Friday, February 16, 2007

A CÂMARA A CAIR

O presidente da câmara de Lisboa dizia há momentos que não havia razão nenhuma para Fontão de Carvalho, vice-presidente, se demitir. Porque, esclarecia Carmona, se todos os autarcas deste país que tenham sido constituídos arguidos se demitissem, o país parava.

Conclusão: Os arguidos, contrariamente ao comum dos mortais, são insubstituíveis. Carmona lá saberá porquê.

Entretanto, segundo outras notícias, o Conselho Permanente do PSD está reunido há três horas e prepara-se para retirar a confiança política a Fontão de Carvalho; Carmona foi chamado à sede do PSD; Carmona convocou reunião com todos os vereadores para as 19,30.

Previsão: Antes da meia noite a câmara cai.

Lisboa abandonada : Av. de Berna-Rua D. Luis de Noronha


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QUE CADA QUAL FAÇA O QUE PODE

Caro(s) amigo(s),

Há mais de seis anos (mais precisamente em Outubro de 2000) era criado um “site” chamando a atenção para as casas abandonadas de Lisboa (degradadas e devolutas). Foi, portanto, um dos primeiros na blogosfera portuguesa: http://www.lisboa-abandonada.net/.

O seu autor, que na altura se encontrava a finalizar o doutoramento em física nos EUA, quando vinha a Lisboa deu-se ao trabalho de um levantamento fotográfico de grande parte dessas casas ao abandono. O “site”, para além das fotografias ordenadas por freguesias e localização na planta topográfica, passou a conter muita informação sobre esses prédios, um fórum de discussão dos problemas relacionados com o urbanismo, e muitas ligações a outros “site” de informação geral sobre Lisboa. Mais tarde, passou a divulgar as casas, entretanto, recuperadas.

A ideia mereceu divulgação em alguma Imprensa (nomeadamente do Público e do Expresso) e da RTP (canal 2).

Talvez por se mostrar contrário a alguns interesses ou fosse incómodo para alguns políticos, o certo é que, passados três anos, foi vítima de vandalismo dificilmente reparável, desmotivando o autor que, entretanto tinha passado a trabalhar fora do país.

Alguns amigos do “site” continuaram ainda a tentar segurar as pontas de um tecido esfrangalhado, mas o “site” estava condenado a desaparecer. E desapareceu, recentemente, o que restava.

Vem tudo isto a propósito da recente notícia acerca da intenção do presidente da câmara municipal de Lisboa vender ou alugar cerca de 4000 prédios que se encontram devolutos. Parece, contudo, que a ideia não foi aplaudida pela oposição e vai ser criado um grupo de trabalho. O mesmo é dizer que os tais prédios vão continuar a apodrecer.

Invoca a oposição que os prédios na sua maior parte estão sem condições de habitabilidade. Trata-se de uma descoberta redundante uma vez que é precisamente por falta de condições de habitabilidade que se encontram devolutos, a apodrecer e a colapsar de vez em quando.

A questão que se coloca, então é esta: Vai a câmara recuperar os prédios e só depois vendê-los ou alugá-los? Certamente que não. Não o tendo feito até agora, não é esperável que o faça no futuro. A câmara tem problemas e déficit a mais para poder dedicar-se à actividade de senhorio escrupuloso. Depois os escândalos que têm inundado a EPUL deveriam ser motivo mais que suficiente para a câmara deixar de se dedicar à construção civil.

Não sendo eu nem inquilino nem senhorio, nem nenhum dos meus filhos seja candidato a qualquer destes prédios, até porque vivem ambos no estrangeiro e não vislumbro condições que os possam atrair a voltar, apenas me movem as mesmas preocupações que levaram o autor de “Lisboa abandonada” a dedicar uma parte importante do seu tempo a chamar a atenção dos lisboetas para a cidade em que habitam ou trabalham. Também não tenho interesses directos ou indirectos em qualquer actividade de construção civil, ou outra qualquer complementar ou acessória. Nunca fui nem serei membro de qualquer partido político.

Tenho um blogue que é um entretenimento de ginástica mental Mas tem pouca visibilidade. Acerca desta causa faço nele o que posso.

Lembrei-me, pelas razões que enchem este arrazoado, de o convidar a participar com o seu “blogue” numa campanha bloguística que possa decididamente levar a recuperar a cidade e atrair residentes. Que tornem Lisboa uma cidade de atracção e não de repulsão para a a periferia. Que obriguem a câmara a entregar a alguém que faça aquilo que ela não consegue, e talvez não deva, fazer.

Tenho comigo mais de mil fotografias. A qualidade não será a melhor. Além disso não são digitais. Mas se de algum modo entender que para o efeito servem, agradeço que me diga. Da qualidade dessas fotografias (e da falta dela) poderá ter uma ideia consultando

Lisboa abandonada : Rua Cristóvão Falcão


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E NINGUÉM REPARA

É impressionante aos olhos de quem se põe a olhar à volta e ver, a quantidade de prédios que apodrecem em Lisboa hà muitas décadas, desde os pardieiros mais esconsos aos edifícios com grande dignidade que se desfazem até colapsarem.
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E ninguém repara.
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O lisboeta habituou-se a viver envergonhado da sua cidade e refugia-se a olhar para as calçadas. Ninguém, que olhe acima da sua estatura, pode viver sossegado com a sua consciência cívica, se a possui, ao deparar com tanto desmazelo colectivo.
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O presidente do município tinha anunciado anteontem que iria propor a venda, a preço reduzido,
de cerca de 4000 fogos que a câmara possui. Afinal o assunto vai ser encaminhado para grupo de trabalho que ainda nem sequer foi criado, segundo noticiava o Público de ontem. A oposição diz que muitas destas casas não estão habitáveis.
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É desde há muito conhecido que o maior proprietário urbano (também em número de fogos devolutos e em estado calamitoso) é a Câmara Municipal de Lisboa. A colocação no mercado, para venda ou aluguer poderia constituir uma das raras oportunidades de golo para o presidente actual. Não foi concretizada; bateu estrondosamente (para alguns ouvidos mais sensíveis) na barra da incompetência generalizada que campeia na edilidade lisboeta. Entregue a um grupo de trabalho, o assunto vai seguramente levar mais tempo a resolver que concluir o túnel da Amoreiras. Em todo o caso, seguramente menos que o túnel do Terreiro do Paço, que promete nunca se acabar.
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Entretanto, Maria José Nogueira Pinto considerou como "neo-realista" a outra promessa do presidente da câmara, de pagar um seguro de saúde aos bébés nascidos na cidade. Também acho. Hoje ficámos a saber que o vice-presidente, Fontão de Carvalho, há algumas semanas já, escondia ter sido considerado arguido num processo em que é acusado de peculato relacionado com a auto-atribuição de prémios de gestão aos administrradores da Epul.
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Que pena a sensibilidade dos lisboetas não vibre por Lisboa como vibrou pela Esmeralda!

Thursday, February 15, 2007

Lisboa abandonada : Av. da República


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COMBÓIOS & COMBOIADAS

Caiu ao rio o comboio do Tua.
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http://ocomboio.net/diaporama/linha_do_tua_2006/
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Miguel Cadilhe tinha dedicado a sua reflexão semanal no caderno de Economia do Expresso a Barca de Alva e ao comboio que, construído em 1880 e destruído 100 anos depois, propondo que seja feito dele “um esplêndido motivo turístico e cultural” precisando (apenas) “ de uns bons investimentos públicos, uma paciente concessão privada, um profícuo acordo com Castilla-y-Léon, que aliás, o deseja…”

Os adjectivos ameaçam sempre as ideias. O que é Miguel Cadilhe quererá dizer por “bons investimentos públicos”? E por “paciente concessão privada” e “profícuo acordo com Castilla-y-Léon”? Como é que um homem que sempre se quis de ideias claras escreve um texto tão redondo?

O Correio da Manhã noticia hoje o caso de um funcionário da Refer, indemnizado com 210 mil euros por saída antecipada após 35 anos de serviço ter sido admitido numa outra empresa do Grupo CP.

Há algumas semanas atrás outro funcionário superior da CP denunciava publicamente em blogue que estava há seis anos sem funções atribuídas mas com secretária ás ordens e o ordenado pago.

Esta semana o Tribunal de Contas tornava público relatório que calcula em 18,4 mil milhões de euros os sobre custos em parcerias público-privados na área dos transportes rodoviários e ferroviários.

O Público de ontem, caderno de Economia, referia que o endividamento total das empresas públicas ascendia, no final de 2005, a cerca de 15% do PIB português.
De acordo com as contas realizadas o ano passado pelo Ministério das Finanças, a dívida cifrava-se em 22161 milhões de euros, estando concentrada no sector de transportes e da gestão de infraestruturas. Isto significa que um valor correspondente a quase um quarto da dívida pública declara está escondido no sector empresarial do Estado. O Estado terá, no futuro, de garantir as condições para o seu pagamento.

Miguel Cadilhe, a propósito da estação de barca de Alva, pergunta: Como foi possível o municipalismo sucumbir ao centralismo? Percebe-se a intenção da pergunta por parte de um regionalista qualquer. Do regionalista Miguel Cadilhe esperava-se que desse mais atenção às contas e poupasse nos adjectivos.

Lisboa abandonada : Rua da Escola Politécnica


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Fado das ruas sem sol

Naquela rua, à tardinha
Já quase nada se via.
Parece que o sol fugia
De aquela rua mesquinha...
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Mas tinha pédios imensos,
Entrechocando telhados
Tão altos!, como suspensos
De lá dos céus afastados...
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Tinha compridas varandas
De velhos madeiramentos,
Rangendo, embora, em bolandas
Na mão da chuva e dos ventos.
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Tinha opulentos bocados
De primevas cantarias,
Restos de ferro forjados,
E até brasões e armarias.
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E tinha, a meio em seu nicho,
Nossa Senhora das Dores
Negrinha do tempo e o lixo
Com dois palmitos de flores.
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Só nas paredes leprosas,
Tortuosamente empinadas,
Eram pupilas brumosas
As janelas desvidradas.
............................................

Perto, que vastas artérias
Patentes ao sol e ao ar,
Nas quais a vida eram férias
Que apetecia gozar!
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Gente a cheirar bem, vestida
Com todo o apuro do luxo,
Vinha descendo a avenida
Para a olhar o repuxo.
......................................................

E o certo é que há centos de anos
Que a miséria nua e crua
Com seus viveiros humanos
Escolhera aquela rua:

Debaixo desses telhados
Se instalara, e a seus viveiros
- Pais e filhos misturados
Como animais em chiqueiros.
........................................................

Há centos de anos, puídas
Encardidas, amarelas,
Iguais roupas estendidas
Embandeiram as janelas
........................................................


José Régio


Lisboa abandonada : Av Duque de Àvila


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1969, 28 de Fevereiro

Morava na Rua da Condessa, ali ao Carmo, o quarto dava para o Rossio, dali sobrevoava o Imperador e a pomba de serviço a coroar Dom Pedro (que talvez seja o Maximiliano do México) com os seus eflúvios ácidos.
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Tinha adormecido tarde, a trabalhar e a estudar, aumentava o horário acordado à custa de bicas seguidas, no Palladium.
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De repente, acordo e salto da cama, que não era elástica mas fez por isso. Instintivamente, atirei-me para debaixo da ombreira da janela, que era larga. Nas paredes, que tinham cerca de um metro, roncavam as pedras um ressonar que parecia vir do centro do mundo.
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Olhei para o Rossio e Dom Pedro parecia vir ao meu encontro e eu ao encontro de Dom Pedro, num movimento que ameaçava levar tudo por ali abaixo.
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Engolimos um susto valente, fomos para a rua, passado pouco tempo o susto estava digerido; Na rua, as pessoas andaram a cirandar de um lado para outro até ao nascer do sol, felizes só por estarem vivas.
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Provavelmente nunca se sentiram tão iguais;
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Apontamento em

Wednesday, February 14, 2007

Lisboa abandonada : Av. Visconde Valmor


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Nocturno de Lisboa

Pela noite adiante, com a morte na algibeira,
cada homem procura um rio para dormir,
e com os pés na lua ou num grão de areia
enrola-se no sono que lhe quer fugir.
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Cada sonho morre às mãos de outro sonho,
Dez reis de amor foram gastos a esperar,
O céu que nos promete um anjo bêbado
é um colchão sujo num quinto andar.
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Eugénio de Andrade


Lisboa abandonada : Brandos costumes


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Travessa do Poço da Cidade

- Vejam lá se se despacham
que eu não quero cá fardas!
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Rancho de amor para os soldados.
De cada vez só pode ir um.
E dois cabritos são esfolados
no tempo dum.

Alexande O´Neill

Lisboa abandonada : Raquel, fomos embora!


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Azinhaga do Guarda-Só

Encontro um resmunguarda que me intima a parar.
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Seria por suspeita? Seria por rotina?
Não. Foi para conversar
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Alexandre O´Neill

Lisboa abandonada : Prémio Valmor


Alameda das Linhas de Torres

DEZ MIL VEZES MENOS

Reclamam os juízes, sempre que a aplicação de uma lei parece despropositada ao senso comum, que lhes compete tão somente ditar a sentença que os códigos prescrevem. Se as leis são iníquas ou desprositadas as culpas devem ser assacadas aos seus progenitores e não a quem tem a obrigação de as fazer cumprir.
Quem deste modo lava as mãos parece escorar-se numa inflexível objectividade que a leitura das leis, contudo, nem sempre consente. É porque essa objectividade é ténue que existem advogados e magistrados.
Na segunda-feira passada, o sr. juiz conselheiro jubilado Fisher Sá Nogueira afirmava confiante que os subscritores do "habeas corpus" para a libertação de Luis Gomes, pai optante da Esmeralda, teriam de pagar cada um 480 euros, ou seja 4800.000 euros no total.
Ontem, o Supremo Tribunal de Justiça esclarecia que são devidos ao Estado apenas 480 euros.
A objectividade da Justiça, até a fazer contas, pode variar de um para dez mil!

Lisboa abandonada : Paço da Raínha


Lisboa abandonada : Dia dos Namorados

Ontem editei pela primeira vez neste blog uma fotografia: Lisboa Abandonada
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Hoje de manhã, noticiava a rádio que o, ainda, presidente da Câmara Municipal vai propor a aprovação de um programa para a recuperação da população perdida por Lisboa nas últimas décadas. A intenção não é nova, de intenções anteriores idênticas estão os lisboetas fartos de escutar. De qualquer modo, este presidente, acossado pelos escândalos que lhe entraram porta adentro tem de fazer alguma coisa visível e apreciável se quer manter-se na corda bamba.
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O que propõe Carmona?
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- um seguro de saúde para as crianças nascidas em Lisboa;
- a venda de imóveis (cerca de 4000) que são pertença do município, a preços de metade dos valores de mercado;
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Parece pouco. O seguro de saúde é matéria controversa. Mas Lisboa, sobretudo a Lisboa abandonada que apodrece vítima de uma gangrena galopante, precisa de um tratamento que ninguém, até hoje, teve a capacidade, a imaginação e a coragem de descortinar e levar a cabo.
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Lisboa é uma cidade onde a prodigalidade dos deuses foi desbaratada pelos homens. Merecia melhor. Lisboa parece cumprir um fado de fadista linda subjugada por um faia que não a merece.
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Há cerca de oito anos nascia, por amor a Lisboa, na web um sítio - http:// www. lisboa-abandonada.net - que procurava denunciar esta situação e, ao mesmo tempo, divulgar informação útil a quem quisesse conhecer Lisboa. Foi vandalizado há cerca de dois anos, e agora extinto. Alguém não gostou do exercício. Contudo, nunca se falou e escreveu tanto acerca da necessidade de recuperar Lisboa, como a partir do momento em que o "sítio" foi divulgado em alguns jornais e em dois programas televisivos.
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É por razões idênticas que passarei a editar aqui algumas das fotografias que ilustravam o "sítio" lisboa-abandonada .
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Um gesto inconsequente?
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Um gesto de amor no dia dos namorados.

Tuesday, February 13, 2007

Lisboa abandonada


Avenida de Berna

POR QUE É QUE OS HOMENS COMEM FRANGOS

Ou o que é que acontece a quem se abstem:

http://www.africacentre.org.uk/africanvisions2002storiesI.htm

GARBAGE IN - GARBAGE OUT

Não há sábado sem sol, nem domimgo sem missa, nem dia sem bronca da Justiça.

Manifestamente, os Tribunais portugueses estão completamente desajustados da velocidade a que correm os dias de hoje. A cadência com que saltam para a praça pública decisões e confusões no meio da administração da Justiça é sintoma, mais que evidente, de que ou o Pacto se apressa ou já não vai a tempo de escorar este edifício em risco.
O que mais impressiona, contudo, é a ausência de qualquer sentimento de culpa por parte dos agentes da Justiça relativamente ao desmoronamento que todos constatam. Quem ouve os Juízes, ouve-os sacudir a água do capote. Se os processos se arrastam a culpa é a falta de meios; se os processos se enleiam a culpa é de quem definiu os procedimentos e fixou os prazos, se as leis são vesgas a culpa é do poder legislativo; tudo o que ocorre é culpa de alguém, salvo dos Juízes. Os Juízes gozam da faculdade de independência e inimputabilidade de um computador:
garbage in - garbage out.
Ontem à noite, saltou mais uma laracha judicial para entreter o pagode durante o tempo suficiente para aparecimento de outra: os cerca de dez mil subscritores do pedido de Habeas Corpus para o "sequestrador" da Esmeralda terão de pagar ao Estado, em consequência da aplicação do código de custas em processo penal, 480 euros cada um. Do conjunto, a verba arrecadada montará a quatro milhões e oitocentos mil euros!
O senhor juiz conselheiro jubilado que, sorridentemente como quem joga um trunfo, deu a notícia, deu-a a título de exemplo da irresponsabilidade dos juízes na aplicação das leis que eles não redigem nem votam.
Ouve-se e pensa-se se um computador não faria o mesmo mas muito mais depressa.

Monday, February 12, 2007

CRIME SEM PENA

Esta tarde, ao mesmo tempo que era anunciada a divulgação de um relatório do Tribunal de Contas que aponta para o laxismo dos representantes do Estado na discussão de contratos de parceria com entidades privadas, o Ministro das Finanças anunciava uma campanha que pretende sensibilizar os consumidores-contribuintes de que a exigência de facturas na primeira condição é vantajosa para a segunda.
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Segundo o Tribunal de Contas, um dos sectores onde a displicência dos tutores dos interesses públicos mais se faz sentir é nas parcerias de exploração de serviços e investimentos em infraestruras rodoviárias. Os sobrecustos, isto é os custos a pagar pelo Estado, nos contratos de exploração das autoestradas em regima de SCUT, que excedem os custos previstos e orçamentados, elevaram-se em 2006 a 16,4 mil milhões de euros. Um valor deste tamanho deixa o cidadão na dúvida se o valor é tão escandaloso ou a jornalista que deu a notícia se enganou nos zeros. Para mal dos nossos pecados, contudo, parece que desta vez a jornalista não errou.
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Uma enormidade destas está condenada pelo Tribunal de Contas a morrer, mais uma vez, solteira.
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Enquanto esta impunidade for lei, bem pode o Ministério das Finanças apertar o cerco mas o cidadão comum, sentindo-se esmifrado, nunca perceberá para quê meter tanta massa panela se o fundo está roto.

A PÍLULA DO DIA SEGUINTE - II PARTE

Função do Serviço Nacional de Saúde

Pergunta no Blasfémias :

Deve o Serviço Nacional de Saúde poder ser utilizado para resolver outros problemas que não problemas de saúde? Por exemplo, deve poder ser utilizado para:
cirurgias estéticas a pessoas perfeitamente normais;
abortos em casos em que não há risco para a saúde física ou psíquica da mãe ou para a saúde do feto.

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A minha resposta:

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O que no referendo se perguntava era se concordávamos com a IVG em estabelecimento de saúde autorizado.
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Donde poderem e deverem os estabelecimentos públicos realizar a IVG. Os estabelecimentos privados também.
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Quanto ao preço, sou da opinião de que a factura deve ser paga na sua totalidade pelo casal envolvido (ele e ela).
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E, das duas, uma:
-Ou tem meios para pagar, e paga;
-Ou não tem suficiência de meios e o Estado realiza o pagamento, sujeito a reembolso em prestações de acordo com as capacidades económicas do casal.
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Se, conforme ouvi na rádio desta manhã ao Ministro da Saúde admitir, o preço for pago pelo Estado em todos os casos, salvo as taxas moderadoras geralmente aplicáveis, aqueles que votaram "não" ( e muitos que votaram "sim") encontrarão nesta questão um razoável motivo de contestação.
Não estamos, claramente, perante uma situação de doença ou acidente; o pagamento pelo casal não só é totalmente pertinente nos casos em que o casal dispõe de meios (que até agora eram dispendidos em clínicas no estrangeiro) como poderá, e deverá, induzir nos casais sem recursos suficientes medidas preventivas.

CONTOS AMERICANOS : OS DARDOS ESTÃO LANÇADOS

A próxima eleição presidencial nos EUA promete ser um referendo à estratégia da presença militar norte-americana no mundo. Não só no Iraque. Clinton's Search for Common Ground ... Clinton's unwillingness to offer a rhetorical olive branch to the antiwar left contrasts sharply with the positions taken by her two main rivals for the Democratic nomination -- Sen. Barack Obama (Ill.) and former senator John Edwards (N.C.). Obama, who formally entered the race Saturday, has called for all U.S. troops to be out of Iraq by March 2008 and on Sunday called on Clinton to better explain her plan to extricate troops from Iraq. Edwards has advocated an immediate withdrawal of U.S. military forces. more: http://www.washingtonpost.com/wp-dyn/content/article/2007/02/11/AR2007021101397.html

Sunday, February 11, 2007

A VERDADE, À NOITE

Aborto: "sim" vence referendo com mais de 59 por cento dos votos 11.02.2007 - 21h30 PUBLICO.PT

O “sim” venceu o referendo à despenalização da interrupção voluntária da gravidez, com mais de 59 por cento dos votos expressos. A taxa de participação supera os 43 por cento, um valor aquém do necessário para tornar a consulta vinculativa mas superior à registada em 1998.
Após o apuramento dos resultados nas 4260 freguesias do país, o "sim" recolheu 2.238.053 votos, o equivalente a 59,25 das preferências, enquanto o "não" obteve 40,75 por cento (1.539.078 votos). O Secretariado Técnico dos Assuntos para o Processo Eleitoral (STAPE) registou ainda 48.185 votos em branco e 26.297 votos nulos.Ao todo, participaram na consulta de hoje 3.851.613 eleitores, o que equivale a uma taxa de participação de 43,61 por cento dos votos, mais 11,7 pontos percentuais do que em 1998, quando votaram 2.642.689 eleitores (31,91 por cento). A queda na abstenção favoreceu essencialmente o campo do "sim" que angariou quase mais um milhão de votos do que no anterior referendo, enquanto o "não" obteve mais 206 mil votos.Apesar do reforço da participação, não foi atingida a meta dos 50 por cento de participação, necessária para tornar vinculativos os resultados do referendo. Contudo, tanto o primeiro-ministro e líder do PS, José Sócrates, como o presidente do PSD, Marques Mendes, já consideraram que os resultados deverão ser respeitados pela Assembleia da República aquando da regulamentação da lei, aprovada em plenário a 20 de Abril de 2005

REFLEXÃO

Senhor Provedor,
(do jornal "Público)


Escrevo-lhe para chamar a sua atenção para uma maldade que o “Público” vem cometendo contra a integridade psíquica de alguns dos seus colunistas.

Admito que o faça por distracção ou erro de diagnóstico. Afinal o “Público” reclama a verticalidade da coluna dorsal dos seus colaboradores periódicos e é bem provável que a verticalidade decorra, em alguns casos, de calcificação das vértebras. Quando a calcificação ocorre, a verticalidade pode manter-se mas a coluna impede o paciente de mudar de ângulo de perspectiva.

Receio que seja o caso de Vasco Pulido Valente. E, muito provavelmente, da Dona Constança.

Ora o “Público” exige do colunista VPV o exagero de três crónicas semanais, e seguidas. É demais. VPV não tem, temos de convir, flexibilidade para tanto. Terá verticalidade, mas tanta e tão intensa exigência não pode deixar o submeter a um exercício repetitivo que, claramente, ele só aceita porque aprecia as pevides. Seria muito mais razoável que o “Público” lhe pagasse avença e não à peça. Avençado, talvez VPV se desse à pachorra para dar um jeito à coluna e lhe brotasse alguma originalidade.

Assim não. Obrigado às habituais tricrónicas, o embaraço da coluna não lhe deixa alterar a posição fixa. Resultado: temos todas as semanas mais do mesmo.

Este domingo o VPV. atira-se ao “Período de Reflexão” e o resultado é, mais uma vez, penoso. Tal qual aqueles jogadores que fintam sempre para o mesmo lado e acabam por se driblar a eles próprios, o V. acaba por, confessadamente, se contradizer.

Releia, se faz favor este mimo de análise:

“O período de reflexão” … não serve evidentemente para reflectir. Se por acaso servisse, conseguia o milagre de fazer o que a campanha manifestamente não conseguiu fazer. Em artigos, colunas (como por exemplo, a minha) ou intervenções de televisão não vi uma dúvida, só vi as certezas…A retórica, quando muito, confirmou o que as pessoas já pensavam…Essa é a verdade que logo à noite virá ao de cima”

Ora já se sabia que o VPV. é dos que não têm dúvidas, daí que a na sua própria coluna tenha, como sempre, dado conta disso mesmo. Aos outros, sim, compete terem dúvidas, ao VPV, não. Depois, qualquer que seja o resultado, que neste caso só tem duas hipóteses, a verdade (do VPV, evidentemente) virá sempre ao de cima.
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Qual é a verdade do VPV? É segredo guardado para a próxima crónica.

“O que serviu para nos lembrar, e avisar, que pela nossa democracia se passeiam sempre milhares de pequenos ditadores”, é o que diz Vasco.

ESTAMOS PARA FICAR

Dick Cheney, em entrevista à "Newsweek", a primeira que concedeu à Imprensa depois do Partido Republicano ter perdido a maioria no Congresso, resume numa afirmação simples a inevitabilidade que os norte-americanos enfrentam no Iraque e nos restantes territórios do Golfo Pérsico: "Estamos no Golfo para ficar".
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Dito deste modo, a frase parece mais uma determinação caturra desta administração americana, e portanto valer, quanto muito, o que valer a sua resistência à oposição daqueles que reclamam a retirada, do que uma forma resignada de confessar que estão para ficar porque não há saída.
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E, no entanto, é a falta de saída que obriga, e vai obrigar os norte-americanos a manterem-se no Golfo por um período que ninguém saberá determinar mas que depende, essencialmente, do perído necessário à descoberta da alternativa para a actual dependência do petróleo existente na zona. "O envio de outro porta-aviões para o Golfo mostra como os Estados Unidos estão para ficar... e lidar com a ameaça iraniana".
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Dos candidatos democratas à presidência já conhecidos (Hillary, Obama e John Edwards) só Obama propõe o estabelecimento de um programa para a retirada do Iraque. As primárias só principiam dentro de um ano e até lá muitos incidentes irão ocorrer no Golfo , sobretudo no Iraque. Um ano durante o qual a polémica acerca da presença norte-americana no Iraque se instalará principalmente do lado democrata.
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Um ano durante o qual não poderá deixar de ser reconhecida uma inevitabilidade que até agora foi possível manter encoberta pelo politicamente correcto: a inevitabilidade da presença das tropas norte-americanas no Golfo, da qual beneficiam todos os que, não estando lá, reclamam a retirada.
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John Edwards, que defende a saída do Iraque mas não a saída do Golfo, ou, dito de outro modo, defende que a saída do Iraque não implica necessariamente a saída do Golfo, coloca a questão nos precisos termos em que ela terá de ser equacionada: O que acontecerá nos outros países do Golfo se os norte-americanos forem obrigados a sair do Iraque?
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Muito provavelmente, é a reflexão à volta desta pergunta que obrigará os norte-americanos, e o resto do mundo, a coincidirem numa visão diferente daquela que neste momento prevalece.

Saturday, February 10, 2007

OS PAPAGAIOS




É difícil encontrar entre os analistas e comentadores políticos da nossa praça algum que tenha feito alguma coisa na vida para além de cantar do poleiro. Estas aves frequentes, uma vez instaladas no baloiço, repetem exaustivamente os mesmos assobios e vão manducando à conta de quem gosta e lhe garante as pevides.

E, valha a verdade, há muita gente que gosta. Há muita gente que se baba de gozo masoquista pela visão da tragédia ou pelo anúncio de desgraças. A queda da ponte de Entre-os-Rios atraiu excursões de curiosos, as televisões chupam até ao tutano todas as pequenas ou grandes tragédias porque sabem que há um íman nas imagens que transmitem repetidamente, e que lhes garante crescimento de “share”.

Quando um comentador conhecido, remata a sua crónica acerca da viagem do PR à Índia com uma conclusão reprovadora: “A maior gaffe da viagem foi a viagem”, ele sabe que tem as pevides garantidas. Este comentador dirá o mesmo acerca de qualquer viagem; dirá o mesmo se não houver viagem. Não porque ele tenha qualquer vivência ou experiência das viagens de negócios, mas porque não sabe assobiar de outro modo, e aprendeu que este é o modo que lhe rende.

Para as viagens à Índia e à China, realizadas recentemente, embarcaram não só os políticos mas também vários empresários. Sabemos, no entanto, que muitos desses empresários não perdem uma única oportunidade de se agarrar às franjas do poder para assegurar vantagens e nestas viagens roçam-se nas franjas. Estarão todos embrulhados numa alucinação que não os levará nem a eles nem a ninguém a lado nenhum?

Os empresários foram à Índia e à China por interesses turísticos e de pavoneio social porque o Oriente não nos interessa e, muito menos, Portugal interessa ao Oriente?

Não é credível.

Visto da Índia ou da China, Portugal é, na aldeia global, um recanto no mapa e o interesse que lhes poderemos suscitar não pode deixar de corresponder às nossas dimensões. Inversamente, a dimensão dos mercados chineses e indianos e, sobretudo, as progressões dos seus crescimentos não podem deixar de interessar aos portugueses. Sob pena de comprometermos cada vez mais a nossa saída da encruzilhada em que nos metemos.
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Àqueles, que vêm em todas as acções e tentativas de saída da encruzilhada intenções desajustadas ou segundas intenções, pergunte-se: Mas então, por onde devemos ir?

Pergunte-se, mas eles não sabem responder.

Friday, February 09, 2007

A PÍLULA DO DIA SEGUINTE

Muito provavelmente, o "Sim" será maioritário no referendo do próximo domingo.
No dia seguinte iniciam-se as discussões que o referendo adiou.
Uma delas é: Quem paga a conta?

Se vencer o "Não" (possível, mas pouco provável) as discussões não acabam. Serão outras.

Acerca de cada um destes pontos coloquei comentários em:
A Arte da Fuga

Eu também vou votar "Sim"
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Transcrevo da sua declaração:"Tenho para mim que admitir uma despenalização sem possibilitar à mulher abortar num estabelecimento de saúde seria liberalizar o abortamento clandestino."
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A este respeito, penso que não pode existir opinião contrária.Por outro lado,o "não" ou é não com coerência ou é "nim", mas esta hipótese não está configurada no referendo.
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Quanto à sua resposta negativa à interrogação:"Se aceito que esta prática seja feita no Serviço Nacional de Saúde? Não."

tenho algumas dúvidas e algumas sugestões:
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O que é que entende por "não aceito que esta prática seja feita no SNS"?
- que não seja feita em estabelecimentos de saúde públicos?
- que não seja gratuita?
- que não seja tendencialmente gratuita, ainda que sujeita a taxas moderadoras?
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A questão já foi levantada pelos votantes "não" referindo que não faz sentido o aborto gratuito quando tantas restrições estão a ser impostas em investimentos e cuidados de saúde. E não faz.
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Mesmo que essas restrições não existissem.O que faz sentido é que o custo dos tratamentos abortivos sejam pagos solidariamente pelos que a eles recorrem: as mulheres que os solicitam, os homens que os motivaram. Independentemente do estabelecimento de saúde (público ou privado) onde se realizam.
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No caso de demonstrada incapacidade financeira da mulher que aborta e do seu co-responsável, o Estado deve realizar o pagamento na condição de ser reembolsado em prestações calculadas em função dos rendimentos da mulher e do homem envolvidos.
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Que lhe parece?

O QUE DISSE O PINHO

Caro J.

Quando, há dias, o inimitável Pinho disse na China que o investimento estrangeiro (chinês, neste caso) poderia encontrar em Portugal mão-de-obra barata e mansa; quando o PM, chutando para canto, veio dizer que o que o Pinho queria dizer era que tínhamos mão-de-obra qualificada (e mansa, supõe-se) toda a gente lhes caiu em cima, em todo o caso mais em cima do Pinho.
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Claro que o discurso da tanga na China foi mais um dos descuidos linguísticos do Pinho, que deve ter esquecido onde estava.No subconsciente do Pinho, contudo, está gravada uma informação indelével: a de que Portugal tem ainda 3,5 milhões de trabalhadores que não completaram o ensino secundário e, desses, mais de um milhão tem mais de 50 anos de idade. Há, lamentavelmente, em Portugal uma parte importante importante da população activa que não tem idade nem capacidade para grandes reconversões tecnológicas.Esta é uma realidade que os sindicatos, e sobretudo a CGTP, se recusam a ver. Ou vêm mas fazem vista grossa.
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Todos sabemos que muitos lugares que exigem qualificações médias estão a ser ocupados por imigrantes, nomeadamente brasileiros. E ainda bem, acrescento eu, haja quem trabalhe!Porque na minha aldeia, onde há dezenas de anos se produzia tudo desde o arroz ao vinho, do centeio ao azeite, etc. numa economia de autosubsistência que hoje não tem condições nem razões para existir, onde antes havia um "jardim" variado e cuidadosamente tratado, hoje quase só há mato.E se alguém se dispõe a gastar uns cobres para plantar umas árvores, não há quem abra os buracos, nem ajude na poda e na cura. Não há ninguém para trabalhar, ouve-se a cada passo.
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O que é que se passa?O que se passa é que temos uma população envelhecida e muitos velhos vivem miseravelmente. Devem ser ajudados, devemos dar-lhe o peixe.Quanto aos outros devemos ensiná-los a pescar. O que leva o seu tempo e pressupõe que eles querem aprender.
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Ora o que se passa é que muitos não querem. Ou querem outros peixes.Enquanto isto não for entendido por muita gente, muita gente reclamará o peixe que não há.
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Pelo menos nos tempos mais próximos. O Pinho não disse bem isto. Mas era o que ele queria dizer e tem-lhe faltado coragem para o dizer cá dentro.

Thursday, February 08, 2007

JOVENS & LIBERAIS Lda. - SALAZAR

O concurso da Dona Elisa promete, o que talvez seja a única virtude do programa, trazer à tona os salazaristas que imergiram há trinta e dois anos.

No
Blasfémias

por exemplo, está em curso uma inevitável e esperada separação de águas provocada pelo discurso realmente antiliberal de P Arroja.

Afirma CAA, a propósito dos destemperos de PA:


... quando vejo os ditos liberais portugueses a apelar, cada vez menos indirectamente, ao voto em Oliveira Salazar num concurso televisivo, outros a jurar que a instituição mais absolutista da nossa contemporaneidade é o melhor exemplo possível de liberalismo aplicado, quando leio textos dos ditos liberais portugueses em que se defende a repressão penal para impor à mulheres, de fora para dentro, condutas moralizantes em que estas não se revêem e valores que já eram caducos quando o referido Oliveira Salazar ainda estava sentado firmemente na sua cadeira. Então, tristemente, só posso concluir que os ditos liberais portugueses, salvaguardando honrosas mas raras excepções, são hoje aquilo que sempre foram: uns pobres e irremediáveis salazarentos!

JOVENS & LIBERAIS, Lda : AMBIENTE


Que os liberais velhos (mas não os velhos liberais) sejam avessos a tudo o que possa empecilhar-lhes os negócios, percebe-se. Percebe-se porque, sendo velhos, para além da liberdade de continuar a amontoar cobres ou ouros, não só não reclamam outra como reclamam contra qualquer outra.

Que os jovens liberais se recusem a acreditar nos mil e um testemunhos que, sem truques de montagens nem batotas nas contas, mostram até que ponto o nosso planeta está ser irremediavelmente atacado pela acção predadora humana, e que, mais estranho ainda, façam das erráticas variações climatéricas motivo de chacota é, no mínimo, intrigante.

Poder-se-á explicar sempre este comportamento de uma franja da sociedade jovem como uma corrente inversa, que em todos os tempos e todas as sociedades, sempre se estabelece contra a corrente principal. Acontece, contudo, que a corrente principal não é sequer corrente porque para a maior parte da população (e, nomeadamente, para a maioria da população portuguesa) os problemas do ambiente não os mobilizam para qualquer atitude pró-ambiental. Os jovens neoliberais assumem-se, portanto, não em contracorrente, o que poderia ter efeitos dialécticos saudáveis, mas de forma reaccionária contra a mudança.

O que, atendendo à sua juventude, não pode se não pressupor-se que os picou um retro vírus que os torna, surpreendentemente, adeptos do princípio da colectivização da irresponsabilidade total: o princípio que consagra o direito de que cada sociedade em geral, e cada indivíduo em particular, poluir quanto e como quiser porque as consequências destruidoras dos seus actos são tretas formatadas por alguns imbecis fanáticos.

O termo colectivização, neste caso, está longe de ser gratuito: foi, precisamente, nas sociedades que adoptaram modelos de colectivização da produção que ocorreram, em simultâneo com essa colectivização, as formas colectivas mais generalizadas de irresponsabilidade ambiental.

É evidente que toda a ideologia (e a ecologia também é uma ideologia) acaba por segregar os seus fanatismos.

Mas não se combatem os fanatismos combatendo as evidências. Os jovens que chacoteiam das preocupações ambientalistas não se posicionam à frente mas lado a lado dos velhos a quem o ambiente nunca disse nada.

VERDADE INCONVENIENTE, EM PORTUGAL

Políticos portugueses ouviram "verdades inconvenientes" de Al Gore 08.02.2007 - 15h51 Lusa

O antigo vice-presidente dos Estados Unidos Al Gore partilhou hoje, no Museu da Electricidade, em Lisboa, as suas "verdades inconvenientes" sobre as alterações climáticas com uma plateia de políticos, entre eles o ministro do Ambiente e o presidente da Câmara de Lisboa.
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Na conferência, a que só um convite dava acesso, Al Gore revisitou ao vivo e a cores as principais mensagens do filme "Uma Verdade Inconveniente", com que lançou uma mediática cruzada em prol de uma acção imediata contra o sobre-aquecimento global.Entre os políticos e ex-responsáveis políticos encontravam-se o ministro do Ambiente, Francisco Nunes Correia; o presidente da Câmara de Lisboa, Carmona Rodrigues; o ex-primeiro-ministro Pedro Santana Lopes; o dirigente do Bloco de Esquerda Francisco Louçã; o ministro da Administração Interna, António Costa; a ex-ministra da Saúde Maria de Belém; o ex-deputado social-democrata e actual assessor do Presidente da República para a área do Ambiente, Jorge Moreira da Silva; o deputado e ex-secretário de Estado do Ambiente José Eduardo Martins; e o ex-ministro social-democrata José Luís Arnaut.A opinião dos convidados foi unânime: Al Gore demonstrou ser um grande comunicador e soube passar a mensagem que o filme já transmitia.
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Ministro do Ambiente diz que o mais importante é perceber que o desafio é global"Ao vivo tem uma força que jamais uma mensagem pode ter", comentou o ministro do Ambiente.Sublinhando "o apelo muito veemente" de Al Gore no combate às alterações climáticas, Nunes Correia salientou que a mensagem mais importante é perceber que "este é um desafio a toda a civilização porque não afecta um ou outro país. Afecta todos".
O presidente da Câmara de Lisboa classificou a apresentação como "muito profissional" e disse ter sido "a melhor" a que já assistiu. "Mostrou uma grande capacidade de comunicação, grande actualidade e grande objectividade. Fez um apelo muito forte no sentido em que é tempo de agir para combater esta crise que afecta todo o planeta", declarou Carmona Rodrigues.Sobre o convite feito a Al Gore, o autarca considerou que era "importante trazer a Lisboa quem está a liderar o processo da maior campanha de sensibilização ambiental actualmente em curso" e que "tem uma voz reconhecida internacionalmente".Antes da conferência, Carmona Rodrigues esteve num encontro informal com Al Gore, que reuniu personalidades de várias áreas, numa "troca de impressões" que descreveu como "muito interessante"."Foram abordadas várias questões técnicas, algumas relacionadas com a área da energia. Falou-se, por exemplo, do hidrogénio, da micro-geração ou do nuclear", disse o presidente da Câmara de Lisboa.Quercus lembra opções energéticas de Al GoreO dirigente da Quercus, Francisco Ferreira, elogiou esta "oportunidade de revisitar o filme, de forma actualizada", sobretudo junto de "uma série de líderes políticos e de opinião que não tinham visto o documentário". "A vontade política é, felizmente, um recurso renovável", disse Francisco Ferreira, parafraseando a última parte da apresentação de Al Gore.O ambientalista, que também participou no encontro informal com Al Gore, mostrou-se também satisfeito com a partilha de pontos de vista. "Ficámos satisfeitos por ver que as opiniões do Al Gore vêm ao encontro de muitas das linhas que defendemos. Em termos de energia, por exemplo, é mais favorável às renováveis e à micro-geração, em detrimento do nuclear, sobretudo devido aos custos, mais ainda do que o risco de acidentes ou os resíduos".Depois da conferência, Al Gore saiu de imediato para se encontrar com o primeiro-ministro, José Sócrates.

Wednesday, February 07, 2007

FOGE CÃO!


- Foge cão que te fazem barão!
- Fugir para onde, se me fazem visconde?

(Cão ou gato, tanto faz)

As notícias sobre a Justiça, pelas piores razões, são frequentes demais em Portugal. E se os meandros da lei civil não são descortinados nem entendidos pela população em geral, as causas de responsabilidades penais propõem a cada um de nós a obrigação moral de ajuizar.

Ninguém que esteja moralmente vivo se abstém de reflectir, comentar, discutir, julgar, os casos que enchem as primeiras páginas dos jornais e são o bife do lombo para alguns noticiários televisivos. Lamentavelmente, muitos desses casos envolvem menores e os crimes que monstros adultos cometem sobre elas.

Um dos mais mediáticos casos de atentados contra jovens em condições vulneráveis continua a arrastar-se, sem fim à vista. À excitação das primeiras notícias relatando e dissecando crimes, seguem-se, quase sempre, peripécias judiciais que continuam a render aos media oportunidades e proveitos que eles não só não dispensam como ateiam. Até que a banalização as extinga ou novos escândalos as abafem; muitas continuam a arder soltando fumo sem chama aguardando que achas novas os aticem.

O ex-PGR, inquestionavelmente, deixou transparecer para a opinião pública que não só não reunia algumas qualidades que o cargo exige como deixou no ar a suspeição de que o seu muitas vezes referido carácter de honestidade isenção não esconda, afinal, alguns rombos irreparáveis.
As peripécias foram frequentes, as suspeições graves. Quando saiu, deixou o lugar por varrer.

Quando, depois de ter sido agraciado com a Ordem que o fez Cavaleiro, ele respondeu que não fazia juízos acerca do juízo que a opinião fazia dele e do seu trabalho à frente da PGR, o dr. Souto Moura ignorou o que nele é imperdoável ignorar: que a opinião pública, em matéria de apreciação de conduta moral, é a que, em última instância, mais conta. Porque não há direito penal que não se suporte no conjunto de valores que a sociedade mais estime. E, para a opinião pública, se o dr. Souto Moura saiu de consciência tranquila, não parece que devesse.

Quando o PR, que o agraciou, referiu que nem sempre a opinião pública conhece, e por isso não reconhece, as pressões a quem estão sujeitos os responsáveis por elevadas funções do Estado, deveria ter sido mais explícito quanto ao alcance do seu discurso. Não o tendo feito fica sempre no ar a dúvida enorme quanto à real honestidade e isenção que se apregoa mas os factos, irremediavelmente, contrariam.

Tuesday, February 06, 2007

NÃO, ASSIM NÃO!

Continua a discussão acerca da vida intra uterina e a ausência dela acerca da protecção da vida nascida e das ameaças aos seus direitos primários. O maior flagelo não é o aniquilamento de fetos mas a morte lenta pela fome.
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Os partidários do "não" entraram, definitivamente, em contradições irremediáveis: ao defenderem agora a não penalização do aborto estão apenas a opor-se a que a interrupção voluntária da gravidez se faça em condições minimamente condignas e controladas. Estão a defender a não penalização do aborto clandestino. Estão a querer negar a oportunidade evidente que a consulta médica poderá representar na inversão de algumas decisões desesperadas.
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A intervenção da ginecologista portuguesa a trabalhar na Suíça, no Prós e Contras de ontem, resumiu tudo o que está em causa: a despenalização encaminha a decisão da mulher para o médico; o voto "não" encaminha-a para a clandestinidade, se for pobre, ou para Espanha se tiver recursos para tanto.

Monday, February 05, 2007

CONTOS AMERICANOS : DÉFICIT, SOMA & SEGUE?

Bush Sends Congress $2.9 Trillion Budget Plan By Lori Montgomery and William BraniginWashington Post Staff WritersMonday, February 5, 2007; 12:20 PM
President Bush sent to Congress a $2.9 trillion budget plan that would dramatically increase military spending -- including an extra $245 billion for the wars in Iraq and Afghanistan -- but squeeze federal health care programs and most domestic agencies to achieve his goal of eliminating the deficit by 2012.
The proposal seeks to make permanent tax cuts enacted in 2001 and 2003 at a cost of $374 billion over five years. And it would slice nearly $96 billion over five years from Medicare and Medicaid, the government's health care programs for the poor and the elderly. The proposal would also cut spending at eight federal agencies -- including the education, environment and interior departments -- to below fiscal 2006 levels. Bush said his budget proposal "shows we can balance the budget in five years without raising taxes." The budget is "realistic, it's achievable and it's got good reforms in it," he said.
"Our priority is to protect the American people. And our priority is to make sure our troops have what it takes to do their jobs," Bush told reporters after meeting with his Cabinet at the White House. "We also have got priorities in national parks and education and health care," he said, urging Congress to "listen to a budget which has no tax increase" and that "because of fiscal discipline . . . can be balanced in five years."
Democrats, who control Congress for the first time since Bush took office, quickly attacked the proposal.
more:

O GRANDE GABIRU

A primeira página do "Público" de hoje é dedicada a mais um exemplo do estilo abominável do dono da Madeira que a pusilanimidade dos políticos "contenentais" consente. De vez em quando, assiste-se a uma ou outra reacção epidérmica mas nenhuma foi, até hoje, capaz de fazer JJ obedecer às leis da República. Para quem duvida das virtualidades dos pactos de regime na reparação de certos entorses, o caso da Madeira apresenta-se como exemplo paradigmático do rato que se esgueira impune entre os gatos assanhados. O desplante de JJ é um insulto grosso a todos nós.
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Com uma tiragem diária de 5000 exemplares, cada cópia, vendida, dada ou reciclada, custa-nos a todos os que pagam impostos, mais de meio euro cada. Para JJ e a sua trupe poderem continuar com o número do costume.
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João Jardim: apoios ao "Jornal da Madeira" servem para manter o pluralismo
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Alberto João Jardim afirmou hoje que os apoios financeiros ao "Jornal da Madeira" servem para manter o pluralismo na comunicação social, em reacção ao relatório do Tribunal Constitucional que refere a atribuição de quase cinco milhões de euros àquele título em 2005.
O relatório "Fluxos Financeiros entre a Administração Pública Regional e a entidades de comunicação social", noticiado hoje pelo PÚBLICO, revela que o Governo Regional da Madeira concedeu, em 2005, mais de 4,6 milhões de euros ao "Jornal da Madeira" sob a forma de suprimentos e compra de publicidade.O montante representa quase 75 por cento do total de apoios concedidos naquele ano pela administração pública regional a órgãos de comunicação social, adianta o PÚBLICO com base no relatório do Tribunal de Contas (TC)."O 'Jornal da Madeira' é, hoje, uma guerra de regime, não alinha pelo pensamento único e pela falta de pluralismo que está vigente em Portugal", disse Alberto João Jardim.Para o governante madeirense, "Portugal é, hoje, uma democracia de opereta em que não há pluralismo ideológico, nem pluralismo na comunicação social" e, por isso, considera o "'Jornal da Madeira' [como] um marco dessa luta"."Custe o que custar [o "Jornal da Madeira"] tem de ser mantido para continuar a desenvolver uma luta contra o sistema imposto", concluiu João Jardim.O responsável pelo Governo Regional admitiu que o seu executivo "obviamente que se aproveita para ali fazer publicidade".Apesar de dizer que não comenta relatórios de órgãos jurisdicionais, João Jardim defende que o Tribunal de Contas tem como missão constitucional avaliar a legalidade da receita e da despesa e não de critérios do governo regional."Os critérios do governo já não são da conta do tribunal, são do âmbito do poder executivo e, quando os tribunais desatam a fazer comentários aos critérios executivos do Governo, está a quebrar o princípio sagrado em democracia que é o da independência dos poderes", concluiu.João Jardim assina página de opinião. O "Jornal da Madeira" é detido maioritariamente pelo executivo regional, apesar de o estatuto editorial ser da diocese do Funchal.Alberto João Jardim foi director da publicação após o 25 de Abril de 1974 e antes de assumir a presidência do governo regional, em 1978, altura em que a região adquiriu a quase totalidade do capital deste jornal, onde o governante assina uma página de opinião quase diariamente.

Saturday, February 03, 2007

SIM, POR QUE NÃO?

As campanhas de mobilização em curso poderão reduzir a abstenção mas estão a aumentar a confusão.
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A propósito do vídeo do Gato Fedorento, editado no
O Cachimbo de Magritte

ocorre-me uma pergunta que ainda não vi formulada nem respondida: Se os votantes no não pretendem evitar o aborto, não o poderão fazer de forma mais eficiente nos locais onde eles se podem realizar?
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Quem se decide firmemente a abortar, em princípio, não liga para uma linha de apoio. O aborto clandestino não é localizável, pelo que nenhum meio dissuasor é praticável.
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A ameaça da "liberalização do aborto" até às 10 semanas, do pondo de vista dos votantes no não, não poderá constituir para estes uma oportunidade para tentarem reduzir, as por eles invocadas, consequências do voto no sim?
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As contradições do não são insanáveis. As do sim são parcialmente remediáveis.

UM BOEING A FARDOS DE PALHA

Comentário ao “post/video “ Money, Banking and the Federal Reserve”, de 31/01/2007, colocado em
A Arte da Fuga

Caro AA,

Conforme prometido, e após ter sido reparada parte duma avaria nas telecomunicações aqui na minha zona, vi o vídeo, e agradeço-lhe a oportunidade de o ter visto para o poder comentar.

Recorda-se que comentei no seu "post" - Milton Friedman got it right, and Plato got it wrong /
How do we limit the power that idiots have over us? - a transitoriedade da glória e, concretamente, da glória do monetarismo.

Replicou V. que "a teoria monetarista é a faceta mais criticável do pensamento de Milton Friedman..."

Percebi a intenção mas fiquei sem perceber por onde é que V. ia sair a partir daí.

E percebi a intenção porque a teoria monetarista é não só uma arma intervencionista manipulada pelo Estado mas também a mais poderosa. Não só a nível interno de cada zona cambial mas, sobretudo, a nível dos fluxos internacionais: "Nearly $2 trillion worth of currency now moves cross-border every day, roughly 90% of which is accounted for by financial flows unrelated to trade in goods and services - a stunning inversion on the figures in 1970, when 90% of international transactions were accounted for by trade". in Financial Statecraft/Benn Steil and Robert E. Litan - Thr Role of financial markets in American Foreign Policy/
Yale University Press 2006.

Aliás, o vídeo demonstra que foi sempre assim e, agora, acrescento eu, mais do que nunca.

Vendo a primeira mensagem do vídeo, supus adivinhar que ele se encaminharia no sentido da defesa de medidas de controlo da actividade do FED. Esta hipótese, tal como num filme policial, é reforçada por diversas intervenções ao longo do filme para ser descartada apenas no epílogo.

Afinal o vídeo, que é didáctico e está muito bem composto, aponta para uma solução serôdia: o regresso ao padrão-ouro.

Fiquei decepcionado. Supunha encontrar um anti-vírus revolucionário e remetem-nos para o óleo de fígado de bacalhau.

António Amaral, francamente não sei que lhe diga porque, desculpe-me a franqueza: pretender sustentar o sistema financeiro internacional actual com base na convertibilidade em ouro seria o mesmo que pretender fazer voar um Boeing com fardos de palha.

Friday, February 02, 2007

CONTOS AMERICANOS : O AQUECIMENTO GLOBAL

U.N. Climate Panel Says Warming Is Man-Made By Juliet EilperinWashington Post Staff WriterFriday, February 2, 2007; 11:46 AM
There is no longer any reasonable doubt that human activities are warming the planet at a dangerous rate, according to a new worldwide assessment of climate science released today by the authoritative Intergovernmental Panel on Climate Change.
. With at least 90 percent certainty, the IPCC's "Summary For Policymakers" concludes human-generated greenhouse gases account for most of the global rise in temperatures over the past half century. Hundreds of scientists from 113 countries prepared the report, which represents the most comprehensive overview of scientific climate research since 2001. Climate Change 2007 Report (pdf)
. Science: Global Climate Report Washington Post staff writer Juliet Eilperin will be online to discuss the global climate change report issued on Friday by the Intergovernmental Panel on Climate Change.
"The observed widespread warming of the atmosphere and ocean, together with ice-mass loss, support the conclusion that it is extremely unlikely that global climate change of the past 50 years can be explained without external forcing, and very likely that is not due to known natural causes alone," the report stated. The report suggests that it is "very likely" that hot days, heat waves and heavy precipitation will become more frequent in the years to come, and it is "likely" future tropical hurricanes and typhoons will become more intense. Arctic sea ice will disappear "almost entirely" by the end of the century, it says, while snow cover will contract worldwide. While the summary does not produce any ground-breaking observations -- it reflects a massive survey of the world's peer-reviewed literature on global warming in recent years -- it is significant because it represents the definitive international scientific and political consensus on climate science. It provides a much stronger assessment of global warming than the panel's previous report in 2001, which said it was "likely," meaning a 66 percent chance, that human activity accounted for the warming recorded over the last 50 years. Governments and scientific organizations across the globe nominate scientists to produce and review the IPCC assessment under the auspices of the United Nations; ultimately, a group of 30 government officials developed and developing countries chose who would write the report. A group of key authors and government officials gathered in Paris this week to finalize the document, which reflects years of work. "Every government in the world signed off on this document, including the U.S." said the World Bank's chief scientist Robert Watson, who chaired the IPCC's last round of deliberations. Watson added that compared to the 2001 report, "The difference is now they have more confidence in what they're doing." The earth's average temperature will increase between 3.2 and 7.8 degrees Fahrenheit (1.8 and 4 degrees Celsius) over the next century, according to the report, while global sea levels will rise between 7 and 23 inches (18 and 59 centimeters) during that period. Bush administration officials said today they welcomed the report, and emphasized that U.S. funding for climate research helped underpin its conclusions. "Without the great work of our scientists, the advances in knowledge of our planet's climate that were documented in today's IPCC report would not have been possible," said Commerce Secretary Carlos M. Gutierrez. But environmental advocates said the administration has not done enough to cap U.S. carbon emissions and urged Congress to act quickly in the wake of the IPCC's findings. "The administration's proposals are at least a decade away.," said Angela Anderson, vice president for climate programs at the National Environmental Trust. "The promise of better technologies tomorrow shouldn't stop us from doing what we can today. Thankfully, political will in Congress is rising faster than temperature readings."

Thursday, February 01, 2007

CONCLUSÃO

Hoje, fazem anos
cerca de 15 milhões de humanos.
Amanhã,
nunca sabemos.

Wednesday, January 31, 2007

CONTOS AMERICANOS : A CHINA

Paulson: China Must Speed Money Reform
By MARTIN CRUTSINGERThe Associated PressWednesday, January 31, 2007; 1:57 PM WASHINGTON -- Treasury Secretary Henry Paulson insisted Wednesday that new high-level talks with China offer the greatest chance of success in reducing the soaring U.S. trade deficit. He faced a skeptical Senate Banking Committee where both Democratic and Republican senators said they believed China would listen only if the country faced punitive economic sanctions. The lawmakers said nearly 3 million manufacturing jobs have been lost since early 2001, a period during which the trade deficit has hit records for five straight years and the imbalance with China has soared to an all-time high. "All the jawboning and talking you are doing with the Chinese is not going to affect one iota that steel worker" who has lost his job to unfair foreign competition, Sen. Jim Bunning, R-Ky., told Paulson. Many senators said they were upset that the Bush administration did not cite China as a currency manipulator in a report it sent Congress in December. Such a designation would have triggered negotiations with the Chinese and could have led to punitive sanctions against imports if the United States had won a case before the World Trade Organization. Paulson said he believed a better approach was the new Strategic Economic Dialogue he began with the Chinese in December, involving seven members of the Bush Cabinet in meetings with top Chinese officials in Beijing. He said those twice-a-year discussions offered the best hope for persuading China to make the types of economic changes that would reduce the U.S.-China trade gap. He said he would make these discussions a top priority in the two years left in the Bush administration. The next meeting is scheduled for May in Washington. "I really believe we have a plan in place that gives us the best chance of making progress," Paulson said while conceding that at the end of two years "we could still be frustrated because we would like to see more progress." Paulson said pursuing economic sanctions against China could cause the Chinese government to abandon reform efforts for fear they would be seen as caving to foreign pressure. Senate Banking Committee Chairman Christopher Dodd, D-Conn., said he believed events could quickly overtake Paulson's effort given the level of unhappiness in the U.S. over trade deficits and lost jobs. "The Congress is not going to wait and see how this is progressing when they watch 3 million manufacturing jobs leave this country," Dodd told Paulson. "You are going to get blown by if we don't get a better handle on this."
more:

O DISCURSO DO TAXISTA DO VASCO


(ontem, á noite, na RTP 1)

Vasco & Constança, Constança & Vasco, constituem uma parelha com discurso tirado em corrida de táxi para qualquer lado da cidade.

Entram, rodam o botão ao homem da frente, depois é só passar ao papel e passar o recibo. Ontem o Vasco nem trabalho de passar ao papel teve. Colocaram-lhe uma câmara à frente, mudaram-lhe duas ou três vezes o cenário, incluindo o fato e a gravata, e o Vasco torceu as mãos, o pescoço, e as meninges, ao mesmo que declamava o texto mil vezes decorado. Não sei a que horas terminou, porque antes que ele acabasse comigo acabei eu com ele, rodei o botão à televisão e despedi-o.

Que disse o Vasco? O habitual, já se sabe. Com uma confissão preliminar para contrapeso ao que debitou a seguir: O Vasco confessou que gosta dos portugueses…gosta! Gosta do merceeiro, do barbeiro…gosta dos portugueses em geral…Não gosta dos franceses, não, dos franceses não gosta, nem com molho de tomate, mas dos portugueses gosta…

Mas os portugueses são uma lástima, uns desorganizados, uns atrasados sistemáticos, o que se explica porque somos (fomos) um país de campónios e, já se sabe, quem amanha a terra não tem regras nem horários, daí que ninguém chega a horas a reuniões. Uma vez quiseram (não percebi quem quis) organizar apostas de corridas de cavalos, foi um descalabro, falhou tudo. Queremos imitar sempre, somos (maus) imitadores por natureza, toda a nossa história é uma história de imitação, não há ideias, aconteceu o 25 de Abril e não apareceu um ideia nova, agora queremos ser como a Finlândia, mas a Finlândia…nós não somos a Finlândia, não é? Há uns políticos, uns economistas, que pensam que isto se resolve com receitas, mas não resolve, se se resolvesse já tinha sido resolvido o problema do subdesenvolvimento, não havia países subdesenvolvidos, e há, tanto há que não sabem organizar corridas de cavalos, têm de tirar o cavalo…Depois há quem ache que se deve financiar a cultura, a cultura é tratada como uma religião, o Vasco foi Secretário de Estado da Cultura e apareciam-lhe uns tipos que não tinham dúvidas, ao Vasco sempre fez espécie que esses tipos, que queriam subsídios, não tivessem dúvidas, …e não temos nada que seja nosso, não temos uma dramaturgia nossa, …bom tivemos o Frei Luis de Sousa, e querem subsídio… somos um país periférico, não temos carvão, não temos minérios,…
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Temos o Vasco & Constança. Que mais queremos nós?

A HORA DA GLÓRIA


Comentário a

Milton Friedman got it right, and Plato got it wrong

em

A Arte da Fuga

O que Milton Friedman propôs em toda a sua obra encaminhou-se sempre para a redução dos limites das atribuições do Estado.A teoria monetarista não é se não um corolário da filosofia subjacente a todo o seu pensamento liberal e, neste sentido, uma contestação da intervenção estatal preconizada por Keynes.
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Mas a questão que se coloca é sempre a mesma: o monetarismo opõe-se em definitivo gloriosamente ao keynesianismo ou cada qual tem a sua hora de glória, dependendo das circunstâncias da hora?
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Tal como o homem, a economia é ela mesma e as suas circunstâncias, passe a paráfrase. Foi o republicano Nixon quem afirmou perante o seu Gabinete : "Hoje somos todos Keynesianos". Nos tempos que correm o credo passou a ser "Somos todos monetaristas".
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Ninguém com bom senso negará os valiosos contributos de um de e de outro, e de muitos que não vamos para aqui chamar agora. Platão já ficou muito lá para trás na translucidez do tempo e os seus sinais, que chegam indispensavelmente até nós, não perderam valor, simplesmente ocorreram noutras circunstâncias.
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Dito isto, e desculpe-me por ter vagueado, concluo dizendo-lhe que também a mim me parece que seremos tanto mais livres e responsáveis, e mais prósperos, quanto mais dispensarmos a sombra do Estado; Mas o Estado, sendo minimizável, não é extinguível nas cada vez mais complexas cidades de hoje.
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De modo que, mais do que insistir na recitação ad nauseum do credo, me parece mais útil a discussão de propostas de redução do Estado que temos e a forma de optimização das funções do Estado que não podemos deixar de ter.
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PS - Estive há dias na Casa da Gandarinha em Cascais onde se encontra uma mostra de Arquitectura intitulada "Cidade Dual". A ideia subjacente é a mesma que há dias lhe referi ao comentar o seu "post" sobre "O Mundo é Plano" de Thomas L.Friedman: o de incentivar as pessoas a deslocarem-se menos para realizar as suas actividades profissionais. O Estado, se quisesse, poderia dar a esta ideia um grande contributo pelo exemplo.

E poupar-nos-ia nos impostos, para só citar uma vantagem.

AA-
A teoria monetarista não é se não um corolário da filosofia subjacente a todo o seu pensamento liberalAntes pelo contrário: a teoria monetarista é a faceta mais criticável do pensamento de Milton Friedman...

RF-
"a teoria monetarista é a faceta mais criticável do pensamento de Milton Friedman..."
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Criticável do ponto de vista de quem vislumbre como meta possível a extinção do Estado. Para quem não tenha ainda atingido esse estádio avançado anti-estatista ("liberalismo não é anti-estatismo", ainda segundo alguns) dificilmente pode conceber uma ordem financeira internacional sem intervenção central.
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O monetarismo recorre à intervenção mínima para a a consecução de resultados máximos, segundo M.F.

Tuesday, January 30, 2007

NÂO COM UMA PRESSÂO DE AR

Pergunta de "Público" a Labirinho Lúcio (2007/01/29):

Qual é a sua resposta? (para o combate à corrupção)

LL - Temos de perguntar o que queremos e até onde queremos ir. Estamos a falar de participação económica em negócio, tráfico de influência, branqueamento de capitais, da criminalidade organizada anti-económica, cujos agentes são altamente sofisticados. Isto não se combate com uma pressão de ar. Combate-se com que instrumentos e qual o limite de concordância prática com a violação de direitos? Se vamos respeitar todos os direitos, então aceitamos que grande parte dessa grande criminalidade não é descoberta.
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Mas pode o respeito pelos direitos de alguns sobrepor-se ao respeito pelos direitos de todos?
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Não pode. Aqueles que invocam a ilegitimidade da inversão do ónus da prova (e o PM invocou-a na Assembleia da República) , contra o parecer de reputados juristas, mostram inequívocamente a palha dos rabos dos gatos escondidos.

MAR DA SERRA

O seu poema teve o condão de me fazer chegar nesta manhã fria e cinzenta, que anuncia por cima da Serra de Sintra, ali em frente, uma tarde de chuva, a maresia do mar do nosso Mondego.
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Nasci à beira dele e as nossas rotas, que devem ter sido contemporâneas, tomaram sentidos diferentes: O C., da sua Ilha para Coimbra, foi até à Figueira procurar naquele mar o mar que lhe rodeou o berço. Eu, que de Coimbra só recebi cartas de chamada por razões indesejáveis, rumei para Lisboa.
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Durante muito tempo as raízes pediam-me que as arejasse onde tinham sido plantadas, e voltava à Figueira em cada Sábado na automotora que saía do Rossio às 14. A viagem demorava mais de cinco horas e, por alturas das Caldas, as noites mal dormidas durante a semana e o trepidar das rodas sobre as descontinuidades dos carris, embalavam-me para um sono que nenhum alvoroço na carruagem interrompia.
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E era quando a maresia se anunciava à passagem pela Fontela que eu acordava.
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Naqueles tempos o mar era mais manso, havia mais praia onde enrolar a sua fúria. E havia rochedos, que agora estão soterrados naquela imensidão de areia, onde se desenvolvia a natureza que exalava iodo num raio variável com a sensibilidade de cada um.
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A mim, ainda me chegou hoje aqui em Sintra, nesta bandeja sua de cor e odor magníficos.

Monday, January 29, 2007

A JUSTIÇA NO BANCO DOS RÉUS

Comentário a USUCAPIÃO III.

O CASO DA ESMERALDA PERDIDA - PARTE II

Continua o maniqueísmo em torno dos heróis e dos vilões deste caso.

Denunciei há dias o erro persistente nessa separação de ânimos: de um lado, a imprensa sensacionalista, a alimentar-se da excitação "pequeno-burguesa", como lhe chamaram Lobo Xavier e Pacheco Pereira na "Quadratura do Círculo"; do outro, os racionalistas incondicionais na defesa do estado de direito.

Ninguém, pelos vistos, reparou, ou quis reparar, que o real vilão é esse mesmo estado de direito, que intimou à prova de paternidade quando a criança já tinha 5 meses (poderia tê-lo feito na sequência do acto de registo com pai anónimo); levou 7 meses a concluir uma diligência que tecnicamente exigiu uma semana, e mais de um ano para concluir o processo de paternidade oficiosa.

Como se tal não bastasse, o Tribunal Constitucional "esteve cerca de dois anos para proferir uma decisão de um recurso sobre a possibilidade ou não daqueles que detinham a guarda da criança poderem vir a recorrer."

A todo este laxismo acresce a desorganização de que, ao que parece, o nosso sistema judicial não consegue livrar-se, consentindo que a mesma questão tramitasse por diferentes tribunais e instâncias.

Para quem duvidar do que atrás se refere, sugiro que leia a entrevista dada por Laborinho Lúcio ao Público, hoje. Claro que LL não acusa directamente os seus pares. Mas as conclusões a retirar das suas palavras, suponho, não podem ser outras.
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Cito
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LL - ...Toda a gente diz que é fundamental que se respeitem os interesses da criança. Curiosamente, quer do ponto de vista das intervenções dos tribunais e do Ministèrio Público, quer da opinião pública e de alguma imprensa, remetemos sempre a questão do interesse superior da criança para um primeiro plano retórico. .. Do ponto de vista metodológico, acabámos numa visão maniqueísta: de um lado o pai biológico e do outro os desejáveis pais adoptantes.
Público - Acha que, do ponto de vista da Esmeralda, se fez justiça?
LL - Acho que não. ... Há uma questão central que é a da incomunicabilidade no interior do próprio sistema e essa questão tem de ser rapidamente revista. Há vária intervenções de vários tribunais em vários processos, todos centrados na pessoa da menina mas produzindo decisões, que por se tornarem contraditórias, acabaram por gerar um absurdo e não proteger o interesse superior da criança. Se tivéssemos, desde o início, partido do interesse da criança, de que factos partiríamos? Uma criança com 18 meses que está a viver desde os três meses com uma família que a recebeu e integrou, com quem foi fazendo uma vinculação afectiva profunda. Esta criança tem estruturado na sua cabeça que pertence aquela família.
Público - A criança vai fazer 5 anos.
LL - Haverá razões que o justificam, mas a verdade é que o Tribunal Constitucional esteve cerca de dois anos para proferir uma decisão de um recurso sobre a possibilidade ou não daqueles que detinham a guarda da criança poderem vir a recorrer. O que significa que a própria decisão de regulação do poder paternal não se tornou efectiva, não transitou em julgado.
Público - (A Justiça) fecha-se e invoca a autoridade, a omnipotência, a independência.
LL - O que mudou verdadeiramente, mudou fora do sistema de justiça, mudou na sociedade. Vivemos com as dificuldades normais de uma sociedade democrática que interpela democraticamente o sistema de justiça... A independência dos tribuanis, que é sagrada num Estado de Direito, é um direito dos cidadãos e um dever dos tribuanis. Não é um direito dos tribunais, é um direito dos cidadãos.

FUGAS AOS IMPOSTOS

Caro J.

V. não gosta do Macedo, toda a gente que o lê já percebeu isso. De vez em quando, contudo, V. consegue ser suficientemente convincente nos argumentos que avança para justificar a sua animosidade.
É o caso do "post" de hoje. Nele dá V. conta de um grande número de situações condenáveis que desafiam a probidade do senhor DGCI para a eliminação e eventual sanção de tais abusos, incompatibilidades e casos de provável corrupção.
É por demais evidente, para quem esteja inteiramente descomprometido com estes factos, que toda e qualquer assistência, directa ou indirecta, de funcionários do Estado, e nomedamente de funcionários fiscais, a utentes ou contribuintes, que não decorram das suas atribuições normais enquanto funcionários públicos, não podem ser consentidas.
E não podem ser consentidas porque a assistência que exorbite das atribuições normais dos funcionários públicos, e pelas quais são retribuídos pelo Estado, só pode ser entendida como favorecimento do "assistente" ao "assistido" para redução das contribuições legalmente devidas por este e, na mesma medida, como perda para os cofres do Estado.
A exclusividade de funções não pode deixar de ser imposta a quem compete ser isento na execução, apreciação ou fiscalização das relações entre o Estado e os utentes ou contribuintes.
E à isenção, evidentemente, não basta ser. Tem de parecer.

Sunday, January 28, 2007

SAÚDE PARA AS SEGURADORAS


Lendo o seu artigo "Saúde para todos", publicado anteontem no DIA D, relembrei-me dumas leituras que fiz há algum tempo (mas não tanto que as tenha tornado ultrapassadas) acerca do tema, e das quais aqui lhe deixo alguns tópicos que, porventura, lhe poderão permitir acertar algumas convicções na matéria.
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Começo por me espantar com o facto de um colaborador da Revista Atlântico parecer subscrever uma proposta de uma "grande reforma na área da saúde, no Massachusetts, baseando-se num pressuposto simples: todos os residentes naquele estado norte-americano devem possuir seguro de saúde...sendo penalizadas caso o não façam"Para um liberal (no sentido que lhe damos aqui) não será uma abdicação de princípios aplaudir que uma escolha tão importante seja imposta pelo Estado?
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Eu penso que o Sistema Nacional de Saúde em Portugal poderá funcionar melhor, mas tem algumas virtualidades. Penso que as reformas que este Ministro está a implementar (até porque por razões financeiras não pode deixar de o fazer) vão no bom sentido.·
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Será o sistema norte-americano, e mais concretamente esta proposta de Mitt Romney, uma boa alternativa? O que MR propõe é nem mais nem menos do que alargar compulsivamente o sistema norte-americano a toda a população. Pouco liberal, supunha eu.
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A verdade é que os norte-americanos não estão nada satisfeitos com o modelo que têm. Ainda ontem, no programa "60 minutos", escutámos um cidadão dos EUA, a quem tinha sido diagnosticada a necessidade de fazer uma operação de by-pass múltiplo, não tendo 100 mil dólares para operação no seu país, nem seguro de saúde, foi operar-se à Tailândia por uma quinta parte daquela importância, viagem e estadia, incluídas.
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A literatura que se tem dedicado a esta questão é, nos EUA, muito vasta.
Alguns exemplos:
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- Critical Condictions: How Health Care in America Became Big Business and Bad Medicine (Donald L Barlett and James B Steel) disseca as consequências da privatização
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- Powerful Medicines: The Benefits, Risks, and Costs of Prescription Drugs
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- The Elephant at the Table (in The Power of Productivity -William Lewis - Founding Director of the Mckinsey Global Institute)
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Transcrevo alguns excertos deste último livro, publicado em 2004:
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"Health care is considered to be the most problematic sector in the US economy. It is huge..." "Our newspapers are full of stories about the inadequacies of our health care system. Many of these stories are about the plight of the 30-some million Americans without health insurance...""So if the United States is more productive in health care than Germany and the United Kingdom, why does it spend so much more?...The result has been doctors operating as thousands of small business, a large health care insurance industry, and micro-management of health care by the government and insurance companies . In the midst all this, patients (and sometimes doctors) feel a great loss of control. They are overwhelmed by the monstrosity we have built. The large care insurance industry and the government health care insurance schemes for the elderly and poor generate tons of paperwork in the reimbursement process..."

Parece, portanto, que se queremos melhorar o nosso sistema, não devemos adoptar o norte-americano. Em Portugal a parte mais bem paga da população já faz seguros de saúde. O SNS, se recorrer em muitos casos ao "outsourcing" para a prestação de cuidados primários, se compensar aqueles que recorrem a clínicas privadas com os valores (custos variáveis) que deixa de suportar, se reformular muita burocracia recorrendo ainda mais aos meios hoje disponíveis, poderá melhorar bastante e reduzir custos.

O sistema alargado norte-americano será ainda melhor para a saúde das seguradoras e das clínicas privadas. Quanto aos doentes verão agravados os sintomas actuais.