Thursday, January 26, 2023

EVITARÁ A ESPÉCIE HUMANA A SUA AUTO DESTRUIÇÃO?

SE SIM, DIGAM-ME COMO.

 Relógio do Apocalipse está a 90 segundos do fim, o mais perto que alguma vez já esteve Relógio metafórico chama a atenção para as ameaças na humanidade e perspectiva o quão longe está a autodestruição. Guerra na Ucrânia entre as razões para a aproximação da meia-noite no Doomsday Clock.

 

 

A time of unprecedented danger: It is 90 seconds to midnight

Founded in 1945 by Albert Einstein and University of Chicago scientists who helped develop the first atomic weapons in the Manhattan Project, the Bulletin of the Atomic Scientists created the Doomsday Clock two years later, using the imagery of apocalypse (midnight) and the contemporary idiom of nuclear explosion (countdown to zero) to convey threats to humanity and the planet. The Doomsday Clock is set every year by the Bulletin’s Science and Security Board in consultation with its Board of Sponsors, which includes 10 Nobel laureates. The Clock has become a universally recognized indicator of the world’s vulnerability to global catastrophe caused by manmade technologies. 

A time of unprecedented danger: It is 90 seconds to midnight

This year, the Science and Security Board of the Bulletin of the Atomic Scientists moves the hands of the Doomsday Clock forward, largely (though not exclusively) because of the mounting dangers of the war in Ukraine. The Clock now stands at 90 seconds to midnight—the closest to global catastrophe it has ever been.

The war in Ukraine may enter a second horrifying year, with both sides convinced they can win. Ukraine’s sovereignty and broader European security arrangements that have largely held since the end of World War II are at stake. Also, Russia’s war on Ukraine has raised profound questions about how states interact, eroding norms of international conduct that underpin successful responses to a variety of global risks.

And worst of all, Russia’s thinly veiled threats to use nuclear weapons remind the world that escalation of the conflict—by accident, intention, or miscalculation—is a terrible risk. The possibility that the conflict could spin out of anyone’s control remains high.

Russia’s recent actions contravene decades of commitments by Moscow. In 1994, Russia joined the United States and United Kingdom in Budapest, Hungary, to solemnly declare that it would "respect the independence and sovereignty and the existing borders of Ukraine" and "refrain from the threat or use of force against the territorial integrity or political independence of Ukraine..." These assurances were made explicitly on the understanding that Ukraine would relinquish nuclear weapons on its soil and sign the Nuclear Non-Proliferation Treaty—both of which Ukraine did.

Russia has also brought its war to the Chernobyl and Zaporizhzhia nuclear reactor sites, violating international protocols and risking widespread release of radioactive materials. Efforts by the International Atomic Energy Agency to secure these plants so far have been rebuffed ...more here.

 

 

 

Friday, January 13, 2023

SOMA-ZERO, CONTAS ERRÁTICAS

 



The Economist

The Economist was founded in 1843 to champion the cause of free trade. Open markets and limited government still lie at the heart of our worldview. Our cover this week draws on those principles, to warn of a looming threat to ideas that have helped bring about an astonishing improvement in people’s lives.
 
An era of zero-sum thinking has begun. Countries are racing to subsidise green industry, lure manufacturing away from friend and foe and restrict the flow of goods and capital. Mutual benefit is out and national gain is in. 
 
For many in Washington, muscular industrial policy holds a seductive appeal. America has unleashed vast subsidies, amounting to $465bn, for green energy, electric cars and semiconductors. These are bolstered with requirements that production should be local. Bureaucrats tasked with scrutinising inward investments to prevent undue foreign influence over the economy now themselves hold sway over sectors accounting for 60% of the stockmarket’s value. 
 
Fans argue that this will help seal America’s technological ascendancy over China, which has long pursued self-sufficiency in vital areas using state intervention. As carbon pricing is politically unfeasible, it could also foster decarbonisation. And it reflects a hope that government intervention will succeed where private enterprise failed, by reindustrialising America’s heartlands and even reviving support for market capitalism. 
 
Such thinking is misguided. If zero-sum policies are seen as a success, abandoning them will become only harder. In real­ity, even if they do remake American industry, their overall effect is more likely to cause harm by corroding global security, holding back growth and raising the cost of the green transition. Even when it is inspired by the best of motives, zero-sum thinking threatens to make everyone poorer and the world more dangerous.





Wednesday, January 11, 2023

CORRIDA AO ARMAMENTO NUCLEAR PARA O EXTERMÍNIO DA ESPÉCIE HUMANA

Num dia, Putin promete usar armamento nunca visto e ameaça com armas nucleares; 

Noutro ameaça com o mesmo ou promete o contrário.

Ontem, foi notícia que  a Rússia vai continuar a desenvolver armas nucleares, diz ministro da Defesa. Com que propósito? Rechear o maior museu de armas nucleares ofensivas? Só para turista ver?

Acreditar que Putin, ou qualquer outro que pode fazer o mesmo, nunca utilizará armas nucleares, enquanto existir e continuar a aumentar o stock nuclear, porque isso significaria o desencadear da guerra nuclear, isto é, da última guerra da humanidade, que exterminaria a espécie, incluindo Putin e os seus familiares e amigos, é subestimar a infinita estupidez humana.

Toda a história da humanidade é, desde sempre, história de confrontos bélicos, uns mais localizados, outros mais extensos, mas nunca na história da humanidade se reuniram forças destruidoras capazes da sua auto destruição total.


OPACIDADE PROPOSITADA

Tuesday, January 10, 2023

SER SOCIALISTA

Ministra e secretária do PS agradece a Miguel Alves: “Ser socialista é isto, é sermos solidários” - aqui

"Elogiando o ex-secretário de Estado Adjunto do primeiro-ministro, Miguel Alves, que se demitiu em novembro, Ana Catarina Mendes manifestou-lhe "solidariedade" e "gratidão" pelo trabalho como líder distrital de Viana e como presidente da Câmara de Caminha, função no âmbito da qual foi acusado de prevaricação pelo Ministério Público". - aqui. ...  

"O nome de Miguel Alves saltou para ribalta depois de o jornal "Público" ter publicado, a 26 de outubro, uma investigação ao projeto de um Centro de Exposições Transfronteiriço (CET) em Caminha, num investimento de 8,5 milhões de euros pela sociedade Green Endogenous. O processo envolveu um contrato promessa de arrendamento para fins não habitacionais, em que a autarquia, na altura liderada pelo socialista Miguel Alves, efetuou um pagamento antecipado à empresa de 300 mil euros, equivalente a um ano de rendas pela ocupação do futuro edifício. Uma obra que ainda não se concretizou."

---- 

Indemnização de 500 mil euros paga pela TAP a Alexandra Reis pode ser ilegal

----

Nova polémica: sentença revela "fortes indícios" que ex-Secretária de Estado exerceu funções ilegais em Vinhais - mas marido protegeu-a

----

Ex-secretária de Estado do Turismo poderá ter violado lei ao regressar ao privado 

Projecto que ex-governante Rita Marques vai chefiar teve ajudas públicas de 30 milhões

--- 

Joaquim Pinto Moreira, um dos vice-presidentes do Grupo Parlamentar do PSD e presidente da Comissão de Revisão Constitucional, é o principal alvo da "Operação Vórtex" e deverá ser constituído arguido a breve trecho, no âmbito de uma investigação que levou nesta terça-feira à detenção do presidente da Câmara Municipal de Espinho, o socialista Miguel Reis, conforme avançou a RTP. Em causa está o licenciamento de projetos imobiliários.

O GRANDESSÍSSIMO MERCENÁRIO

"Cristiano Ronaldo receberá 400 milhões e “defronta” Portugal na candidatura ao Mundial A notícia é avançada pela AFP, que cita uma fonte do Al Nassr. Serão 200 milhões para promover a candidatura saudita ao Mundial 2030 e outros 200 como jogador do Al Nassr."



Sunday, January 08, 2023

O DESOVAR DAS BRONCAS

Já não escreves, regularmente, no Aliás, porquê?

Para não me repetir.

---

Domingo, 16 de Julho de 2006

Por alguma razão de capricho estatístico, que a mim me escapa, as broncas desovam com uma regularidade impressionante: não há dia, por mais morno que seja, que não apareça uma. Nem todas têm o mesmo tamanho, o mesmo peso, a mesma peitaça, mas o desovar das broncas é tão estatisticamente provável como o nascer do sol. Não há sábado sem sol, nem domingo sem missa, nem segunda-feira sem preguiça, nem nenhum dia sem bronca mais ou menos gorda.

Uma explicação economicista, (estão na moda as explicações economicistas), desta impressionante regularidade da fertilidade das broncas, poderia encontrar-se na mão invisível dos chefes de redacção, que as fosse rateando, para nem enfartarem os leitores, num dia, nem os deixarem a ver navios no dia seguinte. Explicação pouco convincente, contudo, porque os jornalistas são, por natureza, incapazes de guardarem para amanhã as notícias que puderem publicar hoje.

Outra explicação, também economicista (provavelmente, não há outras), é a promoção da bronca, que consiste em vender, como bronca, aquilo que não passa de um acidente normalíssimo. Os jornalistas estariam, neste caso, a repescar a táctica dos ardinas, quando os havia, de apregoar “o desastre! olha o desastre!”, para vender, mais rapidamente, a carga que lhes derreava os ombros. Mas, também neste caso, a explicação não colhe, porque o que nos é oferecido diariamente é, pelo menos, um bom exemplar de bronca, que inequivocamente não é gato, mas lebre.

Com tanta regularidade, o desovar das broncas, tornou-se banal e há muito tempo que deixou de ser notícia. É, sobretudo, uma informação, do género da hora da maré-alta ou das farmácias de serviço, mas muito menos útil. Lê-se, comenta-se quando se comenta, e passa-se à frente.

O que é inevitável. Se alguém, por casmurrice, entendesse trinchar um desses bichos, ficaria ultrapassado pela dinâmica da desova: quem é que perde tempo com uma bronca passada quando surgem outras novinhas, em folha?

A título de exemplificação de todo este arrazoado cite-se um desses exemplares, recentemente desovado, notícia em quase toda a Imprensa, diária e não diária:

«A CÂMARA Municipal de Lisboa tem cerca de 1200 pessoas com contratos de prestação de serviços e avenças, dos quais 193 são assessores-executivos recrutados para gabinetes de vereadores com pelouros. Carmona Rodrigues é o recordista com 64 assessores, incluído um com a função de organizar os «Portos de Honra».

As notícias à volta deste exemplar adiantam mais pormenores, mas aquelas quatro linhas poderiam, apenas elas, desencadear uma salutar discussão acerca do sistema espúrio de governo municipal em Portugal.

Sendo executivos, os vereadores municipais coabitam em regime de adquiridos com os directores dos quadros das edilidades. Como o seu conhecimento técnico dos pelouros em que superintendem é geralmente reduzido, e muitas vezes nulo, não lhes resta alternativa se não acatar as propostas dos diferentes Sir Humphrey que lhes aparecem pela frente. Como estes Sir Humphrey são inamovíveis, os interesses que os engordam dão de sobejo para os vereadores que vão aparecendo. O sistema auto sustenta-se porque as diferentes facções políticas representadas na Câmara depressa reconhecem que os seus interesses pessoais (e partidários) passam pela conjugação dos votos. Assim se explica porque é que, sendo tão renhida a luta partidária para a conquista de lugares nos municípios, são raros os casos de conflitualidade partidária após a formação das Câmaras. Do mesmo modo se explica a longevidade dos “dinossauros municipais” e a inimputabilidade de todos os quadros superiores e vereadores das Câmaras.

Mas há mais quem queira comer do queijo. Os vereadores foram eleitos com a ajuda de partidários que não dispensam saborear algumas sobras, e fazem-nos assessores.

Esta tese é tão irrebatível quanto é certo que até o vereador Sá Fernandes, o tal que contestou as trocas e baldrocas acerca dos terrenos da Feira Popular e do Parque Meyer, e do Túnel das Amoreiras (por onde andam estes casos?) eleito com o apoio do Bloco de Esquerda, votou na votação unânime de nomeação de tantos assessores. Só à sua conta, Sá Fernandes terá dezasseis, todos em part-time, porque os ordenados aprovados não compensam a dedicação integral, ao que parece.

Temos assim que os senhores vereadores, que da poda sabem pouco, substituem os directores das Câmaras nas responsabilidades que a estes competiriam, e os assessores dos vereadores duplicam os técnicos que fazem parte dos quadros dos municípios.

Ninguém controla ninguém.

Mas amanhã já ninguém falará do assunto. Uma nova bronca desovará.

--

Tuesday, January 03, 2023

QUE FUTURO PARA O CONDOMÍNIO FECHADO?

Há menos de três meses coloquei neste caderno de apontamentos este apontamento ACERCA DO ARSENAL NUCLEAR MUNDIAL

Hoje retiro do The Economist informação mais actualizada e amedrontadora. Se insisto neste tema é porque me espanta que ele seja submergido em todo o lado por assuntos, alguns, sem dúvida, relevantes, mas que o não são tanto para o futuro do condomínio fechado em que a espécie nasce, cresce e vai morrendo sem se aperceber que pode desaparecer de um momento para o outro por autodestruição global.

 "The world is entering a new nuclear age”—an old fear returns

CHINA’S ARSENAL of nuclear weapons has swiftly expanded; it is now roughly the size of Russia’s and America’s. That will make for a different—and far trickier—landscape of three-way deterrence. - c/p The Economist

How will America deal with three-way nuclear deterrence? It risks a new arms race, not only against Russia but also against China

------

| Washington, DC

THE LANKY Minuteman intercontinental ballistic missile and its squat naval cousin, Trident, stand sentinel near Omaha, outside the headquarters of America’s Strategic Command, which is in charge of America’s fearsome nuclear arsenal. Inside, STRATCOM’s personnel say they have been at “battle stations” since the start of Russia’s invasion of Ukraine in February, watching for any sign that Vladimir Putin might act on his threats to use nukes. For Admiral Charles Richard, the commander, the war in Ukraine marks a new era in which big powers use nuclear weapons to coerce rivals. But “this is just the warm-up,” he declared on November 3rd. “The big one is coming. And it isn’t going to be very long before we’re going to get tested.”


Wednesday, December 28, 2022

E AGORA, PARA ONDE É QUE ELA VAI?

 Alexandra Reis demite-se após pedido de Medina

Fernando Medina pediu à secretária de Estado do Tesouro que apresentasse a sua demissão, "no sentido de preservar a autoridade política do Ministério das Finanças num momento particularmente sensível na vida de milhões de portugueses" - c/p aqui

Tuesday, December 27, 2022

INCENTIVO PARA A DESTRUIÇÃO - EXPLICAÇÃO DA EVOLUÇÂO DA HISTÓRIA

 

 
Lockdown, for Simon Sebag Montefiore, was not a time for baking or box sets. Instead he set about recounting the history of the world through the lives of its most influential families. He begins over 4,000 years ago with the rape and vengeance of Enheduanna, daughter of Sargon, the self-made ruler of the Akkadian empire in Mesopotamia. He ends with the Trumps and the Xis. Sargon’s family faced the same problems that afflicted nearly every dynastic empire that followed: “The bigger it grew, the more borders had to be defended; the richer it was, the more tempting a target it became for less settled neighbours—and the greater was the incentive for destructive family feuds.” - c/p The Economist
 
The device of weaving together the past using the most enduring and essential unit of human relations is inspired. It lets readers empathise with people who helped shape historical events and were shaped by them. They have hopes, fears, lusts and ambitions that are familiar, even if they are manifest in ways that border on the psychopathic. The method also allows the author to cover every continent and era, and to give women and even children a voice and presence that they tend to be denied in more conventional histories.Despite the book’s formidable length, there is never a dull moment. The story moves at pace across terrible battles, court intrigues, personal triumphs and disasters, lurid sexual practices and hideous tortures. Almost every page offers what used to be known in Fleet Street as a “marmalade dropper”. Amid the sensationalism, you find yourself adapting to the cruelties of moral universes that are both alien and, on their own terms, comprehensible.
The technicolour cast includes the Borgias, the Habsburgs, the Kennedys and the Nehrus. Between the great, the good, the damned and the merely incompetent or criminal, there are far too many stars to mention. But some stand out:
• Darius the Great defeated eight rivals for the throne of Persia and ensured stability by marrying nearly all his female relations. Ruling with splendour and conquest for nearly 40 years until 486bc, he declared: “I am Darius, King of Kings. Whoever helped my family, I favoured; whoever was hostile, I eliminated.”
• Liu Bang was a hard-drinking peasant nicknamed “Little Rascal” who became a warlord. Through clever generalship and (for the time) enlightened politics, he founded the Han dynasty in 202bc. It ruled China with only a minor interruption for more than 400 years.

• Aged 56, and still exceptionally beautiful, Empress Zoe, niece of Basil the Bulgar-Slayer,drowned her husband Romanos in his bath in 1034 with the help of a 25-year-old paramour. Despite a brief exile, Zoe was kingmaker and the real power in Constantinople until her death 16 years later. • Thanks to his family’s obsession with consanguinity, poor Carlos II, the last Habsburg king of Spain, was born with a brain-swelling, one kidney, one testicle and a jaw so deformed that he could barely chew. Only semi-literate, he died in 1700 of explosive dysentery.
For her ruthless cunning and insatiable appetite for power and sex, this reviewer’s favourite character is Empress Wu, who at 14 was a palace maid and rose to become the most dominant woman in Chinese history. To secure her place as empress consort, she may have strangled her own baby so as to accuse a rival of murder. She died as empress dowager at the age of 81 in 705ad, having seen off internal and external foes for over 50 years, supposedly kept youthful by drinking the semen of much younger (and usually doomed) lovers.
A perennial theme is the dynastic problem caused by having too many sons, who fight each other for the throne—a difficulty exacerbated by the sensual temptations afforded by absolute power. For instance, Ismail, a slave-trading sultan of Morocco, fathered 1,171 children by the time he died in 1727. (His heirs still rule today.) As Nizam al-Mulk, an 11th-century vizier, observed: “One obedient slave is better than 300 sons for the latter desire their father’s death, the former their master’s glory.” A solution sanctioned by Mehmed II, the conqueror of Constantinople, was to make fratricide an official policy. Having had his own brother strangled, he decreed:“Whichever of my sons inherits the sultan’s throne it behoves him to kill his brothers.”
Around 80 Ottoman princes were strangled by bowstring so as to avoid spilling royal blood.
The author tells these stories with verve and palpable relish for the unbridled sex and inventive violence that run through them. His character sketches are pithy and witty.
Mary, Queen of Scots was “a calamitous bungler of impulsive stupidity and unwise passion”. The Duke of Buckingham, a Jacobean playwright, rake and Catholic plotter, was “slippery, graceful and vicious”. The footnotes, often short essays in themselves, have the acid drollery of Edward Gibbon. As the chronicle reaches more familiar territory some of the zest is lost. Margaret Thatcher is no Empress Wu; Donald Trump, grandson of Friedrich Drumpf (owner of the Poodle-Dog, a bawdy restaurant in Seattle), seems quite forgiving compared with Genghis Khan. Occasionally the segues are lumpy: “Meanwhile in China...” But overall this book is a triumph and a delight, an epic that entertains, informs and appals in enjoyably equal measure.

Monday, December 26, 2022

CONDOMÍNIO FECHADO

  

CONDOMÍNIO FECHADO

(CONTO INFANTIL PARA ADULTOS COM DEFICIÊNCIA DE ENTENDIMENTO)

 

Tem gás em botija?

Não, não tenho; há muito tempo que deixei de vender gás; aqui nos condomínios fechados já todos têm gás natural; o senhor não tem gás canalizado em sua casa?, desculpe perguntar.

Tenho, tenho, mas diz-se para aí que vai haver falta de gás …

Hum! Ainda não tinha ouvido essa; de qualquer modo, posso encomendar uma garrafa para si; se encomendar hoje, amanhã está cá; quer que encomende?

Está bem. Pode encomendar dez.

Dez? Disse dez ou ouvi mal?

Dez, sim dez, preciso de dez botijas, para já.

Fiquei sem perceber, mas fiz a encomenda. Dez garrafas de gás, por junto, o homem deve pensar que vai estar sem gás canalizado durante um ano…E onde é que ele vai guardar tanta botija? Tanto quanto sei, habita num andar alto e amplo; na garagem não vão permitir-lhe que guarde o gás lá. Nem na arrecadação. Muito menos no terraço, à vista de terraços vizinhos. Chegou o gás no dia seguinte; disse ao rapaz das entregas que naquele dia tinha trabalho extra e pesado, mas, com o carro de mão até ao monta cargas, seria coisa para se despachar em meia hora; era um oitavo andar, pois era, mas o monta cargas vai com tanta facilidade ao oitavo como ao primeiro e, sendo a viagem mais longa, maior era o período de descanso entre cada entrega; talvez até pudesse fazer o trabalho com três viagens, o monta cargas aguentaria.

Quem não aguentou foi o vizinho ao lado, que, ao sair do elevador,  reparou no rapaz a preparar-se para subir no monta cargas no meio de quatro botijas de gás; para quem é isto? para que é isto? o rapaz disse o que sabia; o vizinho encheu e saiu, disse-me o rapaz quando voltou da entrega, parecia ter inchado de um momento para o outro. Deve ter vindo, imediatamente, para aqui, porque chegou antes do rapaz voltar à loja.

O senhor tem gás?

Gás, não tenho, não; há muito tempo que deixei de vender gás em botija, deixou de haver procura; agora toda a gente tem gás canalizado. O senhor não?

Tenho, mas vi há momentos um rapaz a entregar botijas lá no prédio, no apartamento mesmo ao lado meu. Dez botijas! É muita botija não lhe parece?

Parece, claro que parece, mas …

Não foi o senhor que lhe forneceu as botijas?

Para falar verdade, fui eu que lhe forneci as botijas.

E esgotou o stock!

Não senhor. Eu não tenho stock de botijas de gás há muito tempo; é artigo que, como lhe disse, deixou de ter procura. Mas como o senhor seu vizinho me pareceu tão necessitado, prometi-lhe arranjar gás em botijas; como conheço o mercado, encomendei o que ele precisava. Se o senhor quiser, poderei também encomendar para si…

Muito bem. Encomende!

E quantas?

Dez.

Não posso garantir que consiga tantas, mas vou fazer o possível.

Vai fazer o possível?!

Vou encomendar, é o máximo que posso fazer. Não garanto, no entanto, que o preço seja o mesmo que facturei ao seu vizinho.

Essa é boa! Aumentam-se os preços no espaço de umas horas?; estamos no aproveitamento duma espiral de preços por açambarcamento?, é isso?

Não é isso. Eu deixei de ser distribuidor de gás em botija há muito tempo pelas razões que lhe disse; mas conheço quem se tenha mantido como distribuidor; se esse distribuidor, que conheço, mantiver o preço, eu mantenho o preço; não estou, nem quero, fazer nenhum aproveitamento de uma súbita procura; a minha função é servir os meus clientes sem aproveitamento especulativo seja do que for; quer que encomende?

Sim, encomende … doze botijas!

Vou encomendar. Conto que possam chegar amanhã ou ainda hoje; logo que cheguem, aviso.

Não teria passado mais de uma hora, se tanto, entra-me na loja outro freguês; era o vizinho do primeiro no andar de baixo; entrou afogueado, tanto que comecei por não entender o que ele dizia; as palavras dele soavam-me soltas, …bandido, … vigarista …, por fim, percebi que estava assustado com a entrada de doze botijas de gás no último piso, doze botijas! mesmo em cima dele e da família, mulher e três filhos, a sogra, o cão e dois gatos, que também são seres viventes, não concorda?

Em absoluto; já agora, não sendo importante para o caso, é interessante saber que o seu vizinho terá no andar acima do seu, se bem entendo, armazenadas doze garrafas de gás …

Doze, pelo menos …

É interessante saber isso porque eu só lhe forneci dez.

Não devia ter fornecido tantas, mas ele não pára de armazenar gás; ainda hoje de manhã, que eu tenha visto, entraram mais duas; é uma ameaça, entende?, uma ameaça, que é a continuação de ameaça  que começou há tempos por outros meios.

Outros  meios?

Sim outros meios, vários meios; tem feito tudo para correr comigo da casa que habito, que paguei, que é minha; começou por colocar música maluca, fora de horas, a decibéis de rebentar os tímpanos, depois, ou tudo ao mesmo tempo, deixou as torneiras da casa de banho que fica por cima da minha a correr até que alguém gritou, há água a correr pela escada!; resultado caiu-me o tecto no chão … enfim, o fulano não pára com desmandos para me obrigar a sair da casa que é minha …

Mas todas essas agressões contra si também o afectam a ele; a inundação que lhe estraga o seu tecto também estraga a casa dele, não?

Quando essas coisas acontecem, ele não está lá, sai com a família para outra casa qualquer, tem várias, ou vai para um hotel de luxo.

E a polícia, os tribunais, não intervêm?

Nunca ninguém o apanhou lá; tem mesmo o desplante de afirmar que o que acontece é obra de alguém que se infiltra na casa dele;

A mim o que, agora, mais me intriga é a acumulação de botijas de gás que ele está fazer; ele e o vizinho do lado, que, se bem o entendo, não tem nenhuma pretensão de o afastar, a si, da casa onde reside.

Pois não terá essa razão mas terá outras!

Outras?

Detestam-se!...

Estava a conversa neste ponto, quando entrou outro cliente.

Tem gás?

Não, não tenho, agora o gás é canalizado;

Era! Ouvi dizer que há cortes de gás, que há explosões de oleodutos em todo o lado.

O senhor sabia disto?, perguntei ao cliente com a conversa interrompida.

Não, não ouvi nada sobre esse assunto; mas é bem possível que haja explosões em oleodutos… não tardará que haja também explosões de gás em botija … são produtos concorrentes, não são?

Talvez; nunca tinha pensado nisso. Mas quem é que vai fazer explodir botijas dentro da sua casa?

Um acidente, pode acontecer; estão sempre a  acontecer acidentes.

Com botijas de gás?

Também com botijas de gás, sim senhor; o condomínio fechado é grande, apesar de parecer cada vez mais pequeno, há sempre acidentes em toda a parte; a mim, parece-me que, de qualquer modo, é prudente ter em casa uma botija de gás.

Só uma?, perguntei-lhe.

Porque pergunta? disse-me que já não vende.

E é verdade; há muito tempo que deixei de ser distribuidor de gás em botijas; mas também é verdade que consegui, junto de um distribuidor que conheço, dez botijas para um cliente e acabei de encomendar doze para outro; se precisa de uma botija, posso encomendar e logo se vê se o distribuidor que conheço ainda tem stock disponível.

Só preciso de uma, mas, com a sua informação de que há quem no condomínio fechado esteja a comprar uma dúzia, não sei se será prudente ter uma e imprudente ter tantas juntas ou o contrário; se o gás canalizado vai faltar mesmo, ter uma ou não ter nenhuma, pouco adianta; se fizer da casa armazém de botijas, ficarei com gás suficiente para seis meses, se tanto, mas o risco de explosão é um risco de vida para mim e para os meus mas também para todo condomínio fechado; não sei que faça.

Quando não se sabe o que fazer, manda a prudência que não se faça nada.

Quer o senhor dizer que, no meu caso, …

Não comprava nenhuma; quando faltar gás para si faltará para toda a gente, ou quase; se essa situação vier a ocorrer, se acabar o gás, se acabar a energia, o condomínio fechado entrará em conflito global, e de nada lhe servirá ter uma ou muitas dúzias de botijas de gás.

A menos que esteja a ser ameaçado, interveio o da conversa interrompida.

Ameaçado? O senhor falou em ameaçado?

Foi o que disse, sim; estava a contar o que se passa quando o senhor entrou …

Peço desculpa ter interrompido; se me permite a pergunta, a ameaça a que se refere tem que ver com a acumulação de gás …

Tal e qual; acontece que o indivíduo que mora no último andar do prédio quer, à viva força, obrigar-me a sair de minha casa, que fica no andar imediatamente abaixo do dele; o tal que encomendou dez garrafas de gás a este senhor, a juntar mais algumas que terá comprado em outros lados, segundo disse o vizinho dele, que habita o apartamento ao lado; se quer saber a razão do comportamento estranho do indivíduo só sei que ele quer ocupar a minha casa, afirmando que tem esse direito porque  a casa já foi dele…

E foi?

Foi do avô dele, que era construtor, reservou para si os dois apartamentos mais altos e vendeu os outros; o meu pai comprou-lhe, e pagou-lhe, aquele onde resido com a minha família, mas ele entende, penso eu, que o espaço dele não lhe chega e quer ficar, para já, com o meu.

Hum! E a que preço?

Não sei, nunca se falou em preço; deduzo que não é sua intenção pagar seja o que for; simplesmente quer forçar-me a abandonar a casa para ele a ocupar sem pagar nada.

E o que diz disso a vizinhança?

Vive amedrontada, em pânico, excepto o vizinho do lado, o tal que também tem mais botijas em casa do que devia…

Amedrontado, porquê?

Porque o prepotente do andar de cima pode fazer explodir o gás que tem em casa e destruir todo o condomínio fechado;

Há muita gente que diz o mesmo, mas também há muita gente que não acredita nessa hipótese suicida; afinal, duma situação dessas o prepotente também não escaparia; ninguém é tão doido que, para matar os outros, se suicide a ele mesmo, à sua família, aos seu amigos …

Tem lido as notícias, ultimamente? Conhece, razoavelmente, a história dos residentes no condomínio fechado desde quando a espécie começou a matar-se e à generalidade dos seres vivos à sua volta?  

Ficou esta reflexão filosófica a três interrompida neste ponto porque entrou mais um cliente na loja;

Em que posso ser-lhe útil?, perguntei-lhe.

Quero quinze botijas de gás.

Não tenho botijas de gás.

Não tem botijas de gás? Constou-me que o senhor estava a vender botijas de gás …

Constou mal; o que acontece é que …

Ia a explicar o já explicado, quando chega o rapaz da carrinha de gás com as doze garrafas encomendadas para o segundo cliente, o vizinho do homem ameaçado pelo do andar de cima.

Tentei continuar a explicar o explicado a este último cliente mas, nessa altura, já a carrinha do gás estava a ser assaltada por uns quantos que tinham feito fila de espera. Tinha sido apanhado com a boca na botija … Fiquei sem botijas para o segundo cliente, e, incapaz de suster a entrada da fila de clientes a berrar por uma botija, decidi dizer vou ali já venho, e pus-me a salvo da ira da turba esfomeada de gás de botija saindo pelas trazeiras. Soube mais tarde que a loja tinha sido saqueada de tudo o que tinha.

Entretanto, soube-se em todo condomínio fechado que …

“… que com tanta botija à solta, uma explosão inicial num sítio propagou-se em ondas de choque por todo o condomínio fechado, matando tudo. …”

Um momento! Essa informação estava eu incumbido dar; como é que soube isso? O senhor, quem é? De onde veio, se tudo foi matado no condomínio fechado?

É mais fácil responder à segunda pergunta: venho de um condomínio aberto, estive a ver o que acontecia aqui no condomínio fechado antes da explosão global ter acontecido.

Condomínio aberto? O que é isso?

Como o nome indica, trata-se de um condomínio do qual é possível sair para qualquer parte do universo;

Aqui também podíamos sair de uns condomínios fechados para outros condomínios fechados …

Pois podiam, mas se podiam sair é porque não residiam em condomínios fechados; residiam em condomínios abertos, é uma questão de linguagem. Deste condomínio fechado nunca saíram os residentes aqui porque não sabiam como sair dele; ainda não sabiam; com tempo suficiente, um dia saberiam como sair, mas mataram-se uns aos outros antes que esse conhecimento construtivo tivesse avançado até ao ponto onde tinha chegado o seu conhecimento destrutivo.

É estranho … disse-me que vem de um condomínio aberto; há disso no universo?

Há; em número muito maior de botijas que alguma vez houve neste condomínio fechado.

Tantos assim? Pode levar-me a um deles?

Não, agora não; é tarde, o senhor está morto, não sabia?

Sabia, sabia; morreu tudo neste condomínio fechado em poucos instantes…

A propósito se o senhor está morto … está morto há quantos anos?

Não sei; os mortos não têm tempo, ou seja têm o tempo todo …

Mas se o senhor está morto como é que me aparece a contar o que se passou aqui?

Como? Eu sou o necessário inventado para explicar o que se passou aqui antes da explosão global.

Explicar a quem?

A si, por exemplo.

A mim? Por mim não precisava de ter sido inventado; esperei o tempo suficiente para encontrar aqui garantidas condições de residência sem risco de destruição global;  o necessário inventado, neste caso, parece que não serviu para nada.

Pois estou a ver que não… já podia ter dito …

Eu disse parece que não serviu, mas serviu…

?

…serviu para confirmar que quando o conhecimento destrutivo, supera o conhecimento construtivo, em condomínio fechado, se ninguém conhece onde se encontra a saída do condomínio fechado, nenhum dos sitiados sobrevive.

Sunday, December 25, 2022

SE ELE DISSER O QUE NÓS QUEREMOS OUVIR

É BOM ACREDITAR NUM GRANDESSÍSSIMO MENTIROSO?

Não, definitivamente, não.

Putin é muito previsível; só acredita nele quem quer acreditar. Cada anúncio seu de intenções de paz é precedido, seguido, ou, mais frequentemente, em simultâneo, de ataques dirigidos à destruição de equipamentos e infraestruturas não militares e à morte de civis inocentes. Putin não muda, cada palavra sua sobre a paz lança ao mesmo tempo cargas destruidoras e assassinas, semeando o terror entre os atingidos e os que são testemunhas atentas da destruição e carnificina com que o prepotente Putin pretende alargar os seus domínios porque o território actual da Rússia é pequeno demais para as suas ambições de sufocar a liberdade que a sua mente não consente.

Hoje, invariavelmente, Putin repetiu o costume, dizendo que "a Rússia está pronta a negociar com todas as partes" quando, ao mesmo tempo, atacava a Ucrânia. Por outro lado, "Questionado se o conflito geopolítico com o Ocidente estava a aproximar-se de um nível perigoso, Putin disse: "Não creio que seja tão perigoso" - c/p aqui. - mas não pára de anunciar aos seus generais e ao mundo novos e sofisticadíssimos, palavras dele, meios bélicos com que a Rússia submeterá à força os povos que não querem ser submetidos, incluindo, se necessário aos seus intentos, as armas nucleares. 

Putin nunca utilizará armas nucleares, ainda que, repetidamente tenha ameaçado fazê-lo, depois de, também repetidamente, afirmar o contrário, pensam alguns, porque, segundo eles, Putin tem família, terá alguns amigos, e sabe que ninguém escaparia com vida de um conflito nuclear global; as suas repetidas ameaças nunca passarão de acções de chantagem para amedrontar.

É preferível acreditar neste fechar de olhos à realidade do que admitir que as probabilidades de um conflito nuclear global, enquanto existir o stock nuclear bélico actual, excedem largamente as de um prolongamento interminável de um equilíbrio sustentado pelo terror?

Para mim, que já não sou nada, mesmo nada, novo, convém-me ignorar a ameaça. Como avô, continuo a pensar que é criminoso que as gerações adultas, por comodismo mental, continuem a recusar-se a fazer contas e a ocultar dos jovens os resultados. 



Mr. Zelensky goes to Washington

Mr. Zelensky goes to Washington

O título deste artigo é óbvio, tal como são óbvias as coisas que tenho para dizer. Só que muitas vezes – talvez demasiadas vezes – dizer o óbvio é necessário e urgente. A ida de Volodymyr Zelensky a Washington a poucos dias do Natal tem um peso simbólico gigantesco, e deve ser celebrada por todos os homens de boa vontade. Chamem-me piroso: o Presidente da Ucrânia é hoje a grande figura mundial no combate pelos valores do Ocidente – democracia, liberdade, autodeterminação –, e é graças ao sangue e ao sacrifício de milhões de ucranianos que o mundo ocidental, ainda há bem pouco tempo perdido em guerras culturais estapafúrdias e obcecado por causas fúteis, parece ter reencontrado o rumo e a decência.

No seu discurso no Congresso dos Estados Unidos, Zelensky começou por agradecer o “apoio financeiro” da América. “Muito obrigado”, disse ele, pelos “pacotes financeiros que já nos forneceram e por aqueles que estarão dispostos a oferecer.” Mas logo acrescentou uma frase certíssima e fortíssima, que espero que ressoe nas consciências dos americanos, mas sobretudo dos europeus: “O vosso dinheiro não é caridade. É um investimento na segurança global e na democracia.” E é mesmo.

Ora, esse investimento só foi possível – só se tornou inevitável – porque no dia 24 de Fevereiro, quando a Rússia iniciou a sua “operação especial” que tantos garantiram que nunca aconteceria, Volodymyr Zelensky permaneceu no seu posto e não fugiu. Ninguém apostava 50 cêntimos na capacidade da Ucrânia em resistir ao Exército russo. Dizia-se que em três dias os tanques de Putin estariam em Kiev. Não aconteceu. E foi assim que a famosa frase que ninguém sabe se Zelensky realmente disse, quando convidado pelos americanos a abandonar o país na sequência da invasão russa – “Preciso de munições, não de boleia” –, se transformou no lema de resistência de uma nova e orgulhosa nação, e uma das máximas que ficarão gravadas nos livros de História. Não é coisa pouca.

Miguel Sousa Tavares termina o seu artigo no último Expresso com estas palavras: “Não há nenhum génio ou herói em Volodymyr Zelensky. Apenas o acaso de estar no lugar certo e no momento certo para se aproveitar do imenso e trágico erro de cálculo de Vladimir Putin.” Eis a mais espantosa incapacidade para ver o óbvio ilustrada por um dos mais populares colunistas portugueses. Miguel Sousa Tavares passou meses a apostar no Expresso que a Rússia nunca invadiria a Ucrânia – e foi ridicularizado por Putin. Eu escrevi um texto no PÚBLICO, dois dias após a invasão, no qual garantia que, “militarmente”, a Ucrânia estava “perdida” – e fui ridicularizado por Zelensky. Felizmente, a mim já me passou.

Da permanência em Kiev à ida a Kherson, passando pelas várias visitas à frente de batalha, não faltam exemplos de coragem física por parte do Presidente ucraniano. Mas o mais importante no seu heroísmo não é isso – é ter conseguido arrastar o mundo ocidental para a defesa da causa do seu país, e de ter ajudado a aumentar o nível político das lideranças europeias, com Ursula von der Leyen à cabeça.

No momento mais crítico após a Segunda Guerra Mundial, a Europa teve duas vezes sorte: 1) a sorte de ter um velho experiente a liderar os EUA, que sabe o que foi a URSS e os equilíbrios da Guerra Fria; 2) a sorte de ter um jovem inexperiente a liderar a Ucrânia, que não sabe o que é a mediocridade táctica da política contemporânea. Cada um à sua medida, foram os grandes heróis de 2022. Um feliz e santo Natal para todos.

Saturday, December 24, 2022

BONS NEGÓCIOS!

Bons negócios para o Tesouro, 

dela!

Alexandra Reis aterra no Governo com 500 mil euros de indemnização paga pela TAP

"A nova secretária de Estado do Tesouro recebeu a indemnização em fevereiro passado, por cessação antecipada do cargo de administradora executiva da transportadora aérea, tendo quatro meses depois sido nomeada presidente de outra empresa pública".

 

Monday, December 19, 2022

NUNCA SUBESTIMEM A ESTUPIDEZ HUMANA

Num ensaio publicado ontem no Público -  O fim da Nova Paz — Ensaio de Yuval Noah Harari  - volta a avisar este autor 

"Nunca subestimem a estupidez humana"...." a estupidez humana é uma das forças mais significativas da História", e"até líderes racionais frequentemente acabam a fazer coisas muito estúpidas". " ...o autocrata russo decidiu acabar com a era mais pacífica da História da humanidade e empurrá-la em direcção a uma nova era de guerra que poderá ser pior do que tudo o que já vimos antes.

De facto, poderá ameaçar a própria sobrevivência da nossa espécie"

Também me parece, e sobre o assunto (o da eventualidade de uma guerra nuclear fazer desaparecer do planeta que habitamos a espécie humana) tenho reflectido neste caderno de apontamentos, dezenas de vezes. Não porque receie que a ameaça me caia em cima, mas que não possam os descendentes desta geração, que usufruiu, apesar de todas as ameaças e conflitos, da possibilidade da existir, serem eliminados, sem deixar rastos, por culpa da estupidez humana. 

Esta manhã, ouço na rádio que foi alcançado, em Montreal,  acordo na conferência para a biodiversidade. entre mais de 190 países. Uma das metas é mobilizar, até ao final desta década, pelo menos 200 mil milhões de dólares por ano, para travar a perda da diversidade biológica.  

COP15: Países alcançam acordo “histórico” e “promissor” que visa proteger 30% do planeta

Não consta que a ameaça da guerra nuclear sobre a eliminação de todos os seres vivos, incluindo os humanos, tenha sido abordada na COP 15. 

Será possível salvar 30% do planeta sem salvar a humanidade?

Já tinha pensado nisso.