Friday, March 14, 2008

AS MOTIVAÇÕES DAS ESPÉCIES

.
"As queixas sobre a educação encontraram agora um argumento político de força, graças à manifestação dos professores. A avaliação iria pôr termo a todos os males e levar-nos ao caminho da civilização.Mas, na verdade, a guerra contra os professores e os pedidos para que as autoridades actuem sem recuo faz esquecer o pormenor: avaliem o trabalho do Ministério nos últimos vinte anos (...)
.
Francisco José Viegas tem razão, tem até muitíssima razão, com a vantagem de dizer o que muita gente anda a dizer há muito tempo.

O que Francisco Viegas não diz é que os professores nunca fizeram manifestações públicas contra o irracionalismo das directivas pedagógicas e de conteúdos dos programas que lhes chegavam,

salvo quando

lhes disseram que as promoções automáticas iam acabar e, a partir de agora, havia avaliação de desempenho sujeito a quotas.

Andamos sempre a queixar-nos, e com razão, que o país não anda porque não há reformas estruturais.

Mal ou bem, elas têm aparecido, e logo aparecem todos os partidos da oposição a bater da forma que mais jeito lhes dá. Claro, que a partir daí, o governo que não quer perder as próximas eleições, vai- se ficando, em muitos casos pelas semi-reformas.

Esta da educação é paradigmática: a generalidade está de acordo que haja avaliação
mas (muito gostamos nós do mas!)
não pode ser assim, e/ou,
sobretudo, não pode ser tão à pressa.

Já agora,
Ouvi esta manhã na rádio, uma manifestante pública dizer, com grande contentamento, que "a greve de hoje está a ser uma boa greve, e os doentes vão certamente ver que assim é".

Uma pessoa amiga veio do centro do país para Lisboa, anteontem, para ser internado no Curry Cabral, foi internado ontem, tinha um exame médico programado para hoje, preparatório de uma intervenção que tem de ser realizada com urgência. Está neste momento no combóio, de volta a casa, porque não havia técnico para realizar o exame, estavam de greve, e não sabe quando pode agora ser operado.

Por causa de uma greve em nome de quê?
De um conjunto de regras que pretendem equiparar a função pública aos utentes da segurança social privada e as formas de avaliação do seu desempenho ao que se passa na generalidade das empresas.

Que faz a oposição mais representativa? Muda de cor.

Thursday, March 13, 2008

E AGORA, MANEL?

PSI-20 lidera perdas na Europa e já acumula uma perda anual de 21%

A bolsa nacional caiu mais de 2% e liderou as perdas entre os principais mercados europeus. O PSI-20 encerrou com 19 títulos no vermelho e já acumula um prejuízo anual de 21%. 19 títulos do PSI-20 encerraram em terreno negativo, a excepção foi a Jerónimo Martins que subiu mais de 2%, num dia em que a banca foi a mais penalizada.

Bolsas dos EUA recuperam e valorizam animadas pelo relatório da S&P

Os principais índices norte-americanos recuperaram das quedas registadas no início da sessão e seguiam a valorizar. A principal justificação para a inversão de tendência foi a divulgação de um relatório da Standard & Poor’s que, apesar de acreditar que ainda vão existir mais amortizações diz que as perdas associadas ao "subprime" estarão perto do fim.

http://www.jornaldenegocios.pt/default.asp?Session=&CpContentId=313398


UM PROBLEMA NOSSO

The Fed is delaying the day of reckoning
By Charles Wyplosz

http://www.ft.com/cms/s/0/5e9f14d6-f039-11dc-ba7c-0000779fd2ac,s01=1.html

In 1971, with the greenback weak and falling, US Treasury secretary John Connally famously told the rest of the world that the US dollar was “our currency and your problem”. Thirty years later, with the dollar strong and still rising, Robert Rubin, his successor, no less famously stated that “a strong dollar is in the interest of the United States”.
These days, because the dollar is weak and falling, we would have expected US officials to return to Connally’s mantra but they unexpectedly chose Rubin’s. On reflection, glorifying a strong dollar when it is so weak means they do not care. Connally without compassion, if you prefer.
Jean-Claude Trichet, president of the European Central Bank, is thereby left bemoaning
“excessive exchange rate moves”. This, too, is an extraordinary statement. In the past week the dollar has barely lost 1 per cent vis a vis the euro. That is significant, but “excessive”? Yes, he may be reacting to the 6 per cent dollar depreciation in the past month. Or to the 17 per cent change over the past 12 months. Or perhaps the 31 per cent depreciation since the dollar was last strongish in late November 2005.
Well, currencies float. They are bound to be sometimes overvalued and sometimes undervalued. This is what they do and these numbers are not especially large by historical standards. Margaret Thatcher, former UK prime minister, was right when she said that exchange rates were a matter for markets to decide.
Of course, markets react to monetary policies. As the US economy faces a recession, a weak dollar is in the country’s interests. As inflation exceeds its own definition of price stability, a strong euro is in the interests of the eurozone. End of story? Not quite.
We are witnessing one of those instances when the monetary authorities are not co-operating with each other. Co-ordinated emergency loans – with dubious soothing effects – hit the front lines, but they leave national monetary policies out of the equation. This raises two questions.
First, is one side needlessly creating hardships for the other? If Mr Trichet thinks the US Federal Reserve is overreacting, he has a point. Economic conditions surely call for medicine, but the
speed and scope of monetary easing is unheard of.
More worrisome is that it may not be the right medicine. One ill is the bursting of the housing bubble, which is partly the consequence of the subprime folly of past years. Driving the interest rate to the floor will not solve the problem.
Another ill is the continuing difficulty faced by banks as a consequence of reckless lending and poor investment judgment. The rebound of anxiety in the past few days amply demonstrates that massive easing of monetary policy is not working.
The banking problem calls for surgical treatment, not interest rate Band-Aids. Certainly, surgery may result in bank failures. The time for administering painkillers will come after the operation, not before. Right now, the Fed is delaying the day of reckoning and, in the process, exporting the US’s problems by adopting policies that, intentionally or not, weaken the dollar.
The second question is what co-operation could look like in the remote eventuality that it is seriously considered. Should the
ECB also lower its interest rates?
A case could be made that Europe will have to support demand for US goods and services anyway. This is currently done by knocking off European competitiveness, in effect spreading recessionary forces across the Atlantic. It would seem much better to lower interest rates in Europe and support the US economy with a strong European economy.
The problem is inflation. Bad luck has it that most primary commodity and food prices have risen at this most inauspicious time. The Fed has obviously chosen to risk letting the inflation genie out of the bottle, and is probably betting on the economic slowdown to keep the cork in place. Should the ECB follow suit?
Assume it does. The hope is that this would restart growth in the eurozone and simultaneously strengthen the dollar. Another scenario is as plausible, however. European banks, too, suffer from their own mistakes, so the lower interest rate may fail to produce the expected boost.
Alternatively the markets, enchanted by a possible resumption of growth in Europe, could push the euro even higher. Thus we would ask the ECB to take the risk of rekindling inflation, or simply of giving the impression that it does not care about inflation, in exchange for highly uncertain results. One does not have to be pathologically prudent to turn down that option.
In the end, exchange rates fluctuate, pretty much as they should under the circumstances, and seem to capture attention while financial institutions wobble but manage to escape the wrath of their supervisors. The authorities should co-operate, yes, but where it matters.
The writer is professor of economics at the Graduate Institute in Geneva

CHEQUES

Os reboliços causados pelas reformas na educação motivaram os ultraliberais a voltar à carga com o cheque-ensino. A ideia é aliciante para muita gente: com o cheque ensino acabavam-se as manifestações por causa das avaliações, das promoções, das direcções das escolas; acabava-se também com o ensino público em Portugal.
.
A experiência observada no ensino superior privado, contudo, leva a crer que, dentro de pouco tempo, grande parte dos proprietários das escolas secundárias privadas andaria com processos judiciais às costas por práticas ilícitas ou moralmente condenáveis, a qualidade do ensino degradar-se-ia ainda mais, o abandono escolar aumentaria, a desigualdade de oportunidades de educação seria ainda maior.
.
A escola pública, contudo, não pode comportar-se como se não houvesse hipótese de concorrência, como se pudesse viver irreversívelmente de um cheque em branco. Porque, nesse caso, irremediavelmente, seria paulatinamente ultrapassada por uma concorrência obrigada a fazer pela vida e, portanto, a impor-se.
.
Não é com cheques que se resolverão os problemas da educação em Portugal.

Wednesday, March 12, 2008

PETRÓLEO: 11O DÓLARES; EURO: 1,55 DÓLARES

O petróleo atingiu hoje os 110 dólares em Nova Iorque, o dólar caiu hoje para 1,55 euros. Reconheço que não foi atingido ainda o ponto em que as cotações em dólares do crude se desligarão da cotação da moeda norte-americana. Mas não pode estar longe. A menos que esteja próxima uma hecatombe financeira. O artigo de Martin Wolf que acabo de transcrever é de molde a recear o pior.
.
Um aspecto perverso da espiral especulativa forjada pela debilidade da moeda norte-americana é o crescimento dos preços das comodities em dólares (em geral, e do petróleo em particular) em resultado da procura de refúgio para os dólares débeis, debilitando-os ainda mais.
.
Mas nem só o petróleo é refúgio quando as bolsas estão rotas. O café, por exemplo, também. O preço da bica está a aumentar em consequência da crise das sub-prime. Parece do outro mundo mas é deste.

Os preços do petróleo registaram esta tarde novos máximos históricos depois da moeda única da Zona Euro voltar a somar um novo recorde face ao dólar. Em Nova Iorque o petróleo já superou a barreira dos 110 dólares por barril e em Londres passou pela primeira vez o patamar dos 106 dólares.
O West Texas Intermediate (WTI)
[Cot] atingiu um novo máximo nos 110,20 dólares e em Londres, o "brent", que serve de referência à economia portuguesa, seguia a valorizar 0,56% para os 105,84 dólares depois de também ter registado um novo máximo esta tarde ao negociar nos 106,39 dólares por barril.
Nas últimas 12 sessões, apenas num dia o petróleo não fixou recordes.
A impulsionar os preços do petróleo está o facto de o euro ter voltado a registar um novo máximo face à moeda norte-americana ao negociar nos 1,5526 dólares. A queda do dólar leva os investidores a reforçarem a aposta no mercado das matérias-primas.
O mercado continua a acreditar num corte da taxa de juro de 0,75 pontos percentuais para os 2,25% por parte da Reserva Federal (Fed) norte-mericana na reunião da próxima semana uma vez que existem receios de que as medidas ontem adoptadas pela autoridade monetária norte-americanas não sejam suficientes para travar uma recessão.
Por outro lado o Banco Central Europeu (BCE) deverá manter os juros inalterados nos actuais 4% devido aos receios de inflação.
"As pessoas estão a comprar petróleo como protecção contra a fraqueza do dólar ou risco de inflação" afirmou Tim Evans analista do Citigroup Global Markets citado pela Bloomberg.
Com a desvalorização do dólar os investidores voltam as suas atenções para as "commodities" como forma de se protegeram da inflação e da turbulência do mercado de capitais.

TSUNAMI NA COSTA FINANCEIRA

Going, going, gone: a rising auction of scary scenarios
By Martin Wolf


What am I bid on financial sector losses from the US subprime mortgage crisis? Do I have advances on the $100bn suggested by Ben Bernanke, chairman of the Federal Reserve, only last July? Yes, I now have $500bn from the gentlemen from Goldman Sachs. Any advances on $500bn? Yes, I have $1,000bn-$2,000bn from Nouriel Roubini of New York University’s Stern School of Business. Any advances? Going, going, gone.

It is easy to be cynical about this ascending auction of scary prognoses. But we cannot ignore them.
In “
Why Washington’s rescue cannot end the crisis story” (this page, February 27) I analysed the implications of aggregate financial sector losses of $1,000bn. That figure was in line with estimates by Prof Roubini and George Magnus of UBS. I concluded that even this would be manageable, if painful, for an economy as big and a government as creditworthy as that of the US. Prof Roubini objects that I have taken the downside too lightly. He now argues that financial losses might amount to $3,000bn.
A trillion dollars here, a trillion dollars there, and pretty soon you are talking real money, even for the US. So does this new bid make sense?
Most of the losses will fall not on the financial sector but elsewhere
. As Prof Roubini notes, a 10 per cent fall in house prices (relative to the peak) knocks off $2,000bn (14 per cent of gross domestic product) from household wealth. The first 10 per cent fall has already happened. What he sees as a likely 30 per cent cumulative fall would wipe out $6,000bn, 42 per cent of GDP and 10 per cent of household wealth. Already, falling prices are showing up in declining net household wealth. Prof Roubini also talks of a $5,600bn decline in the value of stocks and the possibility of additional trillions of dollars in losses on commercial property. Total losses might even equal annual GDP.
The principal direct effect of such losses will be on spending, particularly residential investment and household consumption. In the third quarter of last year, personal savings were a mere 2.4 per cent of GDP, while the financial balance of the personal sector (the difference between its income and expenditure) was minus 2.1 per cent. These patterns do not make sense when asset prices are falling. But a sharp rise in household savings would ensure a deep and durable recession.
Worse, the bigger the damage to the financial sector, the more credit-fuelled personal spending is going to dry up. So what might such overall losses mean for financial intermediaries. In Prof Roubini’s 12 steps to meltdown,
discussed here on February 20, 2008, he assumed that their losses on mortgages would be $300bn-$400bn, while losses on other assets (consumer debt, commercial real estate loans and so forth) would be another $600bn-$700bn, for a total of $1,000bn. On March 7, Goldman Sachs economists published an even higher estimate of mortgage-related losses, at $500bn, along with $656bn in other losses, for a total of $1,156bn. The mainstream has caught up. But Prof Roubini has moved on.
In reaching its conclusion, Goldman estimated a peak-to-trough house price fall of 25 per cent. In his comments on the FT’s forum, Prof Roubini suggests that, after price falls of 20 per cent from the peak, losses on mortgages could be as much as $1,000bn. With a 40 per cent fall, they could be $2,000bn. He adds another $700bn for other losses, to reach total financial sector losses of close to $3,000bn, or about 20 per cent of GDP.
So how does Prof Roubini reach these much higher figures? The difference between him and Goldman is not so much in assumptions about the house price fall: 25 per cent for Goldman Sachs and 20-40 per cent for Prof Roubini. Both also estimate that lenders would lose half of the loan value after repossession. But Goldman believes that just 20 per cent of households in negative equity would default, while Prof Roubini believes 50 per cent might do so.
For people with poor credit ratings and few assets, apart from their house, walking away does seem to make disturbingly good sense (“
Jingle-mail rings alarm bells for lenders”, Financial Times, March 7). Buyers with no equity had an option to walk. Now they are exercising it. This was demented finance. Yet, so long as the economy remains reasonably robust, highly indebted people with good career prospects would surely not wish to wreck their credit rating. Nevertheless, markets are pessimistic: the prices of even AAA tranches of securitised loans are collapsing.
Suppose, then, that Prof Roubini were right. Losses of $2,000bn-$3,000bn would decapitalise the financial system. The government would have to mount a rescue. The most plausible means of doing so would be via nationalisation of all losses. While the US government could afford to raise its debt by up to 20 per cent of GDP, in order to do this, that decision would have huge ramifications. We would have more than the biggest US financial crisis since the 1930s. It would be an epochal political event.
Yet, Goldman argues that, after allowing for loan-loss provisions, the proportion of loss-making loans advanced by the non-leveraged sector and the ability to write off losses against tax, its $1,156bn comes down to $298bn. If a similar magic could be worked on the Roubini numbers, the effective losses to the leverage sector would fall to less than $750bn – huge, but more manageable.
Much will depend on what happens to the economy. Unfortunately, the effectiveness of monetary policy is constrained when the worries are more about insolvency than illiquidity. Concern about credit quality is rampant, not least in the resurgent spreads on interbank lending. Monetary policy is further constrained when lower short-term interest rates fail to translate into long-term rates, partly because of worries about inflation.
Alas, worries are understandable. There are two ways of adjusting the prices of housing to incomes: allow nominal prices to fall or raise nominal incomes. The former means mass bankruptcy and a huge fiscal bail out; the latter imposes the inflation tax. In extreme circumstances inflation must be attractive. Even if it is not the Fed’s choice, it is what a reasonable outsider might fear, with obvious consequences for all asset prices.
I suspect Prof Roubini’s latest estimates are excessively pessimistic. But I am not certain this is so, given his record: just look at the vicious interaction between falling asset prices, financial stress and spending. We must pray that the Fed can clean it all up, without excessive collateral damage. Unfortunately, such prayers often go unanswered.

O PSD DE MENEZES SEGUNDO PACHECO PEREIRA


E MUITOS OUTROS

OS PROFISSIONAIS

É frequente ouvir-se, a propósito da impreparação dos políticos, que somos governados por aqueles que abandonaram a universidade, ou nunca lá entraram, fizeram tirocínio a colar cartazes, ascenderam na escala partidária por entreajuda conivente entre comparsas, alcandoraram-se a posições que não sabem minimamente como lhes dar a volta. Vivem da promiscuidade entre as funções que exercem e os interesses espúrios que servem e lhes pagam por isso. E, deste modo, se perpetuam nos cargos e inibem a renovação da vida política. A má moeda expulsa, deste modo, a boa moeda. São os profissionais da política do bloqueio.
.
Há, porventura, alguma verdade, mas não toda, nesta forma de olhar os políticos, muito idêntica à de quem se habituou nos estádios a gritar, fora o árbitro! para descomprimir os problemas familiares ou profissionais que os atormentam mas nunca se arriscou a dar um chuto na bola.
De tempos a tempos, fazem prova de vida alguns grupos de cidadãos que se dizem preocupados com o andamento e a rota do país, avançam com números de diagnóstico, prevêm o pior para daí a pouco, e depois metem a viola no saco para reaparecerem no terreiro, uns tempos mais tarde, a cantar a mesma balada cinzenta. Nenhum deles apresenta uma proposta, nenhum deles defende uma política concreta, nenhum deles arrisca a ser votado. Depois da balada tocada fica-nos no ar um sentimento de maior desespero e de nenhuma esperança.
.
Ora toda a gente reconhece que, mais do que nunca, o exercício de qualquer função exige preparação adequada, especialização e traquejo. Se só o cirurgião experiente corta por onde deve, o advogado experimentado assegura a melhor defesa, o engenheiro senior garante que a ponte que projecta não se derruba às primeiras, por que razão não se reconhece que o agente político deve ser profissional para governar melhor? Há, aliás, uma lacuna, em que aparentemente ninguém repara, na grelha dos muitos cursos (demasiados, tantos que muitos vão acabar por falta de candidatos em número suficiente) que o ensino superior público oferece, e que tenho muita dificuldade em entender por que não é preenchida: a formação superior específica para quadros da administração pública.
.
Há, evidentemente, casos de líderes que ascenderam a altos cargos da governação sem experiência anterior em cargos subalternos. Mas não é esperável que o Estado, sendo uma entidade altamente complexa, possa ser bem administrada geralmente por pessoas com curriculo político transitório. Não é com milicianos que se ganham as guerras, e dos mercenários não pode esperar-se devoção irreversível.
.
O profissionalismo competente, por outro lado, exige remuneração compensatória sob pena de ser o campo da governação ocupado sobretudo por aqueles que não têm alternativas para a exiguidade das suas capacidades ou pelos oportunistas que investem na política para retirar rendimentos quando, parcialmente, saem dela. Nos tempos que correm, onde o Estado assume uma posição de agente económico de dimensão desmesurada, um político é mais um gestor comprador que um vendedor de ideias. E aos compradores, se não lhe pagam adequadamente, alguém lhes pagará.
.
Aos milicianos, mercenários e oportunistas, prefiro os profissionais da política. Mas sentir-me-ia mais confortável, enquanto cidadão e contribuinte, se fossem pagos competitivamente. Até porque, sendo melhores, poderiam ser muito menos.

Tuesday, March 11, 2008

A GUERRA DO PETRÓLEO

Entre a crise despoletada pela desastradamente consentida e abraçada prática das sub-prime, que lançou alegremente (quer dizer irresponsavelmente) os mercados financeiros numa situação de crise de consequências ainda incalculáveis, e a disputa pelos recursos petrolíferos ainda em estado de guerra surda, o mundo económico anda aos safanões e corre o risco de se encalhar com grandes rombos nos cascos.
.
Do mal o menos: O dólar parece estar a desligar-se dos aumentos dos preços do crude. Se no meio do turbilhão se afundasse o dólar, a crise mundial contagiada a partir dos EUA seria ainda muito mais grave. As grandes economias emergentes (China e Índia, principalmente) não têm ainda peso suficientemente estabilizador da economia mundial quando a economia norte-americana entra em perda de velocidade. Comportam-se bem como aceleradores mas não têm a força suficiente de motores de arranque. E precisam de combustível para os seus motores, em quantidades exponencialmente crescentes.
.
Talvez esta guerra do petróleo obrigue à descoberta de alternativas energéticas decisivas a curto prazo para além de obrigar à alteração de hábitos de consumo de energia. As guerras costumam ter algumas consequências positivas no campo da inovação tecnológica.
.


A pumpjack works outside Glenrock, Wyo. U.S. facilities provide only a fraction of the oil consumed by the country's drivers and industries. (By David Zalubowski -- Associated Press)
.
.
Fuel Prices Siphoning Money From U.S. Economy
Cheney Visit to Saudi Arabia May Include Plea on Oil Output

By
Steven Mufson Washington Post Staff Writer Tuesday, March 11, 2008;


Crude oil prices continued a record-breaking climb today that pushed it past $109 a barrel, while the price of regular unleaded gasoline at the pump came within half a cent of its all-time high.
A White House announcement that Vice President Cheney would probably ask Saudi Arabia to boost oil output during a trip to the Middle East next week did nothing to blunt a run-up in prices that yesterday added $3 to the cost of a barrel.

As the rising cost of crude oil trickles down to the gasoline pump, fuel prices are siphoning cash away from other consumer spending, making it harder to revive the flagging U.S. economy and putting pressure on the Bush administration. It also siphoned more money out of the country: The Commerce Department reported today that the U.S. trade deficit jumped in January to $58.2 billion, compared to $57.9 billion in December, as a record, $27.1 billion monthly bill for imported crude helped offset an increase in U.S. exports.
According to the auto club AAA, the price of gasoline climbed to $3.222 a gallon yesterday, just shy of the $3.227 record set May 24.
"We're hurting in this thing, and it doesn't look like there's any end of it," said Ralph Bombardiere, executive director of the New York State Association of Service Stations and Repair Shops. "It looks like it's heading to $4" a gallon.
Bombardiere, who said members of his group of small service stations were having trouble raising pump prices fast enough to keep up with rising wholesale costs, added: "As the price goes up, it becomes a concern for us. We're the last line. We're the guys you face."
An opinion poll conducted in early February by the Pew Research Center for the People and the Press showed that 35 percent of Americans named the rising price of gasoline as the economic issue that worried them most. In the same poll, 60 percent of those surveyed said it was "difficult" for their families to afford gasoline. Since the poll was completed, retail gasoline prices have risen 24.7 cents a gallon.
The prices of other petroleum products are also soaring. Diesel fuel, usually cheaper than gasoline, is now more expensive. The Energy Department's Energy Information Administration said the average U.S. price of diesel was $3.819 a gallon in the week ending yesterday, up 53.9 cents in just four weeks. Heating-oil prices are also at all-time highs, up more than a dollar a gallon over the past year.
Cheney is scheduled to meet Saudi King Abdullah during a trip that starts Sunday. Discussions are expected to deal with oil and the security situation in Iraq.
Saudi Arabia is the world's biggest oil exporter and has more excess production capacity than any other member of the Organization of the Petroleum Exporting Countries.
However, despite President Bush's entreaties, Saudi officials have asserted that oil markets have adequate supplies.
"I'm sure that energy issues will come up there," said White House spokeswoman Dana Perino. "Certainly the position of the United States and the president is that we believe that more supplies should be out there on the market. And the president does want OPEC to take into consideration that its biggest customer, the United States, that our economy is weakened, and part of the reason is because of higher oil prices; we think that more supply would help."
Democrats seized on the price increases to hammer Bush for his threat to veto an energy tax bill that would eliminate a tax break for the five biggest oil companies and extend tax breaks for solar and wind projects.
"How many records does the price of oil have to set and surpass before President Bush stands up for hardworking American families and stops taxpayer giveaways to Big Oil?" House Speaker Nancy Pelosi (D-Calif.) asked in a statement.
Analysts blamed the relentless increase in petroleum prices on an influx of investors fleeing sinking and unsteady financial markets and those searching for hedges against inflation. Unlike most other days recently, however, prices of other commodities -- including gold, copper and platinum -- fell while oil prices rose again.
While there are signs that U.S. gasoline consumption has flattened or declined slightly in the past few weeks, traders and investors still expect world demand for oil to remain strong. China's crude oil imports grew 18 percent last month, according to Bloomberg News.
Last week,
Goldman Sachs raised its forecast for 2009 U.S. crude prices to $105 a barrel from $90 a barrel. Lehman Brothers has also raised its first-quarter forecast for crude prices, and today the Energy Information Administration is expected to increase its short-term oil price forecast. Its last forecast, issued only a month ago, had predicted oil prices of just $88 a barrel for March.
Gasoline prices are rising as crude costs grow. Tancred Lidderdale, an analyst with the EIA, said gasoline prices rise about 2.4 cents a gallon for every $1-per-barrel increase in crude oil.
Lidderdale said an additional factor in rising gasoline prices was the annual switch of refineries to make summer-grade gasoline, a more expensive form designed to minimize the evaporation of fuel in the summer heat.

MAIS PECADOS MORTAIS

Sua Santidade Bento XVI voltou a ocupar-se com o Inferno. Depois de, há dias, ter recordado aos mais distraídos ou despreocupados que o Inferno existe, ouço esta manhã na rádio que o Papa decidiu aumentar a lista dos pecados mortais, aqueles que dão entrada directa no Inferno, e que eram sete desde o sec. VI, decretados pelo papa Gregório I. Sarfando na net à procura de mais detalhes, porque a ignorância da lei não aproveita a ninguém e muito menos o livra do Inferno, se for caso disso, encontrei uns padres inquietos que dizem que estamos a assistir a
.
"Uma verdadeira revolução.
Depois do papa Gregógio I no século VI ter estabelecido os sete pecados capitais, agora o papa Bento XVI acrescenta mais alguns. A nova lista foi publicada no Jornal Osservatore Romano.
1. Soberba;
2. Avareza
3. Inveja;
4. Ira;
5. Luxúria;
6. Gula;
7. Preguiça;
8. Poluição do ambiente;
9. Pedofilia;
10. Pobreza extrema uns e riqueza escandalosa de outros;
11. Tráfico do droga;
12. Manipulação genética, nomeadamente com embriões.
.
Ficamos, deste modo, confrontados com uma proclamação que é um atestado da evolução do carácter humano em direcção aos abismos por manifesta desconsideração dos avisos incansavelmente repetidos: a condenação ao fogo eterno não só não inibiu a humanidade de reduzir a lista como, de forma contumaz e relapsa, ela arranjou novas formas de se grelhar. O que não abona muito a favor do efeito dissuasor da pena capital eterna. Por outro lado, houve durante séculos um equilíbrio na balança celestial: aos sete vícios que empurravam a humanidade para o Mal opunham-se três virtudes teologais (Fé, Esperança e Caridade) e quatro cardeais (Prudência, Força, Justiça e Temperança) do lado do Bem. Com esta alteração do lado do Mal, o desequilíbrio parece fatal para a condição humana.
.
Suponho que prevalece, também neste caso a não retroactividade das leis, e as penas decorrentes da prática dos agora classificados como pecados mortais, não se aplicarão aqueles que, à data da promulgação da lista, se encontravam em situação de pecado sem penas. O que é pena.
Em todo o caso, mais vale tarde que nunca, e a iniciativa papal tem de merecer o nosso incondicional aplauso. Pena é que não seja mais precisa, e exigente com os membros da Igreja.

Monday, March 10, 2008

AVALIAÇÔES

Do professor Marcello, disse um dia alguém com elevado sentido de avaliação, que ele "sabe de tudo mas não sabe mais nada". À argúcia, à inteligência, à intensidade do professor-comentador é difícil escapar um movimento sequer de qualquer ser vivo: desde o governo e dos ministros, dos políticos em geral aos treinadores de futebol, o professor Marcello avalia tudo e sempre com quotas nas cotações que dá.
.
Ontem, no seu programa dominical (de serviço público, por suposto, como dizem nuestros hermanos) o professor Marcello deu notas aos ministros, desde muito bom a sofrível, a ministra da educação não lhe mereceu mais que um 10 de favor. E porquê? Porque, basicamente, a ministra esquece-se que as avaliações dos professores são dadas pelos professores, e que se os professores não quiserem dar avaliações a ministra ficará a falar sózinha. Portanto, segundo Marcello, o governo não tem alternativa senão arrefecer o assunto, esquecendo a avaliação. A não ser que fizesse o que deveria fazer: despedir a ministra, por menos despediu Cavaco Silva Leonor Beleza e Miguel Cadilhe que valiam cem vezes mais que Maria de Lurdes Rodrigues, segundo os cálculos precisos do professor Marcello. Que aliás, também contou os manifestantes e chegou à conclusão que, se não estavam lá os professores todos, estariam lá noventa e muitos por cento deles.
.
A mim, que também gosto, às vezes, de fazer contas, parece-me que o professor Marcello exagera nas contagens e nas previsões: Imagine, professor Marcello, que o ministério decide não pagar promoções sem avaliações, que enquanto as classificações das escolas não chegarem ao ministério não há processamento de aumentos. Será inconstitucional? Por quê?
.
Só o professor Marcello foi encartado para avaliar sempre e quando lhe dá na real gana?
Os votos dos noventa mil professores manifestantes são respeitáveis e os seus protestos também. Mas os votos dos outros seis milhões de cidadãos que votaram também. Não?

Sunday, March 09, 2008

OS DÓLARES E OS PETRODÓLARES

Clicar para aumentar a imagem

Que a queda do dólar se repercute no aumento dos preços do crude, (e de todas as matérias primas cuja moeda de transacção é o dólar, desde que o respectivo mercado esteja comprador) é uma afirmação que não é muito susceptível de ser controvertida. Os fornecedores aumentam os preços quando a procura excede a oferta e recuperam o valor perdido na desvalorização da moeda de transacção quando, e na medida em que, esta se desvaloriza. Mas não recuperam os valores entretanto encaixados e que se desvalorizam, se permanecerem em dólares.
.
A desvalorização, efectiva ou esperada, de uma moeda aconselha à sua troca por outro valor mais seguro. O caudal de petrodólares que passa neste momento pelos pipelines financeiros do mundo continua a engrossar desmedidamente. O aumento dos preços do crude induzidos pela desvalorização do dólar induz, por outro lado, a uma desvalorização mais acentuada ainda. Até onde?
.
Quando o dólar passou, há dias, a fasquia de 1,5 contra o euro e o preço do petróleo se instalou acima dos 100 dólares/barril, pensei que a moeda norte-americana se iria estabilizar e as cotações do crude cresceriam sobretudo por conta da pressão da procura. Daí para cá, o dólar continuou a sua queda e encerrou no fim-de-semana à volta de 1,54. Apesar desta evolução, continuo a pensar que a continuação da desvalorização do dólar pode ameaçar ainda mais a actual situação de instabilidade dos mercados financeiros causando rombos irremediáveis em muitos sectores da economia a nível global mas atingirá também os detentores das montanhas de dólares facturados pelos produtores de petróleo, e ainda pelos chineses, indianos, entre outros. Não quero acreditar que eles continuem a querer lançar fogo à pira que coleccionaram. Daí que, espero, o dólar não possa cair mais.
.


Dollar's Decline Pushes Oil Price Up

The punishing rise in oil prices over the past 14 months has differed from earlier oil price shocks because there has been no single headline disruption in oil markets -- no embargo, no new outbreak of war in an oil-rich nation. Instead, the price of oil has climbed because of a mixture of political tension over Iran, the slide in the dollar's value, OPEC's reluctance to boost production to drive down prices, and the rising tide of investments in commodities as fund managers diversify portfolios, flee sagging stocks and bonds, and seek a hedge against inflation.
One key issue: the value of the dollar. Crude oil is priced in dollars. So when the dollar is falling in value against other currencies, the price of crude oil usually rises. Why? Because European and Japanese importers can still buy oil for the same price in their own currencies even if the dollar price rises. Oil-exporting countries also like higher dollar-denominated oil prices when the dollar goes down so that their revenues cover the same amount of goods purchased in countries other than the United States.
This chart shows that the increase in oil prices is substantially lower in other currencies. But even in euros, Canadian dollars and Japanese yen, the increase in crude oil prices over the past year has been steep.

TEXAS

As notícias de criminalidade violenta em Portugal, e sobretudo nas maiores áreas metropolitanas de Lisboa e Porto, que se têm intensificado nos últimos tempos e que obrigaram o Governo a corrigir a pontaria admitindo o reforço de meios humanos e humanos, encontram na proliferação de armas ilegais (o Expresso de ontem referia um cálculo que atira para cima de 1,3 milhões de armas ilegais) uma das causas do súbito agravamento do sentimento de insegurança.
.
Há, segundo estimativas que se julgam credíveis, cerca de 2,3 milhões de armas em Portugal, das quais pelo menos 700 mil (as ilegais) não se encontram em boas mãos, para utilizar um jargão do tempo do PREC quando algumas facções políticas que emergiram no pós 25 de Abril jogavam às revoluções. Hoje, para muitos detentores de armas ( e estatisticamento há, em média em Portugal, cerca de 1 arma de fogo por cada 2 famílias) a vida não é um valor absoluto e os criminosos começam a tomar o freio nos dentes.
.
Há dias comentava aqui, em sequência de anteriores posições minhas sobre o mesmo tema, que "Sendo os recursos limitados, o Governo deveria reforçar o orçamento da segurança interna transferindo recursos da defesa."
.
Defesa externa, entenda-se, onde o inimigo é difuso e distante, pelo menos para a esmagadora maioria das pessoas, contrariamente ao inimigo interno que cada vez se mostra mais ameaçador e violento.

Saturday, March 08, 2008

OS BONS E OS OUTROS

O "Público" distribui às sextas-feiras, conjuntamente com "A Bola", já há algum tempo, um semanário gratuito ("Sexta-feira") que não costumo ler. O "Sexta-feira" é dirigido por João Bonzinho, o que me motivou a abrir a referida publicação esta sexta-feira foi o "tema de capa" : "Povo volta a sair à rua numa semana de luta contra o Governo" "A contestação da função pública estende-se a toda a linha e ganha a partir de hoje forma de protesto marcante. O momento é ainda mais delicado após a revelação de algumas regras do novo Estatuto Disciplinar do Trabalhador quanto a despedimentos".
.
Logo na página 2, escreve o professor da Faculdade de Economia em Coimbra Elísio Estanque":

(...) Na actual conjuntura é visível o divórcio entre o Governo e o eleitorado (que lhe deu a maioria). A sua fraca sensibilidade social, o défice de diálogo com os sindicatos, a estagnação económica com perda do poder de compra, o bloqueio das carreiras, o agravamento das desigualdades sociais, etc., conduziram ao enquistamento social e despoletaram a onda de contestação em curso. Importa, portanto, não confundir estas grandes manifestações com manipulações político-partidárias. São protestos que traduzem um real descontentamento das pessoas".
.
O professor Estanque é também autor do blogue Boa Sociedade .
.
O artigo do professor incitou-me a algumas reflexões, não pela originalidade do tema nem dos argumentos mas pela sua não originalidade: Há muito boa gente que diz o mesmo. Mas, desses, muito poucos ensinam em faculdades de economia.
.
Quando Elísio Estanque afirma que ..."é visível o divórcio entre o Governo e o eleitorado que lhe deu a maioria..." é visível que o professor exagera e deixa que emoção lhe tolde a razão, driblando nele a sua condição de funcionário a sua condição de docente. Porque, é evidente, que se o eleitorado que deu a maioria ao Governo estivesse neste momento contra o Governo as sondagens não continuariam a dar ao executivo expressiva vantagem sobre o segundo classificado, aliás em queda. Tão pouco se observa significativa transferência de apoios para o PCP, o BE ou o CDS. Como professor, espera-se de Elísio Estanque mais contenção na emoção do que a muita gente menos familiarizada com noções elementares de estatística .
.
A falta de sensibilidade social, o défice de diálogo com os sindicatos, a estagnação económica, a perda do poder de compra, o bloqueio das carreiras, o agravamento das desigualdades sociais, são temas que muita gente boa enuncia como estribilho da canção dos sindicatos da função pública. Porque é da função pública, e muito especialmente dos professores neste momento, e não do povo em geral, como o título do tema de capa do "Sexta-feira" pretende fazer crer, que trata o tema de capa.
.
Seria interessante que o professor Estanque fosse mais preciso nas suas conclusões, e talvez concluísse que aqueles que mais poder de compra perderam, aqueles que viram as suas condições socio-económicas mais degradadas, aqueles que desde sempre estão sujeitos a despedimento, que desde sempre foram sujeitos a avaliação, que não dispõem de sistema de segurança social especial, que se reformam aos 65 anos, são outros. E que, se o Governo cedesse aos sindicatos da função pública a manutenção do stato-quo, o país continuaria bloqueado.
.
Porque há razões para o país ter chegado à situação a que chegou e essas condições não foram, seguramente, criadas nos últimos anos. Vêm de longe. O professor Elísio Estanque sabe isso perfeitamente.
.
Declaração de interesses - Não sou, nunca fui, não conto ser filiado em qualquer partido político. Sempre votei mas voto de acordo com a minha apreciação em cada momento de votar.

Friday, March 07, 2008

BERARDO

Berardo processa ex-gestores do BCP por perdas de 800 milhões
http://www.jornaldenegocios.pt/default.asp?Session=&CpContentId=312931


Joe Berardo, maior accionista individual do BCP, está a preparar uma acção judicial contra antigos administradores da instituição que, de acordo com os seus cálculos, terão causado prejuízos de cerca de 800 milhões de euros ao banco.
.
Muito provavelmente, o resultado só será conhecido daqui a vários anos. Mas a acção de Berardo só pode merecer o maior aplauso. Discorde-se ou não com o seu estilo ou com muitas das suas práticas, Berardo é preso da fala mas fala que se farta, e não é preso de coragem e ousadia. Neste caso do Millennium a defesa dos interesses de Berardo passa também pela defesa dos interesses de muitos pequenos accionistas a quem falta força suficiente para avançar contra quem privilegiou os interesses de uma minoria à custa de todos os outros, que são muitos. Nem todos os accionistas são iguais, logo nem todos têm os mesmos direitos. Pois não. Mas todos têm direitos proporcionalmente iguais. Berardo, neste caso, pode obrigar à reposição daquilo que foi sacado a descoberto.

Thursday, March 06, 2008

O CÉU E O INFERNO

Sua Santidade o Papa Bento XVI entendeu por bem recordar, há dias, aos mais distraídos, ocasionais ou relapsos, que o Inferno existe. Quem é que tem dúvidas?
.
Ontem entrou-nos em casa mais uma dessas notícias televisivas que nos dão a volta ao interior: Um homem, na casa dos cinquenta, suponho, empregado numa Câmara Municipal, padece de enfermidade que o inibe de equilibrar-se convenientemente e o impede de expressar-se de forma normal. O presidente da câmara reconhece a incapacidade do trabalhador e deu indicações para não serem atribuidas tarefas. O homem vagueia atarantado pelo local de trabalho, impossibilitado de não comparecer, impossibilitado de fazer seja o que for. A junta da Segurança Social que analisou o seu caso não lhe concede a reforma, considerando-o apto para o serviço.
A estação de televisão que dá a notícia aproveita a oportunidade para colar outras situações, recentemente noticiadas, com contornos médicos distintos mas as mesmas sentenças: Aptos para o serviço. Todos eles claramente atingidos pelo infortúnio de forma irreparável.
.
Não há muito tempo uma outra junta atribuiu ao dr. Paulo Teixeira Pinto, de 46 anos de idade, ex-presidente do Millennium BCP a condição de inválido e, em consequência, garantiu o inválido ex-banqueiro uma reforma mensal de 35 mil euros.
.
Por que razão procedem assim as juntas? Mistério? Só para quem não acredita que o Inferno existe e fica longe do Céu.

Wednesday, March 05, 2008

NÃO HÁ PERIGO DE CONTÁGIO?

Did you say “decoupling”?
Philippe d'Arvisenet Mar 5, 2008 http://www.rgemonitor.com/euro-monitor

The eurozone does not seem to be exposed to the risk of recession. It does not make subprime loans. Only Spain and Ireland have been hit by the downturn in house prices. Unemployment continues to ebb, ensuring some resilience in terms of consumption, and corporate balance sheets are generally healthy. Yet it is difficult to imagine that such a severe slowdown in the world’s largest economy would not have an impact on the eurozone, whose economic cycle peaked over a year ago. Furthermore, the current financial shock cannot be considered a purely American phenomenon, even though it originated there, since the consequences of the subprime crisis have spread across borders.The shock is no longer specific, but has become symmetric. The message from economic indicators is very clear. The European Commission’s economic sentiment index has plunged by 10 points compared to the May 2007 level. It fell to 103.4 in December and on to 101.7 in January, the lowest score since mid 2001. The downturn has hit both industry (down 6 points from the July peak) and consumers (-12 in January vs –9 in December, compared to a historical average of –11). Manufacturing PMI is still in expansion territory, but has fallen sharply (to 52.8 from 56.3 in December). The services PMI has followed similar trends, dropping to 50.6 from 53.5. The composite PMI naturally kept pace, dropping from 54.7 in early fall to 51.8 in January. This is in line with a quarterly growth rate of 0.3% (see chart 1).The ECB’s bank lending survey for January showed a tightening of lending conditions. The proportion of banks indicating tighter lending conditions rose from 21 last fall to 24 for loans to SME; from 38 to 39 for large corporations (the proportion indicating a strong tightening rose from 2 to 10); from 10 to 15 for home loans and from 5 to 7 for consumer loans. Unsurprisingly, there also has been a net tightening of financing conditions for M&A operations (from 32 to 47). All in all, 18% of these establishments attributed the tightening movement to the financial turmoil, and 45% indicated that the crisis would lead to a further tightening in the months ahead (39% in Q4) for the same reason. It is even more alarming, however, that the downturn in economic prospects was also mentioned just as frequently, and that if the economy deteriorated, it would lead to even wider spreads. So far, quantitative rationing has hardly come into play: lending to companies increased 14% in November, reflecting in part the impact of the commercial paper crisis.Inflation has surged, rising to 3.2% in January, the highest level in 14 years, from 3.1% at the end of 2007, and is now well above the ECB’s target rate. Under this environment, the ECB is bound to maintain its wait-and-see approach to key rates. Jean Claude Trichet stated that, “particularly in demanding times of significant market turbulence…it is the responsibility of the central bank to solidly anchor inflation expectations.” Unsurprisingly, the ECB opted for the status quo at its meeting on 7 February. Undoubtedly, concerns about second-round effects(1), the decline in unemployment, and a capacity utilisation rate still in line with the historical average are all factors that when combined justify this decision. For the moment, the ECB is forecasting 2% GDP growth and 2.5% price inflation (median figures for its forecast range). With the foreseeable economic slowdown and tighter financing conditions, which should curb the increase in lending aggregates, the monetary authorities are expected to change their tune. The first results can already be seen in the opening statement at the press conference after the Governing council meeting on 7 February, which emphasised that recent economic data confirmed the presence of downside risks for the economy. The shift should be confirmed in March when the ECB publishes its new growth outlook. Even so, the status quo should prevail in the short term.The current levels of PMI and the jobless rate are not in line with those observed when previous rate cuts were made (see charts 2 and 3,). Moreover, the ECB tends to give more importance to retrospective hard data (production, etc.) than to survey data. After a quarter or two of growth below potential, as we are forecasting, the ECB is likely to begin easing monetary policy. A model of the central bank’s response function shows that in the light of inflation and economic conditions, the refi rate is currently neutral. The expected slowdown would make the current monetary stance inappropriate.(2)It seems unrealistic to expect monetary policies to be “coordinated” (i.e. for the ECB to follow closely in the Fed’s wake, regardless of the eurozone’s internal conditions).As was the case at the start of the decade, the eurozone’s policy mix is once again marked by inertia, especially relative to the United States (see chart 4). Nonetheless, we expect the refi rate to be cut by next spring. It is crucial to avoid a drop-off in European growth. The European economy lacks flexibility. As we could see in the early 2000s, it takes a long time for Europe to restore growth. Moreover, several of the big eurozone countries have very little manoeuvring room in terms of budget policy (Spain is the only exception). The situation in Europe differs completely from the one in the United States, where the deficit accounted for only 1.2% of GDP last year.
(1) Average wage demands in Germany have doubled compared to those of previous years.(2) Our response function links the real refi rate to the equilibrium level of real interest rates; the spread between observed inflation and the ECB’s target; and the output gap.


Para ampliar, clique na imagem

GLOBALIZAÇÂO E NACIONALISMOS - 2

"We are showing that enlargement can be a win-win process for the EU.", afirmou José Manuel Barroso ao Financial Times em entrevista publicada anteontem. O que é verdade para o alargamento da UE a 27, ou mais alargada ainda, é verdade para a liberalização do comércio em geral e a mobilidade humana à escala planetária.
O crescimento pujante das economias chinesa e indina está a transmitir à economia global, na actual conjuntura ameaçada pela perda de velocidade da economia norte-americana, forças espevitadoras de muitos sectores, nomeadamente das matérias-primas, mas que também são ameaçadoras no caso do petróleo, por exemplo.
.
Se o resultado global é win-win, nem todos são e serão winners, muitos são e continuarão loosers se o caminho da liberalização for determinado apenas pelas leis do mercado. É uma conclusão que não precisa de muito esforço para se observarem as evidências. Em Portugal as assimetrias sociais têm-se aprofundado, a Grande Lisboa apresenta índices de rendimento médios que excedem a média europeia, enquanto no Norte, onde os efeitos da concorrência a nível global têm sido mais sentidos, tem observado perdas significativas de posição no mesmo ranking. O que não impede que o número de Lamborguinis registados no Norte seja superior aos registados no Sul.
Nas eleições primárias nos EUA, a questão das perdas de empregos industriais está a assumir uma importância que, por agora, sobreleva a discussão à volta da guerra no Iraque e no Afeganistão, nos estados mais afectados negativamente pela globalização.
.
O facto de as maiores contestações corporativas se situarem em Portugal dentro de grupos geralmente winners com a globalização (função pública, com destaque para os professores) significa apenas que só os grupos de interesses homogéneos têm capacidade de mobilização geral. Os loosers, por incapacidade de reivindicação colectiva, se não são adormecidos pela resignação, tendem a manifestar-se através de acções de delinquência mais ou menos grave, de atitudes xenófobas, racistas e nacionalistas.
.
Se os loosers forem abandonados à sua sorte, a sorte da EU pode ficar comprometida.

Tuesday, March 04, 2008

GLOBALIZAÇÂO E NACIONALISMOS

A entrevista dada por Durão Barroso, aliás José Manuel Barroso, ontem ao Financial Times, e que mereceu honras de primeira página, dirige-se a todos aqueles que começam a inquietar-se com as mossas que a globalização está provocar em alguns sectores das suas economias e, muito particularmente, daqueles que são confrontados com a concorrência dos países onde os salários são consideravelmente mais baixos, as reivindicações sindicais imperceptíveis, a segurança social uma regalia de apenas alguns. A Durão Barroso, na sua qualidade de Presidente da Comissão Europeia, compete-lhe relembrar que a liberalização dos mercados não é isenta de custos, que o a liberalização das trocas foi sempre motor de progresso e promotor de vantagens recíprocas, mas é bom não esquecer que a sua posição é, a este respeito, bem cómoda porque não depende do voto dos eleitores.
.
Porque é nesse ponto que se estabelece a diferença que lhe dá o conforto do discurso tecnicamente correcto mas politicamente nada correcto para aqueles que pagam a factura ou receiam ter um dia de a pagar, e que não serão chamados a votar em Durão Barroso. Os descontentes da globalização não são, sobretudo, aqueles que aparecem a contestar as reuniões do G8, mas os milhões que na Europa (e nos EUA) perderam os seus postos de trabalho e já não têm idade para se reconverterem profissionalmente ou, sendo jovens, ainda não tiveram oportunidade de começar a trabalhar.
.
A liberalização do comércio internacional a nível global, se for reversível, não o será sem grandes perturbações políticas globais. Por tudo o que caracteriza a actual interacção dos povos que habitam o planeta, a globalização veio para ficar, se não muito do que faz funcionar o mundo teria de ser eliminado numa imensa fogueira inquisitorial.
.
Mas para além do discurso de defesa dos méritos do comércio livre global, é imprescindível o discurso das alternativas que se oferecem aos que são mais vulneráveis à competição. Porque, sem alternativas, as sementes do nacionalismo e da xenofobia encontrarão terreno propício à revolta.
É perante esta ameaça que se contorcem aqueles que dependem dos votos.
.
Não penso que o caminho necessário, neste caso, se faça caminhando. É preciso descortinar soluções que se antecipem ao descontentamento generalizado.

Barroso protectionism alert
By Lionel Barber and Tony Barber in Brussels
In an interview with the Financial Times, Mr Barroso also explicitly ruled out creating a single pan-European regulator in response to the turmoil that has plagued financial markets since August.
Mr Barroso was speaking two weeks before a summit of European Union leaders that is expected to address the instability of financial markets, to propose a code of conduct for sovereign wealth funds and to advance the EU's energy and climate change policies.
Asked if protectionist sentiment was growing in the EU, Mr Barroso, a committed advocate of free trade, said: "Yes, and I fear this rise not only in Europe but all over. Political forces in Europe that were traditionally pro-market are today - let's put it elegantly - more prudent. Some on the centre-right are now more conservative in that regard."
He said the EU was the world's most open economy in its foreign investment and trade policies, but Europeans were unsettled by China's rise as an economic power and by its huge trade surplus with the EU.
"I know very well that some people think of China's growth as a threat. We want to make it an opportunity," he said. "I have told the Chinese: 'You have to help
us, you have to make the case that it's good for the global economy'. "
He said he saw some progress in China's position on the defence of intellectual property rights - a key concern for European companies. "The Commission doesn't want to, but it might be hard to resist the protectionist calls," he warned.
On the EU's response to the financial markets turbulence, Mr Barroso gave strong support to Germany, the UK and other countries that oppose French and Italian calls for a pan-European regulator. "We certainly have no intention at all of having some kind of European superregulator. But we want increased transparency and more cooperation among regulators.
"We think innovation in financial markets is good. It's been good for financial institutions, business and consumers. But financial innovation and the incredibly sophisticated products on offer created regulatory gaps. Those gaps have to be addressed, and addressed pragmatically. A hasty response would do more harm than good."
He reinforced previous Brussels warnings of possible regulatory action to tighten procedures at credit ratings agencies, saying: "We think that there were failures at the ratings agencies. They should improve their standards so that the market can regain confidence in their work."
Mr Barroso said the US economic slowdown was taking a certain toll on Europe. "Of course, we cannot be completely immune to the situation in America, but we think there is no rational reason to fear a recession in Europe," he said.
"It's true that from time to time EU member-states are tempted by reform fatigue but, at different speeds and in different forms, economic reform is still the name of the game."
He praised the new member states from central and eastern Europe, saying: "They have brought additional pressure for more competition in the older EU states. We are showing that enlargement can be a win-win process for the EU."

RECONDITA ARMONIA








GIUSEPPE DI STEFANO (1921-2008)

Monday, March 03, 2008

PÃO OU PÃES

"Enfim, cada um o que quer aprova, o senhor sabe: pão ou pães, é questão de opiniães ... o sertão está em toda a parte. " João Guimarães Rosa - Grande Serão : Veredas
.
Como o preço do trigo aumentou mais de cem por cento, o preço do pão terá de aumentar cinquenta por cento para aindústria não ir à falência, anunciou o presidente da associação dos industriais de panificação.
.
O Ministro da Agricultura, que não tem trigo para reabastecer o mercado quanto baste e baixar os preços do cereal, diz que a participação do custo do trigo no preço do pão não vai além de cinco por cento e, daí, que um aumento de cinquenta por cento não tem o mínimo fundamento.
.
Retorquiu o presidente dos padeiros que o ministro é ignorante, o peso do custo do trigo é de vinte e cinco por cento no preço final mas, atenção, nem só de trigo se faz o pão e as outras coisas aumentaram bastante. De modo que não podem fazer por menos.
.
A questão da escassez de cereais este ano é extremamente preocupante, sobretudo para os países mais pobres. Em Portugal, a solução do problema, que é grave, não passa pela subsidiação do preço do trigo, qualquer que seja a sua influência no custo final do produto. A autoridade de vigilância das leis da concorrência deve analisar se a proclamação do presidente da corporação dos industriais é ilegal e, se apartir dela ou de acordos entre os industriais, os aumentos resultam de concertação, que a existir, será sempre ilegal. E, se for o caso, entregar o caso aos tribunais.
.
O subsídio nunca seria uma boa solução: porque distorceria as leis do mercado, com todas as implicações perversas que daí resultariam, beneficiaria indistintamente os mais e os menos favorecidos, e os industriais.
.
As políticas sociais devem intervir do lado dos rendimentos e não das despesas. O caso do preço do pão é apenas um entre muitos.

Sunday, March 02, 2008

ESTE PAÍS NÃO É PARA VELHOS



Ainda lá não chegámos, mas por este andar lá chegaremos.Ontem foi notícia a morte a tiro de uma mulher jovem em Sacavém e um outro tiro no parque do Shopping de Oeiras que atirou um rapaz para o hospital de S. Francisco Xavier com uma bala na cabeça. Durante a última semana a zona da Grande Lisboa, e particularmente Loures, foi palco de 6 homicídios.
.
Hoje, a violência assassina voltou ao Porto.
.
Vítima foi submetida a operação e continua em estado grave

Homem baleado era segurança no café Bela Cruz
O homem que foi hoje baleado na cabeça à porta do Café Bela Cruz, no Porto, é segurança do estabelecimento, disse o presidente da Associação de Bares e Discotecas. A. F. referiu que o agressor terá disparado vários tiros, mas as informações sobre as circunstâncias do crime ainda são contraditórias. "Só o próprio segurança, se conseguir falar, poderá dizer o que se passou", acrescentou.
.
Sendo os recursos limitados, o Governo deveria reforçar o orçamento da segurança interna transferindo recursos da defesa.
Se não, um dia destes, estaremos no pelotão da frente da criminalidade. Lamentavelmente, é mais fácil subir nos rankings do mal que progredir no pelotão do desenvolvimento humano.

OBAMA E AS MULHERES

Women vs. Women
We Scream, We Swoon. How Dumb Can We Get?


Take Sen. Hillary Rodham Clinton's campaign. By all measures, she has run one of the worst -- and, yes, stupidest -- presidential races in recent history, marred by every stereotypical flaw of the female sex. As far as I'm concerned, she has proved that she can't debate -- viz. her televised one-on-one against Obama last Tuesday, which consisted largely of complaining that she had to answer questions first and putting the audience to sleep with minutiae about her health-coverage mandate. She has whined (via her aides) like the teacher's pet in grade school that the boys are ganging up on her when she's bested by male rivals. She has all but wept on the campaign trail, even though everyone knows that tears are the last refuge of losers. And she is tellingly dependent on her husband.
Then there's Clinton's largely female staff, often chosen for loyalty rather than, say, brains or political savvy. Clinton finally fired her daytime-soap-watching, self-styled "Latina queena" campaign manager
Patti Solis Doyle, known for burning through campaign money and for her open contempt for the "white boys" in the Clinton camp. But stupidly, she did it just in time to alienate the Hispanic voters she now desperately needs to win in Texas and Ohio to have any shot at the Democratic nomination.
(...)

For Hillary's Campaign, It's Been a Class Struggle
By Linda HirshmanSunday
http://www.washingtonpost.com/wp-dyn/content/article/2008/02/29/AR2008022902991.html

Maria Shriver sure has great hair. Stepping up to the microphone at a girl-power rally in Los Angeles on Feb. 3, California's first lady tossed her tawny tresses with authority and instructed Golden State women to vote for Sen. Barack Obama in the Democratic presidential primary on Super Tuesday. So urgent was the matter, she said, that she had come to the rally "straight from my daughter's riding lesson."
Two days later, working-class California women, many of whom can't even afford to give their daughters health care, much less riding lessons, ignored Shriver's mane-shaking advice and voted for
Sen. Hillary Rodham Clinton by a margin of 2 to 1, even as many of their better-off sisters fell into lockstep with the Kennedy heiress.
And there we have one of the most puzzling conundrums of the 2008 Democratic contests. Black voters of all socioeconomic classes are voting for the black candidate. Men are voting for the male candidate regardless of race or class. But even though this is also a year with the first major female presidential candidate, women are split every way they can be. They're the only voting bloc not voting their bloc.
For the Clinton campaign, this is devastating. A year ago, chief strategist
Mark Penn proclaimed that the double-X factor was going to catapult his candidate all the way to the White House. Instead, the women's vote has fragmented. The only conclusion: American women still aren't strategic enough to form a meaningful political movement directed at taking power. Will they ever be?
(...)

Saturday, March 01, 2008

GOOD BY LENINE

PCP junta 50 mil pessoas na manifestação de protesto contra o Governo
01.03.2008 - 17h20 Lusa http://ultimahora.publico.clix.pt/noticia.aspx?id=1321301&idCanal=23

A organização do PCP da "Marcha Liberdade e Democracia" contra a política do governo reivindicou hoje ter juntado em Lisboa cerca de 50 mil pessoas na sua manifestação nacional.

Qual liberdade? A de Cuba?
Qual democracia? A da Coreia do Norte?
A liberdade e a democracia chinesas?
.
É impressionante o desplante dos dirigentes comunistas portugueses: para eles o falhanço total do socialismo real, o naufrágio da liberdade e da democracia num mar morto onde a ditadura imperou, não aconteceu. Os neonazis querem-nos fazer crer mais ou menos o mesmo acerca do holocausto.
.
Mas talvez exista, afinal, alguma diferença entre ditaduras: os que caminharam para a ditadura comunista iam a cantar pela democracia e pela liberdade. Os 50 mil que hoje foram na procissão em Lisboa são figurantes de um remake de uma fita muito conhecida.

RELIGIÃO?





«Un ciudadano chiita de Bahrein se infringe una serie de cortes en todo su cuerpo con motivo de una celebración religiosa en Muharraq, Bahrain. Los chiitas de todo el mundo rememoran el 40 aniversario de la muerte del profeta Hussein.» [20 Minutos]



via O Jumento

DIFERENÇAS DE PERSPECTIVAS MACROECONÓMICAS

The case against stabilization policy -- why is the discussion in the U.S. often so different from Europe?
Ulrich Fritsche http://www.rgemonitor.com/euro-monitor/626/the_case_against_stabilization_policy_--_why_is_the_discussion_in_the_us_often_so_different_from_europe

The case for (and against certain types of) stabilization policy is a highly disputed issue. This is at least the case in the U.S. but applies to a certain fraction of European economists -- this blog is a nice example. If you need another example, just have a look a the new manifesto published by the "old" Keynesian (in the terminology of an JEP's article by James Tobin on differences between "new" and "old" Keynesians, in terms of freshness of his ideas Solow seems to be as young as he ever was) Robert Solow and some European fellows, see the link here. Even under my qualifications however, it is justified to claim that the debate is much more alive in the U.S. -- not among the mainstream of European economist.

I would like to discuss three points in a provocative manner:

Are there any principles and guidelines on which macroeconomists can agree on and how and why does the discussion in Europe differ from other places in the world, e.g. North America?

Are the differences minor -- some might say purely semantic -- or does a fundamental disagreement exist which might be due to a different historical background?

Does the understanding of what might be an appropriate policy change with a new generation of macroeconomists starting professional careers at universities, think tanks and central banks?

more - http://www.rgemonitor.com/euro-monitor/626/the_case_against_stabilization_policy_--_why_is_the_discussion_in_the_us_often_so_different_from_europe