Wednesday, June 17, 2009

REDUNDÂNCIAS DO GOVERNADOR


Constâncio diz que os auditores "têm falhado muito" em Portugal. E os surpervisores também, acrescento eu. Tanto que é surpreendente, ou talvez não, que Vítor Constâncio só agora, ao que parece, tenha dado por isso.
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O sistema bancário "sombra" vai desaparecer com o reforço da regulação que resultará desta crise, afirmou hoje o Governador do Banco de Portugal (BdP), que acrescenta que os auditores "têm falhado muito" e também em Portugal.
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Mas não haverá nunca nenhuma regulação, supervisão, revisão ou auditoria que resista à tentação da conivência se das suas transgressões não resultarem perdas nos seus próprios patrimónios, legais ou dolosamente subtraídos da alçada da lei. Enquanto as suas próprias fortunas não responderem pelas acções ou omissões praticadas, não deixarão de se deixar capturar por quem lhes acena com vantagens ou os nomeia e lhes paga.
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Para usar a expressão de Soros, a propósito da corresponsabilização dos agentes financeiros na tomada de riscos em investimentos financeiros: " To avert a repetition, the agents must have "skin in the game" . E os supervisores, auditores e revisores também.
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Enquanto essa corresponsabilização não existir a irresponsabilidade é ilimitada e o crime compensa de forma escandalosa e em grandessíssima escala.
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O JOGO DA CABRA-CEGA

Ontem, o Grupo Visabeira confirmava a presença da Inspecção Tributária numa das suas empresas, para buscas no âmbito da "Operação Furacão", segundo as notícias que a rádio começou a transmitir desde manhã.
Hoje, as buscas das polícias voltam a ser notícia: de manhã, "Buscas judiciais na empresa que fabrica o Magalhães", a firma JP Sá Couto; à tarde, "Buscas à Câmara de Gondomar e à casa de Valentim Loureiro".
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Banalidades que se anulam mutuamente e se esquecem num ápice.

Tuesday, June 16, 2009

TÍTULOS DO DIA

British Airways pede a funcionários para trabalhar sem renumeração

MOONSTRUCK

Moonrise Over Turkey

DECISÃO ESPERTA

O Governo acaba de tomar uma decisão acertada e esperta. Acertada, porque as decisões estratégicas que envolvem compromissos a muito longo prazo devem (deveriam) ser sempre objecto do mais amplo consenso possível; depois, porque, claramente a conjuntura desaconselha o aumento do endividamento externo, a menos que, provadamente, os investimentos assegurem um retorno directo* superior aos seus custos, o que não é o caso. Mas é também uma decisão esperta, porque retira da discussão eleitoral um tema que a Oposição iria aproveitar como arma de combate político: o de ter o Governo, a poucos meses das eleições, consumado uma intenção controversa.
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De qualquer modo, o TGV dificilmente estará completamente arredado da discussão pública que irá ter lugar até às eleições. O argumento invocado por Mário Lino (procedimentos e prazos) reafirma a posição do Governo nesta matéria, de manter o TGV no programa de investimentos da próxima legislatura.
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A partir daqui, defenda cada um a sua dama da forma mais esclarecedora possível junto dos eleitores.
A crise também tem vantagens: é em tempo de vacas magras que melhor se percebem os erros cometidos em tempos de vacas gordas.
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* Tanto quanto julgo saber, a viabilidade económica do TGV tem sido defendida com recurso à invocação de eventuais vantagens indirectas, de quantificação sempre discutível.
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Ministro da Obras Públicas remete decisão final sobre o TGV para a próxima legislatura
O ministro das Obras Públicas, Mário Lino, remeteu hoje para a próxima legislatura uma decisão final do Governo sobre a alta velocidade, explicando que há procedimentos e prazos para o Executivo respeitar.

RESPIRAR/EXPIRAR

http://www.breathingearth.net/

Monday, June 15, 2009

BAD GUYS, BAD BANK

Vítor Constâncio voltou hoje à câmara de tortura. Neste momento, é Nuno Melo quem interpela. VConstâncio está mais agastado e não esconde o desconforto que a audição lhe causa, NMelo continua mostrar que o exercício lhe agrada, lhe interessa politicamente, e se preparou para confrontar VConstâncio com as informações que por portas travessas chegaram à comissão de inquérito. VConstâncio voltou a invocar que não lhe competia, enquanto governador, conhecer todos os detalhes dos processos da supervisão e, só por razões de mediatismo político, uma vez que a audição está a ser transmitida em directo pela televisão, são colocadas questões irrelevantes para o surpreender. Esforça-se, mas não convence. Enjeita a discussão dos detalhes mas acaba por gastar a maior parte do seu discurso com a leitura de acções processuais da inspecção. Ora já se percebeu há muito que a Inspecção alguma coisa inspeccionou mas o governo do BP não actuou como devia. VConstâncio é um governador cada vez mais isolado.
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O curso da audição parlamentar promete continuar, com mais ou menos agressividade de parte a parte, pelos mesmos caminhos tortuosos: os deputados a acusar o governador de não ter actuado atempadamente, o governador a defender que não teria sido, nem possível nem admissível, proceder de modo diferente, tendo em consideração as informações que o governador diz que conhecia, não coincidentes com as que, dizem os deputados, ele tinha conhecimento ou obrigação de ter.
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Até agora, de novo, apenas o anúncio (?) feito pelo governador da criação de um "bad bank" que receba e liquide os activos intoxicados do BPN.
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Um "bad bank", senhor governador? Mas é preciso outro?
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Banco de Portugal revela que libanês foi comprador final da Biometrics
O governador do Banco de Portugal volta hoje à comissão de inquérito sobre o caso BPN, e é expectável que possa esclarecer alguns contornos do ruinoso negócio da empresa de Porto Rico, a Biometrics Imageneering, que deu um prejuízo à Sociedade Lusa de Negócios de 35,2 milhões de euros. Hoje o Correio da Manhã revela excertos do relatório do Banco de Portugal que asseguram que a venda da empresa foi efectuada a um offshore propriedade de um amigo de Manuel Dias Loureiro, o libanês Abdul El Assir.

"Agag (genro de José Maria Aznar) trabaja para el Banco Português de Negócios y conoce a traficantes de armas, entre ellos a Abdul Rahman al-Asir... Entre los socios de Al-Asir se encuentra también el português Manuel Dias Loureiro, que fue ministro del Interior con el gobierno Cavaco Silva y ahora ocupa sillón de vicepresidente en el BPN, con lo que viene a ser jefe inmediato de Agag. Como se puede apreciar, las conexiones de unos y otros hacen que todo quede en casa. El 14 de septiembre de 2003, en la iglesia de Madre de Deus de Lisboa, contrajeron matrimonio Joao Luis Ferro Ródriguez y l hija de Dias Loureiro, Joana. La cena tuvo lugar en el Convento do Beato y allí, junto a la primera plana de la política portuguesa (Durão Barroso, Cavaco Silva, Mário Soares ... ), Alejandro Agag y esposa compartían mesa con Abdul Rahman al-Asir: todos viejos conocidos, todos amigos para los convites y para los negocios."
Los PPijos, Madrid, 2004

Sunday, June 14, 2009

OBSERVAR

Observar, um artigo interessante de António Barreto, a propósito da proposta do Tribunal de Contas para a criação do Observatório das Obras Públicas.

Tanto observador, para não verem o que tantos vêm:

Observatório das Obras Públicas/Observatório do QREN /Observatório das Políticas Locais de Educação/Observatório da Emigração/Observatório da Imigração/Observatório Permanente da Justiça Portuguesa/Observatório Português dos Sistemas de Saúde/Observatório do Turismo/Observatório dos Mercados Agrícolas e Importações Agro-Alimentares/Observatório de Segurança de Estradas/Observatório do Endividamento dos Consumidores/Observatório das Desigualdades/Observatório de Prospectiva na Engenharia e Tecnologia/Observatório da Publicidade/Observatório do Comércio/Observatório da Ciência e do Ensino Superior/Observatório das Actividades Culturais/Observatório do Emprego e Formação Profissional.


"Sem falar nos observatórios municipais, que os há, nos regionais, que também existem e nos privados, que não faltam. Para quê criar observatórios dependentes do governo? Para que servem as Inspecções e as direcções gerais? Por que não contratar entidades independentes, exteriores à Administração Pública, privadas ou estrangeiras? Já agora, comparem-se os prazos e os custos de obras públicas com grandes empreendimentos privados, a ponte do Carregado, por exemplo, ou os grandes centros comerciais. O resultado é uma vergonha para a Administração Pública."

O JOGO DA CABRA CEGA

Um caso como este (Freeport) pode estar de olhos fechados ao facto de existir um DVD que toda a gente já viu?
O DVD existe, mas se o Ministério Público o apresentar em julgamento o juiz não o vê nem o ouve.
Devia ser admitido como prova?
O DVD não pode ser admitido como prova porque temos uma lei que não o permite. Foi filmado às escondidas, não foi autorizado. Agora, existe, não se pode ignorar. O que vale é o que a pessoa diz perante as autoridades, não o que está no DVD.
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As absolvições com que terminam tantos casos não provam que as investigações são mal feitas?
Não. Quer dizer que não se provou o que estava na acusação. É assim em todos os países democráticos. Nunca há a certeza absoluta que uma acusação resulte em condenação. O arguido pode confessar o crime durante a investigação, por exemplo, negá-la em tribunal e deixar de haver prova.
Isso é uma crítica à lei?
É
(da entrevista dada pelo PGR ao Expresso)
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O cidadão comum, pouco dado às subtilezas jurídicas, lê isto, e não pode deixar de interrogar-se: Imagine-se que alguém está entretido na praia a filmar as ondas, e que, ocasionalmente, capta uma situação a bordo de um barco que prova a queda ao mar de um ocupante provocada por uma disputa com outro. Sabe-se depois que ninguém mais se encontrava no barco e que o indivíduo atirado ao mar acaba por naufragar e morrer. Ouvido pela polícia, o suspeito confessa-se culpado da morte do companheiro. Mais tarde, industriado pelo seu advogado, nega em tribunal a confissão anterior e invoca que dormia a sesta quando o outro desapareceu no mar. Sem outros testemunhos, o juíz, que não vê, sequer, o DVD, iliba o culpado. Alguém pode vislumbrar justiça nesta sentença? Que a autenticidade do registo possa ser posta em causa, admite-se. Que o testemunho gravado possa ser falso, percebe-se. Que o DVD, ou qualquer outro registo vídeo ou áudio, seja rejeitado por não ter sido previamente permitido (por um juíz, supõe-se) é preceito que só pode caber em mentes de um mundo subterrâneo.

Saturday, June 13, 2009

ACERCA DA IRRESPONSABILIDADE ILIMITADA

O futebol profissional, assim como todas as actividades de diversão em geral, é um negócio como qualquer outro. Não devem, portanto, escandalizar os valores a que são transaccionados os passes dos jogadores.
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Em princípio não há razões para criticar os bancos que preferem conceder crédito para as transacções futebolísticas a financiar projectos direccionados para o aumento da competitividade das produções de sectores transaccionáveis. Compete aos bancos, em princípio, avaliarem os riscos das operações que realizam, não devendo o Estado, através dos reguladores, imiscuir-se nas opções de gestão das instituições bancárias. Em princípio, a iniciativa privada é livre de proceder como bem entende em termos de gestão dos seus activos, seja no campo da indústria bancária como em outro qualquer. Em princípio, os 300 milhões de euros que o presidente do Real Madrid se propõe investir na aquisição de uma nova fornada de galácticos se não forem recuperados pelos espectáculos e pelo mershandising do Florenteam deverão ser pagos por quem investiu ou quem financiou.

Em princípio é assim mas no fim pode ser muito diferente, e esta crise confirma-o. Independentemente dos efeitos perversos que uma política bancária de crédito às actividades económicas especulativas podem ter sobre o crescimento da economia, os bancos acolhem-se a uma condição de irresponsabilidade ilimitada que decorre da ameaça de risco sistémico e da mobilização de todos os esforços para o evitar. Há muitos anos, dizia-me um banqueiro da nossa praça, em resposta a uma observação que lhe fiz, que "os bancos não podem falir". É esta confiança na sua imortalidade que faz com que alguns deles se comportem descaradamente de forma irresponsável. Uma irresponsabilidade ilimitada que aproveita a todos, sobretudo em tempos de crise, quando o risco sistémico provoca o pavor de uma pandemia mortal.
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Por cá, o BPN, o BPP, o BCP são exemplos nítidos da impunidade de que todo o sistema aproveita. Ao nacionalizar o BPN não resgatou da falência apenas as actividades deste banco mas de todos os outros porque o descalabro do BPN desencadearia o risco sistémico que, consequentemente, se abateria sobre toda a economia do país.
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Milhões e milhões têm sido injectados em todo o mundo para anular os efeitos do risco sistémico financeiro. Um risco que é coberto por uma apólice cujo prémio é, injustamente, pago pelos contribuintes, constituindo uma originalidade iníqua que não tem correcção à vista. Correcção que deveria fazer pagar aos investidores, inequivocamente e de forma expedita, e não aos depositantes, as consequências dos riscos mal calculados que os operadores financeiros, propositadamente ou não, assumem.
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Por enquanto nada nos garante que um dia destes não sejamos também chamados a pagar os 100 milhões que custaram o passe do Ronaldo. O mundo é pequeno e o risco sistémico propaga-se à velocidade da luz.
É improvável mas não é impossível. Futebol e imobiliário andam, frequentemente, de mãos dadas, e ainda há bem pouco tempo um banco português, de reconhecida idoneidade, foi apanhado num buraco que atirou para a falência uma das grandes empresas imobiliárias espanholas.
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Já depois de ter escrito este comentário ouço num telejornal que o Real Madrid tem um passivo de 500 milhões e que estes contratos estão a ser financiados pela banca com a garantia pessoal do presidente do Real, um dos maiores empresários espanhóis do imobiliário. Também há já algum tempo foi notícia que o Santander estava disposto a financiar a contratação de Ronaldo.
No mesmo telejornal ouço alguns cálculos feitos a apropósito dos 100 milhões: por exemplo, trata-se de um montante que poderia matar a fome a 8 milhões de pessoas em África. Nada a fazer: mais valem as emoções de cá que as refeições de lá.

Friday, June 12, 2009

O QUE DIZ O PROFESSOR

Caro Professor*,

Leio o seu artigo publicado no Público de hoje (Desmancha-prazeres-idiotas), e começo por não perceber quem lhe merece o epíteto. Começa o Professor por afirmar que "ser desmancha-prazeres de prazeres idiotas ... estar contra a maioria é uma delícia que (lhe) apraz saborear."
Não quero retirar das suas palavras que, para si, as maiorias são sempre idiotas mas não vejo alternativa senão deduzir delas que, em seu entender, a idiotice é uma pecha das maiorias. De outro modo, estaria contra todos os prazeres idiotas, sejam eles maioritários ou orgulhosamente sós. E sempre exceptuaria quem, com quem discorda, não é totalmente idiota.
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Destaca o Público a sua afirmação de que "as críticas às remunerações condicionadas ao sucesso das empresas são um ataque demagógico à sua eficiência". Permita-me que discorde, sem que dessa discordância retire qualquer prazer em desmanchar o quer que seja, mas apenas pelas dúvidas que algumas certezas suas me suscitaram.
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Afirma o Prof. que "estes bónus (vultosos) não existem em Portugal, pelo que a discussão, por esta razão, é vazia de conteúdo no nosso caso". Como muito bem sabe, a relatividade é inerente à medida. E se os bónus de 10 ou 20 milhões de euros, geralmente pagos a gestores norte-americanos e ingleses em anos bons (para utilizar a sua expressão), não são atribuídos em Portugal, as empresas portuguesas são minúsculas quando comparadas com os gigantes dos EUA. Faça o Prof. a proporção entre um BCP, por exemplo, e um CityBank, e os bónus que as respectivas administrações se atribuíram antes do deflagrar da crise, e constatará quem se abotoou melhor.
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Afirma o Prof, mais adiante que "(porque os bónus eram baseados em indicadores de curto prazo) ... não é uma razão para acbar com os rendimentos dos gestores ligados ao desempenho, mas para mudar esses indicadores, bem como a sua monitorização. E se alguém ficar prejudicado serão os investidores."
Acontece, contudo, que quem, geralmente, se atribui bónus vultosos é quem define as regras de atribuição, directa ou indirectamente, num círculo de influências e conivências impenetrável. E esta não é uma conclusão de maiorias invejosas e despeitadas mas de alguns académicos e personalidades insuspeitas.
E, a este propósito, recordo-me do que escreveu Alan Greenspan em The Age of Turbulence, ainda a crise não tinha emergido e o "mágico" não tinha feito o seu acto de contricção.
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"... a crítica (que deve ser feita) não é aos bónus, mas à falta de accountability (quando os gestores se comportam, na prática, como donos das empresa)", afirma o Prof.
Mas o Prof. sabe que a nomeação de auditores e revisores oficiais de contas se processa no mesmo círculo fechado de interesses e não há, por enquanto, nenhuma independência possível de contabilistas, auditores e revisores relativamente à gestão das empresas . Aproxime-se melhor o Prof. do estatuto que regula as actividades dos ROC em Portugal e concluirá com facilidade que desempenham por força de lei uma actividade de moços de fretes principescamente remunerados.
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"... se não for o nosso dinheiro nem o nosso investimento, não é assunto que nos diga respeito..." , adverte o Prof. E eu concordaria, se a afirmação não pudesse estar enviesada por aquele se inicial. Por uma simples razão: O nosso dinheiro pode andar por aí sem que a maioria se aperceba disso. Afirma o Prof. que "hoje, há vários economistas de diversas sensibilidades políticas (que) têm defendido uma redução dos salários nominais, pois estaria em causa a competitividade das nossas empresas...". Arrisco-me a pensar que o Prof. inclui o seu consócio Vítor Bento naquele conjunto. E eu admito que VBento tenha razão.
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Trabalhei durante muitos anos numa empresa industrial sujeita às leis dos mercados internacionais. Os custos e os preços são ditados pela concorrência. Os resultados não dependeram de quaisquer favores do Estado. Já o mesmo não sucede com as empresas em regime de monopólio de facto, e VBento demonstrou isso muito bem. Podemos discordar da terapêutica mas, lamentavelmente, não conseguiremos alterar o diagnóstico.
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"A onda de crítica às remunerações condicionadas ao sucesso das empresas é um ataque demagógico à sua eficiência". Pode ser. Mas desse ataque não se defende com honra quem persiste no assalto sem olhar a meios.
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* Luís Campos e Cunha

O TRIUNFO DA IRRACIONALIDADE

UnReal money
Why mega-transfers never pay off
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Late in last month’s Champions League final against Barcelona, Cristiano Ronaldo dribbled up yet another blind alley and lost the ball. Sir Alex Ferguson, Manchester United’s irascible manager, rose from the dugout as if to berate his winger.
Then he sat down again, instead of wasting breath on a soon-to-be former employee. It looked as if Sir Alex had already said a silent goodbye to Ronaldo. United had calculated that Real Madrid were offering more – something like the world record fee of £80m (€95m, $130m) agreed yesterday – than he was worth.
Like mergers in business, football transfers seldom add value. They rarely help teams win prizes or make profits. The transfer market is irrational. Real’s purchase of Ronaldo may merely offer expensive evidence of that.
The amount that a club spends on transfers bears little relation to its success on the pitch. Stefan Szymanski, economics professor at Cass Business School in London, studied the spending of 40 English clubs between 1978 and 1997 and found that clubs’ outlay on transfers explained only 16 per cent of their total variation in league position. By contrast, their spending on salaries explained 92 per cent of that variation. The more a club pays its players, the higher it finishes. But what it pays for players in transfer fees to other clubs does not seem to make much difference, explains Mr Szymanski in his and my forthcoming book, Why England Lose.
Transfers add so little value because there are so many inefficiencies in the market. For instance, teams usually pay far more for forwards than for goalkeepers, even though both positions may be equally significant. They usually pay more for players of fashionable football nationalities – Portuguese such as Ronaldo, say – than for unfashionable ones such as Albanians. And they overpay for players who, like Ronaldo, have recently achieved spectacular successes.
Buying a player at his peak is bad timing, like buying a stock after a run of good news. The market has seen his quality but he is exhausted and possibly sated with success.
Real may know they are paying more for the star forward than the benefit he is likely to bring the club in results or higher revenues. They have tried the strategy of buying great players, or galacticos, and failed. Between the summer of 2003 and 2006, Real’s expensive, star-studded team won no prizes. Florentino Perez, the president of the galactico era, has just returned to office. Last week he agreed to pay AC Milan a reported €65m ($90m, £55m) for the Brazilian Kaka. Mr Perez appears to have learned nothing and forgotten nothing about transfers.
But it would be wrong to imagine he aims only to win prizes or increase revenues. Hardly any football club behaves like a profit-maximising entity. Real is a populist democracy. Mr Perez was elected by the club’s 70,000 members, or socios. He bought Ronaldo to please them. The transfer is perhaps best understood as a marketing gift to Real’s fans, sponsors and the local media. Buying the great man is a way of saying, “Yes, we are a great club.”
It is just possible that Ronaldo will give Real a revenue boost commensurate to his cost. José Angel Sanchez said, when he was Real’s marketing director in Mr Perez’s first term, that “everything gets better” with the purchase of a galactico. Ronaldo has genius, and the appeal of a sulky boy-band singer. With him, Real can charge more from television companies, sponsors, and clubs inviting them to play friendly matches.
But Real are not very concerned with making money. The club has no shareholders, only members. Like most big football clubs, they happily incur debt. Such clubs know their brands are so strong there will always be another multimillionaire willing to bail them out.
Nor would any creditor ever dare pull the plug on them. Banks may go bust and disappear, but not big football clubs. They mostly disdain tedious quests for return on investment. Instead they live for today. That is the rationality of the Ronaldo transfer
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ENCOSTADOS

It is in Beijing’s interests to lend Geithner a hand
Martin Wolf
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Creditor countries are worrying about the safety of their money. That is what links two of the big economic stories of last week: Chancellor Angela Merkel’s attack on the monetary policies pursued by central banks, including her own, the European Central Bank; and the pressure on Tim Geithner, US Treasury secretary, to persuade his hosts in Beijing that their claims on his government are safe. But are they? The answer is: only if the creditor countries facilitate adjustment in the global balance of payments. Debtor countries will either export their way out of this crisis or be driven towards some sort of default. Creditors have to choose which.
Germany and China have much in common: they have the world’s two biggest current account surpluses, at $235bn and $440bn, respectively, in 2008; and both are also powerhouses of manufactured exports. They have, as a result, suffered from the collapse in demand of overindebted purchasers of their exports. So both feel badly done by. Why, they ask themselves, should their virtuous people suffer because their customers have let themselves go so broke?
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NOTÍCIAS DO POLO NORTE

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Last summer, for the first time in human history, boats could circumnavigate the North Pole. To the oblivious observer, this might seem like a good thing. Perhaps some green entrepreneur will build resorts on Finland’s Svalbard Islands. However, as we know, there’s a dark side.
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The year 2009 may be the tipping point in human history when society responds to or ignores global warming. The UN climate meeting scheduled for Copenhagen in December may be humanity’s last chance to avoid total chaos. It is too late to avoid some climate chaos.
For historical comparison, we might ask: When did someone on Easter Island first wonder if cutting down all the trees to roll stone statues around was really a good idea? A generation before they annihilated themselves?
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Scientists on fire
Global climate news during the last year revealed an order-of-magnitude change in the effect of human greenhouse gas emissions. The news is the scale of the impact we are having.
Climate scientists are so concerned by emerging data, that they doubt the reporting process can keep pace with actual impacts, and they’ve scheduled an emergency summit for Copenhagen this month to communicate the climate urgency to world governments.
Alarm bells sounded last summer in the UK, at Exeter University, when climatologist Kevin Anderson, presented evidence to a climate conference that the Kyoto exercise has had zero net effect, and greenhouse gas emissions have increased beyond the bleakest earlier scenarios. For example, the 2007 Intergovernmental Panel on Climate Change (IPCC) report projected that Arctic summer sea ice would "disappear almost completely towards the end of the 21st century." Now, data suggest the ice will be gone before 2015, a century ahead of previous estimates.
In 1992, when delegates first drafted the Kyoto outline, net global CO2 emissions were increasing by 0.9% per year. Today, net emissions are increasing over three-times faster. The CO2 upsurge is driven by fossil fuel burning in Europe and North America, China’s coal-powered boom, and industrial growth in the developing world, exacerbated by disappearing forests. Anderson and other scientists concluded that limiting the warming to the previous goal of 2° C is "a lost cause."
Former IPCC head, Bob Watson, warned that the world should prepare for a 4° C rise, at least, which will cause drought, food shortages, sea rise, and more forest loss, decimating species and displacing millions of people. "We’re at the very top end of the worst case scenario," he explains.
Nicholas
Stern’s 2006 report to the UK government, dismissed by denialists, now appears too conservative. Sterns says, "I badly underestimated … the damages and risks of climate change." Glacial melt in the Himalayas and Andes has reduced river flow and drinking water for billions of people. Agriculture is suffering from low water in China, Peru, East Africa and the American southwest. U.S. Energy Secretary, physicist Steven Chu, told a U.S. audience in February, "We are on a path that scares me."
At Stanford University, ecologist
Christopher Field concludes, "We are looking now at a future climate that’s beyond anything we’ve considered seriously in climate model simulations."
Katherine Richardson, from Copenhagen University, host of the
emergency climate summit this month, says, "This is not a regular scientific conference. This is a deliberate attempt to influence policy." The scientists will present "disturbing" new data about the pace of global warming.
Later, in December, nations will meet in Copenhagen to replace the beleaguered and ineffective Kyoto agreement. This meeting may be humanity’s last chance to forestall runaway global warming and avoid turning planet earth into
Easter Island writ large.

more

Thursday, June 11, 2009

GARANTIAS

Bruxelas aconselha clientes do BPP a recorrerem ao tribunal
É uma recomendação esperada. Poderia a Comissão dizer outra coisa? Não parece.
Se alguém ludibriou os credores do BPP, o logro só pode ser julgado pelos tribunais, e só os tribunais podem condenar os falsários e sentenciar penas e indemnizações. A discussão acerca da afinidade entre depósitos bancários, à ordem ou a prazo, e aplicações em fundos com retorno garantido de capital e juros não faz qualquer sentido porque não existem aplicações em fundos que não envolvam riscos. A disputa terá de ser derimida entre o grau de sofisticação do logro e o grau de inocência dos logrados. Trata-se de uma questão que nunca deverá (deveria) envolver mais do que as partes em confronto: os credores por um lado, as administrações do Banco e os seus acccionistas por outro.
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Mas há um aspecto que a Comissão Europeia pode, e deveria envolver-se: No julgamento da Justiça portuguesa que se arrasta de forma que compromete todos os dias as garantias dos cidadãos e, por essa via, abre alas ao descontentamento que se reflecte no alheamento e no desinteresse pelas instituições e, nomeadamente, as instituições europeias.
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O caso do BPP, quando subir as escadas dos tribunais, irá avolumar-se numa teia interminável de milhares de páginas tecida com todos os ardis que os advogados dominam e as leis processuais consentem. Os credores poderão esperar sentados na sede do banco enquanto aqueles que os que os iludiram se escapam pelas trazeiras para o conforto que os investimentos "com retorno garantido" lhes garantirarão, a eles, os trapaceiros.

Wednesday, June 10, 2009

CONFRONTO INTERMINÁVEL

Intellectual battle Economists clash on shifting sands
Robert Skidelsky
History is replete with famous intellectual battles. In the natural sciences, these have usually led to decisive victories, with good science ousting bad. There are few Ptolemaic astronomers left, or believers in the phlogiston theory of combustion. In the social sciences, the situation is different. There have been famous battles galore, but no decisive victories. Indeed, it is characteristic of the social sciences that their battles are interminable, temporary defeats being followed by the regrouping of the defeated forces for a renewed assault.
That economics is not a natural science is clear from the inconclusive engagements that have punctuated its own history. A hundred years ago the classical theory reigned supreme. This “proved” that free markets were automatically self-adjusting to full employment. They were either continually at full employment or, if disturbed by an outside shock, rapidly returned to it. The only thing capable of wrecking the workings of the market’s invisible hand was the visible hand of government interference.
Then along came the Great Depression of 1929-32 and John Maynard Keynes. Keynes “proved” that markets had no automatic tendency to full employment. This failing of the invisible hand justified government policies to maintain full employment.
For 30 years or so Keynesianism ruled the roost of economics – and economic policy. Harvard was queen, Chicago was nowhere. But Chicago was merely licking its wounds. In the 1960s it counter-attacked. The new assault was led by Milton Friedman and followed up by a galaxy of clever young disciples. What they did was to reinstate classical theory. Their “proofs” that markets are instantaneously, or nearly instantaneously, self-adjusting to full employment were all the more impressive because now expressed in mathematics. Adaptive Expectations, Rational Expectations, Real Business Cycle Theory, Efficient Financial Market Theory – they all poured off the Chicago assembly line, their inventors awarded Nobel Prizes.
No policymaker understood the maths, but they got the message: markets were good, governments bad. The Keynesians were in retreat. Following Ronald Reagan and Margaret Thatcher, Keynesian full employment policies were abandoned and markets deregulated. Then along came the almost Great Depression of today and the battle is once more joined.
Haunters of the blogosphere will know that the main ground of the current engagement is about the effect of the “stimulus”. FT readers will have caught a faint whiff of the intensity of this battle in Niall Ferguson’s column of May 30, headed “
A history lesson for economists in thrall to Keynes”. Prof Ferguson and Paul Krugman, the economist and New York Times columnist, had previously locked horns at a public symposium in New York on April 30. The historian had asserted that large fiscal deficits would push up long-term interest rates. This implied they would have a zero stimulatory effect: public spending would simply “crowd out” private spending. An enraged Mr Krugman responded on his blog that Keynes had proved that such crowding-out could occur only at full employment: if there were unemployed resources, fiscal deficits would not drive up interest rates without also expanding the economy. Prof Ferguson’s ignorant remarks only confirmed that “we’re living in a Dark Age of macroeconomics, in which hard-won know-ledge has simply been forgotten”.
However, this is not a debate between economists and historians. It is a battle within the economic profession – between the New Class-ical Economists and the New Keynesians. What is fascinating is that it is an almost exact rerun of the debate between Keynes and the British Treasury in 1929-30. The Treasury view was that bond-financed public spending was bound to diminish private spending by an equal amount. Keynes replied that if this were true it would apply to any new act of private spending. “In short, the fatalistic belief that there can never be more employment than there is is altogether baseless”.
Later the Treasury retreated to a more defensible position. The danger of extra government spending, it came to argue, lay not in the “physical” crowding out of resources but “psychological” crowding out. If doubts arose about the government’s solvency – a concern Prof Krugman has acknowledged – it might lead to capital flight, which would push up the cost of government borrowing.
Are we doomed to rehearse the same arguments time and again? In this particular debate, I am on Prof Krugman’s side, but I do not agree that Prof Ferguson’s position represents a retreat to a phlogiston state of economics. This is to take economics to be like a natural science, which Keynes never believed it was, because he thought its subject matter was much too variable over time.
Keynes’s view was that we need different economic models at different times. The beauty of his General Theory of Employment, Interest and Money was that it was general enough to accommodate a variety of models applicable to different conditions. Markets could behave in ways described by the classical and New Classical theories, but they need not. So it was important to take precautions against bad behaviour. Ultimately, the Keynesian revolution was a triumph not of good science over bad science, but of good judgment over bad judgment.
Lord Skidelsky’s ‘John Maynard Keynes: The Return of the Master’ will be published by Allen Lane in September

CIVISMO E FALTA DE CARÁCTER

O Presidente da República condenou hoje, durante do discurso do 10 de Junho, aqueles que se abstiveram de votar para as eleições europeias. Portanto, também me condenou a mim. Inconsequentemente.
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Poucos se decidirão a votar em próximos actos eleitorais em resposta a apelos do Presidente; muito poucos alterarão as suas motivações para votar em consequência desta condenação de hoje.
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As pessoas abstêm-se, fundamentalmente, por uma das seguintes razões:
1 - Impossibilidade física de o fazer;
2 - Alheamento total relativamente às questões políticas, incluindo o voto;
3 - Protesto contra o partido em que sempre votam, quando votam;
4 - Protesto contra todos os partidos concorrentes com possibilidades de elegerem representantes;
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Daqui decorre que a abstenção é geralmente um acto conscientemente assumido, e portanto insusceptível de ser demovido com discursos presidenciais, ou decorre de deficiente informação cívica que os discursos presidenciais não podem suprir. Mas, inquestionavelmente, apesar da relativa ineficácia do acto, o PR cumpre aquilo que é tradição e boa intenção.
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Eu, pela primeira vez, não votei porque me revoltou a unanimidade partidária e a celeridade merecidas por um diploma (entretanto vetado pelo PR) que permitia escancarar ainda mais as portas à corrupção dos políticos. E voltaria a abster-me após ouvir ou ler as declarações dos partidos comentando o veto do PR.
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Paulo Rangel, o grande vencedor de Domingo passado, afirmou, segundo Público de hoje que "só votou a favor para garantir um consenso unânime, positivo numa lei deste tipo." Quando aguardamos ainda que os senhores deputados consigam uma maioria de dois terços, possível com um consenso entre PS e PSD, para a eleição do Provedor de Justiça, que se arrasta há dez meses, só podemos ler naquilo que Rangel disse cinismo ou falta de carácter.
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Nestas eleições, eu teria votado em António José Seguro, se ele fosse candidato. Não foi, não votei. E não voltarei a votar enquanto os partidos com assento parlamentar continuarem a fazer tábua rasa da dignidade que os cargos para os quais os elegemos exigem. Não exijo dos candidatos uma pureza de intenções e processos inabalável, mas exijo-lhes, para merecerem o meu voto, civismo e carácter proporcional ao que o PR apela ao cidadão eleitor.

Tuesday, June 09, 2009

COISAS DE OUTRO MUNDO




Ouarzazate, tem estúdios de cinema, tem um museu de cinema até. Mas não tem salas de cinema. Fiquei surpreendido com esta informação, dada pelo guia, que não me deu uma explicação para o insólito da situação.
Continuo sem ela, mas num blog* confirmei a informação do guia.
Na primeira fotografia, a entrada para o museu, na segunda podem ver-se, lado a lado as silhuetas de uma mesquita e de uma igreja. São cenários de um filme. O cinema, é como se sabe, também arte de ilusão.
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Ali Essafi’s bitingly comic documentary delivers a portrait of Ouarzazate, the small southern Moroccan town whose economy is driven by the many movie crews drawn to its exotic desert scenery. Turning his camera on crabby casting directors for an Italian biblical epic, would-be extras in Astérix et Obélix and an old local hand who was once cast in a Pasolini masterwork, Essafi cannily skewers the international film industry and the disparity between movie magic and economic reality. As Ouarzazate has officially become a world-favored location, the town’s movie theaters have all shut down, and the young generation of film-buffs gather in a modest classroom around a DVD-player and television set flung on the wall. Ali Essafi is one of Morocco’s most accomplished documentary filmmakers, a genre still regarded in the country’s booming film production industry with caution and suspicion. Ouarzazate Movie iis his most acclaimed film, and marked a turn in his career.

OPACIDADE


DE VEZ EM QUANDO

(clicar na imagem para ampliar)
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De vez em quando vale a pena olhar para trás.
Há dias, quando dava uma volta a uns recortes antigos, deparei-me com o artigo de opinião de Manuel Pinho (Duas alternativas face a uma situação complicada) publicado no caderno de economia do Expresso de 4 de Dezembro de 2004, ainda ele não era ministro mas, porventura, pensava vir a ser.
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Depois de começar por referir uma intervenção de Cavaco Silva, que caracterizara a situação portuguesa como complicada e prognosticava um sério risco de emprobrecermos durante um longo período, MPinho refere, além de mais, que desde 1990 o total dos nossos défices acumulados com o exterior é (era, na altura) igual ao total verdadeiramente astronómico de 65% do PIB. Se não tivéssemos adoptado o euro, já teríamos tido uma crise cambial... Em circunstâncias normais, a terapia para esta situação é uma desvalorização da taxa de câmbio, mas como tal não é possível, a situação é mais complicada, havendo duas alternativas:
A primeira, é um longo período de contenção da despesa privada e pública ... um forte impulso ao nível tecnológico ... políticas microeconómicas activas direccionadas para tentar reorientar a oferta pra o sector dos bens transaccionáveis ...
A outra alternativa é continuar a gerir a economia em função do curto prazo por razões de calendário eleitoral ... e aí, sim, a situação não será apenas complicada : será complicadíssima.
É evidente que não estamos no bom rumo, mas manda a verdade dizer que já não estávamos.
Porque quem andou a prometer que iríamos convergir para a média da UE no prazo de dez anos mostrou não perceber minimmnete a situação complicada em que está a economia portuguesa. Ou algo pior."
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E, agora, Manuel? Estamos melhor?
Não estamos, pelo menos quanto aos indicadores que MPinho referiu: durante os quatro anos e meio que decorreram desde então, e durante os quais MPinho tem sido responsável pela economia e inovação, o endividamento externo, do Estado, dos Bancos e das famílias cresceu ainda muito mais, o sector produtor de bens e serviços transaccionáveis continuou a perder competitividade, o sector dos não transaccionáveis continuou a atrair o investimento e os melhor preparados ou relacionados. Indiscutivelmente, estamos pior. E continuaremos a piorar enquanto não existirem políticas que contrariem o favorecimento que o euro concede aos sectores que não têm que se confrontar com os mercados externos e se abrigam, de um modo ou outro, debaixo do chapéu do Estado por complacência ou conivência dos governos, central e locais. Enquanto os que trabalham nos sectores trnasaccionáveis forem filhos de um Estado menor.