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Monday, June 30, 2008

O PETRÓLEO DO PCP

Há tempos ( o assunto deste post já foi abordado aqui no Aliás há umas semanas atrás) perguntei ao meu Amigo L. Machado como governaria o PCP este país se fosse governo. Íamos ver "Rock´n and Roll" ao Teatro Aberto e nenhum de nós suspeitava da conexão da minha pergunta com o tema da peça. Dias depois, um conhecido militante do PCP, à mesma pergunta, respondia: pergunta ao Jerónimo. O meu Amigo não perguntou ao Jerónimo mas enviou-me o endereço da gravação da entrevista dada por Miguel Urbano Rodrigues à SIC Notícias com a indicação de ela corresponder à melhor resposta à minha pergunta. Apesar da boa vontade do L. Machado, depois de ter ouvido a gravação, continuo sem resposta.
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A entrevistadora começa por felicitar MTR pela sua previsão feita há quatro anos de que o petróleo iria subir para 125 dólares o barril. Ora a previsão de MUR é banal. Muita gente, dos mais diversos quadrantes, previu há muito uma escalada nos preços dos combustíveis, alguns deles de forma bem mais certeira que MUR. Um exemplo apenas: No meu post de 7 de Maio deste ano referi um livro que li há mais de um ano. Há cerca dele, comentei:
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Em Fevereiro de 2004, Stephen Leeb previu em "The Oil Factor" que outra crise petrolífera se avizinhava e os preços do crude poderiam atingir os 100 dólares/barril. Dois anos depois, em "The Coming Economic Collapse" corrigia as suas previsões admitindo que os preços do petróleo poderão atingir os 260 dólares/barril até ao fim da década. Ainda que a progressão dos preços não seja tão acentuada e se contenha na barreira dos 200 dólares os efeitos sobre a economia global serão dramáticos.
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Acerca do petróleo e da crise que ele arrasta, MUR, como não podia deixar de ser, atribui as culpas aos especuladores, os filhos naturais do capitalismo. Nada de novo, portanto. Não diz em que medida e como são responsáveis os especuladores. Limita-se a citar o que ouve à volta dele. O que faria MUR se fosse responsável por fazer alguma coisa acerca da matéria? Não disse. Presumimos, contudo, que fiel às suas convicções e à sua fé, nacionalizasse as petrolíferas que pudesse nacionalizar, e depois? Recrearia o "socialismo real" que faliu ainda há pouco tempo? Pelo que se percebe da resposta dispersa à questão colocada mais adiante pela entrevistadora (o que é o comunismo, hoje) MUR, depois de confessar o seu desencanto com a evolução do sistema na URSS, porque não contou com o povo, de exaltar as FARP e dar nota positiva ao regime cubano, MUR não tem manual de funcionamento dum sistema comunista à medida da sua utopia mas conserva o catecismo de combate aos infiéis.
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Depois do petróleo, MUR ataca a questão dos produtos alimentares, dizendo que há condições para alimentar o dobro das pessoas que neste momento constituem a população mundial, "desde que houvesse uma certa racionalidade". MUR é, como a generalidade dos políticos, e sobretudo dos mais demagogos, hábil na utilização de frases indefenidas que toda a gente desprevenida compra. Claro que se houvesse uma "certa racionalidade" (o que é isso?) o mundo seria outra loiça! Como é que isso se consegue, MUR não disse. E não disse porque nem sequer pode invocar a experiência fracassada que ele deixou de glorificar. É por demais conhecido que, faltava ainda muito tempo para a União Soviética implodir, e já a sua dependência de trigo dos EUA era a prova evidente que a "certa racionalidade" invocada por MUR tinha dado o que tinha a dar e não tinha dado grande coisa em matéria de autosuficiência alimentar.
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MUR aborda na entrevista outras questões, é certo. Mas as posições são as mesmas. O enviesamento da sua perspectiva e a calcificação do seu pensamento chega ao ponto de considerar neo-fascista o discurso e a prática política do actual primeiro-ministro. Até Manuel Alegre é acusado de não se desvincular da política neo-liberal do governo, quando a entrevistadora o interroga sobre a participação de Alegre no palco do BE.
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Depois do desmoronar da ideologia que animou o seu combate político durante décadas, de Miguel Urbano Rodrigues, com o seu passado etariamente respeitável, não poderia esperar-se já uma resposta aos desafios do mundo de hoje. Nem de MUR nem do PCP, etariamente mais novo mas intelectualmente tão calcificado como MUR.

Monday, May 12, 2008

OS ECONONEGATIVISTAS



"Even until his dead in 1834, Malthus felt obliged to deny that he was an enemy of mankind. Lecturers and authors still portray him at best as a dour person and at worst as a goblin well suited for Halloween. Yet his critics, he thought, donned the merry masks that marred their vision - preventing them from seeing that the light at the end of the tunnel was a train coming to them" - Todd G. Buchholz -New Ideas From Dead Economists
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Malthus voltou a estar na berlinda. Há escassez de cereais, chineses e indianos têm-nos vestido (e não só) nos últimos anos e têm agora dinheiro para comer melhor. As alterações climáticas, com consequências desastrosas em muitos casos sobre as condições de cultivo de alimentos, os aumentos dos consumos de energia (e mais uma vez o aumento do poder de compra de chineses e indianos, entre outros, está a desencadear uma espiral de preços) atraindo o desvio de quantidades de milho, ainda que relativamente pequenas, para a produção de biocombustíveis, são acusados culpados. Tudo somado, a resultante está a provocar um clamor geral: Vem aí a fome, Malthus tinha razão: a luz ao fundo do túnel é de um combóio que nos vem esmagar.
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Um dia, um maduro que gostava de fazer contas calculou que se todos os chineses quisessem, de um momento para o outro, passar a limpar o rabo com papel higiénico suave de duas folhas, aquele a que estamos habituados a usar no Ocidente, as florestas da Amazónia não chegariam para produzir o papel suficiente para colmatar tão inesperada procura. Diga-se, de passagem, que as florestas da Amazónia têm sido, e continuam a ser, dizimadas sem que o papel com que realizamos a nossa higiene mais primitiva tenha a mínima culpa no cartório, porque nenhum utiliza a madeira amazónica como matéria-prima.
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Tudo isto para dizer que a prevenção de Malthus não é, nunca foi e, espera-se, nunca será uma previsão acertada. O homem tem conseguido ultrapassar as dificuldades que escoravam os vaticínios de Malthus e o que defrontamos hoje não é um súbito crescimento populacional (a China tem, pelo contrário utilizado políticas, de algum modo censuráveis à luz dos valores das culturas democráticas, de redução forçada do ritmo de crescimento demográfico) mas a invocação de um direito legítimo de quererem os subalimentados comerem mais arroz, mais carne, mais pão.
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Se o alerta de Malthus, na sua época, procurava incentivar a adopção de medidas que contrariassem o crescimento demográfico (porque o crescimento da produção de bens alimentares, segundo ele, estaria condenado a uma progressão aritmética incapaz de acompanhar a progressão geométrica da população) o que atormenta os neomalthusianos hoje não é a bomba demográfica mas uma outra bomba que eles não sabem desactivar: a chegada ao mercado de poder de compra com que não contavam porque não quiseram contar.
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Anedoticamente, ao mesmo tempo que os clamores da fome inundam as notícias ouvem-se informações de que é cada vez maior o número de obesos neste lado do mundo e que, por exemplo, na Inglaterra se contam em biliões de libras o valor dos produtos alimentares deitados nos caixotes de lixo, por terem sobrado das refeições ou se terem estragado nas prateleiras e frigoríficos.
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E as notícias ficam por aí porque a generalidade dos comentadores fica-se pela queixa das dores.
Sugestões para ultrapassar a questão não aparecem ou, se aparecem, são obliteradas pelos lamentos dos que estão bem alimentados.
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Daniel Bessa ,prestigiado economista, embarcou esta semana no caderno de economia do Expresso no mesmo lundum: começa com uma síntese da tese de Malthus, segue com uma resenha da situação actual e termina com uma declaração anémica: "A questão apresenta-se muito difícil, não se vendo bem como poderá ser resolvida".
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Uma declaração que, nada acrescentando, não merece uma tijela de arroz.

Sunday, April 27, 2008

FOME 2

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The New Economics of Hunger
A brutal convergence of events has hit an unprepared global market, and grain prices are sky high. The world's poor suffer most.



In Chicago, Minneapolis and Kansas City, traders watched from the pits early last summer as wheat prices spiked amid mediocre harvests in the United States and Europe and signs of prolonged drought in Australia. But within a few weeks, the traders discerned an ominous snowball effect -- one that would eventually bring down a prime minister in Haiti, make more children in Mauritania go to bed hungry, even cause American executives at Sam's Club to restrict sales of large bags of rice.
As prices rose, major grain producers including Argentina and Ukraine, battling inflation caused in part by soaring oil bills, were moving to bar exports on a range of crops to control costs at home. It meant less supply on world markets even as global demand entered a fundamentally new phase. Already, corn prices had been climbing for months on the back of booming government-subsidized ethanol programs. Soybeans were facing pressure from surging demand in
China. But as supplies in the pipelines of global trade shrank, prices for corn, soybeans, wheat, oats, rice and other grains began shooting through the roof.
At the same time, food was becoming the new gold. Investors fleeing
Wall Street's mortgage-related strife plowed hundreds of millions of dollars into grain futures, driving prices up even more. By Christmas, a global panic was building. With fewer places to turn, and tempted by the weaker dollar, nations staged a run on the American wheat harvest.
Foreign buyers, who typically seek to purchase one or two months' supply of wheat at a time, suddenly began to stockpile. They put in orders on U.S. grain exchanges two to three times larger than normal as food riots began to erupt worldwide. This led major domestic U.S. mills to jump into the fray with their own massive orders, fearing that there would soon be no wheat left at any price.
"
Japan, the Philippines, [South] Korea, Taiwan -- they all came in with huge orders, and no matter how high prices go, they keep on buying," said Jeff Voge, chairman of the Kansas City Board of Trade and also an independent trader. Grains have surged so high, he said, that some traders are walking off the floor for weeks at a time, unable to handle the stress.
"We have never seen anything like this before," Voge said. "Prices are going up more in one day than they have during entire years in the past. But no matter the price, there always seems to be a buyer. . . . This isn't just any commodity. It is food, and people need to eat."
Beyond Hunger
The food price shock now roiling world markets is destabilizing governments, igniting street riots and threatening to send a new wave of hunger rippling through the world's poorest nations. It is outpacing even the Soviet grain emergency of 1972-75, when world food prices rose 78 percent. By comparison, from the beginning of 2005 to early 2008, prices leapt 80 percent, according to the
United Nations' Food and Agriculture Organization. Much of the increase is being absorbed by middle men -- distributors, processors, even governments -- but consumers worldwide are still feeling the pinch.
The convergence of events has thrown world food supply and demand out of whack and snowballed into civil turmoil. After hungry mobs and violent riots beset Port-au-Prince, Haitian Prime Minister Jacques-Édouard Alexis was forced to step down this month. At least 14 countries have been racked by food-related violence. In Malaysia, Prime Minister
Abdullah Ahmad Badawi is struggling for political survival after a March rebuke from voters furious over food prices. In Bangladesh, more than 20,000 factory workers protesting food prices rampaged through the streets two weeks ago, injuring at least 50 people.
To quell unrest, countries including Indonesia are digging deep to boost food subsidies. The
U.N. World Food Program has warned of an alarming surge in hunger in areas as far-flung as North Korea and West Africa. The crisis, it fears, will plunge more than 100 million of the world's poorest people deeper into poverty, forced to spend more and more of their income on skyrocketing food bills.
"This crisis could result in a cascade of others . . . and become a multidimensional problem affecting economic growth, social progress and even political security around the world," U.N. Secretary General
Ban Ki-moon said.
The New Normal
Prices for some crops -- such as wheat -- have already begun to descend off their highs. As farmers rush to plant more wheat now that profit prospects have climbed, analysts predict that prices may come down as much as 30 percent in the coming months. But that would still leave a year-over-year price hike of 45 percent. Few believe prices will go back to where they were in early 2006, suggesting that the world must cope with a new reality of more expensive food.

PAC E PARA ALEM DA PAC


O PR discursou na Ovibeja e desafiou os portugueses em geral, e os produtores agricolas e florestais em particular, a analisarem e discutirem por onde passam os seus interesses no aproveitamento dos seus solos, na reducao da sua dependencia alimentar de importacoes, na preservacao da sua paisagem, na revisao da PAC para um enquadramento mais consentaneo com os interesses das polulacoes em geral e menos de interesses de grupos.
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Portugal pode e deve defender os seus interesses no ambito da UE, e a necessidade de aumentar a sua autosuficiencia alimentar e mais que suficiente para adoptar politicas que alterem um stato quo que nao decorre das politicas da PAC, nomeadamente a utilizacao racional dos seus solos. Mas as politicas da PAC, podem e devem tambem ser alteradas e Portugal deve, na defesa dessas alteracoes, juntar-se aqueles que teem interesses identicos.
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O que nao faz nenhum sentido e que Portugal, o pais membro com maior dependencia alimentar no ambito da UE, continue a verem reduzidas as suas areas com aproveitamento agricola e florestal.
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E fundamental que o Ministerio da Agricultura va para o terreno, no sentido propriamente dito do termo. Se temos de pagar a milhares de funcionarios seria bom que soubessemos o que estao esses funcionarios a fazer.
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E o que sabemos, ou suspeitamos, e que fazem pouco.

Sunday, April 20, 2008

FOME

A fome sempre foi a causa maior de mortalidade em toda a história da humanidade. E continua ainda a deter esse abominável recorde mesmo depois da revolução verde e da criação de condições de produção de alimentos que poderiam, se estes chegassem onde a fome mata, evitar a dizimação pela subnutrição. Apesar do dramatismo dos números que quantificam ainda o flagelo da fome, a evolução tem sido positiva e a tragédia tem visto progressivamente limitados os seus horrores. De qualquer modo, sobre a consciência colectiva da humanidade continuará a pesar ainda por muito tempo o remorso e a vergonha pelo conhecimento, agora também transmitido em imagens que deveriam nausear quem as observa, se não se tivessem já banalizado, enquanto almoça ou janta, de gente que morre de fome neste mundo onde é cada vez maior o número daqueles que morrem por comer demais.
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Contrariando aqueles que sempre têem advogado que a questão da dependência do petróleo não é crítica para a humanidade, ou não é ao ponto de ser insolúvel a médio prazo, a recente, e brusca, transferência para produções de biocombustíveis de produções, ou de solos, até agora destinados a produção de alimentos, demonstra que as alternativas ao crude não aparecem sem apresentar factura. Para complicar a equação, acontece, em consequência da mesma razão fundamental ( o crescimento económico de dois gigantes populacionais) o crescimento exponencial da procura, eventualmente concorrencial entre si, de crude e de alimentos.
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A superação deste cenário de carência global de oferta energética (a fome é a mais dramática forma dessa carência) tem de sustentar-se i) na promoção de condições que aumentem a competência de populações até agora quase inibidas de concorrer nos mercados internacionais de alimentos, e a este propósito transcrevi atrás um editorial publicado hoje no Washington Post ii) na prosecução da procura de fontes alternativas de energia que não colidam com a produção de alimentos iii) na adopção de processos de aumento da produtividade energética iv) na adopção de medidas de racionalização dos consumos energéticos e de poupança de energia v) na recuperação de solos abandonados para o aumento da autosuficiência alimentar.
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Se os primeiros dois pontos se colocam aos portugueses primordialmente na sua condição de membros da União Europeia, a solução dos restantes passa por adopção de políticas que a Portugal compete, mas tarda, adoptar. A nossa dependência energética e insuficiência de produção alimentar só podem ser colmatadas com medidas inovadoras. Que estão a ser observadas na produção de energia eléctrica, mas não suficientemente na poupança de energia e no aumento da produtividade energética, e de forma ainda mais insuficiente no caso da produção de alimentos.

PROPOSTAS DE SAIDA

A Worsening Food Crisis
The U.S. and its allies need to act.

http://www.washingtonpost.com/wp-dyn/content/article/2008/04/19/AR2008041901601.html

THE WORLD'S most dangerous conflicts stem from religion and ideology -- tragic proof that man does not live by bread alone. But when bread is hard to get, that, too, causes unrest. And lately, it has been very expensive indeed: The World Bank estimates that global food prices have risen 83 percent in the last three years. Hence, food riots in Haiti, Egypt and Ethiopia and the use of troops in Pakistan and Thailand to protect crops and storage centers. Many countries are banning or limiting food exports. World Bank President Robert B. Zoellick says that 33 countries are at risk of food-related upheaval. Famine may revisit North Korea, parts of Africa or, disastrously for U.S. foreign policy, Afghanistan.
To many, the villain is biofuels. U.S. and European ethanol programs, intended as an antidote to climate change and an alternative to
OPEC oil, stand accused of snatching food from the world's hungry. According to India's finance minister, ethanol is "a crime against humanity." And it is part of the problem. The more corn becomes ethanol, the less will be available as food for people and livestock. In the U.S. farm belt, heavy ethanol subsidies, such as a tax break of 51 cents a gallon, encourage the shift. These subsidies were already questionable, in economic terms, before the commodity crunch. That they might contribute to hardship for the world's poor is another argument for reducing them.
But ethanol's impact should not be overstated. The International Food Policy Research Institute, which is critical of ethanol, pins about 25 to 33 percent of the recent price rise on biofuels; the
U.N. Food and Agriculture Organization guesses about 10 to 15 percent. Most of the crisis is rooted in three other factors: drought in grain-exporting Australia; the surging price of crude oil, which raises food prices through the costs of shipping and petrochemical fertilizer; and booming demand for food in China, India and other newly prosperous areas of the developing world. These areas consume not only more staples such as rice and wheat but also more meat from animals fed on grain. This trend is here to stay -- and, unlike Australian drought or oil inflation, no one should want it to go away. Lifting hundreds of millions of Asians out of poverty is a historic achievement.
To cope with the current situation, the United States must contribute its share to help the
U.N. World Food Program fill a $500 million gap in its budget. Congress should change U.S. law to let U.S. aid buy food in developing countries themselves, which could boost local producers. Looking further ahead, the U.S. and multilateral institutions must also support greater investment in farming in the developing world, including funding for research into improved crop yields, which has been in steady decline over the last 25 years.
Today's crisis could be tomorrow's opportunity. If the era of cheap food is over, higher prices might stimulate local agricultural production in Africa and other places that now depend on imports. This will be likelier if the United States and Europe finally dismantle the wasteful crop subsidies and trade barriers that fatten their farmers' bank accounts -- but distort international markets at the expense of the poor.

Monday, March 03, 2008

PÃO OU PÃES

"Enfim, cada um o que quer aprova, o senhor sabe: pão ou pães, é questão de opiniães ... o sertão está em toda a parte. " João Guimarães Rosa - Grande Serão : Veredas
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Como o preço do trigo aumentou mais de cem por cento, o preço do pão terá de aumentar cinquenta por cento para aindústria não ir à falência, anunciou o presidente da associação dos industriais de panificação.
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O Ministro da Agricultura, que não tem trigo para reabastecer o mercado quanto baste e baixar os preços do cereal, diz que a participação do custo do trigo no preço do pão não vai além de cinco por cento e, daí, que um aumento de cinquenta por cento não tem o mínimo fundamento.
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Retorquiu o presidente dos padeiros que o ministro é ignorante, o peso do custo do trigo é de vinte e cinco por cento no preço final mas, atenção, nem só de trigo se faz o pão e as outras coisas aumentaram bastante. De modo que não podem fazer por menos.
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A questão da escassez de cereais este ano é extremamente preocupante, sobretudo para os países mais pobres. Em Portugal, a solução do problema, que é grave, não passa pela subsidiação do preço do trigo, qualquer que seja a sua influência no custo final do produto. A autoridade de vigilância das leis da concorrência deve analisar se a proclamação do presidente da corporação dos industriais é ilegal e, se apartir dela ou de acordos entre os industriais, os aumentos resultam de concertação, que a existir, será sempre ilegal. E, se for o caso, entregar o caso aos tribunais.
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O subsídio nunca seria uma boa solução: porque distorceria as leis do mercado, com todas as implicações perversas que daí resultariam, beneficiaria indistintamente os mais e os menos favorecidos, e os industriais.
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As políticas sociais devem intervir do lado dos rendimentos e não das despesas. O caso do preço do pão é apenas um entre muitos.