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Saturday, January 29, 2022

EM DIA DE REFLEXÃO, A EDUCAÇÃO

Que as debilidades da educação em Portugal são um factor decisivo da perda de posições no ranking do pelotão do desenvolvimento humano, anualmente publicado pelo PNUD - Programa de Desenvolvimento Humano - das Nações Unidas, ninguém contestará, salvo se colocar em causa a fiabilidade dos relatórios da ONU.

Ouve-se, repetidamente dito, por vários quadrantes de opinião que a actual geração é a mais qualificada de sempre. Mas esquece-se que 
 
1 - não basta continuar no pelotão se o objectivo é o crescimento económico e o desenvolvimento hunano; é forçoso manter ou melhorar o posicionamento relativo dos portugueses não só no conjunto europeu mas também no mundial. E tem sucedido o contrário. 
2 - uma parte significativa da juventude mais qualificada de sempre tem emigrado. 
3 - o saldo migratório será hoje, certamente, menos qualificado do que era há duas ou três décadas.

Ouve-se também repetidamente que uma das razões pelas quais fomos ultrapassados no ranking do crescimento económico - parcela importante do índice de desenvolvimento humano,  IDH - por países de leste que aderiram depois de Portugal à União Europeia, foram, à sua entrada na UE,  os níveis de educação desses países, superiores aos observados entre nós. 

Comparando os ranking do PNUD respeitantes aos valores observados em 2000 e 2019 (ainda não se encontra disponível o relatório 2021 que publicará os dados respeitantes a 2020) observa-se que:

1 - Em 2019 Portugal ocupava o 38º. lugar do ranking do PNUD, ajustado à desigualdade (IDHAD). Em 2000 ocupava o 28º. lugar no IDH.
Comparando a evolução dos coeficientes componentes (esperança de vida à nascença, educação, rendimento nacional bruto per capita) em todos os países, observa-se que, no pelotão da UE, Portugal caiu no ranking sobretudo pelo coeficiente educação.

2 - Em 2000 apresentava um índice de educação de 0,94, influenciado negativamente pela taxa de alfabetização de adultos: 0,92.
Também em 2000 os índices de educação nos países que nos ultrapassaram nos últimos 20 anos ou progridem para nos ultrapassar, eram:
Eslovénia - 0,94 
República Checa - 0,89
Hungria - 0,93
Eslováquia - 0,91
Polónia - 0,94
Estónia - 0,95
Croácia - 0,88
Lituânia - 0,93
Letónia - 0,93
Bulgária - 0,90
Roménia - 0,88
 
Observa-se que em 2000 Portugal comparava bem com os restantes países em análise. Apenas a Estónia com 0,95 apresentava um índice ligeiramente superior a Portugal (0,94)

Em 2019 houve alteração dos índices de educação, que passaram a comparar os anos de escolaridade esperados com a média de anos de escolaridade.
 
Portugal - 16,5 - 9,3  = 7,2 anos
Eslovénia - 17,6 - 12,7 = 4,9 anos
República Checa - 16,8 - 12,7 =  4,1 anos
Hungria -15,2 - 12 = 3,2 anos
Eslováquia -14,5 - 12,7 = 1,8 anos
Polónia - 16,3 - 12,5 = 3,8 anos
Estónia -16 - 13,1 = 2,9 anos
Croácia -15,2 - 11,4 = 3,8 anos
Lituânia -16,6 - 13,1 = 3,5 anos
Letónia -16,2 - 13 = 3,2 anos
Bulgária - 14,4 - 11,4 = 3 anos
Roménia - 14,3 - 11,1 = 3,2 anos

Os números falam por si. 
Portugal apresentava em 2019 o pior número médio de anos de escolaridade.
Até a Roménia com 11,1 anos está bem acima de Portugal.

Este ano comemoraram-se 48 anos do 25 de Abril.
Tempo mais que suficiente para o presente não admitir a atribuição de culpas ao passado.
...
Correl. -Produtividade

Thursday, February 25, 2016

GRANDESSÍSSIMOS COMUNISTAS

Apesar do extraordinário desenvolvimento económico da China nas últimas décadas, o país mais populoso do mundo ocupa uma posição modesta (a 90ª.) no ranking do Programa para o Desenvolvimento Humano das Nações Unidas (PNUD). Ainda assim, a sua posição relativa beneficia de um PIB/capita de 12547 dólares (cerca de 25% do valor calculado para os EUA) em termos de paridade de poder de compra, sete posições acima do seu posicionamento no Índice de Desenvolvimento Humano (HDI) que conta com os indicadores de educação e saúde.

Cuba, o outro país que se reclama comunista, ocupa a 67ª. posição apesar do seu PIB per capita (7301 dólares) não atingir 60% do valor do PIB/capita na China. A vantagem de 47 posições no ranking do HDI é conseguida com os excelentes indicadores nas áreas da saúde e da educação. 
Da Coreia do Norte, o outro país que se diz comunista, não há indicadores no ranking do PNUD.

Ocorreram-me estas observações a propósito desta notícia : Pequim ultrapassou Nova Iorque e é a cidade dos super ricos.
Se a China ainda é um país comunista, é um país de muito pequenos, pequenos, médios, grandes e grandessíssimos comunistas.

Wednesday, December 16, 2015

O QUE FIZEMOS NÓS DOS ÚLTIMOS 15 ANOS?

A recente divulgação do ranking das escolas secundárias provocou os comentários habituais: genericamente, para uns o ranking é um instrumento útil de avaliação, para outros é um instrumento sem precisão  suficiente para dele poderem ser retiradas conclusões fiáveis.  Depende da perspectiva em que assenta o observador. A mim, subsiste-me uma dúvida: por que razão o ensino secundário privado é geralmente melhor sucedido que o ensino secundário público mas o ensino superior público é, com excepção da U. Católica, geralmente melhor sucedido que o ensino superior privado? 

Entretanto um outro ranking, do Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) anualmente editado pelas Nações Unidas, foi praticamente ignorado. Com uma evolução que, nos últimos 15 anos, se traduziu numa queda da posição de Portugal na 28ª. posição no Relatório de 2002 (indicadores de 2000) para a 43ª no Relatório de 2015 (indicadores de 2014), o ranking é incómodo. E, sendo incómodo, talvez, dirão alguns, seja pouco fiável.   

A edição deste ano tem a dignificação do trabalho como tema central e inclui o habitual  anexo estatístico, e, como sempre, o ranking do IDH dos países membros decomposto nos indicadores considerados. Vejamos, a voo de pássaro, a evolução de Portugal no ranking  nos últimos 15 anos observada pelos relatório do PNUD de 2002 e 2015.

Mantiveram-se nos primeiros 27 lugares do ranking de 2002, com excepção da Grécia que desceu da 24ª para a 29ª posição, todos os países que antecediam Portugal, ainda que se tenham observado algumas alterações significativas: p.e. A Suécia desceu do 2º. lugar para 14º., a Suiça subiu do 11º. para o 3º. Só a Noruega se manteve o mesmo lugar, de liderança.

Tendo descolado do pelotão da frente, Portugal foi ultrapassado pela Eslovénia, Rep. Checa, Estónia, Eslováquia, Polónia, Lituânia, Malta, Argentina, Chile. E ainda, por razões não relevantes para este efeito, o Brunei, a Arábia Saudita, os Emiratos Árabes Unidos. O Liechtenstein (13ª. posição em 2015) e Andorra (34ª.) não integravam o ranking divulgado em 2002.


Mesmo uma análise expedita permite facilmente concluir que, segundo os critérios do PNUD, os dois componentes de avaliação "educação" no índice de desenvolvimento humano têm um peso relativo nitidamente superior aos restantes. E, destes dois, sobreleva-se a média de anos de escolaridade. Em Portugal este número (8,2) é o mais baixo do conjunto de países que nos antecedem no ranking e cerca de metade do número de anos (16,3) de escolaridade esperada. O abandono escolar é, em Portugal, uma calamidade que persistiu ao longo dos últimos 15 anos, tendo-se eventualmente agravado, em termos relativos, considerando o índice de educação (94% para um máximo de 98% na Noruega) atribuido no ranking de 2002.


A este respeito é também interessante a comparação dos indicadores de Portugal com os da Grécia.

À Grécia, que ocupa agora a 29ª. posição, i.e., 14 posições acima da posição portuguesa é atribuido um IDH de 0,865 (0,830 a Portugal)

No entanto 

- a "esperança de vida à nascença" -  na Grécia, 80,9 anos (H/M), é um valor igual ao calculado para Portugal.
- o "PIB/capita em paridade de poder de compra" - na Grécia, 24 524 dólares; em Portugal, 25 757 dólares.  
- o "número esperado de anos de escolaridade" - 17,6 na Grécia compara com 16,3 em Portugal. 

mas

- o "a média de anos de escolaridade" - 10,3 na Grécia, é superior em 2 anos à média observada em Portugal (8,2).

Justificam, só por si, estes dois anos de escolaridade efectiva a diferença de 14 posições no ranking, independentemente  de ser nitidamente mais favorável a Portugal o indicador PIB/capita (PPP)?

Para os administradores do PNUD, sim.
Para nós, tem dias.



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O Relatório de 2002 incluía um quadro - "Tendências Demográficas" - que vale sobretudo pela análise comparativa que permite fazer com outros países. O défice demográfico refletido na evolução destes valores antecipava há muito tempo a crise demográfica estrutural reflectida nos dados divulgados em Junho deste ano pelo INE, vd. aqui. 

Tuesday, June 16, 2015

OS BÁLTICOS - 2

Estivemos lá há uns dias atrás. 
Em Kaunas , agora a segunda maior cidade da Lituânia, depois de ter sido o principal centro económico e cultural desde princípios do sec. XV, perguntámos a uma lituana de Kaunas, na casa dos trinta, se era sentida pela população em geral alguma inquietação depois da ocupação da Crimeia pela Rússia e dos combates no leste da Ucrânia. A Lituânia foi a primeira república soviética a proclamar a independência, a 11 de Março de 1990, teria a nossa interlocutora, quanto muito, entre 5 e 10 anos de idade. 

- Há dias, respondeu-nos ela, acordei sobressaltada a sonhar com um bombardeamento sobre a minha casa. Afinal, tratava-se do ruído madrugador provocado por um descarregamento de materiais para arranjo da rua. 
- Por que é que é tão elevada a taxa de suicídio na Lituânia? 
(Lithuania has seen a dramatic rise in suicides in the post-Soviet years, and now records the third highest suicide rate in the world. Lithuania also has the highest homicide rate in the EU, cf. aqui)
- Talvez pelo excesso de alcoolismo, pela depressão provocada pelas noites longas de inverno ... talvez ... 
Desisti de perguntar-lhe por que razão se observa na Lituânia a maior taxa de homicídios na UE.
- Como se relacionam entre si os diferentes grupos étnicos que vivem na Lituânia? São frequentes os casamentos entre lituanos e russos? 
- Já não há muitos russos na Lituânia. (5,8%, segundo a Wikipédia)
- Por que razão decresceu tanto a população do país nos últimos 25 anos?
- Muita gente emigrou. Para Inglaterra, para a Alemanha ...
- ... e os russos para a Rússia  ... 
- Nem todos, mas muitos sim.

Com efeito, e esse é um fenómeno demográfico que se observa, mais ou menos acentudamente em qualquer dos três países, a população da Lituânia decresceu cerca de 10% a partir da abertura consentida pela independência em 1990.

População da Lituânia (em milhões de habitantes) entre 1950 e 2010

Consequentemente, também o PIB do país caiu significativamente. Segundo o Relatório do Desenvolvimento Humano 2014 das Nações Unidas (PNUD),o Rendimento Nacional Bruto (RNB) per capita terá atingido os 23740 dólares, em termos de paridade de poder de compra (PPP) posicionando-se a Lituânia na 35ª. posição do ranking do Índice de Desenvolvimento Humano. Portugal, com RNB per capita de 24130 dólares ocupou o 41º. lugar da lista em consequência de indicadores inferiores na educação.

Na Letónia, com um território de superfície equivalente ao da Lituânia (cerca de 65 mil km2), residem cerca de 2 milhões de habitantes, dos quais cerca de 27% são de origem russa. Destes, cerca de 14% não são considerados cidadãos da Letónia por terem entrado depois da ocupação soviética em 1944. Tal exclusão pode explicar em parte a saída de residentes russos após a independência em 1991  e a redução da população residente de 2,7 milhões em 1989 para os actuais 2 milhões.


No ranking do PNUD a Letónia ocupa a 48ª. posição com um RNB de 22186 dólares em PPP.

Na Estónia, em cerca de 45 mil km2 residem cerca de 1,3 milhões de habitantes, dos quais cerca de 25% são de origem russa. No distrito de Harju a população russa atinge os 36% e em Ida-Viru, junto à fronteira com a Rússia, 70%. Entre 1990 e 2008 a população residente na Estónia decresceu de 1,7 milhões em 1989 para os cerca de 1,3 milhões actuais.

No ranking do PNUD a Estónia ocupa a 33ª. posição com um RNB de 23387 dólares em PPP. Recorde-se que Portugal, com um RNB de 24130 dólares em PPP (valores de 2011 em qualquer caso) se situou na 41ª. posição em consequência dos indicadores de educação. A propósito, registe-se que a Estónia é um dos países com maior intensidade de comunicações pela internet e o Skype tem carimbo de criação e desenvolvimento estoniano.


Thursday, July 24, 2014

MELHORES, MAS MUITO POUCO



 As Nações Unidas divulgaram ontem o "Human Development Report 2014".

No ranking do índice (a pgs. 160), Portugal é colocado na 41ª. posição. Subiu duas posições relativamente ao HDR 2013. Caiu 28 posições relativamente ao HDR 2002 (dados de 2000). Em 2000, Portugal era antecedido pelos países da Europa Ocidental, Estados Unidos da América, Japão, Nova Zelândia, Hong Kong, Singapura e Coreia do Sul. Ainda em 2000, Portugal situava-se na 26ª  posição do ranking do PIB per capita, significando isto que tinha, então, piores posições nos rankings da expectativa de vida e da escolaridade que no índice complexivo (esperança de vida, educação e PIB per capita). 

Em 2013 (HDR 2014) situavam-se acima de Portugal todos os países que já se encontravam acima em 2000, tendo sido apanhado pelo Chile (efeitos esperança de vida e educação), Emiratos Árabes Unidos (forte efeito PIB per capita e educação), Eslováquia (efeito PIB pc e educação), Polónia (educação), Lituânia (educação), Arábia Saudita (PIB,educação), Estónia (educação), Qatar (PIB, educação), Brunei (PIB, educação), República Checa (educação), Eslovénia (PIB, educação), e ainda Andorra e Liechtenstein, que não constavam dos rankings do HDR 2002. 

O efeito educação favoreceu todos os países que ultrapassaram Portugal.  Mesmo que se excluam da análise comparativa os países produtores de petróleo, a conclusão é a mesma. 

Ouve-se, com muita frequência dizer que "esta geração de portugueses é a melhor preparada de sempre". A propósito, tenho apontado neste bloco de notas que se trata de uma afimação que olha para o nosso passado e não repara para a evolução observada nos outros países com os quais essa geração melhor preparada tem de competir. Olha para trás, não olha para o lado. Pior ainda: uma larga maioria dessa (mal presumida) geração mais bem reparada de sempre emigrou ou está a preparar as malas.



Thursday, April 04, 2013

A CULPA DAS CALÇAS*

A Destreza das Dúvidas: Falsidade transformada em dogma?

"A geração de hoje é melhor preparada de sempre" é uma afirmação que não me suscita, olhando para trás, e já é longo o percurso, qualquer contestação se ela se reporta às qualificações médias das gerações anteriores de portugueses. Mas, por outro lado, não me parece, contudo, que o facto de se assistir actualmente a uma emigração massiva de gente qualificada, como nunca antes, possa confirmar a afirmação inicial.
 
Porque:
1 - "A actual geração é a melhor preparada de sempre" mas a progressão observada nas últimas décadas ficou aquem da atingida por outras gerações concorrentes a nível global. Os jovens portugueses estão, sem dúvida, melhor preparados que os de ontem mas o seu posicionamento caiu no ranking mundial. Essa perda competitiva a nível mundial não aconteceu apenas em Portugal, mas sendo baixa a base, a perda relativa deixou-nos mais afundados a nós que a outros.
Aliás, essa perda contínua é nítida até no ranking de desenvolvimento humano do PNUD quase desde a criação desse índice há, salvo erro, quinze anos atrás. É só um índice, é verdade, mas reflecte, de algum modo, a perda de qualidade dos nossos recursos humanos no contexto global.
 
2 - A emigração de gente qualificada não representa uma abundância de oferta em Portugal mas antes a escassez de procura. A progressão do conhecimento é apenas uma condição necessária, mas não suficiente, ao desenvolvimento económico e social. Os movimentos migratórios de baixa ou elevada qualificação, comportam-se como os ventos: sopram das altas para as baixas pressões. Por razões conhecidas, há muito que se instalou na Noruega, por exemplo, um centro de baixas pressões. 
Em Portugal, lamentavelmente, continuamos sujeitos a um crónico centro de altas pressões, e não se vislumbra como soprá-lo de cá.
 
A partidocracia, que muitos confundem com democracia, e com que se entretêm os governantes e os candidatos, tem contribuido bastante para a imobilidade destas condições cronicamente adversas.

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* Comentário que tentei, sem sucesso, talvez por inabilidade minha, colocar no blog "A Destreza das Dúvidas" 

Saturday, December 15, 2012

DAQUI A SEIS MESES, DE JOELHOS*

António Baptista da Silva, um quadro do PNUD, Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento, Coordenador do Observatório Económico e Social da ONU para o Sul da Europa, a instalar em Portugal, é peremptório nas declarações aos jornalistas do Expresso, publicadas no caderno Economia deste semanário, hoje: "Se Portugal não renegociar agora irá fazê-lo daqui a seis meses de joelhos". O porquê, o como e o quê deve Portugal renegociar, no entender de Baptista da Silva, encontra-se, mais detalhado do que na entrevista dada ao Expresso, numa conferência, que, estranhamente, passou despercebida e se encontra em Youtube aqui  e aqui.

A mesma edição do Expresso que noticia que Nações Unidas propõem renegociação da dívida antecipa que o PR vai promulgar o OE e remetê-lo ao Tribunal Constitucional para fiscalização sucessiva. Um dia depois de o CDS ter reunido em Conselho Nacional para esclarecimento das razões pelas quais aceitou aprovar um orçamento que contraria os seus princípios fundadores. Uma semana depois de um notável fiscalista do mesmo CDS ter afirmado no programa de televisão em que participa que só a alteração das regras a meio do jogo poderá evitar um descalabro da actual política.

Por que é que continua a dupla que governa o país obstinada na obediência a uma política em que já muito poucos acreditam que possa resgatar Portugal, permitindo que a recuperação económica que inverta a espiral de depressão em que os banqueiros de braço dado com os políticos nos embarcaram? Haverá algum jogo por baixo da mesa que escapa mesmo a observadores tidos geralmente por responsáveis e bem informados e, por maior razão, ao homem comum? Não sabemos. O que sabemos é que todos criticam o OE, incluindo o PR, mas o OE entrará em vigor e só, provavelmente, em meados do próximo ano saberemos se contem inconstitucionalidades.

O mais relevante, contudo, não será a decisão dos senhores juízes do Tribunal Constitucional. De uma forma ou de outra, a questão crítica subsiste sem resposta: Tem Portugal alguma possibilidade de inverter a tendência crescente da dívida e a decrescente do PIB se não forem alteradas as regras do jogo? Não tem, diz Baptista da Silva, e quase todos quantos não falam com Frau Merkel ou Herr Wolfgang Schäuble.
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* Actualização - 23/12
Artur Baptista da Silva (ou o mesmo com outro nome) não é nem nunca foi funcionário da ONU

Thursday, November 04, 2010