Monday, December 13, 2010

A SORTE DE UM CAIXEIRO VIAJANTE

O Estado português o que mais tem são dívidas.
Teixeira dos Santos está na China a tentar vender dívida pública depois do insucesso no Brasil.

Afinal, depois de tantos abraços e promessas de Lula, o Brasil cortou-se.
E a China não vai ser fácil. Se Teixeira dos Santos não levou mais nada na manga, dificilmente evitará voltar de mãos a abanar. O que não seria dramático se o pior não estivesse já lá fora à porta a exigir a obtenção de volumes de crédito consideravelmente superiores aos obtidos em 2010.

Não é preciso grande perspicácia para se perceber que, por este andar, mais dia menos dia, a corda parte.

Faz sentido a negociação da dívida junto de novos credores? Talvez, mas não se percebe porquê. O senso comum apontaria para a negociação, ou a renegociação, junto dos credores actuais, aqueles que, inevitavelmente, terão de aceitar o reescalonamento da dívida se quiserem reduzir as perdas com o negócio.  

Pese embora a decepção que os brasileiros, entre outros, nos possam dar, percebe-se que, sabendo eles que as possibilidades de Portugal escapar ao reescalonamento da sua dívida externa são muito escassas, seguem a intuição de que mais vale decepcionar uma vez um amigo do que perdê-lo de vez. Dito de outro modo: a capacidade de negociação de Portugal é bem superior junto dos credores actuais do que de novos financiadores.

O problema, no entanto, dir-me-ão, não se fica pelas responsabilidades a vencer porque se estende com as necessidades de aumento da dívida total. Quanto a esta parte, não vejo alternativa senão evitá-la. Tem custos enormes, económicos e sociais? Pois tem. Mas não podemos fugir-lhe enquanto não resolvermos um problema bem mais complexo: o do crescimento económico.

E a este respeito, talvez porque a questão (urgente) da dívida monopoliza as atenções de todos, a questão (importante) da criação de condições favoráveis ao crescimento do rendimento nacional continua subalternizada. Numa situação em que o défice externo continua incontido, as poupanças continuam ainda a ser, em grande parte, dirigidas para operações financeiras especulativas.  

19 comments:

António said...

Os chinocas não querem juros para nada. Querem coisas.
Ou se lhes dá o que querem, ou nada feito.
Sabe o que é, não sabe?

rui fonseca said...

"Sabe o que é, não sabe?"

O que é?

António said...

Você sabe, sabe pois...

aix said...

Sol e boa mesa já têm por lá...Macau já lhes demos.O que será então, António?
Ah!talvez treinadores de futebol.

rui fonseca said...

"talvez treinadores de futebol."

Daqui a uns anitos, Mourinho levará a China a campeã do mundo de futebol? É bem possível.

Mas nessa altura já será tarde para a China se comover o suficiente para comprar a dívida que precisamos de vender.

António said...

Não é futebol.
A china não precisa de dinheiro, nem de juros para nada.
Quer coisas.
Que tal o inverso de Macau, mas no Alentejo?
Vamos indo e vamos vendo, se se concretiza o crime.
Aposto que sim.

rui fonseca said...

"Vamos indo e vamos vendo, se se concretiza o crime."

Qual crime,qual quê!?

Se os chineses decidissem investir em Sines,aproveitando o porto como porta de entrada na Europa, só teríamos a ganhar com isso.

Ou o António prefere que eles usem os portos belgas ou holandeses? Ou os espanhõis do Mediterrâneo?

António said...

Se os chineses decidissem investir em Sines,aproveitando o porto como porta de entrada na Europa, só teríamos a ganhar com isso"

A troco de quê?
De compra de dívida, para se ficar com folga para fazer mais dívida?
Engana-se. Não temos nada a ganhar se não formos nos próprios a tratar disso. Como fazem os Espanhóis, os Ingleses, os Holandeses, os Franceses, os Italianos, todos os outros, até os chinocas!
Entende?
Ou você aluga ou cede a sua garagem ao vizinho e depois deixa o carro na rua?
Ou a cozinha e depois passa a comer fora?
Se forem para Sines, é isso que vai acontecer.

rui fonseca said...

"Engana-se. Não temos nada a ganhar se não formos nos próprios a tratar disso"

Nós,quem?
Na sua perspectiva, António,o investimento estrangeiro não é bem vindo. Ou não é bem vindo o investimento chinês?

O Raio said...

"Faz sentido a negociação da dívida junto de novos credores? "

Claro que faz. É preferível dever a muitos do que dever a poucos pois, se devermos a poucos acabamos sempre ficando nas mãos deles.

António said...

Não confunda investimento com outras coisa. Interesses, por exemplo.
O usufruto sem muito boas contrapartidas, é uma perda de oportunidades, de negócios e de lucros.
Se os chinocas deitarem a mão a Sines, não é investimento. É cedência de estruturas, de infra-estruturas, de meios e até de território, de autonomia e de soberania.
Aquilo da Liscont, ou dos submersíveis, é um conto de fadas comparado com isso.
Sines, nas mãos dos chinocas, negociado por incompetentes, incapazes e parolos, para além de usurpadores do bem comum, é um pesadelo!!!
Olhe o que lhe digo.

O Raio said...

"Se os chinocas deitarem a mão a Sines, não é investimento. É cedência de estruturas, de infra-estruturas, de meios e até de território, de autonomia e de soberania."

É espantoso que num país que cedeu praticamente toda a sua soberania aos chupistas de Bruxelas, Berlim, Paris, etc., haja alguém que se preocupe com negócios com chineses em Sines pois isso seria uma perca de soberania.

Abram os olhos, para já temos é de recuperar os poderes que governos dirigidos por incompetentes (Mário Soares, Cavaco Silva e por aí adiante) cederam a entidades europeias.

Abrir o Porto de Sines a chineses não nos causa problemas, antes pelo contrário.

Aliás, já lá está Singapura que é maioritariamente povoada por cidadãos de origem chinesa!

rui fonseca said...

" É preferível dever a muitos do que dever a poucos pois, se devermos a poucos acabamos sempre ficando nas mãos deles."

Não é verdade. Se v. deve 100 a um banco e não tem como pagar, tem um problema. Se deve 100 milhões e não pode pagar, o banco tem um problema. (do Manual da Sabedoria Popular)

rui fonseca said...

"Não confunda investimento com outras coisa. Interesses, por exemplo."

Conhece investimentos desinteressados?

Já uma vez lhe fiz esta pergunta: Se em vez de chineses forem espanhóis, aceita? Tmabém não?

E se forem do Américo Amorim? Nem assim.

Então, de quem? Do Zé Ninguém?

rui fonseca said...

"temos é de recuperar os poderes que governos dirigidos por incompetentes (Mário Soares, Cavaco Silva e por aí adiante) cederam a entidades europeias."

E voltaremos a estar orgulhosamente sós!

António said...
This comment has been removed by the author.
António said...

Já uma vez lhe fiz esta pergunta: Se em vez de chineses forem espanhóis, aceita? Tmabém não?
E se forem do Américo Amorim? Nem assim.
Então, de quem? Do Zé Ninguém?

E eu já lhe tinha respondido:

Não temos nada a ganhar se não formos nós próprios a tratar disso.

E ainda:
Como fazem os Espanhóis, os Ingleses, os Holandeses, os Franceses, os Italianos, todos os outros...

Por estarmos sempre dependentes da boa vontade dos outros é estamos como estamos.
Isto é como esperar que nos metam a papinha na boca, se possível já mastigadinha, em vez de comermos pelas nossas mãos.
Vêm para cá cheios de virtudes, somos os melhores, e quando se lhes acaba a mama, ala que se faz tarde que há mais para mamar noutro lado.
Quer exemplos?
Por onde tem andado?

rui fonseca said...

E ..."Como fazem os Espanhóis, os Ingleses, os Holandeses, os Franceses, os Italianos, todos os outros"...?

António said...

Tratam dos seus próprios assuntos, não estão à venda.
Desenvolvem-se. Aprendem, fazem, criam riqueza pelos seus próprios meios, não estão à espera que lhes façam a papinha toda.

Mas, já viu a rentabilidade, que eu lhe arranjei com isto?
Se desse dinheiro, você nunca tinha ganho tanto.
Agora, vá gastá-lo mal gasto...
Você deu o mote, eu e outros demos o suor e você está todo contente.
Precisou de alguém de fora?
É só um exemplo, mas deve dar para você entender.