfica, algo que o deixa bastante ressentido.

E tudo parece estar contra o projecto de Giovanni: a indústria cinematográfica enfrenta mudanças de paradigma difíceis de contornar, o seu casamento aparenta alguns sinais de estar em crise e o co-produtor do seu filme está à beira da falência. Com tudo isto a acontecer ao mesmo tempo, ele vê-se a repensar a forma como encara a vida e a própria arte, a quem se entregou de corpo e alma." - c/p aqui


Wednesday, October 25, 2023

UM TIRO BASTA PARA MATAR MUITA SORTE

 

GOLPE DE SORTE

Ele era um tipo muito bem sucedido, rico, muito rico, que fazia fortunas para ele e, dizia ele, também para outros. E tinha uma mulher encantadora.
Tinha sorte, pois tinha, dizia ele, porque fazia por isso, pela sorte. 
Até ao dia em que morreu atingido por um tiro fortuito quando andava, com a sogra, a caçar veados.
E mais não digo.
 
***

 

 

 

Monday, October 23, 2023

QUEM TE MANDOU A TI SAPATEIRO TOCAR RABECÃO?

Santa Casa cancela parceria com Banco de Brasília para explorar jogo e lotaria 

Ana Jorge tomou decisão para não perder mais 14 milhões. Auditoria externa revelou que Santa Casa Global tem uma rede de cinco empresas e 11 sócios no Brasil.

Aposta nas NFT depois de meio milhão investido também acabou - aqui

"Depois de investir meio milhão de euros num projecto para entrar no mercado de arte virtual dos NFT, sigla inglesa para a expressão non-fungible token — um bem virtual único, que não pode ser substituído ou trocado — e de as vendas estarem há mais e um ano e meio paradas, a SCML decidiu encerrar de vez a Artentik.
Foi em Dezembro de 2021 que a SCML lançou este empreendimento, que disponibilizava gémeos digitais de várias relíquias do Museu de São Roque e de outras peças da colecção de arte sagrada da Santa Casa da Misericórdia de Lisboa. A ideia era “angariar receitas que pudessem ser aplicadas no trabalho diário em prol das boas causas, enquanto dava continuidade ao seu extenso apoio, de 500 anos, aos mais desfavorecidos”.
O plano inicial era para apostar quatro milhões. O projecto terminou, conÆrmou ao PÚBLICO a SCML.
O primeiro sinal de alerta de que as coisas não estavam a correr bem foi dado num relatório de avaliação ao primeiro mês de venda das NFT, a que o PÚBLICO teve acesso, que revelava que apenas tinham sido feitas 15 vendas, no valor total de 6200 euros. A classiÆcação do resultado foi “fraco”.
O relatório foi elaborado pela Boloro Global Limited, a empresa americana com a qual a SCML fez a parceria para desenvolver o projecto.
Explicava que o projecto enfrentava vários problemas, um dos quais relacionado com o facto de ser o primeiro a criar uma plataforma que disponibiliza arte digital para uma boa causa, mas que se resolvia se fosse investido mai s dinheiro.
Segundo a Boloro, era preciso, por exemplo, dar a conhecer a Santa Casa a nível internacional e apostar na publicidade.
Porém, o que se seguiu contrariou todo o plano de negócios. Como a Santa Casa não via vendas, começou a recuar no investimento. No Instagram e no Facebook, as últimas publicações da Artentik remontam a Abril ou Maio de 2022. O próprio site da empresa entrou em remodelação e assim continua
até hoje."

 

 

Friday, October 13, 2023

POSTAIS DE BERLIM

 

Martin Luther fundador do Protestantismo Reformador, tinha uma estátua em Berlim erigida em 1895. No final da década de 30, o processo revolucionário comunista removeu a estátua de Lutero e colocou uma a glorificar Vladimir Lenine. A estátua de Lutero viria a ser recolocada no local original em 1945 e ali se mantém desde então.

 
"Best bad food in town"
A jovialidade que tanto nos espantou durante a nossa primeira visita a Berlim, em 1986, três anos antes do derrube do muro pareceu-nos desvanecer-se a partir de 1989, ano em que visitámos o muro pela segunda vez, entretanto derrubado. Que levava tanta a gente jovem a exibir uma alegria estranha? Estranha porque viviam, rodeados por um muro (uma prisão ...) de onde se saía ou entrava  quase exclusivamente por via aérea. Parecia paradoxal. 
Agora, o muro (a parte dele não derrubada ou reconstruida) continua a ser atracção turística mas sem a alma que habitava nos corações felizes por viverem em liberdade, porque foi escavacado pela alegria dos alemães separados durante 28 anos, desde a madrugada de 13 de agosto de 1961 a 9 de novembro de 1989.
É a banalização da liberdade; Só lhe damos valor quando se perde. 

 
Sansoussi, em Potsdam


Ponte dos Espiões, era esta, na estrada que liga Berlim a Potsdam. Na Conferência de Potsdam decidiram os aliados a forma de administrar a Alemanha e a divisão de Berlim entre eles.

Palácio do Reishtag

Arquitectura moderna em Berlim

 

CUBE Berlin smart office building


Berlim, Rathaus

 


O mais imponente museu de Berlim,  Pergamonmuseum, e também o mais visitado, não vai poder ser visitado durante os próximos anos. Fecha para obras de renovação. 

Quem quiser ter uma ideia do que era o altar de Pérgamo no seu sítio original, pode ver uma encenação a uma distância próxima: Pergamonmuseum. Das Panorama

more: here


  Curiosidade: O primeiro semáforo europeu foi colocado em Berlim em 1924. Ainda lá está.



Thursday, October 12, 2023

O MURO

 
Em 1986 decidimos dar um salto a Berlim.
Dar um salto tem, neste caso, razão de ser, no sentido de uma visita que não passou, desde Lisboa, por qualquer outro lado, salvo uma mudança de voo em Munique.
Poderíamos ter ido de carro, como tantas vezes tínhamos feito, e continuámos a fazer, mas a viagem seria longa, com requisitos burocráticos, e para o tal salto não tínhamos mais que uma semana.
Gorbachev tinha anunciado medidas que iriam ter um impacto, que se tornou irreverssível, no modo como se propunha tornar transparente (Glasnost) a política na União Soviética e abrir e reestruturar toda a sua economia (Perestroika). 
Nunca se tinha ouvido, vindos de leste, anúncios revolucionários da sociedade soviética, embalada numa modorra que, se dava às populações segurança de emprego, saúde e habitação, claramente fracassava na produção de alimentação suficiente, uma situação que popularizava o anedotário sobre filas de gente à espera para encher os sacos, geralmente pequenos.

E, para ver o que se passava fomos a Berlim.
Fomos a Berlim Ocidental, com um pequeno salto a Berlim Oriental, num circuito de meio dia saindo no Checkpoint Charlie e voltando pelo mesmo ponto.
O que vimos em tão pouco tempo: avenidas largas, estátuas de enaltecimento da Revolução de 1917, com particular destaque para Lenine. 
E o Pergamon Museum, que deve o seu nome ao conjunto reconstruido de ruínas encontradas da cidade de Pérgamo, uma cidade rica e poderosa na Eólia, que hoje se chama Bergama e fica em território turco. O Pergamon Museum não é apenas o altar de Pérgamo, possui outros tesouros históricos o mais reverenciado é o busto da rainha do Egitpto faraónico.
Percebeu-se que a vida em Berlim Oriental era pacata e, à espera de saída no Checkpoint Charlie fomos atendidos, para beber um café, por uma funcionário nitidamente desmotivada.
 
Em Berlim Ocidental havia uma exuberância de música, uma alegria incomum em cidades como Paris ou Londres naquele tempo. 
Tínhamos marcado hotel nas proximidades da catedral bombardeada, quase totalmente destruída durante a Segunda Grande Guerra e, as nossas excursões a pé, nomeadamente para visitar o muro de separação, partiam dali. 
Da janela do quarto, avistávamos, à noite, a Berlim Oriental mal iluminada. Do lado de cá, a iluminação era feérica, e a música continuava a entrar no quarto até horas tardias.
Tanto frenesim deste lado, pensámos, vai mais tarde ou mais cedo derrubar as barreiras que separam os dois lados de Berlim.
 
E o muro foi derrubado a partir de uma autorização em 1989 que permitia a travessia sem risco de levar um tiro, logo aproveitada pelos alemães dos dois lados para destruírem o muro.

Voltámos a Berlim em 1990.
Ainda havia gente junto ao muro a escavacar o que sobrava dele. Pedaços do muro eram vendidos como relíquias.

E voltámos a semana passada, trinta e três anos depois da primeira visita, com a guerra fria ultrapassada e os mísseis a destruírem, ainda longe dali, mas sabe-se lá durante quanto tempo, pessoas, velhos e novos, construções militares e civis.
Pequena parte do muro ainda lá continua, segundo depreendi, em parte recolocado após a destruição quase total. Ninguém vai a Berlim sem ver o que resta do muro.
Berlim sem muro, agora não seria a mesma.
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Se as pessoas soubessem quanto pouco cérebro está a governar o mundo, morreriam de medo - Ivo Andrić (Nobel da Literatura - 1961)

Saturday, September 30, 2023

ARTE SEMI ARTIFICIAL É ARTE?

"A orfandade das obras digitais" é o título de um artigo da autoria do habitual colunista no Público Francisco Teixeira da Mota.

É suficientemente elucidativo da questão que, com muita propriedade, o conhecido advogado de causas polémicas abordou o tema do ponto de vista que suscita o interesse de um jurista.

Procurei na net informação mais detalhada sobre o tema, encontrei um artigo no NYT de que transcrevo endereço e as linhas iniciais para abrir o apetite por coisas destas.

Que cada um, julgue por si.
Eu julgo que, por este andar, a humanidade um dia destes acaba por se procurar e não se encontrar.


An A.I.-Generated Picture Won an Art Prize. Artists Aren’t Happy. - c/p New York Times

“I won, and I didn’t break any rules,” the artwork’s creator says.

This year, the Colorado State Fair’s annual art competition gave out prizes in all the usual categories: painting, quilting, sculpture.

But one entrant, Jason M. Allen of Pueblo West, Colo., didn’t make his entry with a brush or a lump of clay. He created it with Midjourney, an artificial intelligence program that turns lines of text into hyper-realistic graphics.

Mr. Allen’s work, “Théâtre D’opéra Spatial,” took home the blue ribbon in the fair’s contest for emerging digital artists — making it one of the first A.I.-generated pieces to win such a prize, and setting off a fierce backlash from artists who accused him of, essentially, cheating.

Reached by phone on Wednesday, Mr. Allen defended his work. He said that he had made clear that his work — which was submitted under the name “Jason M. Allen via Midjourney” — was created using A.I., and that he hadn’t deceived anyone about its origins ...

Thursday, September 28, 2023

UM NOVO PILAR PARA A SEGURANÇA SOCIAL

A Segurança Social, garantem os pessimistas, tem o futuro ameaçado. 
Tem carência de pilares, garantem os liberais. Falta-lhe a constituição do pilar por conta própria, retirando ao Estado o monopólio da segurança social colectiva. 
E todos parecem ignorar que, com muita evidência pública, milhões de portugueses há largos anos  se encostam ao pilar dos jogos de azar sem receio dos tombos que a sorte dá.

A Santa Casa da Misericórdia de Lisboa anda há anos sem conta a fazer com que a sorte acerte em alguns multimilionários à custa de milhões que não sabem fazer contas, convencidos que a sorte um dia acerte neles. 
Segundo as notícias, que só ignora quem quer ignorar, os alvos e as vítimas da raspadinha e de outros jogos de azar são, na esmagadora maioria dos casos, pessoas idosas e fracos, se alguns, rendimentos. 
O vício do jogo que promete fazer de cada jogador um multimilionário, se a tômbola é larga, ou um felizardo por um dia, se for estreita, provoca rupturas sociais que, recentemente, foram abordadas nos meios formais de comunicação social.
Que fazer para que a raspadinha não seja, em muitos casos, um vírus multiplicador de miséria material ou mental?
 
Sabia-se há já muito tempo que o governador da Santa Casa se tinha metido em novas aventuras de azar e perdido, por conta da Casa, uns largos milhões. Saiu o desgovernador e entrou, na expectativa de endireitar o desgoverno, a ex-ministra da Saúde, médica, Ana Jorge.

Ontem soube-se,
A provedora da Santa Casa revelou que a autorização inicial para o investimento no projecto da internacionalização era de apenas cinco milhões de euros e foram gastos 27 milhões."
 
Hoje soube-se,
É mais um jogo a ser lançado, desta vez destinado a um público-alvo mais jovem. O prémio não é imediato e vai resultar em pagamentos mensais, de acordo com o conceito conhecido por Win for Life.

Haverá neste novo jogo o propósito de incentivar os mais novos a começarem desde cedo a construir o seu próprio pilar de segurança social, um maná sem riscos, inesperadamente, caído da Santa Casa?

Sunday, September 24, 2023

UM HOMEM INOFENSIVO


UM HOMEM INOFENSIVO

"Renato acorda a meio da noite e sente a presença de um estranho em casa. O estranho é Rui, um homem que diz ter entrado apenas para sentir o silêncio da casa. Renato procura decifrar os verdadeiros motivos da vinda de Rui a sua casa. Não pode ter aparecido só para conviver com o silêncio, pois o que tem o silêncio de tão especial?"

Um texto que nos confronta com as contradições dos valores morais.
A inveja, é condenável?
E a vingança?
E etc.?

UM HOMEM INOFENSIVO é um espectáculo motivante. 

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Wednesday, September 20, 2023

ARTE URBANA

Uma petição pública 'online' pede a retirada de esculturas colocadas na Praça do Município de Lisboa e em Belém, por considerar que ofende a imagem da cidade, e defende a criação de um regulamento para obras de arte no espaço público.

Desconhecia as razões desta petição pública, aliás, desconhecia mesmo a existência destas obras de arte (más ou boas, são obras de arte, até prova em contrário), até ler um artigo de Rui Moreira no Público, a propósito da polémica levantada com a remoção ou não remoção da escultura - Amores de Camilo - no   Largo Amores de Perdição, em frente da antiga Cadeia da Relação.

Escreve Rui Moreira no Público - Uma polémica “à Porto” - ---"As câmaras recebem muitas propostas e ofertas e são livres de não as acolher. Veja-se como Moedas foi chacinado ao aceitar a oferta a Lisboa das estátuas dos médicos. Compreendo que haja quem discorde e se mobilize. É legítimo, desde que não se recorra a leituras intolerantes." Não refere Rui Moreira a escultura colocada na Praça do Município - "Pareidolie" - . Porquê? 

Sem discordar destas afirmações, que transcrevi, de Rui Moreira, concordo, no essencial, com a petição enviada à Câmara Municipal de Lisboa.
E concordo porque, se fosse obrigatório o consenso público sobre estas obras, porque se impõem aos que por elas passam, ter-se-ia evitado a colocação de muitos mamarrachos em praças, largos, mas sobretudo rotundas, espetados à toa por quase por todo o país. 
Não é, no entanto, do nosso ponde de vista, o caso das esculturas de homenagem aos médicos que combateram a pandemia. 
Fomos lá vê-las (não vimos ainda a instalada na Praça do Município): têm peso, volume, grandeza e valor estético que escapa à pertinência das críticas de Cristina Guerra e subscritores da petição enviada ao presidente da CMLisboa. 
Ontem, 21/09, estivemos na Praça do Município, não vimos a "Pareidolie". Para onde foi? 

11.02.2023 - Inaugurada escultura de homenagem aos médicos  

"O conjunto escultórico 'Heróis da pandemia' foi inaugurado sexta-feira dia 10 de fevereiro, em Belém, pelo presidente da Câmara de Lisboa, Carlos Moedas e pelo bastonário da Ordem dos Médicos, Miguel Guimarães, numa homenagem ao trabalho dos médicos que estiveram na linha da frente na pandemia de Covid-19. ...
 As duas imagens, que agora podem ser vistas no Passeio Carlos do Carmo, junto ao rio, resultam de uma parceria entre a Câmara de Lisboa e a Ordem dos Médicos e são da autoria do Mestre Rogério Abreu." 
 
 
 
"A escultura, havia sido inaugurada na Praça do Louvre, e foi agora doada à cidade de Lisboa. É uma das cinco obras existentes em todo o mundo, do artista plástico francês, de ascendência portuguesa, Alexandre Hopare Monteiro.
Uma “escultura que significa a dignidade dos portugueses”, sublinhou Carlos Moedas, na cerimónia de assinatura do contrato de doação da obra, que teve lugar a 24 de janeiro, no Salão Nobre dos Paços do Concelho. Até 31 de janeiro, a Praça do Município é palco de uma exposição do artista Alexandre Monteiro (Hopare)."

CÁ EM CASA TUDO BEM

 
 
 
Cá em casa tudo bem!
 

Tuesday, September 19, 2023

QUEM PAGA A RASPADINHA?

Cerca de 100 mil pessoas em Portugal têm problemas de jogo com as “raspadinhas” 

“Do ponto de vista legislativo, as recomendações seriam que se pudesse ponderar medidas que venham a diminuir ou a tornar mais consciente a acessibilidade a este tipo de jogo, por exemplo, através da obrigatoriedade de um cartão de jogador, em que a pessoa possa auto-excluir-se e em que há maior possibilidade de se identificarem comportamentos desadaptativos e patológicos. Também devíamos ter campanhas informativas que ajudem as pessoas a ter maior literacia acerca deste jogo, porque o que vimos é que há muitas pessoas que gastam muito dinheiro em 'raspadinhas' mas que nos dizem que não jogam jogos de sorte e azar ao longo do ano. Não têm a percepção de que a 'raspadinha' é um jogo de sorte e de azar e que, na esmagadora maioria das situações, é mesmo um jogo de azar”,

Maioria dos jogadores de raspadinha tem rendimentos abaixo de 1000 euros. "São os pobres a financiar os mais pobres"

Vício da raspadinha afeta cem mil adultos, 30 mil de forma patológica: são os mais pobres, velhos e com pior saúde mental os que mais jogam 

 


Santa Casa acumula prejuízos num ano sem contas aprovadas

Há 15 anos, escrevi isto sobre os jogos de azar, monopólio da Santa Casa da Misericórdia de Lisboa.
Depois voltei ao assunto várias vezes neste caderno de apontamentos.
Para quê?
Para nada. 
Já o relatório da Universidade do Minho que hoje foi notícia do dia terá força mediática suficiente para pressionar o governo a meter mãos nesta matéria pesada? 
E responsabilizar aqueles que fizeram da Santa Casa da Misericórdia uma fonte de perdas avultadas, prejudicando as funções assistenciais que estatutariamente lhe competem? Ou ficará tudo remediado em família?
 

NATUREZA AUSENTE


Um tribunal decidiu que o artista dinamarquês Jens Haaning tem de devolver o dinheiro pago pelo Museu Kunsten de Aalborg, depois de ter apresentado molduras vazias como obras de arte."
 
Quero acreditar que um bom advogado aconselhará a artista a recorrer da decisão do tribunal, e ganhará a causa.
Quem e como poderá alguém provar que uma moldura vazia não é arte?
Se em vez de uma moldura vazia, a artista apresentasse, como já vi, uma moldura com uma tela em branco, seria arte?
E se, a moldura apresentasse uma serapilheira, suja quanto baste?
 
E se a obra apresentada fosse esta?
 
"Poço em gesso, moldura de porta, tubo de cobre e 10 placas de gesso"

---  correl. - NATUREZA VIVA


Monday, September 18, 2023

PROGRESSOS DA PRODUTIVIDADE FERROVIÁRIA EM PORTUGAL

Pode-se ter saudades dos tempos bons mas não se pode fugir ao presente -  Montaigne.

Não conheço Aníbal de Matos, mas encontrei-me com ele, na blogosfera, quando comentei aqui uma barbaridade política que, entre tantas e tão frequentes, abanou a minha consciência cívica, quando me roubaram o comboio, o túnel, o caminho tantas vezes percorrido na minha primeira juventude. 
Roubado o comboio, encerraram o túnel, logo a seguir à sua renovação, e da via ferroviária, brita nova, branquinha, sulipas novas ainda a suar creosote, carris novos, a Linha da Beira Alta iria ter um fato novo, para já nos primeiros cinquenta quilómetros. 
Roubado o comboio por decisão ministerial, seguiu-se o roubo das sulipas, dos carris, por não sei quem nem para quê também retiraram (ou roubaram?) a brita. 
 
A linha da Beira Alta ficava amputada da ligação Figueira da Foz até à Pampilhosa, para regalo da vegetação que preencheu o vazio, só não entrou pelo túnel adentro porque não gosta de crescer às escuras.
 
Depois, em 2019 foram iniciadas obras de renovação da via desde a Pampilhosa até à Guarda, mas com comboios (poucos) para cima e para baixo, entenderam os que mandam que com tanto movimento nunca mais se renovaria a linha. E a linha foi encerrada em Abril de 2022, já tinha passado o covid, agora é que a Linha da Beira Alta (tamanho reduzido mas bitola larga) iria, depressa, ficar como nova. E quem quisesse ir de Lisboa a Madrid, poderia ir apanhar a ligação a Vigo. Uma volta interessante, só quem não gosta da Galiza poderá dizer o contrário.
 
O actual ministro, que dizem ser meio desastrado mas o que ele tem é azar a mais com as cartas que lhe saem do baralho, anunciou que a meia Linha da Beira Alta iria ficar pronta a 12 de novembro, daqui a menos de dois meses, mas não, parece que não.
Entretanto já foram roubados 30 quilómetros de catenária (cabo de cobre de alta tensão) sem que ninguém desse por isso, salvo quem roubou.

" ...Foi com homens robustos, outros menos robustos e até com mão-de-obra infantil que, nos finais do séc. XIX, se construiu em 46 meses a Linha da Beira Alta entre a Figueira da Foz e Vilar Formoso (252 quilómetros). Actualmente, a modernização desta linha entre Pampilhosa e Vilar Formoso (202 quilómetros), apesar de toda a tecnologia do século XXI (que substitui exércitos de homens que trabalhavam com pá e picareta), já dura há 50 meses e não se sabe quando termina pois, pela terceira vez, a IP falhou o prazo anunciado para a sua reabertura e com o qual o próprio ministro João Galamba se comprometeu. A data de 12 de Novembro não vai ser cumprida".- 
Continue a ler aqui
 
E assim nos entretemos, discorrendo sobre os progressos da produtividade em Portugal.

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Portugal é o terceiro país europeu que perdeu mais ferrovia: perdemos 460 quilómetros


Friday, September 15, 2023

A ESTUPIDEZ HUMANA É INFINITA

Acerca da infinitude do Universo, aguardam-se melhores provas.
 
 


Terça-feira - O Presidente da Câmara Municipal do Porto ordena a remoção da Estátua de Francisco Simões - Amores de Camilo - a instâncias de abaixo-assinado de 37 ilustres. O presidente Moreira também concordava que a obra era feia e que, por essa razão, devia ser removida.

Quarta-feira - Rui Moreira reverte decisão de remoção da estátua de Camilo.  


Já agora, que está com a mão na massa, por que não manda o Presidente Moreira remover o Monumento aos Heróis da Guerra Peninsular, na Rotunda da Boavista, que coloca no cimo de um pedestal mais alto que a Torre dos Clérigos um leão (britânico) a derrotar uma águia (francesa), sem nenhuma alusão ao povo portuense?

Hum!, dizem-me os portistas a quem coloco a questão: - Aquilo não é um leão britânico nem uma águia francesa mas uma das raras vitórias do Sporting sobre o Benfica ...
- E o F C do Porto, o Dragão, por onde anda?
- Pois é, precisamente, por isso que aquela coisa já devia ter ido abaixo há muito tempo.


Thursday, September 14, 2023

TURISMO : MOTOR FROUXO DA ECONOMIA

O turismo é a prostituição da economia?

A pergunta é minha mas a afirmação citei-a aqui: ",,,, na ressaca do Verão de 1975, o Prof. Pereira de Moura afirmava, com nítido exagero, que o turismo é a prostituição da economia".
Exagero, sim, mas não tanto assim. 
Exagero, sim, é considerar que o turismo pode ser o motor fiável do crescimento de uma economia, seja ela qual for. Temos turistas a mais e turismo a menos. 
Temos um tecido empresarial de pequenas unidades económicas a mais e de grandes empresas a menos

Entre a Figueira da Foz, Aveiro, Coimbra e Leiria, as distâncias são curtas. Já foram maiores e sobretudo mais demoradas quando não havia autoestradas a os percursos tinham aparecido pelo meio dos pinhais consoante circunstâncias várias. Em meados do século passado, a Figueira era "a Rainha das praias de Portugal". 
 
Cantava a sereia: ... "São Pedro de Moel, beleza bem amada/ é bela a da Rocha, perfumada/ Espinho é trigueiro/ a Póvoa, maneirinha/mas Figueira da Foz é a rainha!"
Em Julho, Agosto e e Setembro, enchia-se a praia da Figueira de portugueses de todo o lado. Chegavam também muitos casais de espanhóis, sobretudo de Salamanca e Cidade Rodrigo,  com os filhos ao cuidado das suas amas a chilrearem no jardim, ao lado do mercado. 
Em Outubro, chegavam os "banhistas de alforge", depois de terminadas as colheitas, para meter os pés na água e descansar de um ano de trabalho, sem férias nem fins de semana.
A Figueira era, nessa época, uma vedeta jovem, atrevida, aliciante. O Figueirense tinha,  pensava ter, uma mina de ouro na sua praia.
 
Quem é que, fora de portas, conhecia Aveiro ou Leiria? 
Coimbra continuava a ser o que sempre fora:  a cidade da Velha Universidade, de estudantes, na sua grande maioria filhos de famílias abastadas. Coimbra vivia bastante desse abastecimento. 

Vinte anos depois, o turista português e o estrangeiro tinham descoberto que as águas das praias algarvias eram mais ensolaradas, os ventos, quando os havia, mais amáveis, e a Figueira, como, aliás, a generalidade das praias do Norte foram preteridas pelas praias ao Sul. 
 
Para que fosse possível que a Figueira tivesse a entrada num porto, que permitisse o movimento de embarcações da pesca sem risco de vida dos pescadores  e de navios de meio calado para escoar a produção para portos no Norte da Europa, construiram-se pontões de retenção das areias da praia e as sereias emudeceram.

Muitas vezes me perguntei, depois, por que razão se tinham desenvolvido Aveiro a Norte e Leiria a Sul, ambas  tão próximas da Figueira, economicamente definhada, incapaz de oferecer ou suscitar oportunidades à maioria dos seus naturais, repelindo-os para a capital ou para o estrangeiro? Que tinha a Figueira, que tinha Coimbra, que as tornava incapazes de ombrearem com Aveiro e Leiria?
 
Só encontrava, e só encontro ainda, uma explicação: a Figueira tinha uma praia, e logo para desdita sua, cantava-lhe a sereia, que essa praia era a "rainha das praias de Portugal". Coimbra, não tem praia. Aí o canto da sereia foi sempre outro, o das serenatas dos seus estudantes, das praxes, das capas e batinas,  de quem chegou, cantou, andou até sair doutor. 
Tiques que outras academias imitam embalando um sonho que muitos poucos saberão como concretizar.

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