Friday, January 23, 2009

TENTAMES

A crise encalhou o barco da economia de mercado e trouxe até à praia os destroços da economia planificada. Enquanto uns discutem o modo de safar o capitalismo sem lhe arrombar ainda mais o casco, outros entusiasmam-se com a ideia de reconstruir o socialismo propriamente dito.

No meio deste súbito reacendimento de uma discussão que parecia soterrada nas cinzas, os meus amigos L Machado e D Vieira colocaram-me debaixo do braço quatro textos de Teixeira Ribeiro reunidos em livro publicado em Junho de 1991: "Sobre o Socialismo". Do primeiro texto (Capitalismo e Socialismo em um mundo só), escrito para uma conferência no Instituto de Altos Estudos Militares, em Junho de 1960, ao último (Eficiência da Economia Socialista), uma comunicação à Academia de Ciências de Lisboa em Maio de 1991, há uma evolução do pensamento, e das convicções, de Teixeira Ribeiro que reflectem as dramáticas transformações políticas no mundo, e sobretudo o mundo dominado por sistemas de economia dirigida, e que (entendimento meu) afrouxaram as suas esperanças num sistema que ele viu desmoronar-se.

Teixeira Ribeiro tinha, certamente para além de muitos outros méritos, uma capacidade notável para expor de forma clara o seu pensamento mas até, neste aspecto, a comunicação de Maio de 1991, ressente-se da sua vontade de acreditar no resgate de um barco à deriva sem ele saber bem como poderia operar-se o salvamento.

Dois anos antes, também em comunicação à Academia das Ciências (Essência da economia socialista), Teixeira Ribeiro justificava a admissão de uma economia socialista em regime democrático por contraposição: "... (se) há capitalismo em países de regime democrático e em países de regime autoritário, porque não admitir também que o sistema económico socialista é compatível com diversos regimes políticos, pelo que podemos ter, ambos economias socialistas, um socialismo democrático e um socialismo autoritário?" Entendendo Teixeira Ribeiro por socialismo o mesmo socialismo (enquanto sistema económico caracterizado pela apropriação dos meios de produção pelo Estado em igual grau em ambos os casos, não se confundindo, portanto com a social democracia) em ambiente democrático ou autoritário.

A esta hipótese, nunca confirmada na prática, coloquei as minhas dúvidas em post suscitado também pelo DV aqui . Muito resumidamente, não vejo compatibilidade possível entre um sistema democrático (no sentido ocidental do termo), que por sua natureza concede ao indivíduo liberdade de escolha, com um sistema económico onde a escolha é fundamentalmente dirigida pelo Estado. Em todo o caso trata-se de uma análise de índole política, em campo onde a abordagem científica não é possível todos os argumentos são discutíveis ad infinitum, enquanto não houver prova prática em contrário, e até hoje não houve.
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Entre a conferência de Junho de 89 e a de Maio de 91, caiu o muro de Berlim (Novembro de 89), o PCUS foi colocado na ilegalidade em Agosto de 91, o processo de desintegração da Jugoslávia e o fim do que sobrava experiência autogestionária de Tito ocorreu logo a seguir entre 91 e 92.
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Teixeira Ribeiro na sua comunicação de Maio de 91, ao abordar a questão da "Eficiência da Economia Socialista" procurava provar que, para além de poder o socialismo*realizar-se em sistema democrático (objecto da sua conferência de Maio de 89) também a economia socialista poderia ser tão eficiente quanto a economia capitalista desde que prosseguisse na relação entre os agentes económicos a mesma mecânica de ajustamento por tentames entre a oferta e a procura através do preço, replicando o processo que o mercado gera espontâneamente.
E, argumentava Teixeira Ribeiro, amparando-se na experiência jugoslava à beira da fim, "a economia socialista de mercado não só se concebeu como se realizou".
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Também a experiência autogestionária socumbiria poucos meses depois.
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Esforça-se Teixeira Ribeiro, e outros antes e depois dele, por refutar as teses de Von Mises e Hayek de que a economia socialista, por carecer de racionalidade económica que só o mercado gera, não teria nunca condições para criar a dinâmica que resulta da interacção natural dos comportamentos individuais. E é da (reconhecida) impossibilidade de poder em economia dirigida, "executar satisfatoriamente a sua tarefa de estabelecer em cada momento os preços de equilíbrio das milhentas mercadorias produzidas no país" que nasce a ideia da simulação programada dos mecanismos naturais da economia de mercado.
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Sabemos hoje que essa tentiva também falhou.
(continua)
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* "Entendemos por economia socialista, (...) aquela em que os meios de produção se encontram socialmente apropriados e em que a produção se faz com mira na satisfação das necessidades. Distingue-se da economia capitalista por nesta os meios de produção se encontrarem individualmente apropriados." - Teixeira Ribeiro, "Eficiência da Economia Socialista"

MARÉS

Quando, há uns anos, visitei uma fábrica japonesa na região do Monte Fuji, fui surpreeendido pela inscrição, em português, em letras brancas, compridas, uns dez centímetros, num chão verde, impecavelmente limpo: de um lado, "Olhe à esquerda", do outro, "Olhe à direita". De repente, não percebi o que se passava, penso que admiti estar subitamente transtornado após alguns dias sem ver palavra em caracter alfabético, ou que, por gentileza extrema dos meus anfitriões, eles tivessem preparado a minha visita ao ponto de inscreverem mensagens que me evitassem algum atropelamento.
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Obviamente, nada do que instantâneamente me ocorrera ao ler os avisos tinha a ver com a razão porque eles estavam ali quando as portas se abriram. A razão era bem mais prática: Com o objectivo de atrair imigrantes que contrariassem o declínio demográfico no Japão, o governo nipónico decidiu alterar as leis restritivas da emigração nos anos 90 e, em sequência disso, mudaram-se para lá cerca de 500 000 trabalhadores brasileiros de ascendência japonesa com as suas famílias. Que, naturalmente, não sabia, e muitos ainda não sabem, falar japonês. Daí a necessidade de advertir os trabalhadores brasileiros do movimento dos robots na fábrica.
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Lembrei-me disto quando hoje li no Washington Post: Japan Works Hard to Help Immigrants Find Jobs. A crise também chegou ao Japão e muitos desses imigrantes, tendo perdido os seus empregos ou correndo o risco de os perder, estão a pensar em voltar ao Brasil. O que, no entanto, as entidades locais estão a tentar contrariar com medidas de apoio à sua permanência no país onde estes imigrantes têm as suas raízes e que, sem eles, verá o seu declínio demográfico ainda mais acelerado.
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Uma perspectiva de repensar a forma de ultrapassar a crise que parece avolumar-se cada dia que passa.

POIS É.


Thursday, January 22, 2009

UPSIDE DOWN

O que é que pretende um investidor como Joe Berardo quando "considera que os governantes terão de regressar às nacionalizações para salvar empregos?"

Nacionalizações da banca, do BCP, por exemplo, onde Berardo tem uma participação relevante?

No rescaldo das nacionalizações que se seguiram ao 11 de Março de 1975, recordo-me de alguns empresários terem sugerido ao governo a nacionalização das suas empresas por não conseguirem suportar as condições que a conjuntura lhes impunha, nomeadamente as reivindicações sindicais (das comissões de trabalhadores, sobretudo).

Para outros, as nacionalizações apareceram como uma oportunidade para se desvincularem de projectos que mais tarde ou mais cedo falhariam por, já antes de 25 Abril de 74, estarem condenados.

A maior parte, contudo, viu nas nacionalizações um roubo.

Em que grupo teremos de considerar Joe Berardo? No último, não, seguramente, uma vez que ele próprio considera que as nacionalizações são imperativas para salvar empregos.

A menos que, como o compadre alentejano, considere que as nacionalizações dos bois são boas e recomendam-se se forem nacionalizados os bois dos outros.

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Joe Berardo: "Tudo o que aprendi até agora foi por água abaixo"

Joe Berardo diz que a crise financeira veio pôr em causa tudo que aprendeu em décadas de investimentos. Teve de renegociar as garantias e recorrer às reservas pessoais. Sobre os negócios, vê com bons olhos a fusão da Zon e da Sonaecom, e considera que os governantes terão de regressar às nacionalizações para salvar empregos.

A ILHA DE GELO AO RUBRO

Continuam os protestos em Reykjavyk
Tem laivos da Tomada da Bastilha

COISAS DE JUÍZES


GUILHOTINA?

A guilhotina parece-me excessiva.
Mas o artigo do Telegraph que a nossa Amiga A., sempre muito atenta, refere na caixa de comentários ao post anterior, dá bem conta do estado de ânimo de revolta que já tomou conta de muita gente em todo o mundo.
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Eu próprio, desde o início desta crise que a ganância e o crime de abuso de confiança potenciou em escala nunca antes vista, fui levado em alguns comentários neste meu caderno de apontamentos, a alguma proposta mais radical. Penso que o autor do artigo do Telegraph foi levado pelo mesmo sentimento de protesto extremo a reclamar a guilhotina para os culpados e beneficiados do desastre. Mas não creio que estivesse a pensar que o corte de cabeças seja a solução mais adequada para remediar os estragos. A guilhotina reflecte, neste caso, apenas a sede de justiça que parece não haver intenção de saciar.
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A justiça deveria ser mais célere e mais equânime: Bastava, como comentava A. ainda há pouco tempo, que os culpados fossem julgados segundo as mesmas leis que condenaram a mulher que furtou um pão no Lidl.
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We have every right to be angry with the bankers Bosses who wrecked rock-solid institutions walked away with millions - leaving us to pay for their folly.
By Philip Johnston
21 Jan 2009...
Beyond the sheer incredulity, there is anger that the people responsible have cushioned themselves financially against the privations that their recklessness will induce in millions of others. ...And it is not only the bankers we want to see on their way to the guillotine: they should be joined by the regulators who either turned a blind eye to what was happening or were simply incapable of finding out. Were they knaves or fools?
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Wednesday, January 21, 2009

DE TANGA?

S&P corta "rating" de Portugal
A Standard & Poor’s cortou hoje o "rating" da dívida pública da República Portuguesa, de AA- para A+, afirmando que as reformas estruturais delineadas pelo Governo são insuficientes para o país continuar a merecer a notação anterior.
Corte do "rating" domina abertura dos noticiários da SIC e TVI
S&P antecipa "pressão significativa" nos bancos portugueses
Governo "firmemente empenhado em implementar medidas para combater a crise"
Medidas anti-crise vão colocar défice em 4% nos próximos três anos
Avaliação de risco do Santander Totta cai com a de Portugal
"Não esperamos melhorias substanciais no potencial de crescimento de longo prazo"
Portugal tem um dos piores riscos da dívida da Zona Euro

EXUBERANTE IRRACIONALIDADE

Ontem, dia da Inauguration, as bolsas caíram desalmadamente nos EUA. O índice S&P 500 caiu 5,28%. É curioso, no entanto, notar que o dia da Inauguration tem sido marcado por quedas nas últimas décadas. Nenhuma atingiu, contudo, a dimensão atingida ontem. Carter viu a sua posse maracada por uma queda de 0,85%; Reagan, queda de 2%; George H W Bush, queda de 0,1%; Clinton, queda de 0,4%; George W Bush, sem alteração.

O índice médio Dow Jones industrial desceu abaixo dos 8000 pontos, reflectindo uma queda de 4%, a sua pior performance em dia de Inauguration desde a sua criação há 124 anos. O Nasdaq acompanhou a tendência do Standard & Poor´s 500 atrás referida, e caiu mais de 5%.

Um comportamento tão dissonante com o entusiasmo transbordante de 2 milhões de pessoas que acorreram de todo o lado da União para aclamar Obama deveu-se, segundo os analistas, ao desencanto dos investidores com as notícias de agravamento dos problemas na indústria, a insufiuciência da resposta do governo e do plano de recuperação.

Por outro lado, a possibilidade de nacionalizações da banca, em debate por todo o lado, em consequência do anúncio de péssimos resultados dos grandes bancos, abala imparavelmente a confiança dos investidores.

HOJE, as principais Bolsas dos Estados Unidos recuperaram, encerrando em terreno positivo, impulsionadas pelo maior ganho dos últimos dois meses no grupo dos títulos financeiros dada a convicção de que o plano Barack Obama vai revitalizar a banca.

Entretanto, o petróleo dispara mais de 7%.

Só não percebe isto quem não frequenta Casinos. Suponho eu.

O SENHOR QUE SE SEGUE

Barclays afunda 35% com receios de nacionalização
O Barclays já afundou mais de 35%, e desvalorizou 68,5% nas últimas sete sessões, perante a especulação de que poderá vir a ser forçado a efectuar mais amortizações e a ser nacionalizado. O banco britânico vale agora 4,7 mil milhões de euros, o que compara com a capitalização bolsista de 8,7 mil milhões de euros de há sete sessões.

BES em mínimos de quase 12 anos lidera perdas entre a banca nacional
O início do ano está a revelar-se difícil para o sector bancário europeu, e Portugal não é excepção. O BES já atingiu esta manhã o nível mais baixo desde Abril de 1997 e é o banco que mais perde na bolsa nacional em percentagem.

ELA PODE VOLTAR


" Overall, the past five decades have been an age of economic hubris. In the 1960s, we sought to end poverty through federal spending. By the late '70s, we thought that controlling the money supply could solve everything. In the '80s, tax incentives were seen as capable of dramatically increasing the rate at which people saved. By the '90s, it seemed to many that Alan Greenspan could fine-tune the business cycle out of existence by tinkering with the Federal Reserve's interest rates. Now comes Treasury Secretary Henry Paulson, offering a new taxpayer-funded bailout scheme nearly as often as he changes his shirt. Almost overnight, it seems, we have become convinced that massive infrastructure spending can save us."


Tuesday, January 20, 2009

O PROBLEMA ESTÁ NOS BANCOS

Eu não sei se Luís Campos Cunha acabou por explicar como se ataca o problema nos bancos, onde, segundo ele, reside o problema.
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E, indiscutivelmente, se não está lá o problema todo, está lá a maior parte.
Em dia de Inauguration, o fantasma da derrocada pairou para lá do entusiasmo popular. Que fará Obama amanhã quando acordar cansado das festas e o Dow Jones estiver a cair imparavelmente?
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O encerramento de Wall Street por uns dias poderá ser o balde água fria que falta despejar sobre as cabeças sobreaquecidas para travar o delírio. Mas não resolve o problema.
Gordon Brown sugere que o sigam. E avançou para a nacionalização camuflada do Royal Bank of Scotand. Para já.
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Não sei se era este o caminho em que pensava LCC. Mas não vislumbro outro.
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Fears About Banks

NEW YORK, Jan. 20 -- New doubts about the health of major banks triggered sharp losses on Wall Street Tuesday, with the
Dow Jones industrial average shedding 4 percent and the Nasdaq and Standard & Poor's 500 stock index plunging more than 5 percent.
Bank of America, J.P. Morgan Chase and Citigroup fell to fresh lows, leading the Dow down 332 points to 7949 points, its worst closing level since Nov. 20.
The S&P 500 lost 45 points to close at 805 points, while the technology-heavy Nasdaq ended 88 points lower at 1441 points.
"The problem is first and foremost in the financial sector and it's spreading out in all other manners," said Richard Cripps, chief investment officer at Stifel Nicolaus in Baltimore. "It's just hard to think about trying to own stocks if we can't get the banking system on some kind of solid footing, and it seems to be on anything but that at the moment."
The Royal Bank of Scotland moved a step closer toward full government control in Britain over the weekend, renewing worries about the stability of banks around the globe. Meanwhile, State Street, the largest money manager for institutional investors such as pensions and mutual funds, jolted the market when it said paper losses on bond investments had climbed from $3.3 billion on Sept. 30 to $6.3 billion at the end of December.
more

OBAMA - DISCURSO INAUGURAL

My fellow citizens:
I stand here today humbled by the task before us, grateful for the trust you have bestowed, mindful of the sacrifices borne by our ancestors.
I thank President Bush for his service to our nation as well as the generosity and cooperation he has shown throughout this transition.
Forty-four Americans have now taken the presidential oath.
The words have been spoken during rising tides of prosperity and the still waters of peace. Yet, every so often the oath is taken amidst gathering clouds and raging storms. At these moments, America has carried on not simply because of the skill or vision of those in high office, but because We the People have remained faithful to the ideals of our forbearers, and true to our founding documents.
So it has been. So it must be with this generation of Americans.
That we are in the midst of crisis is now well understood. Our nation is at war against a far-reaching network of violence and hatred. Our economy is badly weakened, a consequence of greed and irresponsibility on the part of some but also our collective failure to make hard choices and prepare the nation for a new age.
Homes have been lost, jobs shed, businesses shuttered. Our health care is too costly, our schools fail too many, and each day brings further evidence that the ways we use energy strengthen our adversaries and threaten our planet.
These are the indicators of crisis, subject to data and statistics. Less measurable, but no less profound, is a sapping of confidence across our land; a nagging fear that America's decline is inevitable, that the next generation must lower its sights.
Today I say to you that the challenges we face are real, they are serious and they are many. They will not be met easily or in a short span of time. But know this America: They will be met.
On this day, we gather because we have chosen hope over fear, unity of purpose over conflict and discord.
On this day, we come to proclaim an end to the petty grievances and false promises, the recriminations and worn-out dogmas that for far too long have strangled our politics.
We remain a young nation, but in the words of Scripture, the time has come to set aside childish things. The time has come to reaffirm our enduring spirit; to choose our better history; to carry forward that precious gift, that noble idea, passed on from generation to generation: the God-given promise that all are equal, all are free, and all deserve a chance to pursue their full measure of happiness.
In reaffirming the greatness of our nation, we understand that greatness is never a given. It must be earned. Our journey has never been one of shortcuts or settling for less.
It has not been the path for the faint-hearted, for those who prefer leisure over work, or seek only the pleasures of riches and fame.
Rather, it has been the risk-takers, the doers, the makers of things -- some celebrated, but more often men and women obscure in their labor -- who have carried us up the long, rugged path towards prosperity and freedom.
For us, they packed up their few worldly possessions and traveled across oceans in search of a new life. For us, they toiled in sweatshops and settled the West, endured the lash of the whip and plowed the hard earth.
For us, they fought and died in places Concord and Gettysburg; Normandy and Khe Sahn.
Time and again these men and women struggled and sacrificed and worked till their hands were raw so that we might live a better life. They saw America as bigger than the sum of our individual ambitions; greater than all the differences of birth or wealth or faction.
This is the journey we continue today. We remain the most prosperous, powerful nation on Earth. Our workers are no less productive than when this crisis began. Our minds are no less inventive, our goods and services no less needed than they were last week or last month or last year. Our capacity remains undiminished. But our time of standing pat, of protecting narrow interests and putting off unpleasant decisions -- that time has surely passed.

Starting today, we must pick ourselves up, dust ourselves off, and begin again the work of remaking America.
For everywhere we look, there is work to be done.
The state of our economy calls for action: bold and swift. And we will act not only to create new jobs but to lay a new foundation for growth.
We will build the roads and bridges, the electric grids and digital lines that feed our commerce and bind us together.
We will restore science to its rightful place and wield technology's wonders to raise health care's quality and lower its costs.
We will harness the sun and the winds and the soil to fuel our cars and run our factories. And we will transform our schools and colleges and universities to meet the demands of a new age.
All this we can do. All this we will do.
Now, there are some who question the scale of our ambitions, who suggest that our system cannot tolerate too many big plans. Their memories are short, for they have forgotten what this country has already done, what free men and women can achieve when imagination is joined to common purpose and necessity to courage.
What the cynics fail to understand is that the ground has shifted beneath them, that the stale political arguments that have consumed us for so long, no longer apply.

The question we ask today is not whether our government is too big or too small, but whether it works, whether it helps families find jobs at a decent wage, care they can afford, a retirement that is dignified.
Where the answer is yes, we intend to move forward. Where the answer is no, programs will end.
And those of us who manage the public's knowledge will be held to account, to spend wisely, reform bad habits, and do our business in the light of day, because only then can we restore the vital trust between a people and their government.
Nor is the question before us whether the market is a force for good or ill. Its power to generate wealth and expand freedom is unmatched.
But this crisis has reminded us that without a watchful eye, the market can spin out of control. The nation cannot prosper long when it favors only the prosperous.
The success of our economy has always depended not just on the size of our gross domestic product, but on the reach of our prosperity; on the ability to extend opportunity to every willing heart -- not out of charity, but because it is the surest route to our common good.
As for our common defense, we reject as false the choice between our safety and our ideals.
Our founding fathers faced with perils that we can scarcely imagine, drafted a charter to assure the rule of law and the rights of man, a charter expanded by the blood of generations.
Those ideals still light the world, and we will not give them up for expedience's sake.
And so, to all other peoples and governments who are watching today, from the grandest capitals to the small village where my father was born: know that America is a friend of each nation and every man, woman and child who seeks a future of peace and dignity, and we are ready to lead once more.
Recall that earlier generations faced down fascism and communism not just with missiles and tanks, but with the sturdy alliances and enduring convictions.
They understood that our power alone cannot protect us, nor does it entitle us to do as we please. Instead, they knew that our power grows through its prudent use. Our security emanates from the justness of our cause; the force of our example; the tempering qualities of humility and restraint.
We are the keepers of this legacy, guided by these principles once more, we can meet those new threats that demand even greater effort, even greater cooperation and understanding between nations. We'll begin to responsibly leave Iraq to its people and forge a hard- earned peace in Afghanistan.
With old friends and former foes, we'll work tirelessly to lessen the nuclear threat and roll back the specter of a warming planet.
We will not apologize for our way of life nor will we waver in its defense.
And for those who seek to advance their aims by inducing terror and slaughtering innocents, we say to you now that, "Our spirit is stronger and cannot be broken. You cannot outlast us, and we will defeat you."
For we know that our patchwork heritage is a strength, not a weakness.
We are a nation of Christians and Muslims, Jews and Hindus, and nonbelievers. We are shaped by every language and culture, drawn from every end of this Earth.
And because we have tasted the bitter swill of civil war and segregation and emerged from that dark chapter stronger and more united, we cannot help but believe that the old hatreds shall someday pass; that the lines of tribe shall soon dissolve; that as the world grows smaller, our common humanity shall reveal itself; and that America must play its role in ushering in a new era of peace.
To the Muslim world, we seek a new way forward, based on mutual interest and mutual respect. To those leaders around the globe who seek to sow conflict or blame their society's ills on the West, know that your people will judge you on what you can build, not what you destroy.
To those who cling to power through corruption and deceit and the silencing of dissent, know that you are on the wrong side of history, but that we will extend a hand if you are willing to unclench your fist.
To the people of poor nations, we pledge to work alongside you to make your farms flourish and let clean waters flow; to nourish starved bodies and feed hungry minds.
And to those nations like ours that enjoy relative plenty, we say we can no longer afford indifference to the suffering outside our borders, nor can we consume the world's resources without regard to effect. For the world has changed, and we must change with it.
As we consider the road that unfolds before us, we remember with humble gratitude those brave Americans who, at this very hour, patrol far-off deserts and distant mountains. They have something to tell us, just as the fallen heroes who lie in Arlington whisper through the ages.
We honor them not only because they are guardians of our liberty, but because they embody the spirit of service: a willingness to find meaning in something greater than themselves.
And yet, at this moment, a moment that will define a generation, it is precisely this spirit that must inhabit us all.
For as much as government can do and must do, it is ultimately the faith and determination of the American people upon which this nation relies.
It is the kindness to take in a stranger when the levees break; the selflessness of workers who would rather cut their hours than see a friend lose their job which sees us through our darkest hours.
It is the firefighter's courage to storm a stairway filled with smoke, but also a parent's willingness to nurture a child, that finally decides our fate.
Our challenges may be new, the instruments with which we meet them may be new, but those values upon which our success depends, honesty and hard work, courage and fair play, tolerance and curiosity, loyalty and patriotism -- these things are old.
These things are true. They have been the quiet force of progress throughout our history.
What is demanded then is a return to these truths. What is required of us now is a new era of responsibility -- a recognition, on the part of every American, that we have duties to ourselves, our nation and the world, duties that we do not grudgingly accept but rather seize gladly, firm in the knowledge that there is nothing so satisfying to the spirit, so defining of our character than giving our all to a difficult task.
This is the price and the promise of citizenship.
This is the source of our confidence: the knowledge that God calls on us to shape an uncertain destiny.
This is the meaning of our liberty and our creed, why men and women and children of every race and every faith can join in celebration across this magnificent mall. And why a man whose father less than 60 years ago might not have been served at a local restaurant can now stand before you to take a most sacred oath.
So let us mark this day in remembrance of who we are and how far we have traveled.
In the year of America's birth, in the coldest of months, a small band of patriots huddled by nine campfires on the shores of an icy river.
The capital was abandoned. The enemy was advancing. The snow was stained with blood.
At a moment when the outcome of our revolution was most in doubt, the father of our nation ordered these words be read to the people:
"Let it be told to the future world that in the depth of winter, when nothing but hope and virtue could survive, that the city and the country, alarmed at one common danger, came forth to meet it."
America, in the face of our common dangers, in this winter of our hardship, let us remember these timeless words; with hope and virtue, let us brave once more the icy currents, and endure what storms may come; let it be said by our children's children that when we were tested we refused to let this journey end, that we did not turn back nor did we falter; and with eyes fixed on the horizon and God's grace upon us, we carried forth that great gift of freedom and delivered it safely to future generations.
Thank you. God bless you.
And God bless the United States of America.

TÍTULOS DO DIA


Constâncio acusa Cadilhe de ter uma "visão egocêntrica" do seu papel

Constâncio admite que perspectivas económicas são piores que há duas semanas
Lloyds afunda quase 50% para mínimo de duas décadas com receios de nacionalização
Washington empolgada com tomada de posse
BMW reduz horários de trabalho a 26 mil funcionários
Fiat fica com 35% da Chrysler sem investir capital
Mitsubishi vai suspender temporariamente a produção em três fábricas no Japão
Maior retalhista alemã anuncia corte de 15 mil postos de trabalho
Receitas da Porto Bay atingem os 53 milhões em 2008
George Soros considera que plano económico dos EUA é insuficiente
Petróleo abaixo dos 33 dólares em Nova Iorque
Euribor caem pela 70ª sessão para mínimos de 2005
Portugueses são dos que mais gastam em férias
Os portugueses são dos viajantes que mais pagam por estadias em hotéis, tanto dentro como fora de Portugal, revela o Hotel Price Index do site Hotels.com. Madrid e Nova Iorque são as cidades mais visitadas pelos portugueses.


MARTE CLOSE- UP


clicar para aumentar e utilizar os cursores para ver toda a fotografia
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Explanation: If you could stand on Mars -- what could you see? One memorable vista might be the above 360-degree panoramic image taken by the robotic Spirit rover over the last year. The above image involved over 200 exposures and was released as part of Spirit's five year anniversary of landing on the red planet. The image was taken from the spot that Spirit stopped to spend the winter, near an unusual plateau called Home Plate. Visible on the annotated image are rocks, hills, peaks, ridges, plains inside Gusev crater, and previous tracks of the rolling Spirit rover. The image color has been closely matched to what a human would see, and named for the famous space artist Chesley Bonestell.

OBAMA AND US


OBAMA

Há mais de dois anos, mais precisamente em 14/12/2006, comentava e perguntava-me aqui "...Daqui a dois anos haverá novamente eleições presidenciais, e o caroussel começa a dar os primeiros sintomas de arranque, perfilando-se, desde já como mais prováveis competidores nas primárias do partido Democrata a senadora Hillary Clinton e o senador Barack Obama. Estará a democracia norte-americana preparada para eleger, em 2008, uma mulher ou um negro? Ou uma negra, já que do lado Republicano a actual Secretária de Estado tem sido avançada como hipótese" .
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A resposta foi dada há pouco tempo e a sua concretização começa hoje. Obama, depois de ter tornado um caso de excepcional popularidade em todo o mundo, confirma com a sua eleição para a presidência dos EUA que não só os norte-americanos estavam preparados para eleger um afro-americano para o mais alto cargo da nação, como esperam dele uma esperança mudança que muito dificilmente pode ser em grande medida correspondida.
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Esse é o dilema de Obama: O excesso de carisma que o transformou numa personalidade de quem se esperam todos os milagres, muitos deles contraditórios. Conseguirá Obama incutir no ar desconfiado que se respira em toda a parte a confiança perdida e relançar a esperança com que se constrói o futuro? Oxalá.
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A partida é dada em clima bem mais frio do que aquele em que foi eleito há dois meses ainda que o calor humano à sua volta, que há muitos anos não atingia uma intensidade tão contagiante, pareça querer contrariar o pessimismo que persiste em continuar a romper o tecido económico e financeiro, tornando cada vez mais complicada a tarefa de o recuperar.
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Boa sorte, Obama!



Monday, January 19, 2009

OS BANCOS E AS BOLSAS

Persiste o pessimismo generalizado à volta do sistema financeiro.
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As bolsas são (continuam a ser) os barómetros de avaliação da pressão sobre o sistema, e a pressão continua a subir. Os títulos dos media de um e do outro lado do Atlântico escrevem-se cada dia em tons mais deprimentes que no dia anterior. Os ratings são revistos em baixa com a mesma agilidade com que eram, ainda há não muito tempo, revistos em alta. É um caso sério?
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A julgar pela unanimidade desconsolada das reacções parece que sim.
E, no entanto, dando uma olhadela às cotações observadas hoje no "porta-moedas" de Lisboa fica a saber-se que, por exemplo, foram transaccionados 8.006.602 títulos do BCP, com cotação de fecho de € 0,780, uma variação de -4,060%; 680.968 do BES, cotação 6,00, variação -3,320%;
1.609.042 do BPI, cotação 1,620, variação -4,200%; 7.420.731 da EDP, cotação 2,790, variação -0,180%.
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Umas contas simples dão-nos uma ideia muito aproximada dos valores transaccionados: BCP - 6.245.150 euros; BES - 4.085.808; BPI - 2.606.648; EDP - 20.703.839,
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Significa isto que transacções num só dia, que representaram apenas cerca de 0,119% do valor dos capitais próprios do BCP em 30/6/2008, 0,083% do BES, 0,15% do BPI, 0,2,78% da EDP, tiveram, no caso do BCP, um efeito 34 vezes superior no seu valor de capitalização, 40 vezes no BES, 28 no BPI, 64 na EDP. O exercício repetido conduz a conclusões semelhantes.
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Isto é sobejamente conhecido. Como é que pode alguém continuar a defender que também os mercados financeiros tendem para o equilíbrio quando, por efeitos exógenos ou endógenos, eles entram numa espiral de descontrolo? E, mais estranho ainda, como pode continuar a considerar-se que os valores em bolsa reflectem o valor das empresas cotadas? A subir, é uma beleza.
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Presumo que, por este andar, um dia destes haverá uma onda alargada de nacionalizações da banca. Antes que haja uma falência generalizada dos fundos soberanos. Porque talvez não se reforme o sistema sem um cataclismo verdadeiramente histórico.
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One Idea for Banks: Quarantine Bad Assets: U.S. Officials Look To Solution Used By Sweden in '91
Angry Investors Launch Lawsuits: Class-Actions Mount Despite Uncertain Payouts for Those Who Lost Money
EU: recession will be deep and long-lasting

GUARDA RIOS


foto de Pedro F.
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Guarda Rios, que vive perto do lago de Neuchatel, onde fizeram uns ninhos que os Guarda Rios gostaram e agora utilizam cada ano.

Sunday, January 18, 2009

SONHOS E RABANADAS - 6

Pois é verdade, embora pareça mentira: recebemos convite para a Inauguration!

Toda a gente a perguntar-nos se íamos à Inauguration e a gente a encolher-se reconhecendo que não tínhamos convite. Uma frustração em perspectiva.

Até descobrirmos que o cunhado tem um primo que é irmão de um fulano casado com uma funcionária do consulado de Portugal em Washington, e fomos convidados! A cunha é uma instituição notável, digam os frustrados crónicos o que quiserem, o cunhado conhece meio mundo, cunhas é com ele. Sem cunha ficaríamos em casa a ver a Inauguration pela televisão como qualquer fulano no fim do mundo. Com cunha somos parte do corpo diplomático confortavelmente sentado a menos de trinta metros da tribuna, e ninguém perde com isso. Só lucro.
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E lá fomos. De carro até à estação de Great Falls Church e de metro até L´Enfant Plaza metro station. Mas não foi fácil: em Falls Church o parque estava apinhado, andámos por ali às voltas a ver se alguém saía, estávamos quase a desistir quando um casal ainda jovem atravessou à nossa frente a rodopiar as chaves nos dedos e entrou no carro do outro lado. Demos a volta tão céleres quanto a imprudência permitia, o lugar lá estava, ainda quente. Foi só entrar e correr para a estação para apanhar o próximo comboio, dali a três minutos. Iria a deitar por fora, como um combóio indiano em dia de festa, se as portas não recusassem a entrada aos que chegaram depois.
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Lá dentro ia uma chinfrineira de se tirar o chapéu senão abafava-se. Quando, finalmente, chegámos a Washington e o pessoal começou a sair, é que percebemos que até chegar aos lugares reservados ao corpo diplomático, isto é, à nossa gente, tínhamos de atravessar toda aquela distância, meia milha talvez, entre pessoal sentado ou estendido ao sol, sem darem pelo frio que que fazia, à espera que a Great Parade começasse para eles e a Inauguration para nós.
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É durante este deambular entre a multidão que quase tropeçamos com um cavalheiro, ofegante, em fato de treino, a saltitar e a olhar à roda, aparentemente perdido, com aspecto de quem a quem o jogging só pode fazer mal ao coração e à coluna. Reconheci o tipo mas não conseguia ver donde.
E disse: Bom dia! para o ar.
O tipo olhou-nos como quem olha uma bóia caída por obra e graça do céu, e respondeu: Bom dia!
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Era, nem mais menos, que o nosso poliédrico ministro das finanças.
Tinha saído do hotel com o pelotão da representação portuguesa, encabeçado pelo primeiro-ministro, mas perdera o contacto com os da frente, no meio daquela americanada toda, depois de ajustar as meias que tinham escorregado por serem grandes demais os ténis que lhe tinham emprestado.
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E ali estava ele sem saber o caminho de volta e sem dinheiro para um táxi que o levasse a tempo de se apresentar para a Inauguration. Emprestámos-lhe vinte dólares, e ele garantiu-nos que as hipóteses de reembolso eram elevadas, ia estar com os tipos do FMI, não seria ainda desta que o estado iria cessar pagamentos.
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A Inauguration foi um must, charme a extravasar urbi et orbi.
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Voltar foi outra aventura enlatada mas mais sossegada. Aparte um ou outro mais bebido, percebia-se que vinham da festa.
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Ao chegar a Great Falls Church é que foi o bom e o bonito: não encontrámos o carro. Demos voltas e mais voltas a perceber se não teríamos trocado as coordenadas mas concluímos que o carro tinha sido rebocado por estacionamento reservado a grávidas. Pensámos chamar táxi mas os únicos vinte dólares em caixa tinham sido emprestados ao ministro.
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E, agora?, como voltamos para casa?
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Está decidido: Não vamos à Inauguration. Veremos a Great Parade et Orbi.