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Tuesday, June 09, 2009

COISAS DE OUTRO MUNDO




Ouarzazate, tem estúdios de cinema, tem um museu de cinema até. Mas não tem salas de cinema. Fiquei surpreendido com esta informação, dada pelo guia, que não me deu uma explicação para o insólito da situação.
Continuo sem ela, mas num blog* confirmei a informação do guia.
Na primeira fotografia, a entrada para o museu, na segunda podem ver-se, lado a lado as silhuetas de uma mesquita e de uma igreja. São cenários de um filme. O cinema, é como se sabe, também arte de ilusão.
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Ali Essafi’s bitingly comic documentary delivers a portrait of Ouarzazate, the small southern Moroccan town whose economy is driven by the many movie crews drawn to its exotic desert scenery. Turning his camera on crabby casting directors for an Italian biblical epic, would-be extras in Astérix et Obélix and an old local hand who was once cast in a Pasolini masterwork, Essafi cannily skewers the international film industry and the disparity between movie magic and economic reality. As Ouarzazate has officially become a world-favored location, the town’s movie theaters have all shut down, and the young generation of film-buffs gather in a modest classroom around a DVD-player and television set flung on the wall. Ali Essafi is one of Morocco’s most accomplished documentary filmmakers, a genre still regarded in the country’s booming film production industry with caution and suspicion. Ouarzazate Movie iis his most acclaimed film, and marked a turn in his career.

Saturday, May 30, 2009

TAJINE *

Tajine é, provavelmente, o objecto mais emblemático da população berbere, aquela que maioritariamente habita o deserto e as montanhas de Marrocos. Para além do nome do mais popular apetrecho de cozinha, Tajine é também o nome de uma formação rochosa, com uma silhueta idêntica. Foi o tacho que deu o nome ao monte ou este que sugeriu o nome daquele?

Como em qualquer blog, este conjunto de fotografias e comentários arruma-se por datas. Apesar de datado automaticamente em 30 de Maio, dia em que saímos de Lisboa, a série mais recente corresponde ao dia de ontem, 7 de junho, e assim para atrás. Sugere-se pois, a sua leitura a partir do conjunto redatado a 31 de Maio.

JUNHO, 7


tagine










Manifestação de apoio a um partido concorrente às eleições de bairro em Marraquexe. Os eleitos pelos bairros elegem o "maire" da cidade e os representantes na Câmara de Deputados em Casablanca. Perguntei porque razão os manifestantes eram sobretudo mulheres. Foi-me dito que os manifestantes são pagos pelos candidatos e as mulheres têm mais necessidade de ganhar aquele dinheiro por falta de outras alternativas no mercado de trabalho.
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Ao lado, um corredor do suk.
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Ao lado, acima, cobertura do mercado na praça principal de Marraquexe.
Em baixo vasilhame feito com pneus gastos à venda no suk.



















Babuchas








Couscous
JUNHO, 5
VALE DAS PALMEIRAS



Nas ruas das aldeias nas montanhas, geralmente, não se vêm adolescentes femininas. Admito que tenham instruções para regressar a casa logo que terminem as aulas. Mas já é frequente encontrarem-se rapazes de 11, 12 anos, geralmente em grupos de dois ou três, ao longo das ruas. O índice de natalidade geral em Marrocos é de 3 filhos mas entre a população berbere são ainda frequentes as famílias com 7 ou 8 filhos. Esta elevada proliferação encontra justificação, para além das razões sociológicas, razões económicas perceptíveis num conjunto de comportamentos familiares convergentes: Os pais vêm nos filhos, homens, que emigram para as grandes cidades ou para o estrangeiro uma forma de garantia de rendimento sob a forma de remessas do exterior. Para garantir o vínculo à aldeia os varões são casados com quem as suas mães escolherem e inspeccionarem. As mulheres casadas não acompanham, normalmente, os maridos emigrados.


O vale das palmeiras é um longo oásis de cerca de 1200 quilómetros com largura variável entre cerca de 400 metros e 4 quilómetros.

Detalhe de um tecto numa Kasbah parcialmente em ruinas.































Na Kasbah viviam, para além do paxá e das suas mulheres todos os funcionários e suas famílias.

A poligamia ainda hoje subsiste nas aldeias da montanha, ignorando os chefes das aldeias a lei que a proibe.















Nas montanhas abrem-se frequentemente canyons abertos pelos glaciares que por ali se passearam há milhões de anos. As formações geológicas do deserto e das montanhas da cordilheira do Atlas devem ser delícias para qualquer geólogo. A presença de seixos rolados em pleno deserto é testemunha da presença de grandes correntes de água desaparecidas.

JUNHO, 4

DUNAS
















Quem vai à procura de grandes extensões de dunas fica decepcionado. Deve ir a outro lado.
Mas não deixa de ser um ambiente imenso de grandeza e tranquilidade.



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Ao fundo parece haver um lago, mas é uma miragem que não engana camelos.



JUNHO, 3
VIDA NO DESERTO


































Palmeiras

"acácia espinhosa"














clicar para aumentar as imagens















arganier

Do arganier, que frutifica uma baga semelhante a uma azeitona (segunda fotografia acima a contar de baixo) extraem-se óleos utilizados em produtos cosméticos.

JUNHO, 2



























































O berbere que vive nas montanhas sai de manhã de casa, normalmente uma vez por semana, para se abastecer na cidade mais próxima. Volta a casa com a carga a comprada ainda antes do meio dia. Não se vêm mulheres nestas deslocações.

Nas grandes cidades, como é o caso de Marrakech, com mais de 1 milhão de habitantes, o burro é frequentemente utilizado no transporte de cargas.















JUNHO, 1

BERBERES

Saímos de Marrakech a caminho do deserto, e o guia, que é berbere, irá passar a viagem a encarecer as virtudes do povo a que pertence e não esconderá alguma animosidade, sobretudo quando ela lhe é despertada, contra a maioria árabe a que pertence a élite que domina o país. Aliás, esse sentimento recalcado de submissão levou-o a firmar que, da população marroquina total, 1/3 seria árabe e 2/3 berbere quando, na realidade, dos cerca de 32 milhões de habitantes, cerca de 70% são árabes e 30% berberes, não atingindo as restantes etnias mais que 1%.


Uma grande parte dos berberes vive ainda nas montanhas em casas de pisé, uma amálgama de barro e aparas de palha, e sustenta-se do que cria nos vales cavados percorridos no Verão por fios de água que se avolumam no Inverno. Nas encostas pastoreiam-se caprinos, o animal também mais visto no deserto. Os camelos regalam-se hoje, quando as cargas já chegam a quase toda o lado em viaturas, sobretudo com as funções de atracção turísitica, deixando para os burritos (tal e qual), e também para as mulheres, o transporte de cargas entre distâncias curtas.

Foram estes povos berberes, que depois de dominados e convertidos pelos muçulmanos árabes, participaram na conquista e ocupação da Penínusula Ibérica a partir de 711.
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A propósito, escreveu Vasco Botelho de Amaral: «Lembrarei também o facto curioso de se designar com a palavra Mouros ou Moiros os Muçulmanos que estiveram dominando a Península. Propriamente, Mouros refere os naturais da Mauritânia, isto é, os da região do norte africano correspondente ao Marrocos actual na maior parte. Quando se deu a invasão da Península, além de Mouros propriamente ditos, outros invasores se contavam no número dos Muçulmanos, isto é, no número dos que, seguindo a doutrina do alcorão, por ela vinham conquistar o território hispânico. Nestas condições, a exactidão pediria que lhes chamássemos Muçulmanos, e não apenas Mouros.Todavia, a palavra Mouros ou Moiros entrou para sempre na língua com o significado genérico de Muçulmanos.O nosso povo, diante de ruína antiga, diz que “é do tempo dos Mouros”. E dizemos todos — moiras ou mouras encantadas, e não… muçulmanas encantadas, o que seria exacto, porém cómico» (A Bem da Língua Portuguesa, edição da «Revista de Portugal», Lisboa, 1943, p. 81).
MAIO, 31






















O Jardim Majorelle em Marrakech é uma das referências culturais e turísticas mais relevantes da segunda cidade de Marrocos. Criado por Jacques Majorelle, um pintor francês nascido em Nancy em 1886 e falecido em Paris em 1962, foi adquirido e restaurado por Ives Saint Laurent, natural de Oram, e o seu companheiro Pierre Bergé . Actualmente, é propriedade de uma fundação que assegura a sua continuidade.

Mesmo para os menos entendidos na arte, como é o meu caso, é visível que por detrás da riqueza botânica que este jardim contém se encontram elevados graus de competência científica, técnica e estética que fazem do jardim Majorel um ambiente único, que se situa a pouca distância do bulício semi medieval do suq, o maior mercado tradicional de Marrocos, dentro dos muros da medina.
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* Tajine é o nome de um prato tradicional árabe confeccionado num recipiente de barro vermelho vidrado que tem o mesmo nome.