Sunday, December 16, 2007

ABAIXO AS TAXAS DE JURO!

O artigo de Nouriel Roubini, Why monetary policy easing is warranted even in the current insolvency crisis, publicado ontem, é recomendado para uma leitura paralela com "The Age of Turbulence" de Alan Greenspan, sobretudo na parte que relata a súbita derrapagem da Tesouraria dos EUA logo após a decisão de George W. Bush de creditar aos contribuintes norte-americanos uma parte dos impostos por eles pagos no ano anterior. Tal decisão suportava-se na promessa feita por Bush ao eleitorado, enquanto candidato ao primeiro mandato na presidência dos EUA, e no superávite observado na última fase do mandato de Clinton. Esse superávite de tesouraria tinha atingido um volume tão excessivo, e nunca antes observado, que chegou a colocar ao Fed uma questão original: Como poderia o Fed intervir no mercado de capitais sem dispor de dívida pública para vender ou comprar? Questão que justificou a constituição de uma comissão para estudar o assunto que produziu um relatório denso de mais de três centenas de páginas.
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Algum tempo depois, o superávite tinha-se evaporado, precisamente quando as cartas de reembolso estavam a ser enviadas aos contribuintes, e o Fed voltava a fazer aquilo que normalmente faz: baixar e subir as taxas de juro.
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A nova economia, e sobretudo a nova economia norte-americana esvaziava-se dos excessos com que muitos se tinham deleitado e espantado (e enriquecido fabulosamente de um dia para o outro) e entrava em período recessivo fazendo recear um período de deflação idêntico ao observado no Japão durante 13 anos.
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A deflação não aconteceu. Aconteceram, contudo, o 11 de Setembro, a caça à al Qaeda, a invasão do Afeganistão e do Iraque, as ameaças de antrax, snipers na área de Washington, os escândalos financeiros da Enron e da WorldCom, a SARS (a gripe mortal originária da China).
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A situação actual, apesar do receio generalizado de uma crise económica no próximo ano, é, por agora, muito mais calma.
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Esperemos que recupere com mais umas reduções ou uns aumentos das taxas de juro comandados agora por Ben Bernanke. Como sempre, contudo, os palpites acabam sempre por baralhar as teorias e a neuroeconomia ainda está na infância. Para já o dólar tem estado a recuperar contra quase todas as moedas com a notícia do aumento da inflação nos EUA.
Amanhã, ver-se-á se continua a inflexão vigorosa iniciada a semana passada.
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Why monetary policy easing is warranted even in the current insolvency crisis
Nouriel Roubini Dec 15, 2007
Recently I have been repeatedly asked – by commentators on this blog and others - the following questions: If you rightly believe that the current global financial crisis is one of insolvency and not just of illiquidity and is also due to fundamental incentive problems of financial agents in a world of asymmetric information why do you now recommend that central banks aggressively cut interest rates? Since you argue that monetary easing will not prevent the unavoidable hard landing why to support a reduction in policy rates? Wouldn’t this monetary easing imply a bailout of reckless lenders, borrowers and investors, cause another asset bubbles and prevent the necessary – if painful – loss of asset values and restructuring of distressed claims? And wouldn’t this monetary easing risk causing high inflation at a time when such inflationary pressures are already rising? And since – as you correctly argued – the recently announced coordinated monetary policy injection by central banks has so far failed to affect liquidity spread in a significant way – why should easing policy rates make any difference?

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