Friday, May 16, 2008

O EURO E OS MERCADOS DE TRABALHO

Sem o Euro a União Europeia não teria o cimento que permite a estabilidade do edifício. Esse cimento, contudo, só por si não garante uma estrutura anti-sísmica que possa suportar o impacto
de tensões geradas no seu interior. A variabilidade real e nominal dos salários entre os diferentes mercados de trabalho no interior do sistema são uma das principais causas dessas tensões que ameaçam a sua estabilidade e que não se compensam por uma mobilidade suficiente entre os mercados membros.
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Se o Euro se impôs como cimento imprescindível à construção da União Europeia, na sua configuração estrutural actual, a sua adopção exige agora a introdução de fibras que assegurem a estabilidade que o cimento desacompanhado não consegue garantir.
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À União Europeia não resta, portanto, outra alternativa senão avançar para a sua institucionalização como uma federação de Estados governada centralmente nas áreas que têm de assegurar a sua unidade fundamental.
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Recent diverging labour cost developments among EMU countries, affecting the trade and inflation position of each country, raise some doubts regarding the equal distribution of costs and benefits of shocks among the member countries and, hence, the long term stability of the Euro. The common factor that holds a currency union together is definitely risk sharing. The risk of being exerted towards external shocks (energy and agricultural prices, financial shocks, productivity and aggregate demand shocks) needs to be equally distributed among the members of a currency union; then, this currency union is an optimal currency area (OCA). If this were not ensured it were not very important that the Euro is currently strong compared with the dollar and seems to become a World reserve currency. It is a well-known fact that the EU fulfils less of the conditions of an OCA than the U.S. due to some institutional restrictions of the EMU. There is no central fiscal transfer system as a buffer against regionally unevenly distributed shocks like in the U.S. Such a system seems to be necessary when the labour market of the single currency area is not sufficiently integrated, hence, does not allow for an even distribution of the adjustment costs of shocks. Indeed, this might be one of the crucial properties that defend the strength of the Dollar in the long run and undermines the rise of the Euro.
One of the conditions of risk sharing in an OCA is the similarity of output cycles, or the synchronization of business cycles. While business cycles of EMU countries show some synchronization since the Euro introduction in1999, it is well known that national labour markets are still separated with the consequence that the adjustment costs of external shocks are unevenly distributed. But, there is an ongoing debate whether a currency area needs to fulfil the conditions of an OCA ex ante or not. Frankel and Rose argued in their seminal paper from 1998 that a single currency and monetary policy cause the EMU to become an OCA ex-post, and many research papers tested this hypothesis in the field of output synchronization. But does that also apply to the field of labour markets? If yes, wage developments should become more similar, induced by more trade intensity or migration or FDI. Similar to studies on output synchronization one would have to look at de-trended data, for their movement includes the reaction of wage formation on shocks. A correlation analysis of de-trended real and nominal wage developments illustrates what is happening in the EMU behind the official success story. In fact, the synchronization of real and nominal wage developments weakened significantly since the introduction of the single currency, and since exchange rates as coordination and adjustment mechanisms were abandoned! Figure 1 depicts how strongly real and nominal wage developments deviated since the introduction of the Euro. The discrepancy between them underlines that national wage policies have a strong influence on wage setting and are able to outperform, at least, partly the correcting impact of different inflation rates or purchasing power parities. Indeed, those policies remain the only important national tool for the creation of competitive national monetary conditions under a single monetary policy: real interest rates deviate and with them the conditions for economic activity.

What Figure 2 illustrates are the different developments with respect to regional groups. Wage formation of the ‘Northern group’ with Germany, Austria, Belgium, and the Netherlands was more linked with other countries (mainly in the same group) than of the French-Mediterranean group until 2000. While synchronization of the latter remained stable after 2000, that of the first group weakened significantly. Macro-economic wage coordination, formerly ensured through the exchange rates of national currencies, actually broke down in German relations with other countries, accompanied by similar trends for Austria and Belgium Table 1).




One could argue that de-synchronization of wage developments would create national monetary conditions. However, this would be a second-best solution only in lifting the rigors of a single monetary policy (‘one jacket for all?’), and one has to ask why they need to be in a monetary union. Here, we find the basis of official and semi-official criticisms regarding the existing EU institutions, for example, Mr. Sarkozy’s proposal for a EU central budget, or his criticism of German value added tax increases as a method to export unemployment. The problem might worsen with the addition of new members with different labor market institutions and economic structures into the EMU. Clearly, a single currency and monetary policy cannot per se replace the exchange rate mechanism as core coordination institution among countries. Then, further reforms of EU institutions become necessary. The old accord, mainly supported by Germany, not to install central authorities which are too strong, will be challenged. Above all, a central EU budget with transfer functions as in the US would make EU institutions complete.



ONDE ANDA A OPOSIÇÃO?


Constâncio: crescimento no primeiro trimestre ficou “um pouco abaixo do que esperava”

Apesar dos números do primeiro trimestre, Constâncio defende que não há razões para mudar a actual política orçamental.
O governador do Banco de Portugal, Vítor Constâncio, admitiu hoje que os valores do Produto Interno Bruto (PIB) no primeiro trimestre, apresentados ontem pelo INE, ficaram “um pouco abaixo do que esperava”.“É realista adaptarmo-nos às novas circunstâncias”, disse, assumindo que o Banco de Portugal terá igualmente de rever as suas previsões em baixa (previsão actual é de dois por cento do PIB para este ano), tal como fez ontem o Governo, ao anunciar uma revisão do crescimento da riqueza para 1,5 por cento, contra os anteriores 2,2 por cento.À margem de uma conferência organizada pelo Banco de Portugal, o seu anfitrião não garantiu, como tinha feito em circunstâncias anteriores, que o crescimento português poderia ficar acima da média europeia este ano. “Vamos ver qual será a média europeia [Zona Euro]”, frisou. Constâncio afirmou ainda que não receia que haja uma recessão (dois trimestres consecutivos de crescimento negativo) e acredita que em Abril e Maio se possa verificar “alguma recuperação”. Em relação ao Orçamento de Estado aprovado pelo Governo, o governador defendeu que não há razões para mudar a política. orçamental.Ontem, o Instituto Nacional de Estatística anunciou que a economia recuou 0,2 por cento no primeiro trimestre do ano, em comparação com o trimestre anterior, e que cresceu 0,9 por cento na comparação com o primeiro trimestre do ano passado. Estes números obrigaram o ministro das Finanças a anunciar ontem uma revisão em forte baixa das previsões iniciais do Governo.
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Caro Tavares Moreira,
Decididamente dou-me mal com a unanimidade de opiniões mesmo quando embaladas em fina ironia. Daí a minha propensão para meter o bedelho quando vejo toda a gente de acordo.
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Pergunta o meu Amigo, a propósito do anúncio das revisões há muito reclamadas," onde pára a oposição?"

Quanto a mim é na dificuldade da resposta que temos de encontrar a complexidade da pergunta. Para não complicar a análise com um emaranhado de generalidades proponho a apreciação de um caso concreto. Porque, em termos gerais, geralmente estamos todos de acordo. O diabo está nos detalhes, já se sabe.
O governo reviu em baixa o crescimento económico, em alta a taxa de inflação, não mexeu no défice, e anunciou que não vai aumentar os salários da função pública. Podemos concordar ou discordar mas as opções são compatíveis. O que pode contrapropor a Oposição?
Aumenta os salários?
Reduz os impostos?
Deixa crescer o défice?
Dispensa (como?) mais funcionários públicos?
Corta no investimento?
Reduz o imposto sobre os combustíveis?
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Ou limita-se a dizer que a opção do governo está errada mas não diz mais nada?
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Peço-lhe que não retire das minhas questões intenções de apoio acrítico a este governo. Não tenho certezas. Ando por aqui o por ali a ver se aprendo alguma coisa. Só isso.

POR 21,33 MILHÕES DE EUROS






Lucien Freud - Benefits supervisor sleeping
21,33 milhões de euros






Jeff Koons - Hanging heart
19,25 milhões de euros
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Lucian Freud, neto do fundador da psicanálise, Sigmund Freud passou a ser o pintor vivo mais caro do mundo depois do seu "Benefits supervisor sleeping" (1955) ter ultrapassado "Hanging heart" de Jeff Koons, vendido em Novembro passado por 15,25 milhões de euros.
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No leilão que vendeu a obra de Lucian Freud, um quadro de Mark Rothko, uma tela vermelha e amarela de 1952 (expressionismo abstracto) foi vendido por 29 milhões de euros.
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Assim vai a crise.

Thursday, May 15, 2008

APITO FATAL



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Achei patética, mas muito consentânea com o empreendedorismo tipo à portuguesa, a intervenção de Dias da Cunha quando ele, repetidamente, pediu a intervenção governamental no estabelecimento de regras para o futebol. Intervenção que, diga-se de passagem, pelo menos pela abstenção, mereceu o apoio dos outros comentadores, salvo o de Miguel Beleza (que Dias da Cunha "acusou" de liberal, e do Secretário de Estado que foi prudente na posição que atribuiu ao Estado na matéria). Do meu ponto de vista, como cidadão contribuinte, parece-me condenável toda e qualquer intervenção do Estado no negócio do futebol, para além daquelas que devem relacionar o Estado com o mundo empresarial em geral. As decisões do Conselho de Disciplina e do Conselho Superior de Justiça, se decorrem de regras estabelecidas em sede de autoregulamentação do sector, não as aprecio nem as discuto. É lá com eles. A mim o que me preocupa são os milhões gastos com processos para os quais eu, como contribuinte, tenho de contribuir. A intervenção da Justiça no futebol só deveria realizar-se quando estivessem em causa direitos que extravasassem os limites do negócio enquanto tal. De qualquer modo, o negócio deveria pagar por inteiro a custas totais dos processos, nos exactos termos em que a mesma exigência deve ser feita a toda e qualquer actividade empresarial.
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(...) A mim, não me excita o clubismo mas admiro o espectáculo e penso no negócio.
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Em termos negociais, a descida do Boavista, se vier a concretizar-se é um disparate.O Boavista é uma marca que bate de longe outras que andam abaixo e acima no carroussel da primeira e segunda Ligas. Portugal não tem dimensão para tanta equipa profissional. O Boavista deveria fazer parte do núcleo de marcas que deveriam disputar a primeira liga.
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Como é que isso se pode concretizar? A ideia não tem nada de novo mas, acredito, só ela poderá dar competitividade a esta área de negócio. Enquanto isso não suceder a disputa far-se-á entre quem mais habilidades ilegais usar. Com todo o cortejo de miséria dourada que abrilhanta o nosso futebol: empresas falidas, salários em atraso, corrupção dos árbitros, corrupção nas câmaras e nos empreiteiros, um mar fétido.
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Os clubes que disputam a primeira liga deveriam constituir-se todos sob a forma de sociedades comerciais, com um capital social mínimo superior a X milhões de euros. A ideia é tornar difícil a entrada no grupo. Negócio em que a entrada está facilitada nunca será grande negócio.Contrariamente ao que sucede agora, o núcleo duro do clube (dos clubes da primeira liga, entenda-se) nunca deveria deixar cair um dos membros de referência, nenhum que fosse uma grande marca. Porque é a disputa entre nomes conhecidos que pode dar maior interesse ao espectáculo e maiores garantias de rentabilidade aos sócios da empresa. Na situação actual, quando é arvorado o Cascalheira de Cima (que cairá provavelmente na próxima época) e cai o Boavista quem é que ganha com o sistema? Ninguém. O Boavista tem de fazer uma travessia do deserto cobrando mal em campos que não têm espectadores nem televisão a filmá-lo. O Cascalheira de Cima porque vai fazer investimentos com capitais que não tem e o mais certo é na próxima época ir da primeira para a terceira liga. Os outros porque, obrigados a jogar com o Cascalheira de Cima, não ganham para as botas.
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Mas também estou ciente que a esmagadora maioria dos que tivessem de se pronunciar sobre esta ideia responderia redondamente não. Por enquanto.

ANTIAMBIENTALISTAS


Ouço esta manhã na rádio que mais um relatório (não retive o nome da entidade relatora) alerta para os malefícios do aquecimento global, nomeadamente a sua influência sobre os comportamentos dos seres vivos e as ameaças às suas condições de sobrevivência.
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O relatório do PNUD (Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento Humano) de 2007/2008 é dedicado à influência das variações climáticas no aumento das desigualdades no mundo por afectarem em maior escala as populações mais fragilizadas.
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"Climate change is the defining human development challenge of the 21st Century. Failure to respond to that challenge will stall and then reverse international efforts to reduce poverty. The poorest countries and most vulnerable citizens will suffer the earliest and most damaging setbacks, even though they have contributed least to the problem. Looking to the future, no country—however wealthy or powerful—will be immune to the impact of global warming.

The Human Development Report 2007/2008 shows that climate change is not just a future scenario. Increased exposure to droughts, floods and storms is already destroying opportunity and reinforcing inequality. Meanwhile, there is now overwhelming scientific evidence that the world is moving towards the point at which irreversible ecological catastrophe becomes unavoidable. Business-as-usual climate change points in a clear direction: unprecedented reversal in human development in our lifetime, and acute risks for our children and their grandchildren."

"http://hdr.undp.org/en/reports/global/hdr2007-2008/
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Tudo isto é inventado? Tudo isto não passa de uma manobra global ao serviço de interesses inconfessados? É tudo fruto de opiniões compradas?
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O que acontece no Ruanda, por exemplo, é atribuído à luta por recursos cada vez mais escasseados pela seca.
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Impressiona-me que, perante uma esmagadora corrente de opiniões que gritam que o planeta está cada vez mais ameaçado, ainda há quem afirme o contrário : A questão do aquecimento global é uma treta que, até hoje, ninguém demonstrou que seja causada pelo desregrado comportamento humano.
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E utilizo o termo desregrado precisamente porque é dos lados daqueles que abominam regras que provem a recusa de reconhecimento das ameaças sobre o planeta.Trata-se, há que reconhecê-lo, de uma posição coerente, porque o arrepiar do caminho que leva este mundo em que vivemos para a desertificação implica a adopção de medidas globais e comportamentos individuais que os adoradores do salve-se quem puder detestam.
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A coerência, contudo, pode-se realizar no desastre. Basta que sejam coerentes os actos com as ideias suicidas.

Wednesday, May 14, 2008

ACIMA DA LEI

Há palavras que entram em desuso e saem de circulação, há outras que as substituem, por vezes não há substituição porque o objecto ou o sentimento que elas traduziam passaram à história. Outras ainda, estão em vias de desaparecimento do mesmo modo que algumas espécies vivas estão em vias de extinção. Quanto a estas, existe ainda alguma preocupação e algumas vão sendo recuperadas; as palavras, não: quando chega a sua hora, porque o sujeito passou ao esquecimento, o designativo sucumbe de vez.
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Vergonha, por exemplo, é uma palavra antiga. Segundo o Houaiss, deve ter entrado para o nosso reportório linguístico era Portugal ainda uma criança. E aí está outra palavra, criança, que mais dia menos dia só a utilizam os croas, sendo esta última uma palavra nova para sujeitos velhos.
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Voltando à vergonha, "sentimento penoso causado pela inferioridade, indecência ou indignidade" ou "sentimento ou consciência da própria honra, indignidade, honestidade", era coisa que existia desde o tempo dos afonsinos mas que, provavelmente por estarem extintos ou em vias disso os sentimentos que ela traduzia, a palavra, coitada, passou à condição de asilada à espera de extinção definitiva.
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No tempo em que alguma vergonha ainda andava por aí, uma censura podia exprimir-se numa pergunta: "Não tens vergonha?" Ou, de forma mais afirmativa, "És um desavergonhado!"
De um tipo sem escrúpulos (outra palavra que está a desaparecer por falta de objecto) dizia-se que "não tinha vergonha na cara".
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A vergonha, enquanto sentimento e a palavra que o designa, são hoje coisas quase esquecidas. Literal e conscientemente, já não há vergonha, ou se há é espécie cada vez mais rara.
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O Primeiro Ministro, segundo notícias recentes, fumou no avião da TAP fretado para o transportar e à sua comitiva a terras de Hugo Chávez. Mas não só ele. O Ministro da Economia, que ainda recentemente foi apanhado a circular a 200 km/hora, porque "estava com pressa", também puxou do cigarrinho (ou terá sido do charuto?). A fumar no Casino Estoril, já tinha sido apanhado o presidente da ASAE, a entidade que fiscaliza as proibições na matéria. Aconteceu o mesmo com parte da comitiva, em viagens aéreas, do Presidente da República, que não fuma. Em excesso excessivo de velocidade foi também apanhado, há já algum tempo atrás o Director Geral de Viação. A lista é longa, os exemplos que a nossa memória, sempre propensa a esquecer, ainda retem são suficientes, contudo, para confirmar que "para quem não tem vergonha todo o mundo é seu."
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E também de que acima da lei está a falta de vergonha.

Tuesday, May 13, 2008

SOCIEDADE ENERVADA

Hoje ouvi, de manhã, na rádio uma entrevista a Vitorino de Magalhães Godinho, que completará 90 anos de idade no próximo mês de Junho. Dizia Magalhães Godinho que as sociedades actuais são sociedades enervadas. E, acerca do tema, discorreu acerca dos malefícios deste frenezim que se apoderou das sociedades modernas. Este enervamento decorre, em grande parte, da globalização, que tornou todo o mundo interdependente. Veja, dizia Magalhães Godinho, o que acontece quando o sr. Greenspan diz que a crise se aproxima: os mercados bolsistas estremecem por todo o lado e a crise aparece. À época actual chama Alan Greenspan a "Idade da Turbulência". Turbulência que, segundo Magalhães Godinho, é provocada pelas reacções em cadeia aos vaticínios de Greenspan e muitos outros, que andam entretidos a enervar este mundo e arredores.
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O enervamento de que fala Magalhães Godinho, contudo, tem mais causas. O aumento da oferta de solicitações a consumir no limitado espaço de tempo de 24 horas diárias, empurra os indivíduos para o "stress" (sociedade estressada, dirão os brasileiros) que é a doença dos dias de hoje, e que desencadeia frequentemente complicações clínicas graves que não permitirão chegar aos lúcidos e não dependentes noventa anos de Magalhães Godinho.
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Estava eu nestas cogitações quando, por volta do meio dia, ouço na rádio que, segundo estudo realizado recentemente, é no distrito de Beja que a mortalidade é maior em Portugal. E, dentro do distrito de Beja, é no concelho de Alvito que a negra bate o recorde. Logo ali ao lado, no distrito de Évora, pelo contrário, a probabilidade de um cidadão ir desta para a outra é das mais baixas do país. Na região de Lisboa e Vale do Tejo a foice ceifa quase tanto como no Alvito. Segundo percebi, as causas não são se correlacionam com os estratos etários de cada zona estudada. As causas serão, portanto, outras. Que estão a ser analisadas.
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Quanto a Greenspan, não creio que tenha culpas nestes cartórios mais mortíferos.

O VELHO, A MULHER E O PRETO

Há dias, uma amiga nossa estranhava esta original situação a que se encontra, por enquanto, resumida a corrida à Casa Branca. Como é que nos Estados Unidos da América não aparece um candidato homem, branco e jovem na ponta final da escolha dos candidatos? Não é esquisito?
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Lá aparecer, apareceram, mas ficaram pelo caminho. Quando o mundo muda as tradições claudicam. O mundo está sempre a mudar mas, por vezes, nota-se mais a mudança.

E SE, DE REPENTE, ACABASSE A DROGA?




Esta é já uma questão recorrente aqui no Aliás. Ando à procura de uma resposta que, até hoje, não encontrei nem vi respondida em parte alguma. Volto ao assunto na sequência de um comentário que fiz a uma indignação relacionada com um dos conteúdos do site do Instituto da Droga e da Toxicodependência : Lê-se, e não se acredita:
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(...) O Instituto da Droga e da Toxicodependência visa lutar contra a droga (...) publicou um “dicionário do calão” para jovens a partir dos 11 anos, em que a droga é apresentada em termos entusiásticos, como “cativante e vaporosa” ou como de sedução e atracção irresistíveis e são descritos processos de a obter “pedrinha branca, pronta a snifar”. Ao mesmo tempo, qualquer não consumidor é definido como “conservador, desprezível e desinteressante”.Exemplos, apenas, entre muitos, mas suficientes para evidenciar como, objectivamente, algumas Instituições oficiais fazem a propaganda do que dizem combater.Os senhores da droga agradecem comovidamente tal fervor combatente!... "
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Comentei:
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Há muito tempo que coloquei a mim próprio esta questão: porque razão está tão facilitado o comércio da droga?
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Dito de outro modo, parece-me (mas provavelmente estou redondamente enganado) que se houvesse uma intenção séria e global para reduzir o consumo de drogas esse objectivo poderia ser conseguido com relativa facilidade. A minha presunção, admito-o, decorre de, felizmente, não ter tido até agora o azar de lidar directamente com o flagelo. E também há muito tempo já que me coloquei, e a alguns amigos meus, esta outra questão: E se, de repente, acabasse a droga?
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Dito de outro modo (..) : Se tivesses nas tuas mãos uma varinha de condão que, brandindo-a, cessaria imediatamente a produção de droga (e, portanto o seu consumo) brandias a varinha ou não?
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Para teu governo na tomada de decisão transcrevo do Relatório do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento de 1999 (...):"O comércio ilegal de droga, em 1995, foi estimado em 400 biliões de dólares, cerca de 8% do comércio mundial, mais do que a parcela de ferro e aço ou de veículos motorizados e aproximadamente o mesmo que a dos têxteis (7,5%) e do gás e petróleo (8,6%).
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Raymond W. Barker em Capitalism´s Achilles Heel - Dirty Money and How to Renew the Free Market System escreve "(...) all the global efforts made to combat drugs, the weakest link is our feeble anti-money laundering efforts. Basically, drug kingpins know that, once the sale is made, the cash is easy to move and legitimize."
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O número de toneladas confiscadas em todo o mundo representa, ainda segundo este autor, apenas 0,1% dos valores totais envolvidos.
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Mais adiante:"(...)The war on terror cannot be won without wawing an equal war on drugs, and the war on drugs cannot be won without wawing an equal war on drug money"
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Ora, meu caro Amigo, o problema está no facto de a lavagem de dinheiro (seja ele procedente de tráfico de dogas, de armas, de pessoas, etc.) utilizar os mesmos caminhos da evasão fiscal. E aqui é que a porca torce o rabo. Se vais atrás do rasto do dinheiro canalizado para uma quadrilha terrorista arriscas-te a encontrar pelo caminho capitais fugidos ao fisco, geralmente pertencente a pessoas consideradas muito idóneas, filantrópicas até.
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Chegado aqui, volto a perguntar: Então o que fazes com a varinha? Abanas ou não abanas?
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Não te esqueças que se a agitas deitas abaixo 8% (ou mais) do comércio mundial de um instante para o outro.Pergunta cínica, não é? Pois é.
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Ao pé de tudo isto estes tipos do IDT são uns aprendizes de feiticeiro. Acho eu. E tu?

Monday, May 12, 2008

QUESTÃO ALIMENTAR



copiado de Lóbi

OS ECONONEGATIVISTAS



"Even until his dead in 1834, Malthus felt obliged to deny that he was an enemy of mankind. Lecturers and authors still portray him at best as a dour person and at worst as a goblin well suited for Halloween. Yet his critics, he thought, donned the merry masks that marred their vision - preventing them from seeing that the light at the end of the tunnel was a train coming to them" - Todd G. Buchholz -New Ideas From Dead Economists
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Malthus voltou a estar na berlinda. Há escassez de cereais, chineses e indianos têm-nos vestido (e não só) nos últimos anos e têm agora dinheiro para comer melhor. As alterações climáticas, com consequências desastrosas em muitos casos sobre as condições de cultivo de alimentos, os aumentos dos consumos de energia (e mais uma vez o aumento do poder de compra de chineses e indianos, entre outros, está a desencadear uma espiral de preços) atraindo o desvio de quantidades de milho, ainda que relativamente pequenas, para a produção de biocombustíveis, são acusados culpados. Tudo somado, a resultante está a provocar um clamor geral: Vem aí a fome, Malthus tinha razão: a luz ao fundo do túnel é de um combóio que nos vem esmagar.
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Um dia, um maduro que gostava de fazer contas calculou que se todos os chineses quisessem, de um momento para o outro, passar a limpar o rabo com papel higiénico suave de duas folhas, aquele a que estamos habituados a usar no Ocidente, as florestas da Amazónia não chegariam para produzir o papel suficiente para colmatar tão inesperada procura. Diga-se, de passagem, que as florestas da Amazónia têm sido, e continuam a ser, dizimadas sem que o papel com que realizamos a nossa higiene mais primitiva tenha a mínima culpa no cartório, porque nenhum utiliza a madeira amazónica como matéria-prima.
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Tudo isto para dizer que a prevenção de Malthus não é, nunca foi e, espera-se, nunca será uma previsão acertada. O homem tem conseguido ultrapassar as dificuldades que escoravam os vaticínios de Malthus e o que defrontamos hoje não é um súbito crescimento populacional (a China tem, pelo contrário utilizado políticas, de algum modo censuráveis à luz dos valores das culturas democráticas, de redução forçada do ritmo de crescimento demográfico) mas a invocação de um direito legítimo de quererem os subalimentados comerem mais arroz, mais carne, mais pão.
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Se o alerta de Malthus, na sua época, procurava incentivar a adopção de medidas que contrariassem o crescimento demográfico (porque o crescimento da produção de bens alimentares, segundo ele, estaria condenado a uma progressão aritmética incapaz de acompanhar a progressão geométrica da população) o que atormenta os neomalthusianos hoje não é a bomba demográfica mas uma outra bomba que eles não sabem desactivar: a chegada ao mercado de poder de compra com que não contavam porque não quiseram contar.
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Anedoticamente, ao mesmo tempo que os clamores da fome inundam as notícias ouvem-se informações de que é cada vez maior o número de obesos neste lado do mundo e que, por exemplo, na Inglaterra se contam em biliões de libras o valor dos produtos alimentares deitados nos caixotes de lixo, por terem sobrado das refeições ou se terem estragado nas prateleiras e frigoríficos.
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E as notícias ficam por aí porque a generalidade dos comentadores fica-se pela queixa das dores.
Sugestões para ultrapassar a questão não aparecem ou, se aparecem, são obliteradas pelos lamentos dos que estão bem alimentados.
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Daniel Bessa ,prestigiado economista, embarcou esta semana no caderno de economia do Expresso no mesmo lundum: começa com uma síntese da tese de Malthus, segue com uma resenha da situação actual e termina com uma declaração anémica: "A questão apresenta-se muito difícil, não se vendo bem como poderá ser resolvida".
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Uma declaração que, nada acrescentando, não merece uma tijela de arroz.

Sunday, May 11, 2008

O QUE É SER COMUNISTA, HOJE

Há dias, íamos com um casal amigo a caminho do Teatro Aberto, onde está em cena Rock ´N´Roll e, influenciado pelos resultados de uma sondagem recente que aponta para um reforço da posição do PS, que lhe garantiria nova maioria absoluta, a recuperação do PCP e o crescimento do BE, à custa das perdas do PSD e do CDS, perguntei ao meu Amigo, ex-comunista, o que sucederia se o PCP e BE conseguissem, um dia destes, alcançar a maioria na AR. O meu Amigo pareceu-me não ter muitas dúvidas em responder que, coerentemente, o PCP nacionalizaria grande parte da economia, repondo umo cenário que teria muitas semelhanças com aquele que se montou em Portugal na sequência de 11 de Março de 1975. Mas, rematou ele, não acredito que isso seja possível. O PCP e o BE são, vocacional e irremediavelmente, partidos de oposição.
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Nenhum de nós conhecia a temática da peça que íamos ver e que, muito a propósito, descasca essa cebola que provoca irritação a quem andou em tempos nas suas camadas. E é a propósito dessa pertinente impertinência de Rock ´N´Roll que é de algum modo esclarecedor saber o que é ser comunista, hoje, segundo as perspectivas de alguns que mantêm nas fileiras do partido e de outros que procuraram outras ou se enrolaram no limbo da saudade dos tempos em que lhes contaram histórias de encantar.
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Do programa de Rock ´N´Roll retiro algumas respostas à questão, incómoda para os comunistas que ainda assim se consideram por serem membros do único partido sobrevivente com esse nome na Europa: O que é ser comunista, hoje?
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"Ser comunista, hoje, é lutar contra a injustiça social; é acreditar no fim do Estado; é querer o fim da luta de classes; é acreditar na igualdade entre todos; é querer o fim da exploração da humanidade; é acabar com a propriedade. (...) Mas nada disto pode ser separado da democracia. Porque não se pode ver a flloresta sem ver as árvores, todas e cada uma." - São José Almeida Jornal Público, 7/11/2007
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"Ser comunista é ser do partido" - Rubem de Carvalho e Urbano Tavares Rodrigues
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"Hoje só se pode ser comunista a partir de uma rejeição profunda do que foi a herança do comunismo na URSS, que foi um projecto conspurcado, uma tragédia.(...) Só em democracia se pode ser comunista. Defendo a organização da sociedade com liberdade de expressão, liberdade sindical. A censura é incompatível com a liberdade" - Francisco Louçã
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Jerónimo de Sousa não quis falar sobre o que é ser comunista hoje.
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"Comunismo implica democracia, mas não a democracia que temos hoje. É mais. Ser comunista tem de ser compatível com o feminismo, com a igualdade de género"- Maria Teresa Horta
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"Sou comunista no sentido em que aspiro a uma sociedade sem Estado e onde os conflitos entre os seres humanos não sejam arbitrados de uma forma estatal" - Miguel Portas
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"Hoje, faz sentido sentido ser comunista porque os ideólogos ainda não inventaran uma coisa mais interessante . (...) A cada um segundo as suas necessidades, de cada um segundo as suas capacidades. Para mim, o principal é o fim da propriedade" - Eduarda Dionísio
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"Depois de 1990, o comunismo deve discutir o poder não centralizado, que rompa com a prática vanguardista centralizada. A política tem de ser comum, contra a vanguarda. Comunismo deixa de ser um projecto histórico, en quanto poder" - Zé Neves, historiador, com tese de doutoramento sobre "Comunismo e Nacionalismo em Portugal no sec xx.
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"(...) Diz-se que a União Soviética e o Leste foram comunistas, é mentira, nunca houve países comunistas (...) Quando se vê académicos dizerem que Marx está morto, é porem um rótulo de ignorância na sua própria testa. Quando não é só por ignorância, é terrorismo ideológico feito com desonestidade intelectual" - Freitas Branco

Todas estas posições e contradições resume-as Tom Stoppard em Rock´N´Roll no papel do velho professor Max, militante comunista que acaba por passar à condição de ex-comunista desiludido e ideologicamente desamparado mas irremediavelmente apegado à sua crença de sempre.

Porque a ideologia sustenta-se numa crença inabalável e esta, como qualquer outra não se sustenta em terreno em que possa ser posta em causa o seu último desígnio: criar um homem diferente para as utopias que os profetas desenharam. E se, como diz Max, devem ser também creditados à ideologia a evolução da sociedade num sentido mais justo, quando ela é acossada pelas evidências tenebrosas a que deu lugar, ( "pelo menos não há, na Europa, crianças de oito anos nas minas a empurrar vagonetas" diz Rubem de Carvalho), é bom lembrar que é esse também ao argumento invocado pelas religiões em geral. E a questão que se coloca, então, é bem mais incómoda para os comunistas, porque foram precisamente as sociedades que não viveram o comunismo real aquelas onde a dignidade humana alcançou padrões mais elevados: Moldam-se os padrões cívicos consoante os catecismos ou a evolução das sociedades no sentido da consagração de princípios de maior dignidade é consequência da evolução natural da pessoa humana?

Até prova em contrário os catecismos não apresentaram até hoje balanços positivos.

Saturday, May 10, 2008

HILLARY & OBAMA

Hillary Clinton Doesn't Listen to Economists

When asked this morning by ABC News' George Stephanopoulos if she could name a single economist who backs her call for a gas tax holiday this summer, HRC said "I'm not going to put my lot in with economists.”
I know several of the economists who have been advising Senator Clinton, so I phoned them right after I heard this. I reached two of them. One hadn’t heard her remark and said he couldn’t believe she’d say it. The other had heard it and shrugged it off as “politics as usual.”That’s the problem: Politics as usual.
The gas tax holiday is small potatoes relative to everything else. But it’s so economically stupid (it would increase demand for gas and cause prices to rise, eliminating any benefit to consumers while costing the Treasury more than $9 billion, and generate more pollution) and silly (even if she won, HRC won’t be president this summer) as to be worrisome.
That HRC now says she doesn’t care that what economists think is even more troubling. In case you’ve missed it, we now have a president who doesn’t care what most economists think. George W. Bush doesn’t even care what scientists think. He rejects all experts who disagree with his politics. This has led to some extraordinarily stupid policies. I’m not saying HRC is George Bush. And I'm not suggesting economists have all the answers. But when economists tell a president or a presidential candidate that his or her idea is dumb – and when all respectable economists around America agree that it’s a dumb idea – it’s probably wise for the president or presidential candidate to listen.
When the president or candidate doesn’t, and proudly defends the policy by saying she's "not going to put my lot in with economists,” we’ve got a problem, folks. Even though the summer gas tax holiday is pure hokum, it polls well, which is why HRC and John McCain are pushing it. That Barack Obama is not in favor of it despite its positive polling numbers speaks volumes about the kind of president he’ll be – and the kind of president we’d otherwise get from McCain and HRC.
Haven’t we had enough of politicians who reject facts in favor of short-term poll-driven politics?

Friday, May 09, 2008

DESNORTE

Ouço na rádio, esta manhã, que Ludgero Marques vai sair da presidência da Associação Industrial Portuense e concedeu uma entrevista à Antena 1. Além do mais, Ludgero Marques critica os políticos nortenhos que emigrarm para Lisboa, e em Lisboa trataram das suas vidinhas e esqueceram ao que vinham: defender os interesses nortenhos nas instâncias do poder residentes na capital do país. Também critica os políticos em geral que tomam decisões que prejudicam os interesses nacionais e não são punidos por isso. A título de exemplo, referiu a criação das Scut, uma iniciativa do governo Guterres, forjada pelo então ministro João Cravinho.
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Estes e outros políticos deveriam ser responsabilizados, pois não é, segundo Ludgero Marques, admissível que um empresário perca a sua empresa se comete erros e nada perde o político que os faz com dimensões muito maiores.
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Não diz Ludgero como é que a punição, que preconiza, dos políticos possa ser administrada em regime democrático, para além da apreciação que deles possa ser feita nos momentos eleitorais. Para além, evidentemente, dos casos em que as acções dos políticos, por razões de ilegalidade grave caiam na alçada da justiça e eles sejam condenados pelos tribunais. Porque, ainda que se concorde com ele no caso das Scut, por exemplo, fica-nos a impressão que a critica de Ludgero Marques é tão pouco estruturada quanto o desabafo do homem da rua que sente o que está mal mas nem sabe explicar porquê nem como sair da encrenca. O que, manifestamente, é pouco sobretudo para quem tem um curriculum como Ludgero.
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Ludgero, por outro lado, deveria também reconhecer que se os políticos são maus, e nomeadamente os do Norte, nem todos os empresários nortenhos que ele representou durante 23 anos são exemplares: alguns perderam as empresas mas colocaram os seus interesses próprios a salvo, outros perderam as empresas mas passeavam-se, e continuam alguns a passear-se, em carros de gama altíssima. Terá Ludgero alguma vez reparado nestes grandessíssimos empresários?
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É PROÍBIDO ADIVINHAR

The forward premium, the difference between the forward exchange rate and the spot exchange rate, contains economically valuable information about the future of exchange rates. Here is the evidence that it can help predict short-run rates and that investors who ignore it and use random walk models may be leaving money on the table.
Exchange rates are important to innumerable economic activities. Tourists care about the value of their home currency abroad. Investors care about the effect of exchange rate fluctuations on their international portfolios. Central banks care about the value of their international reserves and open positions in foreign currency as well as about the impact of exchange rate fluctuations on their inflation objectives. Governments care about the prices of exports and imports and the domestic currency value of debt payments. Markets care both directly - the market for foreign exchange is by far the largest market in the world – and indirectly, since exchange-rate shifts can affect all sorts of other asset prices.
No surprise then that forecasting exchange rates has long been at the top of the research agenda in international finance. Still, most of this literature is characterised by empirical failure. Starting with the seminal contribution of Meese and Rogoff (1983), a vast body of empirical research finds that models which are based on economic fundamentals cannot outperform a naive random walk model (i.e. the exchange rate is, at any moment of time, as likely to rise as it is to fall). Therefore, the prevailing view in the international finance profession – shared in academic and policy circles as well as in a large fraction of the practitioner community – is that exchange rates are not predictable, especially at short horizons. In academic jargon, exchange rates are thought to follow a random walk.
A Random Walk?
At first glance, the random walk model makes a lot of sense. The person on the street knows that movements in exchange rates are often hard to explain and is reluctant to believe that fundamental forces are at play. Exchange rates often swing wildly on a daily basis for reasons that apparently have little connection to economic and financial variables. Even worse, they often move in the opposite direction of differences in short-term interest rates across countries. Despite its simplicity, therefore, the random walk model remains appealing because it leads to smaller forecasting errors than most other exchange rate models.
The horse race
This conclusion is based on a ‘horse race’ between the random walk and theory-based predictions. In this race, the random walk always wins. Our recent research argues that this is not the end of the story, but explaining our point requires something of a detour – an explanation of the ‘horse’ that classic exchange rate theory says should be winning the race every time.
The cornerstone condition for efficiency in the foreign exchange market is ‘uncovered interest parity’, i.e. the exchange rate jumps to the point where risk-neutral investors are indifferent between holding any two currencies. As a matter of accounting, the difference between the rates of return on the two currencies is the interest rate gap plus the expected appreciation; if the 12-month dollar interest rate is 5% while the 12-month yen interest rate is 1%, then, according to the theory, markets must expect the yen to appreciate 4%. If this isn’t true, why would investors hold yen?
As logical as this seems, the relationship does not hold in the data, as the famous “Fama regression” (Fama, 1984) showed. One relationship that does hold in the data is the so-called covered interest parity, which states that the interest rate gap equals the premium on forward contracts. That is to say, if the dollar-yen interest rate gap is 4% as in the example, the forward contract for dollar-yen will imply a 4% premium over today’s exchange rate for yen. Indeed, that is basically how banks set forward rates. The Fama regressions put together the uncovered and covered interest parities to check whether the actual exchange rate follows the forward premium. In the example, the question would be whether the actual appreciation of the yen over the next 12 months was 4% (plus or minus some white noise randomness due to unforeseeable events). Decades of research on masses of data by dozens of scholars show that the actual appreciation does not follow the forward rate. Indeed, it is the currency with the high interest rate that tends to appreciate, not the one with the low interest rate.1
This is stylised fact that is so well known that it has a name, the “forward bias puzzle,” namely high-interest currencies tend to appreciate when uncovered parity predicts depreciation. While troublesome for economic theory, this puzzling behaviour may be valuable to investors.2
As mentioned, the horse race between pure randomness and uncovered interest parity always goes to randomness. But what happens if we let a new horse enter the race? What happens if we assume that investors ignore the pure theory and instead work off the empirical fact, i.e. the forward bias?
Valuable Predictions
In recent research, we examine whether exchange rate predictability could translate into economic gains for investors using an asset allocation strategy that exploits this predictability (Della Corte, Sarno and Tsiakas, 2007). In particular, we assess the economic value of the predictive ability of empirical exchange rate models that condition on the forward premium in the context of dynamic asset allocation strategies.3
We focus on predicting short-horizon exchange rate returns when conditioning on the lagged forward premium. But statistical evidence of exchange rate predictability in itself does not guarantee that an investor can profit by exploiting this predictability. We therefore evaluate the impact of predictable changes in the conditional FX returns and volatility on the performance of dynamic allocation strategies. Ultimately, we measure how much a risk-averse investor is willing to pay for switching from a dynamic portfolio strategy based on the random walk model to one which conditions on monetary fundamentals, the forward premium or a broader set of variables, including the money supply and income differentials across countries.
Our work suggests that these exchange rate predictions are valuable. There is strong economic evidence against the naïve random walk benchmark with constant variance innovations. In particular, the predictive ability of forward exchange rate premia has substantial economic value in a dynamic allocation strategy. In addition, conditioning on a forecast of future volatility given current information, rather than assuming that volatility in the foreign exchange market is constant, further enhances the predictability of exchange rates and increases risk-adjusted profits.
Conclusions
There’s money to be made in the world’s biggest market. Our evidence suggests that investors using sophisticated models could make informative exchange rate predictions and considerably outperform the random walk benchmark. Those trading currencies may find it worthwhile investing in a model using the forward premium and dynamic volatility. Policy makers can also find some comfort in these results since predictability in the exchange rate would allow them to better gauge the value of their international reserves, their debt positions, and their competitiveness in international goods markets
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References
Della Corte, P., L. Sarno, and I. Tsiakas (2007). “An Economic Evaluation of Empirical Exchange Rate Models,” CEPR Discussion Paper 6598. http://www.cepr.org/pubs/dps/DP6598.asp Forthcoming in Review of Financial Studies.
Fama, E.F. (1984) “Forward and Spot Exchange Rates,” Journal of Monetary Economics 14, 319-338.
Meese, R.A., and K. Rogoff (1983). “Empirical Exchange Rate Models of the Seventies: Do They Fit Out of Sample?” Journal of International Economics 14, 3-24.
Footnotes
1 More technically, the future k-period change in the exchange rate is regressed on the current k-period forward premium. If the market is efficient, the intercept of this regression should be zero, the slope (beta) in this regression should be 1, so that the forward premium today is an optimal predictor of the future exchange rate change. Also, the error term should be white noise, i.e. uncorrelated with information available today or in the past.
2 This fact is what drives much of the so-called carry trade where funds borrow in low-interest rate currencies to invest in higher-return assets in other currencies. Due to the forward premium puzzle, they can, on average, buy enough of the original currency to pay off the loan and still pocket a bundle.
3 This means a portfolio whose shares shift according to current information, especially the forward rate.............................................
Originally published at VOXEU (www.voxeu.org) on Jan 18, 2008 and posted at RGE monitor with author's autorization.

Thursday, May 08, 2008

COMO IA DIZENDO

Tenho repetidamente escrito aqui no Aliás que a lei das rendas não é a maior responsável pela falta de dimensão do mercado de arrendamento nem pela continuação da degradação de muitos centros urbanos. O mercado do arrendamento só é exíguo se não se considerar essa outra forma de arrendamento que é a compra de habitação a muito longo prazo, tendo-se os bancos tornado os novos, e grandes, senhorios; a recuperação dos prédios degradados não é compensada pelos aumentos de rendas, por mais esticados que sejam, quando comparados com as expectativas dos senhorios na demolição e construção nova. Aliás, grande parte dos prédios degradados é constituída por prédios abandonados, por vezes há décadas, e alguns destes são propriedade municipal.
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Ouço na rádio, esta manhã, que o governo se prepara para alterar o imposto sobre o rendimento dos prédios arrendados, reduzindo-o para aqueles prédios que se encontram em bom estado de conservação e agravando-o para os que estão degradados. É um caminho certo mas é também um caminho curto. Algumas destas intenções já se encontram no código do imposto municipal sobre imóveis e não se têm observado resultados muito significativos. Por outro lado, continuam a ser menos atingidos fiscalmente os prédios desocupados que continuam quase despenalizados, o que constitui uma flagrante injustiça fiscal e um entrave à eficiência económica da propriedade por continuar a tributar a propriedade ocupada e a quase isentar a propriedade desocupada ou abandonada. Esta injustiça fiscal leva, em muitos casos, a um aproveitamento oportunista de que as câmaras parece não se darem conta: A propriedade realmente ocupada mas oficialmente desocupada quando o ocupante retarda (por vezes durante anos) a regularização da ocupação, adiando o início do pagamento do IMI.
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A intervenção fiscal na promoção da eficiência económica tem de confrontar-se com os factores de oposição concorrentes sob pena de não se alterar significativamente a situação que pretende remover. A proposta que hoje foi noticiada parece continuar a ser manifestamente insuficiente.

Wednesday, May 07, 2008

PETRÓLEO ULTRAPASSA OS 120 DÓLARES



Em Fevereiro de 2004, Stephen Leeb previu em "The Oil Factor" que outra crise petrolífera se avizinhava e os preços do crude poderiam atingir os 100 dólares/barril. Dois anos depois, em "The Coming Economic Collapse" corrigia as suas previsões admitindo que os preços do petróleo poderão atingir os 260 dólares/barril até ao fim da década. Ainda que a progressão dos preços não seja tão acentuada e se contenha na barreira dos 200 dólares os efeitos sobre a economia global serão dramáticos:
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"The battle royal over the next decade will clearly be betwwen the destrutive forces of inflation and depression. With oil moving toward $200 a barrel and higher, the risk of economic collapse will be greater than at any time in the history of capitalism. (...)"
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do Jornal de Negócios de hoje,

"Brent" supera os 122 dólares
Petróleo supera os 123 dólares por barril em Nova Iorque
Os preços do petróleo continuam a registar novos máximos históricos com a especulação de que o crescimento económico pode aumentar levando a uma maior procura petrolífera. Em Nova Iorque, o petróleo superou os 123
dólares por barril e em Londres os 122 dólares."
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Podemos fazer alguma coisa para minimizar as consequências desta crise entre nós? Há uma que, obviamente, podemos mas, realmente, não estamos a colocar nas primeiras linhas das preocupações nacionais : Poupar energia, aumentar a produtividade da energia consumida. Parece que muito pouca gente se dá conta que a nossa dependência energética é tão crítica quanto a dependência alimentar, que é também uma forma de dependência energética. A redução de uma e de outra dependências implicaria a adopção de medidas que ninguém se atreve sequer enunciar. Como se os abastecimentos estejam tão garantidos como o Sol todas as manhãs a Oriente.
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Até agora, o crescimento dos preços do petróleo em dólares tem-se enleado com a desvalorização da moeda norte-americana. Mas se, como nos últimos dias, este enleamento se desfizer e o dólar deixar de perder contra o euro, o aumento dos preços dos combustíveis pode tornar-se sufocante para as economias mais vulneráveis, como a nossa.

TIO LINO

O Tio Lino está a caminho dos noventa mas continua com mau feitio. Há dias, perguntou-me de chofre: Sabes o que é isto? Sei, foi um frigorífico, agora deve estar avariado. Qual avariado, qual quê, menino, isto agora é uma chocadeira de pintos. Pois tu não sabes que o que arrefece também aquece? A gente troca-lhe as voltas como deve ser e um frigorífico passa a chocadeira de pintos em menos de dois tempos. Estás a vê-los? Tem regulador de temperatura e tudo, senão coziam, não chocavam.
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Anteontem, passei por lá outra vez, e ele: Sabes quantos pintos tirei? Catorze, morreu um nas cascas, não sei porquê, mas estou a investigar.
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A casa do Tio Lino fica junto ao Centro de Dia, contam-se por dezenas o número de pessoas idosas, nem todas inválidas, que ali passam o dia, conversam, jogam, almoçam e voltam para casa à noite. Aos que não podem deslocar-se ao Centro, por incapacidade física, entrega-lhes o Centro o almoço em casa por um valor acessível.
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O Tio Lino não vai ao Centro nem pede nada ao Centro. Faz ele mesmo as suas refeições e no quintal (aliás, nos quintais, porque o Tio Lino tem dois) cultiva, com ajudas pagas à medida das necessidades, couves, batatas, cenouras, nabos, alfaces, a horta não tem de tudo mas quase.
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Lembro-me sempre do Tio Lino quando ouço os políticos, os críticos e outros almas aflitas que povoam este país gritarem que vem aí a fome, como se por tanto clamarem pudessem os deuses comoverem-se e nos garantirem a todos um lugar morno em Centros de Dia, independentemente da idade.

Tuesday, May 06, 2008

PREÇOS, PETRÓLEO E DÓLARES

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THE spirit of St Augustine hovered over the Federal Reserve this week. “Oh Lord, let us stop cutting interest rates, but not yet,” is pretty much what America's central bankers decided on April 30th. The Fed's governors cut their policy rate by another quarter-point, to 2%. But the accompanying statement gave a small hint that they may now pause.
There are plenty of reasons to stop cutting. Real interest rates are now firmly negative. Although the housing market continues to contract—the latest figures show sales falling, prices tumbling and the number of vacant homes soaring—the economy is limping rather than slumping. According to initial GDP estimates released on April 30th, output grew at an annualised rate of 0.6% in the first three months of the year—the same pace as in the previous quarter and faster than most people expected. The mix of growth was not good. Final sales fell while firms built up their stocks, which bodes ill for future output. But with tax-rebate cheques arriving in the mail, a dose of fiscal stimulus is imminent.
A growing chorus worries that ever lower policy rates are adding to America's problems. Some prominent economists, including Martin Feldstein of Harvard University and Bill Gross of PIMCO, a big money-management firm, have urged the central bank to stop. Fed cuts, they argue, are doing little to reduce borrowing costs but have sent commodity prices soaring—fuelling inflation and hitting Americans' wallets hard.
Thanks to the credit crunch, Fed loosening plainly packs less punch than hitherto. Lending standards are tightening across the board. The cost of a 30-year mortgage has risen over the past six months, even as short-term rates have tumbled. But monetary policy has not been impotent. One route through which it has worked has been the weaker dollar. Although the greenback has been sliding for over five years, the pace of decline stepped up as the Fed slashed rates. Since August the dollar has fallen by 7% against a broad basket of currencies and 13% against the euro. Together with strong global growth, this weakness has cushioned and reoriented America's economy. Strong foreign earnings have boosted corporate profits. Strong exports have countered the weakness in construction. Exclude oil, and America's current-account deficit has shrunk to an eight-year low of 2.4% of GDP.
But oil—and other commodities—are the crux of the problem. In the past, economic weakness in America has usually pushed the price of oil and other commodities down. That relationship has weakened thanks to demand growth in big commodity-intensive emerging economies. But the recent surprise is that commodity prices have soared even as America's economy has stalled and forecasts for global growth have been trimmed as well. No one expects global growth to accelerate this year, yet the price of crude oil is up 20% since the beginning of the year, The Economist's overall commodity-price index is up 18%, the metals index is up 24%, and the food-price index is up 18%. Supply shocks—from drought in Australia to strikes at Nigerian oil wells—are clearly part of the problem. But the fact that prices have soared across so many commodities suggests a common cause.
Could the culprit be the Fed? Advocates of this idea point to two channels. First, by slashing real interest rates, the Fed has encouraged speculation in commodities by reducing the cost of holding inventories. Second, by pushing down the dollar, Fed looseness is pushing up the price of dollar-denominated commodities.
Jeff Frankel, a Harvard economist, has long argued that low real interest rates lead to higher commodity prices
. When real rates fall, he points out, commodity producers have more incentive to keep their asset—whether crude oil, gold or grain—in the ground or in a silo, than to sell today. Speculators, in turn, have more incentive to shift into commodities. There is no doubt that commodities have become an increasingly popular investment category—in fact they bear many of the hallmarks of a speculative bubble. But inventories for many commodities, particularly grains, are unusually low.

What about the dollar link? Chakib Khelil, president of the Organisation of Petroleum-Exporting Countries, argued this week that oil could reach $200 a barrel largely because the market was being driven by the dollar's slide. Movements in the euro/dollar exchange rate and the price of oil have become extremely close (see chart). An analysis by Jens Nordvig and Jeffrey Currie of Goldman Sachs shows that the correlation between weekly changes in the oil price and the euro/dollar exchange rate has risen from 1% between 1999 and 2004 to 52% in the past six months.
That link is partly a matter of accounting. If the dollar falls, the dollar price of a commodity must rise for its overall price—in terms of a basket of global currencies—to remain stable. But commodity prices have risen even when priced in non-dollar currencies. And the correlation between changes in the price of oil and the euro/dollar exchange rate has risen even when oil is priced in a basket of currencies, such as the IMF's special drawing rights.
So is the weaker dollar driving oil prices up or are high oil prices driving the dollar down? The Goldman analysts argue the latter. Dearer oil is pushing the dollar down, they claim, because oil exporters import more from Europe than America and hold less of their oil revenues in dollars. A second factor lies with central banks. Because the Fed focuses on “core” inflation (which excludes food and fuel), whereas the ECB targets overall inflation, America's central bank runs a looser policy in response to higher oil prices, thus pushing the dollar down.
Another reason to suspect that the Fed is more than a bit player is that American interest-rate decisions have a disproportionate effect on global monetary conditions. Some emerging economies still peg their currencies to the dollar; many others have been reluctant to let their exchange rates rise enough to make up for the dollar's decline. As a result, monetary conditions in many emerging markets remain too loose. This fuels domestic demand, pushing up pressure on prices, particularly of commodities. All of which suggests that the Fed's decisions are propagated widely through the dollar.
The most recent circumstantial evidence also suggests that the Fed may bear some responsibility for the commodities boom. The dollar slipped after the Fed's rate-cut decision as investors reacted to its doveish tone, though at $1.56 per euro, it was still up 2.6% from its low of $1.60 on April 22nd. The price of oil, after hitting a record high of almost $120 a barrel on April 28th, had tumbled to $113 on April 30th. But the price of crude and other commodities rose afterwards. If those reactions persist, America's central bankers may have to reflect carefully.


Monday, May 05, 2008

A BATALHA DA GASOLINA

http://blog.washingtonpost.com/thefix/2008/05/gas_tax_fight_grow_hotter.html?hpid=topnews



Hillary, não é por este andar que vai lá.
A proposta de cortar os impostos estatais sobre o consumo de combustíveis vai em sentido contrário daquele que o bom senso aponta, e muita gente, mesmo do lado conservador defende*: o aumento, e não a redução, dos impostos sobre os combustíveis seria o melhor incentivo para os norte-americanos optarem por viaturas de consumos mais baixos. A redução de impostos sobre os rendimentos menores seria, por outro lado, mais equitativa que a redução dos impostos sobre combustíveis.
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* Alan Greenspan, por exemplo, defende em "The Age of Turbulence":
Another way to curb consumption woul be a gasoline tax of say, $3 or meore per gallon, phased in over five or ten years with the resuling revenue used to lower income or other taxes (...)

CRISE À PORTUGUESA

  • Ouço o noticiário da Antena 1, esta tarde, e ouço dizer o locutor que o Secretário de Estado Adjunto e do Orçamento disse, a propósito da espiral de preços de alguns bens alimentares, cereais sobretudo, que o problema em Portugal não será tão grave, isto é, os preços desses bens não subirão tanto quanto no resto da União Europeia porque, felizmente, estamos com níveis de inflação mais baixos.
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  • Como ainda há dias, um outro jornalista, neste caso do Jornal de Negócios, disse que o director do BDB tinha dito que "uma grande parte do aumento dos preços não está ligada ao euro, mas foi causada pela subida dos custos da energia e da inflação", começo a ter sérias dúvidas se os jornalistas andam todos a ouvir mal, se sou que não os entendo bem, ou se, afinal de contas, é a subida da temperatura a insuspeitada causa da febre.

Saturday, May 03, 2008

Friday, May 02, 2008

PACIÊNCIA DE EURO

Segundo notícia publicada hoje no Jornal de Negócios Online
os
Alemães querem deixar a moeda única europeia. Logo a seguir, a mesma notícia já diz que "Um terço dos alemães quer deixar a moeda única da Zona Euro e voltar ao marco alemão, uma vez que consideram que o euro é a principal razão para a subida da inflação na maior economia da Zona Euro". A seguir esclarece que "Dez anos depois do euro entrar em circulação, 34% dos alemães quer voltar a utilizar a sua antiga moeda, os marcos alemães, de acordo com um estudo da associação bancária BDB".
Dos inquiridos, 53% considera que a moeda única da Zona Euro é a principal razão para a subida da inflação na Alemanha e defende a sua posição com o facto do Banco Central Europeu (BCE) ter como principal objectivo o combate à inflação.
Porém, o director da BDB, Manfred Weber, referiu que "uma grande parte do aumento dos preços não está ligada ao euro, mas foi causada pela subida dos custos da energia e da inflação". O director acrescentou que "o euro é uma das moedas mais estáveis que existe".
A inflação na Alemanha atingiu os 2,6% em Abril, o que compara com os 3,3% registados em Março, anunciou o Departamento de Estatística Federal Alemão, quando o BCE define como meta os 2%.
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É confusão a mais, mesmo atendendo à rapidez com que estas notícias são lidas e processadas. E é altamente improvável que o director do BDB tenha dito o disparate que lhe é atribuído na notícia.
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A quem interessam estas notícias? Naturalmente a quem, querendo decreditar a União Europeia, sabe bem que a forma mais eficaz de o fazer é desacreditar a moeda única. Porque o euro é o cimento que pode garantir a continuação da construção da União. Sem ele, o edifício desmoronar-se-á.

DIRECTAS AO POPULISMO

Quando o PSD decidiu imitar o PS, escolhendo o seu dirigente máximo em eleições directas, esqueceu-se talvez da maior diferença que distingue os dois partidos que se reclamam sociais-democratas, e que se têm revesado no comando dos destinos do país nas últimas três décadas: a classe média dos grandes meios urbanos, mais politizada, que apoia o PS; a classe média dos meios urbanos e rurais, mais dispersos, que apoia o PSD. Enquanto os socialistas são agregados pelas convicções fundadoras do partido, ainda que cada vez mais ténues, os sociais democratas sustentaram sempre os seus resultados eleitorais em grande parte na mobilização popular contra o socialismo, não distinguindo propositadamente muitas vezes os socialistas dos comunistas.
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Mas existe ainda outra diferença significativa com impacto nos resultados em eleições directas: O hiato de afinidades entre entre as classes dirigentes de ambos os partidos e as suas bases é muito maior no PSD que no PS.
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Daqui decorre que as eleições directas no PSD tenderão sempre a conceder muito mais espaço de manobra ao populismo que no PS. Por outro lado, e em consequência desse maior distanciamento cultural entre as bases e os dirigentes, a fragmentação partidária no PSD tem mais probabilidades de ocorrer que no PS durante os períodos em que não são governo.
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Se assim for, os candidatos do PSD às próximas eleições dificilmente escaparão, mesmo os menos propensos, a jogar mais no campo das emoções que no das ideias. A proposta de P Passos Coelho de uma segunda volta entre os dois candidatos mais votados na primeira faz todo o sentido, porque remediaria, em parte, as consequências de um embate que não vai, certamente, dar maior unidade ao partido. Mas como não está prevista uma segunda volta nos regulamentos, e uma alteração nesta altura é virtualmente impossível, o novo presidente muito provavelmente contará, logo à partida, com uma oposição maioritariamente expressa nas directas.
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Amanhã o Expresso divulga sondagem que conclui que, somadas as intenções de votos no PSD e CDS, se as eleições legislativas fossem hoje, os dois partidos à direita do PS não ultrapassariam os 33,2%, valores que ficam aquem dos obtidos nas últimas eleições pelos mesmos partidos. Ainda, segundo a mesma sondagem, o PS renovaria a maioria absoluta.
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As próximas eleições, legislativas e municipais, são já no próximo ano. Até lá, o governo conta com o apoio das oposições internas no PSD e no CDS.

Thursday, May 01, 2008

MAIO DE 75

No dia 1 de Maio de 1974 terminou a Utopia sonhada em Portugal 5 dias antes. A celebração do Dia do Trabalhador convocada para o Estádio (redenominado) 1º. de Maio, em Lisboa, foi ao mesmo tempo o auge do delírio e o começo de uma tentativa de germinação de uma ditadura que queria crescer sobre o restolho da que fora abatida na madrugada de 25 de Abril. O PCP procurou a partir dali, suportado pela mobilização sindical, assaltar o poder através de um novo golpe militar. A oportunidade haveria de surgir na sequência da demissão do governo de Palma Carlos e da subsequente renúncia de Spínola. O 11 de Março de 1975 é a concretização dessa primeira fase da estratégia cunhalista. Nas celebrações do 1º. de Maio de 1975, Mário Soares é impedido * de aceder à tribuna e a luta partidária que se seguiu durante o Verão desse ano viria culminar com a tentativa de um novo golpe, abortado por um grupo de militares (Grupo dos Nove) a 25 de Novembro, e que colocou nos carris a democracia portuguesa. Pelo caminho ficava um registo de incidentes que colocaram Portugal nas manchetes da imprensa estrangeira pelos piores motivos. De entre esses incidentes, o sequestro dos deputados constituintes, no meio regozijo dos seus pares comunistas, foi um dos mais elucidativos exemplos da rejeição congénita do PCP às regras da democracia.
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Trinta e três anos depois, é ainda a Intersindical que mantém sobrevivente o único partido comunista do desmoronamento que atingiu todo o bloco soviético há quase 20 anos. Hoje terá, segundo as notícias, reunido cerca de 60 mil manifestantes na Fonte Luminosa, a mesma fonte que há 33 anos assistiu à maior manifestação de repúdio pelo assalto comunista, liderada por Soares. A proposta apresentada pelo governo de alteração do Código do Trabalho impulsionou a adesão à volta da central dominada pelos comunistas.
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Aparentemente, há muita gente ainda que não se interrogou porque razões chegaram a este nosso país, no extremo ocidental da Europa, empobrecido em todos os sentidos por uma ditadura que durou quase 50 anos, milhares de trabalhadores provenientes de países de leste que experimentaram a ditadura comunista em espaço de tempo equiparável.
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A oposição de direita, que geralmente invoca a rigidez das nossas leis do trabalho como uma das principais razões de não atractividade do investimento estrangeiro, tem agora oportunidade de ajudar a promover as alterações que removam aqueles factores negativos. Com as perturbações internas que os atravessam o mais provável, contudo, é que, mais uma vez, uma lei estruturante venha a ser aprovada apenas pelo governo, retirando-lhe consistência política no futuro.
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Da falta de maior consenso à volta do diploma que vier a ser aprovado, tira partido a Intersindical e, por tabela, o sobrevivente que lhe está enleado.
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* (...) Quando Mário Soares, com Salgado Zenha e outros dirigentes do PS, se dirigiu à tribuna do Estádio 1º. de Maio, onde decorriam as festividades e onde se comemorava o que ali tinmha acontecido um ano antes, não o deixámos entrar na tribuna. (...) Ele não ia entrar no palco para falar no Estádio 1º. de Maio. Aquele povo era nosso, e nós precisávamos dele. Na tribuna estavam, entre outros, o Presidente da República Costa Gomes, Vasco Gonçalves e Álvaro Cunhal, para além dos dirigentes da Intersindical. Na véspera, o governo tinha aprovado o decreto da unicidade sindical. (...) Eles tinham chegado com a manifestação dos que não queriam a unicidade sindical. ("Foi Assim", Zita Seabra)