Wednesday, September 17, 2008

A FED E O APRENDIZ DE FEITICEIRO

As ideologias são como as religiões: sustentam-se dos dogmas. Assim como os comunistas que sobram continuam a acreditar que as sociedades socialistas se desmoronaram porque uns quantos desviacionistas lhes sabotam os alicerces, também os ortodoxos liberais perfilham o capitalismo do lado dos activos do sistema e renegam-no pelo lado dos passivos, que são muitos.
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Tanto uns como outros esquecem-se, ou fazem por esquecer, que no mundo habita a humanidade, atravessada por sentimentos diversos e contraditórios. Um dos projectos mais horrorosos que já passaram pela mente humana foi a criação de indivíduos física e mentalmente sem mácula. Felizmente os feiticeiros foram derrotados.
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Hoje, quando em cada manhã o mundo acorda com a notícias de mais um edifício financeiro portentoso desabado, ainda há quem nos queira convencer que a salvação do sistema está no desconjuntamento total.
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Livre o mundo da humanidade, que é geralmente obtusa, caberiam cá os poucos que restassem muito mais à vontade. Finalmente livres nas suas cavernas.
Receio é que, nesse caso, houvesse caça e pesca que os sustentassem.
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Fed’s $85 Billion Loan Rescues Insurer
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Fearing a financial crisis worldwide, the Federal Reserve reversed course on Tuesday and agreed to an $85 billion bailout that would give the government control of the troubled insurance giant American International Group.
The decision, only two weeks after the Treasury took over the federally chartered mortgage finance companies
Fannie Mae and Freddie Mac, is the most radical intervention in private business in the central bank’s history.
With time running out after A.I.G. failed to get a bank loan to avoid bankruptcy, Treasury Secretary
Henry M. Paulson Jr. and the Fed chairman, Ben S. Bernanke, convened a meeting with House and Senate leaders on Capitol Hill about 6:30 p.m. Tuesday to explain the rescue plan. They emerged just after 7:30 p.m. with Mr. Paulson and Mr. Bernanke looking grim, but with top lawmakers initially expressing support for the plan. But the bailout is likely to prove controversial, because it effectively puts taxpayer money at risk while protecting bad investments made by A.I.G. and other institutions it does business with.
What frightened Fed and Treasury officials was not simply the prospect of another giant corporate bankruptcy, but A.I.G.’s role as an enormous provider of esoteric financial insurance contracts to investors who bought complex debt securities. They effectively required A.I.G. to cover losses suffered by the buyers in the event the securities defaulted. It meant A.I.G. was potentially on the hook for billions of dollars’ worth of risky securities that were once considered safe.
If A.I.G. had collapsed — and been unable to pay all of its insurance claims — institutional investors around the world would have been instantly forced to reappraise the value of those securities, and that in turn would have reduced their own capital and the value of their own debt. Small investors, including anyone who owned money market funds with A.I.G. securities, could have been hurt, too. And some insurance policy holders were worried, even though they have some protections.
“It would have been a chain reaction,” said Uwe Reinhardt, a professor of economics at
Princeton University. “The spillover effects could have been incredible.”
Financial markets, which on Monday had plunged over worries about A.I.G.’s possible collapse and the bankruptcy of
Lehman Brothers, reacted with relief to the news of the bailout. In anticipation of a deal, stocks rose about 1 percent in the United States on Tuesday. Asian stock markets opened with strong gains on Wednesday morning, but the rally lost steam as worries returned about the extent of harm to the global financial system.
Still, the move will likely start an intense political debate during the presidential election campaign over who is to blame for the financial crisis that prompted the rescue.
Representative
Barney Frank, Democrat of Massachusetts and chairman of the House Financial Services Committee, said Mr. Paulson and Mr. Bernanke had not requested any new legislative authority for the bailout at Tuesday night’s meeting. “The secretary and the chairman of the Fed, two Bush appointees, came down here and said, ‘We’re from the government, we’re here to help them,’ ” Mr. Frank said. “I mean this is one more affirmation that the lack of regulation has caused serious problems. That the private market screwed itself up and they need the government to come help them unscrew it.”
House Speaker
Nancy Pelosi quickly criticized the rescue, calling the $85 billion a "staggering sum." Ms. Pelosi said the bailout was "just too enormous for the American people to guarantee." Her comments suggested that the Bush administration and the Fed would face sharp questioning in Congressional hearings. President Bush was briefed earlier in the afternoon.
A major concern is that the A.I.G. rescue won’t be the last. At Tuesday night’s meeting. lawmakers asked if there was any way of knowing if this would be the final major government intervention. Mr. Bernanke and Mr. Paulson said there was not. Indeed, the markets remain worried about the financial condition of major regional banks as well as that of
Washington Mutual, the nation’s largest thrift.
The decision was a remarkable turnaround by the Bush administration and Mr. Paulson, who had flatly refused over the weekend to risk taxpayer money to prevent the collapse of Lehman Brothers or the distressed sale of
Merrill Lynch to Bank of America. Earlier this year, the government bailed out another investment bank, Bear Stearns, by engineering a sale to JPMorgan Chase that left taxpayers on the hook for up to $29 billion of bad investments by Bear Stearns. The government hoped at the time that this unusual step would both calm markets and lead to a recovery by the financial system. But critics warned at the time that it would only encourage others to seek bailouts, and the eventual costs to the government would be staggering.
The decision to rescue A.I.G. came on the same day that the Fed decided to leave its benchmark interest rate unchanged at 2 percent, turning aside hopes by many on Wall Street that the Fed would try to shore up confidence by cutting rates once again.
Fed and Treasury officials initially turned a cold shoulder to A.I.G. when company executives pleaded on Sunday night for the Fed to provide a $40 billion bridge loan to stave off a crippling downgrade of its credit ratings as a result of investment losses that totalled tens of billions of dollars.

Tuesday, September 16, 2008

O CU E A SERINGA


O presidente da Associação Sindical dos Juízes partilha da opinião do senhor Juiz Conselheiro Noronha do Nascimento, presidente do Supremo Tribunal de Justiça. Consideram ambos que a possibilidade de, nos estritos limites da lei, um magistrado poder ser responsabilizado pelos prejuizos que cause a um cidadão por erro grosseiro (avaliado e declarado como tal por outro juiz), incapacita o magistrado de tomar uma decisão em consciência.
Esta afirmação, que tem vindo a ser repetida com insistência nos últimos dias (porque será?), é uma lamentável confissão de algo que não escrevo aqui. E não o faço porque a generalização é injusta e certamente teria por efeito a falta de respeito a muitos juizes que ao longo da minha vida conheci. Magistrados cuja consciência nunca cedeu a medos e a sua coragem e isenção nunca enfraqueceram perante quaisquer ameaças, muito mais sérias do que a exigência de assumir a responsabilidade pelos seus actos.
Resisto a dizer algo mais, mas confesso que não é fácil parar por aqui perante a face mais triste do corporativismo. Limito-me a deixar esta singela pergunta. Que sociedade estamos nós a construir quando quem é investido num mandato soberano que lhe confere a autoridade de exigir ao cidadão que preste contas e pague com a privação do bem mais sagrado que é a liberdade os erros cometidos, sinta que as suas decisões de consciência são condicionadas pela lei (que nem necessitava de ser escrita) que o não o isenta de responder pelos seus?
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Percebo que se o cirurgião corta uma coisa em vez de outra, o erro tem uma avaliação objectiva, não há dúvida.
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Mas se um juíz comete um erro grosseiro, eu entendo que esse erro não resultou de uma interpretação menos correcta de uma lei ambígua mas objectivamente da aplicação grosseiramente errada da lei. Se não, não pode ser grosseiro. Será um erro no entender de uns, nem tanto no entender de outros, erro nenhum segundo alguns. Mas erro grosseiro não pode ser outra coisa se não um erro objectivamente decorrente de uma interpretação completamente afastada da lei interpretada.
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Se do recurso para o MP resultar a confirmação da sentença em primeira instância (erro grosseiro) sobra alguma margem de desculpabilização (não reembolso do Estado) para o juíz que julgou grosseiramente? Não deveria sobrar.
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Mas, se pelo contrário, os desembargadores julgarem que o erro ou não existiu ou não foi grosseiro, há lugar a indemnização ao preso temporário sem retorno para o Estado? Não deveria haver.
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Eu percebo bem que o objectivo do seu post se situa noutro patamar. Acontece que não vejo como possa apreciar-se a responsabilização dos juízes sem escalpelizar que graus assumem e que consequências têm as suas decisões. O juíz presidente do Supremo faz coro corporativo com a Associação de Juízes. Pretendem o quê? A imunidade sem reservas.
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Se apenas o erro grosseiro dá cabimento a uma reclamação de indemnização por responsabilidade extra contratual do Estado, esse erro deve ser pago por quem grosseiramente o cometeu. Se decorre de um erro não grosseiro, que pode ocorrer em qualquer actividade humana, não deverá haver lugar a indemnização alguma.
Isto é o que pensa o homem comum. Há razões para a justiça se situar para além do entendimento comum. Nesse caso, serve quem?
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Em matéria de responsabilidade extra contratual do Estado a subjectividade termina se o erro for pago por quem o cometeu de forma grosseira, por interesse próprio ou falta de capacidade profissional elementar.

QUE FAZER?

Why Wall Street is Melting Down, and What to Do About It
Robert Reich

Hank Paulson didn't blink, so Lehman Brothers went down the tubes. The end of socialized capitalism? Don't bet on it. The Treasury and the Fed are scrambling to enlarge the government's authority to exchange securities of unknown value for guaranteed securities in an effort to stave off the biggest financial meltdown since the 1930s. Ironically, a free-market-loving Republican administration is presiding over the most ambitious intrusion of government into the market in almost anyone's memory. But to what end? Bailouts, subsidies, and government insurance won't help Wall Street because the Street's fundamental problem isn't lack of capital. It's lack of trust. The sub-prime mortgage mess triggered it, but the problem lies much deeper. Financial markets trade in promises -- that assets have a certain value, that numbers on a balance sheet are accurate, that a loan carries a limited risk. If investors stop trusting the promises, Wall Street can't function.But it's turned out that many promises like these weren't worth the paper they were written on.That's because, when the market was roaring a few years back, many financial players had no idea what they were buying or selling. Worse, they didn't care. Derivatives on derivatives, SIVs, credit default swaps (watch this one!), and of course securities backed by home loans. There seemed no limit to the leverage, the off-balance sheet liabilities, and what credit rating agencies would approve by issuers who paid them to.Two years ago I asked a hedge fund manager to describe the assets in his fund. He laughed and said he had no idea. This meant almost no limit to what was promised. Regulators -- Alan Greenspan in particular -- looked the other way.It worked great as long as everyone kept trusting and the market kept roaring. But all it took was a few broken promises for the whole system to break down.What to do? Not to socialize capitalism with bailouts and subsidies that put taxpayers at risk. If what's lacking is trust rather than capital, the most important steps policymakers can take are to rebuild trust. And the best way to rebuild trust is through regulations that require financial players to stand behind their promises and tell the truth, along with strict oversight to make sure they do.We tell poor nations they have to make their financial markets transparent before capital will flow to them. Now it's our turn. Lacking adequate regulation or oversight, our financial markets have become a snare and a delusion. Government only has two choices now: Either continue to bail them out, or regulate them in order to keep them honest. I vote for the latter.

SARAMAGO BLOGGER

Goste-se muito, pouco ou nada de Saramago pessoa, Saramago escritor é grande demais para que alguém duvide da sua estatura. Hoje o velho caturra iniciou-se com um post sobre Lisboa, que escreveu "há uns quantos anos", e logo outro acerca do pedido de perdão da Igreja Anglicana a Darwin. Óbvio, mas muito actual.
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Tempo houve em que Lisboa não tinha esse nome. Chamavam-lhe Olisipo quando os Romanos ali chegaram, Olissibona quando a tomaram os Mouros, que logo deram em dizer Aschbouna, talvez porque não soubessem pronunciar a bárbara palavra. Quando, em 1147, depois de um cerco de três meses, os Mouros foram vencidos, o nome da cidade não mudou logo na hora seguinte: se aquele que iria ser o nosso primeiro rei enviou à família uma carta a anunciar o feito, o mais provável é que tenha escrito ao alto Aschbouna, 24 de Outubro, ou Olissibona, mas nunca Lisboa. Quando começou Lisboa a ser Lisboa de facto e de direito? Pelo menos alguns anos tiveram de passar antes que o novo nome nascesse, tal como para que os conquistadores Galegos começassem a tornar-se Portugueses…
Estas miudezas históricas interessam pouco, dir-se-á, mas a mim interessar-me-ia muito, não só saber, mas ver, no exacto sentido da palavra, como veio mudando Lisboa desde aqueles dias. Se o cinema já existisse então, se os velhos cronistas fossem operadores de câmara, se as mil e uma mudanças por que Lisboa passou ao longo dos séculos tivessem sido registadas, poderíamos ver essa Lisboa de oito séculos crescer e mover-se como um ser vivo, como aquelas flores que a televisão nos mostra, abrindo-se em poucos segundos, desde o botão ainda fechado ao esplendor final das formas e das cores. Creio que amaria a essa Lisboa por cima de todas as cousas.
Fisicamente, habitamos um espaço, mas, sentimentalmente, somos habitados por uma memória. Memória que é a de um espaço e de um tempo, memória no interior da qual vivemos, como uma ilha entre dois mares: um que dizemos passado, outro que dizemos futuro. Podemos navegar no mar do passado próximo graças à memória pessoal que conservou a lembrança das suas rotas, mas para navegar no mar do passado remoto teremos de usar as memórias que o tempo acumulou, as memórias de um espaço continuamente transformado, tão fugidio como o próprio tempo. Esse filme de Lisboa, comprimindo o tempo e expandindo o espaço, seria a memória perfeita da cidade.
O que sabemos dos lugares é coincidirmos com eles durante um certo tempo no espaço que são. O lugar estava ali, a pessoa apareceu, depois a pessoa partiu, o lugar continuou, o lugar tinha feito a pessoa, a pessoa havia transformado o lugar. Quando tive de recriar o espaço e o tempo de Lisboa onde Ricardo Reis viveria o seu último ano, sabia de antemão que não seriam coincidentes as duas noções do tempo e do lugar: a do adolescente tímido que fui, fechado na sua condição social, e a do poeta lúcido e genial que frequentava as mais altas regiões do espírito. A minha Lisboa foi sempre a dos bairros pobres, e quando, muito mais tarde, as circunstâncias me levaram a viver noutros ambientes, a memória que preferi guardar foi a da Lisboa dos meus primeiros anos, a Lisboa da gente de pouco ter e de muito sentir, ainda rural nos costumes e na compreensão do mundo.
Talvez não seja possível falar de uma cidade sem citar umas quantas datas notáveis da sua existência histórica. Aqui, falando de Lisboa, foi mencionada uma só, a do seu começo português: não será particularmente grave o pecado de glorificação… Sê-lo-ia, sim, ceder àquela espécie de exaltação patriótica que, à falta de inimigos reais sobre que fazer cair o seu suposto poder, procura os estímulos fáceis da evocação retórica. As retóricas comemorativas, não sendo forçosamente um mal, comportam no entanto um sentimento de auto-complacência que leva a confundir as palavras com os actos, quando as não coloca no lugar que só a eles competiria.
Naquele dia de Outubro, o então ainda mal iniciado Portugal deu um largo passo em frente, e tão firme foi ele que não voltou Lisboa a ser perdida. Mas não nos permitamos a napoleónica vaidade de exclamar: “Do alto daquele castelo oitocentos anos nos contemplam” – e aplaudir-nos depois uns aos outros por termos durado tanto… Pensemos antes que do sangue derramado por um e outro lados está feito o sangue que levamos nas veias, nós, os herdeiros desta cidade, filhos de cristãos e de mouros, de pretos e de judeus, de índios e de amarelos, enfim, de todas as raças e credos que se dizem bons, de todos os credos e raças a que chamam maus. Deixemos na irónica paz dos túmulos aquelas mentes transviadas que, num passado não distante, inventaram para os Portugueses um “dia da raça”, e reivindiquemos a magnífica mestiçagem, não apenas de sangues, mas sobretudo de culturas, que fundou Portugal e o fez durar até hoje.
Lisboa tem-se transformado nos últimos anos, foi capaz de acordar na consciência dos seus cidadãos o renovo de forças que a arrancou do marasmo em que caíra. Em nome da modernização levantam-se muros de betão sobre as pedras antigas, transtornam-se os perfis das colinas, alteram-se os panoramas, modificam-se os ângulos de visão. Mas o espírito de Lisboa sobrevive, e é o espírito que faz eternas as cidades. Arrebatado por aquele louco amor e aquele divino entusiasmo que moram nos poetas, Camões escreveu um dia, falando de Lisboa: “…cidade que facilmente das outras é princesa”. Perdoemos-lhe o exagero. Basta que Lisboa seja simplesmente o que deve ser: culta, moderna, limpa, organizada – sem perder nada da sua alma. E se todas estas bondades acabarem por fazer dela uma rainha, pois que o seja. Na república que nós somos serão sempre bem-vindas rainhas assim.
José Saramago

MINA DOS VENDAVAIS

Investidores pagaram 38% a mais pela Renováveis na OPS
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EDP Renováveis
Salário da CEO pode superar 1 milhão.
Uma remuneração anual fixa de 384 mil euros prevista para 2008, à qual acresce uma contribuição para o plano de pensão e ainda um prémio anual e um prémio plurianual para períodos de três anos, cada um dos quais até uma verba máxima de 100% do salário base.
Ou seja, se todos os seus objectivos de desempenho forem cumpridos, Ana Maria Fernandes poderá receber mais de 1,1 milhão de euros no seu primeiro ano como presidente de EDP Renováveis após a entrada da empresa na bolsa. Os valores constam do prospecto de admissão.
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Ontem, recebi um e-mail de indignação (segundo texto atrás transcrito) pelas remunerações e prémios garantidos à CEO da EDP Renováveis, que se situam em patamares que são ofensivos para a esmagadora maioria dos consumidores portugueses de energia eléctrica. Porque são eles, e mais ninguém, quem paga a esta senhora, de um momento para o outro transformada em fenómeno transcendental.
Que o país precisa de diversificar as suas fontes de energia, e que as energias renováveis podem dar um contributo ainda mais decisivo para reduzir a nossa dependência energética, ninguém, razoavelmente, contesta; Que, subitamente, se queira fazer crer que um láparo é uma lebre, e que a caçadora merece recompensa de príncipe das arábias, é um embuste e uma afronta.
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O PR ainda não há muito tempo irritou alguns cripto liberais em interesses monetários ao denunciar o escândalo. Muitos aplaudiram mas os criptolib deitaram-se ainda melhor para esse lado.
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Dos EUA continuam a chegar notícias do sismo financeiro e das brechas abertas. Ainda ninguém foi preso mas alguém sapou, por interesses próprios, os alicerces do edifícios desmoronados. E é provável que sejam responsabilizados. Por cá, já se sabe, os edifícios não caem. Apodrecem em pé encostados uns aos outros. E ninguém é culpado por isso.

Monday, September 15, 2008

A IRRACIONALIDADE NA DEMOCRACIA


Dems Must Give Voters Explicit Permission To Like Palin

Because they already do. That ship has sailed. When facts are used to discredit Sarah Palin, emotion trumps facts. The instinct is to defend against the facts. Consider: you meet someone and like him or her on a gut level. A stranger – someone who doesn’t have built-up personal credibility with you – gives you a list of reasons not to like that person. How do you react? On an emotional level, you want them to be wrong, and you will take every possible favorable inference on the likable person’s behalf. Using facts is pushing a big rock uphill. You might get it to the top with a few voters, but you’re going to expend a lot of energy for only a little return.There’s a giant disconnect between all the gleeful Democratic claims of this or that magic bullet and the genuine, instant “Blink”-style emotional connection Palin has made with so many voters who see themselves in her. The Sarah Palin Phenomenon is not about facts – it’s about an emotional gut reaction to someone who has charisma and reflects something essentially common and real about themselves. Emotion is something Republicans have understood for many cycles. George Bush’s Ohio 2004 closing “argument” Ashley ad, which simply featured Bush hugging a teenage girl who’d lost her mom on 9/11, underscored this expertise in emotional messaging. Re-watch that ad and notice the line toward the end: "I saw what I want to see." You can't talk people out of emotional certainty.To defuse the Sarah Palin Phenomenon, Democrats need to explicitly give voters permission to both like her as a person and then also not vote for her. If I were scripting the pivot, based on my conversations out in the field and away from the bubble of cable news and online analysis, I’d try something like the following (edit: in Biden's debate, in stump speeches or voter-to-voter persuasion and possibly in ads):“Sarah Palin is very likable. There’s nothing wrong with liking her. But this isn’t a zany sitcom where a friendly, plucky Everywoman with dangerous ignorance on foreign policy gets to be vice president. Americans don't deserve someone too scared to do a press conference. Fun for a TV show, but running the country doesn't permit second and third takes when you mess up the scene."“The way they sell you her story makes her appealing as a person – and she does seem like a person you’d like to have a beer with – but we’ve already tried that, and this isn’t a game show, where a game show contestant’s knowledge of the world will cut it.”“Barack Obama will meet John McCain any time, anywhere to have a foreign policy discussion about any area of the globe and any challenge to America. The person John McCain chose to be a heartbeat away from the presidency – Sarah Palin – won’t even have a press conference to answer questions on foreign policy. It’s a fun story about a gutsy, likeable woman that, if it were made into a wacky movie script, we’d all go buy a ticket, but in the real America we can’t play games with people who won’t answer questions about foreign policy. That’s unheard of, and a slap in the face to voters.”The key is the pivot, and making it as difficult as possible (from a media messaging standpoint) to permit a defensible claim of sexism. Right now the argument is “you shouldn’t like her because she’s a liar/terrible on issues you value” vs. Reality, where people already do like her and know why they do.For example, a man at Palin's rally in Carson City heatedly told an Obama volunteer in response to his anti-Palin argument, "I don't trust the facts!" Some people hear that and think: "I cannot relate to someone who would say that." I hear it and think: "Defended around emotion and feels under attack." People under attack can't be persuaded. And persuasion is the goal, remember? You can’t reason someone out of his or her feelings. But you can validate those feelings, buy their willingness to listen, and then calmly make your logical case.
There's More...

ASCENSÃO E QUEDA

Nouriel Roubini Sep 13, 2008
It is now clear that we are again – as we were in mid- March at the time of the Bear Stearns collapse – an epsilon away from a generalized run on most of the shadow banking system, especially the other major independent broker dealers (Lehman, Merrill Lynch, Morgan Stanley, Goldman Sachs). If Lehman does not find a buyer over the weekend and the counterparties of Lehman withdraw their credit lines on Monday (as they all will in the absence of a deal) you will have not only a collapse of Lehman but also the beginning of a run on the other independent broker dealers (Merrill Lynch first but also in sequence Goldman Sachs and Morgan Stanley and possibly even those broker dealers that are part of a larger commercial bank, I.e. JP Morgan and Citigroup). Then this run would lead to a massive systemic meltdown of the financial system. That is the reason why the Fed has convened in emergency meetings the heads of all major Wall Street firms on Friday and again today to convince them not to pull the plug on Lehman and maintain their exposure to this distressed broker dealer.
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Sempre me pareceram bizarros aqueles pequenos cartazes, toscos, feitos de madeira ou de cartão, geralmente presos com um arame ou um cordel aos postes dos semáforos, ou, simplesmente fixados no solo por um pau pregado ao cartaz. Havia desses cartazes um pouco por todo o lado a oferecerem empréstimos para compra de habitação "nesse mesmo dia". A mensagem estava muitas vezes escrita em espanhol mas também algumas vezes em inglês.
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Supunha eu, quando comecei a ver aquela publicidade bancária terceiro-mundista, que por detrás se encontrariam financiadores ligados a negócios de branqueamento de capitais ou usurários a cativar vítimas. Nem por um momento me passou pela cabeça, naquela altura, que aquela rede canhestra de concessão de crédito para habitação era afinal um dos vasos capilares por onde instituições prestigiadas, geridas por gente remunerada como os príncipes do petróleo, atingia o mercado dos mais vulneráveis. Mas era, vim a saber pouco depois. E eram também eles que, daquela forma, potenciavam a procura e os preços, e cobravam a fatia maior dos resultados da especulação que produziam.
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Agora que o edifício se desmorona em cada dia que passa e ameaça ruir completamente se o Estado não lhe coloca escoras, o liberalismo económico está posto irremediavelmente em causa porque a desregulamentação já mostrou as suas perversidades: quando a casa vai abaixo já o empreiteiro está a viver num fabuloso resort nas Caraíbas.

Sunday, September 14, 2008

O PIOR É A CABRA CEGA


Leio no Expresso Economia a opinião de João Borges Assunção, professor na Católica, que coincide com o que já tenho escrito aqui no Aliás acerca do assunto: "A paixão excessiva pela educação pode criar dois problemas: Por um lado a crença de que um melhor sistema de educação resolverá todo o défice de competitividade económica. Por outro, a discussão apaixonada sobre as teorias da educação em detrimento da reflexão fria sobre a gestão da escola e do sistema educativo".
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Na realidade, está mais que demonstrado que a competitividade sustenta-se geralmente nas capacidades envolvidas e estas, na formação dos indivíduos, mas a formação específica não é condição suficiente para o crescimento da competitividade e a sua abordagem essencialmente pelo lado da educação é, frequentemente uma forma de adiamento do enfrentamento com os bloqueios de curto. Se o problema do crescimento da produtividade, e, por via desta, do aumento da competitividade a impulsionar o crescimento económico, dependesse assim tanto da educação, não teríamos os licenciados desempregados que temos nem se observaria a fuga de muita gente qualificada para o estrangeiro.
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Há causas mais decisivas no emperramento em que desembocou a economia portuguesa. A mais crítica é a (falha) da Justiça.
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O frequente incumprimento das leis, que tem as suas raízes profundas numa atitude de generalizada falta de exigência nas relações entre cidadãos e cidadãos e o Estado, é, pelo menos, tão perniciosa para o crescimento social e económico como a lentidão da Justiça na apreciação do incumprimento. Criou-se um ciclo vicioso que inunda os tribunais e premeia o incumprimento das leis.
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O Estado, pela dimensão que assume na economia do país, deveria dar o exemplo de exigência, mas frequentemente não dá. O Jornal de Negócios de quinta-feira passada noticiava os primeiros resultados da aplicação dos "Princípios de bom governo das empresas do sector empresarial do Estado", um diploma aprovado em Fevereiro de 2007 . E os resultados demonstram um generalizado incumprimento por parte de quem deveria dar o exemplo. O Ministro responsável pela lei veio a público, atabalhoadamente, desculpabilizar os relapsos e os autores da legislação incumprida.
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Lamentável.

Saturday, September 13, 2008

O GEBO E O ESPELHO


Não é verdade que uma imagem valha mais que mil palavras, mas é verdade que há imagens que sugerem milhares delas. As imagens de "Aquele querido mês de Agosto", o filme de Miguel Gomes que esteve na semana dos realizadores em Cannes, sugerem muitas e diversas leituras, e é nessa sugestão, mais do que nas fotografias, quase sempre muito bem conseguidas, que reside, do meu ponto de vista, o maior valor do filme. Dele, retiro para aqui, apenas dois tópicos.
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O Moleiro, personagem real, como quase todos os personagens deste filme que acabou por ser, sobretudo, um longo documentário da vida na área de Arganil, é referido frequentemente pelos seus conterrâneos, que lhe admiram a coragem louca de saltar para o Alva do cimo da ponte no dia de Carnaval, e ter sido atropelado por uns marroquinos a quem ele havia surripiado um casaco, depois de muito instado por eles a comprar um. Para lá dessas proezas, o Moleiro embebeda-se sistematicamente aos fins-de-semana.
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A música pimba que preenche grande parte da reportagem.
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E pergunto-me: Estamos perante um Portugal segregado pelo isolamento ou de uma amostra de Portugal inteiro? Que tipo de heróis chamam os portugueses às suas conversas, que cultura exige a televisão que temos? Que música abrilhanta as festas dos caloiros e das queimas das fitas, que melhor marca de sucesso de imersão total na grande paródia que um coma alcoólico? Entre os que admiram e badalam o salto do Moleiro no Alva e aqueles que se envolvem nas atrocidades das praxes académicas quem é mais imbecil?
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Quem está ao espelho de "Aquele querido mês de Agosto"? Também alguma gente de Arganil.

E AGORA, OBAMA?



Friday, September 12, 2008

LISBOA VANDALIZADA


CMR ,

Este seu post remete-me para um outro blog


que tem vindo a mostrar Lisboa mal tratada.
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E remete-me também para um outro site, que se não tivesse sido vandalizado, teria hoje cerca de 10 anos, sendo portanto pioneiro na blogosfera da denúncia de um escândalo que deveria mexer com todos os lisboetas, de todos os portugueses com um mínimo de consciência cívica. Chamava-se "Lisboa Abandonada" e foi abatido por quem se julgou importunado. Sobrevive em regime letárgico "Lisboa Renovada" que dava conta das obras que entretanto ia observando na recuperação da cidade.
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Com os meus débeis meios tentei há dois anos divulgar esta preocupação e convidei alguns blogs à mobilização para atacar um assunto que tem incidências enormes, mas também implicações tremendas que convém abalar. Ninguém se mexeu.
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Quer o meu virtual amigo promover a ideia de um elo bloguista para salvar Lisboa?É que para a salvar é preciso romper com muitos interesses e sobretudo com muita passividade. São precisas leis que penalizem fortemente este estado de coisas.
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Porque, para além de Lisboa, há mais Portugal abandonado, e vandalizado em muitos casos.
O Sorumbático tem tanta gente com acesso a outros palcos. Porque não os convida também?

QUARTETO

Explanation: A bright trio of terrestrial planets were joined by a young Moon on September 1st, in planet Earth's early evening skies. In this view of the celestial gathering from Perth, Western Australia, the Moon's sunlit crescent is nearly horizontal at Perth's southern latitude of about 32 degrees. Venus, then Mercury, and finally Mars shine above colorful city lights on the far shore of the Swan River. The six unlit towers on the left surround a large cricket stadium. For now, the planetary trio still lingers low in the west just after sunset. But in the coming days Venus will move farther from the Sun, climbing higher after sunset, while Mercury and Mars will steadily sink into the glare along the western horizon.
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tocar para ampliar

Thursday, September 11, 2008

O DIABO E A CABRA CEGA

Ouço o noticiário e fico a saber que o indivíduo que andou aos tiros numa esquadra de Portimão foi pelo juiz mandado aguardar julgamento em liberdade. Porque, ouvi depois ao presidente do sindicato dos juízes, não se observaram nenhuma das condições em que a prisão preventiva seria aplicável, nos termos da lei ainda em vigor. O que quer dizer, deduzo eu, que para aquele juíz um tipo que entra numa esquadra e atira a matar, não apresenta sinais de perigo público, nem vai evadir-se, estando em liberdade.
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Inqualificável.
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Momentos depois, em entrevista na Antena 1, Maria José Morgado diz que o Ministério Público está impedido de recorrer das medidas de coacção aplicadas pelo juiz, salvo se for em defesa do arguido.
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Nenhuma volta a dar, portanto, mesmo que o juiz não esteja bom do juízo. A lei não prevê a possibilidade de falibilidade transitória dos juízes, qualquer que seja a causa.
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E, no entanto, eles podem cometer erros grosseiros, dizem os juízes.
Vá lá o diabo entendê-los. A eles e aos autores do Código do Processo Penal.

GONÇALVISMO EM WALL STREET

Esta crónica de João Paulo Guerra é, obviamente, capciosa

E é capciosa porque as razões pelas quais o governo norte-americano interveio na Fannie Mae e na Freddie Mac não têm nada a ver com as nacionalizações feitas em Portugal após o 11 de Março.
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Denuncia esta intervenção norte-americana na esfera privada uma debilidade do sistema capitalista? Penso que denuncia, sobretudo, uma grande debilidade da democracia. O que não é uma debilidade menor.
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Aquelas financeiras norte-americanas já tinham entrado em flagrante desequilíbrio desde 2003, ano em que os seus CEO´s foram admitidos mas continuaram por perto. E porquê?Pois por conjugação de interesses que envolveram os próprios partidos republicano e democrata. Foi desta conjugação promíscua de interesses que resultaram muitos golpes que começam agora a mostrar a profundidade.
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Dito de outro modo: O escândalo não está no facto de terem sido agora nacionalizadas. Aliás tinham sido criadas há décadas pela administração democrata de então, a sua génesis era estatal. O escândalo são as práticas que levaram à derrocada e encheram os bolsos de muitos. Mas isso poderia também ter acontecido se elas se tivessem mantido sob a alçada total do governo federal. Notar-se-ia menos? Claro que sim. Quantas empresas portuguesas nacionalizadas não teriam já desaparecido se não tivessem encostadas ao orçamento? Que parte do descalabro que acabaria com elas deveria atribuir-se a práticas lesivas de todos os contribuintes portugueses?
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Any body at home?

A CAIXA ROTA

HG

Deixo aqui o comentário que coloquei no blog de Pedro Lains, que v. refere,

Não me parece que a CGD seja um bom exemplo para confrontar-se com Fannie Mae e a Freddie Mac.

O derrube das financeiras norte-americanas estava anunciado desde 2003 quando os CEO´s de ambas foram despedidos mas continuaram ainda que formalmente subordinados a novos CEO´s. A crise das subprime veio derrubar o que já estava em estado periclitante.

Tudo aconteceu por uma conjugação de interesses a que não foram alheios ambos os partidos: republicano e democrata. Nada, portanto, que não pudesse acontecer se Fannie Mae e a Freddie Mac fossem empresas estatais. Não sendo, encostaram-se ao Estado; se fossem, já estavam encostadas.
A questão não está no encosto mas nas razões do trambolhão.

O desmoronamento acontece porque o laxismo na apreciação dos processos de concessão de crédito remunerava bastante bem os agentes de avaliação e os que lhes davam cobertura.

Em Portugal, o reforço das garantias reais, sobre os imóveis financiados, por garantias pessoais, tem amarrado os tomadores dos empréstimos e segurado muitos contratos. Mas esta amarração tem os seus limites e o aumento das taxas de juro, a inflação e o desemprego podem rebentar o dique frágil.

A Caixa Geral de Depósitos não se tem distinguido dos outros bancos portugueses na forma como se comporta em matéria de concessão de crédito para habitação. Poderia, e deveria, ser diferente, mas não é.

As avaliações feitas pelos bancos, CGD incluída, levaram durante muito tempo a sobreavaliações com o intuito de ganhar quota de mercado. Este despique foi muito notório nas campanhas de publicidade. Sentindo-se escoradas pelas garantias pessoais (que em muitos casos degeneraram em casos pessoais dramáticos) descuraram as avaliações correctas dos prédios, embarcando frequentemente os tomadores de empréstimos em valores que não tinham a ver com os prédios em si mas com a compra fictícia de mobiliário, por exemplo, de modo a contornar a obrigatoriedade de entrada mínima.

De tudo resultou uma promoção artificial da procura e o aumento dos preços num mercado com stocks crescentes.

Que fez a CGD? O mesmo.

Até fez o mesmo na questão dos arredondamentos, obrigando o Estado a intervir quando poderia (e deveria a Caixa)promover a diferença.

A única diferença da CGD é contar com uma multidão de depositantes pacíficos e outros coagidos.

Wednesday, September 10, 2008

BRISA


O Estado teve 200 milhões de euros de prejuízo pelas entidades investigadas no âmbito da “Operação Furacão”. A estimativa foi feita pelo Ministério Público que adianta que 25 por cento das entidades já procederam a uma “regularização voluntária” dos impostos em causa.
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Afinal a operação furacão parece estar a perder velocidade e não são previsíveis grandes estragos nos barcos dos silenciosos aproveitadores de ventos. O comunicado do MP refere a regularização por parte de um quarto dos prevaricadores sem quantificar a percentagem do montante total já recuperada pelo Estado, apesar deste indicador omitido poder ser mais elucidativo da eficácia da acção da polícia que o declarado.
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Por outro lado, das notícias vindas a público, não se deduz se, para além dos valores subtraídos aos cofres do Estado impendem sansões pelas transgressões observadas ou se a sua regularização, voluntária ou involuntária (é difícil perceber a diferença entre uma e o outra, neste caso) é razão de anulação de qualquer penalidade. E, se assim for, que lei protege, e a que título, estes contribuintes especiais.
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A Justiça em Portugal, salvo os casos que envolvem a arraia miúda, continua a ser servida com conta-gotas.

RENHIDO


http://politicalarithmetik.blogspot.com/2008/09/republican-bounce-and-trend-sensitivity.html

Tuesday, September 09, 2008

LISTA NEGRA

Portugal é segundo país da OCDE com mais empregados sem qualquer qualificação

Cerca de 60 por cento da mão-de-obra em Portugal não tem qualquer formação específica, sendo apenas ultrapassada, entre 27 países da OCDE, pela Turquia, onde aquele indicador se situa nos 64 por cento, revela um relatório internacional.
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Os indicadores mais recentes da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE), elaborados com base em dados de 2006, colocam ainda Portugal nos últimos lugares quanto à percentagem de trabalhadores com formação superior (cerca de 13 por cento), a par da Itália e só à frente da Turquia (pouco mais de dez por cento).No topo desta tabela surge o Canadá, onde sensivelmente metade dos empregados formou-se em universidades, seguido de Israel (46 por cento) e os Estados Unidos (39).
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De vez em quando, as estatísticas da OCDE confrontam-nos com as nossas fraquezas colectivas. Hoje vêm-nos dizer que em matéria de qualificações dos trabalhadores só a Turquia consegue ultrapassar-nos na zona negra da lista.
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Lendo isto e aquilo que acabei de escrever acerca do inevitável desaproveitamento das capacidades dos técnicos, quadros superiores e gestores reformados, parece à primeira vista que se, em Portugal, o número de pessoas qualificadas é, em termos relativos, muito reduzido, deveria observar-se uma tendência para a sua retenção nas empresas e nos órgãos do Estado e não a sua dispensa, frequentemente antecipada relativamente à idade normal da reforma.
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A contradição é aparente: i) o crescimento económico é também função das qualificações dos indivíduos, mas não só; ii) o crescimento económico é indutor do crescimento de emprego mas pode ocorrer estagnação do nível de emprego ou mesmo desemprego em fase de crescimento económico; iii) o crescimento económico sustenta-se no crescimento da produtividade e esta, sendo função da qualificação dos meios humanos envolvidos, tende a reduzir o seu número para o mesmo volume produzido.
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Dito de outro modo: A qualificação dos portugueses é condição necessária, mas não suficiente, ao aumento da produtividade, sem o qual não há crescimento económico sustentado. Mas desse crescimento económico não resultará a necessidade de um proporcional aumento dos trabalhadores envolvidos. O aumento de produção (aumento quantitativo e/ou qualitativo) exige melhores mas não proporcionalmente mais trabalhadores.
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Por outro lado, o défice de qualificações é, em Portugal, muito maior ao nível do desempenho de funções operativas e de gestão intermédia do que de gestão superior.

ESTE PAÍS TAMBÉM NÃO É PARA OS NOVOS

Rui,

Quando "resolvi" optar pelo curso de economia, atraía-me a perspectiva de compreender fenómenos que mexem com a nossa vida de todos os dias e para os quais não tinha resposta ou, se julgava que as tinha, não percebia porque razão não eram postas em prática.

Logo que comprei o livro de Economia I, lancei-me com sofreguidão às páginas do Professor Moura e não precisei de ler mais de meia-dúzia de linhas para experimentar o primeiro sobressalto: os recursos são escassos!Rapidamente refeito desse susto, não tardei a encarar essa afirmação não como uma ameaça mas como um desafio: mais à frente, alguém me iria decerto explicar como é que a Economia se propunha lidar com esse problema, a bem da humanidade.

Mais tarde, a propósito da espiral preços-salários, nova inquietação: sendo os assalariados também consumidores, não estariam os patrões a ser incongruentes ao condicionarem os aumentos salariais, limitando desse jeito o poder de compra e o crescimento da procura? Para quê preocupar-me? A resposta estaria decerto exemplarmente contemplada nalgum capítulo sobre a formação do preço, numa das muitas sebentas que, passe a ironia, haveriam de me ensaboar o juízo até ao fim do curso.

Passou o tempo que o meu tempo tem e hoje sei que esses e outros conceitos paralelos que fui acumulando se converteram em axiomas que a Economia interiorizou e se limitou a gerir a favor dos suspeitos do costume.
Vem isto, meu caro Rui, a propósito da Conversa de Velhos que teve lugar na Figueira da Foz e que te mereceu a surpreendente quão lapidar conclusão de que não há trabalho para todos e que, nesta matéria como em muitas outras, prevalece a lei da oferta e da procura. Mais um axioma a enriquecer a minha colecção.

Eu sei que este país não é para velhos (infelizmente parece não ser também para novos), mas gostaria de pensar que poderia sê-lo e assim contrariar o determinismo das teses axiomáticas.Como sei que os recursos são escassos, mas gostaria de pensar que poderiam ser suficientes, se não nos resignássemos a catalogá-los e arquivá-los como uma espécie de "colde case".E também sei que as limitações salariais são a primeira prioridade de qualquer reestruturação empresarial, mas gostaria de admitir que há formas socialmente mais equilibradas de repartir o sacrifício, quando este se justifique.

Dito de outro modo, gostaria de pensar que ao "escolher" a Economia, no pressuposto de que esta se preocupa com o estudo dos meios de satisfação das necessidades humanas, optei pelo primado dos problemas das pessoas e das condições para os resolver sobre a vacuidade dita científica de certas teses economicistas.
Um abraço
AM
PS-Usei as expressões "resolvi" e "escolher" porque me dão a ilusão de ter sido uma opção pessoal. Pu-las entre aspas para significar que, em rigor, à época não tinha alternativas. Daí talvez esta visão "bizarra" sobre o papel da Economia.
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Caro Artur, Meu Velho Amigo,
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Gostaria, antes de mais, agradecer-te o tempo que dedicaste a comentar umas divagações internéticas minhas. E também a clareza e a clarividência com que sempre abordas as questões que discutimos, qualidades que em ti não irão nunca esgotar-se, nem todos os recursos, afinal, são escassos.
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Meu Caro Artur: O que posso eu acrescentar ou contraditar aquilo que escreveste? Nada de novo.
O mundo seria uma maravilha se o pudessemos endireitar dos entorses que apresenta desde que lhe apareceu à superfície o primeiro ser inteligente. O problema é que não sabemos como isso se faz. Mesmo os profetas que têm aparecido em palco propondo-se corrigir a rota deste combóio meio caótico em que seguimos entre duas estações, o mais que têm conseguido é ampliar-lhe os balanços.
Eu também penso, e referi isso no meu post, que acerca da bondade da utilização das competências, quaisquer que sejam as suas idades, ninguém discorda. O problema coloca-se, no entanto, de forma inultrapassável, pela afluência de candidatos que excedem as vagas disponíveis. Daí também a tua conclusão desanimada de que ... "este país não é para velhos (infelizmente parece não ser também para novos)".
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Nada a fazer, portanto?, perguntas-me tu, sempre que chegamos a um beco sem saída.
Este problema não é exclusivo deste país. A história demonstra e as leis da economia comprovam que o homem caminha, se entretanto não fizer desaparecer o caminho, para uma sociedade global onde o trabalho, no sentido tradicional do termo, será um bem cada vez mais escasso. E digo um bem no sentido não figurado do termo. O homem tem impregnada no seu ADN a necessidade de produzir. Sem trabalho o homem marginaliza-se e destrói-se. Antes de ser uma forma de sustentação e de sobrevivência, o trabalho é uma necessidade primária da espécie humana. Não é por acaso que se fala do "direito ao trabalho" em vez da "obrigação de trabalhar".
Sendo ilimitadas as capacidades de produção são limitadas as capacidades de consumo. Numa economia cada vez mais global (e seria pior se o deixasse de ser) a competitividade promove a aceleração da produtividade e esta a dispensa de trabalhadores. As saídas possíveis são a produção para desperdício (que já é muito frequente) ou a destruição (guerra) para recomeçar de novo. Nada aconselhável, portanto.
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Claro que não vivemos, felizmente, num mundo acabado e mesmo os arredores mais próximos (a África, por exemplo) só agora começam a despertar para o desenvolvimento. E, nem precisamos de ir mais longe, mesmo em Portugal há muita coisa por fazer.
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Nada disto, contudo, contraria as consequências que a habilidade humana consegue: produzir cada vez mais com menos esforço. Assim sendo, os horários de trabalho tenderão a reduzir-se, os períodos de férias a aumentar, as reformas a anteciparem-se.
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Até que um dia, quem quiser trabalhar tem de pagar.
Aqui e ali, já vai acontecendo.

Monday, September 08, 2008

O QUE É QUE SE PASSA COM OS EUA?




"The poorest county in America isn´t in Appalachia or Deep South. It is on thr Great Plains, a region of struggling ranchers and dying town farms., and in the election of 2000 the Republican candidate for president, George Bush, carried it by a majority of greater than 80 percent." Thomas Frank - What´s the matter with Kansas


McCain não era o candidato preferido do núcleo duro do seu partido. Contra todas as expectativas iniciais, conseguiu aquilo que parecia pouco provável: a nomeação como candidato republicano às próximas eleições presidenciais.
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Depressa percebeu, contudo, que o seu estilo continuava a não agradar aos sectores mais radicais-conservadores do GOP e as possibilidades de vencer em Novembro seriam remotas sem os votos que têm garantido aos republicanos a presidência: a dos americanos do interior, paradoxalmente daqueles que têm sido mais atingidos pelas políticas do partido em que a maior parte deles vota.
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Colocado entre a hipótese de ceder nas suas convicções ou perder irremediavelmente as eleições, McCain consultou os oráculos e estes definiram o modelo de vice-presidente que poderia chamar ao redil os tresmalhados. E os oráculos apontaram o caminho onde se encontrava o pequeno Buda: A governadora do Alasca, um estado que tem menos população que o concelho de Sintra, até então razoavelmente desconhecida.
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Sarah Palin, como indivíduo para além da sua condição de mulher, contem os ingredientes que mobilizam a América mais retrógrada e fundamentalista: Acredita no criacionismo, rejeitando todo o edifício científico construído a partir dos alicerces darwianos; é adepta do loby das armas; rejeita o aborto mesmo quando está em causa a gestação de deficientes; caçadora, não hesita em fazer-se fotografar junto à cabeça de um urso morto por seu pai; o ambiente não lhe merece mais respeito do que a George W. Bush. Com Palin, o fundamentalismo religioso nos EUA tenderá a emular o fundamentalismo islâmico, perseguindo ambos aquilo que de mais catastrófico poderá ocorrer: o choque de civilizações, que Samuel Huntington prevê como choque de fundamentalismos religiosos.
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Palin, se um dia for presidente dos EUA, ultrapassará Bush em popularidade pelo lado mais sinistro.