Do professor Marcello, disse um dia alguém com elevado sentido de avaliação, que ele "sabe de tudo mas não sabe mais nada". À argúcia, à inteligência, à intensidade do professor-comentador é difícil escapar um movimento sequer de qualquer ser vivo: desde o governo e dos ministros, dos políticos em geral aos treinadores de futebol, o professor Marcello avalia tudo e sempre com quotas nas cotações que dá.
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Ontem, no seu programa dominical (de serviço público, por suposto, como dizem nuestros hermanos) o professor Marcello deu notas aos ministros, desde muito bom a sofrível, a ministra da educação não lhe mereceu mais que um 10 de favor. E porquê? Porque, basicamente, a ministra esquece-se que as avaliações dos professores são dadas pelos professores, e que se os professores não quiserem dar avaliações a ministra ficará a falar sózinha. Portanto, segundo Marcello, o governo não tem alternativa senão arrefecer o assunto, esquecendo a avaliação. A não ser que fizesse o que deveria fazer: despedir a ministra, por menos despediu Cavaco Silva Leonor Beleza e Miguel Cadilhe que valiam cem vezes mais que Maria de Lurdes Rodrigues, segundo os cálculos precisos do professor Marcello. Que aliás, também contou os manifestantes e chegou à conclusão que, se não estavam lá os professores todos, estariam lá noventa e muitos por cento deles.
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A mim, que também gosto, às vezes, de fazer contas, parece-me que o professor Marcello exagera nas contagens e nas previsões: Imagine, professor Marcello, que o ministério decide não pagar promoções sem avaliações, que enquanto as classificações das escolas não chegarem ao ministério não há processamento de aumentos. Será inconstitucional? Por quê?
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Só o professor Marcello foi encartado para avaliar sempre e quando lhe dá na real gana?
Os votos dos noventa mil professores manifestantes são respeitáveis e os seus protestos também. Mas os votos dos outros seis milhões de cidadãos que votaram também. Não?